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INVICTUS

Posted in Crítica, Cultura by micheletavares on 03/02/2010

Eu sou o capitão da minha alma

Por Cida Marinho

 

O cenário é a África do Sul no início da década de 90. O presidente eleito, Nelson Mandela havia passado cerca de 30 anos na prisão. Eleito pelo povo, estava disposto a perdoar e unificar seu país utilizando-se de uma ferramenta: a paixão nacional pelo rugby.

Clint Eastwood aparece em mais uma direção brilhante, o vencedor de quatro Oscars também diretor de Sobre Meninos e Lobos, Menina de Ouro e Gran Torino (nos dois últimos também atuou) especializa-se na emoção de histórias não convencionais. Morgan Freeman como Mandiba, nome de clã de Mandela, incorpora o personagem com destaque para o modo de falar e andar; ainda assim a conhecida e forte expressão distancia um pouco o espectador do personagem real, o franzino homem sorridente que faz política fora das convenções, de forma inesperada, sempre em busca da paz comum.

Foto: Divulgação

O enredo do filme narra a crença de um presidente no rugby, um esporte com grande representatividade no país. O Apartheid já havia chegado ao fim, mas o esporte ainda segregava. Enquanto os brancos torciam por sua seleção, os negros torciam por qualquer oponente estrangeiro. Uma herança dos que foram presos pelo regime racial, tal como o presidente.

Às vésperas do campeonato mundial de rugby a ser sediado na África do Sul, Mandela pede a ajuda de François Piennar, capitão do time, interpretado por Matt Damon para levantar a moral da desacreditada equipe. Com apenas um negro no time, não é fácil realizar mudanças físicas, táticas e no modo de pensar dos jogadores. Falta menos de um ano para o campeonato.

A figura de Nelson Mandela tem importância muito maior do que a representada no filme, que é apenas um recorte de sua atuação na África do Sul. Em alguns momentos, ela apresenta-se como um presidente facilmente manipulado por seu pessoal de gabinete, que toma decisões políticas enquanto o único interesse do presidente parece ser mesmo o esporte. Mandela tem sim um interesse maior, afinal unir a nação no esporte seria determinante para a melhor convivência entre brancos e negros e aceitação das mudanças que ele viria a sugerir à nação.

Nas proximidades de mais uma Copa do Mundo de futebol, não há como deixar de pensar que algo muito semelhante acontece em nosso país. Todos estão de olho na bola e a política continua sendo feita, a oportunidade ideal para que medidas sejam tomadas sem o conhecimento do povo, e talvez do presidente. Mas deixemos a politicagem de lado.

Além dos atores principais, já premiados pelo Oscar, vale a pena apreciar os jogos de rugby, um esporte pouco difundido no Brasil, uma espécie de futebol misturado ao futebol americano, violento mas nem tanto.

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