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Mídia explora diversidade sexual de forma democrática?

Posted in Opinião, Reflexão by micheletavares on 04/02/2010

Por Júnior Santos

A mídia nunca esteve tão “democrática”, com relação à abordagem do homossexualismo, como está agora. Parece até uma obrigação que qualquer produto midiático tenha tratar de tal questão. É reality-show, telenovela, filmes, edições especiais de programas televisivos, entre outros. Mas será que quantidade anda junto com qualidade?

Uma das mais famosas redes de comunicação, a empresa Globo ganha um notório destaque nesse ponto de abordagem da homossexualidade. O mais famoso reality-show do país, o Big Brother Brasil, chega a sua décima edição se vangloriando de ser um programa aberto à diversidade, sem nenhum tipo de preconceito. A presença de três participantes gays, que pertencem a tribo dos Coloridos, reforça a idéia de um produto gay friendly, isento de qualquer homofobia. Porém, Angélica, Dicesar e Sérgio, são quase que forçados, a todo o momento, a falar na preferência sexual que têm, seja pela divisão dos grupos ou pelas perguntas, indiscretas e cheias de malícias, do apresentador Pedro Bial.

A "Tribo dos Coloridos", formados por homossexuais, no BBB 10. Fonte: TVNortao.com.br

Os temas referentes à diversidade sexual vêm sendo muito explorado também nas telenovelas da mesma emissora. Do ano de 2003 até o momento atual é difícil não encontrar personagens homossexuais presentes nos enredos dramatúrgicos, principalmente, no horário nobre da programação, a partir das 21h.

Na novela de Manoel Carlos, Mulheres Apaixonadas, foram abordados os dilemas sofridos pelas adolescentes Clara (Aline Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli) por viver um amor gay, que era bastante recriminado pela mãe da primeira. Logo após, na trama escrita por Aguinaldo Silva, teve o romance entre a médica Eleonora (Mylla Christie) e a estudante Jenifer (Bárbara Borges), que sofreu inúmeras dificuldades quando tentaram adotar uma criança. Na mesma ficção, teve ainda o casal formado por Turcão (Marco Vilela) e Ubiracy (Luiz Henrique), pertencentes a parte de comédia do núcleo, e mostrava as discrepâncias entre o machão e o homossexual afetado. Já na história da novela América, de Glória Perez, o personagem Júnior (Bruno Gagliasso) vivia metido em confusões tentando esconder a sua preferência sexual da mãe.

Contudo, o que a empresa Globo traz em comum em todas as abordagens do homossexualismo, vinculado nos mais diversos tipos de programas, é a notória tentativa de se declarar como uma emissora aberta a todo tipo de diversidade, sem nenhum preconceito. Para tanto, não há uma preocupação em como abordar o tema, se os personagens estão sendo alvo de chacotas, ou se o que está sendo demonstrado é apenas o lado negativo da questão, os problemas e dificuldades pelas quais passam as pessoas que gostam de outras do mesmo sexo. O beijo gay já foi proibido várias vezes, qualquer demonstração mais apimentada de carinho é retirada, os momentos de trocas de juras de amor são imperceptíveis.

Além do mais, há uma descoberta de que o público gay consome bem, e até mais, os produtos midiáticos quando percebe a abordagem de temas relacionados ao homossexualismo, acredito que trará a tona uma série de debates e discussões a respeito do assunto. Um exemplo bem claro é o filme “Do Começo ao Fim”, de Aluízio Abranches, que mesmo antes de estrear nas telas dos cinemas, já fez o maior sucesso no meio GLS, devido a um vídeo-promo que acabou caindo na internet, seis meses antes de ficar pronto. Bastou fazer menção a diversidade sexual, para se criar uma polêmica, e uma grande procura pelos telespectadores.

Incesto homossexual é abordado no filme "Do Começo ao Fim". Fonte: babadocerto.wordpress.com

Todavia, quantidade não anda acompanhada de qualidade. A cobertura midiática referente à abordagem homossexual está longe de ser isenta de preconceito e de contribuir para um debate e para uma reflexão aberta, que demonstre que as diferenças existem e que, no mínimo, devem ser respeitadas. Porém, o respeito só virá quando a mídia deixar de espetacularizar a diversidade sexual e passá-la de uma forma imparcial.

Uma resposta

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  1. Larissa said, on 07/02/2010 at 4:08 am

    Achei sua abordagem muito interessante, pois abriu caminhos na minha mente para uma avliação crítica sobre o produto q consumimos. Porque hj em dia “gostar de homossexuais” é como cuidar do meio ambiente: tah na moda. Então as emissoras querem tratar desse assunto de forma banal e “normal”, nos inundando com informações e opiniões que, claramente nem eles mesmos acreditam.


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