Técnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística

Um bom melodrama!

Posted in Uncategorized by micheletavares on 05/02/2010

Por Tainah Quintela

Resenha de filme: Lula, o Filho do Brasil. 2009, cor, 128 min, drama. Direção: Fábio Barreto; Roteiro: Denise Pará, Fábio Barreto, Daniel Tendler e Fernando Bonassi.

“Lula, o Filho do Brasil é um filme sobre um homem comum, um brasileiro que sai do nada, e se transforma em um homem extraordinário.” Fábio Barreto, diretor.

Um brasileiro comum, acredito, não chega ao cargo de presidente da república sem travar severas batalhas políticas. Tal verdade não foi retratada na produção de cinema brasileiro mais cara, afinal a obra consistiu em contar a história de Luís Inácio (nosso Lula) muito superficialmente, detendo-se a narrar fatos de sua infância, adolescência e até ser preso durante a ditadura militar. A vida política de Lula foi deixada de lado desde este episódio à sua posse no ano de 2003.

Há cenas que vão de encontro ao que é exposto da vida do atual presidente brasileiro, como por exemplo, a existência de Miriam Cordeiro, antiga namorada de Lula que supostamente foi abandonada grávida pelo mesmo. Outra discordância remete à cena em que durante uma greve em 1962, Lula (ainda sem qualquer indício de participação sindical) ao ver os operários jogando o proprietário da fábrica do alto do prédio se revolta. No livro que inspirou o filme, ao contrário, ele diz que se estava “fazendo justiça”.

Entre discordâncias e filmagens que contrariam a verdadeira histórica do presidente, há suspeitas de que toda a produção tenha um propósito óbvio: político. Este ano de 2010 é de eleições e a cada dia que passa a competição, a luta pela presidência se itensifica. O filme emociona demasiadamente, o que de certa forma conquista “o povo” e confere a Lula uma imagem mitificada, de confiança.

O elenco, que contou com as atrizes Glória Pires, Cléo pires e Juliana Baroni, dentre outros profissionais, não deixou a desejar. Filmagem e reprodução fiel no que diz respeito à vida sofrida do brasileiro que vê-se obrigado a migrar em busca de melhores condições de vida, também fizeram jus aos investimentos. O ator Rui Ricardo Diaz reforça o empenho da produção em assemelhar bem a obra a Lula: “Mais do que buscar a voz exata, eu tinha que encontrar o olhar, construir um personagem verdadeiro, sem exagerar. E para isso, eu tinha que ser sincero.” Como “melodrama épico” a obra encaixa perfeitamente. Assim o diretor Fábio Barreto definiu sua ideia em relação ao filme, despreocupado com o possível uso de sua produção como instrumento de campanha política.

É realmente para emocionar, para fazer refletir as condições em que sobrevive uma parcela acentuada da população. Até porque no contexto histórico, podemos atribuir vários ocorridos ao que se passava no país na época. A morte da primeira esposa de Lula, que teria contraído hepatite, refletiu o momento em que o Brasil detinha alto índice de morte no parto; a migração da família dele também reforça um tema recorrente no país. Em geral, em termos de drama e cinema brasileiro, Fábio e produção acertaram em cheio. Mas a luta de Luís Inácio para chegar ao cargo de presidente da República poderia ter sido mais exposta, melhor detalhada. “Lula, o filho do Brasil”, tinha tudo para mostrar mais que alguns minutos de apoio aos metalúrgicos e conflitos internos.

Para os interessados  em entender ao menos a origem do nosso governante, vale a pena! É mesmo um bom, ótimo melodrama.

 

(Trailler Oficial do Filme.)

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