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Será que o ciberespaço é realmente um lugar seguro?

Posted in Segurança Pública by micheletavares on 03/05/2010

Saiba os perigos e as vantagens que o mundo virtual pode oferecer a você.

Por Monique Garcez e Elaine Casado

Conhecida também como a rede mundial de computadores, a Internet tornou-se um dos meios de comunicação mais essenciais para a vida do homem moderno. A busca rápida por informações, a comercialização de produtos, pagamentos de contas, e até relacionamentos virtuais, fazem parte da gama de facilidades oferecidas por este mundo tão vasto e ao mesmo tempo assustador. Afinal de contas, não só de benefícios é feito o mundo virtual. Furtos, roubos e violência dos mais diversos tipos acontecem no ciberespaço com tanta ou mais freqüência quanto no mundo real.

Denise Leal Foto: Monique Garcez

Denise Leal Foto: Monique Garcez

Os chamados crimes virtuais, ou crimes informáticos fazem parte deste mundo. Eles nada mais são do que toda tentativa de fraude que visa à utilização da Internet como meio para a execução do crime. De acordo com a professora do departamento de Direito da Universidade Federal de Sergipe, Denise Leal, os crimes virtuais possuem algumas peculiaridades, cuja elucidação se faz necessária para aqueles que utilizam a rede mundial de computadores em suas atividades cotidianas. Segundo ela, os crimes virtuais podem ser divididos em três tipos: puros, mistos e comuns. “Os crimes virtuais puros caracterizam-se como toda e qualquer conduta ilícita que tenha por objetivo exclusivo o sistema de computador, seja pelo atentado físico ou técnico do equipamento e dos seus componentes. Já os mistos, são aqueles em que o uso da Internet é indispensável para o indivíduo praticar o crime. Por exemplo, quando um cracker invade uma homebank de uma grande instituição financeira e consegue retirar das contas dos correntistas, pequenos valores, que em regra o correntista não se dá conta. Não se trata de uma  violação específica ao equipamento ou ao sistema em si, mas tecnicamente seria furto (espécie de roubo sem violência). E por fim, os crimes virtuais comuns, que são aqueles em que apenas se utiliza da rede mundial de computadores para praticar crimes que já estão previstos na legislação penal brasileira”, explica.

Daniele A.C., em entrevista ao Portal Brasil, descreve a sensação de entrar num sistema de computador. A jovem de 22 anos, estudante de economia, que começou a criar vírus para apenas testar seus conhecimentos, apaixonou-se pelo mundo virtual e a partir de então confessa sem medo seu hobby: “Eu sou uma hacker! Estudo de manhã, passo a tarde inteira na faculdade e chego em casa por volta das oito horas da noite, esgotada, querendo cama e travesseiro. Ainda dou uma morgadinha antes da mutação. No silêncio da madrugada quando toda minha família está capotada, eu me transformo numa pirata da Internet.” Segundo ela, a adrenalina na hora de entrar em um sistema é uma experiência quase sexual. “Tenho orgasmos cibernéticos, só em pensar que invadirei algum site. A trama, a estratégia, a organização, a execução. É tudo muito excitante”, comenta.

Daniele conta ainda que a diferença entre um cracker e um hacker está na intenção com a qual o indivíduo utiliza seus conhecimentos. Uma fronteira tênue, mas facilmente ultrapassável. “Sou do bem. O hacker verdadeiro é do bem, uma pessoa curiosa. Eu me defino como uma pichadora online. Mas num passado recente, a adrenalina manchou minha ficha cadastral. Até já perdi a conta das vezes em que implorei perdão a Deus. Rezei à beça, juro! Na pele de um cracker, o hacker do mal, cometi um roubo virtual, roubei um cartão de crédito. Sem pedir licença, entrei no computador de um cara, fucei a vida dele e, por fim, surrupiei o número de seu cartão para comprar uma coleção de CDs de música clássica, no valor de 400 reais. Se pedisse o dinheiro para os meus pais, com certeza conseguiria, porque temos um padrão de vida confortável. Fiz isso só para me sentir poderosa, a bambambã do pedaço”, relata.

Segundo dados do Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (CERT. br), grupo responsável por receber, analisar e responder a incidentes de segurança em computadores, envolvendo redes conectadas à Internet brasileira, 46,21% dos incidentes reportados ao grupo tem a origem de seus ataques no Brasil. Além disso, 70.16% dos ataques  são os famosos “Cavalos de Tróia”, tentativas de fraude com objetivos financeiros. Dentre os crimes virtuais mais conhecidos temos o ciberterrorismo, fraudes online, invasão de sistemas, pornografia eletrônica, pirataria, roubo de identidade, pedofilia, calúnia e difamação, ameaça, cyberbulling e espionagem industrial. No entanto, segundo a Época NEGÓCIOS Online, cerca de 90% dos ataques registrados na internet ocorrem para roubar as informações pessoais dos usuários. Desses, 32% pretendem furtar os dados do cartão de crédito. Outros 19% procuram informações sobre as contas bancárias.

Silvio Nery Foto: Monique Garcez

Silvio Nery Foto: Monique Garcez

Em Sergipe, apesar de não haver um órgão especializado no combate aos crimes cibernéticos, é possível recorrer a órgãos como a Polícia Civil e a Polícia Federal em caso de vitimação por crime virtual. Segundo o perito criminal federal Silvio Nery, responsável pela apuração de crimes tecnológicos, a Polícia Federal tem seu espectro limitado na apuração deste tipo de fraude. “A gente atua nos casos em que a constituição diz que é de responsabilidade da Polícia Federal ou em crimes que envolvam o patrimônio da União. Nos casos de pessoa física, excetuando funcionário público acometido pelo crime em exercício da função e os casos de pedofilia, a investigação é de responsabilidade da polícia civil”.  De acordo com o perito, em Brasília já existe uma unidade da polícia federal que possui um projeto de criação de várias delegacias em cada superintendência, somente para crimes cibernéticos, envolvendo pedofilia, roubo de senha de banco, invasão de sistemas, dentre outros delitos.

Ricardo Salgueiro Foto: Morgana Brota

Ricardo Salgueiro Foto: Morgana Brota

No que diz respeito à segurança na Internet, o doutor em ciência da computação, especializado na área de rede de computadores e professor da Universidade Federal de Sergipe, Ricardo Salgueiro, afirma que são várias as medidas que devem ser tomadas para que uma empresa ou um usuário não seja vítima de algum crime virtual. Ele acredita que se os internautas tivessem recebido uma educação especializada na área digital, muitos crimes poderiam ser evitados. Quanto às medidas preventivas, Ricardo diz que o usuário deve ter bastante cuidado com as suas senhas, e que elas não devem ser de caráter fácil. Ele alega também que senhas pessoais não devem ser compartilhadas, pois ao torná-las “públicas”, o usuário corre um grande risco de ser vítima de algum crime.

Ao falar sobre o acesso de contas bancárias na Internet, Ricardo Salgueiro é claro: “Acho mais seguro você pagar uma conta bancária na internet do que você ir num caixa de banco pagar”. Ele acredita que o risco que o indivíduo corre virtualmente é menor do que se ele for até o banco pra efetuar pagamento, pois no banco ele corre o risco de ser assaltado e de não receber a quantia de volta, e na internet, o máximo que pode acontecer é alguma quantia de dinheiro sumir da conta, e se isso acontecer, o banco é responsabilizado e deve devolver todo o valor que foi retirado pelo criminoso.

O doutor em ciência da computação ainda faz uma ressalva e alerta os usuários para que não acessem as suas contas bancárias em computadores que não sejam pessoais, pois ao utilizarem máquinas que estejam infectadas, eles estarão correndo o risco de terem suas contas invadidas por crackers. E foi isso que aconteceu com o jornalista de São Paulo, André Graziano. Ele acessou a sua conta no computador do trabalho e posteriormente, quando foi efetuar um pagamento com o cartão, recebeu a informação que o seu pagamento não havia sido autorizado. Estranhando este fato, André entrou em contato com o banco, que informou que o seu cartão havia sido bloqueado. O criminoso não se contentando em apropriar-se do dinheiro apenas uma vez, realizou mais de um furto. “Foram três operações: pagamento de IPVA de um carro do Ceará, crédito para um celular também do Ceará e transferência bancária”. Depois de ele ter ido até a agência registrar a fraude, ele foi até a Polícia Civil e registrou o boletim de ocorrência. A quantia em dinheiro furtada foi reembolsada pelo banco em dois dias, porém, André não sabe informar se acharam o criminoso, pois ele não acompanhou o caso.

Quanto à questão do tratamento dado aos delitos virtuais, ainda não há legislação específica para estabelecer leis exclusivas que digam respeito aos crimes cibernéticos. O que há no Brasil, segundo Denise Leal, são algumas alterações na legislação já existente, que criam figuras penais que preveem os crimes que se utilizam do meio virtual. Denise afirma que existem projetos de lei que propõem a criação de uma legislação específica, porém, ainda não há nenhuma previsão de quando essa legislação poderá ser concebida. “O que a gente percebe é que a falta de uma legislação específica, termina criando uma espécie de vácuo legislativo. Já está passando da hora de ter uma legislação específica com definição clara do que são esses crimes virtuais puros”. E, ainda afirma: “A gente vive em plena era da tecnologia da informação e, indiscutivelmente, esse vácuo legislativo não é saudável”.

Da facilidade de acesso rápido à informação aos crimes virtuais como pedofilia ou roubo de senhas de banco, o mundo virtual tem mostrado que como toda moeda, ele também apresenta duas faces: benefícios e desvantagens. E você? Diante de todas essas informações, você ainda tem a mesma opinião sobre o mundo virtual? A Internet é realmente um lugar seguro?

Fonte: Safernet

Fonte: Safernet

Por Monique Garcez

Por Monique Garcez

2 Respostas

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  1. Maluh Bastos said, on 04/05/2010 at 7:05 pm

    Adorei. Sério mesmo… a reportagem traz umas informações extremamente interessantes, por exemplo, eu nao sabia a diferença entre cracker e hacker (na verdade achei até que tinha sido escrito errado o “cracker”). O fato de ainda não haver uma legislação específica é bastante preocupante, como disse a Denise, pelo fato de vivermos numa sociedade quase que totalmente virtual. Só avisa pra essa Daniele aí da reportagem ir procurar ajuda, hein? A situação dela tá bem tensa… rsrsrs.Valeu!

  2. Igor Almeida said, on 05/05/2010 at 7:03 pm

    muito bom mesmo!! já nao gostava muito de transações comerciais pela internet, muito menos agora que percebi q nao eh tao dificil assim. Essa Daniela me assustou mesmo// kkkkkkkkkkk muito tensa como maluh disse…..
    parabens moniqueta e lelé//


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