Técnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística

Uma banda formada por uma francesinha, um acordeão e um iPod

Posted in Crítica, Cultura, Música by micheletavares on 23/06/2010

Por Eloy Vieira

Conheça Zaza Fournier, a Edith Piaf que encanta o mundo na era do mp3

Depois de uma turnê de quase dois meses pela terra brasilis, a bela parisiense de vinte e poucos anos continua a fazer sucesso com sua música que renova as velhas canções dos cabarés da cidade-luz da década de 1950. Ela mesma define sua música como uma espécie de reciclagem, sobretudo de astros como Edith Piaf, Tom Waits e Elvis Presley. Este último, homenageado com a eterna Love me Tender em seu primeiro e único álbum lançado em 2008 intitulado com o mesmo nome da artista.

Zaza Fournier
Zaza – WM France divulgação

Encantadora. Não há palavra melhor que esta para definir a última obra e até mesmo a própria artista. Zaza parece mesmo com outras vocalistas francófonas da era do mp3 como a Coralie Clément (famosa pela sua reciclagem da nossa Bossa Nova), Béatrice Martin (vocalista do Couer de Pirate), Camille (exagerada e moderninha) e até mesmo a primeira-dama francesa, Carla Bruni (discreta e comedida). Todas elas apresentam um ponto principal em comum: a voz. Todas suaves e cheias de sussurros típicos da língua francesa, muitas vezes até parecem cantar ao pé do ouvido. Mas Zaza tem um diferencial, só ela vai sozinha ao palco, ou melhor, vai acompanhada da sua banda: um iPod. Além do acordeão que dá um tom de som dos velhos cabarés, todos os outros ‘instrumentos’ são sintetizados e armazenados no pequeno iPod que a acompanha em todos os shows. Além disso, a artista é multifacetada e assume suas raízes performáticas herdadas depois de 6 anos de teatro e muitos shows pela vida noturna parisiense.

Antes de começar sua turnês por aqui, ficou conhecida na mídia como a Edith Piaf do iPod. É… talvez uma comparação com a diva da música francesa seja um pouco demais, mas o fato é que a jovem moderninha como tantas outras de idade semelhante é, sem dúvida, uma ótima cantora que conseguiu com um só álbum divulgado conquistar seu espaço em meio ao dilúvio musical da era do mp3 e do Youtube. Músicas como La vie à deux, Mademoiselle e Les Mots Docs são daquelas que não saem da cabeça e que contagiam até quem não entende nada de música. O único problema de suas músicas é que você pode não parar de escutar.

Vence quem sabe jogar xadrez. Ou se aliar melhor

Posted in Artigos by micheletavares on 15/06/2010

Por Lucas Peixoto

Não se ganha uma eleição sozinho. E certamente isto expressa muito bem a montagem das alianças políticas durante as disputas eleitorais. Políticos de grande porte, líderes de partidos e planos administrativos, vão em busca de outros mais influentes e mais ‘agregadores de votos’ (aqueles indivíduos que atuam na política, mas que não são suficientes e influentes do ponto de vista carismático para ‘encabeçar’ projetos). Aliança política pode ser entendida como uma válvula de escape para que um grupo político consistente e majoritário se junte a pequenos conjuntos e se viabilize com a perspectiva de ganhar uma eleição e formar um governo. É tido como lícito no modo de ser fazer política – e, diga-se de passagem, não em Sergipe e muito menos no Brasil.

Na verdade, pode-se pensar que quem representa uma aliança (o partido mais forte) é o líder do projeto de governo. Mas não sempre o é, pois os seus ‘ajuntados ou agregados’ vão cobrar os seus interesses e ‘morder’ o ‘comandante’ sem dó nem piedade. Veja em Sergipe: Déda vive um processo de aliança com o senador Valadares, mas pra isto ‘teve de lhe dar duas das mais importantes’ Secretarias: a da Agricultura e a da Educação.

Políticos às vezes são inconsistentes, como é o caso  Albano Franco, PSDB, e mesmo assim são atraídos pelas circunstâncias para alianças que nem são do interesse dele, como é o caso de João Alves (DEM/SE). Mas mesmo com esses defeitos, juntos já foram governadores por cinco mandatos – dois do tucano e três do demista –, com Albano senador por duas vezes.

Fazer política não é uma arte de fácil domínio. Requer cautela e segurança na hora de escolher seus representantes para formar alianças ou coalizões. É uma partida de xadrez, feita na calmaria e visando um xeque-mate no candidato concorrente. Alguns trapaceiam, outros não. No plano nacional, a questão agora é mostrar que Dilma Rousseff (PT) está jogando com a força de um professor esmerado (Lula). A ex-ministra da Casa Civil está aliançada ao grupo dos governistas do PCdoB, PMDB e PR, atuando com uma visão política esquerdista. Mas não será incubada e de fachada, uma vez que ela é Governo? De qualquer modo, é um bloco forte.

Do lado oposto, com o paulista José Serra, que já foi ministro da Saúde de FHC, vai perdendo peças importantes nesse tabuleiro político de xadrez. O mineiro Aécio Neves já o abandonou e não tem nenhum interesse em ser seu vice. O neto de Tancredo Neves busca candidatar-se a senador. Serra, do PSDB, tem o fraco apoio do DEM, que é um partido de nome novo, que busca imitar o modelo americano e que não tem nenhuma força política nacional. Seu último grande ícone, Antonio Carlos Magalhães, já deixou esse mundo e agora faz política lá em cima (ou lá embaixo). O único governador dos democratas, Roberto Arruda, do DF, foi preso e cassado por corrupção, representando um golpe mortal na ordem dos Democratas.

Aliás, numa linha histórica observa-se que o DEM tem suas raízes na Arena, a velha Aliança Renovadora Nacional, aquele partido da ditadura militar, ultraconservador. O Arena virou PDS – Partido Democrático Social – a partir do pluripartidarismo em 1979 e logo depois desmembrou-se em PFL – Partido da Frente Liberal – e em PP – Partido Progressista. O PFL se transformou-se em Democratas em 2007.

Serra (PSDB) e Dilma (PT) empatam categoricamente com 37%. Porém a petista vem crescendo e muito nas pesquisas eleitorais. Em três meses, Dilma Rousseff cresceu sete pontos percentuais e José Serra declinou 5% – o que daria um fosso de 12 pontos percentuais no desempenho entre um e outro. O fato é que Dilma engrenou a quinta marcha e Serra engarrafou-se no Trecho Sul do Rodoanel lá em São Paulo.

Fechando o cerco em Sergipe, percebe-se uma disputa enxadrista entre Déda, PT, e João Alves, DEM/SE. O atual governador possui um grande exército político ao seu lado. Está aliado a Jackson Barreto, PMDB, aos senadores Antonio Carlos Valadares, PSB, e Almeida Lima, PMDB e aos irmãos Eduardo e Edivan Amorim, PSC. Também possui o forte apoio de Ulices Andrade, presidente da Assembléia Legislativa e filiado ao PDT. Nada menos que 18 dos 24 deputados estaduais apóiam Déda, assim como 6 dos 8 federais e dois dos três senadores.

Déda ainda está muito bem estruturado geopoliticamente e começa a pressionar as peças adversárias de João Alves Filho. Dos 75 prefeitos das cidades sergipanas, 68 estão apoiando o atual governador (com destaque para Aracaju, Socorro, Lagarto, Tobias Barreto etc.). E onde fica o opositor João Alves nessa disputa? Está praticamente sem campo e sem estrutura política. Possui o apoio de Venâncio Fonseca, PP, líder da oposição na Assembleia e ajoelha-se aos pés de Albano Franco, que quer se candidatar a senador. Além disso, é apoiado por oito deputado estaduais, dois federais, um senador (que é a própria esposa, Maria do Carmo, que em público já disse que não gostaria de vê-lo candidato de novo) e apenas sete prefeitos (com destaque para Itabaiana e Estância).

Com tanta disparidade neste jogo de xadrez nesse Estado, fica claro que João Alves não está bem posicionando e que Déda é um agente que, amparado pela força do poder, sabe usar bem suas peças para atacar o adversário. João Alves vai perdendo a cada dia território para Déda, que vai o engolindo no cenário eleitoral. Xeque-mate para o governador? Não se sabe: as peças ainda estão no tabuleiro e, apesar de tudo apontar para Déda, João tem o histórico de ter governado o Estado por três vezes.

Não é ‘P’ de partido, é ‘P’ de poder

Posted in Artigos, Opinião, Política by micheletavares on 14/06/2010

Por Eloy Vieira

Legalização da maconha, do aborto e do casamento gay. Essas são apenas algumas questões que podem mudar a sua, a minha, a nossa vida e que não dependem somente de nós. O jogo de poder dos gabinetes políticos pode e deve impactar em muitas outras questões que atravessam do âmbito das políticas internacionais até a divisão dos investimentos em educação e saúde por exemplo.

Embora não pareça ou não fique explícito, cada partido político tem uma linha ideológica que deve guiar e embasar todas as decisões a serem tomadas nas diversas instâncias. Partidos como o PSDB, DEM, e com posições antagônicas, PT e PC do B, por exemplo, são os que chegam mais próximos de explicitar as idéias que norteiam os integrantes das siglas. Já partidos como o PMDB, mesmo sendo o maior partido do Brasil, nunca conseguiram obter uma identidade, quanto mais uma ideologia.

Agora, entrando de verdade na sua vida cotidiana, percebamos como a ideologia de cada partido e/ou candidato pode ser decisiva: Tomemos como exemplo as três questões apresentadas logo nas primeiras linhas deste artigo. A legalização de todas elas depende basicamente de decisões progressistas, mas, mesmo que candidatos com este perfil sejam eleitos, ainda há outro aspecto que permeia a tomada de decisões: as alianças político-partidárias. Muitas vezes até esdrúxulas e esquizofrênicas, pois pode fazer com que uma pessoa negue suas idéias individuais só para poder conseguir o seu espaço, mas, felizmente ou não, muitas vezes esse é o único meio de se fazer ‘política’.

Aqui no estado de Sergipe temos um exemplo claro do ponto que chegam as alianças. Desde as eleições municipais do ano 2000, o atual governador, Marcelo Déda (PT) coligou-se com o nosso mais famoso oligarca do vale do Continguiba, Albano Franco (PSDB). Esquisita ou não, o petista ganhou nas três disputas que foi aliado de Franco logo no primeiro turno. Agora em 2010, a mesma aliança está se repetindo. Mesmo que não seja de maneira formal, o tucano, que foi reprovado pela direção nacional do partido pode apoiar o atual governador em sua reeleição. Um outro ponto que merece destaque é uma provável presença do itinerante Jackson Barreto como vice de Déda. Não é de hoje que Jackson apóia o petista, independentemente de seu partido, há anos ele já vem no encalço do petista; o qual já tachou de diversos adjetivos nada bons e o acusou de tê-lo expulso da prefeitura de Aracaju em 1988 (quando fora cassado por corrupção com o voto de minerva de Marcelo Déda) e finalmente está prestes a conseguir o que nem tanto queria. Desbancou o atual vice, Belivaldo Chagas, que agora deve assumir a pasta da Secretaria de Educação, antes pertencente ao ex-reitor da UFS, José Fernandes de Lima, que alegou motivos pessoais ao desistir do cargo. Agora Belivaldo fica de escanteio e quem deve brilhar como candidato a vice-governador nas próximas eleições é mesmo Jackson, contudo, Jackson queria na verdade ir para a disputa pela vaga senatória mas não obteve êxito mesmo tentando desde 2006 criar uma atmosfera em seu favor. O cargo de vice-governador para ele é um prêmio de consolação para um político que frustrou-se em tentar um vôo mais alto..

O nosso governo federal não é muito diferente. Quem poderia imaginar que um dia o PT estaria coligado com o PR, à época PL? Pois é. O mineiro José de Alencar vem de um partido centro-direita e tornou-se vice-presidente do Brasil ao lado do ex-sindicalista Lula. O jogo de poder não é novo, muito menos é nossa exclusividade. A política vive de acordos e desacordos mesmo antes dos cientistas europeus sequer pensarem num conceito para Ideologia.

Em seu livro intitulado “O que é ideologia”, a filósofa Marilena Chauí traz que o termo só surge na literatura em 1801 com o sentido de ‘ciência da gênese da idéia’, mas, não demorou muito e logo a política se apropriou dele. Em 1812 o imperador francês Napoleão Bonaparte alegou que a ideologia corrompia a França, pois, segundo ele, o povo estava se adequando aos preceitos ideológicos quando na verdade o sentido deveria ser inverso. No senso comum, podemos classificar que Ideologia nada mais é que um sistema de idéias que servem como diretrizes. Se os políticos brasileiros aprenderam isso nas aulas de Filosofia ou de História, é outra coisa.

Parece mesmo é que o ‘P’ de partido não tem mais importância, agora o ‘P’ que importa é o ‘P’ de poder.

Imagina se fosse campanha…

Posted in Artigos by micheletavares on 11/06/2010
Por Daniel Nascimento *

Estamos entrando na reta final para o fechamento das alianças entre partidos para as eleições deste ano. Pelo país, os debates e especulações estão a toda. É um tal de junta daqui, alia-se de lá, e por ai vai. Como em uma quadrilha junina, cada um procura seu par e parte rumo ao salão para uma disputa de sons, cores e “gritos”.

Em grande parte do país tudo já está se acertando, ou a passos largos para tal. Até o momento poucos já são candidatos oficiais, mas ainda temos que esperar o término das convenções dos partidos. Entretanto todo brasileiro que tem a mínima informação sobre o pleito 2010 sabe que três figurinhas são certas esse ano: Dilma, Serra e Marina. Esse período de pré-campanha há muito tem ares de campanha, pelo menos nacionalmente. Esse ano pode esperar que cada passo desses cabras serão olhados bem de perto.

Dilma Rousseff é a menina dos olhos de Lula. Ex-ministra-chefe da casa civil, ela é a pré-candidata do Partido dos Trabalhadores (PT). Durante o ultimo ano a saúde da petista fez com que alguns achassem que ela não entraria na disputa, erraram. A candidatura já deu muito o que falar, vira e mexe há um caso novo envolvendo a candidata: é acusação de propaganda eleitoral antecipada, espionagem e por ai vai. O ultimo foi o caso do dossiê contra Serra, que fez com que alguns da equipe de apoio à candidatura se retirassem. Enfim, o que importa é que a mulher ta à toda buscando aliados, mas é fato que o mais poderoso, no momento, ela já conseguiu, o Presidente Lula. Mesmo ainda sem par, a “moça” entrou na dança e não tem medo de gastar a sola da chinela.

Já o candidato tucano, José Serra do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), era esperado por todos. Sua careca, por mais que indesejada por muitos, está empatada com a peruca da candidata do PT nas pesquisas. Sobre ele não se tem muito que falar, acho que todos já sabem a posição conservadora do partido. A novidade da vez, além do caso do dossiê em que o PT supostamente havia encomendado à um ex-policial uma investigação sobre o candidato, é que o presidente do partido anunciou não ir à convenção com um vice, como muitos esperavam. Mas logo nas próximas semanas saberemos quem será o par do candidato nessa contradança.

Já em terceiro, surgindo entre a selva virtual está a candidata Marina Silva, do Partido Verde (PV). Mesmo considerada com poucas chances de ser a primeira mulher a chefiar o país, ela vem crescendo, principalmente na internet. Sua simpatia é notável, ela até tem um grupo de pessoas que fazem campanha à ela de graça. Formado por jovens de classe média, os membros do grupo se auto-denominam “marineiros”. E ela já ta mais adiantada ainda, a comadre ai já tem seu par, seu vice é Guilherme Leal. Eles já ensaiam seus passos pelo salão. A chapa do PV não passa ilesa também não, recentemente o vice-candidato recebeu acusações de que a empresa da qual ele é presidente executivo havia supostamente sonegado impostos e de ter processos civis e trabalhistas. Mas convenhamos: que empresa não tem processos trabalhistas movidos por “ex-empregados descontentes”?

Nessa era de internet, todos andam riscando os salões cibernéticos. Marina é a mais notável, seu blog e seu Twitter andam muito populares, principalmente entre os mais jovens. Já os outros dois não ficam para trás, os dois também tem seus perfis em redes sociais.

Mesmo havendo outros pré-candidatos, esse ano a disputa será mesmo entre Dilma e Serra. Só temos que esperar até que as convenções acabem para que saibamos certamente as chapas. Logo no início do próxima mês a sanfona e a zabumba entram em cena e dão o tom dessa dança. Se continuar com esses passos que as pesquisas mostram pode esperar pelo segundo turno entre o candidato tucano e a petista . Mas não seria de se estranhar que Marina cresça, a popularidade da mulher anda crescendo entre os jovens, e rápido. Ela pode até não ser tão promissora, mas pode pisar nos pés dos outros. Do mais só resta acompanhar o que vem por ai. Vamos assistir esse baile e ver o que vai acontecer.

*Daniel Nascimento é aluno de Comunicação Social com habilitação em jornalismo.