Técnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística

Vence quem sabe jogar xadrez. Ou se aliar melhor

Posted in Artigos by micheletavares on 15/06/2010

Por Lucas Peixoto

Não se ganha uma eleição sozinho. E certamente isto expressa muito bem a montagem das alianças políticas durante as disputas eleitorais. Políticos de grande porte, líderes de partidos e planos administrativos, vão em busca de outros mais influentes e mais ‘agregadores de votos’ (aqueles indivíduos que atuam na política, mas que não são suficientes e influentes do ponto de vista carismático para ‘encabeçar’ projetos). Aliança política pode ser entendida como uma válvula de escape para que um grupo político consistente e majoritário se junte a pequenos conjuntos e se viabilize com a perspectiva de ganhar uma eleição e formar um governo. É tido como lícito no modo de ser fazer política – e, diga-se de passagem, não em Sergipe e muito menos no Brasil.

Na verdade, pode-se pensar que quem representa uma aliança (o partido mais forte) é o líder do projeto de governo. Mas não sempre o é, pois os seus ‘ajuntados ou agregados’ vão cobrar os seus interesses e ‘morder’ o ‘comandante’ sem dó nem piedade. Veja em Sergipe: Déda vive um processo de aliança com o senador Valadares, mas pra isto ‘teve de lhe dar duas das mais importantes’ Secretarias: a da Agricultura e a da Educação.

Políticos às vezes são inconsistentes, como é o caso  Albano Franco, PSDB, e mesmo assim são atraídos pelas circunstâncias para alianças que nem são do interesse dele, como é o caso de João Alves (DEM/SE). Mas mesmo com esses defeitos, juntos já foram governadores por cinco mandatos – dois do tucano e três do demista –, com Albano senador por duas vezes.

Fazer política não é uma arte de fácil domínio. Requer cautela e segurança na hora de escolher seus representantes para formar alianças ou coalizões. É uma partida de xadrez, feita na calmaria e visando um xeque-mate no candidato concorrente. Alguns trapaceiam, outros não. No plano nacional, a questão agora é mostrar que Dilma Rousseff (PT) está jogando com a força de um professor esmerado (Lula). A ex-ministra da Casa Civil está aliançada ao grupo dos governistas do PCdoB, PMDB e PR, atuando com uma visão política esquerdista. Mas não será incubada e de fachada, uma vez que ela é Governo? De qualquer modo, é um bloco forte.

Do lado oposto, com o paulista José Serra, que já foi ministro da Saúde de FHC, vai perdendo peças importantes nesse tabuleiro político de xadrez. O mineiro Aécio Neves já o abandonou e não tem nenhum interesse em ser seu vice. O neto de Tancredo Neves busca candidatar-se a senador. Serra, do PSDB, tem o fraco apoio do DEM, que é um partido de nome novo, que busca imitar o modelo americano e que não tem nenhuma força política nacional. Seu último grande ícone, Antonio Carlos Magalhães, já deixou esse mundo e agora faz política lá em cima (ou lá embaixo). O único governador dos democratas, Roberto Arruda, do DF, foi preso e cassado por corrupção, representando um golpe mortal na ordem dos Democratas.

Aliás, numa linha histórica observa-se que o DEM tem suas raízes na Arena, a velha Aliança Renovadora Nacional, aquele partido da ditadura militar, ultraconservador. O Arena virou PDS – Partido Democrático Social – a partir do pluripartidarismo em 1979 e logo depois desmembrou-se em PFL – Partido da Frente Liberal – e em PP – Partido Progressista. O PFL se transformou-se em Democratas em 2007.

Serra (PSDB) e Dilma (PT) empatam categoricamente com 37%. Porém a petista vem crescendo e muito nas pesquisas eleitorais. Em três meses, Dilma Rousseff cresceu sete pontos percentuais e José Serra declinou 5% – o que daria um fosso de 12 pontos percentuais no desempenho entre um e outro. O fato é que Dilma engrenou a quinta marcha e Serra engarrafou-se no Trecho Sul do Rodoanel lá em São Paulo.

Fechando o cerco em Sergipe, percebe-se uma disputa enxadrista entre Déda, PT, e João Alves, DEM/SE. O atual governador possui um grande exército político ao seu lado. Está aliado a Jackson Barreto, PMDB, aos senadores Antonio Carlos Valadares, PSB, e Almeida Lima, PMDB e aos irmãos Eduardo e Edivan Amorim, PSC. Também possui o forte apoio de Ulices Andrade, presidente da Assembléia Legislativa e filiado ao PDT. Nada menos que 18 dos 24 deputados estaduais apóiam Déda, assim como 6 dos 8 federais e dois dos três senadores.

Déda ainda está muito bem estruturado geopoliticamente e começa a pressionar as peças adversárias de João Alves Filho. Dos 75 prefeitos das cidades sergipanas, 68 estão apoiando o atual governador (com destaque para Aracaju, Socorro, Lagarto, Tobias Barreto etc.). E onde fica o opositor João Alves nessa disputa? Está praticamente sem campo e sem estrutura política. Possui o apoio de Venâncio Fonseca, PP, líder da oposição na Assembleia e ajoelha-se aos pés de Albano Franco, que quer se candidatar a senador. Além disso, é apoiado por oito deputado estaduais, dois federais, um senador (que é a própria esposa, Maria do Carmo, que em público já disse que não gostaria de vê-lo candidato de novo) e apenas sete prefeitos (com destaque para Itabaiana e Estância).

Com tanta disparidade neste jogo de xadrez nesse Estado, fica claro que João Alves não está bem posicionando e que Déda é um agente que, amparado pela força do poder, sabe usar bem suas peças para atacar o adversário. João Alves vai perdendo a cada dia território para Déda, que vai o engolindo no cenário eleitoral. Xeque-mate para o governador? Não se sabe: as peças ainda estão no tabuleiro e, apesar de tudo apontar para Déda, João tem o histórico de ter governado o Estado por três vezes.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: