Técnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística

Nova música de Shakira empolga nos primeiros dias de Copa, mas só nos primeiros dias.

Posted in Crítica by micheletavares on 22/07/2010

Por Anne Samara Torres

em 14/06/2010

O novo single da cantora colombiana Shakira, Waka Waka (This Time for Africa), encantou e levantou a multidão de quase 35 mil pessoas no Estádio Orlando de Soweto, em Joanesburgo, durante o show de abertura da Copa do Mundo 2010 que aconteceu nesta quinta (10/06). Sendo a última música da última cantora a se apresentar no evento, Waka Waka, que foi divulgada pela FIFA como musica oficial da Copa 2010, esbanjou energia não só para os presentes, mas também a todos que assistiam o evento pela TV ou mesmo pela internet. Por falar em internet, o clip dessa mesma música, divulgado na terça (08/06) no site oficial da cantora, já alcançou mais de 24 milhões de acessos no YouTube.

Com imagens fantásticas de lances, gols e vitórias de seleções que já estiveram no evento e com a participação de jogadores famosos como Lionel Messi e Daniel Alves, o vídeo se revela simples e ao mesmo tempo cheio de emoção, numa tentativa de resumir os mais complexos e diferentes sentimentos que brotam em jogadores e torcedores do mundo inteiro. E isso ele conseguiu! Unindo batidas genuinamente africanas, detalhes marcantes de jogos, imagens da alegria do povo africano e o jeito único de Shakira, o vídeo, que conta com a participação do grupo africano Freshlyground, conseguiu empolgar milhões de pessoas nos primeiros dias de Copa, mas parece que só mesmo pelos primeiros dias.

Depois da sua apresentação no show de abertura, a música, juntamente com o vídeo, que também conta com uma versão em espanhol, liderou o ranking dos mais vistos e baixados na internet, pelo menos nos primeiros quatro dias que se seguiram. Após essa explosão de sucesso, o single, acusado de ser plagiado da música “Golden Voice” do grupo camaronês Zangalewa, parece ter caído para segundo plano frente a um outro sucesso. Este se chama “Waving Flag”, do cantor somalí K’naan que, mesmo antes da divulgação da música de Shakira como sendo a oficial desta Copa, já era considerada por muitos o verdadeiro hino oficial do torneio, graças, em boa parte, à sua propaganda junto aos comerciais da Coca-Cola e é essa musica que para a maioria dos torcedores continua sendo a mais popular quando o assunto é Copa 2010.

Mas isso não significa que a escolha da FIFA foi injusta. Pelo contrário, por mais que Waving Flag seja mais facilmente lembrada pelos torcedores, Waka Waka é a que melhor expressa as emoções e as esperanças do primeiro Campeonato Mundial de Futebol realizado num país africano. Sem falar que o ritmo da música somado à letra e à coreografia da belíssima Shakira contagia brancos, negros, orientais, torcedores e até mesmo aqueles que não gostam de futebol. Portanto, vale a pena conferir o colorido clip e apreciar a música que, aliás, já está no álbum “Listen UP!” como trilha oficial da Copa do Mundo FIFA 2010, sem medo de se decepcionar.

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O novo começo de Matt

Posted in Crítica by micheletavares on 21/07/2010

Seis anos depois e colecionando projetos frustrados, Matt Le Blanc tentar ressurgir a partir da imagem de “Joey”, personagem da série de sucesso Friends.

Por Igor de Almeida

Não importa quanto o tempo passe, e nem as transformações fisionômicas trazidas com essa mudança. Mesmo com o passar dos anos, parece que os fãs dos seis amigos mais famosos da Tv não esqueceram as histórias de Mônica, Chandler, Phoebe, Joey, Rachel e Ross, personagens imortalizados numa das séries de TV americana de maior sucesso de todos os tempos. O último episódio, que foi ao ar em 2004, foi assistido por mais de 50 milhões de pessoas em todo o mundo e, ainda hoje, o canal fechado Warner Channel, responsável pela produção do sitcom FRIENDS, ainda exibe a série devido aos altos índices de audiência registrados.

Após o fim do programa, cada um para o seu lado. Profissionalmente falando, o novo desafio foi engajar outros trabalhos, novas interpretações. Separar as imagens dos atores e seus personagens seria a coisa mais difícil de fazer, levando-se em consideração os longos 10 anos com os quais os telespectadores mantiveram contato semanalmente com o sexteto.

Passados seis anos do final da série, David Crane (co-criador de Friends) juntamente com Jeffrey Klarik (Mad About You) resolveu apostar novamente na figura do Joey para estrelar a nova série intitulada “Episodes”, resultado de uma parceria entre o canal americano Showtime e a BBC de Londres. Nessa nova empreitada, Matt Le Blanc, intérprete do Joey, volta à televisão no papel dele mesmo. Esse novo trabalho será centrado na história de um casal londrino que viajou para Hollywood para recriar uma série de sucesso do Reino Unido. No entanto, lá eles se deparam com toda a burocracia e a crueldade do mundo cinematográfico hollywoodiano, chegando ao ponto do Matt ter que participar de uma audição para conseguir o papel dele mesmo, o que acaba acontecendo. Não se fala especificamente do personagem que brilhou durante uma década nas TVs de todo o mundo, mas se fazem alusões constantes ao conquistador Joey, principalmente quando registra um dos seus bordões mais característicos na série: “How you doing?”.

Matt Le Blanc nasceu em Massachussetts, no dia 25 de julho de 1967. Não se pode mencionar exatamente uma carreira de sucesso. Em 23 anos de carreira ele desenvolveu pouco mais de 20 trabalhos, sendo muitos deles campanhas publicitárias e participações em filmes e séries, mas sem grandes destaques. Quase todas as indicações e os prêmios que recebeu ficam por conta a atuação em Friends, que sem dúvida foi o grande projeto da sua carreira. O erro foi ele ter tentado engrenar uma nova série com o mesmo personagem, mas sozinho, o que acabou não lhe rendendo muito sucesso já que o sitcom “Joey” durou apenas dois anos (2004 – 2006) devido a um baixo índice de audiência.

De cabelo grisalho e pronto para iniciar o novo projeto, Matt Le Blanc, atores e diretores apostam no sucesso desse novo trabalho. Menos ambicioso que o anterior e até um pouco autobiográfico, a produção é bem modesta tanto no aspecto financeiro quanto na importância dada ao personagem do Matt, pois “Episodes” abre espaço para todos os atores, e promete ser uma das novas comédias de destaque no cenário televisivo americano.

Não se tem uma data definida, mas as redes de televisão envolvidas já prometeram a estréia para 2010. Continuar explorando a imagem do desajeitado Joey pode não ser a melhor escolha levando-se em consideração que a experiência anterior não fora muito boa. No entanto, é a imagem que ainda continua presa ao Matt Le Blanc. Depois de muito tempo afastado, ele ressurge para tentar reconstruir o seu sucesso em cima do personagem que o projetou no concorrido mundo artístico americano. Resta-nos apenas esperar pelo episódio piloto, esperado para os meses de setembro ou outubro. Vai, volta, some e ressurge. Essa é a história da carreira dele. Por que quem é vivo…

Charges, tiras e cartuns

Posted in Charges tiras e cartuns by micheletavares on 20/07/2010

Calvin e Haroldo - crítica ao comportamento das massas.

A ‘mensagem’ da tira é antiga. Disse-a Erasmo de Roterdã em 1500 e pouco e os Ramones nos anos 90 do século XX: “ignorance is bliss“.

Por Monique Garcez e Mairon Hothon

Fracasso que fez sucesso

Posted in Crítica, Música by micheletavares on 15/07/2010

Novo clip é visto mais de 300 mil vezes  em duas semanas

Por Daniel Nascimento
Foto: Caroline Bittencourt/Divulgação

Foto: Caroline Bittencourt/Divulgação

No ultimo dia 15, a Banda Pitty lançou sou mais novo clipe. A música “Fracasso” foi a segunda do CD Chiaroescuro a ganhar um videoclipe. O lançamento ocorreu durante o programa Acesso MTV e simultaneamente na internet.

Priscilla Novaes Leone, mais conhecida como Pitty, já ganhou diversos prêmios. A roqueira baiana é a vocalista da banda que leva seu nome e já foi varias vezes considerada dona da melhor voz feminina da música nacional. Na estante dela encontraríamos com facilidade prêmios como o Vídeo Music Brasil (VMB) da MTV e o Prêmio Multishow de Música Brasileira. E quem acha que ela é só mais uma bandazinha da MTV e que logo sairá de cena engana-se. A cantora figura nas paradas desde o lançamento de Admirável Chip Novo, seu primeiro CD com este grupo.

‘Fracasso’ é uma música dicotômica. Ela trás uma análise do sucesso exterior e do fracasso interior. Talvez pelo tema que trata, a fustração na busca pela felicidade, essa é uma das músicas mais pesadas do disco, um tipico Rock daqueles que você não cansa escutar. Os arranjos da guitarra, baixo e bateria são contagiantes. A sexta música do Chiaroescuro é empolgante e dá uma vontade de pular e “bater cabeça”, bem diferente do primeiro single, ‘Me Adora’, baladinha um tanto pop onde a cantora canta um relacionamento fracasso e pede que só não desonre o seu nome e se autointitula “Foda”, e da faixa seguinte do disco, ‘Só Agora’, que é quase uma canção de ninar, para não dizer que é uma de fato.

O disco produzido pela Deckdisc foi um dos mais esperados, isso se deve aos fatos de que  fazia tempo que Pitty não lançava nada novo e de, durante a produção, a vocalista ter divulgado videos e fotos dos bastidores em seu blog. Algum tempo depois do lançamento do CD a gravadora e cantora, em sua página na ferramenta de microblog Twitter, divulgaram que o Chiaroescuro seria relançado em vinil, acompanhado por alguns outros discos de algumas bandas.

O clipe, que não chega a ser nenhuma superprodução, foi dirigido por Oscar Rodrigues Alves e Paulo Vainer. A fotografia é um tanto peculiar, como qualquer coisa da videografia de Pitty deve ser. Bem mais sombrio que o de costume, o vídeo trás a cantora como personagem principal. Muita gente viu uma desconstrução da diva interpretada pela

roqueira. Mas uma análise da fotografia do vídeo comparada com uma da letra mostra que não é simples assim.

Os flashes dos músicos cantando somados ao efeito do lightpainting dão uma atmosfera bem mais intimista e ressaltam a ideia de desordem mental/sentimental. Para um olhar mais desatento os músicos são quase invisiveis. Nas vezes em que aparecem a imaem está escura e o olhar se detem no esfeitos de luz e/ou nos instrumentos em destaque . Talvez por ter seu trabalho destruído no clipe, o maquiador aparece nos últimos segundos do vídeo.

A dupla de diretores soube majestosamente mostrar as “versões” da mesma pessoa. Conforme o fracasso interno cresce a personagem glamourosa some. O processo é mostrado pela maquiagem que vai sendo borrada ao longo dos 3 minutos e 38 segundos.

No inicio do clipe Pitty se apresenta como uma ‘diva’, pegando o termo emprestado de muita das criticas ao vidateo. Conforme a angustia interna dela por não ter êxito pessoal cresce sua imagem interna vai se desconstruindo, ao poto de no ápice estar toda descabelada, com a maquiagem borrada e a roupa rasgada. Mas no fim, depois de se desconstruir quase toda e acabar com o trabalho de sabe-se lá quanto tempo de um maquiador, há uma reviravolta e o alter ego da personagem se mostra alegre  e extrovertido.

Para diferenciar a diva glamourosa da mulher fracassada basta prestar atenção a pequenos detalhes, como o canto. Nos momentos em que Pitty interpreta “sua versão interior” não está cantando. E também ha cenas em que as duas se fundem, é como se fosse auma externação do fracasso pessoal sobre a vida profissional e social. Mas antes que alguém comece pensar que a cantora está se sentindo fracassada, essa é uma sensação comum, mesmo que temporária, em todos os humanos.

O vídeo publicado no YouTube já teve mais de 300 mil exibições e recebeu quase 2 mil comentários em duas semanas. Isso é mais do que prova que eles acertaram e  agradaram. E ainda tem gente que acha que só superproduções estrangeiras, para ser mais preciso, norte americanas, têm boa qualidade. E essa é só mais uma das boas produções nacionais que os brasileiros tendiam à desprestigiar.

O chororô do Almeidinha

Posted in Artigos by micheletavares on 14/07/2010

Artigo produzido no dia 14 de junho de 2010. Até presente data, o senador Almeida Lima, candidato a deputado federal, tinha  futuro incerto.

Por Tatianne Melo.

E ninguém cala esse chororô! Chora o presidente, chora o time inteiro, chora o torcedor!”, o clássico da torcida flamenguista retrata bem a situação atual do senador Almeida Lima (PMDB), barrado no Baile.

Nosso governador, Marcelo Déda (PT), anunciou! Sua chapa para as eleições 2010 é composta por: Jackson (vice), Eduardo Amorim e Valadares (senadores). E Almeida cadê? Para sua tristeza foi trocado pelo grupo forte eleitoralmente liderado pelos irmãos Edvan e Eduardo Amorim que junto com PT, PCdoB, PMDB, PSC, PSB, PSL, PDT, PRB, PR, PTdoB, PTB, PTN, PMN, PTC, PRP e PRTB formam a coligação.

Almeidinha lutou, relutou, dialogou, informou que tinha uma lista com assinatura de 60 prefeitos peemedebistas a favor de seu nome na chapa. Porém, segundo o Tribunal Superior Eleitoral a regra é clara, ops, a lei é clara, uma coligação não pode ter mais que dois candidatos ao Senado, então não tem jeito para o senador. Não, não! Quem o conhece sabe que ele luta até o fim. Avisou que o PMDB nacional intervirá no assunto, pois é inadmissível, segundos palavras do próprio, que um senador ficha limpa não seja candidato. “Querem é cassar um candidato Ficha Limpa? Como é que vão justificar ao povo de Sergipe a minha cassação sem que eu responda a nenhum processo?”. Seria uma cutucada no primo do coração, o Jackson Barreto (PMDB), que de acordo com as estatísticas é o 3ª deputado federal no ranking dos Ficha Suja. O deputado nega e afirma que é vítima do Tribunal de Contas, que seus processos no órgão são frutos de trapaças e nunca foi condenado em nenhum tribunal. “Ficha-limpa não é problema para Jackson Barreto!”

A memória do brasileiro é curta. Quem se lembra do Caso Renangate? Escândalo de corrupção envolvendo o senador alagoano Renan Calheiros (PMDB)  acusado de receber ajuda financeira de lobistas ligados a construtoras, que teriam pagado despesas pessoais que ocupou as manchetes da imprensa brasileira em 2007. E quem liderou a tropa de choque para absolver o senador alagoano e o único senador que aceitou as mentiras do alagoano no Conselho de Ética? Vossa Excelência, Almeida Lima. Agora lembram? Pois bem, um político que apóia com unhas e dentes um Ficha Suja e que envergonhou o estado de Sergipe em rede nacional para mim é um Ficha Suja também e Ficha Suja não merece concorrer a uma eleição.

Almeidinha é tinhoso e não vai querer ficar de fora do cenário político, tentará a qualquer custo a sua reeleição. Lançou a proposta de três candidatos ao senado no mesmo palanque. E diz que quem for contra é hipócrita. Déda contra-ataca, “Nossa coligação não teve casamento apulso, ninguém vai para delegacia, pois casamento com revólver na cabeça só em festa junina”. Mas o governador e seus aliados que se cuidem Almeida Lima não morreu, não é em vão que seu apelido entre os políticos é Memedinha.

Jogo de gente grande

Posted in Política by micheletavares on 13/07/2010

Discutir política no Brasil é algo para poucos letrados, profundos conhecedores da dinâmica do processo eleitoral. Mais que uma simples sistemática de vitória por maioria de votos, os vários cargos que compõem o poder legislativo, por exemplo, na maioria das vezes são ocupados por políticos ligados a legendas partidárias fortes, ou seja, partidos de grande representatividade nacional. Diante de um modelo de democracia duvidoso e caótico, sobreviver na política obedece a uma lógica que não valoriza muito o caráter, a competência, o compromisso e a honestidade dos candidatos, qualificações estas que, a meu ver, seriam essenciais. Uma sobrevida política depende essencialmente do processo de alianças partidárias, que configuram o jogo de interesses e que infelizmente determinam o destino governamental do país.

Para as eleições 2010, cinco cargos entre os poderes executivo e legislativo estarão na lista de votação. Para os executivos (presidente e governador), a vitória é decidida por maioria simples de votos. Já para os cargos do legislativo (deputados federal, estadual e senador), o que vale mesmo é a força da legenda. Dependendo da representatividade que o partido tiver no cenário nacional, o número de vagas às cadeiras do plenário muda: quanto maior a força, maior o número de cadeiras reservadas àquele partido.

Esse sistema favorece o processo de alianças políticas uma vez que as mesmas se formam na tentativa de obter a maior quantidade de aliados em Brasília e nos Estados, pois uma gestão tranqüila é resultado direto do apoio que se recebe. A “mágica” eleitoral transforma o voto conferido ao candidato em voto do partido, ou seja, por mais que você esteja votando num determinado político, ele é computado como se fosse um voto no partido, prejudicando muitas vezes aqueles que são bem votados, mas que não estão filiados a partidos fortes, e favorecendo àqueles de caráter duvidoso, mas que estão integrados às legendas de destaque. Apoio político sempre acaba valendo mais que uma ficha limpa.

Atualmente, as coligações estão sendo formadas em torno dos partidos-chave para eleição deste ano. O PT da Dilma Roussef, que tem a sua campanha arquitetada e conduzida pelo todo poderoso presidente Lula, vê principalmente no PMDB e no PC do B grandes “amigos” para conseguir alcançar resultados positivos nesse pleito. Já do outro lado da esfera, José Serra (PSDB) se aproxima cada vez mais do DEM, aquele mesmo partido que há pouco tempo vivia uma crise interna devido às denúncias e investigações de corrupção envolvendo vários de seus integrantes. Ainda correndo por fora na disputa pela cadeira presidencial, Marina Silva (PV) se esforça para ganhar votos com seu discurso ambientalista, mas, segundo as pesquisas de intenção de votos, não ameaça os candidatos da dianteira que, curiosamente trocam acusações de deslealdade política entre eles mesmos, mas esquecem que este é um jogo que, por si, já é desleal com cidadão eleitor.

No caso sergipano a situação muda um pouco. Num estado marcado pela predominância de oligarquias no poder, como é o caso das famílias Franco e Alves, a disputa entre o candidato da situação, o petista Marcelo Déda, e o candidato da oposição, o democrata João Alves Filho, ganha mais um ingrediente: a provável aliança entre Déda e Albano Franco. Em Sergipe, a rivalidade nacional entre o PT e o PSDB não existirá, estando os dois unidos em prol da reeleição do candidato petista. Mas por que um candidato do PSDB se aliaria ao PT? Às vezes, perguntas sem muita lógica têm respostas bastante simples. O ex-governador de Sergipe, eleito nos pleitos de 1994 e 1998, é reconhecido pela inconstância partidária. Está do lado de quem está no poder, e como Déda tem, para essa eleição, o apoio da maior parte da massa legislativa, além do apoio de 68 das 75 prefeituras do estado, a sua reeleição é algo bastante provável. Para Albano Franco, o cenário é perfeito para que ele continue de mãos dadas com Déda e com os privilégios que essa aliança possa lhe proporcionar.

Muito embora haja um falso moralismo em torno das alianças partidárias, fundamentado na defesa de ideologias convergentes entre os aliados, o processo de articulação dos partidos não envolve os interesses públicos e sim os políticos. Numa nação com altas taxas de analfabetismo, a complexidade do processo eleitoral acaba por manipular os cidadãos que apenas figuram como peças numa disputa em que eles deveriam ser os donos do jogo. E a busca por alianças corresponde a uma das fases mais importantes desse jogo. Garantir aliados de força e prestígio é objetivo principal do período pré-campanha. Dividem-se os partidos e definem-se os currais eleitorais. Trabalha-se em cima da construção de um perfil salvador do político; cria-se a idéia do bem contra o mal. Tentamos optar sempre pelo melhor, mas às vezes não é o que conseguimos. Nas histórias infantis o mocinho e o bandido estão sempre bem definidos, mas, em se tratando de política, o difícil é saber quem é quem.

Alice nos leva ao País das Esquisitices

Posted in Crítica by micheletavares on 13/07/2010

Mais que maravilhas, as esquisitices tomam conta do filme Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton

 Julie Melo

   Mais uma produção do cineasta americano Tim Burton, o filme Alice no País das Maravilhas reúne os livros As aventuras de Alice no País das Maravilhas e Através do Espelho e O que Alice encontrou por lá, do autor Lewis Carroll. O filme emplacou e é sucesso de bilheteria. E apesar da qualidade técnica com que foi gravado, o enredo deixa a desejar e apresenta um mundo esquisito. No filme, Alice é vivida pela atriz Mia Wasikowska. Quando descobre que será pedida em casamento e após ver um coelho branco no jardim, ela inicia uma corrida que a leva a cair no buraco de uma árvore. Depois de uma longa queda, a jovem está de volta ao País das Maravilhas, onde já esteve quando criança. Lá, reencontra, entre outros, o tal coelho, o Gato Risonho, a Lebre e o Chapeleiro Maluco, interpretado por Johnny Depp. No decorrer do filme, Alice é questionada se é a verdadeira Alice ou não, e é procurada pela Rainha Vermelha, a vilã vivida por Helena Bonham Carter.

  Não se trata apenas de uma refilmagem. Como de costume, Burton deu sua própria visão à história, não se limitando a recontar as versões dos livros. Segundo ele mesmo, os personagens têm seu próprio toque. Assim como em A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça e A Fantástica Fábrica de Chocolate, ambos com Depp, Burton deu ao filme um ar fantástico, afirmando o imaginário da personagem principal, e sombrio, confirmando seu apego ao horror. No tal País, porém, havia mais esquisitices do que maravilhas. Primeiro, os personagens, por si só, já comprovam isso. Embora estejam todos conforme a criação do autor dos livros. Segundo, o embate final entre Alice – a favor da Rainha Branca, interpretada por Anne Hathaway – e o dragão – da Rainha Vermelha – foi um desfecho que não convenceu. Talvez pela luta em si, muito forçada, talvez pela atriz, que, digamos, não foi uma revelação. Terceiro, o pedido de casamento foi uma desculpa sem vínculo nenhum com a história, inventada apenas para levá-la ao País das Maravilhas. Além disso, o lado sombrio pesou demais, e a pureza da história ficou confusa.

  No entanto, nem tudo foi perdido nessa megaprodução. É possível até rir em algumas cenas, principalmente nas da Rainha Vermelha, quando solta seu bordão “cortem-lhe a cabeça”. O bonzinho Chapeleiro Maluco também diverte e sua amizade por Alice é bem bonitinha. As maravilhas ficam por conta do figurino, que é impecável, e, como já disse, da qualidade técnica e dos efeitos visuais, que são indiscutíveis. Fora esse lado positivo, ficam aqueles probleminhas, que, em se tratando de Tim Burton, são até perdoáveis. Afinal, seu estilo subversivo de ser já é conhecido, com filmes como Edward Mãos de Tesoura e A Noiva Cadáver. Mas seu novo filme não impressiona tanto quanto prometia antes de sua estreia. As crianças, certamente, vão gostar. É um desenho animado que se passa num mundo imaginário. É indicado para elas. Não para aqueles mais crescidinhos que esperam relembrar a história que leram quando mais novos.

Alianças Partidárias: um fim em si mesmas?

Posted in Artigos by micheletavares on 13/07/2010

Julie Melo

  Vai chegando o momento das eleições e o que todos pensam é: “em quem vou votar?”. Sempre há pelo menos dois candidatos mais fortes, geralmente disparados na disputa. Mas onde entram os partidos nessa história? Imagine se não houvesse partidos e cada político estivesse “solto” por aí, trabalhando por si só. Seria muito mais complicado identificá-los. Os partidos têm o papel de facilitar a escolha eleitoral, mas, para isso, é necessário que eles tenham visibilidade e participação contínua nas eleições. Como nem todo partido lança um candidato a determinado cargo político, criam-se as alianças partidárias. Quem vai apoiar quem.

   Só que pouco se sabe sobre o jogo eleitoral brasileiro. Os meios de comunicação, sobretudo a televisão, direcionam a competição para os candidatos individualmente, não para os partidos. Assim fica difícil saber que alianças estão sendo formadas e quais são seus projetos. Quando há projetos, que fique claro. Quase sempre, as alianças partidárias estão mais voltadas para interesses pessoais de um grupo restrito do que para as necessidades da população. São feitas apenas para fortalecer um candidato em detrimento do enfraquecimento de outro, conforme o interesse do momento. Rivais políticos “esquecem” as brigas do passado e se aliam na busca pela vitória.

  Este ano, por exemplo, ano de eleições presidenciais, tornam-se ainda mais indispensáveis os laços políticos. O primeiro problema, como já disse, é o pouco ou nenhum conhecimento que a população de modo geral tem acerca das relações partidárias. A mídia – e falo dela porque é através dela a maior divulgação das campanhas eleitorais – não oferece o entendimento necessário do processo eleitoral, embora antes e durante o pleito a imprensa intensifique a cobertura. É certo que os programas políticos ainda não começaram pra valer, mas, basta relembrar eleições anteriores para saber que as alianças não ficam nítidas para o eleitorado.

  Qualquer motivo é válido para votar em determinado candidato, exceto as alianças partidárias que ele fez. O PT se unirá ao PTD, PC do B, PSB etc.. O PSDB ao PSC, entre outros. Mas por quê? Juntos, o que eles farão? Que resultados trarão essas alianças? Para as próximas eleições, pouco importa quem se aliou ou aliará a Dilma Rousseff e a José Serra, muito menos a Marina Silva, que até agora pouco se evidenciou. O ringue já foi montado e nele lutam Dilma, amparada por Lula, e Serra, que se apoia em… Em… Bom, em sua experiência anterior. Isso já é credibilidade suficiente para os altos índices de popularidade de ambos.

   O segundo problema das alianças – de tantos que poderiam ser apontados – é seu projeto de governo. Já é difícil conhecer as alianças. Conhecer seus projetos, então, nem se fala. E, repito, na grande maioria das vezes elas surgem com fins eleitoreiros e para atender as vontades exclusivas dos aliados. “Se, sozinho, eu não alcanço certo objetivo, vou me unir a fulano, que assim conseguirei”. Interesses mútuos, troca de favores, chame do que quiser chamar, mas, infelizmente, é essa a dinâmica da política. Não há projeto algum. As alianças deveriam promover um plano de governo sólido, que, posteriormente, fosse desenvolvido e construído, de fato. Não apenas unir forças para vencer as eleições, mas unir forças para, depois disso, colocar em prática o que foi prometido e fortalecer a democracia.

   Compreender o que se passa no nosso sistema político permite conhecê-lo e cobrar dos nossos representantes os resultados de seus discursos. E, principalmente, saber que fim levaram as alianças feitas durante a campanha eleitoral. Não se trata de demagogia, de meras palavras que comovem. A ladainha é recorrente, porém, verdadeira. Não se sabe se as alianças partidárias passarão a ter efetividade. O que pode ser mudado é a visão que se tem delas, perceber que elas só servem para levar eleitores de um partido para outro. Tão logo se fazem, elas se desfazem ao fim das eleições, pois motivos para a união não há mais.

O Fenômeno Fanatismo

Posted in Comportamento by micheletavares on 13/07/2010
O fanatismo está na moda. No entanto, a histeria coletiva por bandas, artistas e mais recentemente, livros, pode ter
um preço muito caro a pagar.

theinvisibleagent.wordpress.com

Por Elaine Casado

Na adolescência, é natural termos um ídolo. Seja uma banda, um artista ou até mesmo um livro, nesta fase a admiração ou inspiração por algo é traço característico do mundo juvenil. Desde assistir um filme com o ator ou curtir o som de determinada banda, até pesquisar insandecidamente a vida do ídolo em sites, blogs e afins e tornar-se membro de fã-clubes… hoje, ser fanático é a onda do momento.

Números da Série Harry Potter. Clique na imagem para ampliá-la. Arte: Elaine Casado

Sucessos como A Saga Crepúsculo e Harry Potter são exemplos de uma época em que admirar virou moda. Os números comprovam isso.  De acordo com a Veja.com, desde o lançamento de seu primeiro livro em 1997, a série Harry Potter vendeu 350 milhões de exemplares mundialmente. Além disso, somando os seis filmes já lançados, a série arrecadou em bilheteria o total de 4,5 bilhões de dólares, mantendo-se nos últimos anos nos primeiros lugares do ranking das maiores bilheterias e vendagem de livros mundiais.

Mais recentemente, a Saga Crepúsculo mostra o seu potencial milionário. Com apenas 4 livros lançados, foi eleita a série mais vendida da década pelo jornal americano USA Today. Somente no Brasil, a saga contabilizou aproximadamente 5 milhões de exemplares vendidos, e pelo mundo, 100 milhões. Já seus filmes, ao contrário das expectativas negativas de muitos críticos, tiveram faturamento mundial de 1,3 bilhões de dólares. Seu mais recente lançamento, Eclipse, em apenas seis dias de exibição nos cinemas norte-americanos arrecadou a bagatela de 175,3 milhões de dólares.

Na década de 60, os Beatles levavam multidões por onde passavam. Até hoje, é considerada a banda de maior vendagem de discos de todos os tempos.

No entanto, engana-se quem acha que essa febre por ídolos é um fenômeno recente. Quem não se lembra dos Beatles? A banda britânica da década de 60 é até hoje um dos maiores fenômenos de vendagem de discos. Conforme dados da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI), os Beatles estão entre os cinco maiores vendedores de álbuns de todos os tempos, com aproximadamente 1 bilhão de cópias.  Mas para quem é fã, números pouco importam. Importa é estar na fila para ser o primeiro a entrar no show ou a comprar o livro que está para ser lançado. Não faz mal se você permanece dias acampado em frente ao hotel ou é quase pisoteado para conseguir um autógrafo do seu ídolo. Para eles, nada disso é ruim. Pelo contrário, é o mínimo preço a se pagar para ter o ídolo um pouco mais perto.

Números da Saga Crepúsculo. Clique na imagem para aumentar. Arte: Elaine Casado

A estudante Juliana Silva, 16 anos, partilha desta opinião. Fanática pela Saga Crepúsculo, ela conta que na vinda dos protagonistas Kristen Stewart e Taylor Lautner ao Brasil em 2009, para a divulgação do filme Lua Nova, passou dias em frente ao hotel em que estavam hospedados e quase tem um membro fraturado por isso. “Fui pisoteada no dia em que eles chegaram ao hotel, quase quebrei a perna, mas iria de novo. Faço tudo para estar perto deles. Sou mais apaixonada por Crepúsculo do que jamais fui por um garoto”, conta orgulhosa.

Para Marília Gabriela, 18, porém, sua paixão não é assim tão exagerada. “Na verdade eu compro tudo que o vejo deles. Uma vez comprei todas as revistas que havia na banca que falavam sobre Crepúsculo. Gastei quase cem reais de uma só vez. Mas nunca fui de me colocar em situações de riscos por causa disso. Eu acho meu fanatismo saudável”, argumenta. Seus pais, Marta e João Hélio, no entanto, não compartilham da mesma opinião da filha. “Nos preocupamos com ela por causa dessa paixão. Já a pegamos várias vezes acordada até quase 4 horas da manhã assistindo os filmes ou lendo as revistas. No outro dia, ela não quer acordar e ir para a escola,  em pleno ano de vestibular”, afirma Marta.

Mas afinal, o que significa fanatismo? De acordo com o professor de Psicologia Geral da Universidade Federal de Sergipe, Elder Cerqueira, a maioria das pessoas tem uma concepção negativa a respeito do fanatismo. “O fanatismo não é necessariamente algo ruim. É quando a pessoa tem uma relação de admiração, de inspiração com o objeto e desenvolve um sentimento, em geral, prazeroso, causando bem-estar”, diz. Em adolescentes, isso faz parte do próprio processo de desenvolvimento da personalidade. “Varia de indivíduo para indivíduo. É um processo bastante singular”, explica.

O fanatismo pode se manifestar de diferentes formas, em diferentes indivíduos. Na maioria dos casos, ele se revela pela necessidade de pertencer a um grupo, de possuir uma identidade social. “Na realidade, é mais um fenômeno grupal. O adolescente busca, nesta fase da vida, encontrar uma referência exterior à família na qual possa se espelhar”, explica Elder.  No entanto, as relações de fanatismo podem variar. Há aqueles indivíduos que estabelecem uma verdadeira relação de amor com seu ídolo, chegando a imaginá-lo como seu parceiro ou parceira ideal na relação afetiva. Outros, o vêem como um ideal a ser seguido, um exemplo de perfeição, e querem tornar-se o próprio ídolo. E ainda há aqueles que colocam seu objeto de admiração num patamar acima de tudo e de todos e considera-se inferior a ele.

Por mais incrível que pareça, há uma explicação neurobiológica para a adoração exagerada. Segundo Marcos Mercadante, professor-adjunto de Psicologia da Universidade Mackenzie, nesse período da vida, o hormônio oxitocina, que reforça o caráter obssessivo, está no pico. “Por isso, tudo é intenso nessa fase: as paixões são arrebatadoras, tanto entre namorados quanto com os ídolos”, explica.

Nos EUA, mães fanáticas pela saga Crepúsculo são denominadas TwiMoms. Fonte: Kibeloco

Adultos

Mas quando essa idolatria se aplica a adultos? Se este período de admiração é bem característico da própria fase adolescente, pode ser considerado normal? De acordo com Elder, sim. Na fase adulta também é possível vermos fanatismo, mas de forma moderada. “Para as pessoas adultas, também é considerado natural desenvolver uma admiração por algo. No entanto, o fanatismo se dá de uma forma mais amena, mais madura, devido ao próprio processo de amadurecimento pessoal”, explica.

Rita de Cássia, 43, fã da Saga Crepúsculo. Mãe de três filhos, e casada há 23 anos. Foi à pré-estréia de Eclipse no Rio de Janeiro com a filha Giovanna, 13. “Já li várias vezes os livros e as reportagens das revistas. O ator Robert Pattinson é lindo e super profissional. Fico encantada com todas as cenas”, conta.

De acordo com a psicóloga cognitivo-comportamental Irene Araújo Corrêa, em entrevista ao site DiarioWeb, o fanatismo em adultos pode ter um lado positivo, especialmente quando se trata de fenômenos teens, como a Saga Crepúsculo e Harry Potter. “Quanto mais interação existir entre pais e filhos, quanto mais diálogo e informações sobre o que é importante e sobre os gostos dos adolescentes, mais saudável será a relação familiar. Além disso, é importante empatia e cumplicidade. As ondas passam, outras vêm, mas o essencial em família deve ser fortalecido”, explica Irene.

Onde mora o perigo

O perigo, porém, mora ao lado. Apesar de não se constituir propriamente numa doença, o fanatismo pode servir como forma de manifestação de uma psicopatologia. Isso, logicamente, é um processo individual. É o caso da morte do ex-beatle John Lenon. Assassinado em frente ao prédio onde morava por um fã, horas antes de haver lhe dado um autógrafo, Lenon levou 5 tiros, perdendo 80% do sangue de seu corpo.  Apesar de boatos relatarem que seu assassino teria sido influenciado pela história de um livro, estudos realizados com Mark David Chapman, o fã homicida, revelam que John teria sido morto por um esquizofrênico, e que seu fanatismo pelo cantor caracterizou-se como uma forma de demonstração da doença.

Para esses casos, o professor da Universidade Federal de Sergipe Elder Cerqueira alerta: o fanatismo é positivo, desde que não comprometa negativamente a vida social, privada e familiar do adolescente ou adulto. “Como para tudo na vida, há um limite. Embora não exista um padrão especificado, isto é, um limite estabelecido dizendo onde parar, não é difícil reconhecer quando o adolescente ou adulto está precisando de apoio psicológico”, diz Elder. A família torna-se elemento fundamental de apoio e reconhecimento do problema.

Para C. N., 22, o fanatismo teve graves conseqüências. “Comecei a gostar da série Harry Potter aos 15 anos. Daí por diante, o que começou com uma admiração, virou uma obsessão. Não conseguia mais estudar. Ia para a escola e lá ficava lendo os livros. Era suspensa com freqüência por causa disso. Ao chegar em casa, ia direto para o computador, ás vezes nem almoçava, para procurar informações sobre a série”, conta. No entanto, C. só percebeu que sua paixão estava fora do comum aos 18 anos a partir de um desentendimento com uma colega da escola. “Eu estava na aula lendo um dos livros do H.P. quando ouvi uma colega de classe caçoar da série. Me virei com uma raiva que nunca havia sentido antes, e começamos a discutir feio. Terminou em agressão física. Resultado: as duas foram parar no hospital”, lembra.

Radicalismo, intolerância e isolamento são alguns dos sintomas que podem ser identificados nestes indivíduos. No entanto, é preciso paciência e apoio da família para tratar o problema. Não é recomendada a repressão ou a zombaria, afinal de contas, o objeto de admiração adquire para o indivíduo caráter afetivo equivalente a uma relação amorosa.  Num primeiro momento, a família deve buscar o auxílio psicológico. Depois disso, o trabalho de recuperação do indivíduo se dá pelo fortalecimento da auto-imagem, levando-o a descobrir que não é necessária a sua inserção em um grupo ou a utilização de violência física para ser aceito ou mesmo definir sua identidade.

O fanatismo faz parte do amadurecimento pessoal. Saudável? Na maioria das vezes.  Mas como toda regra, sempre há uma exceção. Saber quando essa exceção tornou-se algo perigoso para o próprio indivíduo ou para o seu círculo social, nunca é tarefa fácil para a família ou amigos. No entanto, tomar a decisão de levá-lo a um especialista e apoiá-lo é sempre a coisa certa a fazer, pois é este tipo de atitude de que depende a saúde e bem-estar destas pessoas. Deixar que eles as percam, é um erro. De ambas as partes.

Clique na imagem para ampliá-la. Arte: Elaine Casado

Alianças Descartáveis

Posted in Artigos, Política by micheletavares on 12/07/2010

Por Anne Samara Torres

Não diferente dos demais estados do Nordeste, Sergipe traz em sua história econômica e política a marca das velhas oligarquias rurais, que não bastasse controlar as principais atividades produtivas do estado, ainda se apoderou do poder político, legitimando, assim, seus interesses e decisões egoístas sobre a vida da população. Desta forma, essas oligarquias serviam-se da figura do Estado como se fossem suas donas, favorecendo “compadres”, parentes ou qualquer simpatizante e se aliando àqueles que lhes pudessem fortalecer.

Em âmbito nacional, essa situação não parece ter mudado praticamente em nada com o passar dos tempos. A criação de novos partidos, resultante de fragmentações partidárias, não significa necessariamente o surgimento de partidos que seguem linhas e interesses diferentes. É possível encontrar partidos a favor do capitalismo, do socialismo, dos trabalhadores, do meio ambiente, enfim, cada um defendendo sua bandeira e se aliando a outros que supostamente teriam os mesmos objetivos, mas o que geralmente acontece é pura troca de interesses e vantagens.

Muitos políticos mudam constantemente de partidos comprados por ofertas de cargos, de apoio financeiro em suas campanhas e muitos outros benesses e o mesmo acontece com as alianças partidárias, que acabaram se tornando descartáveis, à medida que só existem enquanto forem de interesse para as partes. É essa a relação entre os poderosos que governam nosso país e que caracteriza o oligarquismo nacional. E em Sergipe não poderia ser diferente. Por aqui é possível encontrar representantes da “oposição” aliados a líderes políticos locais, em troca de cargos, promessas de repasse de recursos financeiros e até mesmo por ajuda na construção de obras em municípios do interior.

No estado, dois grupos políticos (DEM-antigo PFL- e PSDB) ligados à fortes nomes locais (respectivamente João Alves e Albano Franco) controlaram por muito tempo o poder local, alternando-se no comando do estado e ajudando a eleger deputados estaduais e federais ligados a seus grupos. Atualmente, é o petista Marcelo Déda quem governa o estado, mas os tradicionais partidos continuam se perpetuando no poder chegando até a se aliarem a partidos adversários se isso lhes convir, porém sempre aliados de algum jeito ao governo estadual afinal, para eles, não se pode perder a chance de tirar proveito de qualquer que seja a situação.

As eleições deste ano para governador prometem uma disputa acirrada entre a experiência do ex-governador João Alves e as propostas do atual governador Marcelo Déda, que tentará a reeleição. Já em relação às alianças partidárias, há muitas questões a serem resolvidas, como a aliança de Déda do PT a Franco do PSDB, dois partidos opostos nas disputas presidenciais. Mas pelo desenrolar dos acontecimentos, parece que Déda não descartará ocasionais apoios peessedebistas, pelo menos não por enquanto.