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Enquanto Michel Temer grita em alto e bom som “Dilma presidente do Brasil”, Almeida Lima engole sapos

Posted in Política by micheletavares on 06/07/2010

por André Teixeira


Vindo de qualquer eleitor, a frase acima soa lugar comum em época de eleição. Mas ela não foi gritada por um eleitor qualquer. A frase foi gritada por Michel Temer, PMDB, em plena conferência nacional do partido do presidente Lula que lançou dia 13 de junho a ex-chefe da Casa Civil oficialmente candidata a presidente da república e ele vice. PT e PMDB se juntam na inédita coligação para disputar a presidência do Brasil em 2010.

De acordo com a Lei Nº 9.504, que regula desde 30 de setembro de 1997 o código eleitoral, art. 6º informa que “é facultado aos partidos políticos, dentro da mesma circunscrição, celebrar coligações para eleição majoritária, proporcional, ou para ambas, podendo, neste último caso, formar-se mais de uma coligação para a eleição proporcional dentre os partidos que integram a coligação para o pleito majoritário.” Então, ok! Temer pode gritar o que quiser em prol da candidata petista. Não é imoral, ilegal, e, ao que eu saiba, não engorda!

A inédita coligação que une Dilma Rousseff e Michel Temer reflete no tempo que os partidos terão para apresentar seus planos de governo. Aproximadamente 9 minutos e 55 segundos contra 7 minutos e dezessete segundos do candidato José Serra no horário eleitoral gratuito. A candidata do PV, Marina Silva, terá direito a 1 minuto e 6 segundos. Os demais oito candidatos terão menos de um minuto. Eis um forte argumento para facilitar e justificar essa coligação. A internet será forte ferramenta para esses partidos menos favorecidos. Mas é ferramenta de uso pleno do partido situacionista.

Desde o início dos movimentos políticos no Brasil registram-se alianças das mais diversas nos pleitos eleitorais brasileiros para todos os cargos políticos. As coligações em níveis federais refletem nos acordos estaduais e municipais, mesmo que a contra-gosto de uns e outros. Em nome de “ser melhor para o candidato”, alianças são feitas às claras, assim como alguns acordos. Mas nem todos. Alguns são tramados em gabinetes escuros e longe dos olhos e ouvidos da população que vota. É sim uma ferramenta da democracia. Mas as coligações e acordos diversos podem gerar o famoso ‘rabopresismo’ que compromete as melhores intenções e hoje mais do que lotam o inferno das boas intenções.

No Maranhão, por exemplo, a maioria dos petistas terá que engolir um sapo de sobrenome Sarney no próximo pleito presidencial. Ao invés de apoiar a candidatura do aliado natural Flávio Dino, deputado do PC do B, os petistas maranhenses, derrotados por 43 a 30 em votação durante a Convenção Nacional do PT realizado no domingo 13 de julho, terão que subir no palanque peemedebista para tentar reeleger a atual governadora do estado, Roseane. Após a votação alguns petistas chegaram a chamar José Eduardo Dutra, presidente do partido, de “Hitler”.

Mas o acordo de apoio não é maioria. A festa em torno da aliança PT e PMDB (e outros cinco partidos), não é acompanhada pela maioria dos estados. Dos 27 apenas 10 compartilham a alegria, quer sejam de sorrisos amarelos ou não, de apoio a uma única candidatura. Sergipe é um desses estados. O senador Almeida Lima, que quer porque quer se candidatar à reeleição do Senado e não encontra espaço para tal, é o engolidor de sapos da vez. A intenção da aliança é a de lançar uma única candidatura na chapa, e o candidato deve sair do PSC, liderado por Eduardo Amorim. Nunca antes na história de Sergipe o PT teve uma chapa tão forte, fazendo o atual governador e candidato à reeleição “sorrir um sorriso que não lhe cabe no rosto”, levando-o fazer previsões pra Mãe Dinah nenhuma botar defeito: “vamos eleger uma maioria ampla na Assembléia e ocupar as vagas na Câmara Federal”. A coligação sergipana é a mesma nacional. O que importa dizer que Sergipe é um dos poucos que dança a mesma dança do presidente Lula.

Até o dia 30 de junho, data em que este artigo foi escrito, o senador Almeida Lima, afeito a problematizar situações das mais diverssas, pode tentar jogar cimento nesse angu. Pode, mas não deve. O deputado federal pelo PMDB Jackson Barreto garante que não haverá intervenção da Executiva Nacional do partido em terras Serigy. Ao que parece, aqui os cacique dançarão juntos fumando um cachimbo da (idem) inédita paz no pleito presidencial nacional e empurram Almeidinha a uma cadeira na Câmara Federal.

Charge que representa bem o 'rabopresismo'. Autor: Eugênio Neves. Disponível em http://migre.me/UPF1


Todo esse joguete político mostra, ao meu ver, que o principal, o essencial para a política, mesmo que digam o contrário, fica à margem. Os objetivos primordiais dos partidos, as melhorias sociais para a coletividade ficam à mercê dos sabores e dissabores partidários e do já tradicional rabopresismo que posterga maiores e melhores evoluções sociais.

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