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Alianças Descartáveis

Posted in Artigos, Política by micheletavares on 12/07/2010

Por Anne Samara Torres

Não diferente dos demais estados do Nordeste, Sergipe traz em sua história econômica e política a marca das velhas oligarquias rurais, que não bastasse controlar as principais atividades produtivas do estado, ainda se apoderou do poder político, legitimando, assim, seus interesses e decisões egoístas sobre a vida da população. Desta forma, essas oligarquias serviam-se da figura do Estado como se fossem suas donas, favorecendo “compadres”, parentes ou qualquer simpatizante e se aliando àqueles que lhes pudessem fortalecer.

Em âmbito nacional, essa situação não parece ter mudado praticamente em nada com o passar dos tempos. A criação de novos partidos, resultante de fragmentações partidárias, não significa necessariamente o surgimento de partidos que seguem linhas e interesses diferentes. É possível encontrar partidos a favor do capitalismo, do socialismo, dos trabalhadores, do meio ambiente, enfim, cada um defendendo sua bandeira e se aliando a outros que supostamente teriam os mesmos objetivos, mas o que geralmente acontece é pura troca de interesses e vantagens.

Muitos políticos mudam constantemente de partidos comprados por ofertas de cargos, de apoio financeiro em suas campanhas e muitos outros benesses e o mesmo acontece com as alianças partidárias, que acabaram se tornando descartáveis, à medida que só existem enquanto forem de interesse para as partes. É essa a relação entre os poderosos que governam nosso país e que caracteriza o oligarquismo nacional. E em Sergipe não poderia ser diferente. Por aqui é possível encontrar representantes da “oposição” aliados a líderes políticos locais, em troca de cargos, promessas de repasse de recursos financeiros e até mesmo por ajuda na construção de obras em municípios do interior.

No estado, dois grupos políticos (DEM-antigo PFL- e PSDB) ligados à fortes nomes locais (respectivamente João Alves e Albano Franco) controlaram por muito tempo o poder local, alternando-se no comando do estado e ajudando a eleger deputados estaduais e federais ligados a seus grupos. Atualmente, é o petista Marcelo Déda quem governa o estado, mas os tradicionais partidos continuam se perpetuando no poder chegando até a se aliarem a partidos adversários se isso lhes convir, porém sempre aliados de algum jeito ao governo estadual afinal, para eles, não se pode perder a chance de tirar proveito de qualquer que seja a situação.

As eleições deste ano para governador prometem uma disputa acirrada entre a experiência do ex-governador João Alves e as propostas do atual governador Marcelo Déda, que tentará a reeleição. Já em relação às alianças partidárias, há muitas questões a serem resolvidas, como a aliança de Déda do PT a Franco do PSDB, dois partidos opostos nas disputas presidenciais. Mas pelo desenrolar dos acontecimentos, parece que Déda não descartará ocasionais apoios peessedebistas, pelo menos não por enquanto.

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