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Alianças Partidárias: um fim em si mesmas?

Posted in Artigos by micheletavares on 13/07/2010

Julie Melo

  Vai chegando o momento das eleições e o que todos pensam é: “em quem vou votar?”. Sempre há pelo menos dois candidatos mais fortes, geralmente disparados na disputa. Mas onde entram os partidos nessa história? Imagine se não houvesse partidos e cada político estivesse “solto” por aí, trabalhando por si só. Seria muito mais complicado identificá-los. Os partidos têm o papel de facilitar a escolha eleitoral, mas, para isso, é necessário que eles tenham visibilidade e participação contínua nas eleições. Como nem todo partido lança um candidato a determinado cargo político, criam-se as alianças partidárias. Quem vai apoiar quem.

   Só que pouco se sabe sobre o jogo eleitoral brasileiro. Os meios de comunicação, sobretudo a televisão, direcionam a competição para os candidatos individualmente, não para os partidos. Assim fica difícil saber que alianças estão sendo formadas e quais são seus projetos. Quando há projetos, que fique claro. Quase sempre, as alianças partidárias estão mais voltadas para interesses pessoais de um grupo restrito do que para as necessidades da população. São feitas apenas para fortalecer um candidato em detrimento do enfraquecimento de outro, conforme o interesse do momento. Rivais políticos “esquecem” as brigas do passado e se aliam na busca pela vitória.

  Este ano, por exemplo, ano de eleições presidenciais, tornam-se ainda mais indispensáveis os laços políticos. O primeiro problema, como já disse, é o pouco ou nenhum conhecimento que a população de modo geral tem acerca das relações partidárias. A mídia – e falo dela porque é através dela a maior divulgação das campanhas eleitorais – não oferece o entendimento necessário do processo eleitoral, embora antes e durante o pleito a imprensa intensifique a cobertura. É certo que os programas políticos ainda não começaram pra valer, mas, basta relembrar eleições anteriores para saber que as alianças não ficam nítidas para o eleitorado.

  Qualquer motivo é válido para votar em determinado candidato, exceto as alianças partidárias que ele fez. O PT se unirá ao PTD, PC do B, PSB etc.. O PSDB ao PSC, entre outros. Mas por quê? Juntos, o que eles farão? Que resultados trarão essas alianças? Para as próximas eleições, pouco importa quem se aliou ou aliará a Dilma Rousseff e a José Serra, muito menos a Marina Silva, que até agora pouco se evidenciou. O ringue já foi montado e nele lutam Dilma, amparada por Lula, e Serra, que se apoia em… Em… Bom, em sua experiência anterior. Isso já é credibilidade suficiente para os altos índices de popularidade de ambos.

   O segundo problema das alianças – de tantos que poderiam ser apontados – é seu projeto de governo. Já é difícil conhecer as alianças. Conhecer seus projetos, então, nem se fala. E, repito, na grande maioria das vezes elas surgem com fins eleitoreiros e para atender as vontades exclusivas dos aliados. “Se, sozinho, eu não alcanço certo objetivo, vou me unir a fulano, que assim conseguirei”. Interesses mútuos, troca de favores, chame do que quiser chamar, mas, infelizmente, é essa a dinâmica da política. Não há projeto algum. As alianças deveriam promover um plano de governo sólido, que, posteriormente, fosse desenvolvido e construído, de fato. Não apenas unir forças para vencer as eleições, mas unir forças para, depois disso, colocar em prática o que foi prometido e fortalecer a democracia.

   Compreender o que se passa no nosso sistema político permite conhecê-lo e cobrar dos nossos representantes os resultados de seus discursos. E, principalmente, saber que fim levaram as alianças feitas durante a campanha eleitoral. Não se trata de demagogia, de meras palavras que comovem. A ladainha é recorrente, porém, verdadeira. Não se sabe se as alianças partidárias passarão a ter efetividade. O que pode ser mudado é a visão que se tem delas, perceber que elas só servem para levar eleitores de um partido para outro. Tão logo se fazem, elas se desfazem ao fim das eleições, pois motivos para a união não há mais.

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