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Quem? Esse daí? Não conheço!

Posted in Política by micheletavares on 26/10/2010

O desconhecimento dos eleitores em relação aos presidenciáveis é preocupante.

Por Iargo de Souza

No dia 3 de outubro os eleitores brasileiros foram às urnas para a escolha de deputados federais e estaduais, governadores, senadores e presidente da república. Pela sexta vez desde o fim do regime militar o brasileiro pôde escolher aquele ou aquela que julga o mais capaz para governar o país. Um fato que chama atenção, nessas eleições, é a quantidade e a “variedade” dos candidatos à presidência, são um total de nove sendo sete homens e duas mulheres.

Vamos, então, às apresentações: Dilma Rousseff – Partido dos Trabalhadores (PT), Ivan Pinheiro – Partido Comunista Brasileiro (PCB), José Maria Eymael – Partido Social Democrata Cristão (PSDC), José Serra – Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Levy Fidélix – Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), Marina Silva – Partido Verde (PV), Plínio de Arruda Sampaio – Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Rui Costa Pimenta – Partido da Causa Operária (PCO), Zé Maria – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU).

Nessa miscelânea de candidatos, com suas diferentes propostas, é preocupante que grande parte dos cidadãos não os conheça, pelo menos não à maioria. A confusão começa justamente quanto à quantidade: “São quatro, não, são cinco, Dilma, Serra, Marina, Plínio, ‘Eysmael’, tem outro que não estou lembrando”, disse a estudante e eleitora Gabriela Souza, concentrando-se e contando nos dedos na tentativa de lembrar o nome de todos os candidatos. Um depoimento ainda mais curioso foi o da também estudante Ana Carolina que ao ver as fotos dos noves candidatos afirmava convicta que nem todos ali eram presidenciáveis.

A propaganda eleitoral gratuita é de extrema importância para a divulgação ou não da imagem dos candidatos. É claro que com o advento da internet o eleitor encontra outros meios de obter informação sobre os candidatos, o site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por exemplo, disponibiliza uma quantidade considerável de informação a respeito dos candidatos. Além disso, encontramos informação nas suas páginas pessoais, como blogs de campanha, twitter, comunidades no Orkut, etc.

No entanto a lei de propaganda que determina que o tempo dos candidatos seja proporcional à legenda de seus respectivos partidos, deixa espaço às críticas tanto por parte dos partidos de minoria como também dos eleitores: “Se o tempo da propaganda fosse igual, o que eu acho justo, Marina estaria no segundo turno”, disse a estudante Gabriela, que também declarou que não mudaria o seu voto, mas que a o acesso a informação sobre as propostas dos candidatos através de uma distribuição igualitária no tempo da propaganda eleitoral mudaria o voto de muita gente.

O desconhecimento a respeito dos candidatos por parte dos eleitores levanta questões que vão além das eleições 2010. Por exemplo, se temos nove candidatos e os eleitores reconhecem apenas seis, cinco ou até mesmo três como no caso do taxista do centro de Aracaju Valdir Silva, paramos para pensar se o processo que ocorre é 100% democrático.  Temos liberdade para escolhermos qualquer candidato, mas se o eleitor não tem acesso à informação a respeito de todos os candidatos, talvez não esteja votando por convicção ou escolha, talvez o voto seja dado por ausência de opção. O que é mais estranho é que talvez os candidatos “desconhecidos” pudessem surgir como opção, no entanto do modo que o processo ocorre hoje, em que alguns candidatos podem contar suas histórias de vidas e outros não têm tempo nem para dizer seu nome e número, isso se torna inviável.

A “pompa” da propaganda acaba realmente influenciando o eleitor: “A gente visa os que têm mais chances de ir pro segundo turno”, disse a estudante de enfermagem Magdalena  que afirmou haver cinco candidatos e reconheceu quatro. É curioso que alguns candidatos não tenham seus nomes lembrados pelos eleitores, mas suas características ás vezes são. Para o taxista Júnior, por exemplo, o candidato Plínio é “aquele velhinho magrinho”, Marina Silva, para o autônomo Manuel é a “menina da Amazônia”, a estudante Patrícia reconheceu o candidato Levy Fidelix como “o cara que rasgava o jornal e beijava a bandeira ” e quando é apresentada a foto do candidato Eymael, sobretudo aos mais jovens, é comum eles cantarem o jingle da sua campanha. Essas peculiaridades trazem à campanha política um pouco de bom humor, mas a verdade é que não se deve brincar com o futuro do nosso país e o desconhecimento dos eleitores em relação aos candidatos pode por o Brasil numa gangorra que só desce.

Talvez seja tarde, mas saiba o básico sobre quem você votou ou deixou de votar:


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4 Respostas

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  1. micheletavares said, on 27/10/2010 at 10:53 pm

    Gostei muito do texto, esclarece e muito. Pena que já estamos no 2º turno.

  2. Iargo said, on 28/10/2010 at 1:45 pm

    Obrigado, professora.

  3. victor limeira said, on 28/10/2010 at 8:29 pm

    O texto esta realmente muito legal
    Sendo sincero não reconheceria alguns candidatos se passassem do meu lado na rua.

  4. Matheus said, on 30/10/2010 at 8:18 pm

    Iargo, parabéns cara, ficou muito bom. =)
    PS.: Só não me lembrava de dois, Ivan Pinheiro e Rui Pimenta.


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