Técnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística

“Eu assumi com o objetivo de classificá-las para o Pan- Americano do ano que vem”

Posted in Esporte by micheletavares on 30/11/2010

A atual técnica da seleção brasileira de ginástica rítmica conta como treina há quase três semanas a seleção brasileira de ginástica rítmica em busca da classificação para os Jogos Pan- Americanos de 2011.

Por Isabelle Marques

Há quase um mês dedicando-se exclusivamente ao treinamento da seleção brasileira de ginástica rítmica, para a classificação do conjunto no pré Pan-Americano, que acontece de 30 de novembro a 6 de dezembro em Guadalajara, no México, e será classificatório para os Jogos Desportivos Pan-Americanos de 2011,  a treinadora Camila Ferezin, 33, revela como está sendo a experiência com a seleção. Natural de Londrina, Paraná, Camila é ex-ginasta e, ao lado de outras londrinenses, emocionou o país recebendo medalha de ouro nos XIII Jogos Pan-Americanos, no Canadá, em 1999. Encerrou sua carreira como atleta nas Olimpíadas de Sydney, na Austrália. Em Atenas, na Grécia, foi auxiliar técnica. Atualmente é técnica de um clube da Unopar, em Londrina. Em Aracaju, no Centro Nacional de Treinamento da Ginástica Rítmica, localizado no estádio Lourival Baptista, a ex- atleta, apesar do clima tenso que faz parte da rotina desse esporte, nos recebeu com simpatia, no intervalo dos treinamentos da seleção, e revelou suas impressões do conjunto de ginástica, falou sobre o treinamento e contou suas experiências com a modalidade. 

Camila, você está em Aracaju para intensificar o treinamento da equipe para o pré Pan- Americano?

 Isso, o objetivo é classificar para os jogos Pan-Americanos do ano que vem. Então esse campeonato que a gente viaja domingo, no México é uma classificatória, uma seletiva, onde os cinco primeiros países vão participar dos jogos Pan- Americanos do ano que vem.

Como está o nível do conjunto?

Bom, como elas não se classificaram para o mundial do ano que vem, que é classificatório para as olimpíadas, elas voltaram desanimadas, estavam despreparadas, fora do peso, e nessas duas semanas e meia, nós corremos atrás do prejuízo e acho que elas estão firmes assim, dispostas, trabalharam muito, oito, nove horas por dia, esse tempo que eu estou aqui, e melhorar bastante. Acho que elas estão prontas para competir.

Desde quando esse mesmo grupo está formado já se preparando para o pré Pan?  

Bom, eu porque eu não estava aqui, mas desde que começou que fez a seletiva no início do ano elas estão aqui em Aracaju, treinando com a técnica Giurga [Nedialkova] e agora a técnica búlgara voltou para a Bulgária, depois do mundial e eu assumi nessas últimas duas semanas e meia, com esse objetivo de classificá-las para o Pan- Americano do ano que vem.

Essa equipe está formada desde quando, é a mesma, desde o início?

Desde o início do ano. São oito ginastas, sendo as seis titulares viajam.

Como foi a experiência para as meninas de serem treinadas por búlgaros?

Bom, eu não posso falar porque eu não estava aqui, mas eu acredito que tudo que pode acrescentar, eu acho que tem que buscar, e a Confederação trouxe esses búlgaros, já que estão sempre estão entre os melhores do mundo então só veio somar, então com certeza devem ter feito um trabalho bom, e melhorado as coreografias, e isso é bom.

Você já tem uma história com a ginástica rítmica, é ex-ginasta, hoje técnica. Como foi cada fase e o período de transição?

Bom, eu comecei com oito anos, encerrei minha carreira depois da olimpíada de Sydney com 23 anos, então foram 15 anos de treinamento, 10 anos dentro da seleção brasileira, tanto no individual quanto no conjunto e eu estava presente no grupo que conseguiu conquistar a primeira medalha inédita em jogos Pan- Americanos em Winnipeg em 1999 e, com essa medalha de ouro nesses jogos, nesse Pan- Americano a gente conseguiu a vaga para olimpíadas de Sydney. Aí depois das olimpíadas de Sydney eu encerrei minha carreira e a técnica Bárbara La Franque me convidou para ser auxiliar técnica e assim foi em 2004, 2003 nos jogos Pan- Americanos de Sto. Domingos, três medalhas de ouro e, no ano seguinte, Olimpíadas de 2004, conquistando novamente o oitavo lugar, sendo finalista de novo e, depois, quando a seleção saiu de Londrina, eu comecei com a ginástica com o treinamento na Unopar, e estou lá desde 2005 como técnica, onde o foco maior da Unopar sempre foi o conjunto. E agora essa nova oportunidade que me deram de estar aqui como técnica interina para mostrar o meu trabalho.

Camila, como é a rotina de uma técnica e a sua equipe, como é a rotina dessas meninas?

Bom, é uma rotina muito desgastante, porque são muitas horas de treinamento, muitas repetições, a rotina é muito difícil. Então nessas duas semanas e meia eu tentei buscar primeiro com que elas voltassem a ter essa motivação, já que tinham vindo de uma derrota, que foi essa não classificação, estar fora da Olimpíada de 2012. Então, no primeiro momento eu tentei buscar novamente essa motivação, depois consegui com que elas entendessem que precisavam perder peso, porque isso só depende delas mesmas. Estou bem satisfeita porque elas conseguiram, nesses 15 dias aí elas perderam bastante peso, algumas três, quatro quilos. E fora o treinamento, que essas longas horas diárias de treinamento, que elas não estavam acostumadas. No começo foi bem difícil, mas elas estavam sempre dispostas eu acho que isso foi bom, positivo, então a gente está indo o melhor possível preparadas para trazer essa vaga para o Brasil.

O treinamento se intensifica próximo ao campeonato, mas no dia-a-dia como são os treinos?

Bom é uma rotina né? É uma disciplina que em que ter qualquer atleta. Elas têm que dormir no mínimo oito a 10 horas de sono para estarem dispostas e preparadas para treinar o dia todo, a alimentação é sempre balanceada, sempre com muita salada, proteína, carne, pouco carboidrato.

Elas têm acompanhamento médico?

Elas têm, como a gente está com bastantes horas de treino algumas estão sentindo dores e estão tendo acompanhamento do fisioterapeuta, mas  basicamente é isso, elas estão se dedicando essas últimos dias só para a ginástica, largaram um pouco os estudos para poder treinar para trazer esse resultado.

Como é esse processo para ingressar numa seleção?

Ah, é feito sempre uma seletiva, com as melhores ginastas do Brasil e ali são selecionadas as ginastas que vão fazer parte da seleção.

Você que vem do Paraná, o que acha de Sergipe, sediar a Confederação?

Bom, eu acho que aqui tem uma boa estrutura, para seleção estar treinando. Eu acho que muitas mudanças aconteceram nesses últimos anos e eu acho que a Confederação deve retomar algumas coisas que foram perdidas, depois que saiu a seleção brasileira de Londrina, precisa retomar para voltar a conquistar os resultados.

Qual é a equipe que pode dar mais trabalho ao Brasil nesse campeonato?

Risos. Bom, eu acho que tem quatro países muito fortes: EUA, Canadá, Cuba e Venezuela, e também a gente não sabe muito bem como está o México, porque a gente não tem visto nos campeonatos, mas eu acho que a gente está indo para lutar, para trazer medalha.

Para terminar, quais são os seus projetos como técnica e os projetos da confederação? Bom, ainda não tenho nenhuma visão, ainda não foi conversado. Eu não esperava essa convocação, foi tudo muito rápido e agora eu estou aqui com esse objetivo de classificar o Brasil e depois  sentar, conversar e ver como tudo vai ser daqui para frente.

Os dois lados da moeda

Posted in UFS by micheletavares on 30/11/2010

I Bienal de Artes, Ciência e Cultura levanta suspeita dos alunos acerca da origem das verbas do DCE

Por Claudia Janinny

Do dia 31 de agosto a 3 de setembro desse ano, foi realizada na Universidade Federal de Sergipe (UFS), no Campos de São Cristovão, a I Bienal de Artes, Ciência e Cultura. A abertura do evento, promovido pelo Diretório Central de Estudantes (DCE) da instituição, teve como atrações culturais Dado Vila-Lobos, ex-guitarrista da banda Legião Urbana, além das bandas sergipanas Naurêa e Guerreiros Revolucionários. A Bienal também incluiu debates diversificados e mesas redondas com participação de professores e especialistas para informar aos estudantes sobre temas atuais e relacionados à universidade, bem como teatro, dança, artes plástica, poesias, contos, prosa entre outros. Mas por que relembrar tudo isso?

Foi só terminar o evento para surgir algumas especulações a respeito da origem das verbas do DCE para promover o evento. Alguns alunos começaram a questionar sobre a estrutura luxuosa, principalmente do show de abertura com o músico Dado Vila-Lobos, que contou com incrementos técnicos como um gerador de energia elétrica, banheiros químicos e a montagem de um palco em frente à Concha Acústica da UFS.

A atual Chapa da Integração, logo que assumiu a 1ª gestão, tinha em mente promover a interação entre os estudantes e o DCE. “Nós assumimos a gestão com duas visões: a primeira é que a gente achava achava que o DCE deveria continuar com a ação política, que é o natural e foi o que fizemos. Conseguimos baixar a taxa de 25% do curso na transferência interna, contratação dos professores, o aumento da bolsa alimentação e da bolsa trabalho; e a segunda era que fizéssemos atividades que aproximassem os estudantes do DCE, porque até então as pessoas que ocuparam o DCE faziam a luta do Movimento Estudantil pelo Movimento, achando que é só a questão política que deve ser discutida. Por isso que muitos estudantes não se envolviam com o diretório”, conta Antonino Cardoso, atual presidente do DCE.

E pelo visto, a intenção do DCE é de fato manter a integração entre todos: “A gente sabe que tem estudantes ambientalistas, então queremos nos aproximar deles, o movimento religioso, por exemplo, por que não promover uma Calourada Gospel? A UFS tem 27 mil alunos e se for levar só pela questão política o DCE vira um Gueto com meia dúzia de pessoas. A nossa intenção é de integrar”, diz o presidente.

A atual gestão do DCE desenvolve diversos projetos e programas voltados ao incentivo à cultura. Dentre eles estão: cursos de língua estrangeira com baixo custo e curta duração (inglês, espanhol, francês, alemão, grego e latim), e o projeto trilhas (leva os estudantes a conhecerem outros lugares). Segundo Antonino, a intenção é que o estudante financie o seu próprio curso. “Pesquisamos e vimos que um professor de curso de idiomas ganha em média R$ 14 hora-aula. Em seguida, fomos ao Departamento de Letras e nos informaram que uma sala de aula para língua estrangeira comporta cerca de 40 pessoas. Então calculamos um curso com seis meses de duração incluindo a apostila e chegamos a um total de R$ 2.500 mil. Dividimos por 40 alunos e deu R$ 70 para cada um”, explica. E, acrescenta: “Hoje temos quarenta turmas e futuramente pretendemos abrir uma turma de Libras”, afirma.

Em contrapartida, a efetivação desses projetos acentua as suspeitas dos detratores do órgão de representação estudantil acerca de como estes adquirem recursos para financiar os seus projetos. “Existem alguns projetos do DCE que eu não concordo principalmente no que diz respeito ao evento mais recente, a I Bienal de Artes, Ciência e Cultura promovido pelo DCE, pois gostaria de saber de onde eles tiraram dinheiro para financiar em evento tão grandioso”, diz Wesley Pereira de Castro, estudante de Jornalismo da UFS.

Segundo o presidente do DCE, todos os eventos realizados contam com a colaboração de alguns órgãos, já que o Diretório não tem condição alguma de bancá-los, inclusive o mais recente que foi a I Bienal de Artes, Ciência e Cultura. “A gente contou com várias parcerias na realização da Bienal. O cachê de Dado Vila-Lobos foi R$ 12 mil e quem pagou foi a Funcaju. O som foi custeado pelo BANESE e a parte da estrutura do show foi paga pelo Banco do Nordeste. No total gastamos R$ 40 mil, um dinheiro que o DCE não tem. Nós que corremos atrás dos patrocínios, eu mesmo fiquei o mês inteiro das minhas férias correndo atrás para fazer a Bienal. Foi tudo graças às parcerias firmadas e as empresas contratadas“, explica Antonino Cardoso.

Na legislação existe uma parte que vem falando sobre os Incentivos Fiscais, que são formas legais de redução ou supressão do tributo a pagar, visando beneficiar determinados setores produtivos com o objetivo de gerar empregos, ampliar a produção, o comércio internacional e a prestação de serviços. Também são instituídos com o objetivo de incentivar atividades sociais e/ou culturais. Foi partindo desse princípio que o DCE resolveu ir atrás desses órgãos: “Nós já sabíamos que a maioria dos órgãos públicos tem um orçamento específico para financiar projetos culturais e sociais, como por exemplo, o Instituto Cidadania do Banco do Nordeste que separa cerca de R$ 7 milhões para financiamento de atividades e projetos culturais de universidades, escolas e outras entidades. E, por isso mesmo, resolvemos arriscar enviando o convite, que graças a Deus foi aceito por eles”, diz Antonino Cardoso.

Conforme Antonino, para conseguir essas parcerias foi necessária a elaboração de um projeto contendo os objetivos gerais e específicos, plano de mídia, público alvo entre outros, que justificassem a realização do evento. “Tem um aluno que foi do Centro Acadêmico de Artes e tem uma entidade chamada Oficina Alternativa. Como ele é especializado em elaborar projetos para captação de recursos, pedimos que elaborasse um para a Bienal”, diz. E, continua: Feito isso, foi só mandar os convites pedindo apoio. “Ao todo foram 200, mas conseguimos apenas três”, afirma.

Mas, além desses órgãos o DCE conta com um caixa que é mantido pelos próprios projetos desenvolvidos por eles. “Hoje o curso de idiomas rende em torno de R$ 400 para o DCE de cada turma, nesse semestre conseguimos formar 40 e obtivemos um lucro de R$ 16 mil que já serviu para financiar o nosso jornalzinho que foi entregue a todos os estudantes da UFS”, explica o atual presidente do DCE.

E, com relação à prestação de contas aos estudantes Antonino Cardoso disse o seguinte: “Tudo o que fizemos esse ano foi com a ajuda de parcerias. O Estatuto do DCE tem o Conselho de Base, em que toda gestão tem a obrigação de apresentar o balanço financeiro das atividades desenvolvidas durante o ano, e é exatamente o que iremos fazer”, conclui.

Curta-se: 10 anos de crescimento

Posted in Cultura by micheletavares on 11/11/2010

O que era apenas um festival simples para estudantes universitários, se tornou um dos principais festivais de curtas do Brasil e com visibilidade fora do país.

Por: Larissa Ferreira.

Este ano o festival Curta-se comemorou 10 anos de existência. E para comemorar essa primeira década, a produção do evento fez diferente dos anos anteriores.

(Imagem retirada do http://curtase.org.br/2010/05/curta-se-10-vai-premiar-sergipanos-com-r-10-mil-as-inscricoes-para-o-festival-acontecem-ate-o-dia-07-de-maio/)

Por que não uma trilha sonora para esse filme? Foi nesse intuito que a produção do festival trouxe Preta Gil, Otto e outras bandas para animar essa festa. E para uma confiabilidade maior na votação, um sistema eletrônico foi elaborado para a votação do publico e do júri, que deram seus votos eletrônicos aos filmes.

“Desde o momento que a gente dá abertura para os realizadores de Sergipe terem contato com realizadores de outros países, de outros estados, estimulamos o cenário áudio-visual, instigamos  ai aos sergipanos a terem a oportunidade de verem filmes maravilhosos que não são circulados nos cinemas comerciais, já que o curta não tem visibilidade em cinemas”, disse a diretora executiva do festival, Deyse Rocha, ao falar sobre o que o Curta-se vem proporcionando para o estado.

O festival promoveu 58 empregos diretos e outros empregos indiretos como hotelaria, transporte, alimentação, entre outros, nessa 10ª edição. Não só proporcionou mais empregos como também uma maior visibilidade dos turistas, os quais vieram prestigiar o evento, de outras cidades alem da capital, entre elas a 4ª mais antiga do Brasil, São Cristóvão.

O cenário cinematográfico sergipano, que antes era praticamente apagado, deu uma alavancada a partir do festival. Hoje o Curta-se está entre os mais importantes festivais cinematográficos do Brasil e já é data marcada no calendário de produtores de todo o Brasil e de outros países, já que ele passa em 2008 a ser o Festival Iberoamericano de Cinema de Sergipe, possibilitando assim à participação de produções de outros países que integram o programa Ibermedia, como alguns países da América Latina, Portugal e Espanha. “A partir do momento que a gente oferece premiações para os três primeiros colocados nas categorias sergipanas, é uma forma de incentivar essa produção que ainda é tímida, mas esperamos que venhamos a contribuir com esse crescimento”, diz ainda Deyse.

Nessa ultima década, dos mais de 150 premiados, que não sejam das categorias direcionadas aos sergipanos, poucas foram às produções locais ganhadoras, mas isso não indica uma má colocação para um festival iberoamericano. Entre as produções sergipanas já vencedoras estão, As aventuras de Seu Euclides na categoria Menção Honrosa, por Marcelo Roque Berlamino e Um tango para derrubar o poder, por Wille Marcel na categoria Melhor Vídeo de Bolso. Vitórias como essas mostraram a evolução que o festival proporcionou às produções sergipanas em cenário nacional e internacional.

O inicio

O festival nasceu da paixão de uma ex-professora de educação física, Rosângela Rocha, por cinema. De inicio era um festival pequeno de curtas-metragens voltado pra o público universitário. Com sua primeira edição realizada na Universidade Federal de Sergipe (UFS), o festival teve cerca de 50 filmes inscritos.

O que era no inicio o Festival Brasileiro de Curtas-Metragens, a partir da sua segunda edição já é intitulado como Festival Luso-Brasileiro de Curtas-Metragens de Sergipe. A partir daí consolidado no calendário de festivais de cinema nacional. É nesse ano que o Curta-se forma parcerias com ONGs, empresas do setor cinematográfico, governos locais, distribuidoras, entre outras. Incrementando a sua programação, a produção do festival acrescenta ao evento amostras de longas-metragens, seminários, workshops e eventos culturais. Nessa segunda edição foram mais de 140 filmes inscritos e teve a participação de cinco mil pessoas.

Em 2003, o festival recebe o patrocínio da Petrobrás e o apoio da Lei Rouanet, que trouxe um crescimento em termo de estrutura do evento, permitindo incrementar e intensificá-lo ainda mais. Ainda nessa terceira edição, o Curta-se se torna parceiro do programa Fome Zero, arrecadando cerca de uma tonelada de alimentos que foram usados na troca por ingressos para assistir aos longas convidados.

Na 4ª edição do Curta-se, a produção do festival o levou para o bairro Industrial, um dos bairros mais antigos e populares da capital. Proporcionando assim filmes de qualidade a pessoas, que por motivos diversos não tem acesso às salas de cinema.

Viajando com o Curta-se por Sergipe, no ano seguinte, parte da programação do festival foi realizada na 4ª cidade mais antiga do Brasil e antiga capital de Sergipe, São Cristóvão. Lá ocorreram mostras de Cine BR em Movimento e apresentação de grupos folclóricos. Com novas parcerias firmadas, aumenta o número de inscritos.

Em 2006, a categoria de melhor curta sergipano foi premiada pela Cinerama Brasilis com cinco diárias de câmeras 16 mm equivalentes a R$ 8 mil.

No Curta-se 7 o festival foi mais amplo ocorrendo nas cidades de Aracaju, Estância e São Cristóvão e teve uma grande visibilidade na mídia nacional e local. O evento foi prestigiado por cinco mil pessoas entre estudantes e a comunidade em geral.

A partir de 2008 novas categorias são implantadas no festival, entre elas: Melhor Atriz, Melhor Ator e Vídeo de Bolso. Nessa mesma edição o festival passa a ser Festival Iberoamericano de Cinema de Sergipe, possibilitando a participação de países pelo programa Ibermidia, do qual fazem parte o Uruguai, Brasil, Portugal, México, Espanha e outros.

A nona edição do Curta-se recebe um novo patrocínio, o do Banco do Estado de Sergipe (Banese). O Curta-se ganha uma nova cidade sede, Laranjeiras, que passa a fazer parte do grupo de cidades pelas qual o festival percorre.

O Curta-se 10, que teve para as honras da festa a atriz Claudia Ohana como mestre de cerimônia, teve também o ator Flávio Bauraqui como homenageado da noite. Trouxe novidades como a votação eletrônica e as apresentações musicais. O festival foi dividido entre as cidades de Aracaju, São Cristóvão, Laranjeiras e Estância, possibilitando assim maior visão turística do estado. Atinge recorde de inscrição, 430 no total.

E para o Curta-se 11… Ainda não há nada confirmado. Deyse Rocha declarou desejo de levar o festival a outras cidades do estado, mas nada garantido ainda. Os planejamentos começarão em Janeiro de 2011.

Turismo em Sergipe

Posted in Cidade, Politica Pública, Turismo, Uncategorized by micheletavares on 10/11/2010

Com investimentos centralizados, o turismo no estado é uma fábrica sem chaminés

Por Andréa Cerqueira e Nara Melo

Idealizada para ser capital de Sergipe, após transferência de São Cristovão, Aracaju foi fundada em 17 de marco de 1855, pelo presidente em exercício na época Inácio Joaquim Barbosa. Projetada em formato de um tabuleiro de xadrez, a cidade tem vasto roteiro turístico. O menor estado do Brasil tem consagração do setor turístico na capital e um potencial no interior elevado. Entretanto, as políticas públicas de incentivo se restringem a pólos específicos, considerados com maior potencial turístico. Buscando uma maior integração entre os 75 municípios do estado, convênios são firmados e as mudanças aparentam começar em breve.

Sede do Sebrae Aracaju Foto: Andréa Cerqueira

“O turismo no Estado está crescendo com abertura de novas empresas”, defende a gestora de turismo do Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), Bianca Esperidião de Faria. Ela acredita que a concentração de turistas ocorra principalmente nos períodos de janeiro a fevereiro e de junho a julho. Entretanto isso acontece porque a divulgação é focada em eventos específicos e já conhecidos, como a prévia carnavalesca de Aracaju (Pré-caju) e os festejos juninos, como o Forró-Caju.

Festa do pré-caju na capital no período que varia de janeiro a fevereiro Fonte: br.olhares.com

Forró Caju Fonte: overmundo.com.br

Contudo, para efetivar a publicidade do turismo loca, parcerias são firmadas entre prefeituras locais, instituições de aperfeiçoamento profissional (como o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI)) e instituições do ramo turístico (como agências, hotéis, bares e restaurante). Todos os parceiros entram com o capital e o SEBRAE entra com a capacitação das pessoas que trabalham na área do turismo e na divulgação dos eventos tanto no estado quanto em outras capitais.

Divulgação                                                                                                               

A participação do poder público no quesito turismo é contínua. A divulgação em feiras e eventos nacionais e internacionais, a exemplo da Feira de Turismo de Gramado, do Salão de Turismo, da Feira da ABAV coloca Sergipe entre os principais destinos turísticos do país. Mas existe a problemática em relação à população interiorana, de que não enxerga a cidade em que mora como uma potência tanto no turismo quanto na economia. “No interior há uma falta de políticas públicas na área de infra estrutura“, diz Bianca Esperidião.

Mapa Turístico da capital Fonte: Portaldearacaju.com

Em Aracaju, a principal crítica que se tem é a falta de visitação no Parque da Cidade motivada pela falta de sinalização em todo o estado, fato que parece está sendo resolvido com instalação de sinalizações desde o início do mês de outubro. Na capital, a gestora de turismo do Sebrae aponta a Orla de Atalaia, a Colina do Santo Antônio, a 13 de julho, o Centro histórico, os Mercados Albano Franco e Tales Ferraz como principais pontos de visitação.

A Emsetur juntamente com o SEBRAE apresenta o estado nas exposições. De acordo com o presidente da Emsetur, José Roberto Lima, os locais turísticos do interior são apresentados seguindo a divisão: Cidades Históricas (São Cristóvão e Laranjeiras), Litoral Norte (Pirambu e Foz do Rio São Francisco), Litoral Sul (Caueira, Abaís e Praia do Saco) e Rota do Sertão (Serra de Itabaiana e Parque dos Falcões, Roteiro do Cangaço e o Canyon). A gestora de turismo do SEBRAE, Bianca Esperidião, completa dizendo que a grande Aracaju e o portão de entrada para as demais cidades.

“O turismo de aventura e de eventos está em alta em Sergipe com a

Presidente da Emsetur, José Roberto Lima Fonte:http://www.turismosergipe.net/

divulgação de melhorias no Parque dos Falcões, além da continuidade do Encontro Cultural de Laranjeiras e a interiorização do Verão Sergipe”, afirma o presidente da Emsetur. Contrapondo a afirmação, em palestra sobre o turismo em Sergipe, o sócio fundador e coordenador do Parque dos Falcões, Ricardo Alexandre Correia, fala que o ecoturista ou “ecocurioso” está em ascensão por que o meio ambiente está sendo degradado, o turismo massivo destrói o meio ambiente por ser uma “invasão” no habitat daqueles animais.

Investimentos

A Sedetec atualmente trabalha com um programa nacional de incentivo ao turismo chamado Programa Nacional de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur). De acordo com o coordenador operacional do Produtor, Luiz Carlos de Santana, os recursos são liberados pelo Ministério do Turismo, com a contrapartida do Estado. “Hoje temos duas frentes de trabalho: uma são os convênios firmados com o Ministério do Turismo, que somam 40 milhões de reais. A outra, e mais importante, é o financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que totaliza um montante de 100 milhões de dólares”, informou.

Entretanto, o investimento do Prodetur só pode ser destinado aos municípios que fazem parte das duas áreas consideradas pólo turístico no Estado. São elas: Pólo do Velho Chico, que abrange 17 municípios que margeiam o rio São Francisco, e o Pólo Costa dos Coqueirais, que inclui três municípios ao longo da Costa, além das cidades históricas de São Cristóvão e Laranjeiras. “Basicamente o turismo no litoral é considerado de sol e praia, do norte como ecoturismo e São Cristóvão e Laranjeiras que se caracterizam como turismo histórico-cultural” afirma Luiz Carlos.

A utilização dos recursos financiados pelo BID deve possuir cinco componentes: recuperação (de museus, orla, de coisas já existentes), estratégias de comercialização (para divulgar o turismo do estado), fortalecimento profissional (projetos de capacitação profissional, planos diretores), infra-estrutura e serviços básicos (aterro sanitário, construção de rodovias e orlas, atracadouros) e gestão ambiental (ações diretamente ligadas ao ambiente, utilização de novas tecnologias). Para se utilizar dos recursos do BID, as ações devem contribuir para o desenvolvimento do turismo nas localidades próximas. Segundo Luiz Carlos, atualmente está sendo construída uma rodovia que ligará a sede do município de Santa Luiza ao povoado Castro, fato que impulsiona a construção de uma orla/atracadouro no povoado, além de acarretar a melhoria do saneamento básico.

O objetivo a ser alcançado hoje é a construção de um roteiro integrado para o turista, onde ele possa pernoitar no interior, retirando a característica de passeio. A integração favorece não só as cidades pólo, mas todas que estão
próximas, ou seja, fazer com que as cidades do interior sejam pontos de hospedagem como na capital. “A idéia é que o turista pernoite em Canindé, e depois faça passeios para a Ilha do Ouro, e pela Foz do Rio São Francisco, por exemplo”, finaliza.

Em Aracaju existem três projetos na base da capacitação, feita pelo Sebrae, como o selo de qualidade no empreendimento, seja hotel, pousada ou restaurante. Existe também pela Emsetur, um programa de treinamento de mão de obra, de capacitação para melhor atender o turista. Entretanto, esse programa ainda não está ativo no interior do estado.

“O ponto de principal no turismo é a malha aérea de Sergipe que se tornou um destino caro pela dificuldade de se chegar aqui”, pontua a Bianca Esperidião. Os aeroportos não comportam muitos vôos, são poucas escalas tendo Sergipe como destino. Entretanto há rumores de que uma reforma no aeroporto sergipano seja feita ainda esse ano, mas nada foi divulgado oficialmente.

O principal questionamento é relacionado à efetividade e centralização das políticas públicas voltadas para o turismo. De fato, as prefeituras devem distribuir melhor os recursos recebidos pelo Governo Federal. Em contrapartida, os órgãos responsáveis pela melhoria e divulgação das cidades com potencial turístico devem capacitar e informar a população local de cada ponto, pois em muitas localidades a prática do turismo é feita de forma primária, sendo que a publicização se restringe, em muitos casos, apenas ao turismo cultural.

E os asilos, como estão?

Posted in Artigos by micheletavares on 09/11/2010

A reportagem contempla as dificuldades dos asilos de Aracaju para se adequarem ao exigido pelos Órgãos Fiscalizadores.

Por Diogo Barros dos Santos

Em Aracaju, o SAME – Lar de Idosos Nossa Senhora da Conceição e o Asilo Rio Branco são duas instituições filantrópicas que trabalham com idosos em regime de longa permanência. De acordo com o que prevê o Estatuto do Idoso, as instituições dedicadas ao atendimento deste público devem oferecer padrões de habitação compatíveis com as necessidades deles. Nossa equipe de reportagem foi a campo conhecer o funcionamento dessas entidades e as alterações pelas quais elas estão passando para se adequarem ao Estatuto.

Organização

Ambas as instituições são classificadas como filantrópicas, ou seja, sem fins lucrativos. Elas apresentam um quadro de diretores composta todos por voluntários e são dispensadas pelo governo de alguns impostos. No SAME a instituição foi apresentada por Antonio Costa de Almeida que está nesse cargo há sete anos e é aposentado e diácono da igreja católica representada pela Arquidiocese de Aracaju. No Asilo Rio Branco nossa guia foi Micheline, assistente social do local.

Os asilos contam com funcionários remunerados que incluem técnicos em enfermagem e a equipe da limpeza. Os idosos contam também com especialistas, sendo que alguns voluntários, como medico, psicólogo, nutricionista e fisioterapeuta. O asilo é dividido em uma ala masculina e feminina e toda a tarde é aberta a visitação do público.

Idosos em atividade recreativa no Asilo Rio Branco
Idosos em atividade recreativa no Asilo Rio Branco Foto:Diogo Barros

Os idosos são estimulados a participar das atividades do asilo e se relacionarem com as outras pessoas. “Uma das etapas mais importantes do trabalho no asilo é manter os idosos em contato social, seja um com o outro, seja com voluntários. Uma ação importante que ajuda a evitar o sofrimento com a depressão”, explica o presidente do SAME que complementa dizendo que para o idoso há um relativo sofrimento em estar no asilo. Isso porque aonde eles realmente gostariam de estar é próximo a família. “Mesmo para os que foram moradores de rua existe a insatisfação expressa no desejo de continuarem morando nas ruas, local de onde foram retirados forçados”, conta.

Situação Financeira e Voluntariado

Já em relação à situação financeira, os sócios contribuintes aparecem como a maior fonte de renda da instituição, no SAME corresponde a cerca de 59% da renda do asilo que em avaliação feita pelo Presidente, pela importância da instituição na sociedade, deveria haver um número muito maior de sócios contribuintes.

Para conquistar novos sócios, uma vez por ano o SAME promove a noite dançante no Iate Clube de Aracaju. Normalmente com o fundo musical dos Los Guaranis, consegue-se uma casa cheia. Uma ótima oportunidade na conquista de novos sócios em uma noite em que vídeos sobre a instituição são exibidos. Além disso, a casa promove uma série de eventos menores no próprio asilo.

Uma reclamação comum as duas instituições foi a de que o voluntariado ainda é pouco realizado. Apesar de as entidades já conterem um quadro de funcionários, algumas atividades aparecem como mais adequadas para serem feitas por voluntários. Como exemplo tem o bazar solidário que é realizado pelo SAME. Como eles recebem muita doação de roupas, aquilo que não é utilizado no asilo é destinado para distribuição com a sociedade. Então neste bazar exige-se que se faça a separação das roupas, que se de atenção a quem chega para adquiri-las. Para isso precisa-se de pessoas com tempo e boa vontade. A maioria dos voluntários do asilo são os aposentados. Para ser voluntário no SAME deve-se preencher o termo do voluntário, uma espécie de contrato em que estabelece o dia, o horário e as condições para se trabalhar como voluntário.

Fiscalização e Reformas

A responsabilidade maior pela fiscalização dos asilos é da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Através de denúncias ou de pedido feito pelo Ministério Público o órgão fiscaliza essas entidades.

No SAME, recentemente a capacidade do asilo teve que ser reduzida de 53 para 46 idosos. No Asilo Rio Branco reduziu-se de aproximadamente 100 para 40 idosos. Isso ocorreu devido a visitas da Vigilância Sanitária que cobrou reformas para regularização.

Um relatório da Vigilância Sanitária feito na visita ao SAME, no ano de 2009, estabeleceu que o quarto só poderia conter quatro leitos no máximo e hoje dispõe-se de dois quartos grandes que comportam 12 leitos. Anteriormente, dois pavilhões já haviam sido julgados inadequados pela Vigilância Sanitária e passaram por uma reforma a quatro ou cinco anos atrás quando intencionavam se adequar ao Estatuto do Idoso. Nesta reforma foi trocado o piso, o revestimento e foram colocadas campainhas de alarme em cada leito. A verba para a realização da obra foi disponibilizada através de uma emenda parlamentar feita pelo deputado Jackson Barreto em que um valor de R$90 mil foi arrecadado.

Apesar de ainda não terem sido inicializadas as obras de ampliação, a Vigilância Sanitária emitiu um documento atestando que a instituição está apta para a concessão da licença sanitária, devido ao esforço do SAME para realizar as modificações. Assim o asilo começou a atividade de captação de recursos para a realização das obras e no mês de janeiro deste ano foi lançada uma campanha com a presença da TV Sergipe.

Então houve o envio de 30 mil envelopes às residências em Aracaju. Os envelopes continham um fôlder explicativo da campanha e um boleto bancário com a disponibilidade de ser pago na data que quiser com o valor a ser escolhido entre R$ 50 ou R$ 100. Com esta campanha até o mês de outubro de 2010 já se arrecadou 78 mil.

Antigamente o SAME era um lar não somente para idosos. Abrigava mendigos e crianças também. Existia uma escolinha para crianças que foi desabilitada no momento em que a instituição mudou seu perfil. O projeto que existe para reforma do asilo conta com a utilização do espaço desta escolinha.

Pavilhão em Reforma no Asilo Rio Branco Foto: Diogo Barros

No projeto de reforma da escolinha está prevista a construção de sete quartos com capacidade de quatro leitos cada quarto, um refeitório que irá facilitar a vida dos idosos mais frágeis que apresentam dificuldade em se deslocar, um salão de beleza, uma sala de estar e uma rouparia. No fim das reformas a capacidade do asilo será elevada para o recebimento de 72 idosos.

O Asilo Rio Branco também teve que fazer modificações provenientes da visita da Vigilância Sanitária que incluia além das alterações no tamanho dos quartos, reforma no banheiro e na cozinha. Micheline explicou que as reformas já estão encaminhadas aguardando apenas o complemento da verba para serem concluídas.

Equipe de reportagem, técnica de enfermagem e voluntária Foto: Pabo Prata

Assim, assimilando-se a situação em que se percebe a satisfação exposta no rosto de um amigo quando o encontra em sua casa e nota-o bem aventurado. Foi a impressão que a equipe guardou das visitas aos asilos. Nossos atenciosos guias se mostraram bastante satisfeitos com as mudanças que a instituição vem sofrendo. Ficou notório o aumento na qualidade desses estabelecimentos embora ainda falte muito a ser feito para conseguirem comportar todos os idosos que ainda buscam e necessitam de um asilo.

Câncer Infantil: Até onde o direito à vida e à saúde das crianças e dos adolescentes é assegurado?

Posted in Crítica, Politica Pública, Saúde by micheletavares on 09/11/2010

Por Manuella de Miranda Vieira

 

     Realizou-se no dia 16 do último mês de setembro na Associação dos Voluntários a Serviço da Oncologia em Sergipe (AVOSOS) uma palestra com o tema “Câncer Infantil: Quando pensar?”, com o intuito de chamar atenção dos médicos para a doença e especialmente para discutir maneiras de diminuir o estigma que a doença ainda carrega.

    O evento teve como palestrante a médica Teresa Cristina Fonseca, de Itabuna-BA, especialista em oncologia pediátrica e também responsável pela implantação do projeto “Diagnóstico precoce: o caminho mais curto para a cura do câncer infanto-juvenil”, desenvolvida pela AVOSOS. A palestra abordou os sintomas e cuidados com as crianças e adolescentes com câncer e foi destinada á médicos. Além disso, também foi apresentado o novo serviço de onco-pediatria oferecido pela Associação.

    A partir disso abre-se uma discussão muito importante: até onde o direito à saúde é assegurado à crianças e adolescentes em nosso estado? Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) o direito à vida e à saúde é um dos direitos fundamentais. O art. 7º do estatuto diz: A criança e o adolescente têm direito a proteção á vida e á saúde, mediante a efetivação de políticas públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência. Outro artigo importante é o 10º que diz: é assegurado atendimento integral á saúde da criança e do adolescente, por intermédio do sistema único de saúde, garantindo o acesso universal e igualitário ás ações e serviços para promoção, proteção e recuperação da saúde.

    Mas será que isso tudo realmente é assegurado? A própria AVOSOS é uma das provas que o artigo 10 não é respeitado. Afinal se as crianças e adolescentes com câncer tivessem todo o atendimento apropriado assegurado pelo governo, não precisariam existir associações como ela para ajudar a melhorar a vida dessas pessoas.

Marcela Matos, Assessoria de Comunicação da AVOSOS Foto: Manuella Miranda

   Segundo Marcela Matos da assessoria de comunicação da AVOSOS, atualmente a associação atende trezentos e cinqüenta e quatro crianças e adolescentes com câncer e doenças hematológicas crônicas. Ou seja, esse total de crianças e adolescentes que deveriam estar sendo atendidas, em todos os aspectos, pelo governo do estado em que moram, está sendo ajudada voluntariamente por pessoas que não tem obrigação, mas que possuem um coração de ouro e que fazem de tudo pelo bem estar delas.  

   “Não há uma parceria entre Governo do Estado e AVOSOS. As crianças ao chegarem ao hospital João Alves são examinadas, e se detectada a doença em seguida são encaminhadas à uma instituição de apoio”, explica Marcela. No caso à própria AVOSOS ou outra, como o GACC. Ou seja, o tratamento é feito no HUSE, mas todo o resto do atendimento quem oferece são as instituições.

  Toda essa falta de assistência acaba comprovando que o sistema de saúde sergipano não é um dos melhores, ou melhor, nem chega a ser bom. A missão da AVOSOS é atuar em todo Estado de Sergipe, criando e articulando soluções em uma rede de ações, visando contribuir de forma integral para a melhoria do tratamento e da qualidade de vida de crianças e adolescentes com câncer e doenças hematológicas crônicas. O que prova que o tratamento correto não é oferecido pelos órgãos competentes, porque senão a associação não precisaria contribuir para melhorar o tratamento e a qualidade de vida dessas crianças e adolescentes.

   Marcela Matos ainda ressalta que a AVOSOS não discute a questão de que o direito à vida e à saúde não é assegurado pelo governo do estado, porque essa questão não é setorizada, mas sim um problema nacional.

  Tudo isso acaba por comprovar que nós elegemos políticos que não estão nem um pouco preocupados com a saúde do futuro do nosso país, que são as nossas crianças. E mais, nos faz pensar se é esse o mundo onde queremos que nasçam os nossos filhos. Talvez nós não tenhamos escolha, ou talvez, nós temos.

Falta de estrutura no Departamento de Comunicação da UFS prejudica alunos

Posted in Educação by micheletavares on 08/11/2010

Estudantes estão revoltados e cobram melhorias

Por Valldy de Cruz

 

Foto http://www.google.com.br A imponente Universidade Federal de Sergipe

Prestar vestibular. Entrar na faculdade. Realizar seu sonho. São muitos os estudantes que sonham em chegar a universidade. Porém, muitos deles não imaginam que quando chegam lá as coisas não são bem como disseram ou imaginaram. E o sonho torna-se um pesadelo. O misto de frustração e tristeza é inevitável. Sentem imponentes e passados para trás. É justamente assim que inúmeros estudantes dos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Audiovisual estão se sentindo com a defasagem da estrutura do Departamento de Comunicação Social (DCOS), da Universidade federal de Sergipe (UFS).

Disciplinas sem professores, falta de aparelhos e espaços físicos para realização de aulas práticas já fazem parte da rotina de quem está na UFS buscando a realização de um sonho antigo. Os que estão lá há muito tempo sabe como é a realidade do DCOS e os calouros que estão ingressando na Universidade Federal de Sergipe, aos poucos, percebem que a realidade é bem diferente da vista por quem fica do lado de lá dos muros do imponente Campus, localizado no Jardim Roza Elze, em São Cristóvão.

As reclamações são infinitas, mas as soluções nem sempre chegam e se chegam, acontecem a passos lentos. Estudantes estão desolados com a situação do departamento. Professores reclamam da falta de um espaço para eles e para ministrar suas aulas de forma melhor, com mais rendimento, e alunos pedem melhoras para um melhor aproveitamento dos cursos.

Liliane Nascimento, estudante do 2º período de Jornalismo, disse que até os calouros já percebem os problemas no departamento. “Isso porque muitas vezes a aprendizagem fica comprometida pela falta de materiais para algumas aulas práticas, livros disponíveis na BICEN ou ainda – e o que considero mais grave – pela falta de professores para algumas disciplinas”, afirma. Um estudante, que não quis se identificar, desabafa: “A situação atual do departamento é preocupante. Isso pode trazer um prejuízo irreversível ao andamento dos cursos. É uma falta de planejamento administrativo da UFS inquestionável. É um desrespeito aos estudantes. O mais grave é que não vemos o adequado diálogo da instituição para com a resolução precisa e imediata dessa situação danosa”.

O professor do DCOS, Fernando Barroso, admite que a situação das instalações é precária e que uma das causas está diretamente ligada a expansão que a UFS vem enfrentando. “Isso é o preço que estamos pagando por um processo de expansão que a UFS está enfrentando. Esse processo possibilita que mais pessoas possam ter acesso ao ensino superior nas universidades públicas. A UFS expande, mas isso não ocorre com a mesma velocidade (ou quantidade) de criação de espaços físicos e laboratórios”, comenta.

Ele argumenta a necessidade de salas para os professores, assim como de laboratórios e salas de aulas especiais. “As necessidades só em parte são atendidas. Mas os professores são qualificados, têm titulação de doutorandos ou doutores, pesquisam, etc. De modo que falta muito. Mas também tem algumas conquistas”, aponta

Acusação x defesa

Para a professora Sônia Aguiar, o Departamento de Comunicação avançou em termos de estrutura, desde sua nomeação, em março de 2009. “Naquela época o cenário era sombrio, pois não tínhamos nenhum espaço próprio para as aulas da área de comunicação, o que dificultava até a nossa solicitação de equipamentos. Mas ainda nos faltam outros espaços adequados ao desenvolvimento de nossas múltiplas atividades de ensino, pesquisa e extensão, como uma sala de projeção e um miniauditório multimídia, de forma a atender as especificidades dos cursos de Audiovisual, Jornalismo e Publicidade e Propaganda”, informa.

Etienne diz que os estudantes dificilmente são atendidos pelo DCOS

Etienne Fonseca, estudante de jornalismo, 4º período, confessa que os alunos raramente conseguem ser atendidos pela secretaria do departamento. “Apesar de ter comunicação no nome, esse é uma das palavras que menos descreve o DCOS. Quando é preciso de algo no departamento, a gente raramente consegue ser atendido. Ninguém sabe onde está determinado professor, qual sala ele vai dar aula. O pior de tudo é que o departamento é longe de todas as didáticas, ou seja, a gente vai até lá, não resolve o que precisa resolver e ainda perde um tempo enorme”, lamenta.

O estudante ainda comenta que o curso de Jornalismo passa por problemas estruturais. “Esse ano, por exemplo, o curso ofertou uma aula de laboratório em uma das salas da didática 2. Quando os alunos chegaram lá para ter a aula, a sala já estava sendo ocupada. No semestre passado, a gente tinha aula de Planejamento Visual e estava previsto para usarmos o laboratório na segunda unidade. Mas, como a aula era sábado, não tinha como usar o laboratório, pois ele permanecia fechado nos finais de semana. Tem matérias esse semestre que foram ofertadas e até hoje estamos sem professor. Tem matéria que tem professor, mas ele não aparece em sala de aula. E quanto aos equipamentos, os próprios professores têm que trazer de casa, porque são muitas turmas para um número de projetores reduzido”, desabafa.

O Presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE–UFS), Antonino Cardoso, falou da luta do diretório para sanar os problemas que acometem os estudantes. “Temos feito muitas reivindicações a reitoria, mas temos concentrado nossa atuação no que se refere a falta de professores, falta de condições da biblioteca, nas salas de aula, na construção de novos laboratórios, e na estruturação dos cursos, nas políticas de assistência estudantil. Sei que o departamento de comunicação é, por conta do crescimento do curso e pela própria criação de novas modalidades de curso em comunicação, um dos que tenha muitos problemas”, enfatiza.

 

Foto http://www.aracaju.se.gov.br Antonino diz que o DCOS nunca dialoga com o DC

Quando indagado sobre a falta de professores, o presidente do DCE foi direto: “Falta de professor é um problema da maioria dos cursos da UFS, mas nós do DCE não temos feito uma luta especifica por curso, no que tange a ausência de professores. Temos cobrado da reitoria e da pro – reitoria de graduação a efetivação imediata dos professores concursados e da contração de novos substitutos”.

Segundo Antonino, durante a realização da I Bienal de Arte, Ciência e Cultura, que aconteceu no período de 27 de agosto a 3 de setembro, realizamos no Restaurante Universitário (RESUN) um ato e denunciamos para o conjunto da comunidade acadêmica a falta de professores. A ação deu resultado e dos 40 professores concursados 36 já foram efetivados e ainda não foram contratados novos substitutos por conta do processo eleitoral em vigor.

Disciplinas sem professores

As disciplinas que estiverem com o título “Professor a ser indicado”, no site do Departamento de Administração Acadêmica (DAA), poderão permanecer assim até o final do período 2010/2, anunciado para encerrar no dia 16 de dezembro. A situação ainda é mais grave para alunos prováveis concludentes, que possam estar necessitando de disciplinas para complementar os créditos finais, como é o caso dos alunos de Radialismo. A situação preocupa estudantes, em decorrência da legislação eleitoral N° 12.232/2010, que prevê a não contratação de professores no período de eleições.

 

No mês de agosto, através de ofício repassado aos departamentos e centros da instituição, a Gerência de Recursos Humanos da UFS (GRH) enfatizou a impossibilidade de admissão de professores: “Quanto às novas contratações, mais uma vez lembramos que estamos no ano eleitoral, atentos as normas que devem nortear as condutas dos agentes públicos federais neste período (90 dias antes e 90 dias após o pleito). Todas as solicitações de contratação de professores substitutos, inclusive as realizadas e homologadas após 02.07.2010, ou seja, dentro do período citado, não poderão ser realizadas”,diz trecho do documento.

De acordo com a gerente de Recursos Humanos da UFS, Teresa Lins, o problema não se trata da falta de organização dos departamentos e da universidade. “Cada semestre recebemos com antecedência a oferta de disciplinas, sendo solicitados possíveis professores efetivos e substitutos por cada departamento. Acontece que, muitas vezes, algumas disciplinas acabam extrapolando o número de alunos, sendo necessário abrir vaga para outras turmas. Com isso, recebemos vários pedidos de contratação”, explica. Teresa conta que com o período eleitoral fica complexo administrar as contratações da carga docente. “Como estamos em um momento eleitoral, torna-se muito mais difícil manter a autonomia em contratar esses professores substitutos ou efetivos” acrescenta.    Ainda de acordo com a gerente, as medidas cabíveis para que os alunos não saíam com maiores prejuízos já estão sendo tomadas. “Para que pudéssemos realizar a incorporação dos professores neste momento, tínhamos que encaminhar uma solicitação para o Ministério da Educação (MEC), que seria transformado em Decreto e apresentado ao Presidente da República”, esclareceu. Com a decisão aprovada, imediatamente o GRH recorrereu ao processo de admissão dos docentes. “A solicitação já foi realizada e provavelmente os novos professores já assumiram suas funções ou assumirão nos próximos dias”, salienta.

Ela ressaltou também que os alunos não sairão prejudicados. “Infelizmente temos um atraso de disciplinas, mas garantimos que os alunos não terão prejuízos, como a perda do período. Faremos o possível para encontrar saídas ao direcionamento dos alunos na universidade”, conclui.

A equipe de reportagem do Empauta UFS tentou contato com a assessoria de comunicação da UFS para ouvir a posição do reitor, Josué Modestos dos Passos Subrinho, mas a assessoria não se pronunciou. A chefe de Departamento de Comunicação Social da UFS, professora Messiluce Hansen também foi procurada, mas não se manifestou.

Estudantes interioranos enfrentam dificuldades para frequentar a Universidade

Posted in Uncategorized by micheletavares on 08/11/2010

Foto: Portal Infonet

O cotidiano de estudantes do interior do estado que buscam, na capital, melhoria de vida através da educação.

Por Thaís Guedes

4:15 da manhã. O relógio desperta, indicando o início de mais um dia corrido na vida de Cleanderson dos Santos Santana. Estudante de Jornalismo, Cleanderson mora no interior do estado, na cidade de Itabaiana, e desde que ingressou na Universidade Federal de Sergipe, tem sido obrigado a enfrentar uma verdadeira maratona pra conseguir frequentar diariamente as aulas, já que estas são realizadas em São Cristóvão, aproximadamente 58 quilômetros de Itabaiana. O próximo obstáculo agora é encarar a caminhada de cerca de um quilômetro até Cleanderson chegar ao ponto onde ele e outros estudantes pegam o ônibus que os levam até a universidade.

A volta da universidade não é mais tranquila. Muitas vezes Cleanderson se vê obrigado a sair mais cedo das aulas para garantir um lugar no ônibus, já que quem chega por último acaba tendo que fazer todo o percurso de volta à Itabaiana em pé em um veículo que não se encontra no seu melhor estado. “O transporte não é bom. Os bancos são ruins, às vezes eu venho em pé porque o ônibus é sempre cheio. Chego em casa já tarde, isso quando o ônibus não quebra no meio do caminho, o que já aconteceu algumas vezes”, afirma.

2 horas da tarde e finalmente Cleanderson chega em casa. Mas sua jornada diária ainda está longe de terminar. Mesmo cansado, agora é a vez de exercer suas tarefas de casa, sem esquecer é claro de estudar. “Não tenho tempo para descansar. O cansaço vai acumulando e só me resta esperar o fim de semana”, diz.

Desde que foi fundada, no ano de 1967, a UFS fixou-se no Município de São Cristóvão, região metropolitana de Aracaju. Assim, as esperanças dos jovens sergipanos em conseguir cursar um curso universitário aumentaram. Porém, muitas dessas esperanças se tornaram frustrações, já que a Universidade sempre foi de difícil acesso para os alunos interioranos. Raros tinham a vantagem de possuir parentes na capital, e quando alguns optavam por fixar-se em residências próximas à UFS, na maior parte em repúblicas, as condições de vida  mudavam de acordo com a classe social do estudante, sendo assim apenas os  interioranos das classes mais altas poderiam superar as adversidades e usufruir com facilidade o Ensino Superior.

Em 1990 , a situação dos estudantes do município de Itabaiana começou a melhorar a partir do momento em que a prefeitura local começou a ajudar no transporte dos universitários. Porém, com a possibilidade de transporte mais acessível, o número de universitários crescia a cada ano, gerando assim um déficit no atendimento, fazendo com que a ajuda municipal chegasse ao limite. Foi então que um grupo de estudantes fundou a Associação Itabaianense dos Universitários (A.I.U.) com o objetivo inicial de mobilizar os estudantes frente à sociedade e aos políticos em prol da adesão de mais carros para solucionar os problemas de locomoção até às universidades. Hoje a A.I.U possui 285 associados, que pagam 90 reais por mês para manter os 4 ônibus da associação em funcionamento.

Primeiro ônibus da A.I.U. Foto: Portal da Associação Itabaianense dos Universitários.

“A maior dificuldade pra mim é ter que acordar cedo todos os dias. Até mesmo quando não tenho aula nos primeiros horários, tenho que levantar às 4 horas da manhã, pois dependo desse transporte. Mas pelo menos temos esse meio de locomoção. Antigamente em Itabaiana era tudo mais difícil, dizem que ir para universidade só era possível pela manhã, horário que se conseguia carona”, afirma Leonardo dos Santos, também estudante de jornalismo e que, assim como Cleanderson, faz parte da A.I.U.

Essa é a realidade dos estudantes, que decidiram enfrentar essas dificuldades por terem consciência da importância de um diploma, pelo desejo de ser alguém na vida e muitas vezes pela simples vontade de exercer a tão sonhada profissão. “Eu poderia simplesmente me acomodar, mas não, eu sei que ainda tenho muita coisa que aprender. Ainda posso crescer muito mais”, diz Daniela Fêlix (23), estudante de mestrado da UFS. Apesar de morar em Itabaianinha, Daniela passa grande parte do seu dia na estrada, alega até mesmo estar deixando sua “vida social” de lado. “Não saio mais com amigos, final de semana pra mim é só descanso, mas não tenho muito do que reclamar. Decidi colocar minha futura vida profissional em primeiro lugar, essa é minha prioridade e as consequências não têm me intimidado”.

A Universidade Federal de Sergipe possui algumas políticas de assistência e integração  estudantil que muitos desses universitários interioranos podem contar como auxilio, como por exemplo residência universitária, bolsa trabalho e bolsa alimentação. Estudantes que desejam usufruir desses recursos devem entrar em contato com a Coordenação de Assistência e Integração do Estudante (CODAE). Existem também os estudantes que decidiram fixar-se na capital, para evitar o desgaste diário, como é o caso de Calliane Milena Reis que optou por sair do interior onde habitava e hoje mora em um pensionato em Aracaju. “Como minha cidade é muito distante, ir e voltar todos os dias seria muito cansativo. Achei mais comodidade ficar no pensionato, onde minha única preocupação e dever são com os estudos. A única parte ruim é que fico longe da família e a saudade é constante”, diz.

Mesmo com tantos transtornos, o otimismo é visível no olhar de cada um desses estudantes. A esperança e ambição de garantir um futuro digno através dos estudos são maiores que todas as adversidades encontradas ao longo de suas trajetórias acadêmicas. “Isso me deixa mais forte, pois sei que no futuro meu esforço vai ser recompensado”, encerra Cleanderson esboçando seu sorriso perseverante, de quem acredita que só seu esforço e certas abdicações poderão, no futuro, transformar seus sonhos em realidade.

Superlotação, congestionamentos e tarifas são os principais temas em discussão.

Posted in Uncategorized by micheletavares on 08/11/2010

Para os gestores do transporte coletivo a frota é suficiente e a tarifa cobrada é justa.

Por: Jabson Silva de Souza.                 

A qualidade do transporte público é tema para discussão em diversos países do mundo, seja ele de ponta como o Japão ou em desenvolvimento como é o caso do Brasil. A resolução desse problema se torna difícil a partir do momento em que direcionamos nosso olhar apenas para a quantidade de ônibus que temos a nossa disposição, principalmente em horários de pico, pois esse é apenas um elo dessa corrente fragmentada. Se pararmos para analisar, “horários de pico” é uma expressão sempre presente nas falas das pessoas responsáveis pelo transporte público e surge para explicar uma movimentação intensa, que nesse caso é de pessoas. Essa movimentação desordenada ocorre porque os usuários necessitam do transporte ao mesmo tempo.    

Em Aracaju, horários entre 17h30 à 19h30 são considerados críticos: o ônibus demora, chega atrasado, entra nos terminais lotado e sai superlotado, gera congestionamento causando estresse em todos os usuários desse sistema. Tal reviravolta é considerada por muitos um ‘fator cidade’. “Esse fator ocorre por que são justamente nesses horários que os funcionários públicos estão deixando seus trabalhos, as indústrias liberam seus funcionários, os estudantes estão indo para suas casas, ou seja, todos precisam daquele serviço ao mesmo tempo necessitando do transporte coletivo. É impossível controlar essa superlotação que não é constante, pois analisando horários onde essa movimentação não ocorre, como por volta das 20h, é notável ônibus circulando praticamente vazios”, declara Orlando Vieira, diretor de trânsito da Superintendência Municipal de Transporte e Transito (SMTT). Mas para Cleidiane de Almeida Cruz, usuária constante da linha Atalaia Nova/Centro, viajar em ônibus vazio não faz parte de sua realidade. “Seja o horario que for os ônibus estão sempre cheios, pois tenho que travar uma briga para subir no onibus caso queira vir sentada ou bem acomodada, se é que isso é possível” diz ela.   

 Há quem diga que a frota de ônibus é insuficiente, mas segundo a assessoria do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Município de Aracaju (SETRANSP), órgão sindicalista em pró dos empresários que detém o transporte público, uma frota de aproximadamente 500 ônibus é suficiente para atender Aracaju e grande Aracaju. “A colocação de mais ônibus nas ruas só agravaria o problema, ao causar mais congestionamento, quanto à superlotação é um problema que dificilmente será resolvido”, defende a assessoria de comunicação do SETRANSP.

Com um sistema de transporte pouco atraente, ônibus fora do horário e conseqüentemente lotados, transporte sucateado como podemos ver na linha Lourival Batista/Terminal Centro; os usuários procuram outros meios para chegarem a seus destinos de forma mais rápida. Porém, nem sempre essa rota de fuga é solução, pois pode gerar outros problemas do ponto de vista dos gestores do transporte. Como por exemplo, os motos-taxistas, uma ‘classe’ que opera hoje com aproximadamente 600 motoboys circulando de forma irregular por toda cidade. “Esse transporte é clandestino porque o prefeito optou por não regularizar a situação”, diz Genisson da Silva Santos, integrante da equipe de combate ao transporte clandestino da SMTT.

Aproveitando a deficiência do transporte e a constante insatisfação dos usuários, os motoboys ganham cada vez mais espaço no transporte de passageiros, seja ele jovem, crianças ou até mesmo idosos, pessoas que não medem periculosidade quando se trata de agilidade. “Mas tudo é perigoso na vida”, diz Marcone Jose de Souza Alves, motoboy que depende desse trabalho para sobreviver.

Tarifas

 Além dos problemas de superlotação os usuários também reclamam da tarifa que teve reajuste de 7,6% em primeiro de Fevereiro de 2010, passando de 1,95 para 2,10. Com esse reajuste a passagem na capital sergipana fica uma das mais caras do Brasil. “o valor da passagem é justo, pois não podemos perder cobradores e motoristas por falta de salários adequados” diz Orlando Vieira, que conclui dizendo: tal valor se dá, também, por causa da alta gratuidade, e que se compararmos a tarifa de Aracaju, cidade que tem 100% de integração não tendo o passageiro que pagar uma nova passagem em caso de conexão, com capitais como salvador e Maceió tendo os usuários que pagar uma nova passagem caso queira chegar a um destino onde não haja linha direta, nossa tarifa não é cara.     

Em linhas gerais o fator transporte público é uma questão que gera muita discussão, pois não meche só com o transporte em si, mas sim com todos os integrantes da sociedade. Sendo necessário a união de todos para que essa corrente seja consolidada. Para o diretor de trânsito da SMTT, o problema da super lotação nos ônibus está longe do fim e fora da realidade de uma sociedade como a nossa. “A superlotação existe e sempre vai existir”, diz. Ao usuário resta se conformar com a situação, o problema dificilmente será resolvido, tornando-se cada vez mais estressante utilizar o transporte publico da capital sergipana.

O transporte público continua o mesmo

Posted in Uncategorized by micheletavares on 08/11/2010



Apesar de tantas discussões e tantas promessas o transporte público continua o mesmo.

Por Emily lima                

   O crescimento populacional da cidade de Aracaju é algo notável, no ano de 2007 último ano em que tivemos o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) a população aracajuana era de 520.207, no ano de 2010 com o censo ainda não terminado o IBGE já constatou cerca de 552.223 habitantes. Este crescimento vem trazendo muitos benefícios, mas também deve ser preocupante para governantes e responsáveis pelo transporte público, o crescimento populacional vem trazendo novas realidades como dificuldade de locomoção no trânsito.

    Segundo o Departamento Estadual de Trânsito (DETRAN) em pesquisa feita em janeiro de 2010 a quantidade de veículos circulando diariamente na cidade hoje é de 173.496 enquanto que  em janeiro do ano anterior era de 156.134, esse novo número de veículos tem uma relação direta com a qualidade do transporte público os engarrafamentos se tornaram constantes em especial nos horários considerados como de pico, agora os atrasos dos ônibus são ainda maiores a dificuldade de locomoção vem tornando ainda mais difícil um sistema que já é deficiente.

                                                                        

terminal do Distrito Industrial de Aracaju (DIA) Foto por:Emily lima

    Aracaju é uma das poucas capitais com sistema integrado de ônibus sendo referência para outras localidades, o sistema interliga diversas linhas inclusive algumas cidades do interior, o que facilita muito a vida dos usuários que pagando apenas uma tarifa no valor de 2.10 ou 1.05 sendo a meia passagem, podem fazer qualquer percurso. Com esse sistema é possível se deslocar de lugares como: Mosqueiro a são Cristovão, caracterizada como uma distância acima da média.

   Mas isso não quer dizer que a qualidade do sistema de transporte aracajuano venha servir como exemplo, apesar de alguns benefícios ainda é possível notar muitos problemas, tornando conflituosa a relação entre usuários do sistema e os responsáveis por eles. Os constantes atrasos, a superlotação, a má qualidade na estrutura de alguns ônibus e pouca segurança, são problemas que parecem não ter fim. Além disso, os usuários não estão satisfeitos com o valor da tarifa, pois a grande maioria dos adeptos ao sistema tendem a utilizá-lo diariamente sendo para se deslocarem aos locais de trabalho e estudo, portanto os gastos são enormes.

    A discussão sobre o valor aumenta quando são feitas comparações entre a tarifa paga em Aracaju a tarifas mais baixas pagas em outras localidades com extensões maiores, porém, se for levado em consideração o fato de que Aracaju tem o sistema integrado, pode ser considerado como uma vantagem maior.

   A decisão do custo da tarifa compete à prefeitura, mas é decidida a partir do encaminhamento de uma planilha com os custos do serviço de tranporte. O que o usuário não consegue entender é o por que de tantos aumentos, se o sistema não muda , além disso não acreditam que seja justo pagar o mesmo valor tanto em distância pequena quanto em distância maior. Segundo a assessoria de comunicação do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Munícipio de Aracaju (Setransp) o valor pago não é justo porque está abaixo da média, o valor ideal para cubrir os custos seria de 2.26. Em contrapartida Victoria Carvalho usuária do transporte público assegura que é um absurdo o preço da tarifa paga.  

      Muitos são os problemas que envolvem o transporte público nos horários de “pico” é possível notar vários problemas em série: os ônibus estão superlotados, alguns ônibus com problemas na estrutura, o trânsito com alguns engarrafamentos causando atrasos, um bom exemplo é a Avenida Heráclito G. Rollemberg. Todos esses problemas geraram um sério descontentamento dos usuários em relação ao transporte público incentivando assim a clandestinidade.

Transporte clandestino 

    A clandestinidade é vista pelo os usuários como uma maneira de fuga aos problemas: como atrasos e superlotação dos ônibus, o transporte clandestino oferece ao usuário maior rapidez e mais conforto, a questão é que tudo isso parece ser uma bola de neve porque embora essa nova alternativa de transporte seja mais rápida ela não pode ser considerada como uma alternativa segura.

   A prefeitura de Aracaju optou por não legalizar transportes como moto taxi alegando ser um transporte perigoso, a decisão causou conflitos e não conseguiu acabar com a classe do transporte, agora são dois problemas além do risco aos passageiros o moto taxi por ser clandestino afeta o sistema legalizado.

  Os moto-taxistas são apenas um dos personagens deste vasto campo da clandestinidade que por sua vez só tende a aumentar, esses novos meios de transporte vêm tomando proporções enormes e dificultando cada vez mais o sistema coletivo tornando-o mais caro, já que quanto menos pessoas utilizando o transporte público mais caro fica o sistema. “As empresas não têm como concorrer com o transporte clandestino que não têm nenhuma responsabilidade oficial,” declara a assessoria de comunicação do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Município de Aracaju (Setransp).

   Os transportes clandestinos não pagam impostos, não têm custos de funcionários, enquanto que as empresas privadas têm que cumprir com os gastos em funcionários e impostos equivalentes a 13,75%. Seria então o caso de mais atenção a este problema já que a clandestinidade não é favorável a nenhuma das partes. “É preciso mais dinamismo das autoridades para procurar soluções imediatas no combate ao sistema clandestino, como também a disponibilidade dos responsáveis pelo transporte público em atender com louvor as necessidades dos usuários, desta forma, não teríamos motivo algum para procurar outras opções de locomoção,” alega Victoria carvalho usuária do transporte público.

    É correto mencionar que algumas medidas já foram tomadas para melhorar a qualidade no transporte público como a implantação da bilhetagem eletrônica, que foi solução encontrada para melhorar a segurança dos transportes, porém os problemas são inúmeros e a população clama por solução.

   Segundo os responsáveis pelo transporte ao falarem sobre os projetos futuros, a assessoria de comunicação do Setransp comunica: “temos feito investimento nas frotas, modernizando, colocando câmeras de segurança tanto nos ônibus como nos terminais. Temos a capacidade de mexer nas frotas, mas não na cidade, ainda assim temos algumas propostas para melhorar a fluidez nos horários de pico, que seria colocando faixas exclusivas só pra ônibus, essa seria uma medida simples de fazer apenas reservaria uma das guias apenas para ônibus nesses horários de maior trânsito, isso daria maior fluidez, mas não temos poder sobre isso, apenas alguns estudos, nós estamos fazendo a nossa parte”.

    Por sua vez Orlando Vieira, diretor da Secretaria Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) assegura que: medidas estão sendo tomadas. “Mas a implantação de faixas só para ônibus não seria possível, pois a maneira em que Aracaju foi planejada não permite”. As declarações demonstram totais discordâncias esta seria talvez uma demonstração de que eles estão meio perdidos sem saber que soluções encontrar para os problemas existentes no transporte público?