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Cotas para portadores de necessidades especiais na UFS

Posted in Uncategorized by micheletavares on 08/11/2010

Após implantar o sistema, a universidade se revela como a verdadeira deficiente.

Por: Leandro Calado

Foto por: Leandro Calado

“A universidade instituiu o sistema de cotas e não se preparou para receber esses alunos”. A frase da professora do Departamento de Educação, Verônica dos Reis, revela a situação da Universidade Federal de Sergipe (UFS) após a resolução 80/2008 que instituiu o sistema de cotas para portadoresde necessidades especiais.

Desde o último processo seletivo (Vestibular 2010), a UFS realiza a inscrição para o vestibular de forma discriminada, onde o portador de deficiência vai destacar que possui uma necessidade especial e concorrer por uma vaga ofertada por um dos 102 cursos que a universidade oferece. Para o Processo Seletivo Seriado (PSS) de 2011 foram inscritos 154 desses alunos, cerca de 44% a mais que o ano passado. O curso que teve a maior concorrência nos dois anos foi o de Medicina, sendo 19 inscritos nesse ano e 9 no ano passado.

O processo de matrícula se diferencia dos demais porque além dos documentos que todo aluno (portador de necessidade especial ou não) deve apresentar no dia da matrícula presencial, deve-se levar também atestados e exames que comprovem a deficiência do aprovado. A responsável pela Divisão de Assistência ao Servidor (DIASE), Gildete Araújo, destaca que na grande maioria dos casos a deficiência é comprovada, mas que a junta médica da UFS já esteve diante de situações onde não se pôde autorizar a finalização do processo de matrícula para alguns poucos candidatos. Segundo a docente Verônica dos Reis, que juntamente com a professora-doutora Iara Campelo, têm anos de projeto e pesquisa na área da inclusão dos deficientes no ensino superior, o aluno já matriculado vai estudar em uma universidade que ainda tem muito a desejar aos portadores de necessidade especial.

Entre as principais denúncias, a professora Verônica destaca a falta de uma estrutura arquitetônica, pedagógica e atitudinal. “A falta de uma cultura inclusiva ainda não existe na universidade, principalmente por parte dos professores, que na grande maioria dos casos não é entendedor de uma metodologia capaz de atender às necessidades dos portadores de uma necessidade especial”, destaca.

Atualmente foi aprovado o Projeto do MEC Incluir, que visa garantir o acesso desses portadores ao ensino superior. Dentro deste, já foi solicitada uma infra-estrutura na área de tecnologias assistidas e pistas táteis para os portadores de deficiência visual,além de ter como objetivo a criação de um centro de atendimento a pessoa com deficiência na universidade. “Desde o ano passado foi solicitada a sala “pró-reitoria de graduação” e também já foi prometido uma sala na Didática 6, mas até agora a promessa não foi concretizada”, relata Verônica.

II Encontro de pesquisa em Educação Especial

Desde 2009, o grupo de pesquisa ‘Inclusão Escolar da Pessoa com Deficiência’ realiza um encontro onde a UFS se predispõe a discutir a situação da educação especial no ensino superior. A vice-líder do grupo, Rita de Cácia Souza, relata a importância do evento para a implantação de uma cultura inclusiva. “O participante pode conhecer um pouco da realidade, saber o que está sendo pesquisado nessa área em Sergipe”, comenta. Segundo Rita, o evento já cresceu em relação ao ano passado. “No nosso primeiro encontro tiveram 25 trabalhos – 25 pesquisas – que foram apresentadas, desenvolvidas por  membros desse grupo em 2009. Ago

A entrevistada, Rita de Cácia.

ra em 2010 já foram 86 pesquisas que foram apresentadas voltadas para essa área.”, comprova. E complementa que: “A iniciativa do grupo está mexendo com a estrutura, com a forma de pensar, com as propostas pedagógicas e com a ideologia do trabalho. Essas coisas não são tão visíveis, mas a mudança está acontecendo”.

O estudante do curso de matemática e deficiente visual, Edvaldo Serafim, esteve presente no primeiro encontro e retorna para a segunda edição. “A presença das pessoas é importante para estas estarem se informando a respeito das discussões sobre as pessoas com deficiência, principalmente assuntos relacionados à educação”. Comenta Edvaldo. Fora do evento, ele chama atenção para alguns problemas em relação a educação no ensino superior como a falta de uma estrutura adequada, o despreparo de professores e também destaca alguns preconceitos que sofre por apresentar uma necessidade especial. “As pessoas olham para a gente e julgam a nossa capacidade, acham que não somos capazes de estudar como qualquer outra pessoa ‘normal’ pode. Elas se espantam quando eu digo o que estudo”, lamenta.

A Universidade Federal de Sergipe recebe recursos do Governo Federal para adequar as necessidades dos portadores de necessidade especial, através do Projeto Incluir, mas até agora o processo de inclusão se concentra em um sistema de cotas e deixa a desejar na estrutura física e na falta de uma cultura inclusiva. Os entendedores do assunto ainda reclamam da situação na universidade, mas lutam para melhorias futuras começando por um ensino fundamental e médio que preparem para um ensino superior que corresponda as expectativas dos portadores de deficiência.

Uma resposta

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  1. Maluh said, on 08/11/2010 at 7:21 pm

    Arrasou Leo. A UFS já sofre de problemas de acessibilidade para quem tem condições motoras normais, quanto mais pra quem necessita de disposições físicas especiais?
    É tenso.


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