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Falta de estrutura no Departamento de Comunicação da UFS prejudica alunos

Posted in Educação by micheletavares on 08/11/2010

Estudantes estão revoltados e cobram melhorias

Por Valldy de Cruz

 

Foto http://www.google.com.br A imponente Universidade Federal de Sergipe

Prestar vestibular. Entrar na faculdade. Realizar seu sonho. São muitos os estudantes que sonham em chegar a universidade. Porém, muitos deles não imaginam que quando chegam lá as coisas não são bem como disseram ou imaginaram. E o sonho torna-se um pesadelo. O misto de frustração e tristeza é inevitável. Sentem imponentes e passados para trás. É justamente assim que inúmeros estudantes dos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Audiovisual estão se sentindo com a defasagem da estrutura do Departamento de Comunicação Social (DCOS), da Universidade federal de Sergipe (UFS).

Disciplinas sem professores, falta de aparelhos e espaços físicos para realização de aulas práticas já fazem parte da rotina de quem está na UFS buscando a realização de um sonho antigo. Os que estão lá há muito tempo sabe como é a realidade do DCOS e os calouros que estão ingressando na Universidade Federal de Sergipe, aos poucos, percebem que a realidade é bem diferente da vista por quem fica do lado de lá dos muros do imponente Campus, localizado no Jardim Roza Elze, em São Cristóvão.

As reclamações são infinitas, mas as soluções nem sempre chegam e se chegam, acontecem a passos lentos. Estudantes estão desolados com a situação do departamento. Professores reclamam da falta de um espaço para eles e para ministrar suas aulas de forma melhor, com mais rendimento, e alunos pedem melhoras para um melhor aproveitamento dos cursos.

Liliane Nascimento, estudante do 2º período de Jornalismo, disse que até os calouros já percebem os problemas no departamento. “Isso porque muitas vezes a aprendizagem fica comprometida pela falta de materiais para algumas aulas práticas, livros disponíveis na BICEN ou ainda – e o que considero mais grave – pela falta de professores para algumas disciplinas”, afirma. Um estudante, que não quis se identificar, desabafa: “A situação atual do departamento é preocupante. Isso pode trazer um prejuízo irreversível ao andamento dos cursos. É uma falta de planejamento administrativo da UFS inquestionável. É um desrespeito aos estudantes. O mais grave é que não vemos o adequado diálogo da instituição para com a resolução precisa e imediata dessa situação danosa”.

O professor do DCOS, Fernando Barroso, admite que a situação das instalações é precária e que uma das causas está diretamente ligada a expansão que a UFS vem enfrentando. “Isso é o preço que estamos pagando por um processo de expansão que a UFS está enfrentando. Esse processo possibilita que mais pessoas possam ter acesso ao ensino superior nas universidades públicas. A UFS expande, mas isso não ocorre com a mesma velocidade (ou quantidade) de criação de espaços físicos e laboratórios”, comenta.

Ele argumenta a necessidade de salas para os professores, assim como de laboratórios e salas de aulas especiais. “As necessidades só em parte são atendidas. Mas os professores são qualificados, têm titulação de doutorandos ou doutores, pesquisam, etc. De modo que falta muito. Mas também tem algumas conquistas”, aponta

Acusação x defesa

Para a professora Sônia Aguiar, o Departamento de Comunicação avançou em termos de estrutura, desde sua nomeação, em março de 2009. “Naquela época o cenário era sombrio, pois não tínhamos nenhum espaço próprio para as aulas da área de comunicação, o que dificultava até a nossa solicitação de equipamentos. Mas ainda nos faltam outros espaços adequados ao desenvolvimento de nossas múltiplas atividades de ensino, pesquisa e extensão, como uma sala de projeção e um miniauditório multimídia, de forma a atender as especificidades dos cursos de Audiovisual, Jornalismo e Publicidade e Propaganda”, informa.

Etienne diz que os estudantes dificilmente são atendidos pelo DCOS

Etienne Fonseca, estudante de jornalismo, 4º período, confessa que os alunos raramente conseguem ser atendidos pela secretaria do departamento. “Apesar de ter comunicação no nome, esse é uma das palavras que menos descreve o DCOS. Quando é preciso de algo no departamento, a gente raramente consegue ser atendido. Ninguém sabe onde está determinado professor, qual sala ele vai dar aula. O pior de tudo é que o departamento é longe de todas as didáticas, ou seja, a gente vai até lá, não resolve o que precisa resolver e ainda perde um tempo enorme”, lamenta.

O estudante ainda comenta que o curso de Jornalismo passa por problemas estruturais. “Esse ano, por exemplo, o curso ofertou uma aula de laboratório em uma das salas da didática 2. Quando os alunos chegaram lá para ter a aula, a sala já estava sendo ocupada. No semestre passado, a gente tinha aula de Planejamento Visual e estava previsto para usarmos o laboratório na segunda unidade. Mas, como a aula era sábado, não tinha como usar o laboratório, pois ele permanecia fechado nos finais de semana. Tem matérias esse semestre que foram ofertadas e até hoje estamos sem professor. Tem matéria que tem professor, mas ele não aparece em sala de aula. E quanto aos equipamentos, os próprios professores têm que trazer de casa, porque são muitas turmas para um número de projetores reduzido”, desabafa.

O Presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE–UFS), Antonino Cardoso, falou da luta do diretório para sanar os problemas que acometem os estudantes. “Temos feito muitas reivindicações a reitoria, mas temos concentrado nossa atuação no que se refere a falta de professores, falta de condições da biblioteca, nas salas de aula, na construção de novos laboratórios, e na estruturação dos cursos, nas políticas de assistência estudantil. Sei que o departamento de comunicação é, por conta do crescimento do curso e pela própria criação de novas modalidades de curso em comunicação, um dos que tenha muitos problemas”, enfatiza.

 

Foto http://www.aracaju.se.gov.br Antonino diz que o DCOS nunca dialoga com o DC

Quando indagado sobre a falta de professores, o presidente do DCE foi direto: “Falta de professor é um problema da maioria dos cursos da UFS, mas nós do DCE não temos feito uma luta especifica por curso, no que tange a ausência de professores. Temos cobrado da reitoria e da pro – reitoria de graduação a efetivação imediata dos professores concursados e da contração de novos substitutos”.

Segundo Antonino, durante a realização da I Bienal de Arte, Ciência e Cultura, que aconteceu no período de 27 de agosto a 3 de setembro, realizamos no Restaurante Universitário (RESUN) um ato e denunciamos para o conjunto da comunidade acadêmica a falta de professores. A ação deu resultado e dos 40 professores concursados 36 já foram efetivados e ainda não foram contratados novos substitutos por conta do processo eleitoral em vigor.

Disciplinas sem professores

As disciplinas que estiverem com o título “Professor a ser indicado”, no site do Departamento de Administração Acadêmica (DAA), poderão permanecer assim até o final do período 2010/2, anunciado para encerrar no dia 16 de dezembro. A situação ainda é mais grave para alunos prováveis concludentes, que possam estar necessitando de disciplinas para complementar os créditos finais, como é o caso dos alunos de Radialismo. A situação preocupa estudantes, em decorrência da legislação eleitoral N° 12.232/2010, que prevê a não contratação de professores no período de eleições.

 

No mês de agosto, através de ofício repassado aos departamentos e centros da instituição, a Gerência de Recursos Humanos da UFS (GRH) enfatizou a impossibilidade de admissão de professores: “Quanto às novas contratações, mais uma vez lembramos que estamos no ano eleitoral, atentos as normas que devem nortear as condutas dos agentes públicos federais neste período (90 dias antes e 90 dias após o pleito). Todas as solicitações de contratação de professores substitutos, inclusive as realizadas e homologadas após 02.07.2010, ou seja, dentro do período citado, não poderão ser realizadas”,diz trecho do documento.

De acordo com a gerente de Recursos Humanos da UFS, Teresa Lins, o problema não se trata da falta de organização dos departamentos e da universidade. “Cada semestre recebemos com antecedência a oferta de disciplinas, sendo solicitados possíveis professores efetivos e substitutos por cada departamento. Acontece que, muitas vezes, algumas disciplinas acabam extrapolando o número de alunos, sendo necessário abrir vaga para outras turmas. Com isso, recebemos vários pedidos de contratação”, explica. Teresa conta que com o período eleitoral fica complexo administrar as contratações da carga docente. “Como estamos em um momento eleitoral, torna-se muito mais difícil manter a autonomia em contratar esses professores substitutos ou efetivos” acrescenta.    Ainda de acordo com a gerente, as medidas cabíveis para que os alunos não saíam com maiores prejuízos já estão sendo tomadas. “Para que pudéssemos realizar a incorporação dos professores neste momento, tínhamos que encaminhar uma solicitação para o Ministério da Educação (MEC), que seria transformado em Decreto e apresentado ao Presidente da República”, esclareceu. Com a decisão aprovada, imediatamente o GRH recorrereu ao processo de admissão dos docentes. “A solicitação já foi realizada e provavelmente os novos professores já assumiram suas funções ou assumirão nos próximos dias”, salienta.

Ela ressaltou também que os alunos não sairão prejudicados. “Infelizmente temos um atraso de disciplinas, mas garantimos que os alunos não terão prejuízos, como a perda do período. Faremos o possível para encontrar saídas ao direcionamento dos alunos na universidade”, conclui.

A equipe de reportagem do Empauta UFS tentou contato com a assessoria de comunicação da UFS para ouvir a posição do reitor, Josué Modestos dos Passos Subrinho, mas a assessoria não se pronunciou. A chefe de Departamento de Comunicação Social da UFS, professora Messiluce Hansen também foi procurada, mas não se manifestou.

2 Respostas

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  1. Etienne said, on 15/11/2010 at 1:30 pm

    A matéria está ótima. O que eu achei mais interessante é que ninguém sabe realmente de quem é a culpa por o departamento estar assim. Cada um fala uma coisa, mas não existe uma conclusão.

  2. Camila said, on 01/12/2010 at 1:14 pm

    Pois, melhorou bastante até… Tenho quase 4 anos estudando jornalismo na ufs, e posso dizer que as coisas já foram beeem piores…


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