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Câncer Infantil: Até onde o direito à vida e à saúde das crianças e dos adolescentes é assegurado?

Posted in Crítica, Politica Pública, Saúde by micheletavares on 09/11/2010

Por Manuella de Miranda Vieira

 

     Realizou-se no dia 16 do último mês de setembro na Associação dos Voluntários a Serviço da Oncologia em Sergipe (AVOSOS) uma palestra com o tema “Câncer Infantil: Quando pensar?”, com o intuito de chamar atenção dos médicos para a doença e especialmente para discutir maneiras de diminuir o estigma que a doença ainda carrega.

    O evento teve como palestrante a médica Teresa Cristina Fonseca, de Itabuna-BA, especialista em oncologia pediátrica e também responsável pela implantação do projeto “Diagnóstico precoce: o caminho mais curto para a cura do câncer infanto-juvenil”, desenvolvida pela AVOSOS. A palestra abordou os sintomas e cuidados com as crianças e adolescentes com câncer e foi destinada á médicos. Além disso, também foi apresentado o novo serviço de onco-pediatria oferecido pela Associação.

    A partir disso abre-se uma discussão muito importante: até onde o direito à saúde é assegurado à crianças e adolescentes em nosso estado? Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) o direito à vida e à saúde é um dos direitos fundamentais. O art. 7º do estatuto diz: A criança e o adolescente têm direito a proteção á vida e á saúde, mediante a efetivação de políticas públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência. Outro artigo importante é o 10º que diz: é assegurado atendimento integral á saúde da criança e do adolescente, por intermédio do sistema único de saúde, garantindo o acesso universal e igualitário ás ações e serviços para promoção, proteção e recuperação da saúde.

    Mas será que isso tudo realmente é assegurado? A própria AVOSOS é uma das provas que o artigo 10 não é respeitado. Afinal se as crianças e adolescentes com câncer tivessem todo o atendimento apropriado assegurado pelo governo, não precisariam existir associações como ela para ajudar a melhorar a vida dessas pessoas.

Marcela Matos, Assessoria de Comunicação da AVOSOS Foto: Manuella Miranda

   Segundo Marcela Matos da assessoria de comunicação da AVOSOS, atualmente a associação atende trezentos e cinqüenta e quatro crianças e adolescentes com câncer e doenças hematológicas crônicas. Ou seja, esse total de crianças e adolescentes que deveriam estar sendo atendidas, em todos os aspectos, pelo governo do estado em que moram, está sendo ajudada voluntariamente por pessoas que não tem obrigação, mas que possuem um coração de ouro e que fazem de tudo pelo bem estar delas.  

   “Não há uma parceria entre Governo do Estado e AVOSOS. As crianças ao chegarem ao hospital João Alves são examinadas, e se detectada a doença em seguida são encaminhadas à uma instituição de apoio”, explica Marcela. No caso à própria AVOSOS ou outra, como o GACC. Ou seja, o tratamento é feito no HUSE, mas todo o resto do atendimento quem oferece são as instituições.

  Toda essa falta de assistência acaba comprovando que o sistema de saúde sergipano não é um dos melhores, ou melhor, nem chega a ser bom. A missão da AVOSOS é atuar em todo Estado de Sergipe, criando e articulando soluções em uma rede de ações, visando contribuir de forma integral para a melhoria do tratamento e da qualidade de vida de crianças e adolescentes com câncer e doenças hematológicas crônicas. O que prova que o tratamento correto não é oferecido pelos órgãos competentes, porque senão a associação não precisaria contribuir para melhorar o tratamento e a qualidade de vida dessas crianças e adolescentes.

   Marcela Matos ainda ressalta que a AVOSOS não discute a questão de que o direito à vida e à saúde não é assegurado pelo governo do estado, porque essa questão não é setorizada, mas sim um problema nacional.

  Tudo isso acaba por comprovar que nós elegemos políticos que não estão nem um pouco preocupados com a saúde do futuro do nosso país, que são as nossas crianças. E mais, nos faz pensar se é esse o mundo onde queremos que nasçam os nossos filhos. Talvez nós não tenhamos escolha, ou talvez, nós temos.

3 Respostas

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  1. Glicia said, on 11/11/2010 at 2:31 am

    Menina Manuella! Como dizer do meu orgulho de mãe e cidadã de saber que você sai da adolescência e segue para a juventude, com um cabedal de valores possíveis de mostrar a importância de serem dicutidos temas como esse, de forma inteligente e com um senso crítico, somente possíveis por meio de pessoas que tem consciência do exercício de cididadânia e do papel da sociedade no controle social? O cuidado de abordar o tema, utilizando o estatuto da Criança faz toda a diferença, no artigo e mostra o cuidado de multiplicar e alertar a sociedade para o seu papel nesse contexto.
    Parabéns! Bjs.

  2. Miguel Angelo Lessa Dantas said, on 11/11/2010 at 1:02 pm

    Parabéns pela Reportagem Amor, vale ressaltar a importância dessa reportagem para termos um censo crítico em relação a saúde que o nosso estado oferece. E lembrar que o Câncer Infantil é a 2ª causa de mortalidade infantil no Brasil, e que ela tem cura sim e precisamos da ajuda de todos para a divulgação de procedimentos que os pais dessas crianças devem tomar para combatê-la.

    Atenciosamente,

    Miguel Angelo Lessa Dantas.

  3. Miriam said, on 13/11/2010 at 9:01 pm

    Olá Manuela. Vc não me conhece mas sou colega de sua orgulhosa mama no CONANDA.
    É gratificante sabermos que temos mais uma jornalista amiga da criança na militância. Continue firme nesta convicção.
    Abraços de boa sorte.


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