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E os asilos, como estão?

Posted in Artigos by micheletavares on 09/11/2010

A reportagem contempla as dificuldades dos asilos de Aracaju para se adequarem ao exigido pelos Órgãos Fiscalizadores.

Por Diogo Barros dos Santos

Em Aracaju, o SAME – Lar de Idosos Nossa Senhora da Conceição e o Asilo Rio Branco são duas instituições filantrópicas que trabalham com idosos em regime de longa permanência. De acordo com o que prevê o Estatuto do Idoso, as instituições dedicadas ao atendimento deste público devem oferecer padrões de habitação compatíveis com as necessidades deles. Nossa equipe de reportagem foi a campo conhecer o funcionamento dessas entidades e as alterações pelas quais elas estão passando para se adequarem ao Estatuto.

Organização

Ambas as instituições são classificadas como filantrópicas, ou seja, sem fins lucrativos. Elas apresentam um quadro de diretores composta todos por voluntários e são dispensadas pelo governo de alguns impostos. No SAME a instituição foi apresentada por Antonio Costa de Almeida que está nesse cargo há sete anos e é aposentado e diácono da igreja católica representada pela Arquidiocese de Aracaju. No Asilo Rio Branco nossa guia foi Micheline, assistente social do local.

Os asilos contam com funcionários remunerados que incluem técnicos em enfermagem e a equipe da limpeza. Os idosos contam também com especialistas, sendo que alguns voluntários, como medico, psicólogo, nutricionista e fisioterapeuta. O asilo é dividido em uma ala masculina e feminina e toda a tarde é aberta a visitação do público.

Idosos em atividade recreativa no Asilo Rio Branco
Idosos em atividade recreativa no Asilo Rio Branco Foto:Diogo Barros

Os idosos são estimulados a participar das atividades do asilo e se relacionarem com as outras pessoas. “Uma das etapas mais importantes do trabalho no asilo é manter os idosos em contato social, seja um com o outro, seja com voluntários. Uma ação importante que ajuda a evitar o sofrimento com a depressão”, explica o presidente do SAME que complementa dizendo que para o idoso há um relativo sofrimento em estar no asilo. Isso porque aonde eles realmente gostariam de estar é próximo a família. “Mesmo para os que foram moradores de rua existe a insatisfação expressa no desejo de continuarem morando nas ruas, local de onde foram retirados forçados”, conta.

Situação Financeira e Voluntariado

Já em relação à situação financeira, os sócios contribuintes aparecem como a maior fonte de renda da instituição, no SAME corresponde a cerca de 59% da renda do asilo que em avaliação feita pelo Presidente, pela importância da instituição na sociedade, deveria haver um número muito maior de sócios contribuintes.

Para conquistar novos sócios, uma vez por ano o SAME promove a noite dançante no Iate Clube de Aracaju. Normalmente com o fundo musical dos Los Guaranis, consegue-se uma casa cheia. Uma ótima oportunidade na conquista de novos sócios em uma noite em que vídeos sobre a instituição são exibidos. Além disso, a casa promove uma série de eventos menores no próprio asilo.

Uma reclamação comum as duas instituições foi a de que o voluntariado ainda é pouco realizado. Apesar de as entidades já conterem um quadro de funcionários, algumas atividades aparecem como mais adequadas para serem feitas por voluntários. Como exemplo tem o bazar solidário que é realizado pelo SAME. Como eles recebem muita doação de roupas, aquilo que não é utilizado no asilo é destinado para distribuição com a sociedade. Então neste bazar exige-se que se faça a separação das roupas, que se de atenção a quem chega para adquiri-las. Para isso precisa-se de pessoas com tempo e boa vontade. A maioria dos voluntários do asilo são os aposentados. Para ser voluntário no SAME deve-se preencher o termo do voluntário, uma espécie de contrato em que estabelece o dia, o horário e as condições para se trabalhar como voluntário.

Fiscalização e Reformas

A responsabilidade maior pela fiscalização dos asilos é da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Através de denúncias ou de pedido feito pelo Ministério Público o órgão fiscaliza essas entidades.

No SAME, recentemente a capacidade do asilo teve que ser reduzida de 53 para 46 idosos. No Asilo Rio Branco reduziu-se de aproximadamente 100 para 40 idosos. Isso ocorreu devido a visitas da Vigilância Sanitária que cobrou reformas para regularização.

Um relatório da Vigilância Sanitária feito na visita ao SAME, no ano de 2009, estabeleceu que o quarto só poderia conter quatro leitos no máximo e hoje dispõe-se de dois quartos grandes que comportam 12 leitos. Anteriormente, dois pavilhões já haviam sido julgados inadequados pela Vigilância Sanitária e passaram por uma reforma a quatro ou cinco anos atrás quando intencionavam se adequar ao Estatuto do Idoso. Nesta reforma foi trocado o piso, o revestimento e foram colocadas campainhas de alarme em cada leito. A verba para a realização da obra foi disponibilizada através de uma emenda parlamentar feita pelo deputado Jackson Barreto em que um valor de R$90 mil foi arrecadado.

Apesar de ainda não terem sido inicializadas as obras de ampliação, a Vigilância Sanitária emitiu um documento atestando que a instituição está apta para a concessão da licença sanitária, devido ao esforço do SAME para realizar as modificações. Assim o asilo começou a atividade de captação de recursos para a realização das obras e no mês de janeiro deste ano foi lançada uma campanha com a presença da TV Sergipe.

Então houve o envio de 30 mil envelopes às residências em Aracaju. Os envelopes continham um fôlder explicativo da campanha e um boleto bancário com a disponibilidade de ser pago na data que quiser com o valor a ser escolhido entre R$ 50 ou R$ 100. Com esta campanha até o mês de outubro de 2010 já se arrecadou 78 mil.

Antigamente o SAME era um lar não somente para idosos. Abrigava mendigos e crianças também. Existia uma escolinha para crianças que foi desabilitada no momento em que a instituição mudou seu perfil. O projeto que existe para reforma do asilo conta com a utilização do espaço desta escolinha.

Pavilhão em Reforma no Asilo Rio Branco Foto: Diogo Barros

No projeto de reforma da escolinha está prevista a construção de sete quartos com capacidade de quatro leitos cada quarto, um refeitório que irá facilitar a vida dos idosos mais frágeis que apresentam dificuldade em se deslocar, um salão de beleza, uma sala de estar e uma rouparia. No fim das reformas a capacidade do asilo será elevada para o recebimento de 72 idosos.

O Asilo Rio Branco também teve que fazer modificações provenientes da visita da Vigilância Sanitária que incluia além das alterações no tamanho dos quartos, reforma no banheiro e na cozinha. Micheline explicou que as reformas já estão encaminhadas aguardando apenas o complemento da verba para serem concluídas.

Equipe de reportagem, técnica de enfermagem e voluntária Foto: Pabo Prata

Assim, assimilando-se a situação em que se percebe a satisfação exposta no rosto de um amigo quando o encontra em sua casa e nota-o bem aventurado. Foi a impressão que a equipe guardou das visitas aos asilos. Nossos atenciosos guias se mostraram bastante satisfeitos com as mudanças que a instituição vem sofrendo. Ficou notório o aumento na qualidade desses estabelecimentos embora ainda falte muito a ser feito para conseguirem comportar todos os idosos que ainda buscam e necessitam de um asilo.

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