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Turismo em Sergipe

Posted in Cidade, Politica Pública, Turismo, Uncategorized by micheletavares on 10/11/2010

Com investimentos centralizados, o turismo no estado é uma fábrica sem chaminés

Por Andréa Cerqueira e Nara Melo

Idealizada para ser capital de Sergipe, após transferência de São Cristovão, Aracaju foi fundada em 17 de marco de 1855, pelo presidente em exercício na época Inácio Joaquim Barbosa. Projetada em formato de um tabuleiro de xadrez, a cidade tem vasto roteiro turístico. O menor estado do Brasil tem consagração do setor turístico na capital e um potencial no interior elevado. Entretanto, as políticas públicas de incentivo se restringem a pólos específicos, considerados com maior potencial turístico. Buscando uma maior integração entre os 75 municípios do estado, convênios são firmados e as mudanças aparentam começar em breve.

Sede do Sebrae Aracaju Foto: Andréa Cerqueira

“O turismo no Estado está crescendo com abertura de novas empresas”, defende a gestora de turismo do Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), Bianca Esperidião de Faria. Ela acredita que a concentração de turistas ocorra principalmente nos períodos de janeiro a fevereiro e de junho a julho. Entretanto isso acontece porque a divulgação é focada em eventos específicos e já conhecidos, como a prévia carnavalesca de Aracaju (Pré-caju) e os festejos juninos, como o Forró-Caju.

Festa do pré-caju na capital no período que varia de janeiro a fevereiro Fonte: br.olhares.com

Forró Caju Fonte: overmundo.com.br

Contudo, para efetivar a publicidade do turismo loca, parcerias são firmadas entre prefeituras locais, instituições de aperfeiçoamento profissional (como o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI)) e instituições do ramo turístico (como agências, hotéis, bares e restaurante). Todos os parceiros entram com o capital e o SEBRAE entra com a capacitação das pessoas que trabalham na área do turismo e na divulgação dos eventos tanto no estado quanto em outras capitais.

Divulgação                                                                                                               

A participação do poder público no quesito turismo é contínua. A divulgação em feiras e eventos nacionais e internacionais, a exemplo da Feira de Turismo de Gramado, do Salão de Turismo, da Feira da ABAV coloca Sergipe entre os principais destinos turísticos do país. Mas existe a problemática em relação à população interiorana, de que não enxerga a cidade em que mora como uma potência tanto no turismo quanto na economia. “No interior há uma falta de políticas públicas na área de infra estrutura“, diz Bianca Esperidião.

Mapa Turístico da capital Fonte: Portaldearacaju.com

Em Aracaju, a principal crítica que se tem é a falta de visitação no Parque da Cidade motivada pela falta de sinalização em todo o estado, fato que parece está sendo resolvido com instalação de sinalizações desde o início do mês de outubro. Na capital, a gestora de turismo do Sebrae aponta a Orla de Atalaia, a Colina do Santo Antônio, a 13 de julho, o Centro histórico, os Mercados Albano Franco e Tales Ferraz como principais pontos de visitação.

A Emsetur juntamente com o SEBRAE apresenta o estado nas exposições. De acordo com o presidente da Emsetur, José Roberto Lima, os locais turísticos do interior são apresentados seguindo a divisão: Cidades Históricas (São Cristóvão e Laranjeiras), Litoral Norte (Pirambu e Foz do Rio São Francisco), Litoral Sul (Caueira, Abaís e Praia do Saco) e Rota do Sertão (Serra de Itabaiana e Parque dos Falcões, Roteiro do Cangaço e o Canyon). A gestora de turismo do SEBRAE, Bianca Esperidião, completa dizendo que a grande Aracaju e o portão de entrada para as demais cidades.

“O turismo de aventura e de eventos está em alta em Sergipe com a

Presidente da Emsetur, José Roberto Lima Fonte:http://www.turismosergipe.net/

divulgação de melhorias no Parque dos Falcões, além da continuidade do Encontro Cultural de Laranjeiras e a interiorização do Verão Sergipe”, afirma o presidente da Emsetur. Contrapondo a afirmação, em palestra sobre o turismo em Sergipe, o sócio fundador e coordenador do Parque dos Falcões, Ricardo Alexandre Correia, fala que o ecoturista ou “ecocurioso” está em ascensão por que o meio ambiente está sendo degradado, o turismo massivo destrói o meio ambiente por ser uma “invasão” no habitat daqueles animais.

Investimentos

A Sedetec atualmente trabalha com um programa nacional de incentivo ao turismo chamado Programa Nacional de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur). De acordo com o coordenador operacional do Produtor, Luiz Carlos de Santana, os recursos são liberados pelo Ministério do Turismo, com a contrapartida do Estado. “Hoje temos duas frentes de trabalho: uma são os convênios firmados com o Ministério do Turismo, que somam 40 milhões de reais. A outra, e mais importante, é o financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que totaliza um montante de 100 milhões de dólares”, informou.

Entretanto, o investimento do Prodetur só pode ser destinado aos municípios que fazem parte das duas áreas consideradas pólo turístico no Estado. São elas: Pólo do Velho Chico, que abrange 17 municípios que margeiam o rio São Francisco, e o Pólo Costa dos Coqueirais, que inclui três municípios ao longo da Costa, além das cidades históricas de São Cristóvão e Laranjeiras. “Basicamente o turismo no litoral é considerado de sol e praia, do norte como ecoturismo e São Cristóvão e Laranjeiras que se caracterizam como turismo histórico-cultural” afirma Luiz Carlos.

A utilização dos recursos financiados pelo BID deve possuir cinco componentes: recuperação (de museus, orla, de coisas já existentes), estratégias de comercialização (para divulgar o turismo do estado), fortalecimento profissional (projetos de capacitação profissional, planos diretores), infra-estrutura e serviços básicos (aterro sanitário, construção de rodovias e orlas, atracadouros) e gestão ambiental (ações diretamente ligadas ao ambiente, utilização de novas tecnologias). Para se utilizar dos recursos do BID, as ações devem contribuir para o desenvolvimento do turismo nas localidades próximas. Segundo Luiz Carlos, atualmente está sendo construída uma rodovia que ligará a sede do município de Santa Luiza ao povoado Castro, fato que impulsiona a construção de uma orla/atracadouro no povoado, além de acarretar a melhoria do saneamento básico.

O objetivo a ser alcançado hoje é a construção de um roteiro integrado para o turista, onde ele possa pernoitar no interior, retirando a característica de passeio. A integração favorece não só as cidades pólo, mas todas que estão
próximas, ou seja, fazer com que as cidades do interior sejam pontos de hospedagem como na capital. “A idéia é que o turista pernoite em Canindé, e depois faça passeios para a Ilha do Ouro, e pela Foz do Rio São Francisco, por exemplo”, finaliza.

Em Aracaju existem três projetos na base da capacitação, feita pelo Sebrae, como o selo de qualidade no empreendimento, seja hotel, pousada ou restaurante. Existe também pela Emsetur, um programa de treinamento de mão de obra, de capacitação para melhor atender o turista. Entretanto, esse programa ainda não está ativo no interior do estado.

“O ponto de principal no turismo é a malha aérea de Sergipe que se tornou um destino caro pela dificuldade de se chegar aqui”, pontua a Bianca Esperidião. Os aeroportos não comportam muitos vôos, são poucas escalas tendo Sergipe como destino. Entretanto há rumores de que uma reforma no aeroporto sergipano seja feita ainda esse ano, mas nada foi divulgado oficialmente.

O principal questionamento é relacionado à efetividade e centralização das políticas públicas voltadas para o turismo. De fato, as prefeituras devem distribuir melhor os recursos recebidos pelo Governo Federal. Em contrapartida, os órgãos responsáveis pela melhoria e divulgação das cidades com potencial turístico devem capacitar e informar a população local de cada ponto, pois em muitas localidades a prática do turismo é feita de forma primária, sendo que a publicização se restringe, em muitos casos, apenas ao turismo cultural.

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