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Os dois lados da moeda

Posted in UFS by micheletavares on 30/11/2010

I Bienal de Artes, Ciência e Cultura levanta suspeita dos alunos acerca da origem das verbas do DCE

Por Claudia Janinny

Do dia 31 de agosto a 3 de setembro desse ano, foi realizada na Universidade Federal de Sergipe (UFS), no Campos de São Cristovão, a I Bienal de Artes, Ciência e Cultura. A abertura do evento, promovido pelo Diretório Central de Estudantes (DCE) da instituição, teve como atrações culturais Dado Vila-Lobos, ex-guitarrista da banda Legião Urbana, além das bandas sergipanas Naurêa e Guerreiros Revolucionários. A Bienal também incluiu debates diversificados e mesas redondas com participação de professores e especialistas para informar aos estudantes sobre temas atuais e relacionados à universidade, bem como teatro, dança, artes plástica, poesias, contos, prosa entre outros. Mas por que relembrar tudo isso?

Foi só terminar o evento para surgir algumas especulações a respeito da origem das verbas do DCE para promover o evento. Alguns alunos começaram a questionar sobre a estrutura luxuosa, principalmente do show de abertura com o músico Dado Vila-Lobos, que contou com incrementos técnicos como um gerador de energia elétrica, banheiros químicos e a montagem de um palco em frente à Concha Acústica da UFS.

A atual Chapa da Integração, logo que assumiu a 1ª gestão, tinha em mente promover a interação entre os estudantes e o DCE. “Nós assumimos a gestão com duas visões: a primeira é que a gente achava achava que o DCE deveria continuar com a ação política, que é o natural e foi o que fizemos. Conseguimos baixar a taxa de 25% do curso na transferência interna, contratação dos professores, o aumento da bolsa alimentação e da bolsa trabalho; e a segunda era que fizéssemos atividades que aproximassem os estudantes do DCE, porque até então as pessoas que ocuparam o DCE faziam a luta do Movimento Estudantil pelo Movimento, achando que é só a questão política que deve ser discutida. Por isso que muitos estudantes não se envolviam com o diretório”, conta Antonino Cardoso, atual presidente do DCE.

E pelo visto, a intenção do DCE é de fato manter a integração entre todos: “A gente sabe que tem estudantes ambientalistas, então queremos nos aproximar deles, o movimento religioso, por exemplo, por que não promover uma Calourada Gospel? A UFS tem 27 mil alunos e se for levar só pela questão política o DCE vira um Gueto com meia dúzia de pessoas. A nossa intenção é de integrar”, diz o presidente.

A atual gestão do DCE desenvolve diversos projetos e programas voltados ao incentivo à cultura. Dentre eles estão: cursos de língua estrangeira com baixo custo e curta duração (inglês, espanhol, francês, alemão, grego e latim), e o projeto trilhas (leva os estudantes a conhecerem outros lugares). Segundo Antonino, a intenção é que o estudante financie o seu próprio curso. “Pesquisamos e vimos que um professor de curso de idiomas ganha em média R$ 14 hora-aula. Em seguida, fomos ao Departamento de Letras e nos informaram que uma sala de aula para língua estrangeira comporta cerca de 40 pessoas. Então calculamos um curso com seis meses de duração incluindo a apostila e chegamos a um total de R$ 2.500 mil. Dividimos por 40 alunos e deu R$ 70 para cada um”, explica. E, acrescenta: “Hoje temos quarenta turmas e futuramente pretendemos abrir uma turma de Libras”, afirma.

Em contrapartida, a efetivação desses projetos acentua as suspeitas dos detratores do órgão de representação estudantil acerca de como estes adquirem recursos para financiar os seus projetos. “Existem alguns projetos do DCE que eu não concordo principalmente no que diz respeito ao evento mais recente, a I Bienal de Artes, Ciência e Cultura promovido pelo DCE, pois gostaria de saber de onde eles tiraram dinheiro para financiar em evento tão grandioso”, diz Wesley Pereira de Castro, estudante de Jornalismo da UFS.

Segundo o presidente do DCE, todos os eventos realizados contam com a colaboração de alguns órgãos, já que o Diretório não tem condição alguma de bancá-los, inclusive o mais recente que foi a I Bienal de Artes, Ciência e Cultura. “A gente contou com várias parcerias na realização da Bienal. O cachê de Dado Vila-Lobos foi R$ 12 mil e quem pagou foi a Funcaju. O som foi custeado pelo BANESE e a parte da estrutura do show foi paga pelo Banco do Nordeste. No total gastamos R$ 40 mil, um dinheiro que o DCE não tem. Nós que corremos atrás dos patrocínios, eu mesmo fiquei o mês inteiro das minhas férias correndo atrás para fazer a Bienal. Foi tudo graças às parcerias firmadas e as empresas contratadas“, explica Antonino Cardoso.

Na legislação existe uma parte que vem falando sobre os Incentivos Fiscais, que são formas legais de redução ou supressão do tributo a pagar, visando beneficiar determinados setores produtivos com o objetivo de gerar empregos, ampliar a produção, o comércio internacional e a prestação de serviços. Também são instituídos com o objetivo de incentivar atividades sociais e/ou culturais. Foi partindo desse princípio que o DCE resolveu ir atrás desses órgãos: “Nós já sabíamos que a maioria dos órgãos públicos tem um orçamento específico para financiar projetos culturais e sociais, como por exemplo, o Instituto Cidadania do Banco do Nordeste que separa cerca de R$ 7 milhões para financiamento de atividades e projetos culturais de universidades, escolas e outras entidades. E, por isso mesmo, resolvemos arriscar enviando o convite, que graças a Deus foi aceito por eles”, diz Antonino Cardoso.

Conforme Antonino, para conseguir essas parcerias foi necessária a elaboração de um projeto contendo os objetivos gerais e específicos, plano de mídia, público alvo entre outros, que justificassem a realização do evento. “Tem um aluno que foi do Centro Acadêmico de Artes e tem uma entidade chamada Oficina Alternativa. Como ele é especializado em elaborar projetos para captação de recursos, pedimos que elaborasse um para a Bienal”, diz. E, continua: Feito isso, foi só mandar os convites pedindo apoio. “Ao todo foram 200, mas conseguimos apenas três”, afirma.

Mas, além desses órgãos o DCE conta com um caixa que é mantido pelos próprios projetos desenvolvidos por eles. “Hoje o curso de idiomas rende em torno de R$ 400 para o DCE de cada turma, nesse semestre conseguimos formar 40 e obtivemos um lucro de R$ 16 mil que já serviu para financiar o nosso jornalzinho que foi entregue a todos os estudantes da UFS”, explica o atual presidente do DCE.

E, com relação à prestação de contas aos estudantes Antonino Cardoso disse o seguinte: “Tudo o que fizemos esse ano foi com a ajuda de parcerias. O Estatuto do DCE tem o Conselho de Base, em que toda gestão tem a obrigação de apresentar o balanço financeiro das atividades desenvolvidas durante o ano, e é exatamente o que iremos fazer”, conclui.

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