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O Surf como uma profissão

Posted in Uncategorized by micheletavares on 05/12/2010

O jovem e talentoso surfista sergipano, Bruno Marujo, relata as dificuldades e méritos de seguir uma carreira de Profissional do Surf.

Por Diogo Barros

 

Bruno Marujo

Nem sempre as pessoas conseguem conciliar o seu gosto pessoal ao emprego ou profissão que exercem. Esse não é o caso do surfista sergipano de 22 anos, Bruno Marujo, que encontrou “sua praia” ao escolher o Surf como profissão. Com bons resultados na sua carreira como 6º Lugar na Bahia em Villas do Atlântico em 2007, campeão da II Etapa do Circuito Pirambuense de Surf 2009, já esteve entre o Top 5 Nordestino e atualmente foi 2º colocado na 1ª etapa do Circuito Sergipano em 2010, Bruno vem trilhando uma trajetória de títulos no Surf. Embora seja uma carreira em que existe uma determinada pressão no sentido de ter que estar alcançando bons resultados nos campeonatos para conseguir o apoio dos patrocinadores, Bruno se mostrou em conversa com nossa equipe, o tempo todo agradecido pelo que já conquistou e bastante empolgado com relação ao seu futuro no esporte.

Em que momento começou a ser profissional?

Depois de um período percorrendo campeonatos amadores quando fui três vezes campeão Sergipano, campeão Alagoano em 2004, melhor do Nordeste até 18 anos,  recebi o apoio e patrocínio da Construtora Norcon. E permaneci três anos como Profissional percorrendo Circuitos de Surf. Em 2008 quando perdi o patrocínio da Norcon tive que voltar a ser amador.

O que é preciso fazer para ser considerado profissional no Surf?

Você deve se filiar a Associação Brasileira de Surf Profissional – ABRASP. Você passa a pagar uma mensalidade e recebe um registro e uma carteirinha de Surfista Profissional. Então você passa a ser Profissional, proibido de percorrer Circuitos Amadores. Uma curiosidade é que os Amadores podem correr o Circuito Profissional contudo mesmo se eles obtiverem bons resultados, eles ainda receberão como Amadores.

Ao decidir seguir essa profissão, você recebeu o apoio de sua família e de seus amigos?

Minha família sempre foi muito liberal, sempre apoiou meus sonhos. Minha mãe e meu pai sempre me deram dinheiro para competir na época em que iniciei como amador. Eles sempre acreditaram em meus sonhos.

Você recebe apoio de alguma marca atualmente, algum incentivo no esporte?

Eu tenho a Stillo Z que me fornece inscrição, hospedagem, passagem e tudo que preciso para quando vou competir. Acredito que no Surf é muito importante as parcerias.

Muita gente encara o Surf como hobby, diversão. Há algum tempo atrás havia até uma visão infeliz da sociedade que via o surf como vagabundagem. Você já sofreu algum tipo de preconceito por ter escolhido a profissão de surfista?

Bom, de minha parte nunca houve. Acredito que a postura que o surfista assume perante a sociedade conta muito para isso. O surfista profissional tem que estar treinando e se preparando o tempo todo para as competições. É um esporte que exige dedicação e esforço. Quem se comporta dessa maneira não acredito que deixe margem para ser vítima de preconceitos.

Quais são as maiores dificuldades em seguir na profissão de surfista?

A dificuldade sempre é a falta de patrocínio. Para se correr um Circuito Profissional de quatro etapas por exemplo, o surfista gasta em torno de R$ 10 mil. Não há condições de ser um surfista Profissional sem o apoio dos patrocínios. Normalmente as maiores patrocinadoras no Surf são empresas que trabalham com artigos relacionados ao esporte. Infelizmente, empresas como essas aqui em Sergipe se envolvem muito pouco no patrocínio dos atletas. E acredite em mim, temos muitos bons atletas do Surf aqui em Sergipe. Faltam as empresas começarem a aparecerem para apóia-los.

Você tem uma outra renda além do que recebe com o Surf? Você acredita que é possível viver só com a renda do Surf?

Eu sempre tive. Desde que iniciei no Surf , eu tive a felicidade de conhecer o Cláudio Tadu que me ensinou tudo que hoje sei da arte que é fazer uma prancha. Então com exceção do período em que estava como Profissional, muito voltado para as competições, eu sempre trabalhei fazendo pranchas.

Como você ver o desenvolvimento de surfistas no Estado de Sergipe? O que está faltando para aparecerem mais surfistas sergipanos no cenário nacional ou até mesmo no cenário internacional?

Acredito que a responsabilidade maior pelo sucesso do atleta é do próprio atleta. Se ele se esforçar bastante e obtiver bons desempenhos a marca, o incentivo com certeza vai aparecer.

O que você acha do mar Sergipano para a prática do Surf?

Aqui em Sergipe temos ondas internacionais. O Termas, localizado no extremo Norte do litoral Sergipano, a uns 36 km após Pirambú, possui ondas de 8 a 12 pés. A praia do Abais também tem excelentes ondas para o Surf.

Na Capital, as melhores ondas eu encontro ali na praia dos Artistas na Coroa do Meio. Infelizmente não é o ano todo que temos ondas grandes nessa praia, mas agora nos meses de novembro, dezembro as ondas estão muito boas.

Qual foi o melhor lugar em que já praticou o Surf?

Foi no Termas aqui em Sergipe mesmo. E olha que eu já surfei em muitos lugares!

Alem de você quais os outros nomes que você considera como surfistas de grande potencial do Estado de Sergipe?

Rapaz, tem um grande amigo meu que treina comigo e é um excelente surfista o Alex Memol. Alem dele, tem o Romeu Cruz, Bruno Cainã, Kayan Barbosa e o  Rafael Melo. Todos nomes fortes do Surf Sergipano.

Na 1ª etapa do Circuito Sergipano de Surf deste ano você ficou em 2º da categoria Open que disputa. Quais são suas expectativas para esta 2ª etapa que acontecerá em 18 de dezembro?

Pretendo vencer. Estou muito focado, passando por uma fase muito boa. Ando treinando muito com o Alex Memol e estudando o Surf para que no campeonato eu possa alcançar a vitória.

Como é o seu treinamento, sua preparação para os campeonatos?

Olha cara, atualmente eu tenho dividido meu tempo entre minha família (estou com uma filha de nove meses que meio que chegou como um amuleto da sorte para mim, só trazendo coisas boas a minha vida), meu trabalho e os meus treinos no Surf. Então minha rotina de treinos envolve corridas na praia, cerca de duas horas de Surf por dia alem de aulas de Ioga e Pilates.

O que o Surf já proporcionou a sua vida? Quais são seus agradecimentos para com ele?

Poh, eu agradeço tudo ao Surf. Tudo de bom na minha vida foi proporcionado pelo Surf. A mente que tenho hoje, minhas idéias, meus sonhos realizados. Tudo o que conquistei, foi o Surf que me proporcionou. E tenho certeza que ainda vou agradecer mais e mais e mais…

Quais são seus ídolos, suas referências no esporte?

O meu Shaper, que me ensinou muito e sempre foi um exemplo para mim e o Kelly Slater.

Quais são seus projetos para o seu futuro com o Surf?

Bom, estou vendo se fecho com outras marcas, mas alem disso pretendo continuar disputando campeonatos e me empenhando para me sobressair no cenário do Surf. Já vai ter a segunda etapa do Campeonato Alagoano nesse fim de semana agora nos dias 4 e 5 de dezembro e estou me sentindo muito positivo para ele.

Qual mensagem que você deixa a essa garotada que esta começando no esporte agora e deseja seguir uma carreira como surfista?

Primeiro lugar, terminem os estudos. Alem disso, sempre treinem muito e mantenham o foco no que desejam alcançar.

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