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O silêncio que causa aflição

Posted in Comportamento by micheletavares on 07/12/2010

Alguém que tentou suicídio fala sobre a angústia, a dor e a superação

Por: Egicyane Lisboa

 

O Grito (Pintura do norueguês Edvard Munch, 1893)

Quando Edvard Munch pintou “O Grito” deixou registrado nas suas cores e formas uma sensação de angústia e dor que está presente em milhares de personagens reais que acabam abafando seu sofrimento. E nesse ato de silêncio vem acarretado de um único desejo: suicídio, que para muitos é um ato de covardia, para outros de coragem, talvez não seja nem um, nem outro, mas, muitas vezes um ato de desespero, um grito de socorro não entendido, que exige de nós não julgamento, mas solidariedade.

Não se pode determinar com precisão a existência de uma causa para o suicídio. Trata-se de um fenômeno que é a culminância de uma série de fatores de ordem ambiental, cultural, biológica, psicológica, política, tudo isto acumulado na biografia de um sujeito. O suicídio é um momento de muita dor, de muito sofrimento. É a tentativa de solucionar uma dor. A pessoa não busca a morte, busca a libertação daquela dor, daquela situação difícil que a faz sofrer.

A seguinte entrevista trás um recorte da realidade de muitas pessoas que sofrem depressão ou outro problema de alguma natureza que os levam em determinado momento a pensar em suicídio, mas acabam encontrando equilíbrio para vencer suas limitações e enfrentar as dificuldades existentes. Libertam o seu grito.

 

Qual a sua idade quando pensou em suicídio?

Vinte e cinco anos. Era mãe, vivia com meu companheiro e ele era super violento, tentou me agredir fisicamente, mas denuncie. Depois de muitas agressões verbais e físicas, decidi sair de casa com meu filho que tinha três anos. Onde não tive o apoio emocional que necessitava naquele momento da minha família.

Como era sua vida na ocasião que pensou em suicídio?

O que desencadeou o momento de eu não querer mais viver foi seguinte:  já tinha seis meses que tinha deixado meu marido, morava na casa da minha mãe, desempregada e nada dava certo. Fiquei depressiva porque meu marido levou meu filho, já que não tinha condições financeiras. Eu não estava bem, precisava estar em um ambiente saudável, porque meu marido me traia, destruiu minha auto-estima e me deixava cicatrizes verbais que ainda hoje estão em mim, mágoas que me deixam triste, porque me permiti viver aquilo tudo. Hoje faço terapia e sou capaz de compreender tudo que aconteceu  comigo sem me frustrar.

O suicídio é certamente, uma medida extrema, você sentia que não havia escolha?

Não, eu pensava no suicídio, mas cheguei no momento depois da experiência de quase-morte que tinha solução. Encontrei na pintura e na poesia uma maneira de me libertar, escrevia para aliviar dores emocionais e depois queimava, mas guardei uma: “Arranca de mim horrores invisíveis. Acalma esse meu coração cansado de sofrer
Eu te peço oh pai não me deixe só. Minha alma necessita de ti. Para que me serve esse corpo, se minha alma está ferida
cura oh pai, as cicatrizes. Não me desampare ainda não é chegada a hora de eu partir”.

Mas afinal porque cometer suicídio?

Imagine você estar num mundo em que você não vê, não consegue  perceber o amanhecer, enxergar nada que possa se sentir feliz, sentir-se viva. Não tinha sentido de nada, perdi as sensações de beleza, desejos. Eu não vivia, apenas existia.

Muitos dizem que suicídio é um ato de covardia, o que você acha disso?

Não diria covardia, é complicado julgar a pessoa que chega ao ato de querer acabar com aquela dor. Ninguém pode julgar, você procura várias maneiras para sair do problema e muitas vezes chega a tomar algum medicamento ou substância para aliviar a dor emocional instantaneamente.

 

Você já tinha planejado o suicídio outras vezes e acabou desistindo?

Não, nunca porque até então me considerava feliz.

 

Você tinha muitos amigos na época?

Sim tinha, mas mesmo com tantos amigos não conseguiram perceber o que estava planejando.

Acredita que nessas situações os amigos podem estabelecer um equilíbrio emocional e ajudar a pessoa que pretende cometer suicídio desistir?

Acredito sim, o apoio emocional é fundamental. Uma palavra amiga é sempre importante, afinal com a mente fragilizada com tantos pensamentos ruins, que temos, essas sensações nos persegue a todo instante e se você não parar e pensar: porque eu estou assim? Será que é o fim? E uma força maior diz que é um renascer, vamos você é capaz de superar…Seja forte! É estranho ouvir isso quem não teve momentos de profunda tristeza na vida. Somos assistidos por espíritos de luz e espíritos que vagam na terra, os  que vagam só pensa coisas ruins. E os de luz como o nome já diz estão aqui para nos direcionar a fazer o bem.

Você comunicou a alguém sobre suicídio que estava planejando?

Claro que não. Quem pensa em suicídio não fala para ninguém.

Quadro da entrevistada (foto: Egicyane Lisboa)

Como você lidaria com problema que a levou a quase desistir de tudo?

Não existe problema algum hoje que me pudesse levar a desistir de viver. Porque estou equilibrada espiritualmente, faço terapia psicológica, conheço meus limites e minha alma hoje é calma, percebo e vejo as coisas bem diferentes.

 

Que conselho você daria para uma pessoa que esta pensando em se suicidar? Como se preparar para lidar com as adversidades existentes?

Devemos buscar sempre o equilíbrio emocional, esta perto de Deus. Cuidar do nosso espírito, nós não somos feito apenas de matéria ,temos uma alma que precisamos alimentá-la. Quando se tem uma plantinha, colocamos ao sol e colocamos água todos os dias, senão ela morre. Assim é  o nosso corpo, precisamos vigiar sempre, buscar realizar tarefas que nos façam sentir felizes. Não esquecer jamais da caridade para com nosso semelhantes. Para  que possamos ser pessoas mais humanas.

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