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Todos contra a Dengue

Posted in Saúde by micheletavares on 07/12/2010

A coordenadora do Programa de Combate a Dengue da capital fala sobre as ações para evitar uma epidemia em 2011

Por Nara Barreto

O trabalho de combate ao mosquito da dengue não pára. Com a proximidade do Verão, intensificam-se as ações de prevenção da doença, que é transmitida através da picada da fêmea contaminada do mosquito Aedes aegypti.
Apesar de integrar a lista das 10 localidades com risco de surto, o número de casos de dengue em Aracaju vem caindo a cada ano. De janeiro a setembro de 2008 (época da epidemia) foram registrados 10.455 casos. Já em 2009 o número caiu para 312.

Taíse Cavalcante

A coordenadora do Programa de Combate a Dengue e da Vigilância Epidemiológica de Aracaju,Taíse Cavalcante. (Foto: Nara Barreto)

Há três anos na coordenação do Programa de Combate a Dengue de Aracaju e há dois na coordenadora da Vigilância Epidemiológica (Covepi), TaíseCavalcante, afirma que a capital apresenta um avanço considerável no controle da doença e fala sobre o programa municipal de combate a dengue e suas ações.

Como surgiu o Programa Municipal de Combate a Dengue?

O programa da dengue ele é efetivado no Brasil como um todo. É um programa nacional de controle da dengue, em que todos os municípios necessitam ter o seu programa municipal porque a partir do momento em que teve a municipalização, cada município assume a execução do trabalho em relação à saúde. Há mais de 12 anos existe o programa municipal de controle da dengue.

Quais as principais ações desse programa?
Além dos trabalhos diários de visita domiciliar realizados pelos agentes de endemias, as ações envolvem também mutirões de limpeza contra a dengue, força-tarefa, aplicação de fumacê e palestras educativas. Outra ação é a campanha ‘Todo Cuidado é Pouco’, que visa à conscientização da população através de materiais educativos, como panfletos e adesivos para colocar nas residências. Essas ações são mantidas durante todo o ano. Nosso objetivo do trabalho é fazer um trabalho de prevenção, alertar a população e fazer o reforço de orientação e tratamento nos focos de dengue.

Como é realizada a Operação “Todos contra a Dengue”?
Realizada nos bairros considerados de alto risco para a doença, a ação reúne todas as atividades contra a dengue desenvolvidas pela PMA em um mesmo bairro no mesmo dia. São quase 600 pessoas envolvidas na mobilização, entre agentes de endemias, comunitários, da vigilância sanitária e de zoonoses, funcionários da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) e da Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb).
Além das visitas domiciliares, a operação conta com a limpeza de terrenos baldios e imóveis abandonados, recolhimento de pneus, além do Bota-Fora, destinado ao recolhimento de lixo e entulho acumulado dentro das casas. A operação inclui também palestras educativas sobre como prevenir a proliferação do mosquito da dengue e atividades de conscientização para alunos e moradores que frequentarem a unidade de saúde da localidade no dia da ação.

Qual a principal relação entre o Programa Municipal da Dengue e a Vigilância Epidemiológica?
Como o programa municipal da dengue é vinculado à Vigilância, toda a ação de campo, bem como as notificações da doença e o perfil epidemiológico é feito através da Vigilância Epidemiológica.  A busca por casos ativos, a borrifação, o que chamamos de bloqueio de caso, tudo é realizado pela equipe da vigilância epidemiológica onde estão os agentes de endemias, que são os responsáveis diretos pela execução no campo do controle do Aeds. Em suma, o programa da dengue trabalha com a infestação do Aedes e a Vigilância Epidemiológica da Dengue trabalha com o número de casos, pessoas doentes e faz o vínculo entre os bairros com infestação e bairros que são notificados  para fazer todo o trabalho planejamento e o trabalho  do controle da dengue.

Como os bairros são selecionados para o combate ao mosquito?
Não há uma seleção, todos os bairros são trabalhados. O programa municipal tem que cumprir 100% em todos os bairros. Mas nós intensificamos as ações em bairros que é considerado de risco no momento em que a gente faz o Levantamentos de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa)  e o índice dá elevado.

Quais os critérios que determinam o nível de incidência da doença nos bairros?
O nível de incidência é dado de acordo com os critérios e metodologia do Ministério da Saúde, que são o número de casos de dengue nos últimos dez anos, o índice de infestações atual, a presença do vetor do Aedes nos últimos dez anos e a densidade populacional.

Atualmente, quais os bairros de Aracaju com maior incidência do mosquito?
Nós estamos trabalhando na intensificação de nove bairros, que são bairros que foram classificados de risco muito alto para uma epidemia de dengue no verão 2011. São eles: Coroa do Meio, Cidade Nova,Industrial, Siqueira Campos, Cirurgia, Santo Antônio, Palestina, 18 do Forte e Getúlio Vargas.

E os bairros com menor incidência?
Os bairros com menor incidência são Zona de Expansão (Aruana, Robalo e Mosqueiro), Farolândia, São Conrado, Grageru, Jardins, Jabotiana, Inácio Barbosa, 13 de Julho, Salgado Filho, Luzia e Ponto Novo.

Em relação aos casos de dengue, quantos foram notificados até agora em 2010?
Em Aracaju até agora foram notificados 586 casos de dengue.

Esses casos se distribuem em quais tipos de dengue?
Dos casos já notificados, 90% dos casos são de dengue clássica (com sintomas normais da doença como febre, manchas no corpo, dor no corpo e na cabeça), 6% são de dengue com complicação e 4% de dengue hemorrágica. Essa classificação é uma questão epidemiológica mesmo, já que ela só é feita no final quando é confirmado o caso.

Como é feita a confirmação dos casos?
A confirmação dos casos se dá por meio laboratorial. O problema é que o pessoal não retorna para fazer esse exame, já que ele só é feito a partir do 6° dia da doença. Muitas pessoas nesse tempo já estão boas e não querem tirar sangue novamente para fazer essa confirmação laboratorial. O problema na confirmação dos casos ocorre em todo o Brasil.
Em relação à proliferação do mosquito, qual o principal fator que favorece o seu desenvolvimento?
O clima. No verão, o clima quente com chuvas esparsas acelera o desenvolvimento do mosquito. Quando o clima está frio, o período entre a colocação do ovo até o surgimento do mosquito dura 30 dias. No verão esse tempo cai bastante, ficando entre 7 e 15 dias. Isso explica o aumento do número de casos durante a estação.

Como o mosquito de desenvolve?
São quatro fases de desenvolvimento do vetor da dengue: primeiro o ovo; depois a larva, que muda de pele quatro vezes; o casulo, que é a última fase do Aeds aegypti na água. Quando este é rompido, o mosquito fica na superfície da água até amadurecer o esqueleto e chegar à fase adulta quando, enfim, pode voar. Para que o mosquito não se desenvolva é preciso evitar água parada em lavanderias, cascas de ovo, copos descartáveis e qualquer espécie de lixo.

Qual o maior erro cometido pela população em relação à prevenção da dengue?
A maioria dos criadouros de Aracaju advém de problemas de abastecimento de água. A grande preocupação é com as lavanderias domésticas porque elas são locais perfeitos para o desenvolvimento do mosquito (o ovo do mosquito Aedes aegypti pode ficar grudado nas paredes internas dos reservatórios por até 450 dias, esperando água para sua transformação em larva). Elas precisam ser limpas e escovadas frequentemente, mas o ideal é que as donas de casa troquem essas lavanderias fabricadas em alvenaria e que acumulam água por tanquinhos.

Qual a receptividade da população?
A comunidade sempre nos recebe muito bem. Durante a realização dos trabalhos, a população demonstra satisfação e se soma às equipes no combate à dengue.

Podemos afirmar então que Aracaju está pronta para lidar, caso ocorra, uma epidemia de dengue em 2011?
Estamos num trabalho continuo de prevenção da doença. Mas estamos preparados caso ocorra uma epidemia. Controlar a dengue é ima questão além do poder público, envolve e depende da comunidade. A Prefeitura está fazendo sua parte, mas é preciso que a população faça a sua também.

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