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Cãominhada em busca de um lar

Posted in Saúde by micheletavares on 08/12/2010

Pequenos animais em busca de amor e carinho que só um lar de verdade pode oferecer.

Por: Larissa Ferreira.

Maria Antônia, uma das fundadoras do abrigo. Foto: Larissa Ferreira

Nascida do amor e carinho de duas amigas pelos animais, a Associação Defensora dos Animais São Francisco de Assis (ADASFA) é uma das poucas fundações em pró dos animais em Sergipe. Há onze anos a ADASFA dá abrigo, alimentação e tratamento veterinário a animais que muitas vezes foram muito maltratados antes de chegarem ao abrigo. Olhares atenciosos para aqueles que muitas vezes, quando largados nas ruas, passam despercebidos para os cidadãos sergipanos. Na busca de chamar a atenção da população a associação promove eventos como a Cãominhada, realizada no mês de outubro desse ano, e as feirinhas de adoção, todos os domingo no calçadão da 13 de Julho.

Em entrevista umas das fundadoras do abrigo, Maria Antonia, fala sobre o trabalho que a ADASFA desenvolve,  dificuldades quais eles passam, o histórico da associação, a luta pelos direitos dos animais e contou historias triste de atos brutais contra esses pobres animais em defesos.

Quando você teve a decisão de montar o abrigo?

– A ADASFA começou com um abrigo fundado por mim, um gatil, e por Isabel Moura que fundou um canil. Nós duas éramos conhecidas. Ela alugou uma casa onde ela colocava os cachorros que encontrava. Eu já tinha uma casa alugada no bairro Santa Maria, onde eu botava os gatos que eu pegava na rua, que eu já tava com minha casa cheia que não dava mais para suportar. Daí nós ficamos juntas e pensamos na idéia de formar uma associação, isso foi em 1999. Quando foi em 2003, nós ganhamos um terreno no Marivan, onde é atualmente o abrigo e em 2004 registramos a associação.

No inicio quantos animais vocês abrigavam?

-No inicio eu tinha em torno de uns 50 gatos e eu acho que também em torno de 50 cães. Hoje em dia tem bem mais.

No momento quantos animais vocês tem no abrigo?

-No momento temos em torno de 200 gatos e 100 cães. É um número muito variado. Por que chegam muitos animais e também há muitos animais que morrem, por que às vezes chegam muito doentes, debilitados.

Quais tipos de animais vocês aceitam?

-Cães e gatos. A gente não tem espaço infelizmente para outros.

Há sempre pessoas a procura de animais para adoção?

-Há pessoas a procura de adoção, mas há muitas pessoas a procura de animal de raça. Não temos animais de raça, às vezes pode até ter, mas geralmente quando a gente encontra animais de raça é por que foi abandonado, por estar doente, por que está velho. A realidade do canil é de vira-latas.

Há uma media de adoções?

-Não. Mas a gente ta fazendo uma feirinha de adoção no calçadão da 13 de Julho, quase semanalmente. Aos domingos, às 3 horas da tarde. Adoções de filhotes de cães e gatos. Agora estamos planejando fazer uma feirinha de adoções de cães adultos, mas é mais difícil da gente levar, por que precisamos de transporte, de muitas coleiras, nós precisamos nos estruturar mais para levar os grandes.

O que acontece com os animais que não são adotados?

-Os que não são adotados, coitadinhos, ficam no abrigo. Não é que no abrigo seja ruim, por que fazemos tudo que podemos, mas não deixa de ser um abrigo. Eu sempre digo um seguinte “O abrigo para o animal é que nem um orfanato para uma criança, é como um asilo para um velho”. O ideal é ter um lar, mas não tendo fica no abrigo.

Do que vocês mais precisam? Há alguma dificuldade no momento?

-Dificuldade há sempre. Nunca faltou nada. A gente não deixa. A gente luta, luta, luta. Quando eu vejo a ração acabando eu ligo pra um e pra outro e consigo, graças a Deus. Quando a gente ta sem remédio as meninas vão ao Orkut, passam e-mail e conseguimos medicamentos. Agora é aquela dificuldade, tem dias que eu fico no desespero, por que “ai não tem isso”, “ai não tem aquilo”, “aonde é que eu vou arranjar?”, mas de repente surge a ajuda. Graças a Deus, nesses 11 anos, não tem faltado nada. Com dificuldade, com luta, pedindo, pedindo, pedindo, mas a gente consegue, na ultima hora a ajuda chega. Graças a Deus nunca ficaram com fome nem sem um medicamento que necessitam.

Vocês têm patrocínio fixo?

-Não. A gente tem clinicas que ajudam, tem muitos veterinários que pegam remédios que tão um pouco passados da validade, mas ainda serve e doam pra gente, distribuidoras de produtos agropecuários, tem ajudado. Mas patrocínio a gente não tem, sobrevivemos assim.

Acha que a propagando feita sobre a associação é suficiente?

-A gente tem procurado fazer muita divulgação. Porem, eu tenho observado que a propaganda tem um lado bom e outro ruim, por que tanta gente que aparece só querendo deixar animal e a gente com o abrigo super lotado com cães doentes precisando de ajuda. As pessoas chegam dizendo: “Ah, é que eu to com um cachorro aqui que o visinho foi embora e deixou pra trás”, “Olha, apareceu um cachorro em minha rua perdido”. A gente não pode recolher todos. Essa parte de divulgação tem sido boa, tem sido proveitosa, agora também tem um lado negativo, tanto que eu evito botar endereço. De qualquer maneira tem o telefone que o povo liga e pergunta e quer levar animal e a gente nem sempre pode receber.

Vocês contam com quantos voluntários no momento?

-Voluntários eu não tenho nem idéia, por que temos voluntários que ajudam, com dinheiro com qual pagamos os funcionários, temos voluntários que ajudam mensalmente com sacos de ração. Temos também muitas jovens que ajudam com trabalho voluntario, essa feirinha de adoções quem organizou foram essas meninas. Tem eventos dos quais eu nem participo, elas que organizam.

Há alguma ajuda do governo?

-Ajuda do governo por enquanto não temos, mas a gente está em busca. Estamos deixam ofícios na assembléia pra previstos de isenções. Há um ano a gente se tornou utilidade publica do estadual, agora é que a gente vai começar a ter mais abertura para pedir ajuda do governo. Mas por enquanto não temos ajuda.

Como foi a 1ª Cãominhada?

-A primeira Cãominhada foi um sucesso (risos). Isso foi uma idealização de Elaine, ela era uma voluntaria e que agora é diretora de eventos, ela foi à idealizadora dessa caminhada. Deu tudo certo e a gente pretende repetir todo ano, se Deus quiser.  Nela nós conseguimos doações rações e uma boa divulgação da ADASFA.

Quando ocorrerá a próxima Cãominhada?

-Será no mês de outubro do ano que vem.  A nossa intenção é fazer sempre próximo ao dia de São Francisco de Assis. Foi no dia 17 de outubro essa primeira, seria no dia 3 por que o dia de São Francisco é dia 4, mas por causa das eleições não deu e ficou pro dia 17. Mas pretendemos sempre fazer em torno desta data.

Além de recolher animais de rua e maltratados, quais outras ações vocês fazem em pró dos animais?

-Temos procurado lutar com os órgãos governamentais em busca de melhorias, por exemplo, projetos de castração que é uma coisa super necessária, de atendimento gratuito para o povo da periferia que tem animais por que as pessoas dizem: “A pessoa não tem posse responsável”, “Precisa se lutar pela posse responsável”, mas você que tem condições financeiras tem posse responsável do seu cachorro de estimação, de seu gato, por que você tem condições de levar para o veterinário, se ele adoece você cuida e uma pessoa que ganha um salário mínimo e tem um cachorro vai fazer o que? Por conta disso muitas vezes abandonam. Muitas pessoas que lidam com animais culpam essas pessoas, eu em parte não culpo, culpo mais o poder público por que as pessoas deveriam ter direito de ter uma assistência veterinária gratuita para seus animais de estimação por que eles não têm condições de pagar um veterinário. Então nossa luta também é essa com a prefeitura para ver se conseguimos um projeto de castração e atendimento para animais de periferia.

Na adoção vocês fazem a castração?

-Geralmente a gente consegue castração para as fêmeas por que é mais difícil. Às vezes as pessoas dizem: “Eu ate queria levar uma cachorrinha, mas não quero uma fêmea por que é melhor um macho”, então a gente diz pra levar que arranjamos a castração. A gente tem falado com veterinários que fazem isso pra gente. O que tem facilitado as adoções é o fato nós prometermos a castração.

Qual o fato de ser tão importante essa castração? É apenas pelo fato da procura por animais do sexo masculino ser maior?

-É por isso e pelo fato de ter muitas cadelas e gatas tendo filhotes por ai e as pessoas jogando na rua e que no fim eles vêm parar no abrigo. A gente queria acabar com esse circulo.

Qual foi a historia mais triste que já presenciou?

-Ah, são tantas coisa que acontece, no momento não me lembro de nada em específico. Mas tem muitos casos de cadelas que são usadas pelos donos. Tem uma cadela que chegou lá recentemente que o dono era morador de rua que usava e dava cachaça a ela. Tem muitos casos desse tipo.  Tem animais que chegam paraplégicos que foram atropelados, que nunca vão andar. Na periferia que os animais vivem soltos e acabam sendo atropelados e os donos não têm dinheiro pra cuidar e acabam sacrificando ou acaba indo parar no abrigo. Uma moça da nossa associação, Nilzete, ela que cuida de todos os paraplégicos, são animais que se arrastam e vivem deitados. No abrigo fizemos um espaço todo de piso liso para que esses não fiquem se machucando.

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