Técnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística

O artesanato de rua e sua importância para a cultura sergipana.

Posted in Uncategorized by micheletavares on 08/12/2010

POR: Cleanderson Santana.

O artesanato de Sergipe é rico em belezas naturais, é também o berço de magníficas manifestações de arte popular. É uma grande pluralidade de produção artesanal, fruto de mãos de gente simples, que com dedicação e amor a arte, valendo-se de técnicas arcaicas, passadas de pais para filhos, cria e recria belíssimas peças, transformadas em fonte de renda e em elemento de identidade sócio-cultural.
O artesanato sergipano está espalhado por todo o Estado, em Poco Redondo encontramos a renda. Em Divina Pastora encontramos a renda Irlandesa, é um dos poucos locais do país onde se produz esse tipo de renda. . Em Pacatuba podemos encontra produtos artesanais feito de palha, são toalhas, chapéus, bolsas, esteiras entre outros produtos. Em Itabaianinha o destaque fica para os produtos fabricados de cerâmica para a construção civil, mas também merece destaque os trabalhos feito por mulheres que guardam tradições antepassadas e produzem peças utilitária de influência indigena.

Ele se chama André Nunes, tem 31 anos é carioca, mas ama Sergipe como se fosse o Rio de Janeiro.

Repórter: Há quanto tempo exercem esse trabalho?
AN: Há mais de dois anos trabalho com artesanato sempre nesse mesmo local da cidade.

Repórter: Dá para ter uma boa renda mensal vivendo de artesanato?
AN: Sim. Vivendo de artesanato tiro um pouco mais de um salário, chega a ser quase um salário e meio.

Repórter: Tem outra fonte de renda?
AN: Não. Só vivo do artesanato

Repórter: Como aprendeu essa atividade?
AN: Aprendi com o meu irmão, ele foi o meu professor e assim como eu, não fez nenhum curso é um dom mesmo.

Repórter: É uma tradição familiar?
AN: Acho que a palavra tradição é um pouco forte, porque acho que tradição seja algo meio que forçado e no meu caso e no de meu irmão não é assim. Ele começou a pintar e eu aprendi vendo ele.

Repórter: Você pinta quadros desde quando?
AN: Há mais de sete anos.

Repórter: Você acha que a nova geração se interessa por artesanato?
AN: Bom, agora tá sendo assim, estamos vendendo para os mais jovens do que para os mais velhos. Mas não para todos os tipos de jovens, só para aqueles que têm mais sentimentos, o que vêem que a pintura é bonita e também barata. Aqueles que curtem mais festas, mais baladas eles não gostam muito, eles preferem mesmo é bebem cerveja e gostam daquilo que o marketing apresenta como bonito.

Repórter: Como é a relação com os outros vendedores?
AN: Nunca tive problemas com os meus colegas de profissão. Um respeita o outro, cada qual faz seu trabalho dignamente e após o dia de trabalho vamos embora tranqüilos.

Repórter: E como é a relação de vocês com as autoridades locais?
AN: Também tudo tranqüilo. Com os fiscais, que começam a aparecer nessa época de final de ano. Com os policiais que sempre aparecem por aqui. Nunca tive problema.

Repórter: Você só trabalha na rua?
AN: Não. Eu também faço exposições em galerias. Aqui em Sergipe eu já expus meus quadros na Universidade Federal do Estado, tive total apoio do reitor e fui muito bem recebido pelos estudantes que gostaram muito do meu trabalho.

Repórter: Você já levou o seu trabalho para fora do Estado?
AN: Sim. Eu trabalho com uma equipe composta por sete pessoas que trabalham pra mim fora de Sergipe. Tenho pessoas no Rio Grande do Norte, Fortaleza, Recife, Salvador, Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro.

Repórter: E como você faz para isso ser possível?
Bom, nesses Estados eu não trabalho na rua, faço exposições em galerias, aí na época da exposição eu viajo e fico o período todo lá.

Repórter: Você se considera um artesão de rua?
AN: Aqui em Sergipe, sim. Mas isso não me incomoda em nada. Adoro trabalhar na rua, ao ar livre. É uma experiência muito boa.

Repórter: O que mais incomoda a você artesão de rua?
AN: Os outros artesãos que, após seu dia de trabalho não deixam o local limpo. Muitos deixam restos do seu material de trabalho, papel, pano e acabam passando uma imagem de que os artesãos são assim, imundos.

Repórter: Qual a tática para atrair clientes?
AN: Falar bem alto (risos). Muitos clientes passam e pensam que o produto é caro e como às vezes eles não tem coragem de chegar e perguntar o preço,  eu chego e falo o valor, alguns deles chegam a se espantar e dizem “Nossa. Um artesanato tão bonito e tão barato.” Ai eles chegam a levar dois, três.

Repórter: Qual a maior dificuldade de trabalhar com artesanato?
AN: No meu caso é só o transporte. Pra vir de onde eu moro até aqui é difícil. Porque como eu trabalho com muitos quadros tem muitos transportadores que querem se aproveitar e cobram caro.

Repórter: Você considera o seu trabalho importante para a cultura sergipana? Por quê?
AN: Considero. Por que as pessoas que vem de fora e acabam gosta do nosso trabalho passam informações para outras pessoas de seus Estados, dessa forma o nosso artesanato acaba se tornando uma atração turística a mais para Sergipe. Digo isso com toda certeza porque já aconteceu isso comigo, já recebi clientes de outros locais do país dizendo que amigos, familiares falaram muito bem do meu trabalho e por isso vieram até aqui.

Repórter: O governo do Estado dá algum incentivo para vocês artesão de rua?
AN: Não. Se dependesse dele agente não venderia nossos produtos. O governo do Estado da incentivo a cultura, mas é a cultura que leve algum retorno até ele, e não no nosso caso que não pagamos impostos.  Aí pra ele (o Estado) não é lucro, não vale o incentivo.

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