Técnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística

Palma para Sergipe

Posted in Uncategorized by micheletavares on 08/12/2010

Palma é uma hortaliça de origem mexicana que veio trazer dias melhores para agricultores em Sergipe.

Por Genisson Silva

Por Sergipe ser um estado localizado no Nordeste do Brasil, e sofrer com a falta de chuva, foi investido aqui em Sergipe, através do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), um projeto de plantação de palmas, com o intuito de ajudar os pequenos produtores rurais a superar a estiagem, poder crescer economicamente através das mais variadas formas de obtenção de lucros que essa hortaliça traz. Para isso o Em Pauta UFS entrevistou um especialista nesse tipo de plantação, o consultor do SEBRAE da área de agronegócio Paulo Suassuna.

foto de Paulo Suassuna, fonte: Genisson Silva

Em Pauta UFS –  De onde vem à palma cultivada no Brasil e qual era sua finalidade?

      Paulo Suassuna –  O centro de origem da Palma é o Continente Americano, no Auto Plano Mexicano, onde existe mais ou menos três milhões e meio de Hectares, foi introduzida no Brasil no inicio do século passado e era utilizada para obter corante.

Em Pauta UFS  – Além do Nordeste, outras regiões estão cultivando a Palma?

P. S. – Sim, o trabalho foi começado em 1993 no Nordeste, 2002 em Pernambuco e Paraíba, e só em 2008 aqui em Sergipe.

Em Pauta UFS –  Como é feito normalmente o cultivo, plantio e o corte da Palma?

P. S. – Existem duas situações: Na forma convencional os produtores plantam a palma em raquetes e esperam de 3 a 5 anos para colherem 200 toneladas em 1 hectare e para isso são plantados de 5 a 10 mil plantas por hectares. Na tecnologia do plantio intensivo são plantadas de 78 até 300 mil plantas por hectares, mas antes preparamos a terra através de adubos e nutrientes além de cuidar para essa plantação não nasça mato.

Em Pauta UFS –  Desde quando resolveu estudar a Palma e qual a diferença da técnica de cultivo intensivo proposta no projeto?

P. S. – A Palma vem sendo estudada desde o inicio do século passado, de forma bastante insipiente, e para a exploração de corante, em 1932 começaram a se fazer forragem, com o mesmo sistema de produção do corante, com espaçamento largos, para colocar entre eles uma cultura de sub-existência, tais como: milho; feijão; etc. Com a tecnologia de cultivo intensivo começamos em 1993 na Paraíba, foi quando viajamos para o México em 1994. O que mais impressionou foi a grande atenção que eles davam a Palma, pelo fato dela ser bastante utilizada para o consumo humano. Ela é a 3° hortaliça mais consumida no mundo. 

Em Pauta UFS –  O investimento para essa forma de cultivo é elevado?

P. S. – São necessários sete mil reais por hectares, incluindo aí todos os custos, com as Palmas a ser plantadas, mão de obra e adubos. Mais o custo de produção semente enchendo em obra e infinitamente mais barato, porque ela dá de 10 a 12 vezes a mais. Fazemos essa conta, dividindo o dinheiro que a gente gasta pelo montante de alma  produzida.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                               Em Pauta UFS –  Como funcionam os Núcleos de Tecnologia Social?

P. S. – Foi idéia da gente, que em um ambiente único a gente fizesse a capacitação e qualificação do produtor rural para que se abrisse o leque de opções econômicas com o plantio de palma, a idéia foi unir até dez produtores, inventamos uma máquina em que  fatia essa Palma em Tarinhas parecidas com macarrão, depois são colocados no sol para secar, e com esse “solzão” que nós temos, em 3 a 5 dias já estão secas, leva para outra máquina e transforma em farelo, com isso é ensinado a fazer farelo de palma ao invés de está fazendo farelo com outras culturas  a exemplo do milho.

                                                                                                                                                                                                                                                                               

Em Pauta UFS –  Com quantos meses a palma começa a se tornar produtiva e qual é o tempo de durabilidade de uma plantação de palma?

 P. S. – A partir de 10 meses já se pode colher, A produtividade máxima é de um ano e meio, mas já obtivemos a produtividade máxima em 13 meses colhendo 732 toneladas. A durabilidade dessa plantação chega a superar de 20 a 30 vezes o modo convencional.

Em Pauta UFS –  Como foi primeira colheita dos produtores rurais nos núcleos de tecnologia social, após a chegada do projeto?

       P. S. – A que deu menos foi a de Poço Verde, que foi de 365 toneladas, isso aconteceu porque eles não se envolveram tanto quanto deveriam. Mas em média geral, foram colhidas 490 toneladas.

Em Pauta UFS –  Além de servir de alimento para os animais e poder ser transformada em farelo, a palma também pode ser utilizada para o consumo humano?

  P. S. – Com toda certeza, inclusive já está sendo utilizada, ela tem duas vezes mais cálcio que o couve, e mais ferro do que a vagem, além de ser uma excelente alternativa alimentar.

Em Pauta UFS –  Toda palma pode virar farelo e ser consumida por pessoas?                                                                                                                                                                                  P. S. –  Com certeza, inclusive os espinhentos, pois se come o broto.

Em Pauta UFS –  Quais são os leque de opções econômicas geradas pela palma aos produtores rurais de Sergipe?

    P. S. –  Se for falar da palma via opção econômica vamos passar aqui uns três dias, (rs). Pensada na parte animal: na produção da matéria prima; para o consumo animal do próprio produtor; para venda de produtores que está precisando de forragem; a vendagem de sementes para novos plantios; para produção do farelo. Parte agrícola: na parte urbana alimentação humana; pode fazer a parte de cosméticos como, por exemplo: shampoo, sabonete, desodorante, batom, gel protetor, hidratante, e no ramo farmacêutico para quem tem problema intestinal.

Em Pauta UFS –  Qual a média da produção da palma em Sergipe e como ela está em relação a média nacional?

    P. S. –  Hoje por causa do projeto, Sergipe está em 1º lugar no Ranking, falando da palma cultivada no sistema intensivo está anos luz de qualquer estado brasileiro.

Em Pauta UFS –  É verdade que Sergipe é o estado recordista em produtividade da hortaliça?

         P. S. –  Sim, nós somos recordista mundial, conseguimos esse feito em Canindé de São Francisco.

Em Pauta UFS –  Que outros Estados já utilizam esta tecnologia social?

     P. S. –  Pernambuco e Paraíba, através do projeto do SEBRAE da Paraíba e de Pernambuco, só esses dois.

Em Pauta UFS –  Você foi divulgar o projeto no Marrocos. Como foi essa experiência?

      P. S. –  Para mim foi muito gratificante, nós recebemos um convite especifico deles, para apresentar o nosso trabalho, que temos desenvolvido aqui em Sergipe. Por lá quase 100% da palma cultivada é para produção de fruto, como nós somos especialistas nesse tipo de plantação. Eles quase não dão palma para o animal comer, e estão querendo fazer intercambio conosco.

Em Pauta UFS –  Que oportunidades de negócios você pôde conhecer durante essa viagem?

        P. S. –  Sobre tudo para a produção de fruto de palma, com o beneficiamento do fruto, extrato do fruto de palma, como fazer sorvete, doce, geléias, farinha,

cosméticos, tudo.

Em Pauta UFS –  Há projetos para que outros produtores rurais tenham acesso a essa nova técnica? Quais serão os municípios beneficiados?

  P. S. –  Já há sim, nós fizemos uma parceria com o banco do Brasil, estamos implantando em 2010 oito campos, Nossa Senhora da Glória, Poço Verde, Nossa Senhora de Lourdes, Canindé, Gararu, Itabi, Graccho Cardoso e Carira. No ano que vem mais oito: Campo do Brito, Lagarto, Monte Alegre, Frei Paulo, Poço Redondo, Porto da Folha e Ribeirópolis.

Em Pauta UFS –  Como o projeto vai chegar a esses municípios?E quantos produtores rurais vão ser beneficiados?

P. S. –  Através dos contatos que a gente faz com as lideranças e os prefeitos, e também com assentamentos do MST. Vão ser beneficiados 10 em cada campo.

Em Pauta UFS –  O que produtores rurais que não tiverem acesso a esse projeto, podem fazer para ter acesso a essa técnica?

P. S. –  Em todos os campos, a gente faz um dia de campo, onde a gente repassa toda tecnologia para todos os produtores da região não só do próprio município envolvido, mas como em todos os municípios circunvizinhos?

Em Pauta UFS –  Quais serão os próximos passos do projeto palma pra Sergipe?

P. S. –  A partir do ano que está por vir, a inclusão desses oito novos campos e contribuir dando assistência a eles para torná-los indepedentes.

foto da plantação de palma en Canindé, fonte: Paulo Suassuna

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