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Projeto Noite Feliz leva emoção e esperança para a vida de moradores de rua e dos adultos com câncer da AAACASE.

Posted in Cidade, Cultura, Politica Pública by micheletavares on 08/12/2010

Por Maíra Araújo

Organizadores do Projeto Noite Feliz (Foto do site http://www.plugmania.com.br)

Basta observar os moradores de rua de Aracaju para se sensibilizar com a situação de cada um. Muitas mães com filhos pra criar, mas sem uma visão ou esperança de alguma melhoria em suas vidas. Foi então que alguns universitários resolveram criar o Projeto Noite Feliz. A ideia surgiu no ano de 2009 e logo os idealizadores começaram a concretizá-la. No dia 23 do mês de dezembro do mesmo ano esses jovens foram as ruas e distribuíram 86 quentinhas em bairros da cidade. Esse ano o projeto escolheu uma ONG, a AAACASE, para receber as suas doações. Quem irá nos falar sobre o assunto é o Analista de Desenvolvimento de Sistemas, Cézar Ayran, organizador e voluntário do projeto. Cézar tem 21 anos e além de ser um cidadão consciente e apaixonado por mídia, também comanda a equipe do Portal PlugMania, um dos sites de maior divulgação desse projeto que vem colocando esperança, mesmo que pequena, nos corações dessas pessoas.

Cézar Ayran (Foto: arquivo pessoal)

 

O Noite Feliz foi criado depois que você e seus amigos notaram a grande quantidade de moradores de rua nos arredores do prédio “Maria Feliciana”. Como foi essa ocasião?

Eu e duas amigas sempre que saíamos da faculdade passávamos por esse prédio a noite, onde fica um aglomerado de pessoas nas mediações. Várias cenas inusitadas e tristes já vimos por ali, foi isso que nos motivou.

Depois que vocês já tinham em mente a ideia do projeto formada, como seus amigos e familiares reagiram?

Tivemos o apoio máximo de todos, eles até colaboraram no dia da entrega das quentinhas (em 2009).

Antes do Noite Feliz, você já havia participado de alguma campanha de cidadania ou alguma iniciativa voluntária?

Não, e acredito que tanto eu quanto meus amigos nunca tínhamos participado de algum projeto social deste tipo.

Como foi a sensação depois de entregar as quentinhas aos moradores de rua; ou seja, de ver o projeto efetivado?

Foi emocionante. Ficamos alegres por conseguir fazer um pouco por eles, mas ao mesmo tempo tristes por não conseguir atender a todos.

E este ano, por que vocês resolveram mudar a forma de ação e escolher uma ONG para apoiar?

Queremos centralizar as doações. Nas ruas existe muita gente e foi complicado. Nós corremos até alguns riscos.

Como foi o processo de visitação das ONGs para a seleção da instituição alvo deste ano e por que a AAACASE foi escolhida?

Visitamos algumas ONGs, discutimos a que mais atendia às possibilidades do Projeto Noite Feliz e a AAACASE foi escolhida pela proposta que ela oferece a sociedade: adultos com câncer não sensibilizam tanto quanto crianças com câncer. Por este motivo nós a escolhemos.

Além de idealizador, você também participa da exposição do projeto na imprensa através da página do Noite Feliz e do seu próprio site, o PlugMania. Como é feita a divulgação do projeto na mídia?

Não sou o único idealizador (risos). Isso é o que a imprensa está dizendo, pois sou o assessor de comunicação do Projeto, então às vezes o texto é distorcido e não tenho muito que fazer quanto a isso. Trabalho com mídia a mais de 5 anos, tenho vários contatos e já trabalhei em redes de TV a um tempo atrás e tenho amigos nesta área, então conto com o apoio de todos.

Há alguma movimentação da mídia em torno do projeto ao longo do ano ou apenas durante as vésperas da campanha?

Não. Infelizmente a imprensa sergipana só nos procura quando o projeto já está finalizando, apenas alguns divulgam antes.

Empresas como o G Barbosa e instituições como a UFS então apoiando o projeto. Como se formam essas parcerias entre o Noite Feliz e as empresas e órgãos?

O  Gbarbosa doou as camisas do Projeto. A UFS e outras instituições cederam o espaço pra que os voluntários pudessem ir nas salas de aula informar sobre o projeto e colher doações.

Houve alguma dificuldade em encontrar parceiros?

Sim, pois nem todos conseguem se sensibilizar com a ideia do projeto e as necessidades dos atendidos pela AAACASE, então nos viramos com o que temos.

Onde estão situados os pontos de coleta e quando será feita a entrega das doações?

As caixas de coleta ficam na recepção das instituições parceiras, FANESE, Faculdade Atlântico e UFS. Depois do dia 05 de dezembro as caixas foram retiradas para contabilização das doações. As doações serão entregues no próximo domingo dia 19.

Como se tornar voluntário do Projeto Noite Feliz?

Antes de mais nada é preciso ter vontade de ajudar e não ficar esperando por outras pessoas. Correr atrás e ter fé que podemos conseguir aquilo que almejamos.

Há um reconhecimento efetivo por parte da sociedade?

Como é um projeto voluntário, algumas pessoas se empolgam, outras nem tanto. Cada um faz sua parte.

Em Aracaju, é notável a presença de moradores de rua em vários pontos da cidade. Você acha que há uma deficiência do poder público em suprir essas necessidades?

Sem dúvida. Eles sobrevivem de doações e o governo precisa de planos para suprir isso, criar maneiras de ajudar essas pessoas, conhecer suas histórias.

Houve uma boa receptividade por parte dos moradores de rua?

No primeiro ponto de coleta foi meio assustador. As pessoas correram para próximo do carro e muitos ali não tem certa educação. É complicado, tem que ter muita paciência e conversar bastante pra que eles se acalmem e esperem sua vez.

Algum desses moradores chegou a lhes receber mal?

Tivemos alguns momentos difíceis no segundo ponto de distribuição, porque a comida estava acabando, mas foi bem resolvido.

Depois que a ação é empreendida, há algum acompanhamento àqueles que receberam os donativos?

Em 2009 foram os moradores de rua, este ano é uma ONG, a AAACASE, quando estiver tudo pronto é que vamos definir como será o Pós Projeto Noite Feliz.

Você e toda a equipe tem alguma intenção em estender o projeto para além da data do Natal?

No momento só podemos fazer isso neste período por conta da limitação de voluntários e parceiros.

Acredita que a solidariedade é capaz de resolver o problema da pobreza?

Pode não resolver, mas ajuda e muito.

Equipe reunida (Foto do site http://www.plugmania.com.br)

 

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