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“Não me arrependo de ter começado a fumar, foi uma das melhores coisas que aconteceu em minha vida.”, B.J.

Posted in Uncategorized by micheletavares on 13/12/2010

O perfil de um usuário de maconha viciado que faz uso da droga desde a sua adolescência.

Por Diogo Barros

Perfil de um usuário de maconha

 

Aos 14 anos quando experimentou o seu primeiro baseado, hoje com 28 anos B. J. conta sobre sua vida como usuário de maconha.

Com dificuldades para se enturmar em grupos sociais através da bebida quando adolescente, buscou na maconha a solução para o seu problema. “ Já tentei beber para estar na mesma vibração que todo mundo mas antes mesmo de eu sentir a onda gostosa do álcool eu já estava enjoado”, conta B.J.

Conseguiu seu primeiro baseado através de um colega do colégio e desde então nunca mais parou de fumar. Então começou a fumar na busca de um ambiente em que ele se sentisse mais a vontade pois segundo ele, na época em que era adolescente, se a pessoa não bebesse, ninguém ligava para sua casa afim de convidá-lo para sair.

Ciente de que é viciado na maconha, não expressa nenhum desejo em abandonar o seu vício nunca enxergando a maconha como uma necessidade básica, sempre a tendo como lazer. Assim como ninguém lê um livro tomando uma cerveja, B.J. separa bem os momentos para usar a erva tendo consciência de que não é possível estudar ou realizar determinadas tarefas sob o efeito dela. A melhor atividade para se fazer sob o efeito dessa droga, para ele, é tocar instrumentos musicais e compor músicas. É quando percebe-se extremamente mais paciente por usar maconha e até faz uma avaliação de que é completamente diferente seu nível de stress quando a esta usando e quando não esta usando. Assim, na opinião do usuário, sente-se mais tolerante e calmo para lidar com os problemas de casa e com as atividades repetitivas e chatas. Avaliando os pontos que a maconha alterou em sua personalidade considerando desde da adolescência até hoje, diz que traz traços de irreverência, fruto da maconha concluindo que ela aliviou um pouco o sujeito mal humorada que normalmente era.

O consumo da maconha não é algo constante para ele. Houve períodos em que precisou passar meses sem usar por não achar aonde comprar. Episódio que aconteceu quando mudou-se para outra cidade na intenção de assumir o novo emprego. B.J. relata que não sentiu a agonia que sentiu quando por exemplo se forçou a abstinência do cigarro, da nicotina. Contudo avalia que o pior momento para o usuário da maconha é quando acaba o produto e ele tem que buscar mais com o traficante. É o momento em que há o risco do contato com o bandido somado a possibilidade de ser surpreendido pela polícia. B.J. apoia a ideia de se plantar a maconha em casa para o próprio consumo.

Cigarro de Maconha

Consciente de que usar maconha traz prejuízos, por exemplo, o desagradável fato de carregar o tempo todo uma culpa por estar fazendo uma atividade ilegal. “ Toda vez que estou fumando um baseado, fico preocupado se os vizinhos não estão sentindo cheiro. Se passa um carro de polícia em minha porta, imagino se não é por minha causa. Nós que somos usuários sentimos um medo real de ter a vida destruída simplesmente por apresentar um lazer diferente dos outros.”, relata B.J.

A favor da legalização mas com ressalvas, traz em si a ideia de que a maconha não deve fazer parte da formação dos adolescentes como fez parte da usa formação. Ele que tem um filho, não gostaria de vê-lo fumando ao menos não antes dos dezoito anos pois acredita ser importante que a pessoa faça uma avaliação se a droga não está lhe fazendo mal e se é isso mesmo o que a pessoa quer. Ele compartilha da ideia de que qualquer substância entorpecente deve ser usada com responsabilidade.

Quando questionado o que faria se seu filho começar a fumar na adolescência, ele responde que optaria por tentar não proibi-lo mas sim ajudá-lo a controlar o hábito. Na teoria de que é mais fácil controlar em vez de proibir, expressa admiração aos países que já conseguem lidar com a maconha de forma legalizada.

Descrente da ideia de que a proibição diminui o número de usuários, esclarece que muitas das pessoas que fumam, nunca vão assumir que fazem isso já que teriam que carregar da sociedade o preconceito que a droga já carrega. “Interessante que se perguntar para muitos garotos de dezesseis anos se ele já bebeu, ele vai estufar o peito e dizer que toma uma “água dura”. Ninguém nunca se orgulhará de dizer que experimentou um cigarro de maconha”, comenta B.J..

Expressando uma opinião de total descrença quando questionado se a maconha seria uma das causas no fracasso de algumas pessoas, o nosso perfilado explica que seus amigos e conhecidos usuários de maconha são todos ativos participantes da sociedade, ressaltando que eles usam a erva na privacidade e segurança de suas casa. Complementa dizendo que direcionar a culpa do fracasso das pessoas a droga é apenas mais um recurso para acusar a maconha como uma vilã. “Tudo é uma desculpa para alguma coisa. Para o indivíduo que não quer se movimentar, que não quer crescer, sempre haverá desculpas para o seu sofrimento. A maconha não vai fazê-lo perdedor ou problemático. Ele já é assim, a maconha só será uma desculpa para ele”, conta B.J.

B.J já sofreu preconceito por parte de sua família, inclusive de sua mãe quando descobriu que ele era um usuário. Assim revela que até hoje carrega um pouco de preconceito de sua família pela droga que usa, embora atualmente essa carga de preconceito tenha diminuído bastante visto que seus familiares a partir do acompanhamento de sua vida, tenham percebido o seu desenvolvimento na constituição de uma família e na obtenção de um bom emprego.

2 Respostas

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  1. Wesley PC> said, on 14/12/2010 at 6:15 am

    Um perfil que, por não ser diretamente nomeado, pode caber a muitas e muitas pessoas…

    Não sei se me assumiria aqui como “careta”, mas tenho um ciúme doentio da maconha. Explico: quando estou com amigos que usam-na, eles não prestam atenção no que falo, “viajam” em delírios auto-verborrágicos que pouco ou nada se diferenciam de usuários com coeficientes intelectuais diferentes. É como se a maconha democratizasse por baixo, como, aliás, muitos dos prazeres tendem a fazer, quando são consumidos da forma como o seu periflado assume: não somente porque se gosta, mas porque ajuda a “enfrentar” o mundo. Não sou a favor da proibição ou da criminalização, mas fico triste quando vejo este tipo espúrio de “refúgio” ser defendido…

    Quanto ao texto, senti uma disritmia aqui e ali, mas transmites um ponto de vista. Isto conta muito para mim!

    WPC>

  2. Diogo said, on 15/12/2010 at 9:44 pm

    Bom, se ela ajuda a “enfrentar” o mundo, que ótimo! Vejo constantemente pessoas se reunirem fins de semana para beberem umas cervejas sendo que através delas conseguem relaxar, esquecer os problemas do dia a dia, se relacionarem melhor e recarregarem suas baterias para uma nova semana de desafios, de trabalho e de problemas que o tempo todo surgem para serem resolvidos. Assim como as pessoas conseguem usar o alcool, que é algo tão prejudicial ao corpo, de uma forma boa, não vejo porque algumas outras pessoas não possam usar a maconha para propósitos que lhes convem, para alcançarem momentos de bem estar. Acredito que tem alguma razão quando expressa descontentamento em conversar com pessoas no momento em que estão usando a droga. Imagino que elas sob o efeito das drogas, me refiro ao alcool e a maconha que foram as únicas que pude ter o contato com usuários, fiquem em outro “clima” que não me parece interessante para aqueles que não estão usando drogas.
    Sinto muito pela disritmia do texto. Espero conseguir melhorar no futuro com a ajuda do curso de jornalismo.
    Ah!, muito obrigado por sua opinião. Achei muito interessante.


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