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Bola de Neve: Uma avalanche de fé

Posted in Religião by micheletavares on 13/12/2010

Desconstruindo convenções, a igreja Bola de Neve Church  mostra aos jovens uma nova forma de louvar a Deus.

Por Nayara Arêdes

Sede da Bola de Neve em Aracaju. (Foto: Flora Fonsêca)

Na porta, um rapaz barbudo, de tatuagem e cabelos desgrenhados dança ao som de hinos de louvor. Falante, uma jovem circula vestida de macacão, enquanto outra dá seu testemunho exibindo unhas pintadas em verde-limão. “Glória a Deus! Tamo junto, véi!”, exclama um garoto, cumprimentando seu amigo com um sorriso franco e um toque de mãos. Esta é a Bola de Neve, que surge na contramão do que se costuma pensar a respeito das igrejas evangélicas.

Nascida em 1999, a Igreja Neopentecostal Bola de Neve – ou Bola de Neve Church, como se tornou conhecida – surgiu através da ideia do pastor Rinaldo Pereira (Apóstolo Rina). Seu objetivo era criar uma igreja diferente, que atraísse os jovens pregando a palavra de Deus por meio de uma linguagem acessível, comum ao seu cotidiano. De fato, a proposta deu certo: a Bola de Neve reúne pessoas de estilo alternativo, universitários, praticantes de esportes radicais, artistas, e até mesmo gente “normal”. As pregações de estilo informal e inusitado, os hinos ao som de reggae e rock, e o púlpito em forma de prancha – sua marca registrada – fizeram a igreja se espalhar por 14 estados brasileiros, além de outros 10 países.

Entre os dias 6 e 12 de dezembro, em São Paulo, os fiéis de todo o Brasil se reúnem na Conferência Profética Anual Bola de Neve 2010. O evento chega com novidades, permitindo a interação não só de quem vai ao local como através do portal Bola de Neve Church (http://www.boladenevechurch.com.br/).

Aqui no estado a Bola de Neve chegou há menos de dois anos, conquistando cada vez mais seguidores. Dentre eles, a paranaense Danielle Vidal, de 27 anos, esposa do pregador Saulo Vidal, acompanhou a trajetória da Bola em Aracaju desde quando não havia ainda uma sede fixa. Receptiva, Danielle nos conta sua história dentro da igreja em Curitiba, como veio morar em Sergipe, o processo de implantação da igreja em Aracaju e por que a Bola de Neve atrai tantos seguidores.

Em Pauta UFS -Como você chegou a Bola de Neve? Conte um pouco de sua trajetória.

Danielle Vidal e seu marido, o pregador Saulo Vidal. (Foto: Nayara Arêdes)

Danielle Vidal – Meus pais são católicos, e por isso eu freqüentava a igreja católica às vezes, mas nunca me envolvi muito. Então eu me tornei evangélica e me converti na mesma igreja lá de Curitiba onde meu marido também se converteu. Ele já tinha ouvido falar na Bola de Neve e tinha se identificado. Eu achava meio estranho no começo também… “Bola de Neve?”. Mas nós passamos a freqüentar, e escutamos o chamado dizendo que ali era o nosso lugar. Então fizemos cursos, estudamos, nos preparamos. Esse ano a gente a gente foi chamado pra ajudar na obra em algum lugar, mas a gente não sabia aonde ainda. Olhamos no site algum lugar que tivesse a Bola, e quando a gente viu que em Aracaju tinha, Deus providenciou e nós já ligamos pra cá: “olha, a gente tá chegando!”.  E agora estamos aqui.

EPUFS – Como ocorreu a implantação da Bola de Neve em Aracaju?

DV – Aqui em Aracaju a Bola chegou há um ano e meio, em março de 2009. A sede de Salvador recebeu vários e-mails daqui de Aracaju solicitando a implantação de uma célula. Designaram então um irmão para vir de lá e atender a esse pedido, que vinha aqui de quinze em quinze dias. Era um grupo pequeno, um casal que recebia o enviado de Salvador e mais o jovem que mandou os emails. Eles se reuniam no Parque da Sementeira, com violões e a Palavra. Daí se fixou a célula, que cresceu e agregou mais gente até se transformar o que é hoje.

EPUFS – Além dos cultos, há outras atividades que vocês realizam?

DV – Tem o “Mergulhando na Palavra” nas terças, quando a gente se reúne e estuda a Bíblia mais a fundo; a Reunião de Interseção onde a gente ora por quem está precisando; e aos sábados, junto com a galera de outras igrejas, é o Louvor, que acontece lá na orla. A gente se reúne a partir das 21h nos laguinhos, perto do Oceanário, senta na grama, toca violão e adora ao Senhor. E os cultos, claro, são todos os domingos às 19h.

EPUFS – Nesta semana está sendo realizada a Conferência Profética da Bola de Neve, que acontece anualmente e reúne as igrejas Bola de todo o país. Qual a dinâmica do evento e o que ele traz de diferente este ano?

DV – A Conferência Profética começou no dia seis de dezembro e está ocorrendo na sede da Bola, em São Paulo. Ela acontece todos os anos, em dezembro, e várias pessoas de todo o Brasil, tanto pastores quanto quem mais quiser ir, vão pra lá louvar e participar das pregações. A primeira novidade é o número de dias: ano passado foram quatro; esse ano, seis. E nós aqui temos acompanhado os cultos pela internet, que estão sendo transmitidos em tempo real e também através da Bola Rádio, no site. Além disso, a divulgação está sendo feita nas redes sociais e por boletins on-line e álbuns de fotos após cada ministração.

EPUFS – Qual o diferencial que a Bola de Neve apresenta em relação a outras igrejas?

DV – Acredito que seja o fato de resgatar todas as tribos. A gente costuma dizer que a Bola recebe o que todo mundo rejeita. Aqui chega de tudo: skatistas, surfistas, prostitutas, pessoas que usam drogas, gente com dread, alargador, moicano, tatuagem… Só que Deus está além disso, Ele olha o nosso coração. Tem muitas pessoas por aí que são novas por fora e velhas por dentro, mas o que importa é ser verdadeiramente jovem no interior. A gente não olha a aparência, não julga. Claro que tem que ter um bom senso, mas a gente tem que pensar mesmo é nas atitudes. A parte social também ajuda muito, esse trabalho que a Bola desenvolve de renovar quem precisa. E quem chega é sempre bem-vindo. O legal é que aqui todo mundo se encontra: eu e o Saulo viemos do Paraná, tem a família que veio do Rio, tem uma menina ali também do Mato Grosso… E a gente forma uma família mesmo.

EPUFS – Antes de se estabilizar na atual sede, as atividades da Bola foram passando por vários locais, incluindo casas, o Parque da Sementeira e o Oceanário. Conte um pouco sobre esta trajetória.

DV – A gente começou com as células, cada hora na casa de alguém diferente. E como chegava mais gente a cada momento, ficou a necessidade de encontrar um espaço fixo mesmo, onde coubesse todo mundo e a gente pudesse se reunir tranquilamente. Então começamos a procurar algum local pra alugar, e achamos o lugar onde estamos agora – Rua Frei Paulo, número 118, Bairro São José –, bem aconchegante e arrumadinho. Tem dia que nem cabe todo mundo aqui dentro, e a gente espera que possa crescer ainda mais.

EPUFS – A Bola de Neve, pelo fato de ter uma implantação recente em Aracaju, ainda não possui um pastor fixo. Como vocês tem lidado com esta dificuldade?

DV – O pastor responsável por Aracaju mora em Itacaré, na Bahia. Ele vem até aqui uma vez por mês, e dá todo o nosso direcionamento.  Quando ele está aqui a gente até aproveita e celebra a Santa Ceia, a igreja fica tão lotada que a comida tem que ser servida do lado de fora. Quando ele não está, o Saulo é quem faz a pregação. Mas a previsão é de que ano que vem o pastor venha morar aqui em Aracaju e assumir de fato a Bola.

EPUFS – Pelo seu caráter diferenciado, a Bola de Neve tem atraído muitos seguidores desde seu nascimento até hoje, ampliando-se até mesmo para lugares como Hawaii, Austrália, Peru, Rússia e Índia. Você acredita que falta algo às outras igrejas para que elas sejam tão efetivas em sua missão de atrair seguidores quanto a Bola de Neve?

DV – Não falta nada às outras igrejas, só que cada uma tem uma proposta diferente. É verdade que quando alguém compara a Bola com uma igreja tradicional acaba estranhando, mas cada um sabe o que lhe atrai e tem seu próprio estilo. É uma questão de se identificar. E eu acredito que é sempre crescimento, cada igreja tem uma coisa diferente a acrescentar. Cada um é um corpo de Cristo, independente de igreja ou de qualquer coisa.

EPUFS – O grupo que freqüenta a Bola de Neve é, em sua maioria, formado por jovens. Como se dá esta relação com os jovens de modo a guiá-los para seguir uma vida reta e, ao mesmo tempo, aproveitar as coisas próprias desta fase?

DV – A gente tenta mostrar que dá pra viver bem e se divertir seguindo a Palavra. Nos dias de louvor, por exemplo, um monte de jovens se reúne e fica até tarde se divertindo e adorando ao Senhor sem precisar beber, se drogar ou beijar quem ver pela frente. E é tão bom que um amigo vai chamando outro, os curiosos vão chegando… Não é necessário deixar de viver nada, mas você tem que saber como viver.

EPUFS – Qual o perfil das pessoas que chegam até a Bola de Neve?

DV – É bem misto. Tem muitos jovens, mas também quem tem cabelos brancos. Muita gente chega por curiosidade, por que o amigo convidou… E acaba gostando e ficando. Ao contrário do que todo mundo pensa, a maioria aqui nem pratica esporte radical. Tem gente que procura por que precisa se recuperar, e tem até casos como o de uma menina que chegou aqui pensando que Bola de Neve era uma banda. É interessante como todo mundo já ouviu falar na Bola de Neve de alguma forma… Chega de tudo, e com toda certeza será bem recebido.

EPUFS – A Bola de Neve, pelo fato de ter uma proposta diferente do convencional, atrai os mais diversos tipos de comentários – desde quem acredita que a Bola mudou sua vida até aqueles que a julgam como uma igreja em que só existem marginais. Em algum momento vocês já sofreram algum tipo de rotulação ou preconceito?

DV – O rótulo é bem forte. As pessoas costumam achar que a Bola só tem surfista e skatista, até por que aqueles que fazem as pregações, como meu marido e o próprio apóstolo Rina, surfam ou estão ligados a algum desses esportes. Mas não é bem assim, quando passam a vir aqui é que percebem. E preconceito sempre tem, mas a gente supera por que sabe o que procura, sabe buscar a Deus.

EPUFS – O modo de ser evangélico, por seu caráter tão peculiar, sempre atraiu imitações e comentários maliciosos a seu respeito, utilizando-se de um humor escrachado. Como vocês lidam com esse tipo de paródia?

DV – Antigamente já foi bem pior, mas hoje em dia há mais respeito, cada um na sua. Uma questão de respeito mútuo, na verdade. Até acontece de haver piadas, mas quem precisa de apoio vem procurar justamente na igreja. Eu mesma não guardo rancor nem mágoas. Pelo contrário, procuro orar pela vida deles e bola pra frente.

EPUFS – Atualmente, muitos jovens tem adentrado o caminho das drogas, da criminalidade e da promiscuidade. Você acredita que a igreja é capaz de mudá-los?

DV – Com certeza. Aqui em Aracaju ainda não tem, mas lá onde a gente morava antes, em Curitiba, existe uma divisão da Bola chamada “Nova Vida” (NV). No NV a gente trabalha com pessoas que querem e precisam se libertar do vício, e damos todo o apoio que eles precisam. Cada um dá seu testemunho, como se fosse uma espécie de Alcoólicos Anônimos (AA) mesmo. E isso ajuda a pessoa a se recuperar, a resgatar valores.

EPUFS – Ouve-se bastante dizer que “ser crente é ser chato”, e de que a vida de quem decide seguir a religião evangélica envolve grandes sacrifícios e provações. Como vocês lidam com isso?

DV – Particularmente, eu nunca tive problemas. A gente não se priva de nada, fazemos tudo só que de acordo com o que Deus indicou. Seguimos o que está na Bíblia, construímos uma casa e uma família sólida. São muitas as pessoas que criticam, mas quando o bicho pega é na igreja que eles vão procurar conforto e apoio. E quando chegam lá sentem uma grande diferença. Problema todo mundo tem, mas Deus está a frente de tudo e providencia.

3 Respostas

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  1. Wesley PC> said, on 14/12/2010 at 1:54 pm

    Confesso que meu nartiz é meio torto para as igrejas neo-pentecostais e que o nome da Igreja fez-me rir a priori, mas a condução de tua entrevista é deveras humanizadora, de maneira que, sendo respeitados de tal forma, o entrevistado revelou-se sensato no plano discursivo. Parabéns pelo belo trabalho, Nayara! Ensinaste-me agora!

    WPC>

  2. Edna Nascimento said, on 29/12/2010 at 11:58 pm

    Adorei a entrevista…parabéns…..graças a DEUS o Bola aqui em Aju está crescendo…fico muito feliz e vai crescer ainda mais…..

  3. Anderson said, on 30/12/2010 at 8:40 pm

    METERIA MASSA,eu sou esse rapaz que mandava os emails ,e fiz isso para que pudéssemos ter uma igreja que tivesse uma relação diferente com os jovens e deu certo,hoje vejo vida da galera que tem se transformado se entregando ao senhor DEUS sem ninguém tá no pé falando que tudo é errado.O ERRADO É PECAR


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