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Posted in Perfil by micheletavares on 14/12/2010

Desde os 12 anos, Victor Pinto demonstra vocação e é referência em jornalismo popular

Por Nayara Arêdes

Victor Pinto é promessa do Jornalismo na Bahia. (Foto: Arquivo Pessoal)

“O futuro e Deus nos reservam um sucesso brilhante”. Na folha amassada de caderno e em uma marcante caligrafia, Victor Pinto profetiza um futuro que, pouco a pouco, tem se tornado realidade. Aos 18 anos, acumula a experiência que poucos profissionais formados detêm: é fundador e editor chefe de seu próprio jornal em Conceição do Coité, cidade situada no nordeste da Bahia com uma população de aproximadamente 60 mil habitantes. Desde os 12 anos trilhando com desenvoltura os caminhos jornalísticos, Victor é hoje estudante de jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), confirmando uma vocação surgida da prática e demonstrando que uma trajetória vitoriosa pode ser construída apenas com talento e força de vontade.

A história de Victor de Santana Pinto confunde-se com a de seu jornal – algo que ele faz questão de ressaltar. Victor cursava a quinta série, em 2004, quando teve a ideia de escrever e diagramar um jornalzinho para distribuir aos colegas da turma. Com a boa recepção, o folheto feito em xérox começa a circular no colégio, e, caindo no gosto popular, alcança toda a cidade. Victor Pinto começa a cobrir mensalmente as notícias de Conceição do Coité, fazendo nascer o Diário de Notícias. Um ano depois, o jornal passa então a chamar-se Correio do Mês – nome com o qual circula até hoje.

Pouco tempo depois de mudar de nome, o jornal melhora sua qualidade de impressão, passando ao formato off-set. Mais tarde, amplia também sua tiragem, além de incrementar o conteúdo. De início, tudo era pago com recursos próprios. Aos poucos, porém, surgiram alguns patrocinadores que acreditaram na iniciativa e ainda hoje continuam sendo parceiros. Os recursos obtidos com a vendagem, no entanto, nunca foram suficientes para suprir os gastos com o jornal.

Victor participa de toda a dinâmica de produção, sendo ao mesmo tempo pauteiro, repórter e editor. Com o passar do tempo foram surgindo alguns colaboradores, que deram maior dinamismo ao Correio do Mês e o ajudaram a se tornar um dos veículos mais reconhecidos da cidade de Conceição do Coité. Além da coluna “Ponto de Opinião” – editorial escrito por Victor –, a sessão “Personalidade de Fibra” e as tiras do cartunista Matheus Santiago são a marca registrada do periódico.

Com seu estilo já consolidado, Victor escreve por que e sobre o que gosta, deixando nítida a paixão com que desempenha o ofício que escolheu para si. Com uma linguagem clara e fazendo uso de analogias simples, imprime sua personalidade e faz-se referência em jornalismo popular de qualidade. Há muito que Victor se considera um jornalista, e é fazendo uso deste título que sustenta um discurso inflamado e idealista. Seu texto reflete o que ele realmente acredita, e sua postura engajada e multifacetada.

E a trajetória de Victor Pinto e do Correio do Mês não pára por aí. A tiragem de 500 exemplares mensais e o apoio de uma equipe de repórteres e colunistas não pareciam o bastante para o menino cujo sonho é sempre maior que as limitações. Era chegado o momento de o jornal dar mais um passo rumo ao sucesso, e criou-se o site Correio do Mês On-Line (www.correiodomes.com). No início, a página funcionava como a forma virtual do jornal, até passar a divulgar conteúdo próprio. Pouco depois inicia-se a Web Rádio, com informação e música 24h por dia. Inaugura-se, assim, o Sistema Coiteense de Comunicação.

De jornalzinho do colégio ao Sistema Coiteense de Comunicação. (Logomarca: http://www.correiodomes.com)

Em seu precoce percurso no jornalismo, Victor já esteve cara a cara com personalidades como Jacques Wagner e Waldir Pires – atual e ex-governador da Bahia, respectivamente –, e o cantor Fagner. Além disso, fez uma colaboração ao jornal da TV Cultura regional e chegou a dar algumas palestras sobre a profissão. E para falar de Victor, o jornalismo faz-se metalinguagem: ele já foi matéria do jornal A Tarde e concedeu entrevistas à TV Subaé e à Rádio Educadora FM.

Como sempre, Victor Pinto não se contenta. Durante o ano de 2009, além de sua atuação no jornalismo, ele se dividiu entre a função na Ordem DeMolay – uma espécie de Maçonaria para jovens – e a participação ativa na Igreja Católica, fazendo parte do Grupo de Perseverança de sua cidade. Além disso, Victor arranjava tempo para integrar o “Cactus Grupo Teatral”, responsável por lotar espaços com suas adaptações de roteiros imortalizados como “O Santo e a Porca”, de Ariano Suassuna. Isso sem contar a corrida rotina de estudos para o vestibular, durante seu terceiro ano do ensino médio.

Victor entrevista o cantor Fagner. (Foto: Arquivo Pessoal)

Tanta capacidade e esforço não poderiam ficar imunes. Tendo freqüentado uma escola pública, no início deste ano Victor foi aprovado em três universidades: a Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), a Estadual da Bahia (UNEB) e a UFBA, que está cursando atualmente. Por este motivo, Victor mudou-se para a capital baiana no segundo semestre deste ano. E vem sendo destaque dentro da Facom – Faculdade de Comunicação. Recentemente, sua reportagem foi capa da “Facom News”, revista de uma disciplina laboratorial.

A história de Victor Pinto dentro do jornalismo ainda tem muito por ser escrita. Os olhos ávidos, o sorriso contagiante e a sede de ir além tem aberto portas ao garoto de Coité, e a tendência é que muitas outras possam ser abertas. As palavras escritas e profetizadas no papel amassado estão tomando forma e deixando marcas no futuro. Marcas feitas pelas mãos do menino que pensa grande por que é, de fato, grandioso.

2 Respostas

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  1. Victor Pinto said, on 14/12/2010 at 6:56 pm

    Fiquei extremamente surpreso e agraciado por este perfil feito por Nayara, pessoa que eu tenho forte admiração.

    Alguns elogios são inflamados, não chegam a tanto (risos). Mas, muito obrigado pelo reconhecimento.

  2. Victor Limeira said, on 18/12/2010 at 3:37 pm

    Adorei o perfil, Victor é mesmo um cara a ser perfilado, tal como Nayara.
    Sem sombra de dúvidas, estou diante de dois futuros expoentes do jornalismo baiano.


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