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ASTRA, luta constante pela igualdade de direitos.

Posted in Comunidade e extensão, Entrevista by micheletavares on 17/12/2010
 
por ELA LEÃO

De 16 a 19 de novembro de 2010, aconteceu, em Aracaju – Se, o XVII ENCONTRO NACIONAL DE TRAVESTIS E TRANSEXUAIS. O tema do encontro foi: “A conquista da cidadania pelo fim da transfobia”.  Ainda que a constituição brasileira em seu artigo 5º garanta que “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”, a realidade é bem diferente: gays não podem casar; não são reconhecidos como entidade familiar, mas sim como sócios; não podem incluir parceiros em planos de saúde; não participam de programas do Estado vinculados à família. No total, os homossexuais têm negados 78 direitos conclui a ONG Leões do Norte, do Recife, com base num levantamento feito pela entidade.Ao mesmo tempo em que a comunidade GLBT luta pelo reconhecimento de seus direitos em Aracaju, no Rio de Janeiro um estudante de 19 anos foi baleado por um 3º sargento da policia militar.

A ASTRA é uma organização não-governamental sem fins, na cidade de Aracaju (SE). É uma entidade de utilidade pública, reconhecida pela Lei Estadual nº. 5.198 de 9 de julho de 2006. Em Sergipe, já há alguns anos, a Astra – Direitos Humanos e Cidadania GLBT vem atuando na prevenção de DST-AIDS e na busca pela conquista e garantia de plenos direitos humanos para a comunidade GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros).

Na tarde de ontem o 1º diretor da Ong, Cláudio Vasconcellos, nos recebeu em sua residência para falar sobre a atuação da ASTRA em Sergipe.

EM PAUTA.:   O que é a ASTRA?

Cláudio Vasconcellos: A ASTRA é uma Organização- não – governamental de direitos humanos e cidadania LGBT

EP.:   Há quanto tempo ela foi criada?

CV.:  A Astra tem 10 anos de existência

EP.:   Como surgiu a ASTRA?

CV.:  A Astra surgi após a dissolução de alguns núcleos pertencentes ao DIALOGAY, primeiro grupo de luta e combate aos direitos gays de Sergipe.

EP.:   Qual a sua ligação com a ASTRA?

CV.:  Sou tesoureiro e membro diretor da instituição.

EP.:   O que te levou a trabalhar com a ASTRA?  Você poderia falar um pouco sobre a sua trajetória dentro do movimento pelos direitos dos homossexuais?

CV.:  Entrei na ONG como revisor de textos e passei por toda essa trajetória de 6 anos em atividades de redução de danos, agente de saúde e acessor pedagógico.

EP.:   Qual o trabalho que a ASTRA faz? 

CV.:  A Astra atua diretamente em toda parte que abrande os direitos humanos e a cidadania  dos LGBT, bem como na parte de prevenção, advocacy e questões relacionadas a saúde pública desses grupos vulneráveis.

EP.:   O trabalho desenvolvido dentro da ASTRA é um trabalho promovido apenas por voluntários ou há uma remuneração para seus integrantes? Que tipo de profissionais trabalham com vocês?

CV.:  Há trabalho voluntário e há trabalho remunerado através de licitações para concursos públicos para obter financiamento através de verbas destinadas a projetos que envolvam cidadania, advocacy, prevenção e redução de danos.

Os profissionais são advogados, médicos, pedagogos, professores e psicólogos.

EP.:   Existe uma diferença entre o trabalho feito com os gays em geral e com os travestis? 

CV.:  Não, só o foco em questão. Mas o trabalho é o mesmo. Inclusive ambos abrangem a sigla utilizada pelo movimento.

EP.:   Como funciona a organização da Parada LGBT? Quem financia? Vocês recebem algum tipo de apoio do governo? 

CV.:  O Governo apóia as paradas LGBTs por entender que naquele momento há uma conscientização por parte da população e que aquele momento é um momento de fazer prevenção não só as doenças infecto-contagiosas, mas também às vulnerabilidades que esses grupos são submetidos perante a sociedade civil em geral. Esses projetos passam por uma seleção para que possam ser aprovados e enviados as verbas para as ONGs onde depois são completamente checadas e passam por prestação de contas rigorosíssima que deixa inadimplente a ONG que fizer o mau uso do dinheiro ou não comprovar o uso através de notas fiscais e licitações de três estabelecimentos, como rege o manual de licitações do governo federal.

EP.:   Sobre as vítimas de preconceito, vocês oferecem algum tipo de orientação, apoio?

CV.:  Psicológico e às vezes jurídico.

EP.:    Você poderia esclarecer o significado (e diferenças) da sigla LGBT?

CV.:  L lésbicas

         G gays 

         B bissexuais

         T transexuais e travestis.

 EP.:  .  Por que a parada mudou tanto de nome nos últimos anos?

CV.:  A Parada nunca mudou de nome. O que muda é o tema.

EP.:    Com relação ao controle da DST-AIDS, como anda a campanha em Sergipe?

CV.:  Esses dados são controlados pelas Coordenações municipal e estadual de DST-AIDS. As ONGS trabalham para diminuir o número de casos e são reconhecidas porque o governo admite que as ongs são peças fundamentais, porque abrangem e chegam aonde o serviço do governo não chega.

EP.:   O SUS tem alguma política de assistência direta aos grupos homossexuais?

CV.:  Não. O SUS é um sistema único, e não poderia abrir serviços paralelos, senão abriria para negros, mulheres profissionais do sexo, surfistas etc….

EP.:   Como vocês estão trabalhando o tema PLC 122-2006, que torna crime a prática da homofobia?

CV.:  Como qualquer outro que tramita no senado…. parado. 

EP.:   O travesti, geralmente, tem sua imagem profissional ligada à prostituição. Quanto disso corresponde à realidade?

CV.:  Segundo a uma pesquisa de 2009 idealizada pela ASTR, 70% dos travestis de Sergipe ainda trabalham como profissional do Sexo.

EP.:    Existe em Sergipe, em particular, ou no Brasil, algum trabalho voltado para a profissionalização do travesti?

Sim. 

EP.:   Durante as eleições presidenciais desse ano, o tema do casamento entre homossexuais foi colocado em pauta e a então candidata e hoje eleita presidente, Dilma Roussef, teve uma postura silenciosa. Como você avalia isso?

CV.:  Não sei se o que a comunidade LGBT quer realmente o casamento. Mas sim o direito de ter os mais de 15 direitos que são ceifados de nós por seguirmos com uma orientação sexual que difere, ou não, dos que estão a frente, representando o povo brasileiro. 

EP.:   Quais os trabalhos que a Astra ira encabeçar no ano de 2011?

CV.:  Trabalho de Prevenção a disseminação do Vírus da AIDS

Trabalho de Prevenção de Danos ( álcool e drogas ) aos LGBT

ERONG – Encontro Regional de ONGs AIDS

Parada do Orgulho 2011

 EP.:   Existem dados estatísticos sobre a população homoafetiva em Sergipe? Quais são?

CV.:  Não existe.

EP.:   Como funciona o financiamento da ASTRA?

CV.:  Projetos nacionais e estaduais que são concorridos quando abrem edital.

EP.:    Gostaria que falasse um pouco sobre a estrutura física e organizacional da ASTRA.

CV.:  A sede é na casa da diretora tomando a parte da frente da casa, compreendendo entre uma sala principal, sala de reuniões, uma biblioteca e um banheiro.

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