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GABRIEL, um bebê vencedor, um adolescente rebelde

Posted in Perfil by micheletavares on 18/12/2010

Na madrugada de uma quarta-feira de Cinzas nascia Gabriel Contino, prematuro, desenganado pelos médicos.  A idéia do nome surgiu depois que a mãe leu o livro Cem Anos de Solidão, do colombiano Gabriel García Marquez, no período em que esteve internada no hospital com risco de perder o bebê. Ela se encantou com o autor e resolveu dar ao filho o mesmo nome. E assim foi feito. Como já era previsto, o pequeno Gabriel veio ao mundo com uma série de problemas de saúde e foi direto para UTI neo-natal. Só um milagre para fazer com que aquela pequena criança sobrevivesse, sua expectativa de vida era quase nula. Passou duas semanas na incubadora respirando com a ajuda de aparelhos. Tremia muito e mexia involuntariamente os braços. Para os médicos deveria ser um tumor no cérebro, um edema. Uma equipe especializada em prematuros com problemas neurológicos foi chamada e o que diziam era que se ele não morresse iria ter problemas por toda a vida.  

Mas o garotinho resistiu! Recebeu alta. Foi para casa, onde continuou o tratamento. Era o próprio pai, um médico residente quem lhe aplicava as injeções de sulfato de magnésio para diminuir os tiques nervosos. Gabriel tinha apenas 2kg. Aos três meses foi operado de hérnia.Os pais do pequeno não agüentaram a barra e se  separaram quando Gabriel completou seis meses de vida. Aos poucos o frágil bebezinho foi melhorando, ganhando peso.Gabriel  deu a volta por cima, começou a engatinhar, a falar as primeiras palavras. Cada desenvolvimento do pequeno era uma conquista para a família. Gabriel andou e cresceu saudável.

Muitas ‘histórias’ marcaram a vida deste pequeno. Gabriel mudou de escola várias vezes, como também de casa e de padrastos. O tempo com a mãe era curto, ela trabalhava demais. Nos dias de folga do pai eles não se desgrudavam. As brigas com o irmão materno eram freqüentes. Os ciúmes dos irmãos paternos, uma constante. A adolescência abriu então as portas para a rebeldia, uma forma de sarar ou esquecer esses conflitos. Nessa época era Pixote, conhecido assim pelos amigos. Numa escola “liberal”, aprendeu coisas erradas e a fazer música. Escreveu  rock, com letra e melodia, uma  delas relatava o episódio em que foi pego por um segurança furtando uma caixa de giz de cera durante o recreio (na escola liberal os alunos podiam sair para fazer o que bem entendessem).

Na adolescência começou a se mostrar… Aos doze pichava e tinha outro apelido, agora o chamavam de “Pequeno”. Começou a surfar, andar de skate no half-pipe do morro e de bicicleta.

A música estava sempre presente em sua vida. MPB, samba, pagode, rap, funk, hip hop.  Ouvia de tudo. Adorava o rock nacional dos anos 80. De presente gostava de ganhar revistinhas em quadrinhos e discos. Adorava escrever. No colégio desenhava e fazia suas próprias versões para letras de músicas que ouvia. E assim foi, e o garoto cresceu. Hoje dedica a vida a fazer aquilo de que mais gosta: música. Mais uma vez mudou de nome, e até hoje, é o que permanece.  Desde  1992,  com a censura da música Tô Feliz (matei o presidente) Já são sete cds gravados, um DVD, mais de 2 milhões de cópias vendidas e dois livros publicados. “Loura-burra” e “234-5678” foram suas músicas de maior sucesso. Hoje, na rua, no trabalho, no Brasil e no mundo ele é conhecido por todos como Gabriel, o pensador.

“Pessoa pensante e artista falante” Gabriel pensa e diz, ao contrário dos que pensam e produzem ruído. Já era uma raridade musical, agora é uma raridade literária”. Luiz Fernando Veríssimo

Uma resposta

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  1. Luiza Cazumbá said, on 21/12/2010 at 3:55 pm

    Muito bom este perfil,só não tem que o escreveu, Parabéns!


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