Técnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística

Projeto Noite Feliz leva emoção e esperança para a vida de moradores de rua e dos adultos com câncer da AAACASE.

Posted in Cidade, Cultura, Politica Pública by micheletavares on 08/12/2010

Por Maíra Araújo

Organizadores do Projeto Noite Feliz (Foto do site http://www.plugmania.com.br)

Basta observar os moradores de rua de Aracaju para se sensibilizar com a situação de cada um. Muitas mães com filhos pra criar, mas sem uma visão ou esperança de alguma melhoria em suas vidas. Foi então que alguns universitários resolveram criar o Projeto Noite Feliz. A ideia surgiu no ano de 2009 e logo os idealizadores começaram a concretizá-la. No dia 23 do mês de dezembro do mesmo ano esses jovens foram as ruas e distribuíram 86 quentinhas em bairros da cidade. Esse ano o projeto escolheu uma ONG, a AAACASE, para receber as suas doações. Quem irá nos falar sobre o assunto é o Analista de Desenvolvimento de Sistemas, Cézar Ayran, organizador e voluntário do projeto. Cézar tem 21 anos e além de ser um cidadão consciente e apaixonado por mídia, também comanda a equipe do Portal PlugMania, um dos sites de maior divulgação desse projeto que vem colocando esperança, mesmo que pequena, nos corações dessas pessoas.

Cézar Ayran (Foto: arquivo pessoal)

 

O Noite Feliz foi criado depois que você e seus amigos notaram a grande quantidade de moradores de rua nos arredores do prédio “Maria Feliciana”. Como foi essa ocasião?

Eu e duas amigas sempre que saíamos da faculdade passávamos por esse prédio a noite, onde fica um aglomerado de pessoas nas mediações. Várias cenas inusitadas e tristes já vimos por ali, foi isso que nos motivou.

Depois que vocês já tinham em mente a ideia do projeto formada, como seus amigos e familiares reagiram?

Tivemos o apoio máximo de todos, eles até colaboraram no dia da entrega das quentinhas (em 2009).

Antes do Noite Feliz, você já havia participado de alguma campanha de cidadania ou alguma iniciativa voluntária?

Não, e acredito que tanto eu quanto meus amigos nunca tínhamos participado de algum projeto social deste tipo.

Como foi a sensação depois de entregar as quentinhas aos moradores de rua; ou seja, de ver o projeto efetivado?

Foi emocionante. Ficamos alegres por conseguir fazer um pouco por eles, mas ao mesmo tempo tristes por não conseguir atender a todos.

E este ano, por que vocês resolveram mudar a forma de ação e escolher uma ONG para apoiar?

Queremos centralizar as doações. Nas ruas existe muita gente e foi complicado. Nós corremos até alguns riscos.

Como foi o processo de visitação das ONGs para a seleção da instituição alvo deste ano e por que a AAACASE foi escolhida?

Visitamos algumas ONGs, discutimos a que mais atendia às possibilidades do Projeto Noite Feliz e a AAACASE foi escolhida pela proposta que ela oferece a sociedade: adultos com câncer não sensibilizam tanto quanto crianças com câncer. Por este motivo nós a escolhemos.

Além de idealizador, você também participa da exposição do projeto na imprensa através da página do Noite Feliz e do seu próprio site, o PlugMania. Como é feita a divulgação do projeto na mídia?

Não sou o único idealizador (risos). Isso é o que a imprensa está dizendo, pois sou o assessor de comunicação do Projeto, então às vezes o texto é distorcido e não tenho muito que fazer quanto a isso. Trabalho com mídia a mais de 5 anos, tenho vários contatos e já trabalhei em redes de TV a um tempo atrás e tenho amigos nesta área, então conto com o apoio de todos.

Há alguma movimentação da mídia em torno do projeto ao longo do ano ou apenas durante as vésperas da campanha?

Não. Infelizmente a imprensa sergipana só nos procura quando o projeto já está finalizando, apenas alguns divulgam antes.

Empresas como o G Barbosa e instituições como a UFS então apoiando o projeto. Como se formam essas parcerias entre o Noite Feliz e as empresas e órgãos?

O  Gbarbosa doou as camisas do Projeto. A UFS e outras instituições cederam o espaço pra que os voluntários pudessem ir nas salas de aula informar sobre o projeto e colher doações.

Houve alguma dificuldade em encontrar parceiros?

Sim, pois nem todos conseguem se sensibilizar com a ideia do projeto e as necessidades dos atendidos pela AAACASE, então nos viramos com o que temos.

Onde estão situados os pontos de coleta e quando será feita a entrega das doações?

As caixas de coleta ficam na recepção das instituições parceiras, FANESE, Faculdade Atlântico e UFS. Depois do dia 05 de dezembro as caixas foram retiradas para contabilização das doações. As doações serão entregues no próximo domingo dia 19.

Como se tornar voluntário do Projeto Noite Feliz?

Antes de mais nada é preciso ter vontade de ajudar e não ficar esperando por outras pessoas. Correr atrás e ter fé que podemos conseguir aquilo que almejamos.

Há um reconhecimento efetivo por parte da sociedade?

Como é um projeto voluntário, algumas pessoas se empolgam, outras nem tanto. Cada um faz sua parte.

Em Aracaju, é notável a presença de moradores de rua em vários pontos da cidade. Você acha que há uma deficiência do poder público em suprir essas necessidades?

Sem dúvida. Eles sobrevivem de doações e o governo precisa de planos para suprir isso, criar maneiras de ajudar essas pessoas, conhecer suas histórias.

Houve uma boa receptividade por parte dos moradores de rua?

No primeiro ponto de coleta foi meio assustador. As pessoas correram para próximo do carro e muitos ali não tem certa educação. É complicado, tem que ter muita paciência e conversar bastante pra que eles se acalmem e esperem sua vez.

Algum desses moradores chegou a lhes receber mal?

Tivemos alguns momentos difíceis no segundo ponto de distribuição, porque a comida estava acabando, mas foi bem resolvido.

Depois que a ação é empreendida, há algum acompanhamento àqueles que receberam os donativos?

Em 2009 foram os moradores de rua, este ano é uma ONG, a AAACASE, quando estiver tudo pronto é que vamos definir como será o Pós Projeto Noite Feliz.

Você e toda a equipe tem alguma intenção em estender o projeto para além da data do Natal?

No momento só podemos fazer isso neste período por conta da limitação de voluntários e parceiros.

Acredita que a solidariedade é capaz de resolver o problema da pobreza?

Pode não resolver, mas ajuda e muito.

Equipe reunida (Foto do site http://www.plugmania.com.br)

 

O homem quase invisível

Posted in Cidade by micheletavares on 07/12/2010

Morador de rua fala sobre o medo, a fome e a violência nas ruas

Por: Liliane Nascimento

 

Com um olhar parado do vazio e uma voz que parecia estranha aos seus próprios ouvidos, o senhor Agemiro falava da própria idade, que desconhecia, e do rosto de seus familiares, que já não lhe diziam nada. Junto das sobras que são os seus pertences, das roupas aos trapos e dos pés tornados grosseiros pela caminhada, seu Agemiro desfila o seu maior alívio, assim como Brás Cubas, ele “Não teve filhos, não transmitiu a nenhuma criatura o legado da nossa miséria”.

Morador de rua no Centro de Aracaju (Foto: Liliane Nascimento)

Este homem, certamente, não leu ou analisou a obra de Machado de Assis, todavia, compreendeu esse fragmento com a pureza dos que vivem a literatura.

O drama dos moradores normalmente é conduzido por especialistas que além de falarem da desigualdade social apontam soluções estratégicas para minimizar o problema. Poucas vezes, entretanto, para compor o quadro das necessidades, medos e expectativas dessas pessoas, elas próprias são ouvidas.

Que situação trouxe o senhor para morar na rua?

Eu sou de Ribeira do Pombal, na Bahia. Vim pra Aracaju procurar emprego. Não consegui, nem consegui voltar.

Como foi dormir a primeira noite na rua?

Na primeira noite ninguém dorme. A pessoa fica com medo de tudo. Eu mesmo, na primeira vez que dormi na rua ficava olhando para todo lado bastava um vento que eu achava que era alguém querendo me pegar. Passei assim muito tempo, sempre assustado. Só dormia quando o cansaço derrubava.

O Senhor ainda tem medo?

Medo sempre tem, não como antes que não conseguia dormir. Hoje eu durmo, mas medo tem porque não é como estar na casa da pessoa com a porta trancada. Mas agora o que tiver que acontecer acontece.

Como o senhor consegue comida?

Eu peço às pessoas. Comida é mais fácil receber do que dinheiro porque as pessoas sempre pensam que o dinheiro é pra comprar bebida e droga. Aí por causa de uns, outros ficam sem comer. Mas não é muito fácil receber comida também, tem que pedir nas casas, pedir para as pessoas que vão passando na rua e as vezes não consigo nada.

Como são esses dias em que o senhor não consegue nada para comer?

É muito ruim, mas não tem nada pra fazer, é comer o resto do outro dia, procurar alguma coisa no lixo, porque as pessoas jogam muita coisa boa, ou dormir com fome e esperar o outro dia.

É comum passar fome?

Mais ou menos. Porque eu guardo, então sempre tem alguma coisinha que não dá pra encher a barriga, mas alivia a fome.

O senhor já sofreu algum tipo de violência na rua?

Onde eu ficava antes, que era lá pelo Centro, já me bateram, queimaram com cigarro, já me roubaram também, mesmo eu não tendo nada e até já levaram o papelão, que fica por cima de mim quando eu durmo. Aí eu acho que é só ruindade mesmo, porque pra quê alguém quer um papelão velho?

Quem foram essas pessoas que bateram no senhor ou que tiraram suas coisas?

Quando acontecia eu não olhava não, porque eu tinha medo de ser pior, mas uma vez eu olhei quando a pessoa tava indo embora, era um rapaz novo, mas acho que tava drogado ou então era doido.

O senhor já viu alguém usando droga ou se prostituindo na rua a noite?

Isso aí qualquer um vê, não precisa dormir na rua não. É só anoitecer que enche de prostituta e de gente se drogando.

E as pessoas que se drogam são só homens?

Não. A maioria são homens, mas tem mulheres e crianças.

Como é a relação com outros moradores de rua?

É como com qualquer pessoa, a gente não é diferente porque mora na rua. Tem amigo e tem inimigo.

Mas é mais seguro estar perto de outros moradores? Ou é melhor andar sozinho como o senhor?

Morador de rua dormindo em ponto de ônibus (Foto: Liliane Nascimento)

Quando tem muita gente ninguém mexe, a pessoa chega e dorme onde quer. O pessoal não mexe com ninguém e ninguém mexe com o pessoal, mas quando tem muita gente junta assim na rua é pra beber e só se junta quem quer beber também. Como eu não bebo aí prefiro ficar sozinho.

Alguém relacionado ao governo, vereadores, gente do prefeito ou do governador já ofereceu ajuda ao senhor?

Não, quem ajuda as vezes é gente da igreja, traz sopa e pão, as vezes trazem até algumas roupas.

O senhor já foi proibido de entrar em algum lugar por ser morador de rua?

Já. Se um morador de rua chega na frente de uma loja ou de um supermercado, na verdade, qualquer lugar que a gente chega as pessoas já ficam com medo, pensando que a gente vai roubar.

O que o senhor acha que as pessoas pensam do senhor?

Acho que as pessoas têm medo e têm nojo também. As pessoas não queriam que tivesse gente dormindo na rua porque suja e elas acham que atrapalha. Mas ninguém pensa que quem está na rua não está porque quer.

O senhor pensa no futuro? O que o senhor gostaria de poder fazer?

Antes eu queria dinheiro pra voltar pra casa, era meu sonho. Mas agora já passou muito tempo e eu já estou velho. Agora eu só quero viver quieto até morrer.

Turismo em Sergipe

Posted in Cidade, Politica Pública, Turismo, Uncategorized by micheletavares on 10/11/2010

Com investimentos centralizados, o turismo no estado é uma fábrica sem chaminés

Por Andréa Cerqueira e Nara Melo

Idealizada para ser capital de Sergipe, após transferência de São Cristovão, Aracaju foi fundada em 17 de marco de 1855, pelo presidente em exercício na época Inácio Joaquim Barbosa. Projetada em formato de um tabuleiro de xadrez, a cidade tem vasto roteiro turístico. O menor estado do Brasil tem consagração do setor turístico na capital e um potencial no interior elevado. Entretanto, as políticas públicas de incentivo se restringem a pólos específicos, considerados com maior potencial turístico. Buscando uma maior integração entre os 75 municípios do estado, convênios são firmados e as mudanças aparentam começar em breve.

Sede do Sebrae Aracaju Foto: Andréa Cerqueira

“O turismo no Estado está crescendo com abertura de novas empresas”, defende a gestora de turismo do Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), Bianca Esperidião de Faria. Ela acredita que a concentração de turistas ocorra principalmente nos períodos de janeiro a fevereiro e de junho a julho. Entretanto isso acontece porque a divulgação é focada em eventos específicos e já conhecidos, como a prévia carnavalesca de Aracaju (Pré-caju) e os festejos juninos, como o Forró-Caju.

Festa do pré-caju na capital no período que varia de janeiro a fevereiro Fonte: br.olhares.com

Forró Caju Fonte: overmundo.com.br

Contudo, para efetivar a publicidade do turismo loca, parcerias são firmadas entre prefeituras locais, instituições de aperfeiçoamento profissional (como o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI)) e instituições do ramo turístico (como agências, hotéis, bares e restaurante). Todos os parceiros entram com o capital e o SEBRAE entra com a capacitação das pessoas que trabalham na área do turismo e na divulgação dos eventos tanto no estado quanto em outras capitais.

Divulgação                                                                                                               

A participação do poder público no quesito turismo é contínua. A divulgação em feiras e eventos nacionais e internacionais, a exemplo da Feira de Turismo de Gramado, do Salão de Turismo, da Feira da ABAV coloca Sergipe entre os principais destinos turísticos do país. Mas existe a problemática em relação à população interiorana, de que não enxerga a cidade em que mora como uma potência tanto no turismo quanto na economia. “No interior há uma falta de políticas públicas na área de infra estrutura“, diz Bianca Esperidião.

Mapa Turístico da capital Fonte: Portaldearacaju.com

Em Aracaju, a principal crítica que se tem é a falta de visitação no Parque da Cidade motivada pela falta de sinalização em todo o estado, fato que parece está sendo resolvido com instalação de sinalizações desde o início do mês de outubro. Na capital, a gestora de turismo do Sebrae aponta a Orla de Atalaia, a Colina do Santo Antônio, a 13 de julho, o Centro histórico, os Mercados Albano Franco e Tales Ferraz como principais pontos de visitação.

A Emsetur juntamente com o SEBRAE apresenta o estado nas exposições. De acordo com o presidente da Emsetur, José Roberto Lima, os locais turísticos do interior são apresentados seguindo a divisão: Cidades Históricas (São Cristóvão e Laranjeiras), Litoral Norte (Pirambu e Foz do Rio São Francisco), Litoral Sul (Caueira, Abaís e Praia do Saco) e Rota do Sertão (Serra de Itabaiana e Parque dos Falcões, Roteiro do Cangaço e o Canyon). A gestora de turismo do SEBRAE, Bianca Esperidião, completa dizendo que a grande Aracaju e o portão de entrada para as demais cidades.

“O turismo de aventura e de eventos está em alta em Sergipe com a

Presidente da Emsetur, José Roberto Lima Fonte:http://www.turismosergipe.net/

divulgação de melhorias no Parque dos Falcões, além da continuidade do Encontro Cultural de Laranjeiras e a interiorização do Verão Sergipe”, afirma o presidente da Emsetur. Contrapondo a afirmação, em palestra sobre o turismo em Sergipe, o sócio fundador e coordenador do Parque dos Falcões, Ricardo Alexandre Correia, fala que o ecoturista ou “ecocurioso” está em ascensão por que o meio ambiente está sendo degradado, o turismo massivo destrói o meio ambiente por ser uma “invasão” no habitat daqueles animais.

Investimentos

A Sedetec atualmente trabalha com um programa nacional de incentivo ao turismo chamado Programa Nacional de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur). De acordo com o coordenador operacional do Produtor, Luiz Carlos de Santana, os recursos são liberados pelo Ministério do Turismo, com a contrapartida do Estado. “Hoje temos duas frentes de trabalho: uma são os convênios firmados com o Ministério do Turismo, que somam 40 milhões de reais. A outra, e mais importante, é o financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que totaliza um montante de 100 milhões de dólares”, informou.

Entretanto, o investimento do Prodetur só pode ser destinado aos municípios que fazem parte das duas áreas consideradas pólo turístico no Estado. São elas: Pólo do Velho Chico, que abrange 17 municípios que margeiam o rio São Francisco, e o Pólo Costa dos Coqueirais, que inclui três municípios ao longo da Costa, além das cidades históricas de São Cristóvão e Laranjeiras. “Basicamente o turismo no litoral é considerado de sol e praia, do norte como ecoturismo e São Cristóvão e Laranjeiras que se caracterizam como turismo histórico-cultural” afirma Luiz Carlos.

A utilização dos recursos financiados pelo BID deve possuir cinco componentes: recuperação (de museus, orla, de coisas já existentes), estratégias de comercialização (para divulgar o turismo do estado), fortalecimento profissional (projetos de capacitação profissional, planos diretores), infra-estrutura e serviços básicos (aterro sanitário, construção de rodovias e orlas, atracadouros) e gestão ambiental (ações diretamente ligadas ao ambiente, utilização de novas tecnologias). Para se utilizar dos recursos do BID, as ações devem contribuir para o desenvolvimento do turismo nas localidades próximas. Segundo Luiz Carlos, atualmente está sendo construída uma rodovia que ligará a sede do município de Santa Luiza ao povoado Castro, fato que impulsiona a construção de uma orla/atracadouro no povoado, além de acarretar a melhoria do saneamento básico.

O objetivo a ser alcançado hoje é a construção de um roteiro integrado para o turista, onde ele possa pernoitar no interior, retirando a característica de passeio. A integração favorece não só as cidades pólo, mas todas que estão
próximas, ou seja, fazer com que as cidades do interior sejam pontos de hospedagem como na capital. “A idéia é que o turista pernoite em Canindé, e depois faça passeios para a Ilha do Ouro, e pela Foz do Rio São Francisco, por exemplo”, finaliza.

Em Aracaju existem três projetos na base da capacitação, feita pelo Sebrae, como o selo de qualidade no empreendimento, seja hotel, pousada ou restaurante. Existe também pela Emsetur, um programa de treinamento de mão de obra, de capacitação para melhor atender o turista. Entretanto, esse programa ainda não está ativo no interior do estado.

“O ponto de principal no turismo é a malha aérea de Sergipe que se tornou um destino caro pela dificuldade de se chegar aqui”, pontua a Bianca Esperidião. Os aeroportos não comportam muitos vôos, são poucas escalas tendo Sergipe como destino. Entretanto há rumores de que uma reforma no aeroporto sergipano seja feita ainda esse ano, mas nada foi divulgado oficialmente.

O principal questionamento é relacionado à efetividade e centralização das políticas públicas voltadas para o turismo. De fato, as prefeituras devem distribuir melhor os recursos recebidos pelo Governo Federal. Em contrapartida, os órgãos responsáveis pela melhoria e divulgação das cidades com potencial turístico devem capacitar e informar a população local de cada ponto, pois em muitas localidades a prática do turismo é feita de forma primária, sendo que a publicização se restringe, em muitos casos, apenas ao turismo cultural.

Trabalho infantil reflete uma marca do subdesenvolvimento

Posted in Cidade, Utilidade Pública by micheletavares on 10/05/2010

Existem cerca de 218 milhões de crianças trabalhando pelo mundO.  Em Aracaju, a realidade não é diferente.

Por: Adler Berbert e Verlane Estácio

O Artigo 60 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece: “É proibido qualquer trabalho a menores de 14 anos de idade, salvo na condição de aprendiz”. Apesar da lei, ao andar pelas ruas de Aracaju enxergamos uma triste realidade: crianças e adolescentes trabalhando. Mas o que conduz essas crianças ao mercado de ‘trabalho’ de forma tão precoce? E, qual a responsabilidade dos pais? Como o governo combate essa prática? São questões que ficam em evidência quando falamos sobre esse assunto.

Foto: Verlane Estácio ( imagem manipulada)

A exploração infantil é um problema constante dos países subdesenvolvidos, a última pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou que existem cerca de 218 milhões de crianças trabalhando ilegalmente no mundo, sendo que 95% se encontram nos países subdesenvolvidos. A principal causa desse problema é a alta porcentagem de desigualdade social, segundo o coeficiente de Gini, parâmetro internacionalmente usado para medir a concentração de renda, no Brasil 47% da renda concentra-se nas mãos dos 10% mais ricos, o que gera uma população de baixa renda sem acesso a educação de qualidade. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2009, indicou que no Brasil existem cerca de cinco milhões de crianças e adolescentes que trabalham para ajudar a família nas despesas de casa.

Na capital sergipana, ver uma criança trabalhando é algo comum. As principais áreas são as 27 feiras da cidade que após uma vistoria realizada pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (SEMASC), em 2005, revelou um total de 826 crianças fazendo trabalho de adulto. No centro histórico e no mercado municipal também encontramos várias delas vendendo utensílios ou ajudando os pais nos seus estabelecimentos. Outros lugares comuns de encontrá-las são nos sinais de trânsito, limpando os pára-brisas, e nos ônibus, vendendo balas.

Foto : Verlane Estácio ( imagem manipulada)

“Eu trabalho para poder ajudar a minha mãe”, diz Mateus, 11 anos. Essa frase é o que mais ouvimos das crianças, elas afirmam que a família passa por necessidade, geralmente ocasionada pela grande quantidade de filhos. “Meu pai e minha mãe não tem dinheiro para dar para gente, aí eu trabalho para ganhar um pouco para mim e ajudar em casa”, conta João Paulo, 13, o mais velho de uma família de sete irmãos. Apesar de trabalharem a maioria afirma que estuda. “Eu trabalho de manhã e estudo de tarde, eu estudo para um dia poder ser doutor”, comenta Tadeu Felipe,12.

Dados do IBGE mostram que crianças que trabalham cedo podem apresentar sérios problemas de saúde, como lombalgia (dores nas costas), dores articulares (LER), dor de cabeça, dores abdominais, depressão, asma, desnutrição, infecção respiratória, alterações dermatológicas. Além destes males, os jovens em questão ficam muito mais sujeitos à violência e suscetíveis às drogas, interferindo diretamente no desenvolvimento físico, emocional e social destas crianças. Em relação ao seu emocional podem apresentar dificuldades para estabelecer relações afetivas, em virtude dos maus tratos sofridos. Por ter que trabalhar tão cedo, elas deixam de frequentar a escola, brincar com os amigos e viver sua infância, perdendo o convívio social com pessoas de sua idade. “Basicamente o principal dano a criança é uma ruptura com sua personalidade, utilizando como mecanismo de defesa o esquecimento. Daí surge o trauma. O trauma abre um espaço, uma fenda, lacuna para lembranças que remetam a agressão psicológica infantil, então a criança pode desenvolver inúmeros distúrbios: personalidade dissociativa ou múltipla, agressividade, psicose, psicopatia”, explica Maíra Góis, psicóloga.

A questão se torna ainda mais crítica quando se aborda os pais dos menores trabalhadores. “É muito fácil se julgar quando a pessoa não vive nossa realidade. Sou mãe solteira de cinco filhos”, revela Maria Aparecida Santos, feirante. Ao questionar os pais sobre o problema, encontramos uma situação ainda pior: a falta de medidas realmente eficazes por parte do governo. “Os programas do governo não são tão bons, no fundo nós ainda passamos por dificuldade”, conta Maria. Outro problema é a ausência constante nas aulas das crianças que trabalham.

Yvan Maynart *foto : Verlane Estácio

“Pais que não matriculam seus filhos na escola e levam eles para o sinal podem ser punidos segundo o Art. 129 do ECA”, afirma Yvan Maynart, professor do Departamento de Direito da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Umas das primeiras implicações seria a obrigatoriedade da matrícula do menor, demonstrando sua freqüência mensal. “Agravada a situação os pais recebem advertência, onde correm o risco de perder a tutela da criança. Aqui em Aracaju existe uma vara especializada para crianças e adolescentes, esta é responsável por cuidar tanto da parte cível, quanto da criminal. Ou seja, no município teremos um juiz para cuidar dessa questão pessoal e exclusivamente, contando para isto com o apoio do Conselho Tutelar na parte preventiva e do judiciário na ação repressiva”, conclui Yvan. “

Em 2000, o Ministério do trabalho e emprego (MTE) sancionou a Lei do Aprendiz (10.097) que considera menor aprendiz aquele jovem contratado pelo empregador ou por entidades sem fins lucrativos, que tenha mais de 14 anos, esteja matriculado e freqüentando regularmente a escola e inscrito em cursos desenvolvidos por instituições de aprendizagem. A lei ainda determina que o jovem tenha direito a uma jornada de seis a oito horas diárias, recebendo por este salário mínimo/ hora, além de todos os direitos trabalhistas e previdenciários compatíveis com o contrato de aprendizagem. Estas são as únicas condições legais para menores de 18 anos trabalhar, estabelece o estatuto.

  • O papel do Conselho Tutelar

Aldinete Melo e Adriana Moraes (Conselheiras do 5º distrito) Foto: Verlane Estácio

Para defender os direitos da criança e do adolescente existe um órgão autônomo que é o Conselho tutelar, definido conforme a Lei Federal 8.069/90. Ele atende aos jovens que tem os seus direitos ameaçados, orienta pais e responsáveis, conduz as crianças para programas sociais, requisita serviços públicos na área da saúde, educação, serviço social e segurança, além de encaminhar ao Ministério Público casos de violação dos direitos da criança e do adolescente. Em Aracaju, os conselhos estão distribuídos em cinco distritos e cada um deles é formado por cinco conselheiros e cinco suplentes, eleitos por voto popular e que permanecem no cargo durante três anos, podendo ser reeleitos. O Conselho tutelar é ligado ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Aracaju (CMDCA) e à Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (SEMASC) e mantém ainda parceria com a Polícia Federal e Ministério Público . Para que possa atuar, o conselho depende das denúncias da população, estas podem ser feitas por telefone ou pessoalmente, indo até a sede do conselho. “Recebemos muitas denúncias da população, o que é importantíssimo pra nós, pois os conselhos não sabem onde acontecem as violações dos direitos, nem têm como adivinhar numa bola de cristal. As denuncias podem ser feitas por telefone, ligando diretamente no conselho ou pelo disk 100 a nível nacional que são encaminhados diretamente ao Núcleo de Apoio a criança e adolescente (NAIA)”. Contam as conselheiras do 5º distrito Adriana Moraes e Aldinete Melo (ambas reeleitas na última votação).

Segundos as conselheiras, o conselho possui uma ótima relação com a comunidade e age junto a ela por meio de campanhas educativas e aplicando medidas no sentido da prevenção. “O fato de as crianças estarem trabalhando na feira é uma questão preocupante, pois na cabeça desses pais isso é algo extremamente normal. A gente conversa e orienta aquele pai, tenta explicar os danos causados pelo trabalho infantil, mas a maioria não aceita nossos argumentos. Eles agem assim por não ter instrução e trazem aquilo da cultura em que foram criados, passando tudo para os seus filhos”, explica Adriana Moraes.

Elas destacam ainda que a problemática maior aqui em Aracaju está concentrada na identificação e localização dos responsáveis. “Aqueles meninos que trabalham nas feiras e ônibus não gostam de falar, fogem quando percebem a presença dos educadores sociais, dos conselhos ou juizados. Por esse motivo devemos destacar que os conselhos não são órgãos repressores e sim de proteção à criança. Ainda assim o governo não valoriza o nosso trabalho e há sete anos recebemos o mesmo salário“, diz Aldinete Melo.

Ainda de acordo com elas, projetos como o Peti são precários. Há um numero muito pequeno de vagas, não existem cursos profissionalizantes e falta uma política de incentivo ao aluno. “Muitos deles vão lá só pra pegar o lanche e depois voltam pra casa, justificando que estão cansados do trabalho diurno”, conta Adriana.

A pedagoga especialista em psicologia social Edvalda Cecília Abud, em entrevista concedida ao site oficial da Prefeitura de Aracaju ressaltou que em primeiro lugar, o conselheiro tem que saber ouvir, porque escutar é o ponta-pé inicial de todo processo. “O processo de formação tem o objetivo de informar os conselheiros sobre a forma correta de agir após o recebimento de uma queixa sobre violação de direitos recebida pelo Conselho Tutelar. A capacitação também orienta acerca dos encaminhamentos que devem ser dados, que caminhos buscar e como assegurar o respeito às famílias atendidas pelo Conselho Tutelar”, ressaltou.

  • PETI

O Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) foi criado em 1996 pelo governo federal com o objetivo de combater a exploração do trabalho infantil. No Brasil ele funciona em 3388 municípios e aqui em Sergipe se realiza através de uma parceria com a Semasc. Atendendo em todo o estado um total de 34.611 meninos e meninas com idade entre sete e quinze anos (na capital 2.923), o programa efetua o pagamento de uma bolsa mensal para as famílias de baixa renda que mantém seus filhos na escola com boa freqüência, bom desempenho e afastadas do trabalho. Aqui na capital se realizam também nos 14 pontos espalhados pela capital, as chamadas jornadas ampliadas que incluem além do judô, oficinas de música, percussão, coral, artes manuais, capoeira, leitura e cidadania

Segundo Bruno Almeida, assessor de comunicação da Semasc, o Peti tem um impacto positivo na vida desses jovens. Ele explica que diversas crianças e adolescentes que antes viviam em situação de trabalho infantil não sabiam mais o que realmente era ser criança. “Muitas vezes sobrecarregados com responsabilidades demais, a criança amadurecia antes do tempo e perdia totalmente a infância, além de abandonar os estudos, porque uma vez na rua, não teria mais a condição de freqüentar a sala de aula. O Peti devolveu a cidadania para mais de 3 mil crianças e adolescentes que agora podem desenvolver realmente o seu papel: o de ser criança”, complementa.

Brincar e estudar. Atividades que aparentemente são comuns na vida de qualquer criança acabam se tornando um sonho para aquelas que vivem em condição de exploração. Em pleno século XXI, existem cerca de 218 milhões de crianças e adolescentes trabalhando em situação ilegal, estatística assustadora que por vezes passa despercebida aos olhos da sociedade. O governo precisa acordar e adotar práticas realmente eficazes. A criançada pede socorro, afinal estamos deixando de lado os responsáveis pelo futuro do nosso planeta.

Criança fazendo carrego em bairro da capital *Foto: Verlane Estácio*

MUNICÍPIO ENDEREÇO FONE
Aracaju 1º Distrito Av. São Cristovão 4.298. Conj. Orlando Dantas 3251-2565
Aracaju 2° Distrito Frei Canolo de Noronha, 161, bairro Costa e Silva 3259-6302
Aracaju 3° Distrito Rua Boquim, 478 – Centro 3211-9863
Aracaju 4º Distrito Praça Princesa Isabel, 120 B. Sto Antônio 3215-4446
Aracaju 5° Distrito

Rua Alagoas,2.758-B.J.Conrado de Araújo

3179-2240

Reforma Psiquiátrica traz reflexos positivos em Aracaju

Posted in Cidade by micheletavares on 03/05/2010

Em vigor desde 2000, a mudança na política psiquiátrica conseguiu inserir os deficientes psicológicos na sociedade Sergipana?

Por Catarina Schneider e Lohan Montes

A aparência é lúgubre, lembrando vagamente um presídio. É difícil associar o lugar à regeneração da saúde ou a aquisição da saúde mental. Rostos emoldurados pelo sofrimento de terem suas identidades perdidas de forma tão repentina, gritos de desespero e olhares vazios, agressividade e falta de vida humana. A parte física não colabora: corredores brancos, estreitos, quartos que mais parecem celas de prisões cujas grades impedem qualquer tipo de calor humano; o isolamento é o senso comum em hospitais e enfermarias psiquiátricas. Não sendo ainda bastante, alguns funcionários destes locais já estão tão acostumados com aquele ambiente que sequer demonstram qualquer expressão emotiva. O cotidiano dos pacientes se mistura e se separa num grande abismo: de um lado a razão, do outro a única companhia – a solidão. Uma opressão personificada.

Anotações de Camila, paciente de 15 anos do HU, diagnosticada Bipolar

Anotações de Camila, paciente de 15 anos do HU, diagnosticada Bipolar

Neste ambiente o sofrimento é o quadro comum. “Eu sou uma menina muito nervosa, muito eufórica, não tenho paciência comigo mesma, não sei conter minhas emoções, por isso tomo remédio controlado”, desabafa Camila, de 15 anos, que sofre de transtorno bipolar e está internada no Hospital Universitário de Aracaju da Universidade Federal de Sergipe (HU) há pouco mais de um mês por vontade própria. “A vida é feita de escolhas, e eu vou escolher o melhor pra minha vida no hospital”, completa esperançosa e segura, mostrando-se conhecedora do seu problema. Camila retira de uma pasta um caderno pequeno onde escreve seus pensamentos e relata a doença dos seus colegas de convívio: Robert, 18 anos: “Ele tem esquizofrenia. É terrorista, só fala em matar. A doença começou por causa da família e porque zombavam da felicidade dele”. Tânia, 27 anos: “A esquizofrenia começou em 2008. Ela saiu pela rua, ouvindo vozes, por um mês inteiro, não queria saber da vida. Faz duas semanas que não ouve mais as vozes”.

Ela é um dos sete pacientes que estão em tratamento diário no HU, um dos poucos hospitais públicos com enfermaria psiquiátrica que internam pessoas com problemas psicológicos e psiquiátricos em Aracaju. O Hospital só tem estrutura para abrigar oito internações, deixando muito a desejar. “A área física é precária, deveria haver mais área externa para eles poderem passear e fazerem as atividades, e também carece de área verde”, reconhece a enfermeira chefe do Ambulatório do HU, Andreia Aragão Rabelo.

Depois da aprovação da Lei nº 10.216, que estabelece os direitos dos pacientes e regula as internações psiquiátricas, ainda se pergunta: a forma de lidar com o doente mental em comparação ao passado se modificou? Pergunta-se mais: como tratar sem excluir, sem retirar o indivíduo do convívio social e familiar?

Com a reforma psiquiátrica, que desaprova a internação em hospício e asilos manicomiais e, conseqüentemente, a exclusão do convívio social das pessoas com transtornos mentais, desde o ano 2000, o tratamento hospitalar começa a ser modificado. Porém, o movimento antimanicomial deixou claro à sociedade que não bastava humanizar os hospícios, melhorar o ambiente manicomial ou ampliar o número de profissionais dessas instituições. A idéia era muito mais ampla: em lugar dos manicômios, a proposta era trazer o “louco” de volta ao convívio social, resgatar a cidadania dos que passaram anos de suas vidas trancafiados, sofrendo maus tratos e humilhações.

O médico-psiquiatra Pedro Gabriel Godinho Delgado, coordenador-geral da Saúde Mental do Ministério da Saúde, salienta o fato de que a reforma tinha dois vetores: a desconstrução do modelo hospitalocêntrico – curativo e centrado na doença – e a expansão de uma nova proposta, inspirada no modelo da reforma psiquiátrica italiana, liderada pelo Médico Psiquiatra Franco Basaglia, que defendia que o hospício foi construído por uma razão: controlar e reprimir trabalhadores que perderam a capacidade de responder aos interesses capitalistas de produção. Para o Psiquiatra, era claro que a assistência prestada nos hospitais era ruim, não ajudando o paciente e, consequentemente, não se fazendo necessária.

Dr. Antônio Eduardo, psiquiátra do HU

No entanto, no Estado de Sergipe, de acordo com o Dr. Antônio Eduardo Mendonça de Jesus, psiquiatra do Ambulatório do Hospital Universitário há oito anos, o modelo antigo não acabou. “Na prática, o modelo hospitalocêntrico ainda é vigente porque acabar com os hospitais psiquiátricos públicos é muito fácil. Os hospitais privados, que tem interesse comercial, independente dos assistenciais, só chegariam ao fim se fosse tirado aquilo que os alimenta: a verba que o Governo repassa. Eles vivem praticamente dessa verba porque os convênios e os casos particulares não os mantêm economicamente”.

A prática é muito diferente da teoria em que se baseia o movimento conforme a enfermeira chefe, Andreia Aragão, que declara: “É muito difícil e controverso. Acho que não deveria ser uma mudança tão radical assim. Porém, a proposta é bastante interessante devido ao formato antigo dos hospitais daqui”. A teoria propunha a extinção dos manicômios, mas no Estado de Sergipe, só foram extintos os hospitais psiquiátricos públicos: o Adauto Botelho e o Garcia Moreno, restando somente os hospitais psiquiátricos particulares: a Casa de Saúde Santa Maria e a Clínica de Repouso São Marcelo.

Também foram criados os Centros de Apoio Piscossocial (CAPS), que surge no Brasil em março de 1987, com a inauguração do CAPS Luis da Rocha Cerqueira, na Cidade de São Paulo. São instituições que visam a substituição dos hospitais psiquiátricos – hospícios ou manicômios – e de seus métodos, oferecendo atendimento de cuidados intermediários entre o regime ambulatorial e a internação hospitalar. Eles oferecem cuidados intensivos, semi-intensivos ou não intensivos a pacientes em sofrimento psíquico, diagnosticados como neuróticos graves ou psicóticos que podem já ter ou não histórico de internação e/ou tratamento. A atenção do CAPS deve incluir ações dirigidas aos familiares e comprometer-se com a construção dos projetos de inserção social. Devem ainda trabalhar com a idéia de gerenciamento de casos, personalizando o projeto de cada paciente na unidade e fora dela e desenvolver atividades para a permanência diária no serviço.

Além dessas unidades, existe uma emergência psiquiátrica no Hospital São José que, em caso de internação, conduz as pessoas aos hospitais psiquiátricos privados que funcionam em convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS). Essa emergência funciona como uma triagem dos casos. “É como se ela decidisse quem precisa e quem vai ser internado nos hospitais psiquiátricos”, afirma Dr. Antônio Eduardo. No São José é feito um atendimento imediato, para aqueles casos em crise, no qual o paciente fica internado no máximo três dias e, se necessário – a maioria das vezes – encaminhado a algum hospital.

Dr. Hamilton Maciel, psiquiátra e proprietário da Clínica de Reopuso São Marcelo

A Clínica de Repouso São Marcelo, que funciona no Bairro Cidade Nova, já promoveu eventos internacionais em parceria com a Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, e também com a Universidade Federal de Sergipe (UFS). É uma instituição privada com 160 leitos preenchidos e funcionando. Dr. José Hamilton Maciel, psiquiatra e professor universitário aposentado, é o proprietário, junto à sua família, todos da área de saúde.

“A Reforma vem propagando que a doença não existe e que é feita pelo psiquiatra ou pelo hospital. É uma discussão política. Eles admitem a psiquiatria democrática, mas, assim como não existe cardiologia democrática, também não existe a psiquiatria. Eles transformaram isso numa política contra o doente, que é quem sofre mais”, afirma Dr. Hamilton.

A grande polêmica gira em torno dos extremos: de um lado o Modelo Hospitalocêntrico, do outro a Reforma Psiquiátrica. “Eles querem abolir o hospital, mas é acabando com o cemitério que se acaba com a morte? Então não é acabando com o hospital que a doença acaba. Há casos que precisam de internação”, esclarece o médico.

Clínca de Repouso São Marcelo

Hoje, 95% dos casos atendidos nos hospitais psiquiátricos e ambulatórios são de ansiedade e depressão. Os casos de psicose – estado mental em que ocorre uma perda de contato com a realidade objetiva – se tornaram muito pequenos, por razão desconhecida. As formas agudas, em que a pessoa põe em risco a própria vida ou as dos demais, precisam de uma contenção hospitalar, no entanto, mesmo os casos crônicos que já adquiriram risco de forma negativa, ou seja, os sintomas deixam de se manifestar, precisam apenas de acompanhamento ambulatorial. “Medicina não cura, trata os sintomas”, concordam Dr. Antônio e Dr. Hamilton.

O tratamento para doenças mentais é sintomático, ou seja, é diretamente aos sintomas. A medicina não possui ainda remédios específicos para doença mental específica, mas sim para os sintomas que as doenças apresentam. Este

Interior Clínica de Repouso São Marcelo

fator salienta uma discussão mais complexa e polêmica, de acordo com Dr. Antônio Eduardo. “A doença mental realmente existe? É como as outras doenças cuidadas pela medicina? Paira sobre isso uma dúvida”.

Outro fator importante a ser observado em todos os casos é o acompanhamento familiar. As famílias, em sua maioria, não têm preparo adequado para cuidar de um doente mental e os cuidados que este requer são, de fato, especiais, pois não estão restritos somente à medicação, precisando também de uma estrutura de acompanhamento e vigilância. “É muito difícil pra uma família com despreparo psicológico, ficar com esse indivíduo dentro de casa sem um suporte, até pela dificuldade financeira, de informação, das necessidades do paciente e de preconceito. Há alguns pacientes que não ficam bem com os remédios e precisam de um suporte maior”, ressalta a enfermeira. Porém, seriam necessários anos de treinamento que teriam de ser custeados pelo Estado ou pela família; além da disponibilidade de tempo e paciência, coisas que não são feitas.

Enfermaria Psquiátrica do HU

Um dos pontos positivos que a Reforma Psiquiátrica trouxe, foi a criação de Residências Terapêuticas, que são casas com o objetivo de abrigar pacientes que não tiveram condições de voltar para suas residências, seja porque a família não os quiseram ou porque não há uma família ou casa para voltar. Então, após a reforma, na qual foi determinada a saída dos pacientes dos manicômios, levando-os de voltas às suas casas, os pacientes que não tiveram essas condições, foram escolhidos juntamente com sua “família” – companheiros de hospital – para conviverem juntos, trazendo-os assim de volta a uma vida “normal”. Eles continuam recebendo assistência de médicos, psicólogos, enfermeiros, auxiliar doméstica, e muitos acabam se relacionando e criando uma família de verdade. “Houve vários casos de pacientes que se casaram, tiveram filhos e acabaram criando mesmo uma família”, afirma Dr. Antônio Souza Lima Júnior, Coordenador da Psiquiatria do Hospital São José.

Embora ainda hoje a internação se faça necessária, após a Reforma Psiquiátrica, o tempo dos pacientes nos hospitais não é mais indeterminado. Eles já entram com uma data prevista de saída – que pode ser alterada de acordo com o quadro médico do paciente. As opções dadas ao paciente sobre o seu tratamento e a inclusão das opiniões de quem está sendo tratado também são vistas como uma melhora. “O paciente hoje pode dizer que não quer fazer terapia em grupo, que não se sente bem falando na frente de várias pessoas, e assim buscaremos outro método de tratamento para ele”, declara Dr. Antônio Souza.

A discussão em torno do destino dos doentes mentais está longe de chegar a uma conclusão. Por tratar-se de doentes que não estão correndo risco de morte imediata, o transtorno mental não causa diretamente a morte dos pacientes, que tem de conviver com o problema. A psquiatria se refere a transtornos ou distúrbios psíquicos e não a “doença” porque poucos quadros clínicos mentais apresentam todas as características de uma “doença” no sentido tradicional do termo, que é o conhecimento exato dos mecanismos envolvidos e suas causas explícitas. O transtorno mental, em seu conceito, implica em comportamentos em que a pessoa apresenta algo anormal, diferente, desviante do conceito da normalidade.

As opiniões dividem-se quanto aos modelos a serem adotados no tratamento de portadores de transtorno mental; se por um lado o modelo tradicional de internação e isolamento parece cruel, também é cruel que o portador de transtorno mental seja relegado ao abandono dentro da própria casa por não haver condições mínimas para cuidá-lo.

Seria necessária uma profunda investigação do paciente, para a averiguação da natureza e do grau de seu transtorno, se pode vir a ser um perigo para si mesmo e para outras pessoas; e a avaliação familiar, onde se sondasse o que sabem das condições do doente, se a família tem condições de abrigar e cuidar convenientemente dele e se está disposta a receber treinamento adequado para administrar esses cuidados, o que leva a um novo patamar de complexidade e discussão: o Estado precisaria disponibilizar treinamento para os familiares.

De fato, a discussão entre os dois modelos de tratamento e provisão para os portadores de transtorno mental tem por base as razões da Reforma Psiquiátrica com a criação dos CAPS e a idéia de que “isolar” o portador de transtorno mental é cruel, que ele tem direito a liberdade e a conviver em sociedade versus a necessidade de proteger o portador de transtorno mental de si mesmo e de uma sociedade que não aceita diferenças. Os “loucos” não foram e não são bem vistos. Uma minoria é tolerada, a maioria é tratada com desrespeito e agressividade, estando expostos a todo tipo de violência se não houver quem os cuide. É preciso talvez que se busque inspiração em Philippe Pinel, médico francês que, embora hoje o conceito não seja mais válido, considerava os portadores de transtornos mentais como doentes, no sentido orgânico das funções superiores do sistema nervoso e fez dura oposição ao tratamento vigente que se constituía no uso de corretivos e castigos físicos. Para Pinel, os doentes deveriam ser tratados como doentes.

Entretanto, nos dias atuais, dificilmente é possível chegar a uma conclusão que conjumine todos os aspectos da questão, visto não ser um fenômeno epidêmico nem mortal, porém, é certo que os portadores de transtorno mental são também cidadãos e necessitam por isso de atenção, cuidados em suas necessidades e contemplação de seus direitos fundamentais.

REFLEXOS DA REFORMA PSIQUIÁTRICA

ANTES: DEPOIS:

– Indeterminação do tempo de internação -Tempo determinado para internação

– Excluir o paciente da sociedade – Surgimento de Casas de Repouso

– Tipo fixo de tratamento -Tratamento maleável, de acordo com paciente

Caixa de texto: REFLEXOS DA REFORMA PSIQUIÁTRICA  ANTES:                                                                 DEPOIS: -- Indeterminação do tempo de internação          -Tempo determinado para internação - Excluir o paciente da sociedade                        - Surgimento de Casas de Repouso - Tipo fixo de tratamento                                           -Tratamento maleável, de acordo com paciente

Cooperfec: Uma parceria que deu certo

Posted in Cidade, Economia by micheletavares on 03/12/2009

Sônia Maria Brito, presidente da Cooperfec (Foto: Elaine Casado)

Por Elaine Casado 

À presidente da cooperativa de confecção (Cooperfec) Sônia Maria de Brito, 50 anos, deve-se muita admiração. Retirante da cidade de Arapiraca (Alagoas) aos 12 anos e dona de uma alegria contagiante, é num galpão simples e necessitado de boas reformas que Sônia lidera o projeto iniciado pela Universidade Federal de Sergipe, que através da Unitrabalho, elaborou a idéia de viabilizar um curso de corte e costura em máquinas industriais para donas de casa do Conjunto Eduardo Gomes, localizado no município de São Cristóvão.  Através deste curso, as mulheres da comunidade, que apenas possuíam conhecimentos básicos de costura doméstica, puderam profissionalizar-se e assim, criar a Cooperfec, que há sete anos influencia de maneira significativa a vida das cooperadas e da própria comunidade.       

Empautaufs: Em que consiste a cooperativa?          

Sônia Maria de Brito: A cooperativa consiste em um projeto iniciado pela UFS, que disponibilizou para nós, donas de casa de baixa escolaridade e desempregadas do Eduardo Gomes, um curso profissionalizante de corte e costura em máquinas industriais com o intuito de montarmos uma cooperativa que pudesse auxiliar na nossa renda familiar. Além disso, aprendemos como trabalhar numa cooperativa e como utilizarmos o dinheiro que ganhamos em favor de todos e do próprio projeto.          

Empautaufs: Como o projeto chegou até vocês?          

SMB: A universidade começou divulgando nas paróquias e na associação de moradores do conjunto o curso de corte e costura, perguntando e recrutando as donas de casa que tinham interesse em aprender a manusear máquinas industriais. Como a maioria de nós tinha experiência em pequenos consertos de roupas utilizando a máquina doméstica, nos interessamos a participar do projeto.          

Empautaufs: Quantas pessoas trabalham atualmente na cooperativa?          

SMB: Hoje nós temos apenas quatro cooperadas no projeto. No início era 21 pessoas, inclusive um homem. No entanto, ao decorrer do trabalho a maioria dos integrantes deixou a cooperativa. Uns porque foram trabalhar em lugares que lhe rendessem um salário fixo, outros porque não sabiam trabalhar em conjunto. Além disso, algumas cooperadas que nos deixaram, levaram a experiência em máquinas industriais para trabalharem nas grandes fábricas.          

Empautaufs: De alguma forma a cooperativa melhorou a vida da comunidade…          

SMB: Eu creio que sim, pois a cooperativa acaba ajudando de certa forma as costureiras que trabalham de forma independente. Às vezes, quando elas não têm tempo ou não dão conta das encomendas e concertos que chegam até elas, somos indicadas por elas para tal concerto ou tal encomenda, pois como somos quatro, fazemos o serviço mais rápido, até mesmo na hora. Acaba sendo um trabalho de cooperação não só entre nós, mas entre toda a comunidade.          

Empautaufs: A universidade colaborou somente com os cursos profissionalizantes?          

SMB: Não, não. A UFS nos disponibilizou as máquinas de costura e também o espaço em que trabalhamos. Juntamente com a Unitrabalho, eles nos ajudaram a montar a cooperativa e arranjar o espaço para dispormos as máquinas.          

Empautaufs: O que mudou na vida da senhora com a chegada da cooperativa?          

SMB: Em termos financeiros não mudou muita coisa. Sempre tive a experiência de trabalhar como autônoma e por isso os ganhos não são muito diferentes. No entanto, acho que o que realmente mudou para mim é que aprendi a trabalhar em equipe, a conhecer e saber lidar com as diferenças. O que me deixa mais apreensiva hoje é saber que eu não conseguiria mais trabalhar sozinha. Eu aprendi com o cooperativismo que trabalhar em conjunto dá certo.          

Empautaufs: Mas a cooperativa já deve ter passado por muitos problemas…          

SMB: Sim, com certeza. Nós já passamos por vários problemas, mas creio que o maior problema que tivemos não foi a dificuldade de conseguir manter o projeto de pé por falta de capital de giro ou pelos meses em que temos pouco serviço ou encomendas. Acho que a principal barreira que já tivemos e ainda temos é saber lidar com as diferenças. Numa cooperativa, é muito difícil fazer com que todos tenham as mesmas idéias, pois cada um possui modos distintos de ver a vida.          

  

  O ser humano tem muita dificuldade de trabalhar em conjunto porque é educado para servir a um patrão.           

 Empautaufs: A senhora já pensou alguma vez em desistir do projeto?         

 SMB: Várias vezes. A própria dificuldade de lidar com as divergências já me fez pensar em desistir. Mas no final eu sempre paro e vejo que tudo isso, mesmo com todas as dificuldades, vale a pena e é por acreditar que trabalhar em conjunto é possível que continuo nesta luta.          

 Empautaufs: Entre ganhos e gastos, a cooperativa consegue se sustentar sem problemas?          

 SMB: Como somos quatro cooperadas, dos ganhos que temos com os serviços são retirados as despesas com energia e aluguel do espaço, que mensalmente giram em torno de duzentos reais e o restante é repartido igualmente entre cada uma de nós. Como toda microempresa, passamos sim por problemas financeiros, principalmente nos meses em que tempos pouco serviço, normalmente em janeiro, fevereiro. Meses como novembro e dezembro para nós são sempre muito corridos, pois como é a época do natal freqüentemente chegam novas encomendas e concertos. No entanto, mesmo naqueles meses em que quase não temos serviço, sempre conseguimos pagar nossas despesas.          

Empautaufs: A universidade contribui financeiramente com o projeto?          

SMB: A universidade juntamente com a unitrabalho nos um suporte mais gerencial do que propriamente financeiro. Eles nos ajudam no que diz respeito a questões de regulamentação, de leis em geral que não conhecemos e buscam nos auxiliar na divulgação do nosso produto, nos levando em feiras de artesanato, ou como recentemente, que nos levaram a expor e vender nossos produtos na Semana de Extensão da própria universidade. Além disso, tentam buscar novos clientes para nós.          

 Empautaufs: Como é a relação que a universidade mantém com vocês? Cobram algum tipo de prestação de contas?          

 SMB: O que eles fazem é querer saber como anda a cooperativa. Eles não perguntam diretamente quanto gastamos ou quantos ganhamos, mas procuram saber se o projeto ainda está funcionando corretamente, se estamos necessitando de alguma coisa. Enquanto tiver pessoas trabalhando e tendo alguma renda com a cooperativa, eles deixam o projeto de pé.          

 Empautaufs: Em sete anos de existência, qual foi o caso que mais marcou a senhora na Cooperfec?          

 SMB: Lembro-me de um agora que marcou não somente a mim, mas a todas as nós da cooperativa. Já passamos por cada uma… Há dois anos, o espaço em que trabalhávamos e deixávamos as máquinas de costura era de propriedade de um ex-prefeito daqui do município. Durante o seu mandato, a universidade havia feito um acordo com ele em ceder aquele espaço para nós trabalharmos e dispormos nossas máquinas durante certo período. No entanto, com o final de seu governo, ele achou por bem quebrar o acordo e cedeu o espaço para outro indivíduo. Ficamos sem ter onde trabalhar. Até que a unitrabalho o procurou para resolver a situação e ele se dispôs a pagar o aluguel de outro espaço para nos organizarmos. Porém, mais uma vez, ele quebrou a promessa e não saldou a dívida dos dois últimos meses de aluguel que era de sua responsabilidade. Resultado: como não tínhamos o dinheiro para pagar, a dona do espaço colocou pistoleiros em nosso encalço cobrando a dívida. Por sorte, a história foi parar nos ouvidos de um amigo meu que, na época tinha grande influência e hoje se tornou deputado. Ele saldou a dívida para nós e logo após, conseguimos outro espaço para colocarmos as máquinas. Pra você ver que mesmo depois de tudo isso ainda continuo nesta luta porque gosto e acredito que pode dar certo.            

Voando e crescendo em movimento

Posted in Cidade, Fotojornalismo by micheletavares on 29/10/2009

FOTOJORNALISMO

Aeroporto de Aracaju tem movimento acima do normal em período de baixa temporada   

 Por Matheus Fortes  

Aviões
Aeronaves da TAM embarcando passageiros para São Paulo

Um hall muito movimentado, com direito a longas filas nos guichês e estacionamento igualmente cheio. Foi essa a cena vista na última quarta-feira no Aeroporto de Aracaju, que fica a poucos quilômetros da orla da cidade. O estabelecimento aeroviário mais importante do estado de Sergipe tem mostrado um crescimento acima da média para o período, que conta com poucos eventos e festividades importantes no estado. “O crescimento é visível, e acho que todos os funcionários perceberam” afirma Elisa, atendente de uma loja de artesanatos presente no aeroporto. 

Hall do aeroporto

Hall do aeroporto

   Os passageiros variam bastante, mas, segundo a assessoria de comunicação do aeroporto, a maioria dos passageiros que chegam vem ao chamado do turismo de negócios. Embora as festividades e o próprio turismo cultural não seja a atração principal, o estado tem cada vez mais recebido eventos, palestras, congressos, chamando atenção inclusive de corporações maiores que vêm o crescimento da cidade e a possibilidade de novos investimentos. O grande movimento de passageiros poderá se repetir nas próximas semanas devido ao Dia do Servidor Público e o Dia dos Finados, feriados que esse ano caem na segunda-feira e que poderão atrair mais turistas de outros estados. Quanto ao movimento para os meses de dezembro, janeiro e fevereiro, esses provavelmente serão maiores devido a estação e a programação de festividades em Sergipe, mas o passageiro pode se tranqüilizar: o aeroporto têm capacidade para receber com conforto os visitantes que virão e os sergipanos que pretendem viajar no mesmo período. 

Guichês do aeroporto

Guichês da TAM

   A capacidade do aeroporto também foi questionada, devido alguns passageiros e funcionários terem se queixado quanto a estrutura do estabelecimento, que ao longo dos últimos anos tem aumentado sua movimentação (e junto à isso, sua importância) no cenário de Aracaju. “Até a rodoviária têm uma estrutura melhor”, comentou Cássio, residente da capital que voltava de uma viagem à negócios de São Paulo. “O aeroporto em si têm mudado pouca coisa, mas o movimento de pessoas aumentou consideravelmente. Só me pergunto até onde vamos poder dar conta desse aumento.” Disse Camilo, que trabalha nos guichês de uma empresa aérea que opera vôos no aeroporto. 

Hall de alimentação e observação

Hall de alimentação e observação do aeroporto

   A assessoria responde que, quanto à demanda crescente de passageiros, foi assinado um convênio entre o governo do Estado e a Infraero para a construção de um novo terminal de passageiros, aumento da pista de pousos e decolagens em mais de 1000 metros, ampliação do pátio de aeronaves e a construção de quatro pontes que ligarão as aeronaves às salas de embarque e desembarque. O projeto de ampliação é o mesmo usado no Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, em Maceió, mas com adaptações para que se instale em Aracaju. A previsão é de que o projeto e a licitação sejam concluídos até o fim do ano e as obras tenham início no ano que vem.  

Pátio de aeronaves

Pátio de aeronaves

  O Aeroporto de Aracaju foi inaugurado em 1958 e desde então passou por várias reformas, sendo a mais recente ocorrida em 1998. Ele é administrado pela Infraero desde fevereiro de 1975. 

Greve dos Bancos causa transtorno à população.

Posted in Cidade by micheletavares on 23/10/2009
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Por Catarina Schneider

Por Catarina Schneider

No dia 23 de setembro, a população brasileira foi surpreendida com mais uma greve. Dessa vez a paralisação dos bancos tirou todos da rotina, causou transtornos, mas, por outro lado, fez com que a situação dos bancários fosse reavaliada. Diante das reivindicações solicitadas pelos grevistas, como o aumento do número de funcionários nas agências e 10% de reajuste salarial, as negociações foram satisfatórias o que levou as agências a voltarem seu funcionamento normal no dia 13 de outubro, concluindo assim 21 dias de paralisação. Porém, não foram todas as agências bancárias que tiveram as suas reivindicações atendidas, como é o caso do Banese, BNB e Caixa Econômica*, fazendo com que a greve continue nessas três instituições.

A situação da profissão de bancário hoje em dia é muito diferente da que tínhamos há 30 anos. Hoje ela é tida como uma passagem para outra profissão, como se o trabalho no banco fosse só um degrau para algo maior e melhor, diferente de antigamente quando as pessoas ingressavam como bancários e faziam projetos de vida apoiados na idéia de que esse era o seu trabalho.

O presidente do Sindicato dos Bancários, José Souza de Jesus, encara essa mudança sem nenhum romantismo. “Devido ao desenvolvimento do país, a sociedade está mais complexa, logo, não cabe mais ficar desejando que esses 30 anos voltem, pois essa é a realidade hoje”, afirma ele. Por ser uma profissão que não é regulamentada, tendo como único pré-requisito para ingressar nela ter qualquer tipo de formação- preferência direito, economia e administração contando também com a elevação da escolaridade, a seleção de bancários ficou mais complexa o que dá o luxo do patrão querer um jovem que tenha um nível escolar avançado pagando em torno de três salários mínimos.

Para Wendel de Morais, bancário do Bradesco, a situação dos bancários hoje é degradante. A classe não tem o devido reconhecimento, a remuneração é muito baixa para todas as funções exercidas já que os bancos não querem contratar a quantidade de funcionários necessária, deixando todos sobrecarregados levando a ocorrer acidentes de trabalho devido a esse acúmulo de função-como é o caso da Lesão por Esforço Repetitivo (LER). Portanto, apesar de reconhecer que essa classe tem sido reparada pela lei quando é necessário, como é o caso de acidentes, ele espera uma melhora como o acréscimo de funcionários, uma remuneração mais digna, com pagamento de hora extra.

Foi devido a reavaliação das condições desse grupo de trabalhadores que houve a paralisação dos bancos. A campanha foi preparada com antecedência, sendo elaborada uma pauta de reivindicações que teve mais de cem cláusulas sindicais, econômicas e sociais e que foi entregue à Federação Nacional dos Bancos (Fenabam) em 10 de agosto.

No dia 17 de setembro, quando a Fenabam disse que tinha uma resposta final para as reivindicações, uma vez que essas respostas não foram aceitas pelos banqueiros, começaram as paralisações. Foi no dia 23 de setembro que houve a paralisação dos bancos sendo feita no dia seguinte a greve de fato, que se prolongou até o dia 6 de outubro “Pedimos um reajuste salarial de 10%, que significa a inflação mais ganho real, participação nos lucros maior e mais justa, fim de assédio moral, contratação de mais empregados para atender melhor a população”, diz o presidente do Sindicato dos Bancários.

O resultado dessa greve foi satisfatório. No primeiro momento houve a greve porque os pedidos dos bancários não foram atendidos, por exemplo, a FENABAM querer cortar a participação dos lucros e só querer aumentarem 4,5% do salário, que mal garantia a inflação do período e acabaria não tendo nenhum ganho real. Porém, diante da paralisação, a Fenabam passou a reavaliar e atender numa proposição muito próxima aos pedidos. “A negociação foi exitosa porque a categoria tava mobilizada. Nós somos um sindicato que acreditamos no sucesso da negociação se a categoria estiver mobilizada, a base tem que estar envolvida, inserida, participando, e isso que representa a riqueza da categoria.”, resume Souza.

A sociedade, a prejudicada por essa greve, só soube dela quando se dirigiram aos bancos pela manhã e viram que estavam fechados e em greve devido aos cartazes colados na porta. Essa paralisação gerou revolta daqueles que precisavam dos bancos para fazer seus pagamentos e transações, que reivindicaram o atraso do salário, a dificuldade de realizarem os pagamentos que só podendo ser feito em cash.

De acordo com o Programa de Orientação e Proteção ao Consumidor (Procon), o cliente tem que tentar de alguma forma obter o boleto, o código de barra ou segunda via, seja ligando pra empresa ou em site na internet. Segundo Marisa Penalva, a advogada do estabelecimento, caso a empresa ofereça uma segunda opção de pagamento e esse não seja efetuado, a cobrança de juros é totalmente correta. “Caso não seja dada nenhuma alternativa para que o consumidor quite o pagamento, é só guardar a fatura e retirar a cobrança de juros no próximo mês”, recomenda ela. Caso haja penalização pelo atraso do pagamento o procedimento é juntar as provas da lesão que a greve causou e entrar com uma ação de danos morais e materiais tanto no juizado quanto no Procon, sendo que neste só cobre danos materiais.

Na visão do presidente do Sindicato, ele vê a reação da sociedade brasileira diante da greve, bastante compreensiva. “Eu sou daqueles que percebo que já há uma assimilação muito significativa da população, com relação à greve, embora a sociedade ainda tenha uma consciência burguesa, com idéias individualistas, mas o que se vê é uma mudança significativa na postura das pessoas”, analisa. Ele diz que durante esse tempo de paralisação, espera ter contado com o apoio da população trabalhadora e pede pra que ‘vejam a greve dos bancários hoje podendo ser a de cada um amanhã’. “O trabalhador do ramo financeiro é um dos poucos que mantêm uma cumplicidade tão grande com a população e vice-versa, assim, nesse momento de greve é que há o respeito e a compreensão da população, não vendo grandes problemas incontornáveis de estabelecer uma greve”, finaliza.

*Matéria fechada em 21 de outubro de 2009

Os Efeitos da Licitação para o Transporte

Posted in Cidade by micheletavares on 22/10/2009

Por Thiago Ribeiro

Em setembro passado, o Prefeito da Aracaju, Edvaldo Nogueira, anunciou uma série de medidas que prometem melhorar o serviço de transporte urbano da capital, dentre elas a criação de uma comissão para a tão esperada licitação que só deve sair em 2010. Mas será que a licitação resolve os problemas do transporte coletivo?

Pelo menos o anúncio dela já foi suficiente para pressionar as empresas a prestar melhores serviços à população. Coincidentemente, ou não, à medida do prefeito, as empresas prometeram colocar 100 novos ônibus em circulação ainda este ano. Vale lembrar que a promessa de renovação da frota foi feita em janeiro passado. Além disso, os empresários também se comprometeram a instalar câmeras de segurança e serviços de GPS/GSM para auxiliar no monitoramento dos ônibus.

Essa não é a primeira vez que se tenta criar uma licitação para gerir o sistema de transporte coletivo de Aracaju. Na primeira tentativa de criar a licitação, em meados do ano 2000, os empresários conseguiram barrar o processo da licitação através de uma ação judicial. Como a licitação deverá abrir espaço para empresas de todo o país, os empresários locais estão apreensivos com a forte concorrência que deverão sofrer, bem como às novas regras que virão.

Uma outra barreira para a licitação é incluir além de Aracaju, os demais municípios de Barra dos Coqueiros, São Cristovão e N.S. de Socorro que possuem um sistema mais deficiente que o da capital.

Já a apreensão dos usuários está na expectativa quanto a possíveis aumentos da tarifa. “Todo ano a passagem aumenta o valor, mas o salário da população não aumenta na mesma medida. Essa licitação tem que ter um controle disso ”, diz Tereza Dantas, usuária do transporte coletivo da capital.

Para Jairo Alves, assessor de comunicação da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito, SMTT, o aumento da tarifa ainda não foi decidido. Ele afirmou que “a prefeitura se mantém compreensível tanto ao gasto das empresas quanto às condições econômicas da população, mas por enquanto não há previsão para aumento das tarifas”.

O assessor informou ainda que a sociedade também pode contribuir para melhoria do sistema de transporte coletivo com sugestões, criticas e denúncias através do sistema de ouvidoria implantado pela SMTT, através do telefone 3238-4646.

Segundo Jairo, a população tem fornecido uma grande contribuição através da ouvidoria: “as reclamações mais comuns dos usuários do transporte coletivo são os atrasos e as péssimas condições de algumas linhas, o que resultou na apreensão de diversos veículos que não atendiam às condições de uso e segurança aos passageiros”, comenta.

Semasc prorroga prazo de recadastramento do Bolsa-Família

Posted in Cidade, Política by micheletavares on 21/10/2009

Por Mairon Hothon

Transferência direta de renda do Governo Federal

Cartão Bolsa-Família (Foto: Divulgação)

O recadastramento para o Programa Bolsa Família tem nova data. É isso mesmo! Os quatro mil aracajuanos que ainda não se recadastraram têm até o dia 31 de outubro para regularizar sua situação e continuar recebendo esse benefício, caso contrário o mesmo será bloqueado. A Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (Semasc) prorrogou a data a pedido do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) que concluiu haver um grande número de famílias que ainda não se atualizaram correndo o risco de perder esse beneficio.

Em Aracaju, o recadastramento pode ser feito nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) localizados nos cinco distritos da capital (veja tabela no final da reportagem dos Cras na Cidade). Nas cidades do interior de Sergipe, as famílias devem procurar as prefeituras locais. Para o recadastramento é necessário apresentar os seguintes documentos: carteira profissional (para os maiores de 18 anos), CPF, carteira de identidade, declaração escolar dos filhos (com idade entre 7 e 17 anos) e declaração da Unidade de Saúde da Família (USF) para as crianças de 0 a 6 anos (com informações sobre vacinação, peso e medidas). As gestantes que recebem o benefício também devem solicitar declaração da USF.

O Bolsa-Família

Sendo o principal programa de transferência direta de renda do Governo Federal, que visa atender os direitos básicos, o Bolsa Família atende as famílias com renda mensal de até meio salário mínimo ou uma renda familiar de três salários, devidamente cadastradas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico). Dentro dos padrões impostos, a família pode chegar a receber até R$200. Para tanto os pais devem comprovar a freqüência escolar dos filhos, de no mínimo 85%, e apresentar o cartão de vacinação da criança.

Foto de Mairon Hothon

CRAS da Rua Alagoas (Foto: Mairon Hothon)

Criado em 2003, pelo Governo Lula, o programa é a junção dos antigos programas sociais Bolsa Escola, Cartão Alimentação e Auxilio Gás, criados durante o governo FHC. A princípio a idéia foi reunir todos esses projetos em um só, a fim tentar reduzir as fraudes e melhorar a condição de miséria da população brasileira, todavia o resultado não tem sido o esperado.

Muitas são as denúncias contra esse programa. Uma delas é que apesar do reajuste de 10% a renda recebida pelo Governo Federal não melhorou na qualidade de vida das pessoas e nem contribuiu para um desenvolvimento sustentável, a exemplo dos estados do Nordeste, pois o Governo apenas deu o beneficio sem melhorar a educação e nem tampouco a saúde da população. Outra denuncia foi publicada pelo jornal Correio de Sergipe (10/05/2009), em matéria intitulada “Desvios de Rota”, revela que o programa serviu para aumentar a renda mensal de muitos apadrinhados políticos e “espertalhões” em geral como é visto diariamente nos noticiários de TV.

Mas as denúncias não acabam por aí. Muitas são as criticas que vem de todos os lados, ou quem não se lembra da critica feita pelo o presidente da Comissão para Serviço de Caridade, Justiça e Paz, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Aldo Pagotto dizendo que o Bolsa Família “vicia” e que “são várias famílias se contentando com pouco”. O próprio Frei Betto, ex-coordenador de mobilização social do extinto programa Fome Zero disse que o Bolsa Família era um programa incompleto com o único objetivo de arrecadar votos.

Foto de Mairon Hothon

(Foto: Mairon Hothon)

A Coordenadora do programa no município de Aracaju, Rosangela Theobald, defende a existência de um órgão fiscalizador responsável pelo monitoramento local. “É projeto da prefeitura que em cada distrito da cidade, haja um conselho local no qual os próprios moradores serão os fiscalizadores, pois não há como fiscalizar as 34 mil famílias que recebem o auxilio só na capital”, explica.

Ela relata também que nunca foi descoberto em nosso município algum caso de fraude e defende a iniciativa do Governo Federal: “Trata-se de um ótimo programa, pois além do benefício recebido há também um Plano de Qualificação Profissional (Plansec), do Governo Federal, onde são oferecidos cursos técnicos para a população. Isso, portanto tem feito mudanças positivas em nosso município”, finaliza.

CONFIRA OS LOCAIS DE RECADASTRAMENTO DO BOLSA-FAMILIA EM ARACAJU:

CRAS Terezinha Meira
Endereço: Rua João Ferreira Lima, 125 B. Nova Veneza I – Tel: 3179-3239.
Comunidades: Nova Veneza, São Carlos, Olaria, Jardim Centenário e Matadouro.

CREAS Maria Pureza
Endereço: Travessa Canaã, s/n, Bairro Pereira Lobo – Tel: 3179-1366.
Comunidades: Suissa, São José, Pereira Lobo, Luzia, Getúlio Vargas, Grageru, Centro, Cirurgia, 13 de julho.

CRAS Dr. Carlos Hardman Côrtes
Endereço: Av. Carlos Marques, s/n, Bairro Soledade – Tel: 3179-2819.
Comunidades: Soledade

CRAS Prof. Gonçalo Rollemberg Leite
Endereço: Rua de Alagoas, 2051, Bairro José Conrado de Araújo – Tel: 3179-2242.
Comunidades: Siqueira Campos, Novo Paraíso, José Conrado de Araújo, América.

CRAS Jardins Esperança
Endereço: Praça Pedro Diniz, s/n, Bairro Inácio Barbosa – Tel: 3179-1438
Comunidades: São Conrado, Inácio Barbosa, Jardins.

CRAS João de Oliveira Sobral
Endereço: Rua Senhor do Bonfim, s/n, Bairro Santos Dumont – Tel: 3179-2817
Comunidades: Santos Dumont e Bugio.

CRAS São João de Deus
Endereço: Rua São, s/n, Bairro Santo Antônio – Tel: 3215-3527/ 3179-3470
Comunidades: Santo Antônio.

CRAS Santa Maria
Endereço: Av. Principal, 2577, Bairro Santa Maria
Comunidades: Santa Maria

CRAS Antônio V. Rollemberg
Endereço: Av. Canal, s/n, Conjunto Augusto Franco, Bairro Farolândia – Tel: 3179-3067
Comunidades: Robalo, Mosqueiro, Farolândia, Aeroporto.

CRAS Porto Danta
Endereço: Maria das Dores, 119, Bairro Porto Dantas – Tel: 3179-3472
Comunidades: Porto Dantas, Coqueiral

CREAS Viver Legal
Endereço: Av. São Paulo
Comunidades: Ponto Novo e Castelo Branco.

CRAS Risoleta Neves
Endereço: Rua Nossa Senhora da Glória, 854, Bairro Alto da Jaqueira.
Comunidades: Palestina, 18 do Forte, Cidade Nova, Sanatório.

CRAS Dr. Carlos Fernandes Melo
Endereço: Av. Lamarão, s/n, Bairro Lamarão – Tel: 3179-2818
Comunidades: Lamarão

CRAS Madre Tereza de Calcutá
Endereço: Largo da Aparecida, s/n, Bairro Jabotiana
Comunidades: Jabotiana e Capucho

CRAS Pedro Averan
Endereço: Rua Macelino Procópio da Silva, s/n, Bairro Manuel Preto – Tel: 3179-3469.
Comunidades: Industrial

CRAS Benjamim Alves de Carvalho
Endereço: Rua Josué Carvalho Cunha, 900, Bairro Coroa do Meio – Tel: 3179-3349
Comunidades: Atalaia e Coroa do Meio

Centro Administrativo Frei Luiz Canolo de Noronha
Endereço: Rua Frei Luiz Canolo de Noronha, 42, Conjunto Costa e Silva, Bairro Ponto Novo.