Técnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística

Nota técnica. Telefone Celular é produto essencial, mas ainda existem dúvidas.

Posted in Ciência e Tecnologia by micheletavares on 26/10/2010

Uma ferramenta de convergências.  O consumidor tem direito a troca imediata de celular com defeito, mas para especialistas é possível exigir substituição com base no código do consumidor.

Por Egicyane Lisboa Farias

Processos arquivados, PROCON (Foto: Liliane Nascimento)

O telefone celular é uma das mais bem sucedidas invenções tecnológicas, cuja principal característica é a mobilidade. Permite que o usuário efetue e receba chamadas de qualquer lugar dentro da área de cobertura de sua operadora, inclusive em movimento para qualquer outro lugar do mundo. Quase ninguém sai de casa hoje sem celular. E, se esquece, volta, por se sentir perdido.Quem nunca voltou? É impossível negar a utilidade dos telefones móveis. Com um celular, nosso controle sobre espaço e tempo literalmente mudou.

Um celular hoje pode ter inúmeras funções: despertador, mensagens, fotos, vídeos, MP3, rádio, internet, jogos, calculadora, agenda, calendário. E inclusive levar ao vício. É significativa a importância do aparelho celular na vida dos brasileiros.  Mas é preciso tomar cuidado para não ocorrer um vicio uma dependência dessa tecnologia.

Cada vez mais as empresas acreditam que adaptar seus produtos e serviços às exigências do consumidor é uma forma de diferenciar-se da concorrência e ganhar mercado. O consumidor deve ser o grande beneficiado. A expectativa é de que com mais competidores os preços caiam, fazendo valer a boa e velha lei da oferta e da procura. No entanto existe os problemas que deixam os consumidores insatisfeitos a tal ponto de procurar seus direitos.

Ranking de reclamações do PROCON no primeiro semestre 2010. (Fonte: Ministério da Justiça)

O Sistema Nacional de Defesa do Consumidor (SNDC) a partir de dados coletados, constatou que a maioria das queixas dos consumidores recai sobre a  substituição e o reparo de aparelhos celulares. As empresas de telefonia também lideram o ranking de reclamações da Procuradoria de Proteção e Defesa do Consumidor (PROCON). Segundo o Ministério da Justiça, a Samsung aparece no topo da lista, com 29,36% do total de atendimentos registrados ao longo do primeiro semestre. Em seguida aparecem LG (25,38%), Nokia (21,19%), Sony Ericsson (15,51%) e Motorola (8,56%). Diante desta situação e para atender aos viciados de plantão foi estabelecida nota técnica no dia 15 /06/2010 pelo Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), determinando que em caso de vício no aparelho, os consumidores podem passar a exigir de forma imediata a substituição do produto, a restituição dos valores pagos ou o abatimento do preço num outro aparelho.

A coordenadora de atendimento no PROCON/SE Marisia, diz que houve uma pequena diminuição nos processos administrativos abertos por consumidores insatisfeitos. “Antes a pessoa quando adquiria celular e ele apresentava defeito tinha que encaminhar a assistência técnica e aguardar 30 dias. Agora com essa nota técnica do Ministério da Justiça é que a troca é imediata e determina que o celular é um produto essencial”.  Sendo elevado à categoria de produto essencial, o celular passa a ser considerado tão necessário quanto alimentos, medicamentos e produtos de higiene.

Procuradoria de Proteção e Defesa do consumidor (PROCON) (Foto: Liliane Nascimento)

De maneira geral, as prática dos varejistas são abusivas. Eles (fornecedores imediatos) evadem-se da responsabilidade pelos vicios de qualidade, deixando ao consumidor como única alternativa buscar junto ao fabricante ou importador (fornecedores mediatos) a resolução das inadequações do produto. “Quando da defeito, tem que trocar o aparelho. Olhar porque o aparelho deu defeito, prazo de garantia e procurar a autorizada ou fabricante central”, diz a vendedora da Vivo revedendora autorizada, Dianna dos Santos. Ou seja, os varejistas, fornecedores imediatos do produto, não assumem a responsabilidade sobre os defeitos apresentados pelos aparelhos, o que obriga os consumidores a procurar os fabricantes para a solução do problema. Ao procurar os fabricantes, os consumidores são encaminhados às assitências técnicas ou aos centros de reparos dos fabricantes, por meio de postagem nos correios gratuitamente.

“ Eu acredito que o consumidor tem razão e o lojista não está fazendo a troca imediata como deveria acontecer. Aí em todo vem a fiscalização do PROCON, a questão do procedimento administrativo,  porque ele está  desrespeitando a uma nota tecnica”, diz a diretora da Procuradoria de Proteção e Defesa do consumidor (PROCON), Gilsa Brito.

Mas o que se observa é que a maioria dos lojistas não cumprem o que está na nota tecnica. “Ele é imediador.  Se a empresa comenter alguma infração fica sujeita a multa, troca do produto, casação do registro, todos esses atributos”. “A gente tem um covênio com Minitério da Justiça que é orgão federal então nos temos poder de politica”, pontuou a diretora Brito.

Advogado Dr. Jarbas Gomes de Miranda (Foto: Egicyane Lisboa)

O principal objetivo do PROCON é propiciar o fácil acesso aos serviços que são oferecidos, com o fito de facilitar a defesa dos direitos do cidadão/consumidor, garantindo, por fim, o cumprimento das normas contidas no Código de Defesa do Consumidor e nas demais legislações protetivas, facilitando desta forma, o pleno exercício da cidadania. Essa defesa se dá através de um advogado para acompanhar a causa e direitos do seu cliente: “O advogado é essencial a administração da justiça, é constitucional”, assegura o advogado Dr. Jarbas Gomes de Miranda.

Mais celular realmente é um produto essencial?

De um lado consumidores dizem que sim por ter finalidade e facilidade de comunicação: “Acho o celular um produto essencial porque serve como meio de comunicação, com ele falo com minha família que mora longe, meu namorado, amigas” diz, Luiza Maria dos Santos, 17 anos, estudante do Colégio estadual Governador Djenal Tavares Queiroz.

Por outro lado a justiça na pessoa do Juiz Federal Ricardo Gonçalves da Rocha Castro, do Tribunal Regional Federal (TRF) da primeira Região de Brasília, determinou suspensão da elicacia da Nota Técnica 62/2010 do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC). Ele questionou a possibilidade de uma nota técnica regulamentar ou ampliar a proteção legal que já esta prevista no código de defesa do consumidor (CDC).

Tecnofilia

Posted in Ciência e Tecnologia, Coluna, Internet by micheletavares on 09/07/2010

Inovação


No último dia 30 a Rossi, empresa do ramo imobiliário, levou seus clientes para verem a maquete, se é que assim podemos denominá-la, do seu mais novo empreendimento. Utilizando a realidade aumentada, técnica proveniente da ciência da computação, os clientes puderam visualizar, num vôo de helicóptero e através de um notebook, o prédio em tamanho real exatamente no terreno onde ele será construído quase como um holograma a La Star Wars. A realidade aumentada consiste na integração de elementos do mundo virtual com elementos do mundo real formando uma espécie de maquete em três dimensões completamente integrada ao mundo real. Além de ter oferecido aos seus clientes uma experiência a parte, a empresa ainda vai ser registrada no Guiness World Records  com o título de maior marcador de realidade do mundo com 900 m². Agora visitar stands de vendas imobiliárias certamente vai começar a ficar mais interessante.

Carreira

Apesar de mercado restrito, Sergipe também possui seus representantes no mundo dos quadrinhos e animação. Hoje podemos contar com ilustradores que além de serem reconhecidos aqui no estado, já estão construindo seu nome no mercado internacional como é o caso do ilustrador Adelson Tavares. Como em Aracaju o mercado de entretenimento envolvendo quadrinhos e games, ainda é muito inexpressivo, os profissionais do estado têm a internet como ferramenta essencial para conseguir contatos por todo o país e até fora dele construindo dessa forma suas carreiras e ganhando reconhecimento aqui no estado também. Da nossa terra grandes talentos também surgem. Agora, precisamos encontrar uma forma de reconhecê-los melhor e de proporcinar a eles um ambiente favorável ao desenvolvimento das suas cupações.

 

Lançamento do Firefox 4 promete manter o avanço do Mozilla


Na última semana foi anunciado que o Internet Explorer voltou a crescer depois de sucessivos avanços do Mozilla. O browser da Microsoft já ultrapassa 60% da preferência, mas, com o lançamento da nova versão beta do Firefox a navegação deve ficar mais leve e cada vez mais as pessoas poderão personalizar mais o seu browser (característica marcante do Firefox), com isso, o IE deve novamente sofrer uma queda. Além da velocidade, a nova versão da raposa deve corrigir várias falhas e permitir a visualização de vídeos em alta definição pelo HTML 5. Outra novidade é que o Google Chrome, a aposta da gigante da Internet, vem ganhando cada vez mais adeptos e já figura em 3º lugar na disputa dos navegadores. Se você quer testar (e deixar de usar seus add-ons), aproveite e faça o download, mas não é recomendável para quem não quer perder as atuais funcionalidades do seu browser.

Faça o download da nova versão aqui (disponível somente em inglês).

 

Google Chrome é o mais preparado para receber o HTML 5


 

A linguagem HTML convencional data de 1997, de lá para cá a Internet evolui numa velocidade nunca vista anteriormente. Mas, parece que o HTML 5 pretende sanar esse atraso na evolução da web. Ela não veio somente para substituir o Flash, o novo código permite organizar muito melhor o conteúdo de uma página. Além disso, ele permitirá que elementos feitos em javascript possam rodar sem paralisar o navegador e também possibilitará adicionar informações sobre geolocalização. Um outro fato interessante é que com essa linguagem o usuário poderá ler seus e-mails sem estar conectado (funcionalidade que, até hoje, só está disponível somente para o Gmail). Resta saber se esse novo código será acessível para todos os browsers e se ele rodará em computadores que não sejam de última geração.

Veja um infográfico (em inglês) sobre como funcionará o HTML 5.

Veja também um pouco mais sobre as novas funcionalidades.

Mouse está com seus dias contados

 

Novo projeto apresentado por um aluno do Massachussets Institute of Tecnology (MIT) propõe usar apenas a mão para controlar o cursor na tela do computador, aposentando assim o mouse tradicional. O estudante de engenharia Pranav Mistry, demonstra em seu site como o acessório pode ser substituído por movimentos da mão do usuário, com a ajuda de laser infravermelho. Segundo ele o laser cria uma camada invisível a olho nu na superfície, que ilumina as pontas dos dedos quando os movimentos são reconhecidos através de uma câmera, e o protótipo funcional custa aproximadamente US$ 20 (cerca de R$ 35) para ser produzido. Tecnologia ou exagero?

Campos conectado

Internet sem fio, em caráter de teste, já está disponível na Universidade Federal de Sergipe (UFS). Os pontos de acesso são a Didática II, Biblioteca Central (BICEN), Centro de Ciências Exatas e tecnológicas (CCET) , Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS) e Diretório Central dos Estudantes (DCE). Para utilizar é necessário configurar o navegador para usar proxy. As informações de como configurar estão disponíveis no site de redes: http://www.rede.ufs.br.

O login pode ser feito pelos alunos utilizando o número da matrícula e o sistema do DAA, que correspondem respectivamente ao número de usúario e a senha. O intuito do projeto é que em breve possa atingir toda a Universidade. Estamos no aguardo.

*Equipe de reportagem: Morgana Brota, Eloy Vieira, Lorena Larissa

Como lidar com a automedicação?

Posted in Ciência e Tecnologia, Comportamento by micheletavares on 10/05/2010

Todos sabem que a automedicação nos dias de hoje é quase tão normal quanto respirar. Porém, descobrimos que essa prática pode, sim, trazer benefícios ao ser humano quando feita de forma responsável, ao contrário do senso comum.

Por Morgana Brota e Maluh Bastos

O que você faria se estivesse sentindo os famosos arranhões e coceira na garganta? E caso a sua voz ameaçasse falhar e a dor incomodasse tanto a ponto de não conseguir engolir algo, você procuraria um médico ou se dirigiria até a farmácia mais próxima para comprar um antiinflamatório? E aquela dor de cabeça que consome o seu juízo há dias, seria motivo para uma consulta médica? As respostas para essas perguntas são bastante previsíveis e ,acredite, você não é o único com o hábito de se automedicar. Em pleno século XXI, que traz consigo facilidades e soluções imediatas e cada vez mais práticas, passar horas num consultório aguardando sua vez já não é mais tão viável e procurar ajuda médica parece não ser assim tão atraente.

A automedicação é um fenômeno mais social do que médico ou clínico e essa prática está diretamente ligada ao direito ao autocuidado que todo o indivíduo possui. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece esse direito e define autocuidado como as ações que as pessoas fazem por si mesmas para estabelecer a saúde, prevenir e lidar com doenças. Ou seja, os hábitos de higiene, a busca pela qualidade de vida através de uma boa alimentação e da prática de exercícios e a automedicação estão inclusos nesse pacote. A automedicação, quando realizada de forma responsável,  pode trazer muitos benefícios ao paciente.

O autocuidado, até o início do século XXI, é um fenômeno que esteve muito presente nos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. Isso se deve a duas causas: uma cultural que se apóia bastante nas formas tradicionais, como o uso de ervas medicinais, por exemplo. A outra está ligada à dificuldade de acesso aos serviços básicos de saúde presente nesses países. O individuo acaba criando uma expectativa negativa sobre o sistema de saúde e passa a buscar medidas não oficiais para o tratamento de que precisa.

Sala de espera para retirada de remédios na Assistência Farmacêutica Ambulatorial do Hospital das Clínicas, na Zona Oeste de São Paulo. Fonte:G1 Notícias

Então, tomar um xarope para aliviar os sintomas da tosse não é nada de muito absurdo. Mas é preciso tomar cuidado, há uma linha muito tênue entre os aspectos positivos e negativos da automedicação.

Saúde como bem de consumo

Na maioria das vezes, a automedicação, mesmo sendo uma pratica recorrente, é extremamente criticada. O que muitas vezes não fica explícito é que, de certa forma, a sociedade é induzida a essa prática e é preciso ressaltar que a estrutura econômica e o mercado farmacêutico nunca incentivaram tanto a automedicação como incentivam hoje. “Eu ouso dizer que o indivíduo é condicionado a se automedicar” declara Wellington Barros da Silva, doutor em Educação Científica Tecnológica e professor do curso de farmácia da Universidade Federal de Sergipe.

Dessa influência que o indivíduo sofre, surge um fenômeno conhecido como medicalização da sociedade, onde o individuo é induzido pelo sistema capitalista no qual ele está inserido a se medicar desnecessariamente. “Ou seja, a medicalização é quando o indivíduo perde o controle, e todas as dimensões da sua vida estão sujeitas a interferência médica”, explica o professor.

Como conseqüência desse fenômeno a saúde se torna um bem de consumo que quanto mais consumido, mais lucro leva a indústria médica farmacêutica em geral. O professor Wellington explica ainda que esse estímulo ao consumo de saúde gera um outro fenômeno chamado atrogênese social, que é a sensação de estar vivendo numa sociedade o tempo inteiro doente pelo fato de ela estar o tempo todo em busca da saúde.

Existe ainda outro conceito fundamental para que possamos entender o que está acontecendo com a nossa sociedade, o de medicamentalização, que se exemplifica quando alguém faz uso irracional de medicamentos.

Além das reações adversas às quais todo usuário de qualquer medicamento está exposto, o uso de medicamentos sem prescrição médica pode mascarar um problema de saúde mais grave. Não é a toa que depois das propagandas de remédios na TV sempre ouvimos uma voz grave declarando que “ao persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado”.

Arte por: Maluh Bastos

De acordo com o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (SINITOX), o Brasil tem como principal agente tóxico os medicamentos, atingindo aproximadamente 28% dos casos de intoxicação humana no país.  A SINITOX afirma que os remédios que mais intoxicam vão desde os mais claramente prejudiciais como, os benzodiazepínicos – remédios provenientes da benzodiazepina, como o famoso Diazepam, comumente conhecido como Valium –  aos mais populares, como os antigripais e antiinflamatórios.

Medicamentos que contém cânfora e mentol, por exemplo, são contra indicados para crianças menores de 3 anos de idade. “Já teve um caso aqui em Aracaju que uma criança quase morre por causa disso, pois o medicamento pode causar depressão respiratória, a criança pode ter uma parada cardíaca e morrer”, informa o professor.

Caveira de remédios. Fonte: http://4.bp.blogspot.com/

Os problemas do uso irracional dessas substâncias não ficam só no âmbito pessoal, as reações adversas trazem também um custo econômico que muitas vezes pode ser muito alto para o setor de saúde do país. “Uma pessoa que tem reação devido à automedicação feita de forma errada, adoece e fica fora do mercado de trabalho, ou seja, é ruim para ela e é ruim para a sociedade que tem que pagar o custo de mais uma pessoa doente”, declara o professor. Existe também o custo social que essa pratica pode causar, as pessoas que morrem ou que ficam incapacitadas geram um custo para a sociedade, além de ser uma perda para a família.

Outra conseqüência que deve ser refletida em relação à automedicação é o uso de antibióticos que trouxe ao Brasil um fenômeno muito grave conhecido como resistência anti-microbiana. “O problema é crônico e muito complicado, o perigo é que estamos quase chegando ao ponto em que nenhum antibiótico a venda resolva os problemas bacterianos da população. Esse alerta já foi dado há uns 10 anos atrás, porém hoje isso está mais forte do que nunca. Ou seja, estamos no limite”, alerta o professor Wellington. A previsão é que em setembro deste ano os antibióticos passem a sofrer um controle mais rígido nos pontos de venda que terão que reter a receita do paciente no ato da compra.

Outro ponto conveniente a tratar é a forma disfarçada de automedicação através das anfetaminas, que estão sendo bastante utilizadas por conta da promessa de emagrecimento que elas trazem. Essas substâncias, assim como tantas outras, precisam de prescrição médica para ser adquiridas, mas podem ser facilmente compradas sem a receita. Outra substância que está sendo muito utilizada e que se tornou muito polêmica é a sibutramina, que provoca risco de morte através do infarto do miocárdio. A sibutramina, substância que diminui a vontade de comer, provocando o aumento da saciedade, tem sido usada em todo o mundo para tratamento de obesidade adulta. Mas em 2010, a sua venda foi suspendida na Europa, por conta do aumento do risco de acidentes cardiovasculares. Aqui no Brasil o medicamento continua sendo comercializado e suas reações adversas já constam na bula do medicamento.

Editoria de Arte / Folha Imagem

A automedicação e a farmácia

Em tese, a farmácia deveria zelar pela saúde dos clientes que a procuram e defender o seu bem estar, e não interesses próprios. “A farmácia é um ambiente de saúde”, define Alex Moreira de Araújo, farmacêutico que trabalha numa rede de farmácias da capital sergipana. Mas o que vemos por aí nem sempre condiz com essa definição.

A farmácia é o ponto de venda dos remédios, e fiscalizar o que acontece por lá é um fator chave no controle do uso irrestrito de medicamentos. Quem nunca foi à farmácia e levou para casa uma medicação de tarja vermelha sem uma receita médica? Pois é. Lá na caixa do produto encontramos escrito “venda sob prescrição médica”. Mas é assim que acontece? Nem sempre.

Um procedimento tão comum como o citado acima diz respeito à troca de medicamentos no balcão. Uma pessoa entra na farmácia e se dirige ao balcão com sua receita médica. Chegando lá, o atendente após examinar aquele documento, indica um remédio mais barato, mais em conta, no entanto, com o mesmo efeito. As pessoas não pensam duas vezes: remédios são muito caros e por quanto menos sair, melhor.

Quando o medicamento é trocado por outro que não seja um genérico, há nesse processo uma atividade criminosa, pois a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) criou uma lei na qual deixa bem claro que todas as trocas efetuadas devem ser feitas por um farmacêutico mediante carimbo e assinatura. “A ANVISA se detém muito nessa questão de normatizar, policiar o que o laboratório faz em relação aos médicos e deixa muito de lado o que acontece no ponto de venda. Você nunca vê no jornal alguém algemado sendo levado para delegacia porque trocou uma receita e isso é crime”, declara Jorge Bastos, propagandista há 15 anos da industria farmacêutica. Jorge Bastos ainda comenta sobre a questão da ANVISA alegar que não possui efetivo para fiscalizar todos os estabelecimentos, o que não seria um grande problema, pois ele acredita no poder das punições exemplares. “Uma farmácia filmada e fotografada com o balconista sendo preso a cada uma ou duas semanas. Isso com certeza inibiria muito essa ação que é danosa”, finaliza o propagandista.

As redes sociais prometem ditar o futuro da Sociedade em Rede

Posted in Ciência e Tecnologia, Comportamento by micheletavares on 04/05/2010

Uns dizem que as pessoas emburrecem, outros dizem que até objetos serão meios de comunicação

por Daniel Nascimento e Eloy Vieira

O acesso à Internet é cada vez mais comum. Em três anos, o percentual de brasileiros de dez anos ou mais de idade que acessaram ao menos uma vez a Internet pelo computador aumentou 75,3%, passando de 20,9% para 34,8% das pessoas nessa faixa etária, ou seja, 56 milhões de usuários. Isso é o que traz a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) realizada em 2008 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Jéssica Vieira na ASCOM-UFS Foto: Daniel Nascimento

Esse crescimento é visivelmente influenciado pela participação dos internautas brasileiros nas chamadas redes sociais, ou, na verdade, redes sócio-virtuais como defende a jornalista da Assessoria de Comunicação da UFS, Jéssica Vieira em seu artigo ‘Redes Sociais: o preço da corrida contra o anonimato’. “A Internet veio para aproximar as pessoas mas, ao mesmo tempo que você tem uma aproximação, também tem uma distância muito grande. Poucas vezes alguém liga para você, elas deixam recados no MSN, pelo Twitter, pelo Orkut, e você acaba tendo uma vida social muito virtual, sua vida acaba sendo sócio-virtual e não social”, explica a jornalista.

Um bom exemplo desse comportamento é o da estudante de enfermagem, Tamara Oliveira, que, apesar de tímida e reservada, considera-se viciada em Internet. “Eu não passo 24 horas na Internet, mas me considero bastante viciada, porque às vezes fico horas em frente ao PC, sem fazer nada, apenas no MSN e no Orkut (meus vícios), não passo um dia sequer sem entrar na net”, revela. Mas ela diz que isso já foi pior, afirma que hoje já vive mais no mundo real e tenta deixar a introspecção de lado. Porém, uma olhada em alguns dos perfis, como o seu Formspring, através do qual nos concedeu a entrevista, percebemos que sua vida virtual ainda é movimentada, e confessa: “Já tentei parar de usar, mas não consigo. Agora que estou estudando é que conseguir deixar um pouco de lado, pois estava tomando muito meu tempo”. (Veja a entrevista completa aqui)

Professora Lilian França Foto: ASCOM-UFS

Exemplos como o de Tamara vem se revelando cada vez mais comuns. Segundo a professora e pesquisadora do Departamento de Artes e Comunicação da UFS, Lilian França, ainda não se tem uma explicação científica para esse comportamento dos brasileiros frente à Internet, mas ela aponta que a sociabilidade típica do nosso povo é umas das principais explicações. “Ainda precisa-se fazer um estudo de caso, mas alguns autores já defendem que o alto grau de sociabilidade do povo brasileiro não seja só nas relações tradicionais, mas também nas relações mediadas pela Internet”. Ainda de acordo com a professora, alguns motivos secundários podem ser apontados. “Hoje o mundo está cada vez mais violento, ou seja, as pessoas procuram se relacionar na segurança de sua casa, e na Internet isso é muito fácil, pois nessas redes você pode fazer amizades com pessoas de qualquer lugar do mundo que tenham afinidades com você”, explica.

A pesquisa feita pela empresa de consultoria belga, Insites Consulting só endossa o aspecto levantado pela pesquisadora. Segundo o estudo, os usuários ao redor do mundo já chegam a cerca de 940 milhões, e o Brasil ocupa uma posição de destaque. Já somos considerado o país com usuários mais ativos e com mais amigos em sua lista. Ainda há outro dado importante, juntamente com Portugal, esses mesmo usuários integram em média duas redes sociais enquanto os outros usuários dos países pesquisados integram somente uma.

Por dentro das redes

De forma simples e sintética, uma rede social nada mais é que uma rede de amigos e/ou conhecidos, por isso, pode-se dizer que o homem vive em redes sociais desde que se entende como um ser social. Mas, no artigo intitulado “Social Network Sites: Definition, History, and Scholarship” (Sites de Redes Sociais: Definição, História e Pesquisa) os pesquisadores norte-americanos Boyd Danah (Berkeley) e Ellison Nicole vão mais além e definem as redes sócio-virtuais como serviços baseados na Internet que permitem que os indivíduos construam perfis públicos ou semi-públicos que permitem a articulação de listas de contatos com quem eles queiram manter-se conectados e que ainda possam visualizar ou trocar essa lista através desse sistema.

A Internet só surgiu no século XX, porém, com sua expansão a partir da década de 90, surgem as primeiras redes sócio-virtuais. A pioneira delas foi a Sixdegrees, que teve início em 1997 com inúmeros usuários, mas não durou mais de três anos porque não era financeiramente auto-sustentável. Já a partir do começo do século XXI, surgem várias redes como o Live Journal, Asianevenue, Blackplanet, LunarStorm, MiGente, Cyworld, Ryze e Fotolog, mas aquela que mais se aproximava das redes sócio-virtuais como as que conhecemos hoje foi o Friendster, que logo teve um boom de usuários, mas, com o tempo, o site não conseguiu atender à sua demanda.

Linha do tempo. Arte: Daniel Nascimento

Manuel Castells. Foto retirada do site do professor.

Mas, o fenômeno não era tão novo para alguns pesquisadores. Um deles, o filósofo espanhol, Manuel Castells, considerado um dos principais ícones quando se fala em comunicação mediada por rede defende em seus livro “O poder da Identidade” e Sociedade em Rede que essas redes resultam da revolução das novas tecnologias da informação e da reestruturação do capitalismo. “A revolução da tecnologia da informação e a reestruturação do capitalismo introduziram uma nova forma de sociedade, a sociedade em rede. Essa sociedade é caracterizada […] por uma cultura de virtualidade real construída a partir de um sistema de mídia onipresente, interligado e altamente diversificado. […] Essa nova forma de organização social, dentro de sua globalidade que penetra em todos os níveis da sociedade, está sendo difundida em todo o mundo”.

Mocinhas ou vilãs?


Quem não tem uma amizade na Internet? E namoros virtuais? Existem pessoas que procura até sexo na Internet. O boom das redes sociais só propicia que tais atividades  se tornem mais freqüentes. Segundo Jéssica Vieira, que também é pesquisadora, muitas pessoas estão esquecendo de manter relações interpessoais fora dessas redes. “As pessoas acabam focando suas vidas na Internet, arranjam namorados na Internet, fazem amigos na Internet, visualizam a vida delas na Internet quando na verdade a vida delas não está ali”, afirma.

Na mesma linha da profissional sergipana, o professor norte-americano da Universidade Emory em Atlanta, Mark Bauerkein, defende que o mal uso dessas redes pode trazer conseqüências à juventude, causando assim o ‘emburrecimento’ dessa faixa etária. De acordo com ele, as redes sócio-virtuais e as demais tecnologias da comunicação agem para tornar os jovens mais distraídos em relação ao restante do mundo e culturalmente inferiores. “Os jovens de hoje são tão mentalmente competentes quanto os de 20 anos atrás, e têm muito mais oportunidades de adquirir conhecimentos, mas eles estão deixando de lado os hábitos intelectuais e se dedicando cada vez mais à comunicação ‘peer to peer’ (a expressão pode ser adaptada para ‘pessoa para pessoa’ ou interpessoal, em português)”, afirma Bauerkein ao Jornal Estado de São Paulo em 2008.

Ainda numa perspectiva não muito otimista, Jéssica alega que o acúmulo de informações presente nas redes é prejudicial ao jornalismo. Seguindo o raciocínio da jornalista sergipana, mais pessoas passam a divulgar informações na Internet, sem, necessariamente, haver uma confirmação dos dados. “Muitas pessoas acham que podem ser jornalistas e se ligam às redes sociais para divulgar um tipo de informação que não é verdade, informações que não tem credibilidade nenhuma”, argumenta.

Mas as redes sociais não são as vilãs da vida moderna, pelo menos é que Jéssica Vieira defende. Ela aponta que essas novas ferramentas apresentam novas funcionalidades como uma aproximação cada vez maior com o leitor. “Essa relação com o leitor, com o internauta, com o cara que pega a revista, com o cara que lê o que você escreve, deveria ser muito estreita, muito próxima do real” Ela ainda traz outro ponto típico da sociedade informacional. A informação circula cada vez mais e muito mais rápido, tornando-se quase onipresente em vários setores da sociedade.

Gráfico: InSites Consulting


O futuro promete

O comportamento humano é, de certa forma, imprevisível, mas alguns pesquisadores já são capazes de relatar algumas tendências. É o que traz André Lemos, professor de comunicação da Universidade Federal da Bahia e pesquisador de cibercultura em entrevista ao portal iT Web, especializado em Tecnologia da Informação numa reportagem especial sobre a Internet. “Em viagens, iremos deixar nossas impressões sobre um monumento e outra pessoa irá visualizar aquilo por meio de um dispositivo e softwares específicos que misturam códigos de diversos sistemas”, prevê. Ou seja, essa necessidade de tornar público sentimentos e opiniões deve ganhar espaços públicos integrados por meio de um sistema de redes virtuais integradas como uma manifestação da chamada realidade aumentada.

Se a chamada realidade aumentada transformar-se em algo concreto, as mídias sociais estarão tão onipresentes quanto os objetos do nosso cotidiano, pois, nesse cenário hi-tech, qualquer objeto capaz de ter emissores e sensores poderão ser meios de comunicação, logo, a comunicação digital seria tão comum como o ar que respiramos. Mas este é um cenário muito otimista e um tanto distante, pois, para que cheguemos a tal ponto, a capacidade do tráfego de informações pela web teria que aumentar de forma drástica.

Mas, colocando os nossos pés no chão, já vemos um futuro próximo e palpável se moldando. É o que aponta a professora Lilian França: “Esse processo é irreversível, a velocidade da chamada Internet 2.0 deve aumentar com a fibra ótica, o deve fazer com que as relações mediadas pela rede devem ser cada vez mais freqüentes, além disso, as empresas poderão oferecer produtos cada vez mais personalizados de acordo com o perfil de cada consumidor ativo na rede”. Este último aspecto gera polêmica, pois especialistas não vêem com bons olhos o que chamam de ‘hipercomercialização da sociabilidade’, um ponto que pode afetar até a instabilidade democrática num país.

A pesquisadora da UFS ainda destaca que a criação de leis para o ambiente virtual é algo imprescindível e defende a existência de limites. “Não há leis especiíicas para a Internet, já estudos na área, pois atitudes que prejudiquem a vida humana devem ser controladas”, analisa Ela ainda destaca que leis eleitorais que prevejam campanhas virtuais também são válidas, pois mesmo que a TV seja o veículo mais poderoso do nosso país, a massificação da banda-larga deve aumentar cada vez mais o número de cidadãos com acesso rápido e freqüente à Internet. “Aqui não haverá o ‘Fenômeno Obama’, pois somente cerca de 20% da nossa população tem acesso, mas, mesmo assim a campanha virtual deve ser penetrante, principalmente se houver uma massificação da banda-larga, mas, por enquanto a força ainda é na TV”, aponta.

Apesar de alguns videntes discordarem, o futuro da nossa sociedade em rede ainda é um tanto imprevisível. Pesquisadores de várias partes do mundo tentam compreender como o ser humano se comportará diante dessa nova configuração social. Mas uma coisa é fato: o futuro da sociedade em rede está nas minhas, na suas, nas nossas mãos, pois, somos nós que construímos diariamente a sociedade de amanhã. E aí, já se conectou?

Veja o vídeo produzido pela Agência Click:

Cobertura Jornalística Sobre a Transposição do Rio São Francisco é Tema de Subprojeto

Posted in Ciência e Tecnologia, Utilidade Pública by micheletavares on 25/11/2009

A abordagem midiática sobre a transposição do Rio São Francisco, feitas pelos sites dos estados da Bahia e Sergipe, é tema de um subprojeto desenvolvido pela professora Sonia Aguiar.

Por Júnior Santos

Se a transposição do Rio São Francisco já é um tema que envolve bastante polêmica, imagine estudar o que é noticiado pela mídia sobre o assunto. Esse é justamente o tema de um subprojeto, desenvolvido pela professora doutora da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Sonia Aguiar Lopes, que pretende estudar como vem sendo abordada a questão da transposição em sites de notícias da Bahia e Sergipe.

 Alocado no projeto denominado de “Jornalismo, Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional: interfaces e conflitos”, a pesquisa faz parte de um dos estudos desenvolvido pelo Laboratório de Interdisciplinar de Comunicação Ambiental, o LICA.

Em entrevista ao EmpautaUFS, a coordenadora do projeto esclarece melhor a linha de desenvolvimento da pesquisa e os resultados que se espera alcançar.

Coordenadora do Subprojeto, Sonia Aguiar, esclarece a linha de pesquisa.

EmpautaUFS – O estudo da transposição do Rio São Francisco faz parte do projeto “Jornalismo, Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional: interfaces e conflitos”. Qual é a questão central de abordagem do mesmo?

Sonia Aguiar – A pesquisa sobre como os sites de notícias de Sergipe e Bahia vêm cobrindo a transposição do Rio São Francisco desde 2004 visa estabelecer um contraponto aos veículos que fazem parte do Pool de Jornais de Nordeste, formado por Jornal do Commercio, Correio da Paraíba, Tribuna do Norte, Diário do Nordeste, Gazeta de Alagoas e O Estado do Maranhão, do qual não fazem parte os referidos estados. Embora o Pool tenha sido criado bem antes da retomada do projeto da transposição no Governo Lula, há claros indicadores de articulação entre as empresas do grupo em defesa da obra. Por outro lado, os meios de comunicação e os políticos em geral dos dois estados do Nordeste que mais “doarão” águas do São Francisco não assumiram publicamente, até o momento, nenhuma posição em bloco, contra ou a favor do projeto.

EPUFS – A transposição do Rio São Francisco, no subprojeto, começa a ser estudada a partir de que ponto?

S.A. – A pesquisa nos jornais do Pool vem sendo realizada desde julho deste ano (2009), como projeto Pibic, inicialmente concentrada no Jornal do Commercio de Recife, pelo que este veículo representa na região, em termos de antiguidade, solidez empresarial, amplitude da cobertura e organização de conteúdos em bases de dados no seu site, o que facilita muito a localização de matérias antigas.

 

“A minha hipótese é que esses dois estados [Bahia e Sergipe] da questão ficaram numa posição muito delicada perante a problemática do rio, e a pesquisa vai verificar como que esses grupos de mídia estão lidando com isso.”

 

EPUFS – Por que explorar os estados da Bahia e de Sergipe?

S.A. – Porque ao verificar a composição dos jornais que participam do Pool, da região nordeste, não há nenhum do Piauí, da Bahia e de Sergipe. Como o Caderno do Nordeste que eles lançaram fazia referência explícita à transposição do Rio São Francisco favoravelmente, a hipótese que eu levanto é que o Pool foi criado com forte interesse em defender essa posição. Pode não ter sido a única razão, mas é muito significativo que o Piauí, que não vai ser beneficiado, e Sergipe e Bahia, que não se pronunciaram nem contra ou a favor, tenham ficado de fora. A minha hipótese é que esses dois estados da questão ficaram numa posição muito delicada perante a problemática do rio, e a pesquisa vai verificar como que esses grupos de mídia estão lidando com isso.

EPUFS – O que espera alcançar com os resultados obtidos?

S.A. – Nem toda pesquisa tem resultado imediato para uma comunidade. Mas acho que pode dar uma contribuição em vários aspectos. O primeiro deles é da uma visão geral de como está a aceitação ou não da transposição, os discursos que são tomados como unanimidades quando na verdade não são, o que não foi dito. E assim, quanto essa falta de informação, ou uma não esclarecedora, pode vir a afetar as comunidades que, de alguma forma, serão prejudicadas pela transposição. Espero trazer a tona essas questões, para que possam ser geradas mais pesquisas que venham agir no papel de alerta para com a população.

 EPUFS – O subprojeto faz parte do Laboratório Interdisciplinar de Comunicação Ambiental, o LICA. Quem participa desse laboratório?

S.A. – O LICA é um grupo de pesquisa certificado pela UFS e cadastrado no CNPQ, do qual fazem parte três outros professores do DAC: Ana Ângela Gomes, Matheus Felizolla e Jean Cerqueira. Os objetivos, as linhas de pesquisa e os projetos em andamento de cada pesquisador podem ser consultados no site do grupo (em formato de blog): http://licaufs.blogspot.com/

Avanços da Física Médica

Posted in Ciência e Tecnologia by micheletavares on 20/11/2009

Por Gustavo Carvalho

Criado em 2003 para atender as necessidades de desenvolver projetos de pesquisa nos cursos de graduação e principalmente pós-graduação, o Grupo de Pesquisa de Física Médica, cresceu e se fortificou na sua área de atuação.

Coordenado pela professora doutora Divanizia do Nascimento Souza e pelo professor doutor Carlos Ernesto Garrido Salmo, o grupo busca através dos seus experimentos, garantir o controle de qualidade na atuação da Física Médica e de todos os instrumentos utilizados em diagnósticos e tratamentos na área da saúde.

Em entrevista concedida ao Empautaufs a professora Divanizia Souza comentou sobre os projetos e sobre a situação em que se encontra o grupo que busca simular a realidade dos desafios encontrados pela Física Médica diariamente.

Sobre os projetos, apoios e dificuldades

Um dos orientandos da professora Divanizia está desenvolvendo um tórax para ser usados nos testes em Raios-X. Segundo a professora, o grupo recebe um bom apoio da Universidade que possibilita a aquisição de aparelhos caros e essenciais. Um dos aparelhos adquiridos recentemente foi o de radiodiagnóstico, possibilitando a realização de vários testes nessa área.

Mesmo com o apoio que o Grupo de Pesquisa tem da Universidade a grande dificuldade que se mostra presente está relacionada às instalações precárias em que os aparelhos são utilizados.

O grupo realiza pesquisas em todos os campos da Física Médica. Dentre eles estão a ressonância magnética com a utilização da biofísica e eletrofísica, o radiodiagnóstico, a radioterapia e a medicina nuclear. O Grupo de pesquisa também tem como objetivo gerar recursos humanos e formar profissionais com maior experiência e qualificação profissional além de fornecer especialização e formar mestres e doutores no estado.

Parcerias

O grupo mantém parceria com o Hospital Universitário (HUSE) e o Hospital Cirurgia que oferecem espaço para os alunos desenvolver seus projetos, além de manter parcerias específicas com os experimentos em Medicina Nuclear que conta com o apoio da CLIMED. “Temos acesso a vários hospitais, o grande problema é que na maioria deles faltam instalações e espaço suficiente para fornecer estágio aos nossos alunos”, declara a professora Divanizia Souza.

Apesar de mercado restrito, Sergipe também tem seus representantes no mundo dos quadrinhos e animação

Posted in Ciência e Tecnologia by micheletavares on 19/11/2009

Por Morgana Brota

Muita coisa mudou desde que os primeiros quadrinhos e games surgiram. Algumas técnicas continuam fazendo parte do processo produtivo, outras deixaram de ser utilizadas e outras ainda se aperfeiçoaram e se adaptaram a nova realidade que preza pela velocidade da conclusão do trabalho.

E no que diz respeito a games, quadrinhos e animação, Sergipe também tem os seus representantes.

Mesmo com as novidades que a tecnologia traz ao mercado, o tradicional não some completamente. Praticamente todo o trabalho de um ilustrador hoje é feito com o auxilio do computador, mas diferente do que muitos pensam ilustração não começa na máquina.

O ritmo crescente de trabalho que a atualidade impõe pode muitas vezes causar prejuízos ao profissional e conseqüentemente ao resultado do seu trabalho, mas também pode o colocar num patamar mais profissional aos olhos do mercado e sua responsabilidade se torna ainda maior. “Hoje o desenhista e ilustrador não devem ser encarados como artistas que levam uma vida para completar uma obra”, revela Adelson Tavares, ilustrador sergipano que já está construindo seu nome no mercado internacional. Hoje o que existe são prazos cada vez menores em parceria com um controle de qualidade realizado pelas empresas que contratam esses serviços e o trabalho feito pelo profissional atinge as grandes massas.

Adelson Tavares

Adelson Tavares (Acervo Pessoal)

“Com o ritmo do mercado ficando cada vez mais frenético, tempo se tornou algo muito valorizado, por isso o meio digital se tornou tão importante.”

Adelson Tavares

Segundo Adelson, o mercado de trabalho em Aracaju é restrito e na área de entretenimento, que envolve quadrinhos e games, a situação é ainda mais complicada. Adelson desde muito jovem expressava interesse pela área e usou a internet como ferramenta para conseguir alguns contatos. Por conseqüência, os primeiros trabalhos, foram os que lhe renderam mais destes. “Funciona como uma reação em cadeia, embora eu ainda esteja engatinhando, lá fora já tenho uma pequena lista sólida de serviços”, declara.

Animação 2D

Muitos jovens entram no ramo da tecnologia ligada ao entretenimento por paixão, seja pela arte do desenho ou por animações, como é o caso de Márcio Barbosa, estudante do penúltimo período da faculdade de Design Gráfico.

Márcio Pimentel (Foto: Morgana Brota)

Segundo Márcio, o que existe hoje no mundo da animação é um aperfeiçoamento de certas técnicas e a preciosa ajuda do computador. Mas essa preciosa ferramenta também tem seus aspectos negativos e em alguns casos há o relaxamento de alguns desenhistas com os seus projetos.

Márcio admite que a Computação Gráfica ajuda bastante, principalmente na construção de cenários. “Fazer cenário, é um saco.”, admite.

Segundo Márcio, quando um cenário é projetado em 3D e não nos frames, quadros que reproduzem, cada um, a composição de uma cena como é feito no desenho tradicional, pode haver um resultado melhor na animação. Cenas dinâmicas que exigem muitos movimentos, como uma volta de 360 graus, são complicadas de serem feitas com os métodos tradicionais. É importante lembrar que apesar da Computação Gráfica o tradicional também aparece no processo de criação pois um objeto para ser produzido em 3D precisa ser desenhado primeiro.

 

E a respeito dos animes…

Conhecido popularmente aqui no Brasil como “anime”, a animação japonesa é essencialmente construída em 2D e muitos leitores devem estar se perguntando o motivo do 3D não ter invadido completamente esse setor. As novas tecnologias também atuam nesse ramo, mas de uma forma mais restrita. Fãs de anime são fiéis a sua estrutura, aos seus traços, por isso grandes inovações não pegam. Hoje, alguns animes  se utilizam das duas técnicas, ou seja, seus personagens continuam sendo construídos em 2D e o cenário, em 3D.

Não complique, “twitte”

Posted in Ciência e Tecnologia by micheletavares on 12/11/2009

                                                                                                                    Por Maluh Bastos

Uma das mais novas redes sociais, o Twitter, tem simplificado a vida de muitas pessoas com sua simplicidade e praticidade. Descobrimos um pouco da sua estrutura e o “segredo” da praticidade à primeira vista em pleno século XXI.

 

 Uma das mais populares redes de relacionamento vem tomando conta do mundo das relações midiáticas: o Twitter. Rápido, fácil, com milhares de famosos participando e contando detalhes da sua vida cotidiana… Parece

twitter

Página do twitter

praticamente impossível não sentir curiosidade de acessar esta rede.

Um pouco da história:

 Criada pelos americanos Biz Stone, Evan Wiliams e Jack Dorsey, o Twitter alcança a cada dia mais usuários em sua rede. Apesar de “novo”, o Twitter não nasceu do nada. Seus inventores já tinham experiência no ramo, sendo Williams o criador de outro sucesso da internet, o Blogger – atualmente vendido para o gigante da internet, o Google. O propósito era simples: criar uma rede social na internet que se tornasse um sucesso e pudesse ser atualizado através de mensagens de texto por celular, conhecidas como SMS. O alcance do objetivo foi rápido. Com aproximadamente cinco anos de existência, o Twitter já é fenômeno mundial. Já foi ferramenta política, com as campanhas “twitteiras” de Barack Obama; ferramenta de fofocas e intrigas entre famosos; e até ferramenta de revolução, como é conhecida a “Revolução do Twitter”, quando houve as denúncias da fraude eleitoral no Irã.

 Um pouco da estrutura:

 Entender como funciona o Twitter é bastante simples. Para compreender a base do desta rede social, precisa-se saber o que é uma API. Traduzindo para

twitter-iphone-apple-design-blog2 (http://www.rafaeldesigner.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/05/twitter-iphone-apple-design-blog2.jpg)

Twitter no iPhone

o português, a Interface de Programação de Aplicativo (IPA) é a base das funções de um aplicativo. O fundamento principal do Twitter é a Transferência de Estado Representacional, que resumida e simplificadamente, consiste no objetivo da rede: transferência de dados e informações para não só um receptor, mas vários.

A linguagem do Twitter é fácil e o passo-a-passo descomplicado. A rede ainda não tem tradução para o português como o Orkut, mas suas orientações em inglês são decifráveis para quem já navega o mínimo possível na internet. Já existem vários aplicativos do Twitter que facilitam aind amais seu manuseio: Twitterlicious e twitterific, que permitem o acesso ao Twitter pelos PCs e Macs; Outtwit, que permite o acesso pelo e-mail do Outlook; Tweet Scan que permite buscas no Twitter e foi incorporado ao campo de buscas do Firefox; e o Twessenger, o mais interessante. O  Twessenger permite, através do Windows Live Messenger (mais conhecido como MSN), em sua versão 8.1, o

twittergoogle

Twitter Google Maps

Twittervision, uma integração com o Google Maps – aplicativo do Google que localiza qualquer lugar do planeta em seu mapa. As mensagens do twitter enviadas por seus usuários são vistas no Google Map com um balão de fala do usuário no exato lugar do mapa onde ele se encontra.

Claro que uma rede nova e cheia de idéias como o Twitter tem vários outros aplicativos, entretanto, os listados acima são os mais interessantes e utilizados.

 

Um pouco das conseqüências:

 Está claro que uma rede social com tantos aplicativos e tantas possibilidades, exigidas cada vez mais pelo mundo globalizado, obviamente teria suas conseqüências sociais.

Algumas polêmicas surgem ao redor da rede, enquanto famosos como William Bonner e ex participantes do Big Brother Brasil discutem e deixam isso claro para todo o público ver. Questões éticas e as proporções dessa proliferação na comunicação são básicas para se discutir.

A facilidade que a rede proporciona é sua grande arma para a conquista cada vez maior do seu público, como relata o professor da área de Comunicação Social da Universidade Federal de Sergipe, Matheus Mattos Felizola,

Prof. Matheus Felizola

Prof. Matheus Felizola

doutorando em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. “Há uma necessidade com o avanço dos processos comunicativos de uma comunicação cada vez mais urgente e menos elaborada”, diz.

O fato da não necessidade de “seguir” obrigatoriamente alguém que o usuário “segue” e vice-versa também é um fator de grande impacto para a comunicação. “Por exemplo, eu não preciso que o departamento de comunicação de alguma pessoa jurídica no Twitter me siga para que eu veja todas as informações que eles publicam. Basta apenas segui-los. Assim, as informações são propagadas de forma mais rápida e com maior alcance”, ressalta o professor.

Com tantas vantagens, o usuário poderia ficar perdido sobre que meios de comunicação acessar quando precisar de notícias confiáveis. Porém, isso não acontece, o Twitter já se tornou um meio confiável, uma vez que as grandes empresas de comunicação têm suas contas na rede. “Muito pelo contrário de afastar as pessoas dos veículos noticiosos, o Twitter aproxima, através de links com maiores informações sobre aquele determinado assunto que foi abordado apenas com uma chamada”, afirma Felizola.

As questões éticas são polêmicas. Algumas empresas estão proibindo seus funcionários de utilizar redes sociais como Twitter. Quando questionado a respeito disto, o professor da área de Comunicação ressaltou: “A questão da publicação de material ou citações que prejudiquem a empresa são realmente criticáveis. Porém, a proibição da utilização dessas redes pelos funcionários de uma empresa é restrição à liberdade de expressão dos mesmos.”

 Com indagações éticas ou não, com polêmicas ou não, manter-se fora do Twitter no mundo globalizado no qual vivemos é praticamente querer ficar desatualizado. O acesso à rede é gratuito e as promessas para o aperfeiçoamento e criação de novos aplicativos são diversas. O Twitter pretende crescer mais, com seus amantes e críticos. Sua linguagem e utilitários simples descomplicam cada vez mais o mundo da nova geração de redes sociais na internet. 

“Agroecologia se faz todo dia”

Posted in Ciência e Tecnologia, UFS by micheletavares on 03/06/2009

Foto 1 - Bahia e CanéFoi com essa afirmação, em entrevista concedida ao Em Pauta UFS, que o estudante de Engenharia Florestal, Sílvio Marcos, mais conhecido por Bahia, concluiu sua fala sobre o Espaço de Vivência Agroecológica (EVA). No decorrer da entrevista, este juntamente com o estudante do curso de Biologia, Felipe de Sena, o Cané, traçou um panorama da atual condição do Espaço, esclareceu questões sobre a Agroecologia e questionou, entre outras coisas, a falta de participação dos estudantes.

Localizado logo após o Departamento de Artes e Comunicação Social da UFS, o EVA pretende, a partir de ações não agressivas ao meio ambiente, desenvolver o debate sobre a Agroecologia e procurar obter o conhecimento prático não encontrado nas salas de aula na Universidade. O trabalho do EVA é realmente de colocar a mão na terra, pegar na enxada, plantar e ver crescer. E foi dentro desse Espaço, entre árvores, mudas e todo tipo de vegetação, que a entrevista foi concebida. O resultado de uma conversa de 43 minutos pode ser conferido aqui, no Em Pauta UFS.

 Por Talita Moraes e Bianca Oliveira

EmpautaUfs: O que é agroecologia?

Cané: Agrecologia pode ser entendida de diversas formas, como uma forma de produzir se orientando pela qualidade nutricional dos alimentos, porque hoje os alimentos são produzidos e, dentro disso, existem vários pacotes introduzidos pela Revolução Verde- um processo ideológico de hegemonização de tecnologias para desenvolver a produção da área. Então, a agroecologia vem para se contrapor a esse modelo e propor alternativas sustentáveis, sustentáveis para o agricultor.

Bahia: Agroecologia é mais que uma ideologia, é prática, você a pratica todos os dias. Para mim, ela é uma ferramenta, que tanto contribui para a transformação da sociedade como para contrapor aos pacotes tecnológicos que são colocados pelo sistema.

EmpautaUfs: Mas a agroecologia utiliza-se da tecnologia, ou ela a abandona?

Bahia: Sim, ela se utiliza da tecnologia, mas associada ao acesso. Ela não usa de uma tecnologia que nem todo mundo terá acesso, como uma ferramenta que possa ser utilizada por um pequeno agricultor.

Cané: Como exemplo do fogão solar, que com duas caixas, um pedaço de mármore, outro de vidro você pode cozinhar feijão em quatro horas. Essa tecnologia, por exemplo, deveria ser difundida pelos agricultores, mas isso não é de interesse dos próprios estudantes de dentro das universidades, dos professores em incentivar esse tipo de projeto de pesquisa de extensão para a comunidade. E o próprio Governo, de certa forma, também inviabiliza isso, já que a política de assistência técnica de instituição rural do governo se preocupa mais em direcionar agroecologia para o mercado. Mas, na verdade, ela vem para trazer um equilíbrio econômico, uma reparação social, onde todos tenham direito de pertencer a terra, de produzir com a terra, de dividir a produção.

Bahia: Agroecologia se baseia em três princípios: socialmente justo, ecologicamente correto e economicamente viável. Dentro desse economicamente viável, existem as tecnologias alternativas, são tecnologias que podem ser criadas dentro da propriedade sem precisar de insumos ou energias de fora.

EmpautaUfs: Então, ela abandona as grandes produções de monocultura?

Bahia: Ela faz o contraponto justamente aí. A agroecologia não existe para ser introduzida numa área muito grande, é para ser praticada num lugar pequeno, onde o pequeno agricultor produz para a subsistência e o que exceder ele pode vender em feiras livres, trocar. Afinal, não tem como em uma área de 100.000 hectares trabalhar manualmente, seria preciso o uso de trator,EVA por exemplo.

EmpautaUfs: Vocês falaram sobre Revolução Verde. A partir de que momento ela existiu? Com a revolução industrial?

Cané: Foi no processo de pós II Guerra Mundial. Como tinha muita bomba, muita queimada de terra para poder visualizar o inimigo, as várias áreas da Europa foram devastadas, daí precisou-se de cientistas para estudar a química do solo, das plantas.

Bahia: No pós-guerra sobrou muito produto bélico, e eles custam um valor para quem faz a guerra e como estavam com tudo aquilo acumulado, tinham que dá um fim. Então, criou-se a revolução verde, um incentivo a produção de grandes monoculturas, utilizando esse resto da indústria bélica que, por exemplo, o mesmo veneno utilizado para matar pessoas na guerra, com algumas mudanças, era o mesmo que matava insetos, produzia adubo químico.

Cané: Os próprios tanques de guerra, se você visualizar, parecem muito com os tratores de hoje em dia.

Bahia: Sim, os tanques de guerra que não serviam mais para a guerra foram adaptados para a agricultura de forma a aumentar a produção. Mas o principal objetivo era ter o que fazer com o que sobrou da guerra, daí vieram os insumos, os herbicidas, os inseticidas, os agrotóxicos

EmpautaUfs: Dentro dessa perspectiva, qual o objetivo do EVA?

Cané: O objetivo do EVA é trazer estudantes para discutir agroecologia e levá-la para a sociedade, já que os intelectuais estão saindo daqui e deveriam democratizar informação. Mostrar como a Revolução Verde foi ruim, está sendo ruim, doenças começaram a ser geradas por esses processos degradativos do ser humano, pela alimentação, pelo estresse que envolve a questão do mundo globalizado e suas relações, ou a própria competitividade, várias coisas que interferem no ser humano.

Bahia: O objetivo do EVA é justamente disseminar agroecologia entre as pessoas, tanto na universidade como fora dela também. Como o EVA já foi um grupo de extensão e que dá oficinas sobre produção de mudas, sobre lixo, enfim, tenta trazer os estudantes, porque agroecologia é interdisciplinar, ela precisa do estudante de engenharia florestal, do de biologia, do de comunicação, direito, geografia, matemática.  Tentar discuti-la dentro da universidade, pois é tão pouco citada nela, já que não é objetivo do capital.

EmpautaUfs: Você falou que o EVA pretende alcançar a sociedade. Há uma troca entre vocês e a sociedade? Há uma interação?

Cané: Estou há dois anos no EVA, mas só participei de dois trabalhos, duas vivências em áreas de assentamento da reforma agrária. Mas mesmo sendo um grupo novo, de quatro anos, e só agora em 2009, na UFS, ter tido concurso para professor na área de agroecologia, o processo de evolução em se organizar para trabalhar com a comunidade vai acontecer agora.

EmpautaUfs: Mesmo assim, vocês fizeram algum trabalho anterior? Com a comunidade daqui do Rosa Elze, por exemplo?

Bahia: Nunca fizemos diretamente no Rosa Elze, mas fizemos o I Encontro Sergipano de Agroecologia que aconteceu em Estância, com a juventude do MST, 80 agricultores e 20 estudantes da universidade, onde agente procurou discutir agroecologia para eles a entenderem. Já que é muito complicado, pois o agricultor é acostumado a usar do pacote tecnológico que o sistema o impõe a usar, e de repente chega umas pessoas e dizem que tudo ali está errado. Ele fala: “quem é você para dizer que eu estou errado em usar adubo químico?”, se ele vive daquilo, do que come. Este é o caso da transição agroecológica. Bem, nós criamos esse encontro, criamos o EIV – Estágio Interdisciplinar de Vivência- que é um estágio onde o aluno passa 15 dias na casa do agricultor vivenciando tudo que ele faz no dia a dia. Incentivando o estudante a quando sair da universidade discutir agroecologia.

EmpautaUfs: O EVA está aberto a qualquer estudante de qualquer área?

Cané: Sim. Inclusive este ano terá novamente o EIV, em que os últimos cursistas vão se reunir para organizar o segundo.

Bahia: Quem foi estagiário no passado vai organizar o próximo, em outubro. O pessoal aprovou. Era o que faltava para os estudantes quando se formarem tentar trabalhar com os movimentos sociais, para contribuir com eles, porque muitas vezes o que acontece de errado no movimento social é uma conseqüência dos estudantes que buscam informação muito bitolada à sala de aula. E se formam preocupados, apenas, em ganhar seu pão, despreocupados em ajudar o maior número de pessoas possível.

EmpautaUfs: Os agricultores receberam bem os estudantes?

Bahia e Cané: MUITO BEM!

Bahia: Aceitaram sugestões, o pessoal do EVA deu oficinas de plantação de mudas, compostagem, reaproveitamento de alimento.  Na realidade, foi uma troca, mas quem somos nós daqui de dentro da cidade? Nós discutimos aqui, mas quem somos nós para saber a prática real de alguém que vive daquilo?

EmpautaUfs: Dentro desse processo de troca, como é que funciona o processo de ensino-aprendizagem?

Bahia: Nós aplicamos conhecimento através das oficinas, pois é uma forma de explicar os porquês, de não usar adubo químico, por exemplo.

EmpautaUfs: Mas além de ensinarem, também aprendem com essa troca?

Bahia: Sim, aprendemos muito. Inclusive, agente deu uma oficina sobre lixo e ecologia lá no MOTU – Movimento Organizado dos Trabalhadores Urbanos – num galpão que fica no Siqueira Campos, quando chegamos lá, o pessoal sabia muito mais de lixo e ecologia do que agente. Muitos deles trabalham com reciclagem de latinha, garrafa pet. Mas nós estamos lá como facilitadores, facilitamos uma discussão, e não fazer com que acreditem em tudo que acreditamos, e sim, promover uma discussão.

Cané: Aliar o conhecimento científico, que aprendemos na universidade, ao conhecimento popular deles.

Bahia: A proposta da agroecologia é também essa, o resgate dos costumes, das tradições que foram perdidas ao longo do tempo, como as práticas manuais sem uso de trator, por exemplo. Porque agente sabe que o pequeno agricultor não conseguirá comprar um trator sozinho, sem que seja um trator coletivo num assentamento.

EmpautaUfs: Se algum estudante quiser participar do EVA, tem algum pré-requisito?

Bahia: Aparecer nas reuniões.

Cané: Aparecer pra trabalhar também, pra regar as plantas, pelo menos.

Bahia: Aqui a gente supre a carência que a universidade tem de aula prática. Não somos apenas um grupo de estudantes, mas também um grupo de amigos. Mas é só aparecer nas reuniões, todas sextas-feiras às 10h.

EmpautaUfs: Então o espaço é aberto todos os dias para os estudantes trabalharem?

Cané: Sim.

EmpautaUfs: E para os estudantes que não são da área de biologia, engenharia florestal, agronomia, como aprendem?

Cané: A parte técnica, de aplicação, de plantar, o tempo em que se vai germinar, de você saber o tempo em que se vai colher, de você saber fazer composto de dinâmicos, de você saber fazer uma bioconstrução, de você fazer uma compostagem, todas as práticas agrícolas aprende-se com o tempo,observando, praticando.

Bahia: É uma forma de se desprender do sistema. Uma alternativa de agente se desprender aos poucos do sistema porque só o fato de você não precisar ter dinheiro para poder comprar o adubo que se vai botar na produção independe, para mim, de qualquer curso, independe porque agente vê que o inimigo maior é o sistema. E se a gente não unificar as pautas de todos os estudantes, de todos os cursos para tentar combater esse inimigo que é o sistema…

EmpautaUfs: O sistema fortalece justamente a sectarização dos cursos. Quem faz biologia, só estuda biologia, quem faz comunicação, só estuda comunicação. Não é isso?

Bahia: Isso… Não é do interesse dele. Porque se todos os estudantes se juntarem, de todos os cursos e com um único objetivo, com certeza, vai dar trabalho para ele.

EmpautaUfs: Vocês têm o apoio de algum órgão ou instituição? Como foi que vocês fizeram para montar o EVA sem um capital grande?

Cané: Então, a gente conseguiu a área pela Universidade, mas até hoje existe problema com ela por causa da expansão do Reuni. Eles estão querendo colocar o departamento de Medicina Veterinária aqui, um curso que ainda nem abriu. Agente está tentando viabilizar isso via departamento, que vai para a reitoria, que vai para a prefeitura e todos esses tramites burocráticos. Isso acontece há quatro anos, o mais intrigante é que a gente está aqui durante esse tempo e nem eles tiveram iniciativa e nem a gente, tenho que reconhecer isso, de ir lá e ver como andava esse processo. Agente ganhou a área e começou a trabalhar, todo mundo instigado, e foi trabalhando.

Bahia: Agente está lutando para conseguir institucionalizar a área, pois com a expansão da Universidade o espaço físico está ficando pequeno. Pode perceber que estão derrubando várias árvores para poder construir novos prédios para dar suporte aos cursos que foram criados pelo atual reitor, mesmo sem estrutura física, afinal, o que eles querem são números, como sempre, são números e números. Agora novos professores foram contratados e já estão de olho no EVA para a construção de prédios e nós estamos vendo, ainda, as burocracias para conseguir institucionalizar a área.

EmpautaUfs: E quais são essas burocracias?

Bahia: Um professor tem que assinar um documento e os integrantes também, aí vai para a reunião do departamento, depois aprova na reunião do departamento e manda para a prefeitura e lá o prefeito assina e manda para a reitoria…

Cané: Agente do EVA tinha uma bolsa do projeto PIBIC, mas quem ficava a frente disso era Bruno [estudante de biologia e integrante do EVA], até porque ele tinha o nome no projeto, mas o dinheiro sempre foi para o EVA e juntamos R$2.000 e trabalhamos com esse dinheiro até hoje.

Bahia: Deixamos de ser grupo de extensão aqui da Universidade. Quando o grupo sentiu que não estava conseguindo fazer a extensão realmente, que era ter o contato mesmo com a sociedade, decidimos deixar de ser um grupo de extensão, ser só um grupo que discute Agroecologia e tem um lugar para a prática de Agroecologia na Universidade.

EmpautaUfs: Mas vocês abandonaram essa idéia de extensão?

Cané: Não. O que falta são pessoas que se proponham a estar escrevendo projetos em Agroecologia, a estar levando a Agroecologia para uma comunidade, para uma escola.

Bahia: Agente só não queria ser chamado de grupo de extensão sem fazer extensão.  Pois o grupo estava passando por uma época difícil não tinha muitas pessoas participando, então deixou de ser um grupo de extensão, deixou de receber o dinheiro, mas também não nos aproveitamos do nome de ‘Grupo de Extensão’.

EmpautaUfs: O EVA foi criado só por estudantes ou teve algum professor?

Cané: Teve uma professora, o nome dela é Renata, professora de Genética, ela passou um tempo aqui quando a gente escreveu esse projeto.

Bahia: É uma questão burocrática também. Para se criar um grupo para ser projeto de extensão tem que ter um professor à frente, mas a Universidade aqui não tem professores capacitados e que sigam essa linha da Agroecologia. Como tinha que ter um professor de qualquer jeito, agente falou com ela para ser a professora à frente do projeto, mas só por questões burocráticas. Ela nunca participou realmente do grupo.

EmpautaUfs: E hoje quantos alunos participam aqui?

Cané: Cerca de vinte, pois muitos são ‘flutuantes’. Têm alguns ‘orgânicos’ e outros são ‘flutuantes’.

EmpautaUfs: Como assim?

Cané: Flutuantes são aquelas pessoas que vêm três vezes, depois não vem para a reunião.

Bahia: Vem uma vez ou outra, mas tem uma galera que vem todo dia e fica observando as plantas, conversando sobre as plantas, sobre os insetos que estão sobre as plantas. Dá para aprender muita coisa aqui.

EmpautaUfs: Vocês falaram que o grupo já tem quatro anos. Quem o fundou?

Bahia: Quem fundou foram os estudantes de Biologia, Agronomia e Engenharia Florestal. Como as entidades estudantis já discutiam Agroecologia os estudantes sentiram a necessidade de estar discutindo a Agroecologia, já que esta não é uma discussão comum dentro da academia. Se juntaram, criaram o grupo e começaram a discutir. Então veio a necessidade de uma área para também praticar, pois Agroecologia não é só teoria, é teoria e prática. Foi quando conseguimos essa área aqui.

EmpautaUfs: E quais foram as maiores dificuldades (climáticas, estruturais, etc.) para colocar o Espaço em prática?

Cané: Foram várias. Cada período tem suas dificuldades (seja inverno, verão, outono, primavera). Isso deve ser observado e tem que estar todo mundo, porque eu acho que a Agroecologia é construída coletivamente, pela integração e relação que cada um mantém com a natureza. Essa é uma das coisas que a extensão rural sugere para as pessoas que querem trabalhar com a Agroecologia, uma metodologia participativa, que é você levar seu conhecimento, resgatar o do agricultor, valorizá-lo e daí construir um programa de desenvolvimento rural sustentável mesmo. Mas para ser sutentável tem que ter produtividade, tem que ter igualdade de vários aspectos(econômica, ambiental, etc).

Bahia: Acho que a principal dificuldade é conseguir fazer com que as pessoas enxerguem a Agroecologia, porque é muito difícil você ir de encontro a toda essa propaganda, tudo isso que é usado para poder iludir as pessoas. Aos poucos elas vão perdendo a simplicidade, a relação mesmo de contato, de você molhar, de você ver nascer. A galera fica cada vez mais consumista. E às vezes agente chama as pessoas para participarem: ‘vá lá conhecer o grupo EVA, trabalhar com agente, colocar a mão na terra, ver o que é trabalhar, pegar pesado, plantar, ver o que é, sentir as diferenças’. Tudo isso é de graça, é dado e infelizmente as pessoas não se interessam, parece que tem medo. Não sei o que é direito, não tem vontade de plantar, daí não participam.

EmpautaUfs: Vocês têm contato com alguma outra instituição como o EVA, ou mesmo com alunos de outras Universidades? Vocês trocam conhecimento?

Bahia: O grupo EVA hoje faz parte de um núcleo de trabalho de associações. Por exemplo, na organização da ABEEF (Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal) existe um núcleo de trabalho em Agroecologia que fica responsável por estar discutindo, de dentro da Associação, a Agroecologia. Pesquisando e mandando para todas as escolas de Engenharia Florestal que tem grupo de Agroecologia ou que tem Centro Acadêmico para poder ‘jogar’ a discussão sobre ela para o país todo. Então, “rola” um contato, uma comunicação com as outras escolas e associações.

Cané: A ENEBIO (Entidade Nacional dos Estudantes de Biologia) tem o GTP (Grupo de Temática Permanente) que foi fundado agora em 2008, foi uma proposta levada por nós, aqui do EVA, para tentar agregar mais forças para as organizações e está fluindo, sabe? O CFA (Curso de Formação em Agroecologia) é a concretização disso, da nossa mobilização que é feito pela ABEEF, ENEBIO e FEAB.

EmpautaUfs: Há algum profissional trabalhando no EVA?

Bahia: Foi feito um concurso, a matéria de Agroecologia entrou para a grade curricular do curso de Agronomia, como obrigatória, e dois professores foram contratados para ensinar a matéria, um deles procurou o grupo EVA para desenvolver experimentos Agroecológicos aqui na área. Vamos fazer experimentos, como a Permacultura, uma corrente da Agroecologia que é utilizada para você aproveitar o máximo possível da energia da sua propriedade, saber direcionar a água da pia para o jardim, coletar a água da chuva, fazer sistema de gotejamento. Há também a agricultura orgânica que só se utiliza de adubo natural, sem produtos químicos.

EmpautaUfs: Qual a metodologia empregada?

Bahia: A gente costuma sempre estudar, tirar alguns temas e antes ou depois de cada reunião a gente discute sobre um tema. Nós discutimos temas como Soberania Alimentar, Extensão Rural, Questão Agrária, Valor Nutricional.

Cané: Isso já está incorporado na própria filosofia de vida de cada um.

Bahia: Agroecologia se faz todo dia.

Cané: Conversando, lendo e aprendendo.

“No sítio das águas a cidade dos aterros”

Posted in Ciência e Tecnologia, Cidade, Cultura, História by micheletavares on 27/05/2009

Por Allana Andrade (allanarafaela@gmail.com ) e
Nikos Elefthérios (nikos.grego@gmail.com)

maria augusta

Professora Maria Augusta Mundim Vargas. Foto: Allana Andrade

Após assistir uma palestra com a professora sobre a relação do homem com a natureza e  seu entendimento com a mesma, acrescentando a preocupação com o meio ambiente e a crescente expansão de Aracaju, nos sentimos motivados a compartilhar e aprofundar esse tema, com um enfoque diferenciado, tocando em pontos pouco abordados como a falta de conhecimento da área que foi aterrada em nossa capital e a interferência da construção de barragens na água do rio São Francisco, no trecho que passa pelo estado de Sergipe.

Para tanto, a equipe do Em Pauta UFS entrevistou Maria Augusta Mundim Vargas (*), professora voluntária do Departamento de Geografia e dos Núcleos de Pós-Graduação em Geografia (NPGEO) e de Desenvolvimento e Meio Ambiente (PRODEMA), que além dessas questões discorreu sobre o meio ambiente no litoral sergipano, a revitalização do Baixo São Francisco, além de temas como: sociedade, cultura e desenvolvimento urbano em Sergipe.

Em Pauta UFS: Como e quando a senhora iniciou seu trabalho com o meio ambiente?

Maria Augusta Mundim Vargas: Eu trabalho com meio ambiente desde Estocolmo 72a década de 70. Em órgãos de meio ambiente desde 1975, numa época em que pouco se falava ou quase não se falava em meio ambiente. Foi logo depois da “Estocolmo 72”. Mas a preocupação era conhecer, fazer o diagnóstico do meio ambiente, […], nesta época eu morava em Minas Gerais. Quando mudei para Sergipe, na década de 80, comecei a trabalhar desenvolvendo pesquisas na Administração Estadual do Meio Ambiente (ADEMA), órgão recém criado em Sergipe, com a função de organizar a relação do poder executivo estadual com o meio ambiente.

Em Pauta UFS: Quais as principais pesquisas realizadas com a sua colaboração na ADEMA?

Maria Augusta: Na ADEMA realizamos dois grandes trabalhos. O primeiro, foi o “Zoneamento Ecológico do Estado”, que considero um marco para Sergipe. E o outro, foi um estudo muito completo dos manguezais, do caranguejo-uçá (que é uns dos produtos mais importantes da região, que está incorporado na alimentação e cultura dos sergipanos) e sobre os caranguejeiros. Tiveram outros estudos, sobre a desertificação, resíduos de lixo no município, mas acho esses dois os mais importantes.

Em Pauta UFS: Quando a senhora resolveu voltar para a academia?

Maria Augusta: Enquanto trabalhava na ADEMA pesquisando, senti uma necessidade muito forte de continuar a minha formação. Eu sentia “sede” da academia. Foi quando comecei a fazer mestrado na UFS, sendo inclusive da primeira turma do curso de mestrado que a universidade criou. “A natureza das políticas no sertão sergipano”, foi o tema. Colocando na natureza das políticas, um duplo sentido, o da natureza das políticas e das políticas agindo sobre a natureza. Uma vez na academia, não quis mais sair, então fiz uma opção de vida e larguei o trabalho como técnica na ADEMA optando por ser professora de graduação e mestrado na UFS, dando aulas em disciplinas ligadas à natureza como: Planejamento Ambiental, Biogeografia, Leituras de ECO-92 Cartas, além do tema de    mestrado. Meu doutorado foi iniciado na França, com o professor Ignacy Sachs, um estudioso que apresentou trabalhos sobre eco-desenvolvimento e desenvolvimento sustentável tanto na “Estocolmo 72” quanto na “ECO-92”, porém foi concluído em Rio Claro (São Paulo), novamente com um tema ligado à natureza. Dessa vez estudei todo o Baixo São Francisco, focando na vida das pessoas que moram na região ribeirinha, a forma como viam as mudanças realizadas nele, de que maneira absorviam as políticas que alteravam o meio ambiente, além do papel da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (CODEVASF) neste trecho.

Em Pauta UFS: Você e outros pesquisadores criaram um mestrado interinstitucional. Como é esse projeto?

Maria Augusta: Após terminar o doutorado, eu, o professor Rodrigo Ramalho, de Alagoas e a professora Vania Fonseca, começamos a discutir a criação de um mestrado em desenvolvimento relacionado ao meio ambiente, mas queríamos fazer um projeto diferente, que agregasse outras instituições. Era um mestrado interinstitucional e regional onde o que se lecionasse aqui na UFS fosse ensinado, por exemplo, na Universidade Federal de Alagoas (UFAL). A palestra que vocês assistiram era a aula inaugural das turmas de mestrado que ensinei no período entre 1995 e 2007. Nesta aula eu desconstruía o conceito de natureza. Porque a natureza é natural, mas o conceito dela é algo construído culturalmente. No mestrado, mostrava que cada pessoa podia contribuir para uma mudança, de postura, de ação, de mudança de costume. A visão romântica da natureza, por exemplo, é a de pessoas que não possuem respeito pela natureza, que estão longe dela, que ficam idealizando. No caso das oficinas, eu faço tanto para crianças de 5ª série como para adultos, estive em Goiânia recentemente e apresentei essa palestra no mestrado, porque acho importante a gente quebrar, desconstruir esse conceito.

Em Pauta UFS: Qual é a relação dos sergipanos com o meio ambiente?

Maria Augusta: Essa relação entre sergipanos com Sergipe, não é diferente da dos paulistas com São Paulo, ou em outros estados. Vou fazer um panorama geral sobre esse assunto. Essa relação mantém-se na utilização da natureza como um recurso, mas um recurso de exploração, que vem fazendo com que espécies desapareçam, além de sua utilização para a geração de lucros. O que difere uma região da outra é uma tomada maior ou menor de conscientização e normatização dos meios. Tomamos como exemplo movimentos de artistas ou a opinião de pessoas da área, como nas reportagens que vi, há alguns dias, em que artistas levaram para o congresso um número grande de assinaturas para que seja barrada a ocupação da Amazônia, utilizem-na de forma sustentável e que empresas internacionais parem de explorar madeira de qualquer forma e passem para a exploração sustentável. Além disso, a verba destinada a secretarias como da cultura e do meio ambiente (em Aracaju não existe a de meio ambiente) é inferior àquelas recebidas por outras secretarias, gerando um problema, pois necessita de muito investimento para os projetos.

Em Pauta UFS: E na cidade de Aracaju como se dá essa relação?

Maria Augusta: Aracaju foi uma cidade planejada entre rios, por causa do porto, em uma área com água em abundância. Localizada à beira do rio Sergipe e tendo como limite sul o rio Vaza Barris, com um emaranhado de canais ao redor, um cenário típico de estuário tropical. Nessa época a idéia do racionalismo, do progresso, que o meio ambiente deveria ser “vencido pela técnica” era o que predominava. Surgiu então, a idéia da técnica vencer através do aterro e começaram a aterrar. Eu digo que “no sítio das águas a cidade dos aterros”, pois a cidade foi criada a partir de aterros. Nós temos

montagem

A Orla de Atalaia em diferentes épocas. http://www.aracaju.se.gov.br/154anos

um padrão de ocupação mais próximo ao séc. XIX. Mas de que forma podemos manter um padrão de ocupação que está mais próximo do século XIX, se estamos em 2009? Isso é inaceitável! Portanto coloco dois marcos nesse processo:

Na década de 70: com o boom da urbanização do Brasil em um dos estudos mais importantes feitos na capital, dizia-se que para pensar a expansão de Aracaju era preciso pensar a drenagem da cidade, a macro drenagem.

Na década de 90: Participei do chamado Plano Diretor de Aracaju. Este pensava em consolidar a malha na cidade que já estava habitada ou planejar a ida para a zona de expansão, que assim é chamada até hoje, área que vai do Aeroporto até o Mosqueiro. A expansão em Aracaju só poderia ser liberada depois de um estudo sobre a macro-drenagem porque a região possui problemas com canais paralelos ao mar e não há como simplesmente construir sem saber para onde essa água vai escoar.

Exatamente como está acontecendo agora com as chuvas, não tem chovido mais do que o normal, só houve um pequeno aumento pluviométrico, mesmo assim estamos tendo problemas. Uma coisa é mudar, ter a consciência, e a outra é agir em conjunto, juntar a sociedade e as esferas municipal e estadual.O que ocorre é o poder público à reboque doa acontecimentos e assim não tem órgão que dê conta de Aracaju, de Sergipe e do país.

Em Pauta UFS: Como se deu os aterros realizados em Aracaju principalmente no Bairro 13 de Julho e no Jardins?

Maria Augusta: Onde hoje é a beira do rio do Bico do Pato (local da armação da árvore de Natal) até a foz era uma praia. Começou o aterramento dos canais que iam do Augusto’s para o rio. Aterraram o mangue, sem ter para onde escoar, a água “arrastou” a avenida e a praça inteira, temos um exemplo de aterro “vivo” dentro de nossa cidade. O problema foi que, tudo que o rio tirou dali, como as pedras, ele depositou no Havaizinho próximo ao projeto Tamar, causando o afastamento do mar, pois estuários têm dessas mudanças. O shopping e o bairro Jardins, não existiam, a área era coberta por manguezais, existiam fazendas na região da Praça da Imprensa e próximas à Av. Hermes Fontes. Onde hoje é a Pizzaria Tarantella e a Escola Parque de Sergipe eram sedes das fazendas, sendo que, ainda vemos casas com arquitetura e resquícios de fazenda. No lugar da Nova Saneamento existiam apenas dunas com inúmeros pés de mangaba.

Em Pauta UFS: Então Aracaju não foi uma cidade planejada como as pessoas falam?

Maria Augusta: Aracaju foi projetada no passado, tendo apenas o que hoje é o centro da cidade realmente planejado e construído em forma de um

tabuleiro de xadrez. Depois disso o crescimento da cidade seguiu de maneira desordenada, sem acompanhamento ou controle, por falta de dados e estudos reais. Apenas em 1979 fizeram o primeiro sobrevôo em nossa cidade, para conhecer a região, mas não sabiam como chegar àquela realidade. Os responsáveis pegavam um mapa da cidade na prefeitura apenas com as quadras e avenidas desenhadas, não tinham noção de morros, lagoas e curvas de nível. O mesmo acontecia na zona de expansão, lá é como uma lâmina, uma fitinha muito estreita do mar, repleta de canais, com lagoas por todo o caminho, então não é só construir, temos que planejar para onde a água vai depois. O mapeamento de curvas de nível só foi realizado em 2000 (no primeiro governo Déda).

Em Pauta UFS: Quais são os impactos da transposição do Rio São Francisco em Sergipe?

Maria Augusta: A transposição não atinge Sergipe porque antes de chegar aqui a água passa pelas usinas de Paulo Afonso e Xingó. A discussão da transposição é histórica, vem desde os tempos do império colonial (quando viam o rio como um “oásis”, o “Nilo brasileiro”), até a construção de barragens para a geração de energia que não seria para o Nordeste, a agroindústria com a CODEVASF, a irrigação e modernização da área. A questão da transposição não é transpor o rio, e sim criar o projeto de irrigação que é algo caro. Isso tudo depende do cunho político. Pois tem uma realidade a ser feita, mas até chegar a melhorar a qualidade de vida da população vai demorar. Sergipe fica com o final do rio, recebendo uma água dura, “sem vida”, pois é uma água de barragem. Isso afeta a fauna, pois os peixes da piracema não conseguem subir para se reproduzir. Com a construção das barragens sobrou para nosso estado uma água cada vez mais sem vida, onde os ribeirinhos têm estranheza e não reconhecem o rio, não sabem lidar com ele. Além disso, há a perda da força do rio, que fica para a erosão e causa o adentramento do mar quando se encontram. O projeto de revitalização do Baixo São Francisco é a grande reivindicação de Sergipe e dos sergipanos, sobretudo dos ribeirinhos. Na cidade de Propriá se fazia uma semana de cultura e identidade, onde toda a representação política e cultural se encontrava para discutir o Baixo São Francisco.

Em Pauta UFS: Quais são os problemas enfrentados pelo rio São Francisco? E o que devemos fazer?

Maria Augusta: São vários os problemas, como o esgotamento sanitário

http://www.canoadetolda.org.br

Área do Baixo São Francisco. http://www.canoadetolda.org.br

nas bacias, os fazendeiros que barram os afluentes dos rios que passam em suas terras, desmatando próximo para pastagens, desviando e represando a água. Além disso, tem muitas cidades próximas às margens que polui com esgotos a exemplo de Propriá e Penedo.

Precisamos revegetar para continuar construindo, pois o rio está debilitado depois da construção da usina de Xingó, cuidar das bacias e realizar trabalhos que envolvam secretarias de agricultura, educação e pesquisa.

(*) Graduada em Geografia pela Universidade Federal de Minas Gerais (1974), mestrado em Geografia pela Universidade Federal de Sergipe (1988) e doutorado em Geografia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1999).