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De cientista política à benfeitora social

Posted in Comportamento, Educação, Entrevista, Politica Pública by micheletavares on 15/12/2010

A jovem universitária que com um projeto simples, pretende incluir milhares de jovens carentes de sua cidade natal no mercado de trabalho.

Por Matheus Alves

A baiana Emily Couto, idealizadora do projeto "Inclusão e Cidadania" - Arquivo pessoal

Uma iniciativa inusitada, é assim que podemos classificar o projeto “Inclusão e cidadania”, onde milhares de jovens de comunidades carentes terão a oportunidade de fazer um curso de língua estrangeira para serem inseridos no mercado de trabalho, durante o período da Copa de 2014. Uma ideia simples, que acaba por se tornar um divisor de águas no futuro de muitos jovens e suas famílias. A autora desta ideia é baiana de Itabuna, residente no estado de Sergipe a incompletos três anos, estudante de Ciências Sociais na Universidade Federal de Sergipe e com o sonho de se tornar uma cientista política renomada. Essas são algumas das características peculiares da jovem de 21 anos, Emily Couto, que hoje já planta as sementes que deseja colher no seu futuro. Ela obteve recentemente aprovação de seu ambicioso projeto em sua cidade natal, almejando que seu projeto se estenda também para a capital sergipana.

Emily nos recebeu em sua residência para uma conversa com um tom informal e amistoso para esclarecer um pouco mais sobre o seu projeto, sua visão sobre política, sua carreira acadêmica, seus sonhos e expectativas.

 

Dentre tantas opções de curso, porque ciências sociais?

Escolhi ciências sociais por dois motivos. O primeiro foi que eu tinha vontade de trabalhar com política, por causa de minha família e o segundo foi porque, sempre tive facilidade nas humanas. Então escolhi ciências sociais por causa desses dois aspectos.

Quais são seus objetivos como cientista política?

Ganhar dinheiro (risos), trabalhar na área de política como assessora política e na elaboração de projetos.

Quando percebeu que tinha um interesse pela política?

Na realidade o meu interesse pela política começou quando ocorriam os processos eleitorais. Eu queria compreender o que é o parlamento, compreender o que é um partido, pra poder não ser massa de manobra.

Como seus pais lidam com sua escolha? Eles te incentivam?

Então, no primeiro momento não. Porque é um curso que não tem propaganda. O curso que meus pais queriam que eu fizesse era direito ou na área de saúde. Porque acreditam que o retorno financeiro é mais rápido.

O que te levou a querer desenvolver esse projeto?

O projeto, o nome é “Inclusão e Cidadania”. Nós estávamos em uma reunião com um partido e nessa reunião surgiu a possibilidade de se criar um projeto social dentro de Itabuna que fosse trabalhar com a juventude. E que esse trabalhar com a juventude teria que despertar no aluno a vontade de se inserir no projeto como meio de alcançar um trabalho ou pelo menos um componente curricular. Então, sai pensando no projeto. O que seria possível criar dentro de Itabuna e que o jovem tivesse interesse? Porque pensar em trabalhar com a juventude menos favorecida, que chega com mais facilidade à questão de drogas, violência e prostituição, você tem que pensar “é, o único meio de alcançar esses jovens é por dois aspectos; ou um projeto que emocione, que trabalhe as relações afetivas. Ou um projeto que vá trabalhar e/ou dar chance a ele de se inserir no mercado de trabalho”. Então eu comecei a pensar nisso. Chego em casa, sentei, parei de pensar e vi a propaganda da copa do mundo. E ai falei “Pronto! O projeto já está armado em minha cabeça. Eu vou fazer um projeto que envolva a copa do mundo”. E foi quando surgiu, conversando com um amigo, a ideia de criarmos um projeto que trabalhasse com idiomas de atendimento ao público estrangeiro. E fomos à prefeitura, perguntando se seria possível criar um projeto de língua estrangeira dentro de comunidades de índice de violência grande, o prefeito falou que seria, mas questionou, qual seria o objetivo?…

No caso, então seria um projeto para a copa de 2014?

Exato. E ai pensamos em como iria ser desenvolvido esse projeto de língua estrangeira. E um dos pré-requisitos para esse projeto foi à elaboração de um convênio entre hotéis, entre parceiros políticos e agencias aéreas. Foi o primeiro aspecto a ser pensado.

Como funciona o projeto?

Então, o projeto ele tem a previsão de durar dois anos, aulas aos sábados. Três horas de aulas seguidas. Com dois tipos de metodologia, que é a prática da fala e a prática da escrita. O projeto tem três línguas estrangeiras, que é o inglês o francês e o espanhol. Os professores foram selecionados de acordo com a experiência na língua e a formação acadêmica. As metodologias das aulas poderiam chamar de uma copia bem feita de vários cursos de renome, como o Wizard, ACE, CCAA, entre outros.

Quantas pessoas estiveram envolvidas para a realização dele?

Nós temos hoje um quadro de 16 professores mais quatro coordenadores. Esses coordenadores são distribuídos por área. Então no caso, são três idiomas, fica um coordenador geral mais três em cada área; inglês francês e espanhol.

O que te levou a querer desenvolver esse projeto?

Em 2002, minha família se mudou para Itabuna, saímos de uma cidade com pouco mais de 12 mil habitantes que era Uruçuca uma cidade pequena e com alto índice de violência envolvendo jovens e crianças. O fato da violência simbólica ou física contra jovens é algo que fico angustiada. Quando pensei em fazer ciências políticas queria trabalhar na área de assistência a juventude, durante esses três anos de curso visitei  poucas vezes Itabuna sempre pensando em uma possível ideia para melhorar o quadro social da cidade.  Constatava a falta de projetos de inclusão do jovem no mercado de trabalho, Fui convidada pelo presidente da juventude de um partido para ajudar na campanha de um candidato a deputado com ótimas ideias para mudança da criminalidade entre jovens. Comovida com a violência em Itabuna e vendo jovens de minha idade sendo mortos por causa do trafico, resolvi procurar o prefeito de Itabuna para oferecer o projeto Inclusão e Cidadania para trabalhar com juventude.

Em quantos projetos você esteve envolvida durante seu curso?

Estive envolvida em dois projetos sociais. É interessante deixar claro assim, de que muita gente pensa que ciências sociais é um curso que ele tem a formação para ajudar ou modificar a sociedade. E ciências sociais é um curso que lhe ensina a conhecer a estrutura de um determinado fato, mostrando causas e efeitos e só. Ele não tem o aspecto de assistência social. Tem que ficar bem claro de que ciências sociais é totalmente diferente de serviço social. E ai é quando eu fujo um pouco da formação acadêmica, de que eu estou sendo formada para analisar uma estrutura da sociedade e não para fazer um projeto social de modificar essa sociedade.

Pode falar um pouco de cada um deles?

o primeiro foi desenvolvido em uma casa de candomblé aqui em Aracaju. Que é o projeto “Inclusão Digital”. O projeto atende a 100 jovens entre 15 a 29 anos, foi um edital que nós conseguimos através do Governo Federal, ele distribui computadores, mesa, e você tem que ter o espaço físico e tem que ter os professores para atender esses jovens. Esse projeto de inclusão social é um projeto que não é recente, ele vem sendo estimulado pelo governo federal há alguns anos. E nós conseguimos por dois motivos, um porque o projeto estava muito bem elaborado e o outro foi pela quantidade de vagas que o governo ofereceu pro estado de Sergipe. E o segundo projeto é esse que a gente está desenvolvendo na Bahia, que é o “Inclusão e Cidadania”, que é para trabalhar com língua estrangeira

E o que pretende depois? Quero dizer, depois que se formar, o que planeja?

Então, isso ai é uma dúvida, né? Porque interesses e sonhos são muitos. Mas a gente sabe que alem da dificuldade do mercado de trabalho, a outra dificuldade é a falta de experiência no campo. Minha formação me permite trabalhar em sala de aula e que eu também posso trabalhar na área de assistência política, na área de pesquisa. Então, eu pretendo que eu consiga um trabalho em uma dessas áreas, ou na área de pesquisa ou na licenciatura mesmo.

Falando de política. Como você encara o atual cenário político do país?

Se a gente for pegar do ponto de vista macro, tem muita coisa a se falar. Em outros aspectos é a força que o Lulismo tem aqui no Brasil de conseguir quebrar um preconceito ou, eu poderia classificar como preconceito mesmo, da chegada da mulher no poder. Então você tem um governo em que 80% da população aprova, você coloca ai que 60% dessa população, ela é de classe baixa e classe média, então você encara isso como um fato histórico politicamente, pegando da trajetória de Lula, de que foi um operário, de que entrou na política no país, onde tem-se a ideia de que o presidente tem que ter um nível superior, podemos encarar uma mudança no comportamento social, que a capacidade não está ligada à formação acadêmica.

E nossa juventude? Como você analisa a relação dela com a política?

A juventude não se preocupa com os efeitos que a política pode causar em sua vida. Observo que a falta de preocupação é um fator que vem da formação educacional, os jovens não são despertados para compreender quais os motivos que eles devem se preocupar e participar da política. Os partidos criaram a ala jovem para incentivar a filiação e a participação da juventude na política, mesmo com esses mecanismos a participação da juventude militante ainda é precária.

Pretende seguir carreira política algum dia?

Quando era mais jovem imaginava que a carreira política fosse algo fácil de administrar, quando comecei a trabalhar nos bastidores da política percebi que não tenho características pessoais para dedicar a ser representante do interesse coletivo.

Anabolizantes: a droga “proibida” presente nas academias

Posted in Comportamento by micheletavares on 14/12/2010

Falsos benefícios levam muitas pessoas a utilizarem os anabolizantes menosprezando as conseqüências.
Por Roseli Nunes

 

De acordo com o Ministério da Saúde, é crescente o número de casos envolvendo pessoas que utilizam ou utilizaram esteróides anabolizantes para moldar o corpo, ganhar força, resistência e velocidade. Com uma fiscalização precária, as substâncias, apesar de serem proibidas, são comercializadas sem controle e, em alguns casos, oferecidas em academias de ginástica. No entanto, os danos causados pelo uso dos anabolizantes podem levar a conseqüências irreversíveis.

Milton do Nascimento Soares tem 29 anos, é graduado em educação física há 5 anos, trabalha na área a cerca de  9 anos e declara já ter feito uso de anabolizantes. O profissional relata que aos 16 anos de idade, quando sequer pensava em praticar uma atividade física que pudesse lhe conferir massa muscular utilizou a substância com um grupo de

Milton Nascimento/Por Roseli Nunes

amigos que assim como ele, tinham pouco conhecimento sobre a ação potencial da droga.

Por falta de informação, ou apesar dela, as pessoas continuam correndo atrás dos anabolizantes cuja comercialização transformou-se numa atividade clandestina e muito lucrativa.

A entrevista abaixo com o educador físico pós graduado em fisiologia do exercício, Milton do Nascimento Soares, explica o que são os anabolizantes, as formas de utilização e as conseqüências do uso indevido dessas drogas.

Você poderia explicar o que é um anabolizante?

São na verdade a síntese de algumas substâncias musculares e ósseas, parecidos com a testosterona. Um hormônio masculino que é encontrado em homens e em mulheres, onde a quantidade é muito menor. Eles podem ser utilizadas só com a indicação médica porque precisa de preciso de um controle rigoroso e podem causar problemas de saúde muito sérios.

 

Em que tipo de situação clínica os anabolizantes são receitados?

Geralmente no tratamento de doenças que desgastam a musculatura e os ossos, e como reposição hormonal. Mas são considerados perigosos até mesmo nestes casos.

Por que estas substâncias são utilizadas com a finalidade de “aumentar” a massa muscular?

Os anabolizantes foram descobertos para tratar determinadas doenças, mas algumas pessoas descobriram que seu uso pode favorecer o aumento de massa muscular. A testosterona influencia as características sexuais masculinas e pode auxiliar também no aumento da massa muscular, força, velocidade de recuperação dos músculos e controle dos níveis de gordura corporal. Por causa dessa segunda função, os anabolizantes começaram a ser vistos como uma forma fácil de ganhar e definir músculos.

É possível definir um perfil de quem utiliza os anabolizantes? Você os identifica entre seus alunos?

Quase sempre são jovens entre os 16 e os 25 anos. Eles chegam na academia com pressa. Querem ficar “malhados” rapidamente e quando pensam na possibilidade de ter isso “facilmente”, muitas vezes fazem uso das substâncias.  São quase sempre motivados pela estética a qualquer custo. Quem usa não admite. Mas nós [educadores físicos] conseguimos perceber com certa facilidade, pois sabemos os resultados reais das atividades e a sua relação com o tempo de prática.

Sei que a pergunta a delicada, mas existe uma dosagem segura para o uso do anabolizante com objetivo estético?

Na verdade varia muito. Há poucos casos em que a pessoa usa uma dosagem considerada fraca e não há efeitos colaterais. Assim como há casos em que uma alta dosagem não resulta em ganho de massa. Não dá para assegurar o efeito real da substância no organismo.

Quais são os efeitos mais visíveis em que utiliza anabolizante?

O mais comum, visível e com certeza menos grave é o surgimento de acnes, mas podem levar também a problemas como úlcera, ataque nos rins, alterações na produção hormonal regular do organismo, gerando posterior dependência, pois deixa de ser produzido naturalmente.

Qual a droga mais utilizada como anabolizante?

Compostos sintéticos com possuam a testosterona como substância principal somados a um grupo de vitaminas e em alguns casos, produtos com dosagem indicada para uso veterinário, geralmente em cavalos, em função da necessidade do desenvolvimento muscular e da força deste animal.

Além do uso dos anabolizantes, têm sido noticiados casos em que pessoas injetam óleo mineral diretamente no músculo, o que pode causar amputações. Qual a diferença na ação desses compostos?

O óleo mineral não tem a ação da testosterona, ao contrário, causa uma inflamação no local em que é aplicado, dando a ilusão de crescimento muscular, mas que na verdade é ainda mais perigoso, pois a lesão causada pode afetar seriamente a circulação sanguínea.

João Eduardo, estudante que malha há cerca de 5 anos/Por Roseli Nunes

Há diferença no efeito para o organismo dos adolescentes que fazem uso dos anabolizantes em comparação a um adulto?

Sim. No caso dos adolescentes os efeitos tendem a ser pior em função da produção do hormônio [testosterona] ainda não estar totalmente regularizada.

Quem esta tomando anabolizantes pode suspender o uso de uma vez ou devem descontinuá-lo gradativamente?

A orientação é que suspendam o uso de uma vez, façam controles da função do fígado e dos rins e procurem um cardiologista. A experiência mostra que a parada gradativa não funciona para os anabolizantes, assim como não funciona para quem se propõe a deixar de fumar. Agindo dessa forma, as pessoas estão só se enganando, pois continuam utilizando uma substância que compromete sua saúde.

Quais são as funções fisiológicas e os órgãos mais afetados?

No fígado são freqüentes os casos de câncer de fígado. Mas os anabolizantes também podem causar atrofia testicular, diminuição da libido e impotência porque a droga mexe com o equilíbrio hormonal. Quem toma esteróides anabolizantes, além de problemas de pele e perda de cabelo, pode ter complicações cardíacas muito graves.

Como os pais podem desconfiar que o filho esteja usando anabolizantes?

Pelos efeitos mais comuns e pela mudança brusca no corpo em um tempo muito pequeno. O fato é que essa percepção é mais fácil para a gente nas academias por causa da familiaridade que temos como o assunto. Em casa, eles costumam dizer que tomam suplementos e os pais acreditam.

Alias, qual seria a função dos suplementos?

Nos suplementos não encontramos a testosterona. São apenas compostos formados por substâncias comuns na alimentação humana. É a junção de alimentos hipercalóricos que quando consumidos com orientação e a prática de atividade auxiliam no crescimentos da massa muscular.

Quando a pessoa para de usar o anabolizante, em quanto tempo o músculo afrouxa?

Depende da dosagem que vinha sendo utilizada e do tempo continuo do uso. Varia também com os aspectos genéticos, até porque em casos raros, sequer há esses efeitos positivos e negativos.

A pessoa que opta pelo uso de anabolizantes se dá conta de como é difícil se livrar deles, pois se trata de drogas?

Infelizmente não. Nem toda academia e educador físico trabalha esse assunto com os alunos. Além disso, quem uso nega e ai o profissional só orienta aqueles que o procura diretamente querendo saber sobre o assunto.

O que você falaria para quem faz uso de anabolizantes e para pretende utilizá-los?

Que tenham bem claro que se trata de uma droga que pode causar dependência e sérias conseqüências para a saúde. É preciso que esses efeitos se sobressaiam aos falsos benefícios que são vendidos com os anabolizantes. O resultado positivo acontece somente com a prática saudável da atividade física associada à boa alimentação.

O silêncio que causa aflição

Posted in Comportamento by micheletavares on 07/12/2010

Alguém que tentou suicídio fala sobre a angústia, a dor e a superação

Por: Egicyane Lisboa

 

O Grito (Pintura do norueguês Edvard Munch, 1893)

Quando Edvard Munch pintou “O Grito” deixou registrado nas suas cores e formas uma sensação de angústia e dor que está presente em milhares de personagens reais que acabam abafando seu sofrimento. E nesse ato de silêncio vem acarretado de um único desejo: suicídio, que para muitos é um ato de covardia, para outros de coragem, talvez não seja nem um, nem outro, mas, muitas vezes um ato de desespero, um grito de socorro não entendido, que exige de nós não julgamento, mas solidariedade.

Não se pode determinar com precisão a existência de uma causa para o suicídio. Trata-se de um fenômeno que é a culminância de uma série de fatores de ordem ambiental, cultural, biológica, psicológica, política, tudo isto acumulado na biografia de um sujeito. O suicídio é um momento de muita dor, de muito sofrimento. É a tentativa de solucionar uma dor. A pessoa não busca a morte, busca a libertação daquela dor, daquela situação difícil que a faz sofrer.

A seguinte entrevista trás um recorte da realidade de muitas pessoas que sofrem depressão ou outro problema de alguma natureza que os levam em determinado momento a pensar em suicídio, mas acabam encontrando equilíbrio para vencer suas limitações e enfrentar as dificuldades existentes. Libertam o seu grito.

 

Qual a sua idade quando pensou em suicídio?

Vinte e cinco anos. Era mãe, vivia com meu companheiro e ele era super violento, tentou me agredir fisicamente, mas denuncie. Depois de muitas agressões verbais e físicas, decidi sair de casa com meu filho que tinha três anos. Onde não tive o apoio emocional que necessitava naquele momento da minha família.

Como era sua vida na ocasião que pensou em suicídio?

O que desencadeou o momento de eu não querer mais viver foi seguinte:  já tinha seis meses que tinha deixado meu marido, morava na casa da minha mãe, desempregada e nada dava certo. Fiquei depressiva porque meu marido levou meu filho, já que não tinha condições financeiras. Eu não estava bem, precisava estar em um ambiente saudável, porque meu marido me traia, destruiu minha auto-estima e me deixava cicatrizes verbais que ainda hoje estão em mim, mágoas que me deixam triste, porque me permiti viver aquilo tudo. Hoje faço terapia e sou capaz de compreender tudo que aconteceu  comigo sem me frustrar.

O suicídio é certamente, uma medida extrema, você sentia que não havia escolha?

Não, eu pensava no suicídio, mas cheguei no momento depois da experiência de quase-morte que tinha solução. Encontrei na pintura e na poesia uma maneira de me libertar, escrevia para aliviar dores emocionais e depois queimava, mas guardei uma: “Arranca de mim horrores invisíveis. Acalma esse meu coração cansado de sofrer
Eu te peço oh pai não me deixe só. Minha alma necessita de ti. Para que me serve esse corpo, se minha alma está ferida
cura oh pai, as cicatrizes. Não me desampare ainda não é chegada a hora de eu partir”.

Mas afinal porque cometer suicídio?

Imagine você estar num mundo em que você não vê, não consegue  perceber o amanhecer, enxergar nada que possa se sentir feliz, sentir-se viva. Não tinha sentido de nada, perdi as sensações de beleza, desejos. Eu não vivia, apenas existia.

Muitos dizem que suicídio é um ato de covardia, o que você acha disso?

Não diria covardia, é complicado julgar a pessoa que chega ao ato de querer acabar com aquela dor. Ninguém pode julgar, você procura várias maneiras para sair do problema e muitas vezes chega a tomar algum medicamento ou substância para aliviar a dor emocional instantaneamente.

 

Você já tinha planejado o suicídio outras vezes e acabou desistindo?

Não, nunca porque até então me considerava feliz.

 

Você tinha muitos amigos na época?

Sim tinha, mas mesmo com tantos amigos não conseguiram perceber o que estava planejando.

Acredita que nessas situações os amigos podem estabelecer um equilíbrio emocional e ajudar a pessoa que pretende cometer suicídio desistir?

Acredito sim, o apoio emocional é fundamental. Uma palavra amiga é sempre importante, afinal com a mente fragilizada com tantos pensamentos ruins, que temos, essas sensações nos persegue a todo instante e se você não parar e pensar: porque eu estou assim? Será que é o fim? E uma força maior diz que é um renascer, vamos você é capaz de superar…Seja forte! É estranho ouvir isso quem não teve momentos de profunda tristeza na vida. Somos assistidos por espíritos de luz e espíritos que vagam na terra, os  que vagam só pensa coisas ruins. E os de luz como o nome já diz estão aqui para nos direcionar a fazer o bem.

Você comunicou a alguém sobre suicídio que estava planejando?

Claro que não. Quem pensa em suicídio não fala para ninguém.

Quadro da entrevistada (foto: Egicyane Lisboa)

Como você lidaria com problema que a levou a quase desistir de tudo?

Não existe problema algum hoje que me pudesse levar a desistir de viver. Porque estou equilibrada espiritualmente, faço terapia psicológica, conheço meus limites e minha alma hoje é calma, percebo e vejo as coisas bem diferentes.

 

Que conselho você daria para uma pessoa que esta pensando em se suicidar? Como se preparar para lidar com as adversidades existentes?

Devemos buscar sempre o equilíbrio emocional, esta perto de Deus. Cuidar do nosso espírito, nós não somos feito apenas de matéria ,temos uma alma que precisamos alimentá-la. Quando se tem uma plantinha, colocamos ao sol e colocamos água todos os dias, senão ela morre. Assim é  o nosso corpo, precisamos vigiar sempre, buscar realizar tarefas que nos façam sentir felizes. Não esquecer jamais da caridade para com nosso semelhantes. Para  que possamos ser pessoas mais humanas.

Gravidez na adolescência um drama real

Posted in Comportamento by micheletavares on 07/12/2010

 

mãe adolecente Géssica Santos

O grande drama de ser mãe na adolescência

Por: Lenaldo Severiano

Uma entre cinco mulheres são mães antes do 18 anos, hoje em dia não é raro ver uma menina de 13 ou 14 anos grávida do primeiro filho, onde a jovem vai sofrer diversas transformações físicas. Onde elas perdem parte da adolescência e precisam amadurecer muito cedo, a parte da fantasia e do faz de conta desaparece na hora do parto e dá lugar ao medo, a angústia e a rejeição. Um filho precoce só vai atrapalhar os planos da jovem, por vez elas abandonando os estudos ou adiam um sonho que não acabe se realizando sendo uma frustração na vida de uma adolescente já que elas têm a responsabilidade maior na hora de lhe dar nessa nova fase de planejar os seus sonhos daqui por diante. O uso de contraceptivos é necessário para que essas meninas não passem por certos desconfortos no futuro como uma gravidez precoce.

 O apoio e a conversa é a melhor forma a ser feita nesse momento foi o que aconteceu Géssica Santos de 17 anos que mora no bairro Palestina localizado na cidade de Aracaju, onde ela contou um pouco de sua trajetória  de vida quando ficou grávida de um rapaz de 19 anos e que não quis assumir esse filho e ela teve que lhe dar com a conseqüência de cuidar de uma criança sozinha, somente com ajuda de seus pais.

Géssica, qual a sua reação com a descoberta da gravidez?

 Foi uma bomba relógio quando descobrir que estava grávida e sem saber o que fazer, tentei abortar antes que alguém soubesse que estava grávida.

Qual a atitude dos seus pais quando souberam que você estava grávida?

Foi muito difícil para meus pais saberem que eu estava grávida aos 15 anos, meu pai queria me colocar para fora de casa e minha mãe concordou com ele e disse que teria que me casar com o rapaz que me fez engravidar.

O rapaz assumiu o papel de pai?

Não. Ele não quis saber da criança que estava em meu ventre, e deixou de falar comigo e sempre me ignorava.

Você usava métodos contraceptivos com freqüência?

Não. Nunca tinha usado nenhum tipo de contraceptivo nas minhas relações sexuais.

Você acha que é muito cedo para ter relações sexuais?

Na época que eu comecei a ter relações sexuais nem ligava se era cedo ou não para ter relação sexual com alguém, só depois que fiquei grávida que vim saber que não era bom para mim estar me expondo.

Você ou seu companheiro em algum momento pensou na possibilidade de abortar? Se sim, por quê?

Sim. Antes de contar para a minha família tentei abortar sem que ninguém soubesse, mas fiquei com medo de acontecer alguma coisa comigo. Quando ele soube que eu estava grávida ele disse que eu teria que abortar “essa coisa”, mas eu disse a ele que não faria nem por pressão de ninguém.

Você parou seus estudos? Se sim, pretende voltar?

Sim. Quando descobrir que estava grávida fiquei sem ir para a escola por duas semanas, mas pelo apelo dos meus pais voltei a estudar até a hora de ter o bebê e ficar de licença.

Você sentiu algum tipo de preconceito? Se sim, de quem e por qual motivo.

Sim. Foi dos meus colegas de escola. Por que eles nunca tiveram alguém que estivesse grávida na sala de aula.

Depois da gravidez você já teve relações? Usou contraceptivo?

Sim. Usei mas falhou, e hoje estou grávida do meu segundo filho.

Qual a maior falta que você sente em relação ao que você perdeu na adolescência?

A falta que eu sentir foi de não poder sair para onde eu queria por causa da criança porque não podia deixar com minha mãe porque tinha que amamentá-lo, minhas amigas me chamavam para sair e eu dizia que não podia, eu ficava com muita raiva, mas tinha que ficar cuidando do meu filho.

Qual a sua maior dificuldade de ser mãe?

Todas. A primeira que tive que passar a ter responsabilidade, porque agora eu sou mãe e tenho uma criança para poder cuidar, eu não sabia como segurar uma criança e tive que aprender, achava que era como brincar de boneca, mas na realidade é muito diferente. Para trocar a fralda minha mãe que fez a primeira vez para eu ver como seria, foi daí que aprendi a trocar a fralda.

Como é sua rotina de mãe?

Agora que meu filho está com dois anos, não dá muito trabalho, de manhã levo ele a escolinha, volto para casa para arrumar a bagunça que ele deixou antes de sair para a escola e vou fazer o almoço antes de ir buscá-lo na escolinha onde estuda, dou de comer a ele e me arrumo para ir a escola e levo ele para a creche que fica perto da escola onde estudo e depois que termina a minha aula vou buscá-lo na creche quando ele abre aquele sorriso e vem correndo para os meus braços.

Você trabalha?

Não, só fico cuidando do meu filho, não gosto que ele fique longe de mim a não ser na creche porque tenho que estudar, no entanto ele sempre está comigo.

 Quais são os seus planos para o futuro?

Poder formar uma família de verdade e continuar meus estudos que estão atrasados para poder um dia cursar uma faculdade para poder sustentar meus filhos e a mim.

Para terminar qual o conselho que  você daria para mães adolescentes?

Hoje o conselho que eu dou é que todas as meninas adolescentes pensem antes no que vão fazer para na cair em tentação e acabar fazendo algo errada que no futuro vá te prejudicar, te fazer sofrer e perder um momento tão maravilhoso de nossas vidas que é ser adolescente e poder fazer o que quiser. Para as meninas que namoram alguém que tomem cuidado para não se envolver com pessoas erradas e depois se arrepender e ter a sorte que eu não tive. Tome muito cuidado e usem camisinha.

Ciúme: a diferença entre o veneno e o remédio está na dose.

Posted in Comportamento by micheletavares on 26/10/2010

Por ELA Leão.

“O ciúme dói nos cotovelos
Na raiz dos cabelos
Gela a sola dos pés (…)
Dói da flor da pele ao pó do osso
Rói do cóccix até o pescoço (…)
Você ama o inimigo
E se torna inimigo do amor”

Em “Dor de cotovelo” Caetano Veloso descreve as mazelas provocadas pelo ciúme. O ciúme não é exclusividade apenas dos mortais, o mesmo seria capaz de tirar do prumo a deusa Hera, a qual sofria com a infidelidade de seu esposo Zeus e com o ciúme que sentia dele.  Embora pensado humano, esse sentimento não deixa escapar nem mesmo o deus judaico cristão, que de acordo com o que afirma o texto sagrado: (Deuteronômio 4,24)Pois o SENHOR vosso Deus é fogo abrasador, é um Deus ciumento”.

Colocando religião e mitologia de lado, o ciúme, quando fora de controle, trás problemas para quem o sente e em especial para o indivíduo passivo do ciúme. Como tantas mulheres no Brasil, a senhora M.A.S, 38 anos, serve de exemplo. Na madrugada do dia 17 de dezembro de 2009, M.A.S. compareceu à delegacia plantonista e registrou queixa contra seu ex-marido por ameaçá-la com uma faca em sua casa e também por agredi-la verbalmente depois de tê-la seguido em público, inclusive na igreja em que ela freqüenta. Segundo ela, mesmo separada, o ex-marido ainda a perseguia e que o motivo de tantas ameaças e violências é que, embora separados ha três meses, o seu ex-marido conserva-se ciumento e nisso resulta todo o medo que ela vem sentindo.

Como este caso, inúmeros outros com semelhanças e dessemelhanças podem ser vistos por todo o Brasil. O pano de fundo para o desenrolar dessas cenas: ciúme.

Cantado, interpretado, pintado por artistas em muitos idiomas, o ciúme é quase linguagem universal, quando se trata de sentimento. Do latim zelume, ou seja zelo, dita dessa forma, talvez a palavra ciúme não faz pensar na angústia e sofrimento causado pela possibilidade de perder o afeto de quem se  ame. O ciúme é tema central de obras como Otelo, de William Shakespeare, e Dom Casmurro, de Machado de Assis, visita também pára-choques de caminhões: “Amor sem ciúmes é como flor sem perfume”.

Em Passione, folhetim apresentado atualmente por emissora de TV brasileira, a personagem Jessica, interpretada por Gabriela Duarte, inventa mil e uma formas de segurar seu marido Berilo (Bruno Gagliasso), recorrendo até a um GPS para mantê-lo “dentro da cerca”. No entanto, nenhum personagem supera Heloisa do folhetim “Mulheres Apaixonadas”, interpretada por Giulia Gam. A personagem infernizou a vida do esposo, Sergio, encenado por Marcello Antony. Todos os clichês de cenas de ciúmes foram vividos na pele de Heloisa: cheirar roupa, averiguar bolsos e carteira, conferir ligações do celular, seguir o marido, chegando mesmo a esfaqueá-lo. O ciúme era tanto, que ela chegou a fazer uma cirurgia de retirada do útero, para não ter que dividir o esposo com filhos.

Apesar de ser muitas vezes associado à desconfiança, suspeita de infidelidade ou a tentativa de controle, o ciúme em si cumpre uma função de grande importância social: pode ensinar que não somos o centro do mundo, muito menos do desejo do outro. Para o psicanalista Alberto Silveira, o ciúme não significa demérito ou patologia. “É comum sentir ciúme, afinal o medo da perda é presente em todo sujeito, então se vê nas crianças que disputam a posição de filho preferido, na namorada que busca atenção, no individuo que reclama da relação do trabalho”, disse.

O estranho é a negação do ciúme. Como no caso de namorados, noivos, maridos, que afirmam não sentirem ciúme. “Se for verdade a afirmação desses homens, significaria que se alguém levasse a mulher deles eles não teriam problema ou sentiriam tal ação, afinal eles não sentiriam tal perda”, afirma o psicanalista.

É comum, as mulheres serem apontadas como mais ciumentas, no entanto para o psicanalista, isso não corresponde à realidade. Segundo o mesmo, o que existe é certa conformidade social com a posição feminina, a qual para ela é permitido chorar, fazer escândalos se apresentar fragilizada, e reclamar constantemente. Contudo, o fato das mulheres exporem, com maior freqüência, o ciúme que sentem não faria delas mais ciumentas. “Afinal historicamente o homem foi protegido dessas situações, as esposas e amantes ficavam em casa e sua imagem de homem ficava intacta”, conclui o psicanalista.

Embora, não seja uma regra, existe uma diferenciação entre o ciúme apresentado pela mulher e pelo homem. Isso se dá na forma de expor o sentimento, enquanto as mulheres sentiriam ciúmes do afeto demonstrado pelo parceiro a uma terceira pessoa, os homens direcionam seu ciúme para a vida sexual da parceira. “Esse fato é perceptível em retornos após separações onde quase sempre o homem se incomoda ou se interessa pela vida sexual da parceira e a mulher por sua vez tem suas duvidas e queixas relacionadas à quantidade de afeto”, afirma o psicanalista.

Homem ou mulher, criança, jovem, adulto ou idoso só é possível ajudar o ciumento caso este sinta-se incomodado pelo ciúme. “Esse sintoma sim é válido para a análise e para outras terapias afinal é um sintoma do sujeito”, conclui o psicanalista.

Você é ciumento? Teste online: http://www.interney.net/testes/teste005.php

O país possui cerca de 3 milhões de jovens fumantes

Posted in Comportamento by micheletavares on 26/10/2010

A cada ano mais jovens estabelecem um vínculo ‘vitalício’ com a ‘fábrica de doenças’

Por Edu Santos

Efeitos danosos causados pelo cigarro (Arte: Mara Louise)

O número de jovens fumantes é cada vez maior em todo o Brasil, cerca de três milhões de pessoas com idade entre 15 e 24 anos são fumantes assíduos, constituindo um grau de dependência física e psíquica ao cigarro. Inúmeros fatores distintos podem explicar esse fato, porém o mais relevante é relacionado à formação da identidade psicológica desse jovem. Nessa fase eles enfrentam uma série de dúvidas e apreensões com relação a sua postura perante a sociedade.

Eles buscam o cigarro como um refúgio contra os anseios provocados pela fase de transição entre a infância e a vida adulta. Nesse processo muitos deles começam a fumar para adquirir determinado status de maturidade e assim inserirem-se mais facilmente em grupos sociais, que também são compostos predominantemente por jovens. Sua grande maioria tem plena certeza que domina o vício, no entanto não é isso que acontece.

A estudante de 17 anos de idade, Ana Patrícia de Oliveira começou a fumar aos 15 anos, de maneira lúdica. Não tinha consciência sobre os efeitos danosos do cigarro e foi influenciada por amigos. “Comecei a fumar em um show, meus amigos que me ofereceram. As pessoas que bebiam e fumavam eram tidas como maiorais e independentes pelos outros amigos e eu queria me inserir, aliás, quem não quer? E daí em diante me habituei a fumar e fui percebendo que o cigarro servia como uma válvula de escape para os meus problemas. Ficava nervosa e começa a fumar, ficava insegura ou preocupada e também descontava no cigarro. Quando me dei conta já estava fumando mais de um maço de cigarros por dia’’, admite a estudante .

O jovem ao começar a fumar praticamente estabelece um vínculo  ‘vitalício’ com a indústria do tabaco, pois consumindo regularmente durante a juventude, cerca de 90% se tornarão dependentes na vida adulta, e desse percentual apenas 3%  se livrará da dependência sem a ajuda médica. Fazendo uma comparação com outras drogas como a maconha que vicia 50% dos seus usuários e o álcool que vicia 13%, percebe-se o enorme efeito provocado ao cérebro pelo cigarro.

Segundo o Ministério da Saúde, o cigarro causa dependência ao jovem do sexo masculino em seis meses de uso constante e no feminino em apenas três semanas de uso na mesma intensidade, fato que é ligado as particularidades psico-emocionais de cada sexo . O número de fumantes do sexo masculino é maior cerca de 2% em relação ao feminino, no entanto as jovens começam a fumar dois anos antes e as que conseguem parar,deixam a dependência três anos antes em relação a eles.

Componentes do cigarro (Arte:Smoking News)

O cigarro é composto pela nicotina, que é a maior responsável pela dependência, e por outras 4719 substâncias tóxicas nocivas, que provocam 50 tipos de doenças diferentes, entre elas: câncer de pulmão, boca, estômago, pele, rim, além de doenças cardiovasculares, respiratórias e impotência sexual.O cigarro mata mais que a AIDS, cocaína, heroína, álcool, suicídios e acidentes de trânsito juntos.

O técnico em edificações de 46 anos idade, Roberto Ribeiro Sá, começou a fumar aos 12 anos e hoje vive um dilema, é obrigado a parar se quiser manter-se vivo, pois enfrenta um câncer pulmonar decorrente dos 34 anos de consumo intenso de cigarro. “Diariamente tenho que enfrentar sessões pesadas de tratamento radioterápico no hospital. Luto contra o câncer a mais ou menos dois anos. Perdi mais de 20 quilos por causa do câncer e do tratamento, mas mesmo assim ainda sou fumante e não consigo deixar o vício. O médico já me alertou muitas vezes e já fui submetido a alguns tratamentos, mas não venho tido muito sucesso. Hoje sou obrigado a decidir entre a minha vida ou o cigarro’’, desabafou  o técnico .

Intertítulo

Os órgãos da saúde juntos com os da educação vêm intensificando suas campanhas de conscientização direcionadas ao público jovem, que é a ‘força motriz’ do consumo de cigarro no país. Estas campanhas estão gradativamente sendo veiculadas nos meios de comunicação de massa. Várias leis também entraram em vigor nos últimos anos para coibir o tabagismo. O fumo é proibido nas escolas desde 1997, a propaganda de cigarro foi banida da TV desde 2001, suas embalagens vêm com mensagens e fotos impactantes acerca dos males provocados pela droga, os estabelecimentos comercias estão proibidos de venderem o produto para menores de 18 anos, foi proibido fumar em locais públicos fechados ,os impostos sobre o tabaco vêm em vertiginoso aumento , entre outras.

Com o advento da legislação antitabagista e das campanhas de saúde, o cigarro foi dissociado daquela imagem de beleza e glamour pregada pelos meios de comunicação e passou por uma pseudo-adaptação para manter -se vivo no mercado. Essa indústria adotou uma postura conciliadora para restaurar sua imagem, reconheceu em parte os efeitos danosos provocados por seus produtos, se ’abriu ‘ para negociações com os órgãos de saúde e vinculou-se a projetos de bem-estar social e de sustentabilidade.

Essa ‘fábrica de doenças’ vem resistindo intensamente a todas essas medidas sanitárias, apesar da grande diminuição dos seus ‘sócios vitalícios’ em fase adulta, o consumo entre os jovens vêm em crescente, estima-se que existam três milhões espalhados por todo o país e divididos em classes sociais distintas. Uma das grandes causas desse aumento é a facilidade que jovens menores de idade têm em adquirir o cigarro, apesar das leis, uma grande parte dos comerciantes ainda vende indiscriminadamente o produto a esses menores, ato passível de punição jurídica. Outro fato agravante é o preço do cigarro brasileiro, apesar dos aumentos tributários sofridos ainda é o 6 °  mais barato do mundo. A indústria tabagista do país é uma das maiores que existe, o Brasil é o maior exportador de tabaco e o quarto maior produtor, porém a maior parte desses dividendos vai para as multinacionais oriundas dos países desenvolvidos. E o país fica com bilhões em prejuízos decorrentes dos gastos com saúde e degradação ambiental.

Acompanhe abaixo o método desenvolvido pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) para o fumante parar de fumar:

Não será uma tarefa fácil, sua força de vontade será indispensável.

– Leia a respeito da composição do cigarro e de seus malefícios a saúde, reflita sobre o assunto.

-Se informe sobre os benefícios que você terá ao parar de fumar.

-Agora escolha uma data para ser o seu primeiro dia sem cigarro, esse dia será complicado e sofrido, no entanto procure fazer algo que goste muito para relaxar e se distrair.

-Você terá duas opções de parada, uma imediata e outra gradual. A imediata é a primeira opção, por ser mais eficaz, deixe de fumar de uma só vez. A gradual consiste em reduzir o número de cigarros consumidos, faça a contagem dos cigarros fumados a cada dia e reduza diariamente essa quantidade.

-Se não se sentir seguro mantenha-se longe de locais onde tenham muitos fumantes.

-Procure algum esporte para praticar, porém se não gostar de nenhum, faça algo que goste. O importante é movimentar o corpo e a mente.

– É normal o aumento em seu apetite e consequentemente o ganho de peso, pois ao deixar de fumar seu paladar ficará mais aguçado e o metabolismo se normalizará. Mantenha uma dieta nutritiva e saudável, evitando doces, alimentos gordurosos além do café e do álcool.

– A abstinência aparecerá de maneira intensa, provocando dores de cabeça, ansiedade, falta de concentração e obviamente vontade fumar, mas não desista, isso durará apenas duas semanas no máximo, seja forte. O apoio da família é imprescindível nessa fase.

-Haverá momentos de estresse que você verá o cigarro como a sua única diretriz, no entanto seja racional, acalme-se e entenda que momentos difíceis são normais e fumar não solucionará os seus problemas.

-Se a vontade de fumar persistir vá ao banheiro e escove os dentes, coma uma fruta, mantenha as mãos ocupadas com algo, ocupe a mente. Essa vontade dura apenas alguns minutos.

-Alguns ex-fumantes acabam voltando ao vício por acharem que já têm controle sobre ele. Resolvem fumar um único cigarro, no entanto acabam tendo recaídas.

-Recompense seu esforço, guarde o dinheiro que você gastaria com cigarro e conte-o ao final de cada semana. Depois pegue esse dinheiro e compre algo para você ou para alguém que você goste.

-Recupere sua saúde física e psíquica. Viva bem e sempre se policie.

Disque saúde (Arte:INCA)

Vestibular: ninguém disse que crescer seria uma tarefa fácil

Posted in Comportamento, Educação, Vestibular by micheletavares on 26/10/2010

Em todo o país milhares de estudantes enfrentam o impasse de determinar o rumo da sua vida profissional.

Por Maíra Araújo

É chegada a hora em que a cabeça do futuro universitário se torna alvo de uma dúvida que atinge a grande maioria: a escolha da carreira que vai seguir.  Nesse momento muitas coisas precisam ser postas na mesa para ponderar a situação. Primeiro é necessário que o estudante perceba com qual área ele se identifica, afinal o mercado dispõe de inúmeras delas. Essa resposta ele pode conseguir no dia a dia dos seus estudos, percebendo qual a matéria que ele mais gosta e com a qual se sente melhor estudando.

A partir dessa percepção é que ele pode direcionar para qual curso ele vai concorrer. Por exemplo, um aluno que normalmente prefere estudar química ou matemática tem mais chances de futuro em cursos como as Engenharias. Já aquele estudante que se identifica mais com história e português tende a procurar fazer cursos como Direito, Letras ou Comunicação Social. Posteriormente é que o aluno tende a pensar no lado rentável da profissão, pois no mercado de trabalho tem carreiras que o retorno financeiro é mais rápido que em outras.

(Foto: Arquivo pessoal)

(Foto: Arquivo pessoal)

“As possibilidades de trabalho no futuro e a afeição com as matérias me fizeram escolher o meu curso. Eu só  consigo me ver fazendo isso. Mas  também pesou a questão financeira, pois eu acho que a gente deve escolher uma profissão que tanto dê prazer quanto retorno financeiro”, disse o aluno Victor Emanoel Souza, que já está decidido a prestar vestibular para o curso de Medicina.

 

(Foto: Arquivo pessoal)

Já o aluno Adolfo Meneses confessa que para ele foi uma escolha difícil, visto que sua  primeira vontade era cursar Medicina, mas resolveu mudar para Odontologia, sua segunda opção, por  conta da alta concorrência do primeiro, mas também pela identificação com o segundo.

Antigamente a carreira era tida como um fardo que você era obrigado a carregar, ou seja, escolheu está escolhido e não tem mudança. Hoje não é mais assim. Faz tudo parte de um contexto, de um sentido, e é onde a pessoa vai começar a traçar sua vida. Essa escolha não precisa ser um fato consumado. Em algumas instituições a escolha do curso em si não é feita no momento da inscrição. O aluno se inscreve em Comunicação Social, por exemplo, e depois de dois anos é que ele vai aprofundar o seu estudo em Jornalismo, Publicidade ou Radialismo. Por um lado isso é bom para aquele estudante que ainda não sabe ao certo o que fazer. Por outro pode prejudicar uma decisão que se fosse feita com convicção no começo iria formar um profissional que teve melhor aproveitamento do curso. Mas qual seria o momento certo para optar por determinado curso? De certa forma a resposta para essa pergunta é relativa. Muitos estudantes deixam pra decidir em cima do momento da inscrição, mas a grande maioria decide algum tempo antes. “A opção feita já vem de um trabalho anterior quando ele começa a se destacar em determinadas disciplinas. Então o aluno chega ao ensino médio, principalmente no terceiro ano que é o ano decisivo, já sabendo o que quer. Setenta por cento dos nossos alunos já entram no ensino médio decidido”, ressalta Jairton Guimarães, diretor geral do Colégio Ideal.

É indiscutível que esse é um passo muito delicado na vida do vestibulando. Para passar por essa fase ele precisa encontrar total apoio na família, independente da decisão que vai ser tomada. É dever da escola acompanhar de perto   a situação e orientar os pais e familiares para que eles não interfiram, mas sim que apóiem os seus filhos.

Muitas vezes os familiares procuram um acompanhamento psicológico, que pode ser encontrado na própria escola ou fora dela. Os psicólogos trabalham com o chamado teste ou orientação vocacional. Porém esse teste não é uma resposta à dúvida do aluno, ele funciona muito mais como um auxílio que faz o vestibulando ver sobre determinados pontos a qual área ele está mais apto. De forma alguma essa orientação pode condicionar o querer e o gosto por essa ou aquela graduação.

A sensação de dúvida pode acompanhar uma pessoa não só durante a escolha do curso, mas também na sua vida acadêmica. Não é só pelo fato de o estudante ter ingressado na faculdade que ele irá se sentir realizado. Muitos dos que já estão dentro do ensino superior questionam se de fato sentem-se satisfeitos. Tal satisfação pode ser vigorada por meio de diálogos com pessoas mais próximas, com profissionais já consolidados no mercado de trabalho ou pelo método do teste vocacional. O importante é que no final de tudo não restem incertezas para que tenhamos profissionais qualificados no mercado, independente da área que lhe pareceu mais atrativa.

Teste vocacional: http://www.oportaldosestudantes.com.br/testevoc.asp

Projeto de lei do Nascituro põe feto acima de tudo.

Posted in Comportamento by micheletavares on 26/10/2010

Lei do Nascituro pretende criminalizar o aborto no Brasil, dando “absoluta prioridade” ao feto.

Por Bárbara Costa.

Feto dissecado. Foto: Maria Augusta Trindade

Em 2005, foi para a Câmara de Seguridade Social e Saúde um projeto de lei que previa a descriminalização do aborto no Brasil. O projeto, porém, não foi aprovado. Cinco anos depois, a mesma câmara aprovou, com 17 votos a favor e apenas sete contra, o Estatuto do Nascituro, um projeto dos deputados Luiz Bassama (PT) e Miguel Martini (PHS), que ainda será levado para a Comissão de Finanças e Tributação e para a Comissão de Constituição antes de virar lei. O Estatuto prevê a total criminalização do aborto, com penalização para quem descumprir a lei. Assim como o projeto de 2005, este também está causando polêmica, pois muitos serão os desdobramentos dessa lei, se aprovada.

O Art. 2º do Código Civil Brasileiro diz: “A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro”. Sendo assim, o nascituro (feto), já hoje, tem direito à herança e à pensão, assim como à vida. Com a aprovação desta lei o nascituro passará a ter “absoluta prioridade” desde o momento da fecundação, pois foi definido por estudiosos que a vida se inicia a partir do encontro do espermatozóide com o óvulo.

Hoje o aborto no Brasil é crime, exceto nos casos de estupro e quando a gestação implicar riscos para a mãe. Muitas mulheres, sem outra alternativa, buscam clínicas ilegais ou usam remédios e chás para abortar. Esses métodos não são seguros e acabam causando hemorragias e infecções. No Brasil, em média, metade das mulheres que abortam (ilegalmente) acabam internadas. E apesar dos remédios para estancar os sangramentos e os antibióticos dados pelos médicos, muitas delas morrem. Com essa lei é muito provável, segundo o médico do Hospital João Alves Filho, Hélio Sampaio, que este número aumente. E pior, é provável que muitas dessas mulheres se internem com diagnósticos falsos para evitar uma possível punição pelo crime cometido.

Se a lei for aprovada, as mães que sofreram violência sexual ficarão desamparadas. A solução poderia ser a assistênciaa elas e a seus filhos pelo governo. Para o freqüentador do centro espírita Bezerra de Menezes, Cleverton Carvalho, é a obrigação do Estado dar um suporte psicológico pra essa mãe: “O Estado tem a obrigação e o dever de amparar essa criança, afinal, ela também sofreria o trauma de ser um filho indesejado”, diz.

Nos casos das gestantes com gravidez de risco ficaria proibido qualquer ação que possa vir a machucar ou por em risco a vida do feto, como levantar peso ou andar de bicicleta. Como ficariam, então, mães solteiras que têm filhos pequenos? Donas de casa? Seriam presas por um ato tão simples quanto carregar uma criança no colo. Bom, pelo menos na prisão elas poderiam ficar em repouso. Quem sabe essa não seja isso o que quer o governo.

Outros que sofrerão com essa lei são os cientistas. A maior das preocupações deles é que, a partir do momento em que se definiu que há vida já na fecundação, as pesquisas com células-tronco embrionárias, geralmente doadas pelos centros de fertilização in vitro, ficarão inviáveis. Essas pesquisas são muito importantes pela propriedade que as células-tronco embrionárias têm de se transformar em qualquer outro tipo de célula, e podem acarretar na descoberta de curas para muitas doenças que são consideradas incuráveis, como o mal de Alzheimer e a leucemia.

Porém, durante as pesquisas, muitas células são manipuladas ou sacrificadas, e se a lei for realmente aprovada essas pesquisas serão proibidas, considerando que estes atos vão de encontro ao direito à vida do feto. Já hoje muitos são contra essas pesquisas, inclusive a Igreja Católica. Os espíritas, porém, dizem que eles devem concordar com as idéias da ciência, pois muitas coisas vão sendo descobertas, coisas que podem até mudar as idéias espíritas.

Padre Josué é a favor da Lei do Nascituro

Que o espiritismo e o catolicismo vivem discutindo todos sabem, mas, não exatamente surpreendente, foi a postura de ambos a favor da lei do Nascituro. O padre da Paróquia Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, Josué, diz que o aborto é um “ato contra a vida”. Enquanto isso, Cleverton diz que a alma é mortal e que ela deve galgar posições e que quando um aborto é feito esta alma fica impedida de se desenvolver, o que acaba atrasando-a. Ao serem questionados se achavam que as mulheres que praticaram aborto mereciam punição ambos responderam da mesma forma: “Há no mundo uma lei de ação e reação, e se alguém comete uma ação negativa consequentemente haverá na vida desta pessoa uma reação negativa. A não ser que essa pessoa se redima de alguma forma”.

Na opinião do doutor Hélio, o aborto deveria ser descriminalizado. Para ele, as escolas e pessoas em geral deveriam falar mais sobre o aborto, tratar com naturalidade e mostrar as conseqüências do ato, deveriam também incentivar as mulheres a falar com suas famílias antes de tomar a decisão final. “Elas têm medo, há muita descriminação”, argumenta.

Cinco anos atrás foi discutida a descriminalização do aborto. Hoje está em pauta um projeto de lei que quer impedir todo e qualquer aborto no Brasil. Contraditório. Assim como as opiniões sobre esta lei. Com conseqüências tão profundas nas vidas de todos nós, este assunto ainda tem muito a ser discutido. Uma certeza: seja aprovada ou não, ainda há muito chão pela frente e muitas discussões até que cheguemos a um consenso sobre o aborto. Isso, se chegarmos.

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“Nosso Lar”: Filme espírita atrai seguidores católicos.

Posted in Comportamento by micheletavares on 26/10/2010
 

 

   País  predominantemente católico faz sucesso com filme espírita.

 Por Ana Carolina Souza               

   

Filme espírita faz sucesso em país católico. Foto: Google

 

   

            2010 é o ano do centenário de nascimento de Chico Xavier, já bastante comemorado, principalmente nas telinhas dos cinemas. Em abril foi lançado o filme “Chico Xavier”, uma biografia da vida do espírita, e recentemente chegou aos cinemas de todo o Brasil “Nosso Lar”, um filme baseado no livro de mesmo nome, psicografado por ele e contado pelo espírito André Luiz. Ainda este ano estreará “As mães de Chico Xavier”. Logo se nota que foi um grande ano para o Médium e para os espíritas. 

        

 

    O espiritismo vem ganhando espaço no mundo, principalmente no Brasil. O que é um tanto contraditório, considerando que no Brasil a maior parte da população é católica. Por que será que isso vem acontecendo? Será que a Igreja Católica vem perdendo credibilidade, logo, também perdendo seguidores? Muitas pessoas estão se interessando pelo espiritismo há algum tempo. “Nosso Lar” não foi visto apenas por espíritas. Católicos, evangélicos e, quem sabe, até ateus assistiram ao filme, que foi um grande sucesso, com seus mais de dois milhões de espectadores até então. O sucesso do filme, é claro, não foi apenas pelo tema, mas também por ter sido uma grande produção, com muitos efeitos especiais, dignos de Hollywood. Pena que, como quase toda adaptação para o cinema, não foi possível se ater a todos os detalhes.

        

Proprietária do "Grupo Espírita da Prece", Maria Neide. Foto: Ana Carolina

    Como representante da Doutrina Espírita e proprietária do “Grupo Espírita da Prece”, Maria Neide Machado argumenta que as pessoas procuram o espiritismo porque estão cansadas de serem enganadas. “As outras religiões não mostram a verdade, pois a realidade é o espírito que algum dia voltará em outro corpo”, diz. Quanto ao filme, Maria Neide acha que deixou a desejar, mostra apenas uma visão geral. “Para quem não é espírita, o filme acordará almas e despertará o que realmente interessa. O filme não necessariamente atrairá seguidores, já que nem todo mundo acredita no que viu, mas quem é mais lúcido pode ser que sim”. Ao ser questionada se o catolicismo está em declínio, ela diz que não está, mas algum dia os membros da Igreja católica descobrirão que a forma como eles passam os aprendizados de Jesus não é da forma correta. Se o espiritismo vai ser o a religião do futuro no Brasil e no mundo? Com toda convicção, ela responde: “O espiritismo não vai ser a religião do futuro, vai ser o futuro das religiões”.

            Em contraponto, para o membro da Paróquia Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, Padre Josué, o modismo é a palavra característica do espiritismo. Modismo influenciado pelo Centenário de Chico Xavier, os filmes e, inclusive, novelas que abordam o tema.  Ele não acredita em nada da Doutrina. “Caridade é o único ponto em comum, porém os espíritas a utilizam para apagar os pecados e os católicos a fazem para agradecer”, afirma. Ao questionar se havia assistido ao filme, o padre responde o seguinte: “Alguém já foi lá (Nosso Lar) e voltou? Por isso não me atrai assistir”.    

Padre Josué não se interessou em assistir o filme. Foto: Ana Carolina

            Cada representante religioso possui uma posição firme diante suas respectivas ideologias religiosas. O Brasil é um país de diversas miscigenações, denominado católico e acolhedor de um médium renomado. Por que não cada um ter sua própria crença e fé, sem ter de seguir determinados patamares?

            Para tanto, a aluna de Veterinária, Fernanda Meneses, pode comprovar essa interrogação anterior. A estudante, que é católica, interessou-se por “Nosso Lar” por se tratar de um filme que expressa a possível existência de uma cidade espiritual em outra dimensão. Antes do filme ela não acreditava intensamente na vida após a morte, mas agora acredita que seja possível. “O filme mudou minha forma de ver o mundo, pois quanto mais os anos passam, mais as pessoas vão se tornando instrumentos do mundo material. As pessoas podem ser doentes simplesmente por apresentarem tristeza, preocupação, estresse e ansiedade (por exemplo). Essas características acarretam uma série de problemas e transtornos que desencadeiam na vida após a morte”, explica. Ela acrescenta que o espiritismo muda a sua forma de pensar, agir e sentir. Pensar melhor nas relações humanas, agir de forma coerente com a vontade de Deus e ensina a sentir energias próprias e alheias que ajudam na evolução do seu ser.

               Na vida, temos direito de decidir por qual caminho seguir e no que acreditar. Portanto, é até melhor ser coerente a sua própria crença a não corresponder ao que é determinado por uma única religião. Somos abençoados por ter um Brasil com diversas alternativas de viver uma crença. O nosso Deus pode ter muitas faces.

A real fantasia da Odonto Fantasy

Posted in Comportamento by micheletavares on 25/10/2010
 

 

Odonto Fantasy 2009

Foto: Arquivo Odonto Fantasy

Odonto Fantasy 2009

Foto: Arquivo Odonto Fantasy

Pessoas que investem na festa com o intuito de realizar fantasias

Por Fernanda Matos

“Reprimir nossas fantasias é uma amputação. A gente é o que vive e também o que a gente delira, sonha, projeta, inventa, reconstrói, ousa, verbos raramente praticados no nosso santificado dia-a-dia. […] Tudo o que nos fascina, horroriza e diverte: por que não experimentar sem sair do lugar? Fantasiar é inofensivo, saudável e de graça”, ressalta a jornalista e escritora brasileira Martha Medeiros. Entretanto, para viver fantasias em festas temáticas, como as tradicionais festas de carnaval ou festas particulares a exemplo da festa Odonto Fantasy, é preciso realizar alguns investimentos. Mas a questão é: o que se gasta para viver esse momento fantasioso corresponde em satisfação para o folião?

A ideologia da festa

Criada há doze anos, a Odonto Fantasy começou como uma brincadeira de jovens universitários que se reuniram fantasiados para uma noite de fantasias. A idéia deu tão certo que a partir de então se efetivou como evento popular e atualmente já é considerada a maior festa fantasia do norte e nordeste. Inicialmente, começou com apenas duas atrações e um público de aproximadamente 500 pagantes, mas na última edição realizada em novembro do ano passado, a festa teve 17 atrações e cerca de 20 mil pessoas.

Estande de divulgação da festa montado em um dos shopping da cidade.

Foto: Fernanda Matos

De acordo com informações obtidas através da assessoria de comunicação da festa, a Odonto Fantasy movimenta diversos setores da economia local e gera mais de 900 empregos diretos e indiretos atraindo para Aracaju turistas de vários estados como a Bahia, Pernambuco, Alagoas, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e tantos outros. Para realização dessa festa, os organizadores investem em contratação de shows musicais, estrutura, contratações de pessoal, decoração de espaços diferenciados para receber diferentes públicos e para garantir a tranqüilidade e a diversão para os participantes. Toda a festa é friamente calculada para despertar a imaginação das pessoas e satisfazer suas principais “fantasias”.

Trata-se de um cenário ideal para o público se divertir e viver suas fantasias mais íntimas através da incorporação de personagens com os quais mais se identificarem, além, é claro, de despertar a imaginação nessa noite onde tudo é permitido e o proibido é não fantasiar.

O investimento vale a pena?

Para participar da festa é preciso investir em ingresso, bebidas, comidas, transporte, estacionamento e combustível. O ingresso esse ano custa R$ 50 para a pista e R$ 90 para o camarote. As bebidas e comidas dentro da festa custam um pouco mais do que fora do evento. O preço da cerveja varia entre R$ 3 e R$ 5 e os coquetéis e outros drinks custam entre R$ 3 e R$ 10. No caso da alimentação, o gasto gira em torno dos R$ 10, dependendo do que o folião vai comer. Outro investimento indispensável é o transporte. O custo para quem vai de táxi, do shopping Jardins até o local do evento, é mais ou menos uns R$ 80. Já, para quem vai de transporte alternativo, como os oferecidos por pessoas que desejam faturar uma renda extra durante a festa, o investimento fica entre R$ 50 e R$ 80 reais a depender do local de saída.

Tomando como referência o primeiro conceito do Aurélio, identificamos outro gasto essencial para quem vai a Odonto Fantasy: o gasto com a fantasia. Artefato imprescindível para participar do evento. A fantasia é uma das principais preocupações de quem vai à Odonto sendo também o item que mais precisa de investimento. O valor aluguel da fantasia varia muito, a depender da fantasia escolhida. O preço médio do aluguel é de R$ 50.

Para um determinado grupo que freqüenta a festa investir em uma boa fantasia é algo essencial e dispensa economia. Para eles, o simples desejo de satisfazer suas fantasias ou seus interesses pessoais durante a festa justifica o investimento que farão para irem ao evento.

Foto: Arquivo pessoal

 

 “Eu costumo gastar em média R$ 200 nessa festa e para mim o gasto vale a pena diante daquilo que a festa nos proporciona. Eu gastaria até mais se precisasse”, esta é a opinião do designer gráfico, Marcos Kiko.

 

 

Foto: Arquivo pessoal

Já, a fisioterapeuta de Ribeirão Preto, Lícia Santana, costuma gastar em média R$ 300 com a festa. Para ela o importante é dançar, curtir a festa com amigos e conhecer pessoas novas com energias positivas.

 

 

 

Outro grupo distinto acredita que o importante é atender aos requisitos para ter acesso ao evento, sem investir tanto com a fantasia. Esse público também se encaixa em outro que vai a festa sem intenção de realizar fantasias, mas para curtir o momento e se divertir. “Hoje em dia as festas estão muito caras, por isso para que a gente possa curtir todos os eventos temos que economizar ao máximo”, relata a fisioterapeuta, Amanda Andrade.

Por outro lado, vale destacar algumas pessoas e setores da economia que também investem no evento, a fim de atrair clientes para faturar uma renda extra. São as costureiras, armarinhos, lojas de fantasias, ambulantes, taxistas, hotéis e agências de viagens. Para as costureiras, que confeccionam fantasias no mês da realização da festa, a Odonto é uma oportunidade de ganhar uma renda extra. 

“Eu cobro entre R$ 30 e R$ 50 para fazer uma fantasia. O valor que cobro depende do trabalho que vou ter” é o que explica, a costureira, Raimunda Silva.

 

Lojas de fantasias se preparam para a Odonto Fantasy

Foto: Por Fernanda Matos

Nas lojas de fantasias o intuito é o mesmo: oferecer fantasias diferentes para conquistar o cliente e aumentar os lucros. De acordo com a proprietária de uma loja especializada em aluguel de fantasia, Monalisa Santos Vieira, no período da Odonto Fantasy há um aumento de 50% nos aluguéis de fantasias para a festa e entre as fantasias que a loja mais aluga estão as mais sensuais, como a de enfermeira e pirata. “Aqui na loja o valor do aluguel varia entre R$ 40 e R$ 80”, informa a empresária.

Arte: Por Wellington Tadeu

Veja a seguir um rol exemplificativo de alguns motivosque influenciam na escolha da fantasia que as pessoas vão usar para ir à Odonto Fantasy e determinam o valor que vai ser gasto na sua aquisição.  

 
 

Arte: Por Wellington Tadeu

 Quando a “fantasia” se transforma em decepção

A Odonto Fantasy é um cenário ideal para o surgimento de histórias, realização de fantasias e infelizmente, a ocorrência de decepções. Enquanto uns encontram na festa uma oportunidade para fantasiar, brincar, pular, namorar e se divertir; outros vão ao evento e não agem com responsabilidade: fazem uso de álcool e outras drogas em excesso, furtam, roubam, caem na malandragem e etc. Por isso, é preciso saber que fantasiar pode não ser pecado. Mas para viver uma fantasia sem sofrer decepções é preciso ter responsabilidade. 

 Os que vão à festa com a intenção de se divertir com responsabilidade guardam histórias bem interessantes e experiências engraçadas.

 

Arte: Por Wellington Tadeu

Já os irresponsáveis vivem situações embaraçosas e perigosas.

 

Arte: Por Wellington Tadeu

Na opinião da psicóloga, que atua na área de saúde mental, Isadora Farias Carvalho, essas pessoas fazem uso excessivo de álcool e outras drogas para substituir alguma falta, na sua maioria despercebida. “Elas bebem e fumam de forma excessiva, porque tem dificuldade em lidar com algum sentimento. Essas pessoas preferem beber excessivamente à parar e pensar no porque de estarem reproduzindo tal comportamento”, esclarece a especialista.

O segundo conceito de Aurélio conceitua fantasia como imaginação, algo que existe apenas no nosso imaginário. Essa conceituação é percebida na Odonto Fantasy quando o clima de mundo da fantasia oferecido pela festa passa a ser cenário para as pessoas soltar a imaginação a fim de se divertir, realizar “fantasias” e viver personagens que sempre idealizaram.

“Na Odonto Fantasy as pessoas inventam, experimentam, correm riscos de serem bregas, quebram regras, isso é o mais legal… Isso é se divertir!”, explica o designer gráfico, Marcos Kiko.

Na verdade, tanto a Odonto Fantasy como qualquer outra oportunidade onde as pessoas possam se divertir, fantasiar e efetivar desejos que apenas existam nos seus sonhos são momentos efêmeros e que, portanto, não podem ser perpetuados, funcionam como ensejo para alguns extravasarem medos, valores, angústias e desejos mais íntimos.

Na opinião da profissional de educação física que trabalha na área de saúde mental, Flávia Silveira, a Odonto Fantasy é um local onde as pessoas podem fantasiar aquilo que gostariam de ser. “A satisfação encontrada por estas pessoas está em se tornar algo ou alguém que sempre quis, mesmo que seja em um momento passageiro”.

A Odonto Fantasy então é um local que escancara as “fantasias” das mais divertidas e emocionantes, às mais sombrias e perigosas. É uma noite em que caem as máscaras sociais que impedem as pessoas de fantasiar-se no dia-a-dia. Mas será que o investimento nesta satisfação, vale para quem vive esse momento?