Técnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística

ASTRA, luta constante pela igualdade de direitos.

Posted in Comunidade e extensão, Entrevista by micheletavares on 17/12/2010
 
por ELA LEÃO

De 16 a 19 de novembro de 2010, aconteceu, em Aracaju – Se, o XVII ENCONTRO NACIONAL DE TRAVESTIS E TRANSEXUAIS. O tema do encontro foi: “A conquista da cidadania pelo fim da transfobia”.  Ainda que a constituição brasileira em seu artigo 5º garanta que “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”, a realidade é bem diferente: gays não podem casar; não são reconhecidos como entidade familiar, mas sim como sócios; não podem incluir parceiros em planos de saúde; não participam de programas do Estado vinculados à família. No total, os homossexuais têm negados 78 direitos conclui a ONG Leões do Norte, do Recife, com base num levantamento feito pela entidade.Ao mesmo tempo em que a comunidade GLBT luta pelo reconhecimento de seus direitos em Aracaju, no Rio de Janeiro um estudante de 19 anos foi baleado por um 3º sargento da policia militar.

A ASTRA é uma organização não-governamental sem fins, na cidade de Aracaju (SE). É uma entidade de utilidade pública, reconhecida pela Lei Estadual nº. 5.198 de 9 de julho de 2006. Em Sergipe, já há alguns anos, a Astra – Direitos Humanos e Cidadania GLBT vem atuando na prevenção de DST-AIDS e na busca pela conquista e garantia de plenos direitos humanos para a comunidade GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros).

Na tarde de ontem o 1º diretor da Ong, Cláudio Vasconcellos, nos recebeu em sua residência para falar sobre a atuação da ASTRA em Sergipe.

EM PAUTA.:   O que é a ASTRA?

Cláudio Vasconcellos: A ASTRA é uma Organização- não – governamental de direitos humanos e cidadania LGBT

EP.:   Há quanto tempo ela foi criada?

CV.:  A Astra tem 10 anos de existência

EP.:   Como surgiu a ASTRA?

CV.:  A Astra surgi após a dissolução de alguns núcleos pertencentes ao DIALOGAY, primeiro grupo de luta e combate aos direitos gays de Sergipe.

EP.:   Qual a sua ligação com a ASTRA?

CV.:  Sou tesoureiro e membro diretor da instituição.

EP.:   O que te levou a trabalhar com a ASTRA?  Você poderia falar um pouco sobre a sua trajetória dentro do movimento pelos direitos dos homossexuais?

CV.:  Entrei na ONG como revisor de textos e passei por toda essa trajetória de 6 anos em atividades de redução de danos, agente de saúde e acessor pedagógico.

EP.:   Qual o trabalho que a ASTRA faz? 

CV.:  A Astra atua diretamente em toda parte que abrande os direitos humanos e a cidadania  dos LGBT, bem como na parte de prevenção, advocacy e questões relacionadas a saúde pública desses grupos vulneráveis.

EP.:   O trabalho desenvolvido dentro da ASTRA é um trabalho promovido apenas por voluntários ou há uma remuneração para seus integrantes? Que tipo de profissionais trabalham com vocês?

CV.:  Há trabalho voluntário e há trabalho remunerado através de licitações para concursos públicos para obter financiamento através de verbas destinadas a projetos que envolvam cidadania, advocacy, prevenção e redução de danos.

Os profissionais são advogados, médicos, pedagogos, professores e psicólogos.

EP.:   Existe uma diferença entre o trabalho feito com os gays em geral e com os travestis? 

CV.:  Não, só o foco em questão. Mas o trabalho é o mesmo. Inclusive ambos abrangem a sigla utilizada pelo movimento.

EP.:   Como funciona a organização da Parada LGBT? Quem financia? Vocês recebem algum tipo de apoio do governo? 

CV.:  O Governo apóia as paradas LGBTs por entender que naquele momento há uma conscientização por parte da população e que aquele momento é um momento de fazer prevenção não só as doenças infecto-contagiosas, mas também às vulnerabilidades que esses grupos são submetidos perante a sociedade civil em geral. Esses projetos passam por uma seleção para que possam ser aprovados e enviados as verbas para as ONGs onde depois são completamente checadas e passam por prestação de contas rigorosíssima que deixa inadimplente a ONG que fizer o mau uso do dinheiro ou não comprovar o uso através de notas fiscais e licitações de três estabelecimentos, como rege o manual de licitações do governo federal.

EP.:   Sobre as vítimas de preconceito, vocês oferecem algum tipo de orientação, apoio?

CV.:  Psicológico e às vezes jurídico.

EP.:    Você poderia esclarecer o significado (e diferenças) da sigla LGBT?

CV.:  L lésbicas

         G gays 

         B bissexuais

         T transexuais e travestis.

 EP.:  .  Por que a parada mudou tanto de nome nos últimos anos?

CV.:  A Parada nunca mudou de nome. O que muda é o tema.

EP.:    Com relação ao controle da DST-AIDS, como anda a campanha em Sergipe?

CV.:  Esses dados são controlados pelas Coordenações municipal e estadual de DST-AIDS. As ONGS trabalham para diminuir o número de casos e são reconhecidas porque o governo admite que as ongs são peças fundamentais, porque abrangem e chegam aonde o serviço do governo não chega.

EP.:   O SUS tem alguma política de assistência direta aos grupos homossexuais?

CV.:  Não. O SUS é um sistema único, e não poderia abrir serviços paralelos, senão abriria para negros, mulheres profissionais do sexo, surfistas etc….

EP.:   Como vocês estão trabalhando o tema PLC 122-2006, que torna crime a prática da homofobia?

CV.:  Como qualquer outro que tramita no senado…. parado. 

EP.:   O travesti, geralmente, tem sua imagem profissional ligada à prostituição. Quanto disso corresponde à realidade?

CV.:  Segundo a uma pesquisa de 2009 idealizada pela ASTR, 70% dos travestis de Sergipe ainda trabalham como profissional do Sexo.

EP.:    Existe em Sergipe, em particular, ou no Brasil, algum trabalho voltado para a profissionalização do travesti?

Sim. 

EP.:   Durante as eleições presidenciais desse ano, o tema do casamento entre homossexuais foi colocado em pauta e a então candidata e hoje eleita presidente, Dilma Roussef, teve uma postura silenciosa. Como você avalia isso?

CV.:  Não sei se o que a comunidade LGBT quer realmente o casamento. Mas sim o direito de ter os mais de 15 direitos que são ceifados de nós por seguirmos com uma orientação sexual que difere, ou não, dos que estão a frente, representando o povo brasileiro. 

EP.:   Quais os trabalhos que a Astra ira encabeçar no ano de 2011?

CV.:  Trabalho de Prevenção a disseminação do Vírus da AIDS

Trabalho de Prevenção de Danos ( álcool e drogas ) aos LGBT

ERONG – Encontro Regional de ONGs AIDS

Parada do Orgulho 2011

 EP.:   Existem dados estatísticos sobre a população homoafetiva em Sergipe? Quais são?

CV.:  Não existe.

EP.:   Como funciona o financiamento da ASTRA?

CV.:  Projetos nacionais e estaduais que são concorridos quando abrem edital.

EP.:    Gostaria que falasse um pouco sobre a estrutura física e organizacional da ASTRA.

CV.:  A sede é na casa da diretora tomando a parte da frente da casa, compreendendo entre uma sala principal, sala de reuniões, uma biblioteca e um banheiro.

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A Figura Notória e Simbólica Do Policial Militar (PM)

Posted in Comunidade e extensão by micheletavares on 11/12/2010

Policial militar em trabalho (Arquivo PM/SE)

Classe que inúmeras vezes torna-se réu, julgada de maneira arbitrária pelo senso comum e pela a mídia , no entanto  o verdadeiro culpado é outro , ”o sistema”.

Por Edu Santos

A figura do policial militar é extremamente notória na mídia e na sociedade, pois é ele o incumbido para  policiar ostensivamente, sendo assim a ‘matéria-prima’ da segurança pública. Por sua grande exposição, vários julgamentos transitórios são feitos acerca de sua conduta e de suas ações, julgamentos que o levam ao ápice da opinião pública, idealizando-o como o herói do mundo real. E julgamentos adversos, que o sentencia como arbitrário, inconsequente e antiético. As bases norteadoras do senso comum para esses julgamentos são extremamente incoerentes e errôneas, pois são feitas através de recortes da realidade e de ações isoladas. E ainda, esses homens são idealizados como os principais responsáveis acerca dos problemas da segurança pública.

Todavia, por traz das ações policiais há um aporte constitucional, que é o maior responsável por pensar, planejar e discutir as ações de segurança pública em todos os níveis, os poderes executivos, legislativos, judiciários e suas subdivisões hierárquicas. Ao longo das décadas essas instituições sempre priorizaram investimentos no aparato do técnico e armamentista do policial, esquecendo as particularidades humanas do mesmo, que merecem respaldo em demasia, pois são extremamente suscetíveis a problemas e erros.

Em entrevista concedida ao Em Pauta UFS, o comandante da unidade de policiamento comunitário do bairro Pereira Lopo, em Aracaju, o sargento Messias José dos Santos, discorre acerca do cotidiano do policial militar, dos anseios e dos principais problemas enfrentados pela classe.

Em Pauta UFS: O que te motivou a ingressar na polícia militar?

Messias José: Sempre amei a profissão e também fui influenciado pelo meu pai, que na época era policial civil e hoje está aposentado.

Em Pauta UFS: Há quantos anos o senhor exerce a atividade de policial?

M.J: Há exatamente 27 anos.

Em Pauta UFS: Qual a sua função na polícia?

M.J: Eu sou comandante de uma unidade da polícia militar comunitária.

Em Pauta UFS: Qual a sua rotina na polícia?

M.J: Eu trabalho diariamente  meio expediente, mas às vezes faço horas extras.

Fico em uma unidade fixa situada no bairro Pereira Lobo e faço o trabalho de ronda pelo bairro e adjacências. Também distribuímos nosso contato à população, e ainda ,atendemos chamadas do CIOSP e chamadas que vêm direto da sociedade, através de um celular que portamos na viatura.

Em Pauta UFS: Como é o contato da polícia comunitária com o cidadão?  Ele é eficaz?

M.J: Ele é eficaz sim, aproxima o cidadão da polícia, em um sistema de parceria fica muito mais fácil de identificarmos os problemas da população. E também contribui para mudar o pensamento negativo que às vezes a população tem a respeito da polícia.

Diariamente saímos pra fazer as rondas e conversamos com os moradores e damos o nosso telefone para eventualidades.

Em Pauta UFS: Qual a principal ocorrência que a sua guarnição atende?

M.J: As brigas conjugais.

Em Pauta UFS: O senhor considera sua rotina de trabalho cansativa? Tanto psicologicamente quanto fisicamente.

M.J: Sim, é um trabalho cansativo e extremamente estressante.

Em Pauta UFS: O senhor recebe algum tipo de aporte psicológico da corporação quando se encontra nessa situação?

Policiais militares em treinamento. (Arquivo PM/SE)

M.J: Sinceramente, não!

Em Pauta UFS: A formação policial que o senhor recebeu atende às exigências do trabalho?

M.J: Hoje se eu fosse colocar os ensinamentos que aprendi na academia, pro nosso tempo ele é arcaico,mas às vezes a polícia oferece alguns cursos de capacitação e de aperfeiçoamento, para que nós possamos ter outra metodologia de trabalho, para assim assistir melhor a sociedade.

Em Pauta UFS: Quando os policiais cometem erros, isso costuma ter grande repercussão, principalmente se houver vítimas e ainda mais se forem fatais. Há algum tipo de assistência ao polícia que comete erros?

M.J: Não, só arrebentam com a gente porque erramos, apoio psicológico nada, é só pancada!

Em Pauta UFS: Quais as principais reivindicações ou reclamações da sua classe atualmente?

M.J: Queremos o nível superior, também queremos ter nossa carga horária definida e outra coisa que a gente sofre muito ,são as horas extras que muitas vezes fazemos e demoramos muito tempo pra receber. Eu mesmo estou com três meses de horas extras atrasadas.

Em Pauta UFS: Com relação à questão salarial do policial militar. Essa remuneração é justa se compararmos a outras categorias polícias e suas rotinas de trabalho?

M.J: Nós não somos bem remunerados, trabalhamos muito e ganhamos pouco. O governo prega a ideia de que concedeu um super aumento pra gente, mas comparando nosso salário com o do policial civil e do policial federal, há uma defasagem muito grande. O meu pai, por exemplo, é um agente de polícia civil aposentado, nesse mês ele vai tirar oito mil reais. Eu sou um segundo sargento com inúmeros cursos na polícia militar, inclusive, agora estou realizando um curso pra chegar a suboficial e o meu salário só agora vai chegar a quatro mil.

Em Pauta UFS: O simbolismo do policial como o destemido combatente do crime está presente em muitas sociedades e se por um lado ele leva muitos jovens a sonharem com a profissão, por outro, ele pode responsabilizar o policial por toda a segurança pública.  Como o senhor vê esse simbolismo?

M.J: As pessoas às vezes nos julgam como super-heróis e acabam esquecendo que somos simples seres humanos, temos emoções, temos problemas familiares, problemas no próprio local de trabalho,mas mesmo assim precisamos agir rapidamente e com eficácia. Pra você ter uma ideia, se eu estiver à paisana em um ônibus e eu agir, a lei diz que eu agi e estava de folga, e me pune, mas se eu não agir ,eu prevariquei, faltei com meu dever o quanto policial. Então a gente fica num impasse ,mas na maioria das vezes acabamos agindo, está no sangue.

Em Pauta UFS: Como o senhor avalia a situação da segurança pública aqui no estado?  E como suas deficiências atrapalham o trabalho do polícia ?

M.J: O estado de Sergipe é bem pequeno,mas  apresenta um grande número de ocorrências e o efetivo da polícia militar está super defasado, o governo demora muito para abrir concursos públicos na área. No final onde deveriam haver dez policiais em serviço, hoje estão apenas três, isso acaba comprometendo nosso trabalho e consequentemente o cidadão, que sofre com os problemas provocados pela falta de segurança.

Em Pauta UFS – Com relação à abordagem as vítimas e aos criminosos. Como ela é feita?

M.J: Eu sempre me coloco no lugar da vítima e no lugar do criminoso,me coloco no lugar da vitima porque ela está se sentindo impotente  ,porque aconteceu aquilo com ela .E com relação ao criminoso, porque aquela conduta ruim dele é fruto da sociedade, pois foi criado por pais que não tinham estabilidade familiar , e essa  pessoa  acaba seguindo caminhos  tortuosos , apesar disso não justificar diretamente o que ela faz .

Até porque eu sou uma pessoa cristã evangélica e trato as pessoas como eu gostaria de ser tratado, como eu gostaria que um filho meu fosse tratado, se estivesse passando por essas condições.

Em Pauta UFS: Quais são as marcas que a polícia te deixa nesses 27 anos de trabalho?

M.J: A turma que me formei era composta por cerca de 60 homens e hoje só sobraram entre 10 e 15, alguns se suicidaram por motivos que só eles saberiam responder e outros tombaram.

O policial tem que amar o que faz. Hoje o que acontece muito, são aquelas pessoas que buscam a profissão como meio de estabilidade, porém não gostam do que fazem e acabam trabalhando mal humorados e muitas vezes fazendo o serviço de maneira ruim, atendendo mal a sociedade.

Em Pauta UFS: No ano de 2011 acontecerão concursos para os três níveis de polícia aqui no estado, inclusive para polícia militar e muitas pessoas se inscrevem buscando estabilidade, segurança, entre outros fatores. O senhor aconselharia a essas pessoas a buscar essa estabilidade na polícia militar?

M.J: Aconselharia em partes, tem que haver uma determinada identificação dela com a área e ter uma ideia do que vai encontrar aqui e levar menos em conta esse lado financeiro. Mas é bom! .

Em Pauta UFS: Com essa experiência de 27 de trabalho, além de ter plena consciência dos anseios da polícia, das cobranças da sociedade, entre outros problemas. Se o senhor pudesse recomeçar sua vida, ainda seria policial militar?

M.J: Sinceramente eu seria sim, porque apesar de conhecer todas essas dificuldades, eu amo o que faço.

Comunidade Canção Nova

Posted in Comunidade e extensão by micheletavares on 10/12/2010

“Evangelizar através dos meios de comunicação, 24h por dia, sem propagandas comerciais, dependendo única e exclusivamente da providência de Deus manifestada pelas doações generosas do povo brasileiro.”

Por Luiza Cazumbá

Claudia Lima em Programa ao Vivo Sou da Família

Foto: Luiza Cazumbá

A comunidade Canção Nova teve início no dia 2 de fevereiro de 1978, idealizada pelo monsenhor Jonas Abib, no município de Cachoeira Paulista em São Paulo. Hoje o local conta com cerca de 370 mil m², onde fica o Centro de Evangelização Dom João Hipólito de Moraes (para 70 mil pessoas); o Rincão do Meu Senhor (para 4 mil pessoas); e o Auditório São Paulo (para 700 pessoas). Além de capelas; posto médico; escola; restaurante; padaria; postos bancários; lojas de artigos religiosos; pousada; área de camping e, no entorno, prédios administrativos e obras sociais. A sede em Aracaju
 teve início com a compra da estação geradora de televisão em 1997 da senadora Maria do Carmo Nascimento Alves, proprietária de um canal de TV aberta em Aracaju. Constituída por membros das mais diversas atividades sociais, o grupo religioso Comunidade Canção Nova, que tem como missão realizar evangelização pelos meios de comunicação vem modificando de sobremaneira as atividades religiosas tradicionais, arrastando adeptos por todo país. Claudia Lima inicia sua caminhada em 97 em sua cidade Vitória da Conquista- BA, passando de simples voluntária para representante do departamento de eventos e frente da Missão da Canção Nova em Aracaju, uma pessoa bastante ocupada, mas simpática, ela nos concede esta entrevistada com permissão da casa “mãe” assim por ela denominada, situada em Cachoeira Paulista no estado de São Paulo e nos fala sobre a formação da sede regional em Sergipe, do seu chamado para membro deste grupo, defende as idéias da comunidade Casa Canção Nova e do sustento de uma emissora de televisão.

 

 Como se deu a formação da sede regional da canção Nova em Sergipe?

A missão Canção Nova de Aracaju teve início com a compra da estação geradora de televisão, em agosto de 1997. No primeiro momento, a Senadora de Sergipe, Maria do Carmo Nascimento Alves, proprietária de um canal de TV aberta em Aracaju, procurou o arcebispo Dom Jose Palmeira Lessa para oferecer a venda sua geradora que exibia no estado a programação da Rede Bandeirante. Ao tomar conhecimento dessa oferta, o Frei Hans Stapel, fundador da Fazenda Esperança, foi procurado por dom Lessa e, em um programa na TV Cultura onde a Canção Nova já apresentava programas com o Pe. Jonas, fundador da Comunidade Canção Nova, surgiu o assunto de uma geradora de TV que estava à venda em Aracaju. O Frei já havia oferecido a vários Movimentos da Igreja, mas não houve interessados devido à falta de recursos financeiros.
Passados dois dias, num domingo, depois de um acampamento, Dom José Palmeira Lessa, Arcebispo de Aracaju – SE, telefonou para o Mons. Jonas para lhe falar da mesma Geradora de TV. Nosso Fundador pensou logo que o Frei Hans havia conversado com o Bispo. Havia disposição, o que faltava era dinheiro… Mas para D. Lessa, “O Pai do Céu tem o capital, se o Pai do Céu quiser que esta televisão seja do Filho d’Ele não faltaria dinheiro; teríamos apenas que encontrar o caminho para juntos buscar este recurso”.
Seria um sinal? Deus estaria naquelas coincidências, pois Frei Hans e D. Lessa usaram praticamente as mesmas palavras, diante do questionamento do Mons. Jonas… que antes profetizava que Deus daria uma geradora para Canção Nova.

Dom Lessa e Monsenhor Jonas marcaram então uma data para um encontro, para uma possível negociação. Segundo a ex-proprietária da TV Jornal de Aracaju-SE, a história da compra da emissora é um milagre conseguido por Nossa Senhora, que teve a participação do Frei Hans e coragem e ousadia do Mons. Jonas.

A Receita financeira da Fundação João Paulo II naquela época beirava os 200.000,00 por mês. A proprietária queria vender para nós, pois sabia que a TV, nas mãos da Canção Nova, contribuiria com uma sociedade melhor e mais justa.
Ela pediu para que Eto, vice-presidente da FJPII, fizesse uma proposta, e ele inspirado pelo Espírito Santo, diante da realidade financeira da Fundação junto com Monsenhor Jonas disse que só poderia comprar pagando em 24 prestações. Já era uma loucura para quem tinha uma pequena receita como a nossa para manter todo sistema! A senadora pediu pelo menos um sinal de R$ 500.000,00. E foi ai, que por interseção de Nossa Senhora a negociação chegou ao monsenhor Carvalho, diretor do colégio Arquidiocesano de Aracaju. Ele prontamente atendeu ao pedido do monsenhor Jonas e concedeu um empréstimo nesse valor, para ser pago também a prestação. Foi um momento de muita emoção para todos os que estavam ali. Logo o Mons. Jonas, Eto e Luzia Santiago, co-fundadora da Com. Canção Nova reuniram todos da Comunidade para dar a notícia da compra da geradora e para nos comunicar do desafio que teríamos daqui pra frente. Do empenho necessário de toda a Comunidade para pagar as 24 prestações da compra e do empréstimo.

Quando você sentiu que tinha este tipo de vocação religiosa?

Conheci a Canção Nova em minha cidade, Vitória da Conqusita-Ba no final do ano de 97, e tempos depois já me engajaram como voluntária e em seguida comecei meu caminho vocacional. Na verdade tudo começou por curiosidade, e partir de então, fui tendo o desejo de ser totalmente de Deus de forma diferente, pois fui me sentindo atraída pelo carisma Canção Nova.

 Que tipo de méritos ou glórias você vislumbras alcançar enquanto membro da Canção Nova?

Hoje sou Responsável pelo Departamento de Eventos e pela Frente de Missão Canção Nova em Aracaju e agora seguirei minha missão em Cachoeira Paulista para onde serei transferida.

Você já sofreu algum preconceito (familiar, trabalhista, vicinal) por ser membro da Canção Nova?

Não sei se essa é bem a palavra, mas no início de minha caminhada, o meu pai falava que se fosse para eu entrar na Canção Nova e ser sustentada por ele, era melhor não ir. Mas isso foi por pouco tempo, pois na verdade ele não conhecia, e a partir de que passou a conhecer a Canção Nova, e perceber o que Deus estava fazendo em mim  através dela, passou a olhar com outros olhos.

 Você já participou de outra organização religiosa?

Não. Tive minha experiência com Deus através da Canção Nova e nela ingressei.

Qual o grau de autonomia da sede regional em relação à sede nacional?

Somos dependente e ao mesmo tempo independente financeiramente, pois em Aracaju está a 1ª geradora da Canção Nova, e televisão é muito cara, existem situações  que dependem da casa mãe, porém a frente de missão também precisa se manter.

 Como se dá a atuação da Canção Nova na comunidade circunvizinha à sede?

Aconselhamos as pessoas no SOS Oração, prestando uma assistência de acordo o necessitado,tanto espiritual como humanitáario. Se tratando de TV, em algumas cidades circunvizinhas, em relação ao apostolado, em cidades próximas, mas também em outros estados.

Qual o caráter religioso das atividades desempenhadas pela sede regional da Canção nova?

Temos um “RINCÃO”, espaço onde promovemos encontros grandes e menores durante o mês, assim como atividades diariamente em nossas capelas. Na televisão, existe uma programação de programas gravados e ao VIVO e interativo.

Quais os principais focos de atuação da sede regional em relação às diretrizes eclesiásticas mais gerais (vindas diretamente do Vaticano, por exemplo)?

A Canção Nova é Igreja, e o nosso papel também é divulgar o que acontece em nossa Igreja mundial e também regional- em Aracaju, temos esse papel, de divulgar o que acontece na Igreja local, não deixando de viver as diretrizes eclesiásticas, pois estamos em unidade com a arquidiocese, com a Igreja.

 O que diferencia – e destaca – a Canção Nova em relação a outras correntes de difusão católica?

Cada comunidade tem seu carisma, e o  Canção Nova é levar a pessoa a ter um Encontro Pessoa com Jesus. Cada TV seu seguimento, o da Canção Nova é Promover a Vida.

Onde você acha que os objetivos da comunidade ainda estão defasados?

Não diria defasado, mas estamos num crescente progresso em relação à digitalização.

Como a comunidade Canção Nova se manifesta em relação a temas-tabu como aborto, homossexualismo, etc.?

Posicionamo-nos como nos redireciona a Santa Igreja. Somos a favor da vida

Qual o maior desafio para o trabalho da evangelização?

Levar todos os Aracajuanos a ter um contato com Jesus, pois existe a TV Canção Nova, mas nem todos assistem.

É muito caro manter uma emissora de TV no ar, por exemplo. Como a sede regional obtém valores monetários sustentaculares?

Manteruma emissora de  televisão é muito caro, e não só em Aracaju, mas todo o sistema Canção Nova de Comunicação é mantido pela generosidade dos sócios evangelizadores.

 Sabendo que esta entrevista será lida tanto por católicos quanto por pessoas avessas ao tipo de atividade desenvolvida pela Canção Nova, que mensagem pessoal tu deixarias enquanto justificativa para que estes leitores se dispusessem a conhecer mais de perto o tipo de trabalho de evangelização que vocês realizam?

Procurai em primeiro lugar o Reino de Deus, e tudo virá por acréscimo.