Técnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística

Hardcore sergipano ganha impulso na voz de Pedrão

Posted in Crítica, Música, Perfil by micheletavares on 14/12/2010
Por Andréa Cerqueira

Pedrão se apresentando com a Rótulo em João Pessoa. Foto: Arthur Soares

 

Filho de José Carlos Santana e de Maria Fátima Alves, começou a ter contato de uma forma geral com o gênero musical do rock por volta dos 14/15 anos quando conheceu Rômulo, mais conhecido como Romão, baterista da Rótulo, que “apresentou” o rock independente de Sergipe e do país. Pedro Alves dos Santos Neto, mais conhecido como Pedrão, é  o nome que marca a cena do estilo rock hardcore no estado.

Nos intervalos das aulas ainda no colégio eles começaram a tocar ainda de forma improvisada, apenas para descontrair o ambiente. Romão tocava violão e ele se propunha a cantar, mesmo sem ter conhecimento das técnicas de vocal e ainda pela voz ser rouca e grave, diferenciado dos outros meninos de sua idade que tinham uma voz fina por estarem em transição da infância para a adolescência, gritava bastante e realmente não sabia cantar, aos poucos é que foi dominando e entendendo o estilo da própria voz.

Romão já tocava na rotulo com o atual baixista, fazendo covers de bandas consagradas do Rock internacional como Nirvana, e no nacional como Dead Fish e Sugar Kane. Foi então convidado em meados de 2003, pelos dois integrantes para cantar na Rótulo, mesmo já tendo outro cantor, resolveram adotar dois (cantores), um com a voz mais melódica e outro com o timbre mais agressivo. No entanto, essa fase não demora muito para que Pedrão assuma o posto único de vocalista. A banda ainda passa por modificações ate a formação de: Pedrão no vocal, Rokinho no baixo, Romão na bateria, Frog na guitarra e Igor Knup na outra guitarra,  que por motivos pessoais  se afastou noinicio de 2009.

Rótulo ainda na adolescência

Pedro é quem compõem as letras da banda, a partir da vivência na militância estudantil fazendo assim das contradições apresentadas na sociedade como tema principal de suas letras. O grande inspirador enquanto escritor é o poeta Augusto dos Anjos, que fez o vocalista entender o sentido da vida. Logo a composição que traz essa inspiração é a musica “versos perdidos”, a qual começa com uma citação de um texto do livro “eu e outras poesias” do inspirador. Enquanto influência musical, a banda Dead Fish, é a que mais marca a passagem da fase da adolescência para a adulta e o estilo adotado por ele, o hardcore, quando diz que tanto ele quanto os demais integrantes da banda criaram barba escutando a Dead Fish.

O primeiro cd foi gravado de forma amadora, patrocinada pelos próprios pais, sendo divulgado e vendido pelos integrantes a preço simbólico. Esse foi o impulso que tanto Pedrão, quanto a banda precisavam para serem notados no cenário musical. Foi a partir daí, que receberam o convite para se apresentarem em um festival de rock em Maceió.

O período que marcou Pedrão como cantor, apesar de se pronunciar quase que todo o tempo em 1º pessoa do plural (nós, a banda), foi em 2009/ 2010, por causa da gravação do 1º cd “À Luta”, recebendo esse nome em razão de toda a trajetória percorrida por todos da banda, na luta para se firmarem no cenário tanto sergipano quanto nacional e para fazer uma alusão ao posicionamento de crítica social. O cd foi custeado pelos próprios integrantes, tendo apenas apoio na parte de arte gráfica do cd, camisas e divulgação. O repertório gravado foi de 13 músicas dentre elas, algumas já conhecidas como “Produto da Soma” e “Universal da Exploração” que falam basicamente da alienação que o ser humano sofre em relação à religião e ao falso status de superioridade, e outras inéditas como “Matando a Morte” que exprime a necessidade de deixar um legado de ações que induzam ao outro querer lutar contra a diversidade imposta pelo sistema.

Romão, Igor, Frog, Rokinho e Pedrão Foto: divulgação do cd

O lançamento do cd ainda em 2009 foi na Paraíba, no festival “Aumenta que é rock”. Tendo a partir desse momento, Diogo Galvão como produtor. Já em 2010, começaram a organizar a 1º turnê pelo nordeste articulada pelo baterista, Romão e por Diogo. Iniciaram por Sergipe, Aracaju passando por Salvador, Maceió, Natal, Mossoró, Ceara e Paraíba. Ainda no mesmo ano fizeram a 2º turnê pelo sudeste do Brasil. “O vocalista Pedrão tem um carisma que faz toda a diferença. Com letras bem politizadas e engajadas em causas da realidade nordestina, fazem da Rótulo um grande nome da cena regional”, segundo  qualificava a matéria publicada no site Zona Punk sobre a apresentação no Pogo Festival, em João Pessoa.

Dois fatos que Pedrão mais recorda é uma queda que sofreu no palco. Quando tudo já estava dando errado, ele então vira para o restante da banda e pede para encerrarem o show por que naquele momento ele já estava em seu limite. E quando tocaram apenas para cinco pessoas. ”Por isso o que sustenta a banda é a amizade, alem de ser uma banda é uma família”, diz Pedrão.

 

Para ouvir as musicas da Rótulo acesse: http://www.myspace.com/rotulo

Clique no video abaixo e assista ao show da Rótulo

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Câncer Infantil: Até onde o direito à vida e à saúde das crianças e dos adolescentes é assegurado?

Posted in Crítica, Politica Pública, Saúde by micheletavares on 09/11/2010

Por Manuella de Miranda Vieira

 

     Realizou-se no dia 16 do último mês de setembro na Associação dos Voluntários a Serviço da Oncologia em Sergipe (AVOSOS) uma palestra com o tema “Câncer Infantil: Quando pensar?”, com o intuito de chamar atenção dos médicos para a doença e especialmente para discutir maneiras de diminuir o estigma que a doença ainda carrega.

    O evento teve como palestrante a médica Teresa Cristina Fonseca, de Itabuna-BA, especialista em oncologia pediátrica e também responsável pela implantação do projeto “Diagnóstico precoce: o caminho mais curto para a cura do câncer infanto-juvenil”, desenvolvida pela AVOSOS. A palestra abordou os sintomas e cuidados com as crianças e adolescentes com câncer e foi destinada á médicos. Além disso, também foi apresentado o novo serviço de onco-pediatria oferecido pela Associação.

    A partir disso abre-se uma discussão muito importante: até onde o direito à saúde é assegurado à crianças e adolescentes em nosso estado? Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) o direito à vida e à saúde é um dos direitos fundamentais. O art. 7º do estatuto diz: A criança e o adolescente têm direito a proteção á vida e á saúde, mediante a efetivação de políticas públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência. Outro artigo importante é o 10º que diz: é assegurado atendimento integral á saúde da criança e do adolescente, por intermédio do sistema único de saúde, garantindo o acesso universal e igualitário ás ações e serviços para promoção, proteção e recuperação da saúde.

    Mas será que isso tudo realmente é assegurado? A própria AVOSOS é uma das provas que o artigo 10 não é respeitado. Afinal se as crianças e adolescentes com câncer tivessem todo o atendimento apropriado assegurado pelo governo, não precisariam existir associações como ela para ajudar a melhorar a vida dessas pessoas.

Marcela Matos, Assessoria de Comunicação da AVOSOS Foto: Manuella Miranda

   Segundo Marcela Matos da assessoria de comunicação da AVOSOS, atualmente a associação atende trezentos e cinqüenta e quatro crianças e adolescentes com câncer e doenças hematológicas crônicas. Ou seja, esse total de crianças e adolescentes que deveriam estar sendo atendidas, em todos os aspectos, pelo governo do estado em que moram, está sendo ajudada voluntariamente por pessoas que não tem obrigação, mas que possuem um coração de ouro e que fazem de tudo pelo bem estar delas.  

   “Não há uma parceria entre Governo do Estado e AVOSOS. As crianças ao chegarem ao hospital João Alves são examinadas, e se detectada a doença em seguida são encaminhadas à uma instituição de apoio”, explica Marcela. No caso à própria AVOSOS ou outra, como o GACC. Ou seja, o tratamento é feito no HUSE, mas todo o resto do atendimento quem oferece são as instituições.

  Toda essa falta de assistência acaba comprovando que o sistema de saúde sergipano não é um dos melhores, ou melhor, nem chega a ser bom. A missão da AVOSOS é atuar em todo Estado de Sergipe, criando e articulando soluções em uma rede de ações, visando contribuir de forma integral para a melhoria do tratamento e da qualidade de vida de crianças e adolescentes com câncer e doenças hematológicas crônicas. O que prova que o tratamento correto não é oferecido pelos órgãos competentes, porque senão a associação não precisaria contribuir para melhorar o tratamento e a qualidade de vida dessas crianças e adolescentes.

   Marcela Matos ainda ressalta que a AVOSOS não discute a questão de que o direito à vida e à saúde não é assegurado pelo governo do estado, porque essa questão não é setorizada, mas sim um problema nacional.

  Tudo isso acaba por comprovar que nós elegemos políticos que não estão nem um pouco preocupados com a saúde do futuro do nosso país, que são as nossas crianças. E mais, nos faz pensar se é esse o mundo onde queremos que nasçam os nossos filhos. Talvez nós não tenhamos escolha, ou talvez, nós temos.

Nova música de Shakira empolga nos primeiros dias de Copa, mas só nos primeiros dias.

Posted in Crítica by micheletavares on 22/07/2010

Por Anne Samara Torres

em 14/06/2010

O novo single da cantora colombiana Shakira, Waka Waka (This Time for Africa), encantou e levantou a multidão de quase 35 mil pessoas no Estádio Orlando de Soweto, em Joanesburgo, durante o show de abertura da Copa do Mundo 2010 que aconteceu nesta quinta (10/06). Sendo a última música da última cantora a se apresentar no evento, Waka Waka, que foi divulgada pela FIFA como musica oficial da Copa 2010, esbanjou energia não só para os presentes, mas também a todos que assistiam o evento pela TV ou mesmo pela internet. Por falar em internet, o clip dessa mesma música, divulgado na terça (08/06) no site oficial da cantora, já alcançou mais de 24 milhões de acessos no YouTube.

Com imagens fantásticas de lances, gols e vitórias de seleções que já estiveram no evento e com a participação de jogadores famosos como Lionel Messi e Daniel Alves, o vídeo se revela simples e ao mesmo tempo cheio de emoção, numa tentativa de resumir os mais complexos e diferentes sentimentos que brotam em jogadores e torcedores do mundo inteiro. E isso ele conseguiu! Unindo batidas genuinamente africanas, detalhes marcantes de jogos, imagens da alegria do povo africano e o jeito único de Shakira, o vídeo, que conta com a participação do grupo africano Freshlyground, conseguiu empolgar milhões de pessoas nos primeiros dias de Copa, mas parece que só mesmo pelos primeiros dias.

Depois da sua apresentação no show de abertura, a música, juntamente com o vídeo, que também conta com uma versão em espanhol, liderou o ranking dos mais vistos e baixados na internet, pelo menos nos primeiros quatro dias que se seguiram. Após essa explosão de sucesso, o single, acusado de ser plagiado da música “Golden Voice” do grupo camaronês Zangalewa, parece ter caído para segundo plano frente a um outro sucesso. Este se chama “Waving Flag”, do cantor somalí K’naan que, mesmo antes da divulgação da música de Shakira como sendo a oficial desta Copa, já era considerada por muitos o verdadeiro hino oficial do torneio, graças, em boa parte, à sua propaganda junto aos comerciais da Coca-Cola e é essa musica que para a maioria dos torcedores continua sendo a mais popular quando o assunto é Copa 2010.

Mas isso não significa que a escolha da FIFA foi injusta. Pelo contrário, por mais que Waving Flag seja mais facilmente lembrada pelos torcedores, Waka Waka é a que melhor expressa as emoções e as esperanças do primeiro Campeonato Mundial de Futebol realizado num país africano. Sem falar que o ritmo da música somado à letra e à coreografia da belíssima Shakira contagia brancos, negros, orientais, torcedores e até mesmo aqueles que não gostam de futebol. Portanto, vale a pena conferir o colorido clip e apreciar a música que, aliás, já está no álbum “Listen UP!” como trilha oficial da Copa do Mundo FIFA 2010, sem medo de se decepcionar.

O novo começo de Matt

Posted in Crítica by micheletavares on 21/07/2010

Seis anos depois e colecionando projetos frustrados, Matt Le Blanc tentar ressurgir a partir da imagem de “Joey”, personagem da série de sucesso Friends.

Por Igor de Almeida

Não importa quanto o tempo passe, e nem as transformações fisionômicas trazidas com essa mudança. Mesmo com o passar dos anos, parece que os fãs dos seis amigos mais famosos da Tv não esqueceram as histórias de Mônica, Chandler, Phoebe, Joey, Rachel e Ross, personagens imortalizados numa das séries de TV americana de maior sucesso de todos os tempos. O último episódio, que foi ao ar em 2004, foi assistido por mais de 50 milhões de pessoas em todo o mundo e, ainda hoje, o canal fechado Warner Channel, responsável pela produção do sitcom FRIENDS, ainda exibe a série devido aos altos índices de audiência registrados.

Após o fim do programa, cada um para o seu lado. Profissionalmente falando, o novo desafio foi engajar outros trabalhos, novas interpretações. Separar as imagens dos atores e seus personagens seria a coisa mais difícil de fazer, levando-se em consideração os longos 10 anos com os quais os telespectadores mantiveram contato semanalmente com o sexteto.

Passados seis anos do final da série, David Crane (co-criador de Friends) juntamente com Jeffrey Klarik (Mad About You) resolveu apostar novamente na figura do Joey para estrelar a nova série intitulada “Episodes”, resultado de uma parceria entre o canal americano Showtime e a BBC de Londres. Nessa nova empreitada, Matt Le Blanc, intérprete do Joey, volta à televisão no papel dele mesmo. Esse novo trabalho será centrado na história de um casal londrino que viajou para Hollywood para recriar uma série de sucesso do Reino Unido. No entanto, lá eles se deparam com toda a burocracia e a crueldade do mundo cinematográfico hollywoodiano, chegando ao ponto do Matt ter que participar de uma audição para conseguir o papel dele mesmo, o que acaba acontecendo. Não se fala especificamente do personagem que brilhou durante uma década nas TVs de todo o mundo, mas se fazem alusões constantes ao conquistador Joey, principalmente quando registra um dos seus bordões mais característicos na série: “How you doing?”.

Matt Le Blanc nasceu em Massachussetts, no dia 25 de julho de 1967. Não se pode mencionar exatamente uma carreira de sucesso. Em 23 anos de carreira ele desenvolveu pouco mais de 20 trabalhos, sendo muitos deles campanhas publicitárias e participações em filmes e séries, mas sem grandes destaques. Quase todas as indicações e os prêmios que recebeu ficam por conta a atuação em Friends, que sem dúvida foi o grande projeto da sua carreira. O erro foi ele ter tentado engrenar uma nova série com o mesmo personagem, mas sozinho, o que acabou não lhe rendendo muito sucesso já que o sitcom “Joey” durou apenas dois anos (2004 – 2006) devido a um baixo índice de audiência.

De cabelo grisalho e pronto para iniciar o novo projeto, Matt Le Blanc, atores e diretores apostam no sucesso desse novo trabalho. Menos ambicioso que o anterior e até um pouco autobiográfico, a produção é bem modesta tanto no aspecto financeiro quanto na importância dada ao personagem do Matt, pois “Episodes” abre espaço para todos os atores, e promete ser uma das novas comédias de destaque no cenário televisivo americano.

Não se tem uma data definida, mas as redes de televisão envolvidas já prometeram a estréia para 2010. Continuar explorando a imagem do desajeitado Joey pode não ser a melhor escolha levando-se em consideração que a experiência anterior não fora muito boa. No entanto, é a imagem que ainda continua presa ao Matt Le Blanc. Depois de muito tempo afastado, ele ressurge para tentar reconstruir o seu sucesso em cima do personagem que o projetou no concorrido mundo artístico americano. Resta-nos apenas esperar pelo episódio piloto, esperado para os meses de setembro ou outubro. Vai, volta, some e ressurge. Essa é a história da carreira dele. Por que quem é vivo…

Fracasso que fez sucesso

Posted in Crítica, Música by micheletavares on 15/07/2010

Novo clip é visto mais de 300 mil vezes  em duas semanas

Por Daniel Nascimento
Foto: Caroline Bittencourt/Divulgação

Foto: Caroline Bittencourt/Divulgação

No ultimo dia 15, a Banda Pitty lançou sou mais novo clipe. A música “Fracasso” foi a segunda do CD Chiaroescuro a ganhar um videoclipe. O lançamento ocorreu durante o programa Acesso MTV e simultaneamente na internet.

Priscilla Novaes Leone, mais conhecida como Pitty, já ganhou diversos prêmios. A roqueira baiana é a vocalista da banda que leva seu nome e já foi varias vezes considerada dona da melhor voz feminina da música nacional. Na estante dela encontraríamos com facilidade prêmios como o Vídeo Music Brasil (VMB) da MTV e o Prêmio Multishow de Música Brasileira. E quem acha que ela é só mais uma bandazinha da MTV e que logo sairá de cena engana-se. A cantora figura nas paradas desde o lançamento de Admirável Chip Novo, seu primeiro CD com este grupo.

‘Fracasso’ é uma música dicotômica. Ela trás uma análise do sucesso exterior e do fracasso interior. Talvez pelo tema que trata, a fustração na busca pela felicidade, essa é uma das músicas mais pesadas do disco, um tipico Rock daqueles que você não cansa escutar. Os arranjos da guitarra, baixo e bateria são contagiantes. A sexta música do Chiaroescuro é empolgante e dá uma vontade de pular e “bater cabeça”, bem diferente do primeiro single, ‘Me Adora’, baladinha um tanto pop onde a cantora canta um relacionamento fracasso e pede que só não desonre o seu nome e se autointitula “Foda”, e da faixa seguinte do disco, ‘Só Agora’, que é quase uma canção de ninar, para não dizer que é uma de fato.

O disco produzido pela Deckdisc foi um dos mais esperados, isso se deve aos fatos de que  fazia tempo que Pitty não lançava nada novo e de, durante a produção, a vocalista ter divulgado videos e fotos dos bastidores em seu blog. Algum tempo depois do lançamento do CD a gravadora e cantora, em sua página na ferramenta de microblog Twitter, divulgaram que o Chiaroescuro seria relançado em vinil, acompanhado por alguns outros discos de algumas bandas.

O clipe, que não chega a ser nenhuma superprodução, foi dirigido por Oscar Rodrigues Alves e Paulo Vainer. A fotografia é um tanto peculiar, como qualquer coisa da videografia de Pitty deve ser. Bem mais sombrio que o de costume, o vídeo trás a cantora como personagem principal. Muita gente viu uma desconstrução da diva interpretada pela

roqueira. Mas uma análise da fotografia do vídeo comparada com uma da letra mostra que não é simples assim.

Os flashes dos músicos cantando somados ao efeito do lightpainting dão uma atmosfera bem mais intimista e ressaltam a ideia de desordem mental/sentimental. Para um olhar mais desatento os músicos são quase invisiveis. Nas vezes em que aparecem a imaem está escura e o olhar se detem no esfeitos de luz e/ou nos instrumentos em destaque . Talvez por ter seu trabalho destruído no clipe, o maquiador aparece nos últimos segundos do vídeo.

A dupla de diretores soube majestosamente mostrar as “versões” da mesma pessoa. Conforme o fracasso interno cresce a personagem glamourosa some. O processo é mostrado pela maquiagem que vai sendo borrada ao longo dos 3 minutos e 38 segundos.

No inicio do clipe Pitty se apresenta como uma ‘diva’, pegando o termo emprestado de muita das criticas ao vidateo. Conforme a angustia interna dela por não ter êxito pessoal cresce sua imagem interna vai se desconstruindo, ao poto de no ápice estar toda descabelada, com a maquiagem borrada e a roupa rasgada. Mas no fim, depois de se desconstruir quase toda e acabar com o trabalho de sabe-se lá quanto tempo de um maquiador, há uma reviravolta e o alter ego da personagem se mostra alegre  e extrovertido.

Para diferenciar a diva glamourosa da mulher fracassada basta prestar atenção a pequenos detalhes, como o canto. Nos momentos em que Pitty interpreta “sua versão interior” não está cantando. E também ha cenas em que as duas se fundem, é como se fosse auma externação do fracasso pessoal sobre a vida profissional e social. Mas antes que alguém comece pensar que a cantora está se sentindo fracassada, essa é uma sensação comum, mesmo que temporária, em todos os humanos.

O vídeo publicado no YouTube já teve mais de 300 mil exibições e recebeu quase 2 mil comentários em duas semanas. Isso é mais do que prova que eles acertaram e  agradaram. E ainda tem gente que acha que só superproduções estrangeiras, para ser mais preciso, norte americanas, têm boa qualidade. E essa é só mais uma das boas produções nacionais que os brasileiros tendiam à desprestigiar.

Alice nos leva ao País das Esquisitices

Posted in Crítica by micheletavares on 13/07/2010

Mais que maravilhas, as esquisitices tomam conta do filme Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton

 Julie Melo

   Mais uma produção do cineasta americano Tim Burton, o filme Alice no País das Maravilhas reúne os livros As aventuras de Alice no País das Maravilhas e Através do Espelho e O que Alice encontrou por lá, do autor Lewis Carroll. O filme emplacou e é sucesso de bilheteria. E apesar da qualidade técnica com que foi gravado, o enredo deixa a desejar e apresenta um mundo esquisito. No filme, Alice é vivida pela atriz Mia Wasikowska. Quando descobre que será pedida em casamento e após ver um coelho branco no jardim, ela inicia uma corrida que a leva a cair no buraco de uma árvore. Depois de uma longa queda, a jovem está de volta ao País das Maravilhas, onde já esteve quando criança. Lá, reencontra, entre outros, o tal coelho, o Gato Risonho, a Lebre e o Chapeleiro Maluco, interpretado por Johnny Depp. No decorrer do filme, Alice é questionada se é a verdadeira Alice ou não, e é procurada pela Rainha Vermelha, a vilã vivida por Helena Bonham Carter.

  Não se trata apenas de uma refilmagem. Como de costume, Burton deu sua própria visão à história, não se limitando a recontar as versões dos livros. Segundo ele mesmo, os personagens têm seu próprio toque. Assim como em A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça e A Fantástica Fábrica de Chocolate, ambos com Depp, Burton deu ao filme um ar fantástico, afirmando o imaginário da personagem principal, e sombrio, confirmando seu apego ao horror. No tal País, porém, havia mais esquisitices do que maravilhas. Primeiro, os personagens, por si só, já comprovam isso. Embora estejam todos conforme a criação do autor dos livros. Segundo, o embate final entre Alice – a favor da Rainha Branca, interpretada por Anne Hathaway – e o dragão – da Rainha Vermelha – foi um desfecho que não convenceu. Talvez pela luta em si, muito forçada, talvez pela atriz, que, digamos, não foi uma revelação. Terceiro, o pedido de casamento foi uma desculpa sem vínculo nenhum com a história, inventada apenas para levá-la ao País das Maravilhas. Além disso, o lado sombrio pesou demais, e a pureza da história ficou confusa.

  No entanto, nem tudo foi perdido nessa megaprodução. É possível até rir em algumas cenas, principalmente nas da Rainha Vermelha, quando solta seu bordão “cortem-lhe a cabeça”. O bonzinho Chapeleiro Maluco também diverte e sua amizade por Alice é bem bonitinha. As maravilhas ficam por conta do figurino, que é impecável, e, como já disse, da qualidade técnica e dos efeitos visuais, que são indiscutíveis. Fora esse lado positivo, ficam aqueles probleminhas, que, em se tratando de Tim Burton, são até perdoáveis. Afinal, seu estilo subversivo de ser já é conhecido, com filmes como Edward Mãos de Tesoura e A Noiva Cadáver. Mas seu novo filme não impressiona tanto quanto prometia antes de sua estreia. As crianças, certamente, vão gostar. É um desenho animado que se passa num mundo imaginário. É indicado para elas. Não para aqueles mais crescidinhos que esperam relembrar a história que leram quando mais novos.

Uma banda formada por uma francesinha, um acordeão e um iPod

Posted in Crítica, Cultura, Música by micheletavares on 23/06/2010

Por Eloy Vieira

Conheça Zaza Fournier, a Edith Piaf que encanta o mundo na era do mp3

Depois de uma turnê de quase dois meses pela terra brasilis, a bela parisiense de vinte e poucos anos continua a fazer sucesso com sua música que renova as velhas canções dos cabarés da cidade-luz da década de 1950. Ela mesma define sua música como uma espécie de reciclagem, sobretudo de astros como Edith Piaf, Tom Waits e Elvis Presley. Este último, homenageado com a eterna Love me Tender em seu primeiro e único álbum lançado em 2008 intitulado com o mesmo nome da artista.

Zaza Fournier
Zaza – WM France divulgação

Encantadora. Não há palavra melhor que esta para definir a última obra e até mesmo a própria artista. Zaza parece mesmo com outras vocalistas francófonas da era do mp3 como a Coralie Clément (famosa pela sua reciclagem da nossa Bossa Nova), Béatrice Martin (vocalista do Couer de Pirate), Camille (exagerada e moderninha) e até mesmo a primeira-dama francesa, Carla Bruni (discreta e comedida). Todas elas apresentam um ponto principal em comum: a voz. Todas suaves e cheias de sussurros típicos da língua francesa, muitas vezes até parecem cantar ao pé do ouvido. Mas Zaza tem um diferencial, só ela vai sozinha ao palco, ou melhor, vai acompanhada da sua banda: um iPod. Além do acordeão que dá um tom de som dos velhos cabarés, todos os outros ‘instrumentos’ são sintetizados e armazenados no pequeno iPod que a acompanha em todos os shows. Além disso, a artista é multifacetada e assume suas raízes performáticas herdadas depois de 6 anos de teatro e muitos shows pela vida noturna parisiense.

Antes de começar sua turnês por aqui, ficou conhecida na mídia como a Edith Piaf do iPod. É… talvez uma comparação com a diva da música francesa seja um pouco demais, mas o fato é que a jovem moderninha como tantas outras de idade semelhante é, sem dúvida, uma ótima cantora que conseguiu com um só álbum divulgado conquistar seu espaço em meio ao dilúvio musical da era do mp3 e do Youtube. Músicas como La vie à deux, Mademoiselle e Les Mots Docs são daquelas que não saem da cabeça e que contagiam até quem não entende nada de música. O único problema de suas músicas é que você pode não parar de escutar.

REALITY SHOW

Posted in Comportamento, Crítica, Cultura, Opinião by micheletavares on 05/02/2010

O show da vida real?

 

Por Larissa Regina 

Na última década, um novo termo vem ganhando visibilidade no cenário nacional. O termo reality show, que traduzido ao pé da letra significa: show da realidade. Mas não é de hoje que esse tipo de programa vem conquistando as massas. Desde a década de 70 nos Estados Unidos, um programa que retratava a realidade de uma família em processo de divórcio, paralelamente a descoberta da homossexualidade do filho ganhou grande destaque, transformando-se em fenômeno nacional copiado por muitos países da Europa. Porém o que atrai uma pessoa ou uma família a se submeter a tanta exposição? Serão os prêmios ou o atrativo é a própria exposição? Não hácomo negar que todos querem seus quinze minutos de fama. Mas depois disso o que fica?

Milhares de pessoas inscrevem-se para participar de programas deste gênero, passam por vários testes de seleção, participam de maratonas cansativas, enfrentam longas filas. E para quê? Para ficarem expostos como roupas em uma vitrine de uma loja cara, onde os “mortais” nunca poderão comprar, ou melhor, entrar.

Jurados do programa "Astros", exibido pelo SBT

Emissoras televisivas produzem reality shows, pois são programas baratos proporcionalmente ao retorno concedido, retorno este, que será novamente reinvestido para encher a programação de eventos fantasiosos e inalcançáveis para a maioria da população mundial, uns porque não se encaixam no perfil psicológico do programa e outros, principalmente, por não se encaixarem no perfil estético.

Participantes do BBB10 no "castigo do monstro".

Alguns projetos como: American Idol (versão americana do programa Ìdolos, exibido pela rede Record), Fama, Qual é o seu talento? e O aprendiz, mascaram-se atrás de uma falsa proposta de “realizações de sonhos” através do talento dos candidatos participantes. O que é uma realidade inexistente, já que esses mesmos programas expõem, por diversas vezes, seus candidatos ao ridículo e a humilhações que variam de acordo com o humor dos jurados que, geralmente, são figuras que incorporam personagens e se sentem acima do bem e do mal. Já outros programas como Big Brother Brasil, Solitários, A Fazenda, Troca de Família, entre outros, não escondem sua verdadeira intenção: colocar um grupo de indivíduos desconhecidos entre si e de personalidades diferentes em um local fechado, sem interferência externa, sujeitos a situações embaraçosas e por muitas vezes conflitantes.

Provas do reality show "A Fazenda".

Por muitas vezes procuramos culpados para essa realidade tão marcante em nosso cotidiano, porém se observarmos bem esse ciclo vicioso, veremos que o mais engraçado é que ao mesmo tempo em que criticamos, compactuamos diretamente com essa situação, pois somos telespectadores embora não admitamos, somos consumidores deste tipo de produto. Afinal, todos nós não só queremos como gostamos de dar aquela espiadinha.     

The Bubble: Uma emocionante bolha de amor

Posted in Crítica, Opinião by micheletavares on 04/02/2010

Do cineasta Eytan Fox, “The Bubble” narra a história de quatro jovens que buscam o amor em meio ao caos da guerra

Por Júnior Santos

Não tem como não gostar do filme “The Bubble”, seja pelo carisma dos atores, pela sutileza na qual é abordada a questão principal da película, é uma daquelas histórias que permanecem na mente por muito tempo. O cineasta Eytan Fox consegue narrar perfeitamente uma história de amor homossexual entre um palestino e um israelense.

O diretor Eytan Fox conta a estória de um amor em meio a guerra. Fonte: kaosgl.com

Nascido na cidade de Nova York em 21 de agosto de 1964, mas mudando-se para Israel com os pais quando tinha dois anos, Eytan Fox é um dos principais cineastas israelenses, e responsável por um dos filmes mais bem sucedidos da história do país, o Walk on Water (Caminhando sobre a Água). Gay assumido, Fox é reconhecido pela abordagem de temas polêmico, sobretudo envolvendo a homossexualidade, transformando a imagem e a representação social da comunidade GLBT local. Seu filme mais conhecido aqui no Brasil, onde já foi homenageado pelo Festival de Cinema Judaico em 2007, é “Delicada Relação”, onde narra a relação íntima de dois soldados que descobrem o homossexualismo.

Em uma das suas mais recentes produções, “The Bubble” (ou “A Bolha”), Eytan Fox relata os conflitos existentes entre árabes e judeus, através da vida de quatro jovens que buscam a felicidade e amor, apesar de viverem entre a guerra.

O filme se passa na cidade de Tel Aviv, mais conhecida como A Bolha, onde as pessoas procuram viver distante da realidade fria da guerra entre a Palestina e Israel. Três jovens israelenses, Noam (Ohad Knoller), Yelli (Alon Friedman) e Lulu (Daniela Virtzer), dividem um apartamento e levam uma vida normal, sem se preocupar com os conflitos do país. Porém, após Noam conhecer Ashraf (Yousef “Joe” Sweid), um palestino, e se apaixonar por ele, o destino desses quatros jovens acabam se entrelaçando e sendo mudado para sempre.

Apesar de não assumir uma visão sobre a guerra existente entre os dois países, o filme demonstra situações típicas enfrentadas pelas pessoas que moram na linha de combate entre Israel e Palestina, como o momento de humilhação pelos quais passam os palestinos ao atravessarem a fronteira, mostrado nas cenas iniciais. Porém, o que ganha destaque na história é amor homossexual entre os principais personagens, Noam e Ashraf, e as dificuldades enfrentadas para concretizar essa união, já que a família do segundo é totalmente homofóbica e tem um casamento arranjado para o rapaz.

"The Bubble" retrata o dilema cotidiano de quatro jovens. Fonte: nytheatre-wire.com

A trilha sonora também é outro ponto forte no filme, servido para amenizar a tensão existente por causa da guerra. Com músicas de Bebel Gilberto, e do roqueiro homossexual Ivri Lider, a descontração se faz presente.

Vencedor da Mostra Panorama do Festival de Berlim, como melhor filme pela opinão do público, e participante das seleções oficiais do Festival de Toronto de 2006 e do Festival de Tribeca, em 2007, The Bubble é uma ótima indicação para quem quer ver um bom filme relacionado a temática homossexual, sem fazer dela uma espetáculo. O grande problema é ser encontrado nas locadoras, mas o download na internet é fácil e prático de se fazer.

INVICTUS

Posted in Crítica, Cultura by micheletavares on 03/02/2010

Eu sou o capitão da minha alma

Por Cida Marinho

 

O cenário é a África do Sul no início da década de 90. O presidente eleito, Nelson Mandela havia passado cerca de 30 anos na prisão. Eleito pelo povo, estava disposto a perdoar e unificar seu país utilizando-se de uma ferramenta: a paixão nacional pelo rugby.

Clint Eastwood aparece em mais uma direção brilhante, o vencedor de quatro Oscars também diretor de Sobre Meninos e Lobos, Menina de Ouro e Gran Torino (nos dois últimos também atuou) especializa-se na emoção de histórias não convencionais. Morgan Freeman como Mandiba, nome de clã de Mandela, incorpora o personagem com destaque para o modo de falar e andar; ainda assim a conhecida e forte expressão distancia um pouco o espectador do personagem real, o franzino homem sorridente que faz política fora das convenções, de forma inesperada, sempre em busca da paz comum.

Foto: Divulgação

O enredo do filme narra a crença de um presidente no rugby, um esporte com grande representatividade no país. O Apartheid já havia chegado ao fim, mas o esporte ainda segregava. Enquanto os brancos torciam por sua seleção, os negros torciam por qualquer oponente estrangeiro. Uma herança dos que foram presos pelo regime racial, tal como o presidente.

Às vésperas do campeonato mundial de rugby a ser sediado na África do Sul, Mandela pede a ajuda de François Piennar, capitão do time, interpretado por Matt Damon para levantar a moral da desacreditada equipe. Com apenas um negro no time, não é fácil realizar mudanças físicas, táticas e no modo de pensar dos jogadores. Falta menos de um ano para o campeonato.

A figura de Nelson Mandela tem importância muito maior do que a representada no filme, que é apenas um recorte de sua atuação na África do Sul. Em alguns momentos, ela apresenta-se como um presidente facilmente manipulado por seu pessoal de gabinete, que toma decisões políticas enquanto o único interesse do presidente parece ser mesmo o esporte. Mandela tem sim um interesse maior, afinal unir a nação no esporte seria determinante para a melhor convivência entre brancos e negros e aceitação das mudanças que ele viria a sugerir à nação.

Nas proximidades de mais uma Copa do Mundo de futebol, não há como deixar de pensar que algo muito semelhante acontece em nosso país. Todos estão de olho na bola e a política continua sendo feita, a oportunidade ideal para que medidas sejam tomadas sem o conhecimento do povo, e talvez do presidente. Mas deixemos a politicagem de lado.

Além dos atores principais, já premiados pelo Oscar, vale a pena apreciar os jogos de rugby, um esporte pouco difundido no Brasil, uma espécie de futebol misturado ao futebol americano, violento mas nem tanto.