Técnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística

Shabát Shalôm

Posted in Cultura, Música by micheletavares on 19/12/2010

literato, professor da Unicamp, e expoente de uma nova geração que vem mudando a música cristã no Brasil.

 

Por Edson Costa

momentos de lg (Arte: Edson Costa)

________leonardo _________ gonçalves, ou, como ele mesmo se resume, lg, é pernambucano, nascido no dia 07/  /1979, crescido na alemanha, e atual residente da cidade de são paulo.assim, sem revelar seu primeiro nome e sobrenome, sem dizer o mês do seu aniversário, e sem grafar uma única letra maiúscula,  ele vem produzindo textos que se tornam referência, e músicas com poderes de modificar toda a concepção do que se compreende como música gospel, ou como ele mesmo prefere chamar, música cristã contemporânea.

irmão mais novo de andré e márcio, necessariamente nessa ordem, ele cresceu na alemanha em companhia da mãe, telma, e do padrasto carinhosamente chamado de pa. aos 15 anos de idade, retornou ao brasil, para estudar e formar-se no instituto adventista de são paulo (iasp). curiosamente, até então jamais havia cantado, e pouco lembrava do português, mesmo tendo as famílias paterna e materna no brasil repletas de músicos. seu tio, wilians costa jr., ou somente tio willy, é maestro e o mais importante comunicador da Igreja Adventista do Sétimo Dia no brasil, da qual lg também faz parte.

tendo relembrado o idioma, e criado um vínculo perpétuo com a música, lançou os cd’s “poemas e canções”, no ano de 2002, e “viver e cantar”, no ano de 2007, pela gravadora novo tempo. seu estilo de compor e cantar já começou chamando a atenção e quebrando paradigmas. dono de uma voz firme, ele entoa mais notas do que achar-se-ia na música num primeiro momento: são os melismas, muito comuns na música negra americana, nos quais ele exprime suas muitas técnicas de canto. por gozar de uma ampla tessitura vocal, ele pode dar notas de primeiro tenor mesmo sendo barítono. inclusive, sua marca registrada são as complexas harmonias que faz consigo mesmo: estudando-se as quatro vozes masculinas que formarão a música, ele grava todas elas, mixa, e chega a um nível de qualidade pouco visto.

sendo assumidamente eclético, o próprio lg diz crer que seus cd’s não possuem muita coesão entre as músicas. nos coros acapella em que faz todas as vozes, chega a fazer menção a linhas eruditas, como o canto gregoriano. além disso já gravou músicas com assuntos de jazz, blues, bossa nova, quarteto de cordas, e um “quase rock”; sempre com arranjos ousados, e inclusive com duas melodias se contrapondo na mesma música. até mesmo o vocal de contracanto que não é feito por seus heterônimos, é arranjado e ensaiado por ele. não se atendo a apenas cantar, lg sempre produz os próprios discos, com a ajuda de seu tio willy, e o contributo artístico dos demais familiares e amigos. durante a ceia de natal da família, em 2006, ele e o tio analisavam os arranjos do ainda vindouro disco “viver e cantar”; sua prima laura, que também é cantora profissional, debocha de ambos por não mudarem de assunto: “olha eles. ‘os cellos no segundo compasso estão respirando, que absurdo!’, é o tipo de comentário”.

em oito anos de carreira, e apenas dois discos, ele conseguiu ir além da barreira de sua denominação, e tornar-se popular entre os adeptos de várias vertentes cristãs. mesmo sem fazer nada sequer parecido com música pop, lg arrebatou milhões de fãs jovens e vendeu inúmeras cópias de seus cd’s. sendo ele um descendente de judeus, frequenta o templo nova semente: uma comunidade judaico-adventista de são paulo. ambas as crenças professam o Sábado como dia santo e, como em sua igreja grande parte da liturgia é feita em hebraico, ao chegar o sétimo dia ele deseja um feliz Sábado dizendo “Shabát Shalôm”. até o nome de Deus é escrito por ele segundo a tradição judaica, substituindo as vogais por um hífen: D-s.

“todo trecho de música sem letra é uma oportunidade que se perde de dizer alguma coisa”, afirma lg em intimista depoimento. toda letra por ele composta é sempre rica em teologia. sem discutir o que é ou não verdadeiro, pois isso depende da fé (ou falta de) que cada um possui, ele sempre fundamenta suas canções em textos bíblicos. mesmo sendo um literato, fluente em outros idiomas, afirma ele que a língua portuguesa tem mais “sabor” para compor. no ano de 2009, casou-se com a também cantora cristã daniela araújo. seu tom sempre conota muito embasamento e firmeza na fé que professa, tal qual é feito em toda geração de cantores que o cercam: cada um em seu dogma, cantam com muita qualidade técnica, ampla visão empresarial, e imagem bem estudada. porém lg tem atuação moderada na internet através de blogs e redes sociais, e é muito econômico nas fotos, até mesmo para seus cd’s. formais ou não, suas roupas são sempre simples; passou dez anos sem comprar um terno novo.

no ano de 2010, a gravadora sony music lançou no brasil um departamento de música cristã contemporânea, levando para si importantes nomes dessa geração. junto com eles foi lg, mas seu estilo musical rebuscado, e seu estilo pessoal reservado, permanecem os mesmos. e ainda assim, sua popularidade e vendagem de discos está ainda maior. seu primeiro trabalho pela nova gravadora foi o terceiro cd de sua carreira, intitulado “Avinu Malkenu” (nosso D-s, nosso Rei), com um repertório inteiramente em hebraico. tal projeto vinha sendo produzido a seis anos, com a ajuda de seu rosh (pastor em hebraico), e amigo edson nunes. “antes de ser pastor sou amigo do leo, é uma honra trabalhar com ele ”, afirma edson. lg diz crer na possibilidade de um diálogo mais amplo e saudável entre cristianismo e judaísmo; para tal, utiliza suas músicas que tem demonstrado um grande alcance.

sem uma rotina de grandes shows; sem fotos ou grande exposição na mídia; sem nem mesmo revelar o nome completo e o aniversário; com músicas de enorme qualidade técnica e letras de complexa sintaxe/semântica poética; com muitos fãs e cópias vendidas; com um discurso em hebraico, mas que aparenta ser compreendido; com apenas 31 anos. esse é leonardo gonçalves, professor, cantor, desafiante das regras do mercado fonográfico. no próximo ano está previsto o lançamento de seu quarto álbum, também pela sony, mas no bom, velho e saboroso português relembrado aos 15 anos de idade. mas, até lá, “Avinu Malkenu” promete render mais boas críticas. sem delongas desnecessárias, que não fazem seu gênero, bato o ponto final. Shalôm!

 

Danny Elfman, um gênio da musica cinematográfica

Posted in Cultura, Música, Perfil by micheletavares on 15/12/2010

Fotografia de Bob Charlotte / PR Photos.

Nomeação de Danny Elfman para o Oscar de 2009 por "Milk"

A consagrada trajetória de um dos maiores compositores de trilhas sonoras da atualidade.

Por Matheus Alves

A trilha sonora, é uma das principais bases de um bom filme. É tão importante quanto a atuação dos atores e a competência do diretor. As imagens e o som, é capaz de imprimir no espectador uma torrente de emoções. Uma cena sem musica não provoca tanto impacto quanto uma cena embalada pela melodia certa. A trilha sonora é capaz de despertar a tensão, a emoção, a repulsa, a compaixão e a ira do público. Todo diretor que espera que seu filme seja um sucesso de bilheteria, tende a escolher um compositor que seja capaz de dar vida às cenas de seu filme, transmitindo as emoções na dose certa e necessária, sem direito a erros, por mais que alguns deles venham a acontecer. E Danny Elfman é um desses magos da composição responsável por ajudar a alavancar diversos títulos.

Considerado por muitos um gênio, possui atrelado ao seu nome enormes sucessos de bilheterias e parcerias importantíssimas ao longo de sua carreira, como a dos diretores Tim Burton, Sam Raimi, Ang Lee e Brian de Palma. Muitos espectadores que não se preocupam com a parte técnica dos filmes que assiste, pode até não conhecê-lo por nome, mas com certeza já ouviu suas composições, cantarolou-as em determinados momentos, possuem como toque de celular e et ceteras.

Robert Daniel Elfman nasceu em 1953 em Amarillo, Texas. É filho de uma autora de livros infantis e de um oficial da Força Aérea Americana. Iniciou sua carreira musical como cantor e compositor da aclamada banda de rock ‘The Mystic Knights of Oingo Boingo’ (Os Guerreiros Místicos de Oingo Boingo), formada por seu irmão, o diretor Richard Elfman, em 1972. A banda, que depois passou a ser chamada apenas de ‘Oingo Boingo’, conquistou um grande numero de seguidores até o seu fim momentâneo em 1995, mas ficou restrita ao sul da Califórnia, não chegando a ter um grande reconhecimento nacional ou internacional.

A Oingo Boingo tornou-se um dos principais grupos ‘cult’ da década de 80 dos EUA. Em meio ao sucesso da banda, Elfman passou a contribuir para faixas de filmes populares e compôs a trilha para um filme idealizado por seu irmão, “Zona Proibida” (The Forbidden Zone, 1979). A banda fez também aparições no filme “De volta para a Escola” (Back to School, 1986) e interpretaram a faixa titulo do filme “Mulher Nota 1000” (Weird Science, 1986), composta por Elfman.

A trilha sonora de ‘Zona Proibida’ foi a estreia de Elfman como compositor para o cinema e marcou o inicio de sua carreira, que primeiramente se estruturou como compositor para filmes independentes e peças de teatro. Foi na metade da década de oitenta que um fã do grupo, o novato diretor Tim Burton, convidou Elfman para trabalhar em algumas das canções de “As Grandes Aventuras de Pee Wee” (Pee-Wee’s Big Adventures, 1985).

Fotografia por Warner Bros Records

Tim Burton e Danny Elfman, uma parceria de 25 anos.

 

Essa foi apenas a primeira das doze parcerias que os dois viriam a ter ao longo de 25 anos, onde Elfman só não fez parte de três filmes, dos quinze assinados por Burton como diretor, “Ed Wood”(1994), “Vicent and Me”(1995) e “Sweeney Todd”(2007). Ele compôs as trilhas para filmes de estrondoso sucesso de Tim Burton, como “Os Fantasmas se Divertem”(Beetlejuice, 1988), “Batman”(1989), “Edward Mãos-de-Tesoura”(Edward Scissorhands, 1990), “O Estranho Mundo de Jack”(The Nightmare Before Christmas, 1993), “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça”(Sleepy Hollow, 1999), “A Fantástica Fábrica de Chocolate”(Charlie and the Chocolate Factory, 2005), “A Noiva Cadáver”(Corpse Bride, 2005) e mais recentemente, “Alice no País das Maravilhas”(Alice in Wonderland, 2010).

É dele a composição das músicas de Hannibal Lecter no último filme da trilogia, “Dragão Vermelho”(Red Dragon, 2002), das peças instrumentais para o premiado musical “Chicago”(2002), é o responsável pelas partituras das três versões do “Homem-Aranha”(Spider-Man) de Sam Raimi e o “Hulk”(2003) de Ang Lee. Também de sua autoria há filmes como “Dick Tracy”(1990), “Missão Impossível”(Mission: Impossible, 1996), “Um Plano Simples”(A Simple Plan, 1998), “A Menina e o Porquinho”(Charlotte’s Web, 2006), “A Família do Futuro”(Meet the Robinsons, 2007) e “O Exterminador do Futuro – A Salvação” (Terminator – Salvation, 2009)”.

Embora a maioria de seus trabalhos tenham sido voltados pra telonas, para a telinha Elfman também criou boas composições, principalmente para as séries de TV como “Na Mira do Tira!”(Sledge Hammer!, 1986-1988), “Contos da Cripta” (Tales from the Crypt, 1989-1996), “The Flash”(1990-1991), a abertura da serie cômica “Desperate Housewives”(Donas de Casa Desesperadas, 2004- ). Para as animações, seu nome é associado à “Beetlejuice”(1989-1992), “As Novas Aventuras de Batman e Robin”(The Adventures of Batman & Robin, 1992-1999), Family Dog(1993), “The Dilbert Zone”(1999-2000), e talvez o mais famoso de todos, “Os Simpsons”(1990- ).

Elfman cita frequentemente Prokofiev, Sravinsk e Bartok como seus compositores clássicos favoritos, mas as principais influências Hollywoodianas para suas composições vem de Nino Rota, Carl Stalling, Erich Wolfgang Korngold, Kiklos Rozsa, Franz Waxman e Bernard Herrmann. E foi justamente a influência de Herrmann que lhe permitiu ser cotado para recriar a trilha clássica da refilmagem de “Psicose” (Psycho, 1998).

Foto cortesia de BMI

Premiação recebida pela Broadcast Music, Inc

Seu primeiro premio veio em 1989, um Grammy pela trilha sonora de Batman. Também foi indicado diversas vezes ao Grammy pelos títulos “Homem-Aranha”, “O Planeta dos Macacos”, “Edward Mãos-de-Tesoura”, “Dick Tracy” e “MIB:Homens de Preto”. Foi indicado uma única vez ao Emmy por sua trilha sonora composta para “Os Simpsons”. Em 1993 foi indicado a um Globo de Ouro pela trilha sonora de “O Estranho Mundo de Jack”, onde suas notas pesadas e macabras permeiam todo o filme, dando a atmosfera gótica e sombria típica nos filmes de Burton, contando também com algumas composições onde ele empresta sua própria voz.

Apesar de ser considerado um dos compositores mais produtivos e respeitados do mercado, tendo trabalhado em alguns dos maiores filmes de Hollywood, Elfman ainda não ganhou nenhum prêmio Oscar apesar de já haver sido indicado quatro vezes, as duas primeiras foi em 1997, quando ele recebeu indicações pela trilha de “MIB:Homens de Preto” (MIB, 1997), sendo que também assinando o segundo titulo da série, “Homens de Preto II” (MIIB, 2002) e a outra por “Gênio Indomável”(Good Will Hunting, 1997), onde assina como co-produtor.

Sua terceira indicação ao Oscar veio em sua nona colaboração com Tim Burton, “Peixe Grande e suas Histórias” (Big Fish, 2003). A quarta indicação só veio cinco anos depois, por suas músicas em “Milk” (2008), uma cinebiografia do diretor Gus Van Sant sobre Harvey Milk, um ativista político que lutava pelos direitos dos homossexuais e foi assassinado em São Francisco.

Estes são apenas alguns dos títulos atrelados a Danny Elfman. Filmes com grande sucesso de bilheterias, marcados por belíssimas composições sonoras e diversas indicações a premiações, desde grandes a pequenas. Elfman possui um estilo único de composição, que chega a ser uma mistura de tudo que é conhecido com particularidades adquiridas ao longo de sua extensa experiencia no mercado musical. Atualmente é casado com a atriz Bridget Fonda, que conheceu durante as gravações de “Um Plano Simples” com quem teve um filho chamado Oliver de cinco anos e é pai de mais duas meninas de um casamento anterior.

Foto-montagem por Matheus Alves

Alguns dos filmes em que Elfman compôs para Burton

 

O Pop do rock

Posted in Música, Perfil by micheletavares on 15/12/2010

Iggy Pop e os Stooges: uma lenda do rock

Por: Alanna Molina


Iggy Pop (foto retirada de: http://www.musicasc.com.br/index.php/ 2010/ 05/10/iggy-pop-e-eleito-o-pior-rosto-entre-os-famosos/)

 

Alguns dizem que ele é sinônimo de ridículo ou impressionista sem talento, outros o veneram e o acham inigualável. Mas uma coisa é certa, Iggy Pop simboliza e corporifica o que de mais anárquico e provocativo o rock tem feito. Sua carreira é marcada pelas várias críticas, admiradores fanáticos e pelo fracasso comercial. Iggy Pop à frente dos Stooges utilizava performances enriquecidas por gestos abusivos, chocantes e até mesmo perigosos. Seus feitos incluíam se lambuzar de pasta de amendoim, rolar num palco cheio de cacos de vidros e baixar as calças para o público. Com esse jeito nada convencional, Iggy atraía não só vários comentários da sociedade, como também a atenção de admiradores.

 

Iggy em uma de suas performances (foto retirada de: http://gnt.globo.com/platb/ tamanhounico/tag/playlist/page/2/)

Nascido em 21 de outubro de 1947, James Newell Osterberg Junior (verdadeiro nome de Iggy Pop) cresceu morando em um estacionamento de trailers. Quando adolescente, o jovem James foi baterista de uma banda de garagem chamada Iguanas e após abandonar a University of Michigan, em 1966, foi para Chicago, onde curtia e se inspirava no blues local. James – que nessa época se torna Iggy Stooge – rumou para Detroid e junto com os irmãos Ron e Scott Asheton, seus amigos de infância, formou a Psychedelic Stooges. Em 1969, já se chamando apenas Stooges, a banda lança seu primeiro álbum, que leva o próprio nome do grupo, produzido por um dos inspiradores de Iggy: o vocalista do Velvet Underground, John Cale, que mostrou à Iggy que era possível fazer rock sem ser um grande instrumentista ou ter uma voz afinada. Isso, aliás, seria um dos mais importantes princípios do punk rock, que surgiria quase uma década depois e muito influenciado por Iggy e os Stooges.

Capa do álbum Fun House (foto retirada de: http://br.taringa.net/posts/musica/2675 1/ The-Stooges---Fun-House.html)

 

Logo após, em 1970, os Stooges lançam seu segundo álbum, o “Fun House”, que apesar de admiradores considerarem ser um álbum incrivelmente influente e ser ele o disco que inaugurou o punk rock, “Fun House” foi um fracasso de vendas. Agora a pergunta que não quer calar: Como um fracasso desses pode hoje ser um símbolo para várias gerações e ter adquirido um status lendário? O próprio Iggy responde a essa pergunta afirmando que seus fãs conseguiam se relacionar com ele justamente porque sua música nunca esteve nas paradas populares. Disse ainda que fazia a música que pessoas reais que tinham uma vida real iriam querer ouvir. Por isso, sua música se espalhou, justamente por contradizer o que ele chama de “a porra da pirâmide comercial”.

 

Artistas como o líder do White Stripes, Jack White, confirmam o status lendário ao dizer que “Fun House” é o maior disco de todos os tempos. David Bowie provou sua admiração ao disco ao criar seu personagem mais famoso, Ziggy Stardust, inspirado em Iggy Pop. O jornalista Paul Trynka, ex-editor da revista inglesa “Mojo” e autor de “Iggy Pop Open Up and Bleed”, biografia de Iggy, ao ser indagado o porquê de “Fun House” ser um disco tão ifluente responde que “a raiva pura e a intensidade do som são o que tornam esse disco tão influente. A música crua e a maneira agressiva como ela é executada têm sido copiadas muitas vezes, mas nunca igualados”.

Os Stooges (foto retirada de: http://mcr.stevebarman.com/2009/ 01/iggy-remembers-ron-asheton.htm/the-stooges)

 

Pop e os Stooges realmente mostraram um som intenso e sincero. Muitos acharam que a banda expressava o futuro do rock, alguns os consideravam completamente primitivos, mas contra fatos não há argumentos. Iggy, com seu estilo de voz e suas performances chocantes, juntamente com os Stooges, com seu som original e sem nada de bonito ou comercial, viraram uma lenda para a história do rock, atravessando gerações sem nunca perder sua importância, sempre sendo uma inspiração para seus admiradores.

 


2010: O ano Swift

Posted in Música, Perfil by micheletavares on 15/12/2010

Taylor Swift entrou de vez na historia da indústria fonográfica e tem cada vez mais marcado o seu território no campo.

Por: Larissa Ferreira

Com apenas quatro anos de carreira eis que chega, o que aparenta ser, o inicio do auge na carreira da cantora “pop country” Taylor Swift. Em 2010 a jovem cantora mais do que marcar a historia da música nos Estados Unidos, ela alcança o auge que nenhuma outra cantora country tinha alcançado antes. E se torna uma das artistas mais bem conceituadas do mercado fonográfico.

Com apenas 20 anos, a jovem doce e comportada Taylor Swift, abocanha prêmios, bate recordes, multiplica sua finanças e se torna grande destaque mundial. Pode-se assim dizer que o ano de 2010 se torna um marco, não só em sua carreira como no mundo da música country. Com o disco “Fearless”, o segundo de sua carreira, ela vendeu 5,4 milhões de copias apenas nos Estados Unidos e recebeu disco de ouro e platina em 16 mercados internacionais. Alem de estrelar no filme “Idas e vindas do amor” e de ter varias indicações em grandes premiações como Grammy, BMI Country Awards, Billboard Touring Awards, Academy of Country Music Awards, CMA Awards e American Music Awards.

"Sinto que estou aqui aceitando um sonho impossível"

No inicio do ano, com a premiação do Grammy, a princesa country teve oito indicações pelo seu álbum “Fearless”, lançado no ano anterior. Dos oito prêmios aos quais foi indicada Taylor ganhou quatro, entre eles o de melhor disco do ano quebrando um recorde da cantora mais nova a receber este prêmio, recorde que antes pertencia a Alanis Morisette que em 1996 foi premiada aos 21 anos. Com esse mesmo prêmio ela quebrou mais dois recordes, o de primeira artista country a ser premiada nessa categoria e o de primeira artista pop feminina desde Celine Dion, em 1997.

Pode se usar como explicação para tanto sucesso o caráter e a personalidade da cantora. Garota meiga e pé no chão, Taylor se tornou modelo para milhares de jovens pelo mundo. Com uma conduta correta ela se destaca no mundo dos holofotes entre inúmeros outros artistas da mesma idade, conquistando assim não só os adolescentes como seus pais.

Por ter sofrido bullying na adolescência, Taylor tenta conscientizar as pessoas sobre o assunto e acaba servindo de exemplo para diversos jovens que passam pelo mesmo problema. Alem de disseminar um maior conhecimento da bullying para os jovens, ela sempre se engaja em manifestos sociais para chamar a atenção do publico.

Outro fato que pode explica o seu sucesso (e o mais obvio) é o seu trabalho. Suas músicas são autobiografias nas quais, na maioria das vezes, ela fala sobre seus

“Sinto que em minha música eu posso ser uma rebelde”

relacionamentos amorosos. Essas características fizeram com que o publico começasse uma saga mórbida para descobrir de quem ela esta falando em cada canção, o que às vezes se torna algo complexo já que em muitas de suas letras ela “oculta” essa informação. Uma das músicas a qual Taylor não revela o tal sujeito que retrata é “Back to december”, onde em um dos trecho a cantora diz “Sinto falta da sua pele bronzeada, seu doce sorriso”, porém, rumores apontam que supostamente esse rapaz de pele brozeada é o ex namorado de Swift, o ator Taylor Lautner. Sobre todos os rumores sobre quem seria os rapazes de suas músicas Taylor Swift disse a revista Entertainment Weekly: “Às vezes eu me pego rindo porque vejo escrito em alguma revista que escrevi tal música pensando no meu ex e tal… eles escrevem como se fosse um fato, mas eu nunca confirmei isso”.

Taylor Swift esta entre umas das personalidades mais populares na internet em redes sociais como Facebook e Twitter, sendo uma das mais influentes com mais de 5 milhões de seguidores. Popular também entre mundo artístico, onde colegas se profissão acabaram se tornando fãs do trabalho da cantora como Selena Gomez, Lily Allen, Kelly Clarkson e cantores de estilos completamente longe do da cantora também revelaram ser fãs das musicas de Taylor como exemplo Lady Gaga e o rapper 50Cent.

Tanta popularidade que esta expandida em todo o mundo. Taylor levou o country ao gosto do publico asiático, fez sua primeira turnê internacional e foi indicada a prêmios em outros países. Swift foi indicada pela resvista Time como uma das personalidades mais influentes da atualidade. Foi apontada pela Forbes como uma das celebridades que mais arrecadaram dinheiro entre junho de 2009 e junho 2010, ela teria acumulado cerca de $46 milhões em apenas esse curto espaço de tempo e indicada também como umas das artistas mais bem sucedidas ultrapassando a consagrada atriz Angelina Jolie.

1 milhão de copias em uma semana!

Como já não bastasse tantos recordes batidos, no fim do ano ela lançou seu terceiros disco intitulado de “Speak Now” e que em uma semana vendeu mais de 1milhão de copias só nos Estados Unidos, tomando o lugar do cd “Recovery” do happer Eminen que estava como o disco mais vendido do ano. “Speak Now” vendeu 1.047.000 cópias nos Estados Unidos na primeira semana, de acordo com o Nielsen SoundScan, atingindo o recorde de disco mais vendido em menos tempo nos últimos cinco anos. É também o primeiro a alcançar a marca de um milhão na semana de estreia desde o “Tha Carter III”, de Lil Wayne, que vendeu 1.006.000 em 2008.O terceiro cd da diva country tinha previsão como venda de estréia de 800 a 900 mil cópias. De acordo com a Billboard, a venda de um milhão de CDs aconteceu apenas 16 vezes desde 1991.

Com “Speak Now” Taylor desbancou Mariah Carey como a artista a ter o maior número de estréias no Top 10 da Billboard americana. As músicas do disco estão como as mais procuradas na internet e.O sucesso de “Speak Now” é tão grande que em um dos shows da cantora, após o lançamento do disco, os ingressos esgotaram e dois minutos. Produtores e críticos do campo da música já esperava um grande feito vindo de Swift, eles só não imaginavam que ela chegaria à casa dos milhões, levando em consideração o fato de que a industria fonográfica esta em um período de vacas magras.

Taylor Swift  acabou de ser indicada pela revista americana Entertainment Weekly como Artista do ano, nada muito surpreendente quando se leva em consideração todos os feitos alcançados em um pequeno espaço de tempo que é um ano. Swift marco assim o seu nome e o da música country na historia fonográfica de maneira magnífica e encorajadora para os artistas do mesmo segmento.

Uma voz que não cala

Posted in Cultura, Música by micheletavares on 14/12/2010

Por Hugo Fernandes

 

Ana Carolina - Foto retirada do site http://eventtospe.blogspot.com

“Você pode me ter do jeito que quiser

Eu não vou fazer esforço pra te contrariar

De tantas mil maneiras que eu posso ser

Estou certas que uma delas vai te agradar”  Rosas.

Mineira, sempre com muito contato com cachoeira, montanha e poucas lembranças sobre o mar. Nasce em Minas Gerais na cidade de Juiz de Fora, em 9 de Setembro de 1974, Ana Carolina, futuro destaque no cenário musical do Brasil. Perde seu pai quando tinha apenas dois meses, com mais dois irmãos,  a cantora declara ser fruto de uma provável traição entre sua mãe e outro homem.

Partes do tempo a menina Ana Carolina ficava a cantar no salão de cebelereiro de sua mãe, no bairro Granbery. Usava rolos de cabelo como microfone, para entoar músicas de Caetano Veloso. Fazendo do Salão seu palco. Aos 12 anos a menina começou a tocar violão, sozinha, apenas ouvindo. Quando completou 16 a adolescente declarava a mãe sua bissexualidade, sendo aceita normalmente. Foi nesta época que ela passava vários dias trancada no quarto alimentando-se somente de pizza, pois era a única coissa que passava por debaixo da porta, daí se deu a inspiração para escrever a música “Trancado”. E ainda aos 16 descobriu ter diabétes.

Com influências músicais desde pequena, sua avó cantava no rádio e seu avô na igreja. Seu tios-avós tocavam percurssão, piano, cello e violino. Tendo como inspiração, cresce ouvindo ícones da música no Brasil e no mundo como; Chico Buarque, Maria Bethânia, Nina Simone e Alanis Morissette. Identificada como contralto, por sua voz grave e forte,  a cantora também consegue alcançar notas muito agudas, fazendo com que sua extensão vocal  a faça interpretar várias músicas.

Ainda na adolescência começa a tocar em bares na sua cidade natal, aos 18 anos. Usando em suas apresentações composições de Chico Buarque, Tom Jobim e Ary Barroso. Ana começou  a cursar Letras, na Universidade Federal de Juiz de Fora, onde logo cedo abandonou o curso. Com o passar do tempo também veio o reconhecimento, sendo convidada a cantar na aberturado concerto da Orquestra Internacional de Ray Conniff, em 1997. Durante suas viagens Ana Carolina, costumava ficar hospedada na casa de sua amiga Cássia Eller. Durante um show em Belo Horizonte um rapaz aparece no camarim da cantora com uma composição feita durante o show, enquanto a assistia. A música era Garganta, seu primeiro sucesso, e o rapaz era José Antônio Franco Villeroy, este que se tornaria adiante, um dos seus melhores amigos e parceiro eterno em suas composições.

Angela Ro Ro e Ana Carolina. Foto retirada do site http://www.musicaeletra.com.

Em 1998 Ana, assina contrato com a BMG, dispensando outra gravadora. Então naquele ano a cantora teria duas músicas lançadas  em telenovelas da Rede Globo, as músicas seriam “Garganta” e ”Tô Saindo”. Em 2000, Ana recebe sua primeira indicação ao Grammy Latino, concorrendo na categoria brasileira de “Melhor Álbum Pop Comteporâneo”, sendo então apontada como “A grande promessa da MPB” comparada com Cássia Eller e Zélia Duncan.

Em 2001, a cantora lança o Disco ”Ana Rita Joana Iracema e Carolina”, vendendo 100 mil cópias, conquistando o disco de ouro e logo depois conquistando a marca de 300 mil cópias, alcançando a conquista do disco de platina. Em 1º de maio do mesmo ano a cantora, sofre um acidente com seu carro as cinco da manhã, sendo levada para a UTI e levando cerca de 30 pontos acima da orelha e sofrendo uma fratura na Tíbia.

Em 2003 Ana lança o disco “Estampado”, a própia diz que este trabalho é a sua cara, pois leva uma batida mais próxima do Rock’n’

Cantora Ana Carolina. Foto retirada do blog http://anacsouza.blogspot.com

roll. O disco rendeu 100 mil cópias, sendo considerado o seu melhor trabalho. Em todos os cantos se ouvia a Ana Carolina, fazendo lhe render outro Cd de Ouro. Como se não bastasse a cantora lança o disco Estampado – Um instante que não para. Trazendo neles as faixas; Vestido Estampado, Outra vez e Eu gosto é de mulher, esta última canção sendo transformada num discurso gay pela cantora. O cd Perfil, lançando em 2005, foi emplacado como o mais procurado com 320 mil cópias vendidas, rendendo Disco de Platina, Platina Duplo e Diamante.

Desde o ínicio de sua carreira Ana Carolina enfrenta preconceitos, mas frequentemente encara todos com bom humor e tranquilidade. A cantora confessou suabissexualidade a sua mãe de supetão, declarando em uma conversa; “Mãe eu gosto de homens e mulheres, dá pra passar aquilo ali por favor?” segundo  a cantora ela tentou ser o mais natural e dura possível com a mãe, que aceitou tranquilamente. Em entrevista ao Programa do Jô a cantora disse que homossexualidade, mediunidade e voz, todo mundo tem. Mas, só alguns desenvolvem. Mas a mesma afirma que não sente nehuma vontade em levantar bandeira, nem lutar por direitos para com os gays, pois segundo ela, fica parecendo que homossexulidade é doença.

Em 2007 a cantora ganha o prémio de Melhor Cantora, no Prémio Multishow, graças ao disco lançado neste ano, intitulado “Dois Quartos”. A cantora também acaba vencendo o prémio de Melhor Show, em 2008, com o Disco “Multishow Ao Vivo-Dois Quartos”. E em 2009 é lançado o “Cd N9ve”, trazendo em suas faixas, ritmos novos como salsa e Bossa Nova, comemorando então dez anos de carreira.

Marshall Bruce Mathers III?

Posted in Música by micheletavares on 14/12/2010

Polêmico, drogado e alcoólatra, até suicida, mas extremamente talentoso!

Por Edu Santos

Eminem- 2001. (Por:Eminem- Official Site)

Marshall Bruce Mathers III. Você não tem a mínima ideia de quem eu estou falando, não é mesmo? Mas se eu falar que o nome artístico dele é Eminem? Certamente passará algo pela sua mente. “É, eu já ouvi alguma música dele.” “É mais um cantorzinho polêmico e encrenqueiro de rap’’, etc.  Despertando pensamentos positivos ou negativos, ele não deixou de povoar sua mente nesse instante. A menos que você seja um alienado acerca indústria cultural, não que isso seja algo negativo ou positivo, mas poupemos essa discursão agora.

Marshall nasceu no dia 17 de outubro de 1972 na cidade de Saint Joseph, no estado do Missouri, nos Estados Unidos, filho único de Deborah Nelson Mathers Briggs e Marshall Bruce Mathers, seu pai abandonou a família quando ele tinha um ano e meio de vida, foi criado apenas pela mãe, em condições de extrema pobreza, morando em várias vilas e cidades do Missouri, até se estabelecer no Warren, bairro suburbano de Detroit, no estado de Michigan, onde passou a maior parte de sua juventude.

Teve seu primeiro contato com o hip hop aos 14 anos, ao ouvir o grupo Beastie Boys, começou a fazer raps amadores, utilizando o pseudônimo “M&M”. Pouco tempo depois, entrou para uma pequena gravadora, a Bassmint Productions, que lançou seu primeiro Extended Play (EP, um tipo de CD bem rudimentar, que não pode ser considerado um álbum) intitulado Steppin Onto The Scene, esse (EP) ,todavia  foi extremamente  inexpressivo e Marshall sai da gravadora. Dando inicio a sua trajetória na comunidade do hip hop underground (hip hop das ruas), composto predominantemente por rappers afro-americanos, fato que no início gerou uma determinada aversão da maioria dos membros, acerca Marshall, pois ele era branco e descendente com descendência europeia, porém com o tempo essas pessoas se renderam ao seu talento em potencial.

No colégio mantinha uma vida extremamente desregrada, faltava as aulas para ir participar das batalhas de freestyle (batalhas de raps improvisados) onde era ovacionado pelo público do  underground, porém não fazia o mesmo sucesso nos estudos ,onde após repetir a nona série duas vezes por faltas excessivas e notas baixíssimas abandonou a escola aos 17 anos .Nessa época ele começara um namoro com Kimberley Anne Scott, uma moça que havia conhecido no colégio.

Aos 19 anos, Marshall e sua família sofrem uma perda dramática, seu tio materno comete suicídio com um tiro de espingarda na cabeça e bem próximo a ele, fato que o deixa extremamente arrasado e o afasta da música por algum tempo. Porém no ano seguinte, ele consegue voltar ao cenário do rap, assediado por vários artistas do underground, assina com a pequena, mas promissora gravadora, a FBT Productions. Nessa mesma época ele cozinhava e lavava pratos em um pequeno restaurante para sobreviver, ganhava por volta de um salário mínimo mensal.

Os anos se passam e é o ano de 1995, a ‘peregrinação’ de Marshall pelas gravadas continua, agora com 23 anos ele vai para a Mashin Duck Records e muda seu nome artístico para “Soul Intent”, lançando seu primeiro single (música de trabalho), chamado de “Fuckin Backstabber”, música que narra momentos conflituosos e violentos de uma amizade.

Eminem e Hailie -1998 (Por: Eminem Official- Site)

No mesmo ano sua vida e a de sua namorada Kimberley sofrem uma grande e decisiva mudança, nasce Hailie, primeira e inesperada filha do casal. Logo após o nascimento de sua primogênita, Marshall começa a trabalhar em uma pizzaria e resolve arriscar mais do que nunca em seu sonho de viver da sua arte e assim dar melhores condições de vida para sua família. Nessa época, ele conhece um rapper também promissor e de nome artístico ‘’Proof (D12)’’ que propõe a Marshall a formação de um novo grupo, ele aceita, dando origem ao ‘’D-12’, um grupo de seis membros que trabalhavam mais solo do que juntos. Com o novo grupo Marshall resolve mudar seu nome artístico mais uma vez e agora ele se chamaria ‘’Eminem’’.

E em 1996, Marshall agora o Eminem, resolve lançar seu álbum de estréia intitulado Infinite, disco que incluía as dificuldades para sustentar sua filha recém-nascida e seu sonho de ficar rico. O álbum

mais notório de sua carreira até aqui, porém recebeu muitas críticas negativas e até acusações de plágio. “Obviamente, eu era jovem e influenciado por outros artistas, e eu lembro de vários comentários dizendo que eu parecia com Nas e AZ. ‘Infinite’ serviu para mim tentar descobrir qual era o meu estilo de rap, como iria soar minha voz no microfone e ao vivo. Foi uma fase de crescimento. Eu senti ‘Infinite’ como um álbum demo que acabou sendo pressionado para tornar-se de estúdio’’ ,  comenta Eminem acerca  dos  problemas e das polêmicas geradas pelo seu primeiro álbum.

Logo após esse lançamento, ele passou por uma intensa crise existencial, sendo extremamente pressionado pela família e pelos amigos. Começou a abusar do uso do álcool e das drogas e chegou até tentar suicídio.

No ano seguinte, Eminem se recupera mais uma vez e dá passos ainda maiores em busca do tão sonhando reconhecimento e vai até a cidade de Los Angeles participar Rap Olympics (torneio famoso de raps improvisados). Ele acaba não vencendo o torneio, fica em segundo lugar, no entanto a tão esperada chance surge pelas mãos, aliás, pelos ouvidos de  Jimmy Lovine, presidente da expressiva gravadora Interscope Records. Logo em seguida, Eminem participa de mais um campeonato de rap freestyle (rap improvisado) dessa vez é o campeão e consolida de vez o contrato com a gravadora.

Em 1998, o rapper famoso e produtor musical consolidado, Dr. Dre resolve produzir o primeiro grande álbum de estúdio de Eminem, intitulado The Slim Shady LP, que é lançado no ano seguinte, sucesso de público e de crítica, acaba se tornando um dos álbuns mais populares dos Estados Unidos, chegando a receber três indicações para a certificação de platina da RIAA (Prêmio dado aos melhores artistas da indústria musical dos EUA).

Capa de ''The Slim Shady''. Primeiro grande álbum do rapper Eminem. (Por:Eminem- Official Site)

‘’Do início da carreira até agora, Eminem foi peça chave de inúmeros fatos polêmicos que geraram muitas repercussões positivas e negativas em todo o mundo, mas seu legado musical, marcado por batidas fortes e letras profundas, que chegam até o fundo na alma, será eterno’’, comenta Mário de Oliveira Chagas, um dos membros mais antigos do fã clube Eminem Brasil.

Veja abaixo o clipe no novo single do cantor ,uma das faixas do seu mais recente cd ,Recovery.A música se chama  ”Not Afraid” , e fala sobre o início e a atual fase de sua carreira , abordando seus ideais polêmicos e originais.

Hardcore sergipano ganha impulso na voz de Pedrão

Posted in Crítica, Música, Perfil by micheletavares on 14/12/2010
Por Andréa Cerqueira

Pedrão se apresentando com a Rótulo em João Pessoa. Foto: Arthur Soares

 

Filho de José Carlos Santana e de Maria Fátima Alves, começou a ter contato de uma forma geral com o gênero musical do rock por volta dos 14/15 anos quando conheceu Rômulo, mais conhecido como Romão, baterista da Rótulo, que “apresentou” o rock independente de Sergipe e do país. Pedro Alves dos Santos Neto, mais conhecido como Pedrão, é  o nome que marca a cena do estilo rock hardcore no estado.

Nos intervalos das aulas ainda no colégio eles começaram a tocar ainda de forma improvisada, apenas para descontrair o ambiente. Romão tocava violão e ele se propunha a cantar, mesmo sem ter conhecimento das técnicas de vocal e ainda pela voz ser rouca e grave, diferenciado dos outros meninos de sua idade que tinham uma voz fina por estarem em transição da infância para a adolescência, gritava bastante e realmente não sabia cantar, aos poucos é que foi dominando e entendendo o estilo da própria voz.

Romão já tocava na rotulo com o atual baixista, fazendo covers de bandas consagradas do Rock internacional como Nirvana, e no nacional como Dead Fish e Sugar Kane. Foi então convidado em meados de 2003, pelos dois integrantes para cantar na Rótulo, mesmo já tendo outro cantor, resolveram adotar dois (cantores), um com a voz mais melódica e outro com o timbre mais agressivo. No entanto, essa fase não demora muito para que Pedrão assuma o posto único de vocalista. A banda ainda passa por modificações ate a formação de: Pedrão no vocal, Rokinho no baixo, Romão na bateria, Frog na guitarra e Igor Knup na outra guitarra,  que por motivos pessoais  se afastou noinicio de 2009.

Rótulo ainda na adolescência

Pedro é quem compõem as letras da banda, a partir da vivência na militância estudantil fazendo assim das contradições apresentadas na sociedade como tema principal de suas letras. O grande inspirador enquanto escritor é o poeta Augusto dos Anjos, que fez o vocalista entender o sentido da vida. Logo a composição que traz essa inspiração é a musica “versos perdidos”, a qual começa com uma citação de um texto do livro “eu e outras poesias” do inspirador. Enquanto influência musical, a banda Dead Fish, é a que mais marca a passagem da fase da adolescência para a adulta e o estilo adotado por ele, o hardcore, quando diz que tanto ele quanto os demais integrantes da banda criaram barba escutando a Dead Fish.

O primeiro cd foi gravado de forma amadora, patrocinada pelos próprios pais, sendo divulgado e vendido pelos integrantes a preço simbólico. Esse foi o impulso que tanto Pedrão, quanto a banda precisavam para serem notados no cenário musical. Foi a partir daí, que receberam o convite para se apresentarem em um festival de rock em Maceió.

O período que marcou Pedrão como cantor, apesar de se pronunciar quase que todo o tempo em 1º pessoa do plural (nós, a banda), foi em 2009/ 2010, por causa da gravação do 1º cd “À Luta”, recebendo esse nome em razão de toda a trajetória percorrida por todos da banda, na luta para se firmarem no cenário tanto sergipano quanto nacional e para fazer uma alusão ao posicionamento de crítica social. O cd foi custeado pelos próprios integrantes, tendo apenas apoio na parte de arte gráfica do cd, camisas e divulgação. O repertório gravado foi de 13 músicas dentre elas, algumas já conhecidas como “Produto da Soma” e “Universal da Exploração” que falam basicamente da alienação que o ser humano sofre em relação à religião e ao falso status de superioridade, e outras inéditas como “Matando a Morte” que exprime a necessidade de deixar um legado de ações que induzam ao outro querer lutar contra a diversidade imposta pelo sistema.

Romão, Igor, Frog, Rokinho e Pedrão Foto: divulgação do cd

O lançamento do cd ainda em 2009 foi na Paraíba, no festival “Aumenta que é rock”. Tendo a partir desse momento, Diogo Galvão como produtor. Já em 2010, começaram a organizar a 1º turnê pelo nordeste articulada pelo baterista, Romão e por Diogo. Iniciaram por Sergipe, Aracaju passando por Salvador, Maceió, Natal, Mossoró, Ceara e Paraíba. Ainda no mesmo ano fizeram a 2º turnê pelo sudeste do Brasil. “O vocalista Pedrão tem um carisma que faz toda a diferença. Com letras bem politizadas e engajadas em causas da realidade nordestina, fazem da Rótulo um grande nome da cena regional”, segundo  qualificava a matéria publicada no site Zona Punk sobre a apresentação no Pogo Festival, em João Pessoa.

Dois fatos que Pedrão mais recorda é uma queda que sofreu no palco. Quando tudo já estava dando errado, ele então vira para o restante da banda e pede para encerrarem o show por que naquele momento ele já estava em seu limite. E quando tocaram apenas para cinco pessoas. ”Por isso o que sustenta a banda é a amizade, alem de ser uma banda é uma família”, diz Pedrão.

 

Para ouvir as musicas da Rótulo acesse: http://www.myspace.com/rotulo

Clique no video abaixo e assista ao show da Rótulo

“É da galera, é Zé Tramela”

Posted in Cultura, Música by micheletavares on 14/12/2010

Por: Manuella Miranda

Tuka Velloz não tem filhos, mora com os pais e tem namorada. É cantor da banda sergipana de forró Zé Tramela. Na verdade é um homem multifuncional, possuindo outras profissões.

Tuka Velloz cantando na F1 Club - Foto: Manuella Miranda

  Ele está na sorveteria da família, no bairro onde mora, isso acontece geralmente de segunda à sexta das duas da tarde às oito da noite. Aceitou me receber assim que fiz o convite. Sempre simpático, me recebeu todo arrumadinho, vestindo calça jeans, blusa pólo e tênis. 

  Tuka, que na verdade se chama João Paulo Menezes de Carvalho, tem 28 anos, é do signo de touro e nasceu na maternidade Santa Helena na cidade de Aracaju no dia 23 de abril de 1982. Mora e sempre morou no conjunto Sol Nascente. Tem uma cadela chamada Bramha. É o filho mais velho de três. Seus irmãos Manuela e Emílio, tem 27 e 25 anos. Emílio faz faculdade de ciências contábeis e é bancário, Manu é casada e mora em Boston, nos EUA. Já sua namorada Gisele está se formando agora em enfermagem.

  Começou a cantar aos 14 anos numa banda de amigos chamada “Camisa de força”. “Era uma banda de rock, que na verdade só tinha, só tinha nada. A gente cantava Raimundos e Henrique Iglesias, era uma coisa um pouco sem noção”, diz Tuka. Depois disso ainda participou de algumas outras bandas. Tuka já fez vários cursos superiores, arquitetura, publicidade, segurança no trabalho, mas não terminou nenhum deles. “Eu pretendo terminar minha faculdade de publicidade, gosto muito dessa parte de criação, gosto mais de ver propaganda do que programa de televisão”, comenta.

  Sem possuir uma rotina, o cantor da Zé tramela ainda carrega outras funções. Além de trabalhar na sorveteria da família, onde os sorvetes vendidos são produzidos na fábrica do seu pai, Tuka é corretor de imóveis, empresário, produtor e compositor. Ou seja, os seus dias nunca são iguais. “Não tenho rotina, não tenho horário, não tenho nada.

Tuka Velloz em um chat conversando com os fãs - Arquivo Pessoal

 Eu posso estar num lugar ás dez horas e no outro dia não está” explica. Mas apesar disso, ele gosta de acordar cedo e dormir tarde, não gosta de perder tempo dormindo. Tuka, quando está na sorveteria, dificilmente fica quieto. Quando não é algum cliente que chega, muitos, ele sabe até o nome, é um conhecido que passa falando, ou um amigo que senta para conversar. Situações que aconteceram ao longo da entrevista. Um dos seus amigos chegou para conversar com ele e deu de cara com a nossa conversa. “Ta sendo entrevistado é?” Pergunta seu amigo e sócio em um site de compras coletivas, Willes.

  Ele possui algumas manias, é viciado em comprar pela internet. Apaixonado pela série “Os Simpsons”, tem loucura por qualquer objeto do desenho animado. Já antes de subir ao palco, o cantor não faz nada muito metódico, apenas se uni a banda para fazer uma oração. O Tuka compositor não tem hora para compor. “Música é aquele negócio, quando ela chega tem que parar tudo para escrever” diz.

  Na hora do almoço dificilmente ele vai comer em casa, não toma café da manhã, e como come muita besteira, jantar é uma coisa rara. Tuka é um dos donos e vocalista da Zé tramela á quatro anos, quando perguntei sobre o cachê ele me perguntou rindo: “tem que responder mesmo?” Mas não hesitou em responder, “o cachê vai de cinco a nove mil reais.”

Tuka Velloz com uma de suas manias, "Os Simpsons" - Arquivo Pessoal

  Como cantor, ele já ganhou o Troféu Sanfona de Ouro de melhor cantor. Perguntado sobre sua relação com as fãs, ele diz que é muito gratificante sentir o carinho e o reconhecimento das pessoas. A Zé Tramela além de tocar muito no mês de junho tem feito apresentações o ano todo. A relação de Tuka com a banda é muito boa. “Nossa relação é a melhor possível, nós somos parceiros em tudo, na verdade somos uma família”, comenta.

   O momento mais especial da sua carreira foi quando cantou para 150 mil pessoas no Forró-Caju. Contou-me com os olhos brilhando que estava muito nervoso e que suas pernas tremiam. A música que mais gostou de cantar foi “Primeiro eu”, uma composição do seu amigo Beto Caju. Momentos engraçados no palco foram muitos, como a vez que ele caiu, e outra quando tomou um choque.

  Pra quem pensa que depois de passar a manhã correndo de um lado pro outro e a tarde na sorveteria trabalhando ele vai pra casa, ta muito enganado. Depois de sair de lá ás oito da noite, Tuka ainda vai pro estúdio gravar seu novo trabalho solo de axé, uma gravação que pode durar até ás duas da madrugada.

  No final da nossa conversa, antes de eu ir embora pergunto quem é o Tuka Velloz para o João Paulo, ele me responde

Tuka Velloz e a banda Zé Tramela - Arquivo Pessoal

 que o Tuka é mais extrovertido, já o João Paulo é tímido. “Mesmo não sendo um personagem, o Tuka Velloz é o artista” conclui.

Parceiro das noitadas

Posted in Cultura, Música by micheletavares on 07/12/2010

 

Sócio da Casa Suburbia diz todos os ingredientes para fazer uma noite divertida em Aracaju.

Por Ana Carolina Souza

Alexandre Souza, sócio do Suburbia. Foto: Ana Carolina

 

Em Aracaju, as noites prometem pura diversão com a febre das casas noturnas de eventos. Cada vez mais surgem novos estabelecimentos e sempre há uma opção para sair. Muita música, bebida, paquera e um toque especial de inovação são os ingredientes principais para chamar a atenção do público. Geralmente, essas casas produzem diversos tipos de eventos para determinados gostos, idades e tribos. Para falar sobre o segredo da noite Sergipana, nada melhor que conversar com quem entende. Alexandre Souza, sócio do Suburbia, conta pra gente todos os detalhes.

 

Como surgiu o interesse de ser sócio do Suburbia?

O Suburbia nasceu de uma amizade que eu tinha com Álvaro. Surgiu a oportunidade e ele me convidou. Na verdade, a casa já existia e, como era um empreendimento grande, agregamos mais três donos. São cinco sócios hoje e cada um possui a sua tarefa.

Como é que vocês fazem as programações dos eventos?

Ela é feita semanalmente. Quem cuida dessa parte é o outro sócio da gente, Tiago. Ele faz acerto com bandas e empresários de bandas que se dispõem a tocar lá.

Qual o público mais presente?

É um público de A a Z. Geralmente de 25 anos em diante e não entram menores.

Quais são os estilos musicais mais abrangentes?

O Suburbia é a casa de todas as tribos. Lá toca pop rock, forró, pagode, samba, sertanejo, brega. Lá o público é que diz o que quer ouvir.

Há uma abertura para bandas locais?

Com certeza. Bandas locais têm privilégio no Suburbia.

Existe alguma parceria com outros locais ou eventos de Sergipe?

Existe. Agora mesmo estamos em uma parceria com o projeto Pôr-do-sol, no Parque dos Coqueiros.

O que há de diferente no local que chama a atenção das pessoas?

O ambiente que não é sofisticado, mas é agradável, aconchegante e com um público bonito. Eu costumo dizer que é o metro quadrado mais bonito de Aracaju.

Como é uma casa noturna, vocês usam um esquema de segurança?

Totalmente, 100% fechado. Quem presta serviço conosco é a União segurança patrimonial, uma empresa de muitos anos que tem cadastro em vários órgãos.

Lá existe uma programação fixa?

Não existe uma programação exata. Às vezes fazemos um mês com uma banda de pagode, por exemplo, todos os domingos. Mas sempre estamos modificando, para não ficar repetitivo.

E vocês investem em promoções?

Sim, quase sempre as 100 primeiras mulheres entram de graça e quem compra o ingresso para o Pôr-do-sol automaticamente ganha um ingresso para o Suburbia.

Você e os outros sócios frequentam o local?

Sim. Sempre que posso estou lá e os outros sócios também. Mas a casa já é planejada para não precisarmos estar sempre lá.

Como é a estrutura do local?

O Suburbia comporta 900 pessoas; um palco próximo das pessoas; ar-condicionado; banheiro feminino, masculino e para deficientes físicos; fumódromo e um bar.

Deixe sua mensagem para quem não conhece o Suburbia.

Venha pro Suburbia que você nunca mais vai deixar de frequentar.

Música sergipana para fora de Sergipe

Posted in Cultura, Música by micheletavares on 26/10/2010

Projeto Sergipe Exporta Som visa levar a música sergipana para âmbitos nacionais e internacionais para valorizar o artista local

Por Alanna Molina

A trajetória da música em Sergipe é marcada por fases de constantes desafios e superações. As dificuldades encontradas pelos profissionais da música no estado percorreram décadas na tentativa de encontrar meios de visibilidade para os artistas locais. É com essa intenção de difundir a produção local que a Fundação Aperipê (Fundap) em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura (Secult) e a Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Esportes (Funcaju), com o apoio do Sebrae-SE, lançam o projeto ‘Sergipe Exporta Som’. “O projeto visa possibilitar contatos do mercado internacional da música junto aos músicos sergipanos, e envolve uma série de ações que possibilita a profissionalização, a divulgação e comercialização das músicas produzidas pelos artistas sergipanos no mercado internacional”, comenta o diretor de marketing da Fundap, Aldenir Resende. Porém, essa tentativa de alavancar a música sergipana e fortalecer os artistas locais não é recente.

Desde a década de 80, Sergipe tenta acompanhar movimentos nacionais que valorizavam a música popular brasileira, inspirando-se em grande festivais nacionais de música e realizando alguns encontros culturais no estado. Destaca-se nesse período o Encontro Cultural de Graccho Cardoso, que em sua edição de 1998, aboliu qualquer tipo de música massiva como o axé ou o pagode. Também projetos como o Prata da Casa e o Projeto Seis e Meia, promovidos pela Secretaria de Estado da Cultura incentivaram o trabalho de muitos artistas.

Apesar disso, muitos ainda tentam gravar o primeiro disco, buscando uma vaga na lista da Lei de Incentivo à Cultura. No entanto, para tristeza dos artistas, a década de 1990 trouxe consigo a pasteurização da música. Se os artistas sergipanos já encontravam dificuldades de gravar e divulgar seu trabalho, a partir dos anos 90 ficou ainda mais difícil. O aparecimento da Axé-music começa a tomar lugar no gosto popular estimulado pela mídia. Depois, com a prévia carnavalesca inspirada na axé-music baiana – em resumo o Pré-Caju e o Forró eletrônico – o processo de gravação da música popular sergipana foi totalmente interrompido. “Existe um comércio travado, que ocorreu com uma questão história de desmantelamento do mercado local. Quando começou a onda das micaretas surgiram estruturas montadas pelo Brasil inteiro que fizeram com que a música baiana tivesse espaço durante o ano todo, e tomou o espaço das produções locais de outros estados, que não a Bahia. Foi uma estratégia de mercado interessante para quem produziu isso, mas esfacelou o resto do mercado nas outras localidades”, analisa o diretor da Aperipê FM, Edézio Aragão.

Dessa forma, muitos dos artistas de referência da música local tiveram que buscar outras formas de divulgação de seus trabalhos participando de festivais em outras partes do Brasil, como o de Campos do Jordão ou Maringá, ou tentando divulgar seus trabalhos nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. Por outro lado, outros gêneros musicais são fomentados na década de 1990. O gênero pop-rock em Sergipe desponta com o festival de Rock-SE e a diversidade musical em Sergipe cada vez mais se consolida neste século, apesar da pouca visibilidade. Diversos grupos em diferentes estilos gravam por meio de selos independentes. A música contemporânea sergipana começa a ser carregada de sons diversos, misturando ritmos folclóricos sergipanos e nordestinos com rock, reggae e música eletrônica.

Cantor e compositor Igor Mangueira vê no Projeto Sergipe Exporta Som um incentivo à representação da música local (foto retirada do http://www.myspace.com/igormangueira/blog)

O Projeto Sergipe Exporta Som enfrenta toda essa bagagem histórica de fragmentação da cultura sergipana e tenta lançar os profissionais da área no mercado fonográfico, para que haja então uma valorização do artista local, pois ele tem qualidade suficiente para adentrar em outros cenários que não só o restritamente local. “Essa é mais uma tentativa de encontrar o espaço de Sergipe no cenário brasileiro e até mesmo mundial. Até então nosso estado importa mais música do que exporta. Por que isso acontece? É justamente para responder essa pergunta que projetos como esse são desenvolvidos. Por enquanto temos uma representação pequena. Mas vejo esse projeto como uma semente que pode germinar e, quem sabe, no futuro, dar frutos”, afirma o cantor e compositor Igor Mangueira, que participa do projeto.

A primeira fase do projeto ocorreu com oficinas, no período de 24 a 26 de setembro, que visaram uma troca de experiências, em que os ministrantes das oficinas – dentre eles o produtor pernambucano Paulo André e o coordenador artístico Patrick Tor 4 – falaram um pouco sobre a vivência e experiência que possuem, do tipo de produção que eles fazem e como é a relação do mercado com essa produção que está saindo do Nordeste. Igor Mangueira acredita que através de oficinas como estas é possível apreender dicas importantes e visualizar alguns caminhos mostrados pelos palestrantes. Segundo ele, para que o estado de Sergipe exporte sua música é necessária uma “tecnologia” mais sofisticada do que a que existe aqui atualmente.

Diretor da Aperipê FM, Edézio Aragão, pensa que a pouca valorização do artista local é decorrente do desconhecimento por parte dos sergipanos (foto retirada do http://aperipe.swapi.uni5.net/noticias/aperipe-fm/04/2033/aperipe-fm-1049-ganha-novo-diretor/)

A segunda fase do projeto ocorrerá em dezembro, juntamente com o aniversário da Rádio Aperipê, que consistirá na exportação das produções dos profissionais da música. Serão montadas duas coletâneas, uma de âmbito nacional e internacional, que dentre outros lugares vai ser levado para Dinamarca e para Feira Brasil que ocorrerá em dezembro, e outra que é um Box que será lançado no aniversário da Rádio para distribuir para as rádios do Brasil e do exterior, valorizando a produção local e fazendo com que ela saia de um nincho restrito e vá para outros ninchos de mercado.

“O sergipano não conhece direito a música sergipana, existe certo preconceito decorrente do desconhecimento”, afirma o diretor da Aperipê FM, Edézio Aragão, que também é músico. Não há como não concordar com essa afirmação, haja vista todos esses projetos no decorrer de décadas que visam à mesma finalidade: valorizar e dar visibilidade para o artista local. Um fato difícil de acreditar é o de que alguns artistas locais possuam muito mais receptividade em localidades fora do seu estado. Esse é mais um desafio que a música sergipana tem pela frente, e o projeto Sergipe Exporta Som surge como mais uma tentativa de incentivo para esses artistas.