Técnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística

Uso racional do décimo terceiro salário

Posted in Economia by micheletavares on 05/12/2010

Por Fernanda Matos 

 

 

 

Foto: Fernanda Matos, Arte: Wellington Tadeu

 

 

De um lado, estão os endividados que lamentam ter que usar o décimo terceiro salário para liquidar as dívidas, e procuram orientações de como utilizá-lo da melhor maneira. De outro, estão as pessoas que pesquisam a melhor forma de investir o benefício. Os questionamentos de ambos são diferentes mas os segredos foram esclarecidos pela mesma pessoa o versátil  empreendedor Gilson Figueiredo.

Comerciante do ramo ótico em Sergipe, há 28 anos, Gilson milita no movimento lojista sergipano, estando atualmente à frente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de Sergipe (FCDL). Nascido em Itabuna, na Bahia, é formado em administração e já esteve na presidência da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), do Conselho Deliberativo do Sebrae, onde hoje está na diretoria técnica.

Constantemente na mídia, especialmente por ser uma figura indispensável ao debate econômico, Gilson Figueiredo nos recebeu com a simpatia que lhe é inerente e falou das perspectivas da economia do estado com o pagamento do décimo terceiro salário e como o consumidor deve planejar suas contas a fim de chegar ao final do ano com folga.  

Em 2010, cerca de 74 milhões de brasileiros serão beneficiados, segundo estimativa do DIEESE, com recebimento do 13º salário. Por que o 13° salário é utilizado por mais de 50% da população para pagar dívidas contraídas no decorrer do ano? 

De acordo com o histórico do 13º, cerca de 35 a 40 % desse recurso são destinados para pagamento de dívidas, com também na renegociação das mesmas. Isso acontece por se tratar de uma renda extra, que pode ser utilizada sem comprometer os compromissos e necessidades diárias e mensais assumidas com a nossa remuneração normal. Mas, a situação que seria considerada ideal, é aquela em que o 13º fosse utilizado para gerar novas rendas, como por exemplo, a poupança, aumento de patrimônio, investimentos profissionais, ou seja, algo que contribuísse para a melhoria da qualidade de vida das pessoas afirma o administrador.    

De acordo com o DIEESE, o número de pessoas que receberá o 13º salário em 2010 é cerca de 5,85% superior ao observado em 2009. A que podemos atribuir esse aumento?

Sem dívida alguma, a criação de empregos formais no país. Seja pelo aumento dos investimentos das empresas já existentes, como também pelo surgimento de novas empresas, notadamente, os micro e pequenos negócios.

Como o pagamento do 13° salário movimenta a economia do Estado?

Podemos imaginar o seguinte: A entrada de recursos para pagamento do 13º salário, das empresas privadas, do Estado e municípios, e ainda das aposentadorias, equivale a praticamente o dobro do que seria num mês normal. Portanto, a oportunidade de geração de negócios e a circulação desse montante, que é o pagamento do 13º, é extremamente significativo para toda a atividade econômica do Estado. 

Qual o setor sergipano que mais se beneficia com a entrada do 13° salário na economia do estado?

Na verdade todos, sem exceção.  Alguns são beneficiados diretamente, como é caso do comércio. Mas, posteriormente todos usufruem dessa injeção de dinheiro no mercado. 

Qual a sua visão para o crescimento do estado para esse fim de ano?

Embora não possamos comemorar neste final de ano, as finanças do Estado, em decorrência de alguns fatores, como a queda acentuada do fundo de participação, considero que o ano de 2010 foi positivo para a economia local. No que diz respeito ao comércio varejista, deveremos encerrar o ano com crescimento de 5 a 8%. Setores como a construção civil, e automotivo irão apresentar talvez os melhores resultados dos últimos cinco anos. 

Hoje encontramos muita facilidade para comprar veículos, imóveis e  eletrodomésticos em geral, a que se deve isso?

São vários fatores, mas considero a oferta de crédito, conjugado com o aumento do poder aquisitivo das pessoas e a elasticidade nos prazos de pagamento como fatores preponderantes.  

Foto: Fernanda Matos, Arte: Wellington Tadeu

Essa abertura de crédito para a população foi preponderante para que algumas pessoas ficassem endividadas?

Sem dúvida. O aumento na oferta de crédito nos induz a querer sanar nossos sonhos e necessidades numa velocidade incompatível com a nossa capacidade de pagar. No entanto, muita oferta de crédito, com uma economia estabilizada, requer calma e planejamento para assumirmos as dívidas. 

O décimo terceiro salário é responsável direto pelo aumento de vagas no comércio e na indústria? Essas vagas criadas são temporárias?

De forma alguma. Ele é responsável pelo crescimento das vendas nesse período. Na sua grande maioria, as vagas criadas nesse período são decorrentes do aumento do fluxo de clientes nas lojas. 

Trabalhadores informais ou temporários – contratações comuns neste fim de ano – não recebem este benefício. O que eles podem fazer em relação aos gastos comuns no fim do ano?

Veja bem. Esses trabalhadores devem procurar gastar apenas aquilo que seja compatível com a sua remuneração neste período. Eles não podem seguir o exemplo dos demais trabalhadores senão podem ter prejuízos futuros, podendo ficar endividados. 

Na sua opinião, os profissionais liberais são mais organizados financeiramente do que os profissionais de carteira assinada?

Não. A organização financeira das pessoas independe da profissão. É claro que os profissionais liberais, por conhecerem a sua instabilidade financeira, devem ser mais cautelosos do que os de carteira assinada, mas isso também não é regra.    

Alguns bancos antecipam parte do 13º salário. Em que situações esse tipo de empréstimo vale a pena?

No caso das empresas, servem para não comprometer o fluxo de caixa, desde que, se possível, possa depois ser pago (o empréstimo), sem maiores dificuldades. Para os trabalhadores, é uma situação que merece uma boa análise. Isso porque, a taxa de juros do adiantamento, geralmente é alta. Basta pensarmos nos rendimentos da poupança, por exemplo, que são em média de 0,65% e de fundos de aplicação que giram entre 0,8 e 0,9%”. O adiantamento do 13º salário só se torna vantajoso, quando, por exemplo, o cliente possui uma dívida que está sob juros ainda maiores que os praticados pelos bancos, como cheque especial e cartão de crédito. 

Para quem não tem dívidas, o 13º salário pode ser utilizado para formar um fundo de reserva? Quais são os melhores investimentos hoje para aplicar o 13° Salário?

Ah, se possível, seria uma excelente opção. Dependendo do valor do seu 13º, o mercado oferece um grande número de opções para aplicação. A poupança é uma opção para quem precisa do dinheiro no curto prazo. Mas temos aplicação em ações, que oferece ao investidor um horizonte de longo prazo, cerca de dez anos, CDBs, o aumento de patrimônio, investimentos profissionais, os de renda fixa e  a aplicação no  tesouro nacional. 

Recentemente um deputado federal levantou a hipótese de acabar com o benefício do 13º salário. Qual a sua opinião acerca dessa medida, caso fosse aprovada? 

Acho que a questão não é acabar com o 13º. O que se deveria priorizar é a desoneração da folha de pagamento das empresas. Caso isso acontecesse, todos os setores seriam prejudicados, comércio, serviços, industria, uma vez que teríamos menos renda, menos consumo e menos impostos a serem arrecadados.  

Na sua opinião, existe uma fórmula para não chegar ao fim do ano endividado?

Existe. A melhor recomendação para não chegar ao fim do ano endividado é ter uma disciplina rígida quanto aos gastos, fazer um planejamento rígido na aplicação dos recursos, e um pouco de sorte para que tudo corra bem, dentro do planejado.

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É VERÃO ABAIXO DOS TRÓPICOS

Posted in Economia, Saúde by micheletavares on 28/01/2010

A temporada de férias escolares, dias longos e temperaturas altas atrai muita gente às praias, criando um comércio característico, variado e perigoso.

Por Cida Marinho

 

Não há espaço mais democrático que as areias das praias. Gente de toda classe social se rende ao mar na busca de um refresco durante o verão. Em Aracaju, como na maioria das cidades litorâneas, é possível aproveitar o dia nas mesas de um restaurante à beira-mar ou jogado na areia. O comércio informal nesse período é muito forte e diversificado, serve a quem quer matar a fome, a quem esqueceu os óculos ou protetor e até a quem quer comprar uma lembrancinha de verão.

Entre 1998 e 2008, o DIEESE- Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos constatou que o emprego com carteira assinada no país cresceu, apesar das crises econômicas atravessadas durante o período.

Sr. Durval prestes a encarar mais uma jornada de trabalho na praia de Atalaia. Foto: Cida Marinho.

 Entretanto esse crescimento não impede o aumento de assalariados sem carteira assinada. Estima-se que 20% dos assalariados não desfrutem dos benefícios garantidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Esse estudo realizado pela DIEESE não identifica um aumento anual, sem destaque para a temporada de verão, entretanto, é possível perceber o impacto que essa temporada tem na pesquisa.

Trabalhar por conta própria sem ter a carteira assinada, além de necessidade, acaba sendo a opção de muitos

brasileiros, como o Sr. Durval Moisés dos Santos, de 46 anos. Há 12 anos Durval vende amendoim nas praias de Aracaju, ele garante que trabalhar de forma autônoma é uma opção “Tem muitos empregos por aí que nem valem à pena, é melhor ficar assim mesmo”. Durval fala baseado em experiências alheias, já que ele próprio nunca teve um emprego formal. Fernando Dias de 32 anos já teve empregos formais e há pouco mais de dois anos optou pela informalidade, vendendo óculos de sol nas praias “Eu trabalhava no comércio e vendia coisas na praia com minha mãe no domingo. Depois eu fui demitido e vivo só disso aqui”.

Óculos e amendoins são só alguns produtos comercializados nas praias. VER QUADRO 1 ABAIXO. Apesar da procura pelos produtos nas areias ser mais forte no verão, o aumento na lucratividade não é tão alto “Pra quem tem família pra sustentar, não sobra muita coisa” garante Durval que já pensa no inverno, quando a procura diminui e ele tem que partir para vender o produto em outras praças.

 

RISCOS

O comércio informal de produtos falsificados mantem-se durante todo o ano graças ao interesse que as pessoas tem em adquirir produtos com etiquetas de marcas importadas (mesmo sabendo que são falsas). Durante o verão os óculos de sol falsificados tem procura ainda maior, especialmente pela facilidade de serem adquiridos nas praias; o produto certo no local certo.

Quem adquire esses produtos pensa no baixo custo e na estética, esquecendo-se da qualidade. O perigo no uso contínuo de lentes sem proteção aos raios ultravioletas agrava-se nessa época do ano. Ao estarem cobertas por lentes escuras, as pupilas dilatam-se, permitindo a entrada de mais raios solares, prejudiciais à saúde da visão, como explicou o oftalmologista Joel Carvalho em entrevista recente ao Portal Infonet.

A não comprovação da qualidade de produtos pode ser identificada também no comércio de descolorantes, bronzeadores e protetores solares. Muitos desses produtos são contrabandeados ou manipulados. Não há ambulante que admita, mas há quem coloque produtos genéricos em frascos de marcas conhecidas e bem posicionadas no mercado. Mais uma vez a clientela é atraída pelo baixo custo, mas e a qualidade?

A comerciante Marly do Nascimento de 42 anos, é freqüentadora da praia de Atalaia e consumidora assídua de todo tipo de comércio ambulante, principalmente dos descolorantes. “A gente compra sempre e nunca teve problema de nada”. Na verdade a Sra. Marly apresenta algumas manchas de sol “Praia, né? É normal”.

ALIMENTAÇÃO

Para os produtos alimentícios, os riscos à saúde são ainda mais graves. O calor do sol, por si só, já é capaz de interferir na química dos alimentos e alterar a qualidade do produto a ser ingerido. Além disso, a preparação ou armazenagem dos alimentos não passa por qualquer vistoria da vigilância sanitária, não há como garantir a boa procedência dos produtos. O Sr. Durval, vendedor de amendoim não prepara o produto “Já compro preparado, mas é sequinho, de boa qualidade”.

Entre os anos de 1999 e 2007, o Ministério da Saúde constatou, através de pesquisa, que 114 mil brasileiros tiveram algum tipo de contaminação alimentar. Não é mera coincidência a constatação de que a maior parte das contaminações ocorreu entre os meses de Janeiro e Março. Não coloquemos toda a culpa nos vendedores ambulantes, contaminações alimentares ocorrem pela manipulação e armazenamentos incorretos de alimentos, o que bem pode acontecer dentro de casa.

Mas é fato que os alimentos comercializados livremente nas praias vão de encontro a alguns princípios que o Ministério da Saúde apresenta para a manutenção de uma alimentação saudável, como demonstrado abaixo.

  • Reduza o consumo de alimentos e bebidas concentrados em gorduras, açúcar e sal. Consulte a tabela de informação nutricional dos rótulos dos alimentos e compare-os para ajudar na escolha de alimentos mais saudáveis. Escolha aqueles com menores percentuais de gorduras, açúcar e sódio.
  • Use pequenas quantidades de óleo vegetal quando cozinhar. Prefira formas de preparo que utilizam pouca quantidade de óleo, como assados, cozidos, ensopados, grelhados. Evite frituras.
    Use água tratada ou fervida e filtrada para beber e para preparar refeições e sucos ou outras bebidas.
  • Ao manipular os alimentos, siga as normas básicas de higiene na hora da compra, da preparação, da conservação e do consumo de alimentos.

 

 Os produtos comercializados durante o verão são feitos em residências por pessoas de classe baixa, sem qualquer conhecimento em nutrição e muitas vezes sem acesso a água própria para consumo. Nem mesmo as pequenas fábricas de picolés e sorvetes apresentam essa importante informação. Como esperar que esses produtos apresentem embalagens com tabelas nutricionais ou que tenham alguma garantia de salubridade?

 SALMONELLA

As bactérias são responsáveis por quase 85% das contaminações alimentares, a salmonela é a mais conhecida.

Cada alimento possui um tempo e temperatura de cocção adequados, após o preparo, os alimentos devem ser bem armazenados e mantidos em temperatura adequada para que as bactérias não se proliferem. Nas praias, sobre o sol forte, a temperatura adequada de cada alimento raramente é respeitada.

A salmonela é comum em ovos, peixes, leite e maionese caseira, produtos facilmente encontrados para consumo nas praias. Água contaminada também está na lista.

Previna-se! É possível aproveitar o verão de forma saudável sem gastar muito. A responsabilidade pela sua saúde é sua.

Cooperfec: Uma parceria que deu certo

Posted in Cidade, Economia by micheletavares on 03/12/2009

Sônia Maria Brito, presidente da Cooperfec (Foto: Elaine Casado)

Por Elaine Casado 

À presidente da cooperativa de confecção (Cooperfec) Sônia Maria de Brito, 50 anos, deve-se muita admiração. Retirante da cidade de Arapiraca (Alagoas) aos 12 anos e dona de uma alegria contagiante, é num galpão simples e necessitado de boas reformas que Sônia lidera o projeto iniciado pela Universidade Federal de Sergipe, que através da Unitrabalho, elaborou a idéia de viabilizar um curso de corte e costura em máquinas industriais para donas de casa do Conjunto Eduardo Gomes, localizado no município de São Cristóvão.  Através deste curso, as mulheres da comunidade, que apenas possuíam conhecimentos básicos de costura doméstica, puderam profissionalizar-se e assim, criar a Cooperfec, que há sete anos influencia de maneira significativa a vida das cooperadas e da própria comunidade.       

Empautaufs: Em que consiste a cooperativa?          

Sônia Maria de Brito: A cooperativa consiste em um projeto iniciado pela UFS, que disponibilizou para nós, donas de casa de baixa escolaridade e desempregadas do Eduardo Gomes, um curso profissionalizante de corte e costura em máquinas industriais com o intuito de montarmos uma cooperativa que pudesse auxiliar na nossa renda familiar. Além disso, aprendemos como trabalhar numa cooperativa e como utilizarmos o dinheiro que ganhamos em favor de todos e do próprio projeto.          

Empautaufs: Como o projeto chegou até vocês?          

SMB: A universidade começou divulgando nas paróquias e na associação de moradores do conjunto o curso de corte e costura, perguntando e recrutando as donas de casa que tinham interesse em aprender a manusear máquinas industriais. Como a maioria de nós tinha experiência em pequenos consertos de roupas utilizando a máquina doméstica, nos interessamos a participar do projeto.          

Empautaufs: Quantas pessoas trabalham atualmente na cooperativa?          

SMB: Hoje nós temos apenas quatro cooperadas no projeto. No início era 21 pessoas, inclusive um homem. No entanto, ao decorrer do trabalho a maioria dos integrantes deixou a cooperativa. Uns porque foram trabalhar em lugares que lhe rendessem um salário fixo, outros porque não sabiam trabalhar em conjunto. Além disso, algumas cooperadas que nos deixaram, levaram a experiência em máquinas industriais para trabalharem nas grandes fábricas.          

Empautaufs: De alguma forma a cooperativa melhorou a vida da comunidade…          

SMB: Eu creio que sim, pois a cooperativa acaba ajudando de certa forma as costureiras que trabalham de forma independente. Às vezes, quando elas não têm tempo ou não dão conta das encomendas e concertos que chegam até elas, somos indicadas por elas para tal concerto ou tal encomenda, pois como somos quatro, fazemos o serviço mais rápido, até mesmo na hora. Acaba sendo um trabalho de cooperação não só entre nós, mas entre toda a comunidade.          

Empautaufs: A universidade colaborou somente com os cursos profissionalizantes?          

SMB: Não, não. A UFS nos disponibilizou as máquinas de costura e também o espaço em que trabalhamos. Juntamente com a Unitrabalho, eles nos ajudaram a montar a cooperativa e arranjar o espaço para dispormos as máquinas.          

Empautaufs: O que mudou na vida da senhora com a chegada da cooperativa?          

SMB: Em termos financeiros não mudou muita coisa. Sempre tive a experiência de trabalhar como autônoma e por isso os ganhos não são muito diferentes. No entanto, acho que o que realmente mudou para mim é que aprendi a trabalhar em equipe, a conhecer e saber lidar com as diferenças. O que me deixa mais apreensiva hoje é saber que eu não conseguiria mais trabalhar sozinha. Eu aprendi com o cooperativismo que trabalhar em conjunto dá certo.          

Empautaufs: Mas a cooperativa já deve ter passado por muitos problemas…          

SMB: Sim, com certeza. Nós já passamos por vários problemas, mas creio que o maior problema que tivemos não foi a dificuldade de conseguir manter o projeto de pé por falta de capital de giro ou pelos meses em que temos pouco serviço ou encomendas. Acho que a principal barreira que já tivemos e ainda temos é saber lidar com as diferenças. Numa cooperativa, é muito difícil fazer com que todos tenham as mesmas idéias, pois cada um possui modos distintos de ver a vida.          

  

  O ser humano tem muita dificuldade de trabalhar em conjunto porque é educado para servir a um patrão.           

 Empautaufs: A senhora já pensou alguma vez em desistir do projeto?         

 SMB: Várias vezes. A própria dificuldade de lidar com as divergências já me fez pensar em desistir. Mas no final eu sempre paro e vejo que tudo isso, mesmo com todas as dificuldades, vale a pena e é por acreditar que trabalhar em conjunto é possível que continuo nesta luta.          

 Empautaufs: Entre ganhos e gastos, a cooperativa consegue se sustentar sem problemas?          

 SMB: Como somos quatro cooperadas, dos ganhos que temos com os serviços são retirados as despesas com energia e aluguel do espaço, que mensalmente giram em torno de duzentos reais e o restante é repartido igualmente entre cada uma de nós. Como toda microempresa, passamos sim por problemas financeiros, principalmente nos meses em que tempos pouco serviço, normalmente em janeiro, fevereiro. Meses como novembro e dezembro para nós são sempre muito corridos, pois como é a época do natal freqüentemente chegam novas encomendas e concertos. No entanto, mesmo naqueles meses em que quase não temos serviço, sempre conseguimos pagar nossas despesas.          

Empautaufs: A universidade contribui financeiramente com o projeto?          

SMB: A universidade juntamente com a unitrabalho nos um suporte mais gerencial do que propriamente financeiro. Eles nos ajudam no que diz respeito a questões de regulamentação, de leis em geral que não conhecemos e buscam nos auxiliar na divulgação do nosso produto, nos levando em feiras de artesanato, ou como recentemente, que nos levaram a expor e vender nossos produtos na Semana de Extensão da própria universidade. Além disso, tentam buscar novos clientes para nós.          

 Empautaufs: Como é a relação que a universidade mantém com vocês? Cobram algum tipo de prestação de contas?          

 SMB: O que eles fazem é querer saber como anda a cooperativa. Eles não perguntam diretamente quanto gastamos ou quantos ganhamos, mas procuram saber se o projeto ainda está funcionando corretamente, se estamos necessitando de alguma coisa. Enquanto tiver pessoas trabalhando e tendo alguma renda com a cooperativa, eles deixam o projeto de pé.          

 Empautaufs: Em sete anos de existência, qual foi o caso que mais marcou a senhora na Cooperfec?          

 SMB: Lembro-me de um agora que marcou não somente a mim, mas a todas as nós da cooperativa. Já passamos por cada uma… Há dois anos, o espaço em que trabalhávamos e deixávamos as máquinas de costura era de propriedade de um ex-prefeito daqui do município. Durante o seu mandato, a universidade havia feito um acordo com ele em ceder aquele espaço para nós trabalharmos e dispormos nossas máquinas durante certo período. No entanto, com o final de seu governo, ele achou por bem quebrar o acordo e cedeu o espaço para outro indivíduo. Ficamos sem ter onde trabalhar. Até que a unitrabalho o procurou para resolver a situação e ele se dispôs a pagar o aluguel de outro espaço para nos organizarmos. Porém, mais uma vez, ele quebrou a promessa e não saldou a dívida dos dois últimos meses de aluguel que era de sua responsabilidade. Resultado: como não tínhamos o dinheiro para pagar, a dona do espaço colocou pistoleiros em nosso encalço cobrando a dívida. Por sorte, a história foi parar nos ouvidos de um amigo meu que, na época tinha grande influência e hoje se tornou deputado. Ele saldou a dívida para nós e logo após, conseguimos outro espaço para colocarmos as máquinas. Pra você ver que mesmo depois de tudo isso ainda continuo nesta luta porque gosto e acredito que pode dar certo.            

É preciso conscientizar as pessoas para utilizar o SAMU

Posted in Economia by micheletavares on 15/11/2009
 

Os números de trotes ainda é grande no SAMU Aracaju, mas isso não empata o serviço de ser referência em todo o Brasil

 
 
Por Danilo Trindade
 
 

Sabia que um trote pode matar uma pessoa ou piorar o seu estado de saúde? Pois é.  O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) de Aracaju convive todos os dias com esse problema. Quando as ligações são sérias, uma vida pode ser salva. Mas, quando não, só causam transtornos e perdas incomensuráveis às equipes do SAMU, que contam com  cada segundo para salvar vidas.

Inaugurado no dia 8 de julho de 2002, o SAMU Aracaju foi o primeiro a funcionar  no país. Atendendo uma portaria do Ministério da Saúde, a qual obrigava a implantação do serviço pré-hospitalar móvel.

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Ambulância de Suporte Básico do SAMU Aracaju. Foto: Danilo Trindade

Atualmente com sete ambulâncias de atendimento básico e outras duas de atendimento avançado o SAMU Aracaju tem a quantidade suficiente determinada pelo o próprio Ministério da Saúde. Em que uma ambulância básica deve servir a cada grupo de 150 a 200 mil habitantes e uma de suporte avançado para cada 400 mil habitantes.

Cada unidade móvel tem um auxiliar de enfermagem e um socorrista. Além de três enfermeiros e dois médicos na central de regulação, 24 horas por dia. Assim funciona o SAMU Aracaju.

 “Ela acha que o SAMU é um carro, que ele vai ligar e que o carro tem que ir lá e levar ele para onde ele quer ir”

Dra. Waneska Barboza

 

O trote

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Dra. Waneska Barboza, Coordenadora SAMU Aracaju. Foto: Taylane Cruz

Em algumas ligações consegue-se perceber pelo tipo de história que é trote, como nos explica Dra. Waneska Barboza, Coordenadora Geral SAMU Aracaju, “O rapaz está aqui, enfiou não sei o que lá, não sei onde. Você acha a história estranha, então você às vezes já não dispara uma ambulância pra esse caso, você espera. Porque se você desconfiar que é um trote e você manda uma ambulância, você vai deixar de mandar para uma coisa que realmente é séria, para uma coisa que não existe” comenta.

Em muitos casos a desconfiança não parte da história contada pelo o suposto precisado e sim pelo o número de telefone que ele passa para o SAMU. Quando você liga para o serviço, o Técnico Auxiliar de Regulação Médica (TARM), ao atender sua ligação, pergunta nome, endereço, telefone e o que está acontecendo. E é na hora de passar o número do telefone, que a pessoa passa outro número totalmente diferente. Porém o atendimento não pode parar por ali. Assim continua a ligação e a pessoa começa a contar a história sem nexo.

Mas, além disso, a Dra. Waneska ressalta uma falta de conscientização por parte da população do que é o SAMU, “Ela acha que o SAMU é um carro, que ele vai ligar e que o carro tem que ir lá e levar ele para onde ele quer ir” explica. E também as pessoas muitas vezes ligam com ignorância. Exigindo que ambulância vá até o local, sem mesmo contar a história do que está ocorrendo no local.

O encaminhamento

Quando a ambulância chega ao local o auxiliar de enfermagem, que está com o condutor ou socorrista entra em contato via rádio com médico na central de regulação e explica o que está acontecendo. Assim o médico pergunta que procedimentos eles tomaram e a gravidade. Então,  este médico na central de regulação já busca informações nos principais hospitais da cidade, se tem médicos disponíveis e se o hospital tem o suporte necessário para aquele paciente segundo as descrições feitas pelo auxiliar.

Nos casos de baixa complexidade as pessoas são encaminhadas para o hospital da Zona Norte ou Zona Sul. Já em alta complexidade vão para o João Alves.

Os investimentos

É um programa que tem investimentos altos, em que maior parte do dinheiro é da própria Secretária Municipal de Saúde (SMS).

Mensalmente são gastos com o SAMU 550 mil reais em média, sendo mais extensos em determinadas épocas, como o Réveillon, o Forró Caju, o Pré-Caju, etc. Em que uma base de atendimento pré-hospitalar tem que ser montada no local da festa.

Enfim, dos 550 mil reais investidos no SAMU, “400 mil reais são da Secretária os outros 150 mil reais são do Governo Federal”, comenta Stella Mariz Moreira, coordenadora financeira da SMS. Além disso, ela explicou que os 150 mil reais que o Governo Federal envia não cobrem a folha de pagamento dos funcionários do programa.

Mesmo com o pequeno valor do Governo Federal e os 70% que a prefeitura investe, Stella Mariz nos afirmou que existem projetos para ampliação do SAMU. Como a construção de uma nova central de regulação (provavelmente para a Zona Sul) e o envio de duas novas ambulâncias por parte do Governo Federal que está em processo de licitação.

Certamente, as pessoas não têm dimensão do custo de uma vida e dos riscos que um trote pode causar. Porém uma coisa é certa: o SAMU presta um serviço de qualidade. Só resta à população ter consciência e saber utilizar o serviço, que é referência nacionalmente e dá o status à Aracaju de cidade da qualidade de vida. “Se você pergunta a população o que lhes orgulha na cidade da qualidade de vida. Duas respostas são dadas, a coleta de lixo e o SAMU” finaliza a coordenadora.

Redução do IPI aumenta as vendas de matérias de construção

Posted in Economia by micheletavares on 12/11/2009

Por Tatianne Melo

Aquecer a economia, estimular o segmento da autoconstrução, impactar a cadeia da construção civil e mudar o ânimo dos consumidores, alguns dos fatores que influenciaram o Governo Federal na redução das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), dos materias de construção. A medida entrou em vigor no mês de abril, para ajudar o comércio no período da crise financeira mundial.

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Cerâmica/ Pisos. ( Por: Tatianne Melo)

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, em conjunto com empresários dos setores de construção civil, varejo pedem a prorrogação da desoneração do IPI, até o mês de dezembro. Os empresários apresentam números do desempenho das vendas que comprovam o aumento com a redução do imposto.  O estabelecido pelo governo era que a redução aplicada sobre os e produtos de construção civil, seria extinta em novembro. O IPI – imposto que incide sobre os produtos industrializados nacionais e estrangeiros – está entre os diversos impostos inclusos nos industrializados. O único órgão responsável pela sua arrecadação é o Governo Federal, que repassa o dinheiro recolhido para os municípios.

A maior parte dos matérias da lista da redução do IPI tiveram total isenção do imposto, outros apenas diminuíram, como disjuntores, aditivos preparados para cimentos, argamassas e concreto. Os preços reduziram em aproximadamente 5%, os que mais se beneficiaram: Cerâmica (pisos), louças (vasos sanitários), tintas, chuveiro elétrico, pia inox, disjuntores.

A medida atingiu mais de 30 itens de material de construção: (Veja tabela completa com os materias afetados no final da reportagem)

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Cimento. ( Por: Tatianne Melo)

As vendas do cimento aumentaram significamente- principal e essencial material usado na construção como aglomerante. Importante commodity mundial serve até mesmo como indicador econômico- Sergipe é um dos maiores produtores nacionais, possui fabrica em Laranjeiras. Porém, apesar disso, o cimento sergipano está na lista dos mais caros do Brasil. “O preço do cimento para um estado produtor e com pequena extensão territorial, deveria ser menor, sendo que os valores dos impostos também deveriam ser revistos pelos nossos governantes, já que o cimento é um produto essencial para construção e atingi todas as classes”, declara Alanda Gois, gerente do Hiper Sales.

A procura dos consumidores por produtos baratos, nas lojas, ocorreu de imediato após o anúncio, pelo governo. “Muitos consumidores vinham até a loja querendo produtos com preços baixos logo após a medida da redução do IPI ser anunciada pelo governo. Entretanto, nós só podíamos vender os produtos com o IPI reduzido nas novas remessas. Os do estoque ainda tinham preço com IPI antigo”, conta, Alanda Gois. Diferente do Hiper Sales, em outra loja a diminuição dos preços foi instantânea. “Em parceira com as fábricas remarcamos e reduzimos os preços dos materias no outro dia a decisão, no intuito de alavancar as vendas, pois o mês de abril é de baixa temporada”, informa Noêmia Lucas, gerente de Recursos Humanos.

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Alanda Gois, gerente do Hiper Sales

A chegada do mês mais quente do ano, o verão, o fim do ano e o recebimento do 13º salário, aliados com a redução do IPI faz com que a tão sonhada construção ou reforma do imóvel torne-se realidade. Segundo pesquisas, o aumento das vendas entre os meses de setembro a janeiro pode atingir até 20%. A comerciante, Maria Dilsa, aproveitou as diversas vantagens para reformar o banheiro de seu apartamento. “Há tempos espero pela reforma do banheiro social do meu apartamento, sempre algo atrapalhava, mas com todas essas vantagens decidir não adiar mais”, confesa.

MATERIAL REDUÇÃO DO IPI
Cimentos aplicados na construção 4% para 0%
Tintas e vernizes dos tipos aplicado na construção 5% para 0%
Massa de vidraceiro 10% para 2%
Indutos utilizados em pintura 5% para 2%
Revestimentos não refratários do tipo dos utilizados em alvenaria 5% para 0%
Aditivos preparados para cimentos, argamassas ou concretos 10% para 5%
Argamassas e concretos para construção 5% para 0%
Banheiras, boxes para chuveiros, pias e lavatórios de plástico 5% para 0%
Assentos e tampas, de sanitários de plástico 5% para 0%
Caixas de descarga e artigos semelhantes para usos sanitários ou higiênicos, de plásticos 5% para 0%
Pias, lavatórios, colunas para lavatórios, banheiras, bidês, sanitários, caixas de descarga, mictórios de porcelana 5% para 0%
Pias, lavatórios, colunas para lavatórios, banheiras, bidês de cerâmica 5% para 0%
Grades e redes de aço, não revestidas, para estruturas ou obras de concreto armado ou argamassa armada 5% para 0%
Outras grades e redes de aço, não revestidas, para estruturas ou obras de concreto armado ou argamassa armada 5% para 0%
Pias e lavatórios, de aços inoxidáveis 5% para 0%
Outras fechaduras; ferrolhos 5% para 0%
Partes Cadeados, fechaduras e ferrolhos 5% para 0%
Dobradiças de qualquer tipo (incluídos os gonzos e as charneiras) 5% para 0%
Outras guarnições, ferragens e artigos semelhantes para construções 10% para 5%
Válvulas para escoamento 5% para 0%
Outros dispositivos dos tipos utilizados em banheiros ou cozinhas 5% para 0%
Disjuntores 15% para 10%
Chuveiro elétrico 5% para 0%
Impermeabilizantes 5% para 0%
Cadeados 10% para 0%
Registros de gaveta 5% para 0%
Telhas de aço 5% para 0%
Revestimentos cerâmicos não vidrados nem esmaltados 5% para 0%
Revestimentos cerâmicos vidrados ou esmaltados 5% para 0%

 

 

* ERRATA: Reportagem atualizada em 12/11/09, para correção de informações.

Natal aquece o comércio

Posted in Economia by micheletavares on 11/11/2009

 
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Natal/Foto:Fernando Quadro

Lucros da data são os melhores do ano

 

Por: Adler Berbert

O Natal é a temporada anual do consumo, e pouca gente escapa – ou mesmo deseja escapar – de dar presentes. Passada a crise econômica a expectativa é para um natal gordo. Pelo menos R$ 140 bilhões, quase 20% a mais que no ano passado, deverão ser despejados na economia até dezembro. De olho nos dados, as lojas já ampliaram em até 20% as encomendas. Todo esse movimento econômico em torno do mês de dezembro se materializa, principalmente, em empregos. Segundo pesquisas, das mais de 120 mil vagas temporárias previstas para serem abertas no Brasil, nos setores de comércio e de serviço, 33 mil deverão ser ocupadas por pessoas que nunca trabalharam.

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) da capital sergipana, Samuel Schuster, calcula aumento de 5% a 8% nas vendas este ano. Esse aumento deve-se, segundo ele, em grande parte a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) da linha branca que foi prorrogado. Para garantir ainda mais movimento nas lojas, a entidade distribuirá 80 mil prêmios no período. “È o primeiro ano da campanha Natal premiado da CDL. Serão vários prêmios, entre eles, laptops, televisão, celulares. Espero com isso aumentar ainda mais o movimento do comércio”, contou ele. 

O shopping Jardins já está em clima de Natal também, as lojas começam a se preparar. Traçam estratégias de divulgação e de promoções para atrair mais público. “O Natal é a melhor data do ano para o comércio. Começaremos a divulgação e a ornamentação natalina no dia 12 de novembro”, informa Adélia Vieira, assistente de marketing do shopping.

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Shopping Jardins/Foto:Adler Berbert

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Alexsandra, líder da loja/Foto:Adler Berbert

Na C&A, uma das lojas âncoras do shopping Jardins, a líder da loja, Alexandra Santos, explica que a meta da C&A é sempre vender mais que o ano passado para isso a loja investe em decoração, divulgação e funcionários temporários. “A contratação desses funcionários é feita no mês de dezembro e em alguns casos ocorre a efetivação do funcionário na loja, resultado de uma boa performance do contratado”, graceja.

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C&A/Foto:Adler Berbert

 

Se as lojas já estão se preparando para os festejos natalinos, já tem consumidores aguardando ansiosamente para as compras dos presentes. “Amo o Natal, esse espírito de bondade que nos seduz de presentearmos uns aos outros. Ano após ano, compro presente para toda a minha família. E espero que esse ano as lojas tragam boas promoções, pois meu 13º já está comprometido com as minhas compras”, conta Márcia Oliveira, vendedora.

O pequeno Lucas Silva, 7 anos, espera que esse ano ganhe muitos presentes. “Quero uma bicicleta e um computador. Esse ano me comportei muito bem e espero que Papai Noel seja bonzinho comigo”, afirma.

Papai Noel, árvores enfeitadas, pisca-pisca e muitos presentes, o Natal está chegando. O aniversário de Jesus inspira as pessoas a se presentearem e as lojas agradecem. Saber planejar as compras é um item imprescindível para passar as confraternizações de fim de ano com as contas em dia e guardar dinheiro para os tradicionais gastos de janeiro. Então, juízo e boas festas!

 

Simse vai até o dia 08 de novembro

Posted in Economia by micheletavares on 05/11/2009

Terceira edição do Simse promete recorde de público

Por: Daniel Nascimento
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Envento acontece até o dia 8 de novembro no CIC - Por Daniel Nascimento

O Salão Imobiliário de Sergipe, Simse, chega a sua terceira edição e reúne várias empresas sergipanas do ramo. Entre os dias 04 e 08 de novembro cerca de 40 empresas, entre imobiliárias, construtoras, financiadoras, bancos e outras, se reúnem no Centro de Convenções de Sergipe (CIC) em Aracaju.

Segundo Alexandre Porto, organizador do evento, o primeiro dia superou as expectativas. 1600 pessoas passaram pelo CIC no dia, 15% amais que a abertura do ano passado. O evento realizado pela Associação dos Dirigentes das Empresas do Mercado Imobiliário – Sergipe (ADEMI-SE) e Êxito Eventos, que conta com o patrocínio do Governo de Estado e a Prefeitura de Aracaju, já movimentou cerca de 100 milhões de reais na sua edição anterior. Espera-se superar em 20% a marca do volume de negócios do ano passado. Ainda segundo Porto, mais de 80 empreendimentos diferentes estão disponíveis para comercialização, sendo 20 inéditos.

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1600 pessoas visitam primeiro dia do Simse

Em sua primeira edição, cerca de cinco mil pessoas passaram pelo local, oito mil na segunda, e espera-se um fluxo de dez mil pessoas durante os cinco dias. O crescimento do Salão e a sua importância pro mercado imobiliário é refletido na afirmação do diretor do evento: “Praticamente todas as empresas tem participado das três edições, ás vezes uma fica de fora por falta de produto, mas o comum é a participação de todas em todos os anos, mudando apenas os seus projetos de stands, em alguns anos maiores e mais sofisticados e em outros anos mais simples”, afirmou Alexandre Porto.

Devido à crise o evento cresceu menos do que poderia. “Em função da crise econômica algumas construtoras não puderam participar, outras construtoras reduziram seus stands”, diz Porto. Mas para o ano que vem espera-se uma melhora no mercado, já notada há algum tempo.

Novidades no Salão

Além da nova data, tão desejada pelos empresários do setor, que deve ser mantida nos próximos anos, o Simse traz novidades. Segundo os organizadores, os visitantes terão surpresas no evento. A entrega do Prêmio Ademi também faz parte da programação. Esse ano, também estão presentes empresas de materiais de construção e moveis.

O salão fica aberto todos os dias das 14 às 22 horas. “É importante que as pessoas possam vir o quanto antes, muito do que estava disponível já acabou hoje”, afirma Porto. Cerca de 20% a 30% dos empreendimentos já foram fechados.  O fato de o evento reunir várias empresas é citado por casais um dos fatos que os levaram a esperar até o salão para comprar imóvel. Outro atrativo é o programa do governo federal “Minha casa, Minha vida”. “Quem vir antes tem mais oportunidades de fazer um bom negocio”, conclui Porto.

Mais trabalho na construção

Apesar do desaquecimento da economia, geração de postos de trabalho na construção civil mantém crescimento, afirma boletim do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (DIEESE). Segundo o documento, depois de um período de imobilismo, o ramo tem contratado cada vez mais funcionários. Esse crescimento deve-se a medidas do Governo Federal que aqueceram o setor, como a continuidade dos investimentos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e as reduções de impostos, principalmente o IPI.

No primeiro semestre de 2009, a ocupação na Construção Civil cresceu 2,1% nas regiões investigadas pelo Sistema Pesquisa de Emprego e Desemprego (Sistema PED). E o programa “Minha Casa, Minha Vida” promete aquecer ainda mais o setor.

Greve dos Bancários e consequências na economia

Posted in Economia by micheletavares on 22/10/2009

por Manoela Veloso

Situação da Greve

Onde acontecem as Assembléias

Onde acontecem as Assembléias

Desde o dia 24 de setembro de 2009, está acontecendo a greve dos bancários. Na Conferência Nacional, realizada entre 17 e 19 de julho desse mesmo ano, o Sindicato dos Bancários formulou uma proposta contendo as reivindicações da categoria. A rejeição por parte da Federação Nacional de Bancos (FENABAN) causou o início da greve.

 

As reivindicações incluem aumento de 10% nos salários, fim do assédio moral, das cotas abusivas, uma nova formulação da lei de segurança bancária e admissão de funcionários.

O único setor das agências que aderiram à paralisação a funcionar durante a greve é o auto-atendimento. A situação dos clientes complica mais a cada dia pelo acúmulo de necessidades como saques de altas quantias, como um tipo de aposentadoria em que se juntam várias mensalidades, por exemplo.

 

Desde o dia 9 de outubro os bancos privados e o Banco do Brasil voltaram a funcionar. A pressão sobre os funcionários dos particulares é maior, o emprego não é tão estável quanto nos públicos, por isso o sindicato concordou que aceitassem as propostas negociadas. Inclusos entre elas está um aumento de 6%, o que supera a inflação em 1,6%. Já a administração do BB superou as demais ofertas. Para conseguir a volta imediata do funcionamento, lançou uma proposta de aumento de 9% e admissão de 10 mil novos funcionários além de 3 mil novos aprendizes.

 

assembléiaSegundo José Souza, presidente do Sindicato dos Bancários de Sergipe, há pressão por parte dos usuários do serviço bancário dos que ainda continuam em greve, nem toda população reconhece como justas as reivindicações da categoria, apesar de a aceitação e solidariedade de alguns clientes serem percebidas. Também existem reclamações dos serviços prestados pelas agências normalmente, queixas pela demora do atendimento e até mesmo para entrar nas agências com a instalação das novas portas de segurança.

Diariamente circula pela cidade um carro de som sinalizando a continuidade da situação de paralisação. Essa decisão tem sido tomada constantemente nas Assembléias dos Bancários realizadas na sede do sindicato.

 

Mesmo nos três bancos que não voltaram suas atividades cotidianas, nem todas as agências estão fechadas, como é o exemplo da agência da Caixa Econômica em Maruim. Essas relações de participação não são constantes, por isso os grevistas passam o dia transitando entre as suas agências e conversando com os funcionários, e até mesmo convencendo alguns daqueles que não aderiram à paralisação.

 

A todo o momento há tentativas de conversa e negociação. As administrações da Caixa Econômica, do BANESE e do Banco do Nordeste não estão cedendo. Na reunião de conciliação puxada pelo Ministério Público do Trabalho por ocasião do dissídio coletivo, a administração do BANESE nem aceitou assinar as proposta que já divulgara.

Dois desses bancos tentaram “ilegalizar” a greve com esta proposta de dissídio coletivo, que a princípio deveria ser feito em concordância entre as duas partes do conflito. O dissídio consiste em deixar nas mãos do judiciário a decisão do resultado da manifestação, e está em processo de análise.

 

Conseqüências na economia

 

Os bancos são órgãos protagonistas na economia. Representam um meio de crédito e transações, relações que são fundamentais para se manter no mercado rápido e competitivo que vivenciamos.  

 

Os funcionários da Assembléia Legislativa, por exemplo, podem sentir na pele uma das conseqüências da greve, seus salários devem ser retirados na “boca do caixa” em agência do BANESE. Há alguns dias tem crescido a movimentação deles para apressar as negociações.

No histórico de greve da categoria, o reajuste salarial representa 46,7% das reivindicações, segundo pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE).

Um grande impacto que uma greve como essa pode causar é um impulsão na economia. Luis Mauro (DIEESE) lembra que levando em conta que uma das exigências dos bancários é o aumento do salário, como conseqüência haverá um aquecimento no comércio local com o aumento da circulação de dinheiro. Ele também defende que não haverá efeitos negativos na economia, de modo que a greve não está afetando nem os preços da cesta básica ou itens de primeira necessidade.

 

ARROZ E FEIJÃO: De vilões a heróis

Posted in Economia by micheletavares on 16/10/2009

por Danilo Trindade

Certamente você lembra que no ano passado o preço do arroz e do feijão assustavam os consumidores. Hoje é surpresa entrar no supermercado e perceber que esses mesmos produtos são heróis na cesta básica nacional. Em setembro de 2008, a crise mundial atingia os países ricos, enquanto isso o presidente do nosso país dizia que a crise era apenas uma marola. Na virada do ano, a crise aperta o nosso país ao invés dos preços dos alimentos subirem eles caíram e continuam caindo.

 A trajetória da quedaDSC01573

 “A crise mundial não influência diretamente na queda do preço dos alimentos. A influência que ela tem é pequena e mesmo assim em produtos de exportação”, explica o economista Rosalvo Ferreira Santos. No caso do arroz, um dos principais produtos de exportação nacional, a queda foi inevitável. Mas, qual seria a razão para a queda do preço do feijão?

Segundo o economista, fatores como, a proximidade com a produção, superprodução e renda baixa da população local seriam as possíveis causas da queda do preço do feijão. “Outro ponto é o fato da livre concorrência do campo até as feiras livres e supermercados em que contribui para a queda do preço”, explica.

 

  Setembro 2008 Janeiro 2009 Julho 2009 Agosto 2009 Setembro 2009
1 kg Feijão R$ 4,40 R$ 3,32 R$ 2,07 R$ 2,02 R$ 1,94
1 kg Arroz R$ 2,40 R$ 2,48 R$ 1,93 R$ 1,83 R$ 1,70
Cesta Básica R$ 176,05 R$ 184,48 R$ 173,47 R$ 168,06 R$ 164,50

Fonte: DIEESE (Departamento intersindical de estatística e estudos socioeconômicos)

As pessoas estão aproveitando?

Um gerente de uma rede de supermercados de Aracaju, que não quis identificar-se, explicou que mesmo os produtos em baixa não existe um acréscimo na quantidade de vendas do supermercado e sim uma manutenção da demanda.  “É muito raro produtos da cesta básica sofrerem algum tipo de promoção. Uma vez ou outra um item pode ir a promoção. Pois esses produtos são tidos como o carro chefe da rede de supermercado”, comenta.

A manutenção na compra desses produtos pode estar ocorrendo por parte dos consumidores, mas esse barateamento na cesta faz com que as pessoas procurem outros itens no supermercado. “Quando sobra um dinheiro acabo comprando outros produtos, como um chocolate e outras coisinhas mais”, avalia a Dona de casa Delma Maria dos Santos.

Entretanto, o consumidor pode exagerar um pouco na compra de outros produtos, mas o senso de pechincha não se perde. “Posso exagerar quando sobra um dinheiro, mas pesquiso na feira e no supermercado. Quando não posso ir à feira e só compro no supermercado e percebo que as coisas estão caras eu só levo a quantidade que estou precisando no momento e uma semana depois retorno para buscar o resto”, defende Dona Delma.  

 O atual vilão

Nem tudo são flores. O preço do açúcar atualmente está bem amargo, e isso tanto o gerente do supermercado e a dona de casa Delma Maria perceberam. Comparado com o mesmo período do ano passado segundo dados do DIEESE, um quilo de açúcar custava R$ 1,49, hoje custa R$ 1,91.

A dona de casa aponta o açúcar como o principal vilão. Já o gerente do supermercado afirma que além dele outros produtos como, carne e farinha também podem ser considerados os vilões da cesta básica. “O aumento do preço do açúcar a população percebeu facilmente porque foi uma mudança bruta, enquanto a carne e a farinha sofrem oscilações”, disse.

 

  Julho 2009 Agosto 2009 Setembro 2009
1 kg Açúcar R$ 1,69 R$ 1,66 R$ 1,91
1 kg Carne R$ 11,90 R$ 11,76 R$ 12,28
1 kg Farinha R$ 2,01 R$ 2,00 R$ 1,95

Fonte: DIEESE

Um banho de água fria

Hoje o feijão e o arroz são heróis, porém quando a exportação do arroz voltar a ser significante e o tempo não ajudar, é promessa do arroz e do feijão retornarem a lista dos grandes vilões. “A cesta básica pode estar relativamente barata, mas é o preço do arroz e do feijão subir que desestabiliza tudo. Os dois são os principais itens para uma redução ou não da cesta básica”, explica o gerente.

Enquanto esse banho de água fria não chega, as pessoas aproveitam para encher o carrinho de supérfluos e torcem para as coisas se manterem como estão. Mas de quem é o prejuízo? “Se os agricultores cobrirem o valor investido na produção, ninguém tem prejuízo, mas caso contrário, eles estão no prejuízo”, finaliza o economista.

A venda de Automóveis e a redução do IPI

Posted in Economia by micheletavares on 13/10/2009

E você? Já comprou seu carro novo?

Por Eloy Vieira

Ano de crise global, bancos quebrando, países entrando em recessão, milionários perdendo fortunas e o brasileiro comprando carro novo. É isso mesmo! Com a redução do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI), muitos brasileiros, incluindo os sergipanos, foram atrás do sonho do carro zero.

Daisy Pequeno, bancária, foi mais uma dentre as pessoas que compraram seu carro zero durante esse período, ela alega que já estava com vontade de trocar de carro, mas, só concretizou quando viu na redução do imposto uma oportunidade de adquirir um veículo com mais opcionais, como ar-condicionado e direção hidráulica. “Eu nem ia trocar de carro, não pesquisei antes, mas decidi aproveitar a redução”, comentou.

A bancária acredita que o governo influenciou o consumo, facilitando a venda dos carros novos impulsionando a economia. Mesmo assim, quando questionada sobre a compra de um próximo carro, Daisy não foi otimista: “Não tenho planos para o próximo carro gastei boa parte de minhas economias”.

Mas afinal, o que é o IPI?

O IPI, instituído desde 1965, é um imposto brasileiro de responsabilidade do Poder Executivo, ou seja, é um imposto federal. Ele incide tanto em produtos nacionais quanto em estrangeiros. Além disso, é considerado um ‘imposto seletivo’, pois o governo, através de suas políticas econômicas, pode taxar um produto a fim de incentivar ou refrear o consumo.

Traduzindo do ‘economês’, o formando em Ciências Econômicas e já graduado em Ciências Contábeis, Emilton Vieira, esclarece que todo produto industrializado traz este imposto imbutido. “Em alguns produtos (esse imposto) pode chegar a 50%. Para o governo, isso é uma fonte de receita, para o consumidor é mais um item que encarece o preço final”, explica.

Carro com IPI reduzido e emplacamento grátis numa concessionária em Aracaju (Foto: Normélia Vieira)

Carro com IPI reduzido e emplacamento grátis numa concessionária em Aracaju (Foto: Normélia Vieira)

A venda de carros e a redução do IPI

Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), só no primeiro semestre de 2009 foram vendidos quase 1 milhão e meio de veículos, o que representa um aumento de 3% em relação ao mesmo período do ano passado.

Desde o começo deste ano, o imposto sobre a produção de automóveis ficou reduzido a zero, mas essa redução estava somente prevista para o primeiro trimestre do ano, justamente quando a indústria automobilística diminuiu sua produção (temendo a crise econômica) e quando as pessoas começaram a correr atrás de seu carro zero.

Apesar de nosso presidente ter anunciado que a crise era só uma marolinha, segundo Luiz Claudio Oliveira, gerente de concessionária em Aracaju, atuante no ramo há 18 anos, enfatiza: “A crise nos afetou e (…) o governo foi muito rápido, parabéns ao governo, botou um soro pro veneno, ou seja, ele veio com a redução do IPI”.

Já no segundo semestre deste ano, com a prorrogação depois da correria no trimestre anterior, as vendas continuaram subindo e então se prorrogou mais outra vez, durando até o último mês de setembro. De acordo com Luiz Claudio, o governo fez a coisa certa, pois, mesmo que beneficiasse a todos, outra prorrogação poderia trazer desconfiança por parte dos consumidores.

Ele ainda destaca que mesmo que o governo tenha anunciado que o IPI vá recuperando seu patamar de 7% sobre o produto, lembra que 2010 é ano de eleição, e deixar um imposto que atue diretamente sobre o cidadão comum é uma medida muito impopular. “Minha opinião é: antes do final do ano a isenção (do IPI) volta, ou, ele (o governo) define novas alíquotas com valores menores para que os preços reduzam”, alega Luis quando questionado sobre as expectativas sobre as vendas em 2010.

Segundo Emilton Vieira, esperar que o governo conceda outro período de redução não faz muito sentido, pois, mesmo sendo eleição, acredita que o poder executivo não abriria mão de um imposto tão significativo como este. Mas em um ponto ambos concordam, a redução da taxa foi importante.

Eles reconhecem que de fato as vendas de automóveis foram alavancadas, garantindo muitos empregos, tanto no setor industrial quanto no setor comercial, tentando assim afastar o fantasma da crise que tanto assombrava o mundo até pouco tempo atrás. Emilton vai além, ressalta que apesar de positiva, a medida é uma renúncia fiscal, ou seja, o governo federal reduz sua arrecadação, logo, de algum modo esse rombo tem que ser coberto. “O Brasil se beneficiou, mas na economia tudo tem dois lados, o ônus e o bônus, por isso o governo não vai devolver o Imposto de Renda agora, (…) quem paga é o contribuinte”, conclui.

Por Eloy Vieira