Técnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística

De cientista política à benfeitora social

Posted in Comportamento, Educação, Entrevista, Politica Pública by micheletavares on 15/12/2010

A jovem universitária que com um projeto simples, pretende incluir milhares de jovens carentes de sua cidade natal no mercado de trabalho.

Por Matheus Alves

A baiana Emily Couto, idealizadora do projeto "Inclusão e Cidadania" - Arquivo pessoal

Uma iniciativa inusitada, é assim que podemos classificar o projeto “Inclusão e cidadania”, onde milhares de jovens de comunidades carentes terão a oportunidade de fazer um curso de língua estrangeira para serem inseridos no mercado de trabalho, durante o período da Copa de 2014. Uma ideia simples, que acaba por se tornar um divisor de águas no futuro de muitos jovens e suas famílias. A autora desta ideia é baiana de Itabuna, residente no estado de Sergipe a incompletos três anos, estudante de Ciências Sociais na Universidade Federal de Sergipe e com o sonho de se tornar uma cientista política renomada. Essas são algumas das características peculiares da jovem de 21 anos, Emily Couto, que hoje já planta as sementes que deseja colher no seu futuro. Ela obteve recentemente aprovação de seu ambicioso projeto em sua cidade natal, almejando que seu projeto se estenda também para a capital sergipana.

Emily nos recebeu em sua residência para uma conversa com um tom informal e amistoso para esclarecer um pouco mais sobre o seu projeto, sua visão sobre política, sua carreira acadêmica, seus sonhos e expectativas.

 

Dentre tantas opções de curso, porque ciências sociais?

Escolhi ciências sociais por dois motivos. O primeiro foi que eu tinha vontade de trabalhar com política, por causa de minha família e o segundo foi porque, sempre tive facilidade nas humanas. Então escolhi ciências sociais por causa desses dois aspectos.

Quais são seus objetivos como cientista política?

Ganhar dinheiro (risos), trabalhar na área de política como assessora política e na elaboração de projetos.

Quando percebeu que tinha um interesse pela política?

Na realidade o meu interesse pela política começou quando ocorriam os processos eleitorais. Eu queria compreender o que é o parlamento, compreender o que é um partido, pra poder não ser massa de manobra.

Como seus pais lidam com sua escolha? Eles te incentivam?

Então, no primeiro momento não. Porque é um curso que não tem propaganda. O curso que meus pais queriam que eu fizesse era direito ou na área de saúde. Porque acreditam que o retorno financeiro é mais rápido.

O que te levou a querer desenvolver esse projeto?

O projeto, o nome é “Inclusão e Cidadania”. Nós estávamos em uma reunião com um partido e nessa reunião surgiu a possibilidade de se criar um projeto social dentro de Itabuna que fosse trabalhar com a juventude. E que esse trabalhar com a juventude teria que despertar no aluno a vontade de se inserir no projeto como meio de alcançar um trabalho ou pelo menos um componente curricular. Então, sai pensando no projeto. O que seria possível criar dentro de Itabuna e que o jovem tivesse interesse? Porque pensar em trabalhar com a juventude menos favorecida, que chega com mais facilidade à questão de drogas, violência e prostituição, você tem que pensar “é, o único meio de alcançar esses jovens é por dois aspectos; ou um projeto que emocione, que trabalhe as relações afetivas. Ou um projeto que vá trabalhar e/ou dar chance a ele de se inserir no mercado de trabalho”. Então eu comecei a pensar nisso. Chego em casa, sentei, parei de pensar e vi a propaganda da copa do mundo. E ai falei “Pronto! O projeto já está armado em minha cabeça. Eu vou fazer um projeto que envolva a copa do mundo”. E foi quando surgiu, conversando com um amigo, a ideia de criarmos um projeto que trabalhasse com idiomas de atendimento ao público estrangeiro. E fomos à prefeitura, perguntando se seria possível criar um projeto de língua estrangeira dentro de comunidades de índice de violência grande, o prefeito falou que seria, mas questionou, qual seria o objetivo?…

No caso, então seria um projeto para a copa de 2014?

Exato. E ai pensamos em como iria ser desenvolvido esse projeto de língua estrangeira. E um dos pré-requisitos para esse projeto foi à elaboração de um convênio entre hotéis, entre parceiros políticos e agencias aéreas. Foi o primeiro aspecto a ser pensado.

Como funciona o projeto?

Então, o projeto ele tem a previsão de durar dois anos, aulas aos sábados. Três horas de aulas seguidas. Com dois tipos de metodologia, que é a prática da fala e a prática da escrita. O projeto tem três línguas estrangeiras, que é o inglês o francês e o espanhol. Os professores foram selecionados de acordo com a experiência na língua e a formação acadêmica. As metodologias das aulas poderiam chamar de uma copia bem feita de vários cursos de renome, como o Wizard, ACE, CCAA, entre outros.

Quantas pessoas estiveram envolvidas para a realização dele?

Nós temos hoje um quadro de 16 professores mais quatro coordenadores. Esses coordenadores são distribuídos por área. Então no caso, são três idiomas, fica um coordenador geral mais três em cada área; inglês francês e espanhol.

O que te levou a querer desenvolver esse projeto?

Em 2002, minha família se mudou para Itabuna, saímos de uma cidade com pouco mais de 12 mil habitantes que era Uruçuca uma cidade pequena e com alto índice de violência envolvendo jovens e crianças. O fato da violência simbólica ou física contra jovens é algo que fico angustiada. Quando pensei em fazer ciências políticas queria trabalhar na área de assistência a juventude, durante esses três anos de curso visitei  poucas vezes Itabuna sempre pensando em uma possível ideia para melhorar o quadro social da cidade.  Constatava a falta de projetos de inclusão do jovem no mercado de trabalho, Fui convidada pelo presidente da juventude de um partido para ajudar na campanha de um candidato a deputado com ótimas ideias para mudança da criminalidade entre jovens. Comovida com a violência em Itabuna e vendo jovens de minha idade sendo mortos por causa do trafico, resolvi procurar o prefeito de Itabuna para oferecer o projeto Inclusão e Cidadania para trabalhar com juventude.

Em quantos projetos você esteve envolvida durante seu curso?

Estive envolvida em dois projetos sociais. É interessante deixar claro assim, de que muita gente pensa que ciências sociais é um curso que ele tem a formação para ajudar ou modificar a sociedade. E ciências sociais é um curso que lhe ensina a conhecer a estrutura de um determinado fato, mostrando causas e efeitos e só. Ele não tem o aspecto de assistência social. Tem que ficar bem claro de que ciências sociais é totalmente diferente de serviço social. E ai é quando eu fujo um pouco da formação acadêmica, de que eu estou sendo formada para analisar uma estrutura da sociedade e não para fazer um projeto social de modificar essa sociedade.

Pode falar um pouco de cada um deles?

o primeiro foi desenvolvido em uma casa de candomblé aqui em Aracaju. Que é o projeto “Inclusão Digital”. O projeto atende a 100 jovens entre 15 a 29 anos, foi um edital que nós conseguimos através do Governo Federal, ele distribui computadores, mesa, e você tem que ter o espaço físico e tem que ter os professores para atender esses jovens. Esse projeto de inclusão social é um projeto que não é recente, ele vem sendo estimulado pelo governo federal há alguns anos. E nós conseguimos por dois motivos, um porque o projeto estava muito bem elaborado e o outro foi pela quantidade de vagas que o governo ofereceu pro estado de Sergipe. E o segundo projeto é esse que a gente está desenvolvendo na Bahia, que é o “Inclusão e Cidadania”, que é para trabalhar com língua estrangeira

E o que pretende depois? Quero dizer, depois que se formar, o que planeja?

Então, isso ai é uma dúvida, né? Porque interesses e sonhos são muitos. Mas a gente sabe que alem da dificuldade do mercado de trabalho, a outra dificuldade é a falta de experiência no campo. Minha formação me permite trabalhar em sala de aula e que eu também posso trabalhar na área de assistência política, na área de pesquisa. Então, eu pretendo que eu consiga um trabalho em uma dessas áreas, ou na área de pesquisa ou na licenciatura mesmo.

Falando de política. Como você encara o atual cenário político do país?

Se a gente for pegar do ponto de vista macro, tem muita coisa a se falar. Em outros aspectos é a força que o Lulismo tem aqui no Brasil de conseguir quebrar um preconceito ou, eu poderia classificar como preconceito mesmo, da chegada da mulher no poder. Então você tem um governo em que 80% da população aprova, você coloca ai que 60% dessa população, ela é de classe baixa e classe média, então você encara isso como um fato histórico politicamente, pegando da trajetória de Lula, de que foi um operário, de que entrou na política no país, onde tem-se a ideia de que o presidente tem que ter um nível superior, podemos encarar uma mudança no comportamento social, que a capacidade não está ligada à formação acadêmica.

E nossa juventude? Como você analisa a relação dela com a política?

A juventude não se preocupa com os efeitos que a política pode causar em sua vida. Observo que a falta de preocupação é um fator que vem da formação educacional, os jovens não são despertados para compreender quais os motivos que eles devem se preocupar e participar da política. Os partidos criaram a ala jovem para incentivar a filiação e a participação da juventude na política, mesmo com esses mecanismos a participação da juventude militante ainda é precária.

Pretende seguir carreira política algum dia?

Quando era mais jovem imaginava que a carreira política fosse algo fácil de administrar, quando comecei a trabalhar nos bastidores da política percebi que não tenho características pessoais para dedicar a ser representante do interesse coletivo.

Falta de estrutura no Departamento de Comunicação da UFS prejudica alunos

Posted in Educação by micheletavares on 08/11/2010

Estudantes estão revoltados e cobram melhorias

Por Valldy de Cruz

 

Foto http://www.google.com.br A imponente Universidade Federal de Sergipe

Prestar vestibular. Entrar na faculdade. Realizar seu sonho. São muitos os estudantes que sonham em chegar a universidade. Porém, muitos deles não imaginam que quando chegam lá as coisas não são bem como disseram ou imaginaram. E o sonho torna-se um pesadelo. O misto de frustração e tristeza é inevitável. Sentem imponentes e passados para trás. É justamente assim que inúmeros estudantes dos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Audiovisual estão se sentindo com a defasagem da estrutura do Departamento de Comunicação Social (DCOS), da Universidade federal de Sergipe (UFS).

Disciplinas sem professores, falta de aparelhos e espaços físicos para realização de aulas práticas já fazem parte da rotina de quem está na UFS buscando a realização de um sonho antigo. Os que estão lá há muito tempo sabe como é a realidade do DCOS e os calouros que estão ingressando na Universidade Federal de Sergipe, aos poucos, percebem que a realidade é bem diferente da vista por quem fica do lado de lá dos muros do imponente Campus, localizado no Jardim Roza Elze, em São Cristóvão.

As reclamações são infinitas, mas as soluções nem sempre chegam e se chegam, acontecem a passos lentos. Estudantes estão desolados com a situação do departamento. Professores reclamam da falta de um espaço para eles e para ministrar suas aulas de forma melhor, com mais rendimento, e alunos pedem melhoras para um melhor aproveitamento dos cursos.

Liliane Nascimento, estudante do 2º período de Jornalismo, disse que até os calouros já percebem os problemas no departamento. “Isso porque muitas vezes a aprendizagem fica comprometida pela falta de materiais para algumas aulas práticas, livros disponíveis na BICEN ou ainda – e o que considero mais grave – pela falta de professores para algumas disciplinas”, afirma. Um estudante, que não quis se identificar, desabafa: “A situação atual do departamento é preocupante. Isso pode trazer um prejuízo irreversível ao andamento dos cursos. É uma falta de planejamento administrativo da UFS inquestionável. É um desrespeito aos estudantes. O mais grave é que não vemos o adequado diálogo da instituição para com a resolução precisa e imediata dessa situação danosa”.

O professor do DCOS, Fernando Barroso, admite que a situação das instalações é precária e que uma das causas está diretamente ligada a expansão que a UFS vem enfrentando. “Isso é o preço que estamos pagando por um processo de expansão que a UFS está enfrentando. Esse processo possibilita que mais pessoas possam ter acesso ao ensino superior nas universidades públicas. A UFS expande, mas isso não ocorre com a mesma velocidade (ou quantidade) de criação de espaços físicos e laboratórios”, comenta.

Ele argumenta a necessidade de salas para os professores, assim como de laboratórios e salas de aulas especiais. “As necessidades só em parte são atendidas. Mas os professores são qualificados, têm titulação de doutorandos ou doutores, pesquisam, etc. De modo que falta muito. Mas também tem algumas conquistas”, aponta

Acusação x defesa

Para a professora Sônia Aguiar, o Departamento de Comunicação avançou em termos de estrutura, desde sua nomeação, em março de 2009. “Naquela época o cenário era sombrio, pois não tínhamos nenhum espaço próprio para as aulas da área de comunicação, o que dificultava até a nossa solicitação de equipamentos. Mas ainda nos faltam outros espaços adequados ao desenvolvimento de nossas múltiplas atividades de ensino, pesquisa e extensão, como uma sala de projeção e um miniauditório multimídia, de forma a atender as especificidades dos cursos de Audiovisual, Jornalismo e Publicidade e Propaganda”, informa.

Etienne diz que os estudantes dificilmente são atendidos pelo DCOS

Etienne Fonseca, estudante de jornalismo, 4º período, confessa que os alunos raramente conseguem ser atendidos pela secretaria do departamento. “Apesar de ter comunicação no nome, esse é uma das palavras que menos descreve o DCOS. Quando é preciso de algo no departamento, a gente raramente consegue ser atendido. Ninguém sabe onde está determinado professor, qual sala ele vai dar aula. O pior de tudo é que o departamento é longe de todas as didáticas, ou seja, a gente vai até lá, não resolve o que precisa resolver e ainda perde um tempo enorme”, lamenta.

O estudante ainda comenta que o curso de Jornalismo passa por problemas estruturais. “Esse ano, por exemplo, o curso ofertou uma aula de laboratório em uma das salas da didática 2. Quando os alunos chegaram lá para ter a aula, a sala já estava sendo ocupada. No semestre passado, a gente tinha aula de Planejamento Visual e estava previsto para usarmos o laboratório na segunda unidade. Mas, como a aula era sábado, não tinha como usar o laboratório, pois ele permanecia fechado nos finais de semana. Tem matérias esse semestre que foram ofertadas e até hoje estamos sem professor. Tem matéria que tem professor, mas ele não aparece em sala de aula. E quanto aos equipamentos, os próprios professores têm que trazer de casa, porque são muitas turmas para um número de projetores reduzido”, desabafa.

O Presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE–UFS), Antonino Cardoso, falou da luta do diretório para sanar os problemas que acometem os estudantes. “Temos feito muitas reivindicações a reitoria, mas temos concentrado nossa atuação no que se refere a falta de professores, falta de condições da biblioteca, nas salas de aula, na construção de novos laboratórios, e na estruturação dos cursos, nas políticas de assistência estudantil. Sei que o departamento de comunicação é, por conta do crescimento do curso e pela própria criação de novas modalidades de curso em comunicação, um dos que tenha muitos problemas”, enfatiza.

 

Foto http://www.aracaju.se.gov.br Antonino diz que o DCOS nunca dialoga com o DC

Quando indagado sobre a falta de professores, o presidente do DCE foi direto: “Falta de professor é um problema da maioria dos cursos da UFS, mas nós do DCE não temos feito uma luta especifica por curso, no que tange a ausência de professores. Temos cobrado da reitoria e da pro – reitoria de graduação a efetivação imediata dos professores concursados e da contração de novos substitutos”.

Segundo Antonino, durante a realização da I Bienal de Arte, Ciência e Cultura, que aconteceu no período de 27 de agosto a 3 de setembro, realizamos no Restaurante Universitário (RESUN) um ato e denunciamos para o conjunto da comunidade acadêmica a falta de professores. A ação deu resultado e dos 40 professores concursados 36 já foram efetivados e ainda não foram contratados novos substitutos por conta do processo eleitoral em vigor.

Disciplinas sem professores

As disciplinas que estiverem com o título “Professor a ser indicado”, no site do Departamento de Administração Acadêmica (DAA), poderão permanecer assim até o final do período 2010/2, anunciado para encerrar no dia 16 de dezembro. A situação ainda é mais grave para alunos prováveis concludentes, que possam estar necessitando de disciplinas para complementar os créditos finais, como é o caso dos alunos de Radialismo. A situação preocupa estudantes, em decorrência da legislação eleitoral N° 12.232/2010, que prevê a não contratação de professores no período de eleições.

 

No mês de agosto, através de ofício repassado aos departamentos e centros da instituição, a Gerência de Recursos Humanos da UFS (GRH) enfatizou a impossibilidade de admissão de professores: “Quanto às novas contratações, mais uma vez lembramos que estamos no ano eleitoral, atentos as normas que devem nortear as condutas dos agentes públicos federais neste período (90 dias antes e 90 dias após o pleito). Todas as solicitações de contratação de professores substitutos, inclusive as realizadas e homologadas após 02.07.2010, ou seja, dentro do período citado, não poderão ser realizadas”,diz trecho do documento.

De acordo com a gerente de Recursos Humanos da UFS, Teresa Lins, o problema não se trata da falta de organização dos departamentos e da universidade. “Cada semestre recebemos com antecedência a oferta de disciplinas, sendo solicitados possíveis professores efetivos e substitutos por cada departamento. Acontece que, muitas vezes, algumas disciplinas acabam extrapolando o número de alunos, sendo necessário abrir vaga para outras turmas. Com isso, recebemos vários pedidos de contratação”, explica. Teresa conta que com o período eleitoral fica complexo administrar as contratações da carga docente. “Como estamos em um momento eleitoral, torna-se muito mais difícil manter a autonomia em contratar esses professores substitutos ou efetivos” acrescenta.    Ainda de acordo com a gerente, as medidas cabíveis para que os alunos não saíam com maiores prejuízos já estão sendo tomadas. “Para que pudéssemos realizar a incorporação dos professores neste momento, tínhamos que encaminhar uma solicitação para o Ministério da Educação (MEC), que seria transformado em Decreto e apresentado ao Presidente da República”, esclareceu. Com a decisão aprovada, imediatamente o GRH recorrereu ao processo de admissão dos docentes. “A solicitação já foi realizada e provavelmente os novos professores já assumiram suas funções ou assumirão nos próximos dias”, salienta.

Ela ressaltou também que os alunos não sairão prejudicados. “Infelizmente temos um atraso de disciplinas, mas garantimos que os alunos não terão prejuízos, como a perda do período. Faremos o possível para encontrar saídas ao direcionamento dos alunos na universidade”, conclui.

A equipe de reportagem do Empauta UFS tentou contato com a assessoria de comunicação da UFS para ouvir a posição do reitor, Josué Modestos dos Passos Subrinho, mas a assessoria não se pronunciou. A chefe de Departamento de Comunicação Social da UFS, professora Messiluce Hansen também foi procurada, mas não se manifestou.

Vestibular: ninguém disse que crescer seria uma tarefa fácil

Posted in Comportamento, Educação, Vestibular by micheletavares on 26/10/2010

Em todo o país milhares de estudantes enfrentam o impasse de determinar o rumo da sua vida profissional.

Por Maíra Araújo

É chegada a hora em que a cabeça do futuro universitário se torna alvo de uma dúvida que atinge a grande maioria: a escolha da carreira que vai seguir.  Nesse momento muitas coisas precisam ser postas na mesa para ponderar a situação. Primeiro é necessário que o estudante perceba com qual área ele se identifica, afinal o mercado dispõe de inúmeras delas. Essa resposta ele pode conseguir no dia a dia dos seus estudos, percebendo qual a matéria que ele mais gosta e com a qual se sente melhor estudando.

A partir dessa percepção é que ele pode direcionar para qual curso ele vai concorrer. Por exemplo, um aluno que normalmente prefere estudar química ou matemática tem mais chances de futuro em cursos como as Engenharias. Já aquele estudante que se identifica mais com história e português tende a procurar fazer cursos como Direito, Letras ou Comunicação Social. Posteriormente é que o aluno tende a pensar no lado rentável da profissão, pois no mercado de trabalho tem carreiras que o retorno financeiro é mais rápido que em outras.

(Foto: Arquivo pessoal)

(Foto: Arquivo pessoal)

“As possibilidades de trabalho no futuro e a afeição com as matérias me fizeram escolher o meu curso. Eu só  consigo me ver fazendo isso. Mas  também pesou a questão financeira, pois eu acho que a gente deve escolher uma profissão que tanto dê prazer quanto retorno financeiro”, disse o aluno Victor Emanoel Souza, que já está decidido a prestar vestibular para o curso de Medicina.

 

(Foto: Arquivo pessoal)

Já o aluno Adolfo Meneses confessa que para ele foi uma escolha difícil, visto que sua  primeira vontade era cursar Medicina, mas resolveu mudar para Odontologia, sua segunda opção, por  conta da alta concorrência do primeiro, mas também pela identificação com o segundo.

Antigamente a carreira era tida como um fardo que você era obrigado a carregar, ou seja, escolheu está escolhido e não tem mudança. Hoje não é mais assim. Faz tudo parte de um contexto, de um sentido, e é onde a pessoa vai começar a traçar sua vida. Essa escolha não precisa ser um fato consumado. Em algumas instituições a escolha do curso em si não é feita no momento da inscrição. O aluno se inscreve em Comunicação Social, por exemplo, e depois de dois anos é que ele vai aprofundar o seu estudo em Jornalismo, Publicidade ou Radialismo. Por um lado isso é bom para aquele estudante que ainda não sabe ao certo o que fazer. Por outro pode prejudicar uma decisão que se fosse feita com convicção no começo iria formar um profissional que teve melhor aproveitamento do curso. Mas qual seria o momento certo para optar por determinado curso? De certa forma a resposta para essa pergunta é relativa. Muitos estudantes deixam pra decidir em cima do momento da inscrição, mas a grande maioria decide algum tempo antes. “A opção feita já vem de um trabalho anterior quando ele começa a se destacar em determinadas disciplinas. Então o aluno chega ao ensino médio, principalmente no terceiro ano que é o ano decisivo, já sabendo o que quer. Setenta por cento dos nossos alunos já entram no ensino médio decidido”, ressalta Jairton Guimarães, diretor geral do Colégio Ideal.

É indiscutível que esse é um passo muito delicado na vida do vestibulando. Para passar por essa fase ele precisa encontrar total apoio na família, independente da decisão que vai ser tomada. É dever da escola acompanhar de perto   a situação e orientar os pais e familiares para que eles não interfiram, mas sim que apóiem os seus filhos.

Muitas vezes os familiares procuram um acompanhamento psicológico, que pode ser encontrado na própria escola ou fora dela. Os psicólogos trabalham com o chamado teste ou orientação vocacional. Porém esse teste não é uma resposta à dúvida do aluno, ele funciona muito mais como um auxílio que faz o vestibulando ver sobre determinados pontos a qual área ele está mais apto. De forma alguma essa orientação pode condicionar o querer e o gosto por essa ou aquela graduação.

A sensação de dúvida pode acompanhar uma pessoa não só durante a escolha do curso, mas também na sua vida acadêmica. Não é só pelo fato de o estudante ter ingressado na faculdade que ele irá se sentir realizado. Muitos dos que já estão dentro do ensino superior questionam se de fato sentem-se satisfeitos. Tal satisfação pode ser vigorada por meio de diálogos com pessoas mais próximas, com profissionais já consolidados no mercado de trabalho ou pelo método do teste vocacional. O importante é que no final de tudo não restem incertezas para que tenhamos profissionais qualificados no mercado, independente da área que lhe pareceu mais atrativa.

Teste vocacional: http://www.oportaldosestudantes.com.br/testevoc.asp

Curso Profissionalizante: o diferencial do profissional

Posted in Educação by micheletavares on 26/10/2010

Tecnológos são mais valorizados em mercado de trabalho do que Graduados

por Cláudia Oliveira


O mercado de trabalho cada vez mais competitivo busca jovens e adultos qualificados e prontos para exercerem funções especificas nas empresas, que pretendem ganhar destaque em seus negócios. Por isso nos últimos as instituições que oferecem cursos profissionalizantes e técnicos tendem a se multiplicar por todo o Brasil. Segundo informações da pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatístic (IBGE), em 2007, e que está divulgada no site do Ministério da Agricultura, o plano de expansão, lançado em 2005 pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, prevê a construção de 214 escolas técnicas no país, das quais 82 já estavam funcionando até o ano da pesquisa do IBGE. O plano também espera que até o fim deste ano, as vagas passem para 500 mil, o que duplicará a oferta de vagas de nível técnico se os números forem comparados aos de 2007, cenário da pesquisa.

Atualmente a instituição que é tida como referência brasileira em educação profissional é o Senac, que tem por missão educar para o trabalho em atividades do comércio de bens, serviços e turismo. A entidade foi criada pelo decreto-lei nº 8.621, em 10 de janeiro de 1946, e desde então assumiu a vanguarda no campo profissionalizante aberta a toda sociedade.O Senac está presente em todos os Estados da Federação e possui o reconhecimento nacional e internacional por sua proposta pedagógica e desenvolvimento nas ações dos cursos ofertados nos eixos tecnológicos: Ambiente, Saúde e Segurança, Apoio Escolar, Gestão e Negócios, Hospitalidade e Lazer, Informação e Comunicação, Infra-Estrutura, Produção Cultural e Design. Em Sergipe a entidade oferece além dos cursos nos eixos tecnológicos citados anteriormente, Educação a Distância, Programa Alimentos Seguros, Pós-graduação a distância e Cursos de Extensão.

Adalberto Souto, Líder de Processo Banco de Oportunidades

A analista de formação profissional do Senac Irna Oliveira, esclareceu que para ingressar na entidade o interessado deve ter no mínimo o Nível Médio completo. Ela ainda colocou que os cursos técnicos oferecidos em Aracaju circundam as áreas de enfermagem com duas turmas; nutrição com uma turma; logística com duas turmas; eventos com uma turma; guia regional com uma turma e técnicas transações imobiliárias também com uma turma.

 

 

 

 

 

Socorro Melo, Gerente de Núcleo Pedagógico

A programação dos cursos ofertados é quadrimestral, ou seja, a cada quatro meses uma nova programação é lançada com datas e horários diferenciados, valores da mensalidade e números de vagas. A última programação de 2010 iniciou em setembro e tem previsão para o término em dezembro. Os eixos tecnológicos são diversos e aproximadamente 30 alunos são matriculados por turma, com exceção do eixo de informática, que só possui capacidade para 15 alunos, devido ao pólo de Aracaju só ter 15 computadores disponíveis.

 

 

 

 

 

Irna Oliveira, Analista de Formação Profissional

Segundo informações da secretária da entidade há um controle de evasão e desistência. Caso o aluno desista do curso já iniciado, é necessário que ele assine um termo indicando o motivo por qual quer se desligar do curso. Este controle é feito para identificar se a evasão e desistência estão ligadas ao nível de satisfação do alunado.
A gerente de Núcleo Pedagógico do Senac, Socorro Melo, explicou que o processo para que um curso seja ofertado é simplificado, entretanto cercado de cuidados. Inicialmente é feita uma pesquisa de mercado, que aponta a demanda necessária para a qualificação de profissionais, em seguida a proposta é apresentada ao Conselho, que aprova ou não o curso pleiteado e só então se iniciam as turmas. Sendo que após a aprovação busca-se a contratação dos professores e aquisição do material didático.

Socorro Melo ainda disse que o carro chefe da entidade é o curso de Informática, pois segundo ela, por ser a área mais cobrada do profissional sempre é preciso esta qualificação. Ela acrescentou que a modalidade Educação a Distancia tem a cada 15 dias encontros presenciais.

 

 

 

equipe pedagógica SENAC

Adalberto Trindade Souto, líder de processo Banco de Oportunidades do Senac informou que o aluno após fazer o curso pode se inscrever no cadastro do Senac, espaço utilizado por empresas, que buscam profissionais formados pela instituição para serem absorvidos por sua empresa. Ele destacou que no 1º semestre de 2010 foram 200 empresas que buscaram o a entidade para contratar profissionais formados pelo Senac. “São diversos o ramo das empresas que buscam o Senac para absorver profissionais para si. Podemos apontar como o que mais solicitam: Hotelaria e Hospitalidade, seguido de Gestão e Negócios”, finalizou.

A maioria das pessoas que buscam o Senac são profissionais que já atuam na área e buscam uma especialização. Socorro Melo aponta isto ao fato dos cursos técnicos não só trabalharem a parte teórica, mas também enfatizar as aulas práticas internas e externas.

 

 

aula do Curso de Eventos

Irna Oliveira destaca que o curso de Radialismo será reaberto no próximo ano e que está na fase final para estruturar a área do local de aula. Ela também coloca que está prevista a abertura do curso de Secretariado. “O mercado necessita de profissionais qualificados e os formados em cursos técnicos são valorizados pelo mercado porque nestes cursos há a parte da vivência da profissão”, diz Irna.

 

 

 

 

 

 

“Depende muito da atividade em que estejam inseridos. Por ser um curso mais rápido do que o superior, o profissional às vezes procura fazer o técnico para se estabilizar no mercado e só depois busca uma formação superior. O curso de maior duração do Senac tem dois anos, quanto o de menor duração tem um ano”, explica Adalberto Souto, quando questionado sobre a procura de jovens e adultos pelos cursos técnicos.

A aluna Joelita, estudante de Eventos, disse que buscou a instituição porque queria ter uma formação, além do 2º grau e como o Senac oferece cursos de curta duração acabou se decidindo pelo de Eventos, por achar que este setor vem se destacando no Estado. Ela ainda disse que o curso é bem melhor do que ela esperava. “Adorei todo o material fornecido ao longo das aulas. A gente até já fez uma simulação de um evento, onde tínhamos que organizar e colocá-lo em prática como se fosse para valer.”

Onde você deixa seu filho quando vai trabalhar?

Posted in Educação by micheletavares on 11/05/2010

Cresce a procura por creches devido ao aumento da participação feminina no mercado de trabalho

Por: Lorena Larissa

 

 

Andressa Rosa e sua filha Maria de Fátima Foto: Lorena Larissa

Todos os dias são assim: a pequena Maria de Fátima, 5 anos, passa o dia todo na creche e a mãe, Andressa Rosa que trabalha como diarista das 8h30 às 16h30, diz estar acostumada com esta rotina apesar de sentir muita falta da filha. Mas ela não tem outra opção já que precisa trabalhar para garantir o sustento da família.“Minha filha esta aqui na creche desde os quatro mêses de idade porque eu não tenho com quem deixá-la e essa foi a única opção que eu encontrei para poder trabalhar. Saudade a gente sente né, mais fazer o quê? O bom é que ela gosta de vir pra cá, gosta das ‘tias’, dos coleguinhas de sala e eu também não tenho do que reclamar, só tenho a falar coisas boas daqui”, diz ela.

Assim como Andressa, são muitas as mães que vivenciam esta mesma situação em nosso país, que força um grande contingente de mulheres a ausentar-se de casa para contribuir com o sustento familiar. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que a força de trabalho feminina passou de 2,8 milhões para 22,8 milhões de pessoas entre 1940-1990, aumentando sua participação na população ativa do país de 19% para 35,5%. O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) mostra que de 1989 até 1996 essa taxa cresceu aproximadamente 8,9%.

A maioria das mães que deixa seus filhos em creches é formada por mulheres que trabalham como empregadas domésticas, muitas delas ao menos possuem o ensino fundamental ou médio completo. As crianças são descritas como oriundas de classe social de baixa renda com carências afetivas, alimentares, culturais, emocionais e de lazer. Segundo Maria de Lourdes Santana, coordenadora e voluntária da creche Dom José Vicente Távora, a grande maioria das famílias atendidas pela instituição são da grande Aracaju (Laranjeiras, Riachuelo, São Cristovão). “Geralmente são crianças de origens humildes, muitas moram em vilas ou em habitações de apenas dois cômodos. São frutos de famílias desestruturadas, meninos criados por mães solteiras ou pela avó, ausentes da figura paterna, são vitimas de maus tratos, passam ou já passaram fome enfim, crianças carentes de um afeto, atenção, compreensão”, explica ela.

Foto: Lorena Larissa

A creche Dom Távora é uma instituição filantrópica que atende crianças de dois a cinco anos de idade, e juntamente com a Escola Estadual Euvaldo Diniz Gonçalves (crianças de seis a nove anos) oferece cuidados e educação aos filhos de mães que trabalham o dia inteiro, resolvendo assim o problema desses pais que não tem com quem deixar essas crianças. Hoje a creche atende a cerca de 180 crianças, é equipada com oito salas de aula, banheiros, quadra de esporte, cozinha, refeitório, almoxarifado, além do pátio onde os pequenos podem brincar, ver televisão, correr, pular amarelinha, etc. Em relação às vagas a diretora diferentemente do que estamos acostumados a ver no nosso país, afirma não ter problemas quanto a isso: “A creche está voltada para a mãe que trabalha, se for doméstica  traga uma declaração, se não for apresenta a carteira de trabalho, se existir vaga, o que acontece na maioria das vezes, a matricula logo é feita.”

Capacitação do Profissional

A questão da habilitação adequada do professor que atua nas creches é um dos pontos prioritários para quem vai procurar uma creche, tendo em vista a sua especificidade. Ainda hoje, no que diz respeito à formação dos professores na Educação Infantil, temos uma situação bastante complexa. Em termos de números, há ainda uma parcela de profissionais que atuam na Educação Infantil com a formação abaixo da desejada: incluindo o meio urbano e rural, temos de um total de 94.038 profissionais de creche,  1,2% (1.204) com o fundamental incompleto e 3,9% (3.714) com o fundamental completo. Nas pré-escolas, de um total de 309.881 profissionais, também incluindo o meio urbano e rural, são 0,3% (1.173) com o fundamental incompleto e 1,6% (5.170) com o fundamental completo. O que conseqüentemente só compromete a qualidade das ações desenvolvidas com e para as crianças, evidenciando também um descompromisso das políticas públicas com o exercício de uma profissão das mais importantes: o de professor (a) de crianças de até 6 anos. De acordo com o Censo Demográfico de 2000 do total de 15.756 docentes atuando em creches do nordeste, 874 possuíam ensino fundamental incompleto, 1.649 ensino fundamental completo, 12.070 médio completo e 1.163 superior completo, o que configura que cerca de 14% das funções docentes que atuam em creches no Brasil têm formação inferior ao ensino médio. Na creche Dom Távora os auxiliares contratados são todos estudantes de pedagogia nível superior não completo, e os professores do estado são todos pós- graduados.

Rotina de uma Creche e relacionamento com os pais

O que norteia a rotina diária de uma creche é a prática pedagógica adotada por ela. Cada elemento da rotina pretende proporcionar à criança uma experiência diferente, alternando entre atividades calmas e agitadas, individuais ou grupais. A educadora relata que a creche funciona em período integral, de segunda a sexta-feira. Em geral, as crianças chegam por volta das sete horas da manhã, e já vêm alimentadas de casa. Às nove horas eles lancham e vão para as atividades pedagógicas, às nove e meia todos tomam banho, escovam os dentes, vestem a roupinha e as onze vão para o refeitório almoçar. Logo após, vão para a sala onde dormem até as 13h30. Quando acordam lancham um suco, uma fruta e vão para as oficinas. A mesma consiste em aulas de ballet, música, pintura, aulas de educação infantil, religião, etc. Depois das oficinas eles trocam de roupa, jantam e vão para casa.

Foto: Lorena Larissa

O relacionamento da creche com os pais é de extrema importância. “São feitas reuniões pelo menos uma vez por mês com a presença de palestrantes que abordam temas diversos. Além disso contamos com o auxilio do conselho tutelar que ajuda a trabalhar com esses pais, para que haja uma conscientização das regras, principalmente no que diz respeito ao horário de entrada e saída dos alunos”, relata a diretora. É claro que é fundamental que exista uma interação entre a creche e a família, que as tarefas realizadas com as crianças sejam conhecidas e que os convites para a participação de determinadas atividades sejam atendidos pela família. Contudo, embora a comunicação seja freqüente, ainda não existe uma real integração creche- família, até mesmo por que muitos desses pais não têm tempo para ir nesses encontros, por conta de seus serviços.

Foto: Lorena Larissa

Problemáticas e o voluntariado

Vale ressaltar ainda as diversas problemáticas enfrentadas pelas creches do nosso estado. A necessidade de recursos materiais, humanos e financeiros são os principais pontos citados por Maria de Lourdes, coordenadora de uma dessas instituições. Ela sonha com a ampliação da creche e com a construção de um dormitório para as crianças que atualmente dormem em colchonetes espalhados pela sala, para proporcionar maior conforto e dignidade a essas crianças que ela trata como verdadeiros filhos. A diretora acredita que a educação na primeira infância é a base de tudo e que quando se dá uma educação desde cedo, é menos um na rua. “O poder público deveria investir mais na educação. Se cada um fizesse um pouquinho e se os governantes investissem mais nesses pequenos, amanhã pouco precisaria se investir tanto em presídios”, desabafa.

É importante notar que as instituições reconhecem a necessidade de inserir, em seu quadro de funcionários, profissionais de nível superior de várias especialidades tais como: psicólogos, pedagogos, assistentes sociais, nutricionistas e etc, para um melhor funcionamento de suas atividades. A Creche Dom Távora conta com a presença de uma pediatra e de uma psicóloga, todas voluntárias, mais ainda não tem uma nutricionista. A diretora relata a necessidade de se ter um cardápio, já que é ela, os professores e as próprias cozinheiras que montam o cardápio de acordo com o que se tem: “ A nutricionista aqui somos nós”, comenta.

A creche também conta com a presença de voluntários que ajudam na rotina da instituição Um estudante de economia da Universidade Federal de Sergipe que prefere não se identificar, é voluntario há três meses e diz desenvolver atividades recreativas com as crianças três dias na semana. Ele dá aulas de cidadania justamente para mudar a rotina de suas atividades didáticas. “Pelo que eu percebi, eles tinham uma vivência na comunidade em que eles moram que não é de muito bom agrado: muitas danças, mania de colocar apelidos, brincadeiras violentas para eles era muito normal. E eu como fiquei assustado com isso comecei a tentar ‘melhorá-los’, eu estou fazendo a minha parte e acho que não adianta você reclamar tanto do governo e da própria sociedade se você não faz nada para mudar o futuro das nossas crianças”, finaliza.

Foto: Lorena Larissa

Assim como Maria de Fátima, muitas outras crianças dividem a mesma experiência e a mesma carência afetiva. As crianças da creche expressam comportamentos variados e surpreendentes. Um fato muito comum quando se chega um visitante é que as crianças saem correndo ao seu encontro, puxam assunto, mostram um machucado, chamam para brincar, elas adoram abraçar, beijar e sentar no colo dos adultos, e em questão de segundos esses se tornam seus ‘tios’ e ‘tias’. Neste momento, esses pequenos em geral estão querendo além de uma atenção especial serem ‘tocados’. Qual criança não gosta de colo e aconchego? Esses meninos e meninas expressam-se como crianças capazes e disponíveis de oferecer o afeto que parecem reivindicar. Por isso é necessário que a sociedade se questione: até que ponto essa ausência materna nos primeiros anos de vida influencia no comportamento e no futuro desenvolvimento emocional e social dessas crianças?

 

TV Pública no Brasil enfrenta dificuldades, mas as perspectivas são boas.

Posted in Educação by micheletavares on 02/12/2009

Jornalista e Professora Dra. Ana Ângela Farias Gomes, do curso de Audiovisual da Universidade Federal de Sergipe

Por Taylane Cruz

Quando o assunto é TV Pública, o Brasil ainda está longe dos modelos europeus, que oferecem à população um conteúdo de difusão da cultura. São raras as emissoras que oferecem uma programação na qual o principal objetivo seja o fomento à cultura e à formação educacional e cidadã das pessoas.

Muito se confunde em relação aos objetivos e propostas das TV’s Estatais e das TV’s Públicas.  Há, porém, uma enorme diferença entre as duas. E quem explica isso é a jornalista e professora Dra. Ana Ângela Farias Gomes, do curso de Audiovisual da Universidade Federal de Sergipe, que atualmente leciona as disciplinas de História do Audiovisual e Argumento e Roteiro e desenvolve, em parceria com alunos, produção de vídeos e curtas na área do audiovisual.

 

Empautaufs: Qual a principal diferença entre uma TV Pública e uma TV Estatal?

Ana Ângela: O ideal seria que não existisse diferença entre TV Pública e TV Estatal. O ideal seria que uma TV Estatal tivesse uma função pública, porque, qual a lógica da TV Pública? É a prestação de serviço público através de uma grande mídia, que é a televisão. A TV Pública se baseia no conteúdo educativo, de difusão cultural, não é paga por propaganda, não tem como objetivo a audiência, o lucro.  Pois bem, sendo assim, uma TV ligada ao Estado deveria ter total apoio e financiamento para difundir essa prestação de serviço. O Estado deveria atuar como investidor da TV Pública.

 EMP.UFS: Num país como o Brasil, qual a importância de uma TV Pública?

AA: Enorme. Porém relegada. Infelizmente, no Brasil, as pessoas não têm noção dos seus próprios direitos porque, se elas tivessem , fariam uma movimentação contra a programação das TV’s abertas que trabalham com concessões públicas e fazem as barbaridades que fazem. Uma TV Pública tem um papel fundamental porque a vida de todo indivíduo hoje em dia é ligada pelos meios de comunicação, ela faz parte da nossa vida vinte e quatro horas por dia. Mesmo que eu não assista TV, ainda assim, sou fortemente influenciado por ela. A TV constrói opinião, transforma gostos, multiplica ou faz aparecer culturas, tem muito poder. Então a TV Pública é a possibilidade de se construir algo em favor do país, e não em favor do lucro, dos donos das grandes TV’s. É a possibilidade de fazer uma programação voltada para o cidadão, programas que falem sobre a saúde, sobre os direitos de cada um, sobre o meio-ambiente. A TV Pública é um passo muito importante, mas que está sendo pouco visto.

 EMP.UFS: De que forma a população pode estar ligada à TV Pública?

AA: Seria muito interessante se houvesse mais divulgação, mais investimento na questão tecnológica para que as pessoas pudessem receber esse canal com mais facilidade, não precisando pagar por isso (lembrando que a maioria das TV’s Públicas só tem acesso aquelas pessoas que possuem sinal por satélite ou TV a cabo). Para aproximar mais as pessoas da TV Pública o essencial seria uma maior divulgação da programação, fazer com que o telespectador conheça melhor o conteúdo, divulgar as suas propostas.

 EMP.UFS: O que impede essa divulgação?

AA: Eu acho que o governo tem outras prioridades.

 EMP.UFS: A senhora acha que, em Sergipe, há condições de se difundir a TV Pública?

AA: Eu acho que todo lugar tem. Só é preciso uma estratégia de marketing e alimentar nas pessoas a necessidade de uma TV Pública. Por exemplo, fazer com que os sergipanos entendam que a TV Aperipê é nossa, que a programação é voltada para as produções locais, que as pessoas devem assistir. Mostrar que a TV Pública vai refletir a realidade de todos, explorar nossas manifestações culturais.

 EMP.UFS: De que forma a universidade está envolvida com a TV Pública, aqui em Sergipe?

AA: É algo muito salutar e que nós vamos tentar desenvolver. Há uma boa-vontade enorme da TV Aperipê em abrir espaço para a universidade. Ano que vem nós estamos com um projeto para tentar uma parceria. Vamos ver.

 EMP.UFS: Quanto ao audiovisual, a produção de documentários, qual o espaço que ocupam na TV Pública?

AA: A TV Pública é o lugar. Em termos de TV aberta, o lugar que o audiovisual tem para tentar atuar, tentar se mostrar é na TV Pública. É ela que incentiva a produção independente, a produção local. Ela estimula uma produção além do eixo RIO-SÃO PAULO. Então é na TV Pública que as manifestações audiovisuais locais têm seu espaço.

 

“Só não envelhece quem já morreu”

Posted in Comportamento, Educação, Extensão by micheletavares on 01/12/2009

“Só não envelhece quem já morreu”

por Eloy Vieira

“Desde cedo já estive ligada aos grupos vulneráveis”, falou Noêmia Lima ao descrever seu interesse pelo estudo sobre os idosos. Ela contou que seu primeiro estágio foi na área de saúde mental, em seguida adentrou no âmbito da Psiquiatria, e, há mais de 20 anos, desde 86, formou um grupo de estudos em que se aprofundou nas áreas de políticas públicas e da saúde. A atual coordenadora do Núcleo de Pesquisas e Ações da Terceira Idade (NUPATI). Noêmia Lima, concedeu, simpaticamente, um entrevista sobre a relação entre o idoso e a sociedade atual.

Professora Noêmia Lima, durante a entrevista no Nupati. Foto: Eloy Vieira

EmpautaUFS: Idoso, velho, senhor… Como a gente deve se dirigir a uma pessoa de mais idade?

Noêmia Lima: Primeiramente, para qualquer pessoa, seja jovem, adulta, idosa, madura… é pelo nome. O nome é a coisa mais importante que a gente carrega ao longo da nossa vida. As pessoas ficam preocupadas: “aquele velho”, aquele “velhinho”… Muitos não gostam de ser chamados nem de senhor. Mas foi entre as décadas de 70 e 80 que apareceu uma terminologia para identificar uma pessoa com mais de 60 anos em países em vias de desenvolvimento, e com mais de 65 em países desenvolvidos. Mas há a divisão por idades: primeira, segunda e terceira, mas agora já temos até a quarta idade e inclusive a quinta idade, os centenários estão aí demonstrando isso. Mas o certo mesmo é chamar de velho, mas essa palavra é carregada de preconceitos, por isso todo mundo evita ser chamado de velho, mas aqueles que estão conscientes de sua condição não têm receio.

EmpautaUFS: Justamente sobre a imagem pejorativa da velhice que há na nossa sociedade… o que se pode fazer para reverter essa imagem?

Noêmia Lima: É o que está sendo feito atualmente, pois antes o velho ficava no asilo, na cadeira de balanço. Esse estereótipo de velhice que temos ninguém quer assumir. Mas com aumento da população idosa, com o envelhecimento do Brasil, tudo isso devido ao avanço da tecnologia, da medicina, das comunicações, a gente hoje tem uma qualidade de vida diferenciada, pelo menos na parte urbana. Com isso o idoso passou a parecer, não só de forma quantitativa, mas também qualitativa. O idoso é um cidadão, a única diferença que tem em relação ao jovem é quantidade de anos que ele carrega, mas com isso ele já ganha experiência. O caminho é o idoso assumir seu protagonismo, assumir seu papel como cidadão de direito. Mas se o idoso não assume sua idade, não começa a exercer seu papel de sujeito nessa história ele passa despercebido.

EmpautaUFS: A senhora já comentou que o próprio idoso fica inativo, mas o que se pode fazer para que o próprio idoso previna essa inatividade?

Noêmia Lima: Muitos idosos já podem ser chamados de “aposentados ativos”, pois muitos aposentados se mantêm no emprego, até porque muitos deles sustentam as famílias, são provedores; muitos inclusive só saem do trabalho por causa da chamada ‘expulsória’, pois a lei que pessoas a partir de 70 sejam ‘convidadas’ a deixar seu trabalho, pois pela lei, é proibido pessoas nessa faixa etária continuarem a trabalhar. Apesar de que ainda há uma parcela de pessoas nessa faixa etária que alegam já ter trabalhado muito e não querem saber mais de trabalho. Mas ainda há outros que tem outros projetos de vida, pois se você não tiver nenhum projeto de vida, aí sim você fica inativo e dependente. O que é pior, com a inatividade e a dependência, em pouco tempo, o idoso morre.

EmpautaUFS: A senhora comentou há pouco instante a mudança na pirâmide da população, segundo o IBGE “a projeção estatística é de que, em trinta anos, a proporção de idosos brasileiros, isto é, passará de 7,8% da população para 15%”. A senhora acha que um país como o Brasil está preparado para receber esse contingente de idosos?

Noêmia Lima: Não, nem está hoje, pois nem o Estado, nem a sociedade, nem a família se preparam para receber esses idosos, não há políticas públicas nessa área. Até porque, pro exemplo, o que a Europa envelheceu em séculos, no Brasil, em 30 décadas isso se transformou, por isso ninguém sabe lidar com esses idosos decorrentes desse processo, ou seja, diminuíram as taxas de natalidade, de fecundidade e de mortalidade, ou seja, nem nasce, nem morre, logo a população envelhece, essa é a chamada ‘transição demográfica’. E aí não tem um programa de políticas preparadas para atender a esse contingente que cresce a cada dia, então o que precisamos é correr atrás, os próprios idosos devem estar envolvidos nesse processo.

EmpautaUFS: Em entrevista a uma revista em São Paulo, uma senhora declarou: “A idéia de que velho não aprende, é resmungão, é conservador, não tem desejos, tudo isso vem de fora pra dentro, mas acaba criando uma passividade em muitos idosos”. Eu queria que a senhora comentasse sobre essa ‘passividade’ dos idosos…

Noêmia Lima: A sociedade acaba incutindo no próprio idoso que ele é incapaz, aí você já fica com tanto receio de envelhecer, é tanto que as pessoas quando começam a envelhecer já começam a negar a idade. É esse jogo perverso da sociedade que te intimida a dizer sua idade. Só não envelhece quem já morreu, quem não quiser envelhecer tem que morrer, essa é a lei. O problema é todo esse preconceito, esse pejorativo é que fazem as pessoas não assumirem sua velhice, e que também tenham respeito, por que muitas coisas são negadas só porque você é velho. Mas hoje em dia isso já está um pouco diferente, pois com as leis, com o estatuto, o idoso passa a lutar pelos seus direitos, pois a sociedade está compreendendo o que é velhice, o idoso pode ter orgulho e mostrar a experiência que tem.

EmpautaUFS: Não só o jovem consegue aprender, o idoso também. Por falar nisso… há quanto tempo tem a Universidade Aberta à Terceira Idade (UNATI)?

Noêmia Lima: Primeiramente o projeto surgiu lá no Paraná, na década de 80, hoje já temos mais de 200 projetos em todo Brasil. Aqui na UFS, o Núcleo de pesquisa e ação da terceira idade foi implantado em 1998, antes era só com atividades de extensão, aí em 2002, foi implantada em 2002 a UNATI. O projeto consiste em pedir vagas para os 108 alunos,  atendidos pelo projeto a cada semestre em disciplinas de 38 departamentos, as quais os idosos podem cursar, acumulando os créditos, para que, quando passem no vestibular (a única forma de acesso à graduação no Brasil) possam se formar, apesar de muitos nem quererem se formar, muitos só querem conhecer novas áreas, até porque 35% deles já tem alguma graduação.

EmpautaUFS: Mas esses ‘calouros’ recebem alguma orientação dentro do ambiente acadêmico?

Noêmia Lima: Sim, pois esse é um ambiente novo para muitos deles, nosso núcleo visa orientá-los, até por isso nós disponibilizamos algumas bolsas para estudantes de diversas áreas (Serviço Social, Direito, Medicina, Enfermagem…), para que os novos estudantes sejam atendidos por várias áreas de conhecimento.

EmpautaUFS: E eles já têm centro acadêmico?

Noêmia Lima: Sim, inclusive eles estão lutando para que tenham um vestibular só pra eles, mas em sua última tentativa, a assessoria jurídica da universidade deu um parecer não favorável.

EmpautaUFS: E quais as principais atividades realizadas pelo núcleo e por esses estudantes?

Noêmia Lima: Nós participamos sempre de encontros, inclusive nacionais, e fóruns, o próximo é aqui na UFS, no auditório CECH (Centro de Educação e Ciências Humanas), previsto para o dia 02 de Dezembro. Espero te ver lá

DAC: um departamento em estado preocupante

Posted in Educação by micheletavares on 26/11/2009

“UFS dá oportunidade, mas não dá infra-estrutura”, diz chefe do departamento.

Por Anne Samara Torres*

O DAC por trás do tapume. (foto:Daniel Nascimento)

O Departamento de Artes e Comunicação Social (DAC) da Universidade Federal de Sergipe (UFS) existe há 16 anos. Durante esse período, ocorreram obras nas suas estruturas física e educacional, mas tais estruturas ainda não são adequadas às demandas. Além disso, novas habilitações no curso de comunicação foram criadas em 2009, a exemplo de Publicidade e Propaganda e Áudio Visual (este ultimo substitui a habilitação em Rádio e TV, que está em processo de encerramento). Em 2010, outro curso passa a compor o departamento: Design Gráfico /Noturno.

Há alguns anos o departamento sofreu um incêndio. As obras de recuperação foram abandonadas pela empresa licitada, deixando grande parte das instalações inoperantes. Entretanto, há um esforço por parte dos professores e da chefia do DAC para manter aulas laboratoriais e cursos de verão.

A professora doutora Messiluce da Rocha Hansen aos seus 35 anos de idade, sendo 14 dedicados à universidade, é a atual chefe do DAC. Esta, sempre de salto, bem vestida e maquiada, recebeu atenciosamente o EmPautaUFS para uma cordial entrevista sobre esse e outros temas.

Prof.ª Dr.ª Messiluce da Rocha Hansen (foto: Anne Samara)

EmPautaUFS: Como é a rotina da chefe do DAC?

Messiluce da Rocha Hansen (MRH): É uma rotina, digamos, um pouco dura, exatamente pelo acúmulo de funções. Uma das primeiras coisas que eu fiz ao assumir a chefia foi instituir um horário de atendimento ao público que está fixado na porta da secretaria. Uma das minhas rotinas, quando eu chego, é checar os e-mails, porque as informações que eu passo aos professores é via e-mail, e esse é também um canal de contato do aluno com o presidente do colegiado. A outra rotina é a observância do calendário acadêmico da UFS. Uma outra coisa é receber a portaria, os documentos, e dar andamento (aos processos). Outro dado fundamental é acompanhar as tarefas dos funcionários locados nesse departamento, que são poucos, e isso agrava muito o problema porque nós temos um quadro técnico insuficiente para as demandas do DAC. A partir do ano que vem, o departamento, com o início das aulas de design, terá que abrir também à noite. Então vai ser muito difícil manter a secretaria, por exemplo, aberta nos turnos manhã, tarde e noite. Um outra atribuição é fazer as convocações para as reuniões.

EmPautaUFS: Quais os projetos de melhorias para o DAC?

Sala 16 (foto: Anne Samara)

MRH: Dois pontos que eu coloquei como prioridade foi intra-estrutura para as disciplinas laboratoriais e também a organização das rotinas quanto à entrega das cadernetas e dos programas de disciplinas. Uma das minhas medidas foi tentar equipar a sala 16 (localizada no DAC), transformá-la num laboratório. Atualmente nós temos 12 computadores lá, a estrutura de rede já foi montada, mas o laboratório ainda não está operacional porque falta tomada para ligar os computadores. E essas tomadas ainda não puderam ser compradas porque elas precisam passar por licitação.

“o laboratório ainda não está operacional porque falta tomada”

EmPautaUFS: Além do laboratório, há outros projetos de melhorias na estrutura do departamento?

MRH: Há o projeto da construção do Complexo de Comunicação Social, sendo que a informação que nós temos é de que muito embora já tenha sido licitado o projeto da obra, pelo menos o arquitetônico, ainda estava faltando fazer a licitação para o projeto elétrico-hidráulico da obra. Mas um dado preocupante foi que o Complexo de Comunicação não constou no hall de obras para serem realizadas, executadas, pela Universidade Federal de Sergipe no período de 2010-2014, que foi o período do PDI (Plano de Desenvolvimento Institucional). E isso é preocupante! É preocupante porque no momento nós não temos nenhuma garantia de que o Complexo de Comunicação vá ser realmente construído no prazo de 2010 à 2014! E isso irá inviabilizar as disciplinas laboratoriais, principalmente dos cursos de

Laboratório de Fotografia (foto: Anne Samara)

Jornalismo, de Áudio Visual e de Publicidade e Propaganda, porque não se pode negar que são disciplinas que precisam de laboratórios específicos. Então nós, no momento, não dispomos da infra-estrutura para cumprir com as atribuições didáticas das disciplinas laboratoriais. A situação não está mais precária, no momento, porque nós podemos contar com o apoio fundamental do professor Luciano, que é o diretor do CESAD (Centro de Ensino Superior à Distancia), que liberou o acesso de um dos laboratórios de informática da UAB (Universidade Aberta Brasil) para disciplinas do DAC. Sem essa colaboração a nossa situação estaria muito pior, mas nós não podemos depender de ações isoladas, nós precisamos contar com uma infra-estrutura própria que permita uma rotineirização dessas atividades laboratoriais.

EmPautaUFS: Chegou alguma informação à senhora de quais motivos poderiam ter levado ao projeto não constar no PDI?
MRH:
A informação que eu tive da pró-reitora foi que deve ter ocorrido algum equívoco, mas que a obra estaria prevista. Então eu acho que o indicado seria procurar a COGEPLAN (Coordenadoria Geral de Planejamento).

EmPautaUFS: Na opinião da senhora, que conhece o curso há tantos anos, o que vem melhorando ou piorando?

MRH: O que eu posso dizer é que já foi muito pior. Nós não possuímos equipamentos suficientes para os alunos, nem equipamentos necessários como, por exemplo, equipamentos de fotografia. O aluno que precisar utilizar na aula de fotografia uma de nossas câmeras, não vai contar com câmeras digitais adequadas, inclusive para dar uma visão do

Sanitário? Só a porta diz! (foto: Anne Samara)

equipamento que é utilizado pelo mercado. O número de computadores com acesso à internet e com capacidade de processamento de dados é insuficiente. Nós temos uma grande dificuldade nesse aspecto. Mas quando eu entrei aqui como aluna, nós tínhamos apenas duas máquinas de datilografar, uma das máquinas não tinha o “Ç”, então era extremamente precário. O “Bonde Zero”, que foi o primeiro produto laboratorial, era na verdade um fanzine. Hoje nós temos um jornal que atende aos padrões um jornal universitário com periodicidade, que é o “Contexto”. Hoje nós temos a Rádio UFS, também, que é um laboratório para os estudantes de Radialismo, de Jornalismo e de Audio-Visual e que também traz uma contribuição significativa não apenas para a comunidade acadêmica da UFS, mas também para a comunidade aracajuana. Temos também nossos produtos laboratoriais digitais, objetos da disciplina de Jornalismo Online. Isso tem sido reflexo do significativo aumento do corpo docente efetivo, mas que ainda é insuficiente.

EmPautaUFS: Como a senhora se tornou chefe do Departamento de Artes e Comunicação (DAC)?

MRH: É uma eleição uma aberta. A pessoa se candidata à chefia, mas, na verdade, eu recebi o convite da professora Francisca Argentina, que foi a minha vice-chefe, mas que posteriormente renunciou. Ela era chefe de departamento na época e ela perguntou, em meio aos demais professores, da minha possibilidade de assumir essa chefia, então eu refleti se teria condições de assumir e desde o início eu interpretei esse exercício de chefia de departamento como uma obrigação que todo professor do departamento deve cumprir em algum momento de sua carreira. Tenho muito orgulho de ter sido aluna, muito orgulho de ser professora efetiva dessa instituição, e é com muito orgulho que exerço no momento a chefia.

EmPautaUFS: Qual a importância do Exame Nacional de Avaliação de Desempenho Estudantil (ENADE)  para o curso?

MRH: Eu tive a preocupação de conversar com os alunos, de tornar claro o papel fundamental da contribuição do aluno para a universidade. Eu vou dar um exemplo do curso de Publicidade e Propaganda: ele está autorizado, mas não está reconhecido. Os alunos participaram do ENADE como ingressantes. A nota deles vai funcionar como nota de partida para o reconhecimento do curso. Então, na possibilidade extrema dos alunos de Publicidade e Propaganda terem feito o boicote ao ENADE, isso poderia trazer graves implicações para o reconhecimento do curso.

EmPautaUFS: E a proposta de boicote feita pelo movimento estudantil?

MRH: No caso do movimento estudantil, eu acho lícito, acho democraticamente saudável que as pessoas defendam suas idéias, suas bandeiras. Mas a questão de fato é que o ENADE é utilizado pelo MEC (Ministério da Educação) para a avaliação dos cursos e para decisões fundamentais, como alocação de verbas e também para o credenciamento do curso e a própria manutenção do curso. Quando os alunos boicotam o ENADE, eles colocam em risco a sobrevivência do curso. Então, é preciso notar duas posições muito diferentes daqueles alunos que boicotam: por motivos político-ideológicos, que são justos, e por indiferença, descaso para com a instituição que os acolheu e que lhes oferece uma educação para a vida e uma educação profissional. Eu vejo com muito pesar a situação destes alunos.

EmPautaUFS: Em relação aos cursos de verão, como funcionam?

MRH: Pela primeira vez, nós vamos ter as condições plenas de realizar um curso de verão, que vai dispor de tempo para que o curso seja ministrado com qualidade que se espera de uma instituição de ensino como a UFS é. O semestre de 2010/1 vai iniciar em primeiro de março. A expectativa é de que o curso de verão funcione de quatro de janeiro à quatro de fevereiro e o método é o seguinte: o conselho do departamento avalia a demanda, então os alunos apresentam a demanda. Eles preenchem fichas de requerimento requisitando a disciplina, dando um abaixo assinado dos alunos. Então o conselho avalia se há condições para a oferta ou não da disciplina de verão.

EmPautaUFS: Sobre o fim da exigência do diploma de Jornalismo, o que a senhora tem a dizer àqueles universitários que se sentem desmotivados e para aqueles vestibulandos que se sentem intimidados em fazer o curso por isso?

MRH: Uma questão que deve ficar bem clara é de que trabalhar na área de comunicação social requer habilidades específicas, tanto para escrever para os variados suportes, conhecer o mercado, ter uma noção contextualizada dos processos comunicacionais, como também um conhecimento mais extensivo na parte de ética e de deontologia da comunicação e do jornalismo. Os nossos cursos de comunicação social têm oferecido essa educação e tem formado os estudantes para desempenhar essa atividades, que são complexas. Um elemento fundamental é que a maioria das empresas vão continuar contratando egressos do curso de comunicação social, porque é muito mais fácil para eles contratarem um profissional que já sabe o que fazer do que um indivíduo que terá que aprender na redação. Essa já é uma realidade. É claro que houve uma situação de medo e de insegurança por parte das pessoas que tinham a intenção de se inscrever no vestibular para o curso de jornalismo. Mas, na média, as inscrições para o vestibular continuaram na sua trajetória histórica, inclusive aqui, na Universidade Federal de Sergipe, nós não notamos um diferencial muito grande na concorrência.

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*Agradecimentos a Daniel Nascimento

Religião e Universidade convivem há muito tempo

Posted in Educação, Reflexão, Uncategorized by micheletavares on 25/11/2009

“Fé e razão não são excludentes”. “Religião na universidade não dá, cada uma tem seu lugar”. “O antagonismo entre fé e razão é uma falácia”. Estas são as falas de três pessoas que vivem diariamente essa relação entre religião e universidade.

por Eloy Vieira

Essa discussão não é recente, começou na primeira universidade do mundo, a Universidade Al-Azhar, no Cairo, fundada em 998 d.C. O califa queria instruir os jovens da mesquita centrando-se no ensino da Teologia a fim de instruir os jovens para que pudessem resolver os recorrentes problemas entre a ciência e a religião. Poucos séculos depois surge as primeiras universidades européias, muitas ainda vinculadas a grupos religiosos, sobretudo à Igreja Católica, ainda sim, a questão entre religião e a ciência continuava pendente. De lá pra cá, não mudou tanto, apesar da laicização de vários países, ainda surgem instituições de ensino vinculadas a diversas religiões, como também surgem grupos religiosos dentro do ambiente acadêmico.

Somos mais uma voz na universidade

Thiago Roozevelt, estudante de Administração e membro da ABU. Foto: Eloy Vieira

Em várias universidades do mundo é possível notar a atuação da Aliança Bíblica Universitária (ABU), ela já está presente em mais de 100 países e visa difundir os evangelhos dentre os estudantes: “Nós somos um movimento estudantil que leva a palavra de Deus. Somos mais uma voz na universidade, que, afinal, é democrática”, defende Thiago Roozevelt. Ele, estudante de Administração, ainda acrescenta que nunca sofreu preconceito no âmbito acadêmico, mas reconhece o que ele mesmo chamou de ‘cientificismo’. “Não entendo essa rivalidade, há fé na razão… fé e razão não são excludentes, não precisa haver esse cientificismo tão presente na universidade”, defende.

Se quer rezar, vá rezar… fora da universidade!

Marcelo Primo, professor de Filosofia. Foto: Arquivo pessoal

Diferentemente do jovem estudante, o também jovem e professor de filosofia, Marcelo Primo é taxativo: “Fé e razão são coisas diferentes, cada uma tem seu lugar. Se quer rezar, vá rezar… fora da universidade!” Essa frase era recorrente em suas aulas, alegam alguns alunos, que, por muitas vezes ficavam atônitos com a ação do professor. Mas esta reação não é surpreendente, pois, segundo pesquisa feita com jovens de 21 países pela instituição alemã Bertelsmann Stiftung, os jovens brasileiros, de faixa etária entre 18 e 29 anos, estão em 3º lugar no ranking de religiosidade. A pesquisa constatou que 95% dos jovens do Brasil dizem ser religiosos; 65% definem-se “profundamente religiosos” e apenas 4% afirmam não possuir religião.

Para ajudar a compreender essas estatísticas, o professor Rodorval Carvalho, chefe do Departamento de Ciências Sociais na Universidade Federal de Sergipe e membro do Grupo de Ciências da Religião na mesma universidade. “Esses números expressam bem o equívoco de algumas teorias sociais que afirmam (ou afirmavam) o fim do sagrado, a falência das religiões. O que está acontecendo com o fenômeno religioso é o que acontece com todo e qualquer fenômeno social, mudanças”; esclarece. E é compreender essas mudanças é um dos propósitos do Grupo de Ciências da Religião. “O fenômeno religioso é também um fenômeno social e, sendo assim pode ser apreendido, pelo menos em parte, pelos métodos científicos e filosóficos. As abordagens são muitas, desde a história comparada das religiões até a fenomenologia religiosa, passando pelas etnografias”, argumenta o professor. Ele ainda acrescenta que o grupo se tornou importante a partir do momento em que tentou estabelecer um novo campo disciplinar, tanto na graduação como na pós-graduação.

Apesar de cientista e pesquisador, o professor Rodorval é sintético ao discordar de seu colega de profissão: “O antagonismo entre fé e razão é uma falácia repetida por muita gente até os dias de hoje. São formas distintas de conhecimento, cada uma com seu âmbito de ação, mas com possibilidades de diálogos profundos”, argumentou quando questionado sobre a convivência entre Fé e Razão. E ainda fez questão de destacar o papel da religião na produção científica ocidental: “Veja, por exemplo, o caso da Igreja Católica. Não há na história do Ocidente uma instituição que mais tenha contribuído para avanço das ciências; seja através da ação dos seus sacerdotes ou pelos seus princípios teológicos”. Além de antiga, a polêmica religião-ciência (Fé-Razão), é pertinente, sobretudo num país como o Brasil, o maior país católico do mundo, E este assunto deve seguir assim, instigando a mente humana a resolver seus conflitos mais primários.

Saiba mais:

Livro: “Iglesia y Ciencia ao largo da la história” de Francesc Nicolau Pous

Livro: “Como a Igreja Católica construiu a civilização Ocidental” de Thomas Woods Jr.

Blog: http://gpcrufs.blogspot.com/

Site: http://www.abub.org.br/

Escolas públicas e privadas: ambas abrem os horizontes dos alunos

Posted in Educação by micheletavares on 12/11/2009
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livros de poesias, feitos pelos alunos – Foto:Mariana
Por Mariana Viana
É indiscutível a melhora que as atividades extracurriculares proporcionam no desempenho escolar do aluno. Independente de ser pública ou privada, cada escola desenvolve seus projetos de forma diferenciada.
Na capital, o colégio Master tem em seus projetos a aula de campo, onde os alunos obtêm aprendizado fora da sala de aula. “Tivemos agora o projeto “Aprendendo a produzir”, onde os alunos visitam varias fábricas do estado, e aprenderam desde a matéria-prima até o produto final “afirma Giovanna Petérle,coordenadora do ensino fundamental II do colégio.
Além de colocar o aluno em uma ambiente diferente e somar com o que se é passado na sala de aula, com esta atividade é possível também se ensinar contabilidade. “Hoje em dia os meninos são assolados por muitas questões, então precisamos trazer o interesse ao aluno através de aulas diferenciadas, os projetos extracurriculares propõem juntar a teoria à prática, desenvolver trabalhos em grupo e fazer algumas aulas mais dinâmicas “diz Giovanna Petérle.
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Coordenadora Gonçalo Rollemberg Leite, Edilde de Souza Lima – Foto:Mariana
As atividades extracurriculares não se restringem apenas as escolas particulares. No colégio estadual Gonçalo Rollemberg Leite os alunos descobre-se e desenvolve suas habilidades no projeto “Antologia”. “Antologia é uma livro de poesia feito pelos próprios alunos. Um grupo de professores de português escolhe as poesias dos alunos e montam o livro” alega Edilde de Souza Lima coordenadora da escola.
Dentro deste mesmo projeto há uma noite de lançamento, onde comparecem os pais e alunos dão autógrafos, o que incentiva e eleva a auto-estima dos alunos. Durante a gincana escolar, muitos alunos descobrem um dom pra cantar, aproveitando esta oportunidade a escola desenvolveu “O canta Gonçalo”, os estudantes tem aulas de canto e se preparam para se apresentam na quadra na escola, anualmente.
“A idéia de colocar os projetos de atividades extracurriculares nas escolas surgiu da necessidade de colocar o aluno para investigar, buscar conhecimento além da sala de aula, onde até então, os alunos eram limitados”, conclui Petérle. É importante notar que tanto as escolas públicas quanto as privadas, têm o interesse de colocar seus alunos em novas experiências e desta forma, abrangendo seus conhecimentos o que virá conseqüentemente repercutir em sua carreira profissional.