Técnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística

Não é ‘P’ de partido, é ‘P’ de poder

Posted in Artigos, Opinião, Política by micheletavares on 14/06/2010

Por Eloy Vieira

Legalização da maconha, do aborto e do casamento gay. Essas são apenas algumas questões que podem mudar a sua, a minha, a nossa vida e que não dependem somente de nós. O jogo de poder dos gabinetes políticos pode e deve impactar em muitas outras questões que atravessam do âmbito das políticas internacionais até a divisão dos investimentos em educação e saúde por exemplo.

Embora não pareça ou não fique explícito, cada partido político tem uma linha ideológica que deve guiar e embasar todas as decisões a serem tomadas nas diversas instâncias. Partidos como o PSDB, DEM, e com posições antagônicas, PT e PC do B, por exemplo, são os que chegam mais próximos de explicitar as idéias que norteiam os integrantes das siglas. Já partidos como o PMDB, mesmo sendo o maior partido do Brasil, nunca conseguiram obter uma identidade, quanto mais uma ideologia.

Agora, entrando de verdade na sua vida cotidiana, percebamos como a ideologia de cada partido e/ou candidato pode ser decisiva: Tomemos como exemplo as três questões apresentadas logo nas primeiras linhas deste artigo. A legalização de todas elas depende basicamente de decisões progressistas, mas, mesmo que candidatos com este perfil sejam eleitos, ainda há outro aspecto que permeia a tomada de decisões: as alianças político-partidárias. Muitas vezes até esdrúxulas e esquizofrênicas, pois pode fazer com que uma pessoa negue suas idéias individuais só para poder conseguir o seu espaço, mas, felizmente ou não, muitas vezes esse é o único meio de se fazer ‘política’.

Aqui no estado de Sergipe temos um exemplo claro do ponto que chegam as alianças. Desde as eleições municipais do ano 2000, o atual governador, Marcelo Déda (PT) coligou-se com o nosso mais famoso oligarca do vale do Continguiba, Albano Franco (PSDB). Esquisita ou não, o petista ganhou nas três disputas que foi aliado de Franco logo no primeiro turno. Agora em 2010, a mesma aliança está se repetindo. Mesmo que não seja de maneira formal, o tucano, que foi reprovado pela direção nacional do partido pode apoiar o atual governador em sua reeleição. Um outro ponto que merece destaque é uma provável presença do itinerante Jackson Barreto como vice de Déda. Não é de hoje que Jackson apóia o petista, independentemente de seu partido, há anos ele já vem no encalço do petista; o qual já tachou de diversos adjetivos nada bons e o acusou de tê-lo expulso da prefeitura de Aracaju em 1988 (quando fora cassado por corrupção com o voto de minerva de Marcelo Déda) e finalmente está prestes a conseguir o que nem tanto queria. Desbancou o atual vice, Belivaldo Chagas, que agora deve assumir a pasta da Secretaria de Educação, antes pertencente ao ex-reitor da UFS, José Fernandes de Lima, que alegou motivos pessoais ao desistir do cargo. Agora Belivaldo fica de escanteio e quem deve brilhar como candidato a vice-governador nas próximas eleições é mesmo Jackson, contudo, Jackson queria na verdade ir para a disputa pela vaga senatória mas não obteve êxito mesmo tentando desde 2006 criar uma atmosfera em seu favor. O cargo de vice-governador para ele é um prêmio de consolação para um político que frustrou-se em tentar um vôo mais alto..

O nosso governo federal não é muito diferente. Quem poderia imaginar que um dia o PT estaria coligado com o PR, à época PL? Pois é. O mineiro José de Alencar vem de um partido centro-direita e tornou-se vice-presidente do Brasil ao lado do ex-sindicalista Lula. O jogo de poder não é novo, muito menos é nossa exclusividade. A política vive de acordos e desacordos mesmo antes dos cientistas europeus sequer pensarem num conceito para Ideologia.

Em seu livro intitulado “O que é ideologia”, a filósofa Marilena Chauí traz que o termo só surge na literatura em 1801 com o sentido de ‘ciência da gênese da idéia’, mas, não demorou muito e logo a política se apropriou dele. Em 1812 o imperador francês Napoleão Bonaparte alegou que a ideologia corrompia a França, pois, segundo ele, o povo estava se adequando aos preceitos ideológicos quando na verdade o sentido deveria ser inverso. No senso comum, podemos classificar que Ideologia nada mais é que um sistema de idéias que servem como diretrizes. Se os políticos brasileiros aprenderam isso nas aulas de Filosofia ou de História, é outra coisa.

Parece mesmo é que o ‘P’ de partido não tem mais importância, agora o ‘P’ que importa é o ‘P’ de poder.

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Inacesso à Cultura

Posted in Opinião by micheletavares on 05/02/2010

Karina Garcia

 

                                                

No Estado de Sergipe são poucos os movimentos pró-culturais, e quando isso acontece, o acesso centra-se numa parcela minoritária da sociedade civil. Recentemente, no dia 19 deste mês, o Projeto TAMAR reservou um espaço, denominado Casco Acústico, no Oceanário  de Aracaju, para a realização de Evento Artístico e ao mesmo tempo de conscientização ambiental, com bandas nordestinas e participação especial de Lenine e Patrícia Polaine.

    Os  interessados em desfrutar da boa música em local agradável, teriam que dispor de uma quantia de R$ 20, com  exceção do estudante, que pagou a metade do custo sugerido. Refletimos nós então em estado pleno da consciência: Que segmento social desse município, toda vez que sentir a necessidade humana de assistir  a bons shows, irá pagar com conforto esse preço? A resposta é simples. São os privilegiados economicamente, pois os setores marginais utilizarão esse dinheiro para aplicar em necessidades de cunho biológico, abandonando, deste modo, o desejo de contemplar culturas mais lapidadas. E, certamente, terão de contentar-se com certas atrações artisticamente pobres e de naturalidade baiana.

Este fato é somente  uma mostra diante extensão  da problemática fincada desde a fragmentação da humanidade e da força imbatível do capitalismo. 

No período do Pré-caju, todo o leque de produtos culturais e efervescência  da cultura de massa restringem-se ainda mais, uma vez que os teatros, os cinemas de sessão noturna e as manifestações de raiz, simplesmente param para dar espaço à prévia carnavalesca. Não obstante, muitos artistas realizam suas obras, e o mínimo destes consegue distribuí-las para atingir  todos os públicos. Baixar preços, ampliar a diversidade  das produções, fazer valer a acessibilidade, não é favor nenhum e sim uma obrigação que os grandes representantes, como os políticos desse país, têm conosco, seres com imensa sede e gigantesca fome de Arte.

*Imagem retirada do site:susanacosta.wordpress.com

O triunfo do anti-herói

Posted in Opinião by micheletavares on 05/02/2010

Por Karina Garcia

Em novo longa de Christopher Nolan, quem dita as regras é o Coringa.

“Batman: o cavaleiro das trevas”, é o filme número 6 do herói da DC Comics nos cinemas e segundo a cargo do diretor Christopher Nolan. A performance do ator Ledger, o Coringa, que morreu por overdose de medicamentos, arrancou arrepios e elogios da crítica especializada.
             O longa tem 142 minutos  de duração, e mostra que Ledger foi o pior dos arquiinimigos de Batman, desde Cesar Romero a Jack Nicholson.  No filme, ele é colocado no meio de um prélio, o qual o bem e o mal disputavam por meio de suas forças no Gotham City.

Coringa tem características exóticas: Cabelos desgrenhados, olhos sem brilho, maquiagem assombrosa. No filme ele faz o papel de esquizofrênico, psicopata e, além disso, não é nada simpático.  O sucesso do Coringa deve  muito à atuação de  Christian Bale, o Batman, que ao contrário do que se esperava, perdera espaço para o vilão inteligente e áspero. O triunfo do Coringa quebra os tabus dos filmes de heróis ao fazer do inimigo o ser mais poderoso.

Até o promotor público, Harvey Dent (Aaron Eckhart), afirma crer numa nova  Gotham City, e sugere ao Batman que ou ele morre como herói, ou vive o suficiente para se tornar vilão. Este longa preserva um a visão de mundo mais anárquica, e faz até o “salvador da pátria” refletir acerca de alguns valores mais humanos. Pode ser considerado também contraproducente pois preserva a figura de um vilão em plena acidez.

 Da mesma forma que as Histórias(HQ’s) em Quadrinhos da década de 80 como “O cavaleiro  das Trevas”, “Watchmen” e “Sandman” (a graphic novel de Frank Miller) foram essenciais para inaugurar uma nova era de HQ’s de temática apropriada para adultos nas bancas, o filme de Nolan certamente pode desempenhar papel semelhante no cinema e se transformar em um bem-vindo marco da maioridade na seara infanto-juvenil das adaptações de super-heróis das telonas.

Imagem retirada do site:roliude.wordpress.com

REALITY SHOW

Posted in Comportamento, Crítica, Cultura, Opinião by micheletavares on 05/02/2010

O show da vida real?

 

Por Larissa Regina 

Na última década, um novo termo vem ganhando visibilidade no cenário nacional. O termo reality show, que traduzido ao pé da letra significa: show da realidade. Mas não é de hoje que esse tipo de programa vem conquistando as massas. Desde a década de 70 nos Estados Unidos, um programa que retratava a realidade de uma família em processo de divórcio, paralelamente a descoberta da homossexualidade do filho ganhou grande destaque, transformando-se em fenômeno nacional copiado por muitos países da Europa. Porém o que atrai uma pessoa ou uma família a se submeter a tanta exposição? Serão os prêmios ou o atrativo é a própria exposição? Não hácomo negar que todos querem seus quinze minutos de fama. Mas depois disso o que fica?

Milhares de pessoas inscrevem-se para participar de programas deste gênero, passam por vários testes de seleção, participam de maratonas cansativas, enfrentam longas filas. E para quê? Para ficarem expostos como roupas em uma vitrine de uma loja cara, onde os “mortais” nunca poderão comprar, ou melhor, entrar.

Jurados do programa "Astros", exibido pelo SBT

Emissoras televisivas produzem reality shows, pois são programas baratos proporcionalmente ao retorno concedido, retorno este, que será novamente reinvestido para encher a programação de eventos fantasiosos e inalcançáveis para a maioria da população mundial, uns porque não se encaixam no perfil psicológico do programa e outros, principalmente, por não se encaixarem no perfil estético.

Participantes do BBB10 no "castigo do monstro".

Alguns projetos como: American Idol (versão americana do programa Ìdolos, exibido pela rede Record), Fama, Qual é o seu talento? e O aprendiz, mascaram-se atrás de uma falsa proposta de “realizações de sonhos” através do talento dos candidatos participantes. O que é uma realidade inexistente, já que esses mesmos programas expõem, por diversas vezes, seus candidatos ao ridículo e a humilhações que variam de acordo com o humor dos jurados que, geralmente, são figuras que incorporam personagens e se sentem acima do bem e do mal. Já outros programas como Big Brother Brasil, Solitários, A Fazenda, Troca de Família, entre outros, não escondem sua verdadeira intenção: colocar um grupo de indivíduos desconhecidos entre si e de personalidades diferentes em um local fechado, sem interferência externa, sujeitos a situações embaraçosas e por muitas vezes conflitantes.

Provas do reality show "A Fazenda".

Por muitas vezes procuramos culpados para essa realidade tão marcante em nosso cotidiano, porém se observarmos bem esse ciclo vicioso, veremos que o mais engraçado é que ao mesmo tempo em que criticamos, compactuamos diretamente com essa situação, pois somos telespectadores embora não admitamos, somos consumidores deste tipo de produto. Afinal, todos nós não só queremos como gostamos de dar aquela espiadinha.     

The Bubble: Uma emocionante bolha de amor

Posted in Crítica, Opinião by micheletavares on 04/02/2010

Do cineasta Eytan Fox, “The Bubble” narra a história de quatro jovens que buscam o amor em meio ao caos da guerra

Por Júnior Santos

Não tem como não gostar do filme “The Bubble”, seja pelo carisma dos atores, pela sutileza na qual é abordada a questão principal da película, é uma daquelas histórias que permanecem na mente por muito tempo. O cineasta Eytan Fox consegue narrar perfeitamente uma história de amor homossexual entre um palestino e um israelense.

O diretor Eytan Fox conta a estória de um amor em meio a guerra. Fonte: kaosgl.com

Nascido na cidade de Nova York em 21 de agosto de 1964, mas mudando-se para Israel com os pais quando tinha dois anos, Eytan Fox é um dos principais cineastas israelenses, e responsável por um dos filmes mais bem sucedidos da história do país, o Walk on Water (Caminhando sobre a Água). Gay assumido, Fox é reconhecido pela abordagem de temas polêmico, sobretudo envolvendo a homossexualidade, transformando a imagem e a representação social da comunidade GLBT local. Seu filme mais conhecido aqui no Brasil, onde já foi homenageado pelo Festival de Cinema Judaico em 2007, é “Delicada Relação”, onde narra a relação íntima de dois soldados que descobrem o homossexualismo.

Em uma das suas mais recentes produções, “The Bubble” (ou “A Bolha”), Eytan Fox relata os conflitos existentes entre árabes e judeus, através da vida de quatro jovens que buscam a felicidade e amor, apesar de viverem entre a guerra.

O filme se passa na cidade de Tel Aviv, mais conhecida como A Bolha, onde as pessoas procuram viver distante da realidade fria da guerra entre a Palestina e Israel. Três jovens israelenses, Noam (Ohad Knoller), Yelli (Alon Friedman) e Lulu (Daniela Virtzer), dividem um apartamento e levam uma vida normal, sem se preocupar com os conflitos do país. Porém, após Noam conhecer Ashraf (Yousef “Joe” Sweid), um palestino, e se apaixonar por ele, o destino desses quatros jovens acabam se entrelaçando e sendo mudado para sempre.

Apesar de não assumir uma visão sobre a guerra existente entre os dois países, o filme demonstra situações típicas enfrentadas pelas pessoas que moram na linha de combate entre Israel e Palestina, como o momento de humilhação pelos quais passam os palestinos ao atravessarem a fronteira, mostrado nas cenas iniciais. Porém, o que ganha destaque na história é amor homossexual entre os principais personagens, Noam e Ashraf, e as dificuldades enfrentadas para concretizar essa união, já que a família do segundo é totalmente homofóbica e tem um casamento arranjado para o rapaz.

"The Bubble" retrata o dilema cotidiano de quatro jovens. Fonte: nytheatre-wire.com

A trilha sonora também é outro ponto forte no filme, servido para amenizar a tensão existente por causa da guerra. Com músicas de Bebel Gilberto, e do roqueiro homossexual Ivri Lider, a descontração se faz presente.

Vencedor da Mostra Panorama do Festival de Berlim, como melhor filme pela opinão do público, e participante das seleções oficiais do Festival de Toronto de 2006 e do Festival de Tribeca, em 2007, The Bubble é uma ótima indicação para quem quer ver um bom filme relacionado a temática homossexual, sem fazer dela uma espetáculo. O grande problema é ser encontrado nas locadoras, mas o download na internet é fácil e prático de se fazer.

Mídia explora diversidade sexual de forma democrática?

Posted in Opinião, Reflexão by micheletavares on 04/02/2010

Por Júnior Santos

A mídia nunca esteve tão “democrática”, com relação à abordagem do homossexualismo, como está agora. Parece até uma obrigação que qualquer produto midiático tenha tratar de tal questão. É reality-show, telenovela, filmes, edições especiais de programas televisivos, entre outros. Mas será que quantidade anda junto com qualidade?

Uma das mais famosas redes de comunicação, a empresa Globo ganha um notório destaque nesse ponto de abordagem da homossexualidade. O mais famoso reality-show do país, o Big Brother Brasil, chega a sua décima edição se vangloriando de ser um programa aberto à diversidade, sem nenhum tipo de preconceito. A presença de três participantes gays, que pertencem a tribo dos Coloridos, reforça a idéia de um produto gay friendly, isento de qualquer homofobia. Porém, Angélica, Dicesar e Sérgio, são quase que forçados, a todo o momento, a falar na preferência sexual que têm, seja pela divisão dos grupos ou pelas perguntas, indiscretas e cheias de malícias, do apresentador Pedro Bial.

A "Tribo dos Coloridos", formados por homossexuais, no BBB 10. Fonte: TVNortao.com.br

Os temas referentes à diversidade sexual vêm sendo muito explorado também nas telenovelas da mesma emissora. Do ano de 2003 até o momento atual é difícil não encontrar personagens homossexuais presentes nos enredos dramatúrgicos, principalmente, no horário nobre da programação, a partir das 21h.

Na novela de Manoel Carlos, Mulheres Apaixonadas, foram abordados os dilemas sofridos pelas adolescentes Clara (Aline Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli) por viver um amor gay, que era bastante recriminado pela mãe da primeira. Logo após, na trama escrita por Aguinaldo Silva, teve o romance entre a médica Eleonora (Mylla Christie) e a estudante Jenifer (Bárbara Borges), que sofreu inúmeras dificuldades quando tentaram adotar uma criança. Na mesma ficção, teve ainda o casal formado por Turcão (Marco Vilela) e Ubiracy (Luiz Henrique), pertencentes a parte de comédia do núcleo, e mostrava as discrepâncias entre o machão e o homossexual afetado. Já na história da novela América, de Glória Perez, o personagem Júnior (Bruno Gagliasso) vivia metido em confusões tentando esconder a sua preferência sexual da mãe.

Contudo, o que a empresa Globo traz em comum em todas as abordagens do homossexualismo, vinculado nos mais diversos tipos de programas, é a notória tentativa de se declarar como uma emissora aberta a todo tipo de diversidade, sem nenhum preconceito. Para tanto, não há uma preocupação em como abordar o tema, se os personagens estão sendo alvo de chacotas, ou se o que está sendo demonstrado é apenas o lado negativo da questão, os problemas e dificuldades pelas quais passam as pessoas que gostam de outras do mesmo sexo. O beijo gay já foi proibido várias vezes, qualquer demonstração mais apimentada de carinho é retirada, os momentos de trocas de juras de amor são imperceptíveis.

Além do mais, há uma descoberta de que o público gay consome bem, e até mais, os produtos midiáticos quando percebe a abordagem de temas relacionados ao homossexualismo, acredito que trará a tona uma série de debates e discussões a respeito do assunto. Um exemplo bem claro é o filme “Do Começo ao Fim”, de Aluízio Abranches, que mesmo antes de estrear nas telas dos cinemas, já fez o maior sucesso no meio GLS, devido a um vídeo-promo que acabou caindo na internet, seis meses antes de ficar pronto. Bastou fazer menção a diversidade sexual, para se criar uma polêmica, e uma grande procura pelos telespectadores.

Incesto homossexual é abordado no filme "Do Começo ao Fim". Fonte: babadocerto.wordpress.com

Todavia, quantidade não anda acompanhada de qualidade. A cobertura midiática referente à abordagem homossexual está longe de ser isenta de preconceito e de contribuir para um debate e para uma reflexão aberta, que demonstre que as diferenças existem e que, no mínimo, devem ser respeitadas. Porém, o respeito só virá quando a mídia deixar de espetacularizar a diversidade sexual e passá-la de uma forma imparcial.

De olho na moda Eco

Posted in Opinião by micheletavares on 03/02/2010

Ecofashion Urgente!Vamos salvar o mundo em cinco minutos

Por Cida Marinho

 

Uma das piores coisas de se viver em um mundo capitalista são os modismos, tão efêmeros e contínuos.

Em épocas de mudanças climáticas inesperadas, calor onde fazia frio e vice-versa, a última moda é a moda Eco. Seja lá o que isso bem signifique.

Entrar de cabeça nessa moda dá muito trabalho, a cada hora surgem novidades e preocupações, é uma tendência sem fim.  Engana-se quem acredita que basta “preocupar-se” com questões ambientais. Um ecochic de verdade não compra um jeans feito a partir de garrafa pet reciclada (claro) sem antes procurar saber se os envolvidos na produção da peça não faziam parte de uma rede de mão-de-obra escrava ou trabalho infantil.

Como se faz isso? Vai no Ministério do Trabalho?

Um dos ícones do ecofashion, a reciclagem continua forte como tendência para 2010. A prática surgiu há três décadas e o reaproveitamento do lixo ainda é tido como uma grande promessa para a salvação do planeta, faz parte da fórmula mágica que acabará com mudanças climáticas bruscas, poluição, efeito estufa, enchentes e outras mazelas.

Reciclar é legal, não há dúvidas. Mas há outras alternativas para ajudar o meio ambiente. O simples fato de jogar o lixo na lixeira já é uma delas. Só pode ser ecofriend quem mantem meia dúzia de lixeiras coloridas dentro de casa?

Nada contra os ecolovers, há muita coisa interessante nesse mundinho, fora os discursos impagáveis.

Para os que querem pendurar com orgulho o bottom de ecofriend, vão algumas dicas:

-Manter as tais lixeiras coloridas em casa. Você pode até manter só duas, mas manter várias te coloca na lista ecovip.

-Roupas? Tecido feito a partir de fibra de coco ou de garrafa pet são um luxo, superam até a moda do algodão cru. Sabe, aquela do hippie moderno que usa algo semelhante ao que sua mãe compra para fazer pano de chão?

-Informação é tudo, estar por dentro do que acontece com o clima, o que anda sendo debatido.

-Engajamento é a palavra-chave, não basta fazer sua parte em casa; filie-se a uma ONG ambiental, lute pelos golfinhos, pelas baleias e pelo mico-leão dourado.

-Vá de bike! Combustível polui, mesmo o do transporte coletivo.

-Vá ao supermercado a cada três dias, você evita o desperdício e só leva o que cabe na sua linda ecobag; sacolinha plástica, nem para frutas e verduras.

-Torne-se vegetariano, as vacas soltam gases poluentes e não pega bem ficar matando bichos para te alimentar; soja e vegetais orgânicos darão conta disso.

-Calçados e bolsas só de produtos reciclados, usam até pneu.

-Diga adeus ao Made in China. Sabe como é, aquela coisa do trabalho escravo.

Dá trabalho sim, mas a moda exige sacrifícios e você ainda vai estar afiadíssimo no seu próximo discurso ecorresponsável.

E a água! Perto do fim, acabaram-se os banhos demorados e relaxantes. A não ser que você faça uma troca, pare de beber e deixe para lavar seu cabelo pacientemente com um xampu de açaí colhido de forma responsável por produtores locais que não desmatam a região.

Será mesmo que tudo isso seria capaz de frenar a destruição do mundo? O processo começou há mais de 2000 anos e as pessoas acreditam que com apenas uma ou duas medidas estariam fazendo a sua parte.

Não estão! Não resolve nem o que você ajudou a destruir em sua breve vida. Mas faça sua parte e guarde seu discurso. A moda passa, é efêmera e os problemas continuarão. Pelo menos você vai assistir o mundo ser destruído com a consciência limpa.