Técnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística

De cientista política à benfeitora social

Posted in Comportamento, Educação, Entrevista, Politica Pública by micheletavares on 15/12/2010

A jovem universitária que com um projeto simples, pretende incluir milhares de jovens carentes de sua cidade natal no mercado de trabalho.

Por Matheus Alves

A baiana Emily Couto, idealizadora do projeto "Inclusão e Cidadania" - Arquivo pessoal

Uma iniciativa inusitada, é assim que podemos classificar o projeto “Inclusão e cidadania”, onde milhares de jovens de comunidades carentes terão a oportunidade de fazer um curso de língua estrangeira para serem inseridos no mercado de trabalho, durante o período da Copa de 2014. Uma ideia simples, que acaba por se tornar um divisor de águas no futuro de muitos jovens e suas famílias. A autora desta ideia é baiana de Itabuna, residente no estado de Sergipe a incompletos três anos, estudante de Ciências Sociais na Universidade Federal de Sergipe e com o sonho de se tornar uma cientista política renomada. Essas são algumas das características peculiares da jovem de 21 anos, Emily Couto, que hoje já planta as sementes que deseja colher no seu futuro. Ela obteve recentemente aprovação de seu ambicioso projeto em sua cidade natal, almejando que seu projeto se estenda também para a capital sergipana.

Emily nos recebeu em sua residência para uma conversa com um tom informal e amistoso para esclarecer um pouco mais sobre o seu projeto, sua visão sobre política, sua carreira acadêmica, seus sonhos e expectativas.

 

Dentre tantas opções de curso, porque ciências sociais?

Escolhi ciências sociais por dois motivos. O primeiro foi que eu tinha vontade de trabalhar com política, por causa de minha família e o segundo foi porque, sempre tive facilidade nas humanas. Então escolhi ciências sociais por causa desses dois aspectos.

Quais são seus objetivos como cientista política?

Ganhar dinheiro (risos), trabalhar na área de política como assessora política e na elaboração de projetos.

Quando percebeu que tinha um interesse pela política?

Na realidade o meu interesse pela política começou quando ocorriam os processos eleitorais. Eu queria compreender o que é o parlamento, compreender o que é um partido, pra poder não ser massa de manobra.

Como seus pais lidam com sua escolha? Eles te incentivam?

Então, no primeiro momento não. Porque é um curso que não tem propaganda. O curso que meus pais queriam que eu fizesse era direito ou na área de saúde. Porque acreditam que o retorno financeiro é mais rápido.

O que te levou a querer desenvolver esse projeto?

O projeto, o nome é “Inclusão e Cidadania”. Nós estávamos em uma reunião com um partido e nessa reunião surgiu a possibilidade de se criar um projeto social dentro de Itabuna que fosse trabalhar com a juventude. E que esse trabalhar com a juventude teria que despertar no aluno a vontade de se inserir no projeto como meio de alcançar um trabalho ou pelo menos um componente curricular. Então, sai pensando no projeto. O que seria possível criar dentro de Itabuna e que o jovem tivesse interesse? Porque pensar em trabalhar com a juventude menos favorecida, que chega com mais facilidade à questão de drogas, violência e prostituição, você tem que pensar “é, o único meio de alcançar esses jovens é por dois aspectos; ou um projeto que emocione, que trabalhe as relações afetivas. Ou um projeto que vá trabalhar e/ou dar chance a ele de se inserir no mercado de trabalho”. Então eu comecei a pensar nisso. Chego em casa, sentei, parei de pensar e vi a propaganda da copa do mundo. E ai falei “Pronto! O projeto já está armado em minha cabeça. Eu vou fazer um projeto que envolva a copa do mundo”. E foi quando surgiu, conversando com um amigo, a ideia de criarmos um projeto que trabalhasse com idiomas de atendimento ao público estrangeiro. E fomos à prefeitura, perguntando se seria possível criar um projeto de língua estrangeira dentro de comunidades de índice de violência grande, o prefeito falou que seria, mas questionou, qual seria o objetivo?…

No caso, então seria um projeto para a copa de 2014?

Exato. E ai pensamos em como iria ser desenvolvido esse projeto de língua estrangeira. E um dos pré-requisitos para esse projeto foi à elaboração de um convênio entre hotéis, entre parceiros políticos e agencias aéreas. Foi o primeiro aspecto a ser pensado.

Como funciona o projeto?

Então, o projeto ele tem a previsão de durar dois anos, aulas aos sábados. Três horas de aulas seguidas. Com dois tipos de metodologia, que é a prática da fala e a prática da escrita. O projeto tem três línguas estrangeiras, que é o inglês o francês e o espanhol. Os professores foram selecionados de acordo com a experiência na língua e a formação acadêmica. As metodologias das aulas poderiam chamar de uma copia bem feita de vários cursos de renome, como o Wizard, ACE, CCAA, entre outros.

Quantas pessoas estiveram envolvidas para a realização dele?

Nós temos hoje um quadro de 16 professores mais quatro coordenadores. Esses coordenadores são distribuídos por área. Então no caso, são três idiomas, fica um coordenador geral mais três em cada área; inglês francês e espanhol.

O que te levou a querer desenvolver esse projeto?

Em 2002, minha família se mudou para Itabuna, saímos de uma cidade com pouco mais de 12 mil habitantes que era Uruçuca uma cidade pequena e com alto índice de violência envolvendo jovens e crianças. O fato da violência simbólica ou física contra jovens é algo que fico angustiada. Quando pensei em fazer ciências políticas queria trabalhar na área de assistência a juventude, durante esses três anos de curso visitei  poucas vezes Itabuna sempre pensando em uma possível ideia para melhorar o quadro social da cidade.  Constatava a falta de projetos de inclusão do jovem no mercado de trabalho, Fui convidada pelo presidente da juventude de um partido para ajudar na campanha de um candidato a deputado com ótimas ideias para mudança da criminalidade entre jovens. Comovida com a violência em Itabuna e vendo jovens de minha idade sendo mortos por causa do trafico, resolvi procurar o prefeito de Itabuna para oferecer o projeto Inclusão e Cidadania para trabalhar com juventude.

Em quantos projetos você esteve envolvida durante seu curso?

Estive envolvida em dois projetos sociais. É interessante deixar claro assim, de que muita gente pensa que ciências sociais é um curso que ele tem a formação para ajudar ou modificar a sociedade. E ciências sociais é um curso que lhe ensina a conhecer a estrutura de um determinado fato, mostrando causas e efeitos e só. Ele não tem o aspecto de assistência social. Tem que ficar bem claro de que ciências sociais é totalmente diferente de serviço social. E ai é quando eu fujo um pouco da formação acadêmica, de que eu estou sendo formada para analisar uma estrutura da sociedade e não para fazer um projeto social de modificar essa sociedade.

Pode falar um pouco de cada um deles?

o primeiro foi desenvolvido em uma casa de candomblé aqui em Aracaju. Que é o projeto “Inclusão Digital”. O projeto atende a 100 jovens entre 15 a 29 anos, foi um edital que nós conseguimos através do Governo Federal, ele distribui computadores, mesa, e você tem que ter o espaço físico e tem que ter os professores para atender esses jovens. Esse projeto de inclusão social é um projeto que não é recente, ele vem sendo estimulado pelo governo federal há alguns anos. E nós conseguimos por dois motivos, um porque o projeto estava muito bem elaborado e o outro foi pela quantidade de vagas que o governo ofereceu pro estado de Sergipe. E o segundo projeto é esse que a gente está desenvolvendo na Bahia, que é o “Inclusão e Cidadania”, que é para trabalhar com língua estrangeira

E o que pretende depois? Quero dizer, depois que se formar, o que planeja?

Então, isso ai é uma dúvida, né? Porque interesses e sonhos são muitos. Mas a gente sabe que alem da dificuldade do mercado de trabalho, a outra dificuldade é a falta de experiência no campo. Minha formação me permite trabalhar em sala de aula e que eu também posso trabalhar na área de assistência política, na área de pesquisa. Então, eu pretendo que eu consiga um trabalho em uma dessas áreas, ou na área de pesquisa ou na licenciatura mesmo.

Falando de política. Como você encara o atual cenário político do país?

Se a gente for pegar do ponto de vista macro, tem muita coisa a se falar. Em outros aspectos é a força que o Lulismo tem aqui no Brasil de conseguir quebrar um preconceito ou, eu poderia classificar como preconceito mesmo, da chegada da mulher no poder. Então você tem um governo em que 80% da população aprova, você coloca ai que 60% dessa população, ela é de classe baixa e classe média, então você encara isso como um fato histórico politicamente, pegando da trajetória de Lula, de que foi um operário, de que entrou na política no país, onde tem-se a ideia de que o presidente tem que ter um nível superior, podemos encarar uma mudança no comportamento social, que a capacidade não está ligada à formação acadêmica.

E nossa juventude? Como você analisa a relação dela com a política?

A juventude não se preocupa com os efeitos que a política pode causar em sua vida. Observo que a falta de preocupação é um fator que vem da formação educacional, os jovens não são despertados para compreender quais os motivos que eles devem se preocupar e participar da política. Os partidos criaram a ala jovem para incentivar a filiação e a participação da juventude na política, mesmo com esses mecanismos a participação da juventude militante ainda é precária.

Pretende seguir carreira política algum dia?

Quando era mais jovem imaginava que a carreira política fosse algo fácil de administrar, quando comecei a trabalhar nos bastidores da política percebi que não tenho características pessoais para dedicar a ser representante do interesse coletivo.

Projeto Noite Feliz leva emoção e esperança para a vida de moradores de rua e dos adultos com câncer da AAACASE.

Posted in Cidade, Cultura, Politica Pública by micheletavares on 08/12/2010

Por Maíra Araújo

Organizadores do Projeto Noite Feliz (Foto do site http://www.plugmania.com.br)

Basta observar os moradores de rua de Aracaju para se sensibilizar com a situação de cada um. Muitas mães com filhos pra criar, mas sem uma visão ou esperança de alguma melhoria em suas vidas. Foi então que alguns universitários resolveram criar o Projeto Noite Feliz. A ideia surgiu no ano de 2009 e logo os idealizadores começaram a concretizá-la. No dia 23 do mês de dezembro do mesmo ano esses jovens foram as ruas e distribuíram 86 quentinhas em bairros da cidade. Esse ano o projeto escolheu uma ONG, a AAACASE, para receber as suas doações. Quem irá nos falar sobre o assunto é o Analista de Desenvolvimento de Sistemas, Cézar Ayran, organizador e voluntário do projeto. Cézar tem 21 anos e além de ser um cidadão consciente e apaixonado por mídia, também comanda a equipe do Portal PlugMania, um dos sites de maior divulgação desse projeto que vem colocando esperança, mesmo que pequena, nos corações dessas pessoas.

Cézar Ayran (Foto: arquivo pessoal)

 

O Noite Feliz foi criado depois que você e seus amigos notaram a grande quantidade de moradores de rua nos arredores do prédio “Maria Feliciana”. Como foi essa ocasião?

Eu e duas amigas sempre que saíamos da faculdade passávamos por esse prédio a noite, onde fica um aglomerado de pessoas nas mediações. Várias cenas inusitadas e tristes já vimos por ali, foi isso que nos motivou.

Depois que vocês já tinham em mente a ideia do projeto formada, como seus amigos e familiares reagiram?

Tivemos o apoio máximo de todos, eles até colaboraram no dia da entrega das quentinhas (em 2009).

Antes do Noite Feliz, você já havia participado de alguma campanha de cidadania ou alguma iniciativa voluntária?

Não, e acredito que tanto eu quanto meus amigos nunca tínhamos participado de algum projeto social deste tipo.

Como foi a sensação depois de entregar as quentinhas aos moradores de rua; ou seja, de ver o projeto efetivado?

Foi emocionante. Ficamos alegres por conseguir fazer um pouco por eles, mas ao mesmo tempo tristes por não conseguir atender a todos.

E este ano, por que vocês resolveram mudar a forma de ação e escolher uma ONG para apoiar?

Queremos centralizar as doações. Nas ruas existe muita gente e foi complicado. Nós corremos até alguns riscos.

Como foi o processo de visitação das ONGs para a seleção da instituição alvo deste ano e por que a AAACASE foi escolhida?

Visitamos algumas ONGs, discutimos a que mais atendia às possibilidades do Projeto Noite Feliz e a AAACASE foi escolhida pela proposta que ela oferece a sociedade: adultos com câncer não sensibilizam tanto quanto crianças com câncer. Por este motivo nós a escolhemos.

Além de idealizador, você também participa da exposição do projeto na imprensa através da página do Noite Feliz e do seu próprio site, o PlugMania. Como é feita a divulgação do projeto na mídia?

Não sou o único idealizador (risos). Isso é o que a imprensa está dizendo, pois sou o assessor de comunicação do Projeto, então às vezes o texto é distorcido e não tenho muito que fazer quanto a isso. Trabalho com mídia a mais de 5 anos, tenho vários contatos e já trabalhei em redes de TV a um tempo atrás e tenho amigos nesta área, então conto com o apoio de todos.

Há alguma movimentação da mídia em torno do projeto ao longo do ano ou apenas durante as vésperas da campanha?

Não. Infelizmente a imprensa sergipana só nos procura quando o projeto já está finalizando, apenas alguns divulgam antes.

Empresas como o G Barbosa e instituições como a UFS então apoiando o projeto. Como se formam essas parcerias entre o Noite Feliz e as empresas e órgãos?

O  Gbarbosa doou as camisas do Projeto. A UFS e outras instituições cederam o espaço pra que os voluntários pudessem ir nas salas de aula informar sobre o projeto e colher doações.

Houve alguma dificuldade em encontrar parceiros?

Sim, pois nem todos conseguem se sensibilizar com a ideia do projeto e as necessidades dos atendidos pela AAACASE, então nos viramos com o que temos.

Onde estão situados os pontos de coleta e quando será feita a entrega das doações?

As caixas de coleta ficam na recepção das instituições parceiras, FANESE, Faculdade Atlântico e UFS. Depois do dia 05 de dezembro as caixas foram retiradas para contabilização das doações. As doações serão entregues no próximo domingo dia 19.

Como se tornar voluntário do Projeto Noite Feliz?

Antes de mais nada é preciso ter vontade de ajudar e não ficar esperando por outras pessoas. Correr atrás e ter fé que podemos conseguir aquilo que almejamos.

Há um reconhecimento efetivo por parte da sociedade?

Como é um projeto voluntário, algumas pessoas se empolgam, outras nem tanto. Cada um faz sua parte.

Em Aracaju, é notável a presença de moradores de rua em vários pontos da cidade. Você acha que há uma deficiência do poder público em suprir essas necessidades?

Sem dúvida. Eles sobrevivem de doações e o governo precisa de planos para suprir isso, criar maneiras de ajudar essas pessoas, conhecer suas histórias.

Houve uma boa receptividade por parte dos moradores de rua?

No primeiro ponto de coleta foi meio assustador. As pessoas correram para próximo do carro e muitos ali não tem certa educação. É complicado, tem que ter muita paciência e conversar bastante pra que eles se acalmem e esperem sua vez.

Algum desses moradores chegou a lhes receber mal?

Tivemos alguns momentos difíceis no segundo ponto de distribuição, porque a comida estava acabando, mas foi bem resolvido.

Depois que a ação é empreendida, há algum acompanhamento àqueles que receberam os donativos?

Em 2009 foram os moradores de rua, este ano é uma ONG, a AAACASE, quando estiver tudo pronto é que vamos definir como será o Pós Projeto Noite Feliz.

Você e toda a equipe tem alguma intenção em estender o projeto para além da data do Natal?

No momento só podemos fazer isso neste período por conta da limitação de voluntários e parceiros.

Acredita que a solidariedade é capaz de resolver o problema da pobreza?

Pode não resolver, mas ajuda e muito.

Equipe reunida (Foto do site http://www.plugmania.com.br)

 

Turismo em Sergipe

Posted in Cidade, Politica Pública, Turismo, Uncategorized by micheletavares on 10/11/2010

Com investimentos centralizados, o turismo no estado é uma fábrica sem chaminés

Por Andréa Cerqueira e Nara Melo

Idealizada para ser capital de Sergipe, após transferência de São Cristovão, Aracaju foi fundada em 17 de marco de 1855, pelo presidente em exercício na época Inácio Joaquim Barbosa. Projetada em formato de um tabuleiro de xadrez, a cidade tem vasto roteiro turístico. O menor estado do Brasil tem consagração do setor turístico na capital e um potencial no interior elevado. Entretanto, as políticas públicas de incentivo se restringem a pólos específicos, considerados com maior potencial turístico. Buscando uma maior integração entre os 75 municípios do estado, convênios são firmados e as mudanças aparentam começar em breve.

Sede do Sebrae Aracaju Foto: Andréa Cerqueira

“O turismo no Estado está crescendo com abertura de novas empresas”, defende a gestora de turismo do Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), Bianca Esperidião de Faria. Ela acredita que a concentração de turistas ocorra principalmente nos períodos de janeiro a fevereiro e de junho a julho. Entretanto isso acontece porque a divulgação é focada em eventos específicos e já conhecidos, como a prévia carnavalesca de Aracaju (Pré-caju) e os festejos juninos, como o Forró-Caju.

Festa do pré-caju na capital no período que varia de janeiro a fevereiro Fonte: br.olhares.com

Forró Caju Fonte: overmundo.com.br

Contudo, para efetivar a publicidade do turismo loca, parcerias são firmadas entre prefeituras locais, instituições de aperfeiçoamento profissional (como o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI)) e instituições do ramo turístico (como agências, hotéis, bares e restaurante). Todos os parceiros entram com o capital e o SEBRAE entra com a capacitação das pessoas que trabalham na área do turismo e na divulgação dos eventos tanto no estado quanto em outras capitais.

Divulgação                                                                                                               

A participação do poder público no quesito turismo é contínua. A divulgação em feiras e eventos nacionais e internacionais, a exemplo da Feira de Turismo de Gramado, do Salão de Turismo, da Feira da ABAV coloca Sergipe entre os principais destinos turísticos do país. Mas existe a problemática em relação à população interiorana, de que não enxerga a cidade em que mora como uma potência tanto no turismo quanto na economia. “No interior há uma falta de políticas públicas na área de infra estrutura“, diz Bianca Esperidião.

Mapa Turístico da capital Fonte: Portaldearacaju.com

Em Aracaju, a principal crítica que se tem é a falta de visitação no Parque da Cidade motivada pela falta de sinalização em todo o estado, fato que parece está sendo resolvido com instalação de sinalizações desde o início do mês de outubro. Na capital, a gestora de turismo do Sebrae aponta a Orla de Atalaia, a Colina do Santo Antônio, a 13 de julho, o Centro histórico, os Mercados Albano Franco e Tales Ferraz como principais pontos de visitação.

A Emsetur juntamente com o SEBRAE apresenta o estado nas exposições. De acordo com o presidente da Emsetur, José Roberto Lima, os locais turísticos do interior são apresentados seguindo a divisão: Cidades Históricas (São Cristóvão e Laranjeiras), Litoral Norte (Pirambu e Foz do Rio São Francisco), Litoral Sul (Caueira, Abaís e Praia do Saco) e Rota do Sertão (Serra de Itabaiana e Parque dos Falcões, Roteiro do Cangaço e o Canyon). A gestora de turismo do SEBRAE, Bianca Esperidião, completa dizendo que a grande Aracaju e o portão de entrada para as demais cidades.

“O turismo de aventura e de eventos está em alta em Sergipe com a

Presidente da Emsetur, José Roberto Lima Fonte:http://www.turismosergipe.net/

divulgação de melhorias no Parque dos Falcões, além da continuidade do Encontro Cultural de Laranjeiras e a interiorização do Verão Sergipe”, afirma o presidente da Emsetur. Contrapondo a afirmação, em palestra sobre o turismo em Sergipe, o sócio fundador e coordenador do Parque dos Falcões, Ricardo Alexandre Correia, fala que o ecoturista ou “ecocurioso” está em ascensão por que o meio ambiente está sendo degradado, o turismo massivo destrói o meio ambiente por ser uma “invasão” no habitat daqueles animais.

Investimentos

A Sedetec atualmente trabalha com um programa nacional de incentivo ao turismo chamado Programa Nacional de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur). De acordo com o coordenador operacional do Produtor, Luiz Carlos de Santana, os recursos são liberados pelo Ministério do Turismo, com a contrapartida do Estado. “Hoje temos duas frentes de trabalho: uma são os convênios firmados com o Ministério do Turismo, que somam 40 milhões de reais. A outra, e mais importante, é o financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que totaliza um montante de 100 milhões de dólares”, informou.

Entretanto, o investimento do Prodetur só pode ser destinado aos municípios que fazem parte das duas áreas consideradas pólo turístico no Estado. São elas: Pólo do Velho Chico, que abrange 17 municípios que margeiam o rio São Francisco, e o Pólo Costa dos Coqueirais, que inclui três municípios ao longo da Costa, além das cidades históricas de São Cristóvão e Laranjeiras. “Basicamente o turismo no litoral é considerado de sol e praia, do norte como ecoturismo e São Cristóvão e Laranjeiras que se caracterizam como turismo histórico-cultural” afirma Luiz Carlos.

A utilização dos recursos financiados pelo BID deve possuir cinco componentes: recuperação (de museus, orla, de coisas já existentes), estratégias de comercialização (para divulgar o turismo do estado), fortalecimento profissional (projetos de capacitação profissional, planos diretores), infra-estrutura e serviços básicos (aterro sanitário, construção de rodovias e orlas, atracadouros) e gestão ambiental (ações diretamente ligadas ao ambiente, utilização de novas tecnologias). Para se utilizar dos recursos do BID, as ações devem contribuir para o desenvolvimento do turismo nas localidades próximas. Segundo Luiz Carlos, atualmente está sendo construída uma rodovia que ligará a sede do município de Santa Luiza ao povoado Castro, fato que impulsiona a construção de uma orla/atracadouro no povoado, além de acarretar a melhoria do saneamento básico.

O objetivo a ser alcançado hoje é a construção de um roteiro integrado para o turista, onde ele possa pernoitar no interior, retirando a característica de passeio. A integração favorece não só as cidades pólo, mas todas que estão
próximas, ou seja, fazer com que as cidades do interior sejam pontos de hospedagem como na capital. “A idéia é que o turista pernoite em Canindé, e depois faça passeios para a Ilha do Ouro, e pela Foz do Rio São Francisco, por exemplo”, finaliza.

Em Aracaju existem três projetos na base da capacitação, feita pelo Sebrae, como o selo de qualidade no empreendimento, seja hotel, pousada ou restaurante. Existe também pela Emsetur, um programa de treinamento de mão de obra, de capacitação para melhor atender o turista. Entretanto, esse programa ainda não está ativo no interior do estado.

“O ponto de principal no turismo é a malha aérea de Sergipe que se tornou um destino caro pela dificuldade de se chegar aqui”, pontua a Bianca Esperidião. Os aeroportos não comportam muitos vôos, são poucas escalas tendo Sergipe como destino. Entretanto há rumores de que uma reforma no aeroporto sergipano seja feita ainda esse ano, mas nada foi divulgado oficialmente.

O principal questionamento é relacionado à efetividade e centralização das políticas públicas voltadas para o turismo. De fato, as prefeituras devem distribuir melhor os recursos recebidos pelo Governo Federal. Em contrapartida, os órgãos responsáveis pela melhoria e divulgação das cidades com potencial turístico devem capacitar e informar a população local de cada ponto, pois em muitas localidades a prática do turismo é feita de forma primária, sendo que a publicização se restringe, em muitos casos, apenas ao turismo cultural.

Câncer Infantil: Até onde o direito à vida e à saúde das crianças e dos adolescentes é assegurado?

Posted in Crítica, Politica Pública, Saúde by micheletavares on 09/11/2010

Por Manuella de Miranda Vieira

 

     Realizou-se no dia 16 do último mês de setembro na Associação dos Voluntários a Serviço da Oncologia em Sergipe (AVOSOS) uma palestra com o tema “Câncer Infantil: Quando pensar?”, com o intuito de chamar atenção dos médicos para a doença e especialmente para discutir maneiras de diminuir o estigma que a doença ainda carrega.

    O evento teve como palestrante a médica Teresa Cristina Fonseca, de Itabuna-BA, especialista em oncologia pediátrica e também responsável pela implantação do projeto “Diagnóstico precoce: o caminho mais curto para a cura do câncer infanto-juvenil”, desenvolvida pela AVOSOS. A palestra abordou os sintomas e cuidados com as crianças e adolescentes com câncer e foi destinada á médicos. Além disso, também foi apresentado o novo serviço de onco-pediatria oferecido pela Associação.

    A partir disso abre-se uma discussão muito importante: até onde o direito à saúde é assegurado à crianças e adolescentes em nosso estado? Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) o direito à vida e à saúde é um dos direitos fundamentais. O art. 7º do estatuto diz: A criança e o adolescente têm direito a proteção á vida e á saúde, mediante a efetivação de políticas públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência. Outro artigo importante é o 10º que diz: é assegurado atendimento integral á saúde da criança e do adolescente, por intermédio do sistema único de saúde, garantindo o acesso universal e igualitário ás ações e serviços para promoção, proteção e recuperação da saúde.

    Mas será que isso tudo realmente é assegurado? A própria AVOSOS é uma das provas que o artigo 10 não é respeitado. Afinal se as crianças e adolescentes com câncer tivessem todo o atendimento apropriado assegurado pelo governo, não precisariam existir associações como ela para ajudar a melhorar a vida dessas pessoas.

Marcela Matos, Assessoria de Comunicação da AVOSOS Foto: Manuella Miranda

   Segundo Marcela Matos da assessoria de comunicação da AVOSOS, atualmente a associação atende trezentos e cinqüenta e quatro crianças e adolescentes com câncer e doenças hematológicas crônicas. Ou seja, esse total de crianças e adolescentes que deveriam estar sendo atendidas, em todos os aspectos, pelo governo do estado em que moram, está sendo ajudada voluntariamente por pessoas que não tem obrigação, mas que possuem um coração de ouro e que fazem de tudo pelo bem estar delas.  

   “Não há uma parceria entre Governo do Estado e AVOSOS. As crianças ao chegarem ao hospital João Alves são examinadas, e se detectada a doença em seguida são encaminhadas à uma instituição de apoio”, explica Marcela. No caso à própria AVOSOS ou outra, como o GACC. Ou seja, o tratamento é feito no HUSE, mas todo o resto do atendimento quem oferece são as instituições.

  Toda essa falta de assistência acaba comprovando que o sistema de saúde sergipano não é um dos melhores, ou melhor, nem chega a ser bom. A missão da AVOSOS é atuar em todo Estado de Sergipe, criando e articulando soluções em uma rede de ações, visando contribuir de forma integral para a melhoria do tratamento e da qualidade de vida de crianças e adolescentes com câncer e doenças hematológicas crônicas. O que prova que o tratamento correto não é oferecido pelos órgãos competentes, porque senão a associação não precisaria contribuir para melhorar o tratamento e a qualidade de vida dessas crianças e adolescentes.

   Marcela Matos ainda ressalta que a AVOSOS não discute a questão de que o direito à vida e à saúde não é assegurado pelo governo do estado, porque essa questão não é setorizada, mas sim um problema nacional.

  Tudo isso acaba por comprovar que nós elegemos políticos que não estão nem um pouco preocupados com a saúde do futuro do nosso país, que são as nossas crianças. E mais, nos faz pensar se é esse o mundo onde queremos que nasçam os nossos filhos. Talvez nós não tenhamos escolha, ou talvez, nós temos.

“Dos filhos destes solo, és mãe gentil…”

Posted in Politica Pública by micheletavares on 08/11/2010

Plebiscito popular realizado em Setembro irá interferir direta e indiretamente na vida de milhares de pequenos agricultares e grandes latifundiários do país

Por Matheus Alves

 

No dia 13 de março de 1964, o então Presidente da República, João Goulart, assinou um decreto prevendo a desapropriação, para fins da reforma agrária, das terras localizadas numa faixa de dez quilômetros ao longo das rodovias, ferrovias e açudes construídos pela União, perante uma multidão de 300 mil pessoas na Estação Central do Brasil. Entretanto, essa reforma pretendida não ocorreu, pois este foi seu último ato como Presidente do Brasil. No final do mesmo mês, os militares assumiram o poder e puseram fim ao que seria o inicio de uma serie de mudanças que nunca ocorreram desde a colonização de Portugal.

Logotipo da campanha - Retirado do Google Imagens

Entre os dias 01 e 12 de Setembro de 2010, ocorreu em todo território nacional um plebiscito que tinha como objetivo instituir o limite à propriedade privada em 35 módulos fiscais, que corresponde a 175 hectares (em caso de imóveis próximos às capitais) e 3.500 hectares (para propriedades em regiões como a amazônica, com baixo índice de pessoas por quilômetros quadrado). O plebiscito foi uma campanha criada em 2000, pelo Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo (FNRA), e consiste em conscientizar e mobilizar a sociedade brasileira para incluir na Constituição Federal um novo inciso que limite as propriedades rurais. Se a medida fosse implementada durante os próximos meses, haveria uma disponibilidade imediata de terra para cerca de 200 mil famílias do campo, atingindo apenas 50 mil proprietários de terra.

Adotando como titulo, “Campanha pelo Limite da Propriedade da Terra: em defesa da reforma agrária e da soberania territorial e alimentar”, a campanha tenta explicitar para a população os dados levantados em 2006 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Como por exemplo, o fato de no Brasil, 2,8% das propriedades rurais serem latifúndios e ocuparem mais da metade de extensão territorial agricultável do país (56,7%), enquanto que as pequenas propriedades representam 62,2% dos imóveis e ocupam apenas 7,9% da área total. Junto com esses dados, é necessário considerar também o fato de que, 70% dos alimentos na mesa dos brasileiros vêm da agricultura camponesa e que as grandes plantações que temos atualmente, visam à lógica capitalista da exportação, como é o caso da soja, cana-de-açúcar, eucalipto e o tradicional café.

Uma enquete realizada no site da campanha (www.limitedaterra.org.br), apenas obteve cerca de 16533 votos, sendo 77,1% deles dos internautas que concordavam com o limite à propriedade rural e as melhores condições de vida que ela supostamente traria, enquanto que 21,0% disseram ser contra e 1,8% não souberam responder. Porém, pela pouca quantidade de votos, comparado com a população nacional, não há como precisar se esse resultado favorável poderá vir a repercutir no resultado oficial.

O MST é um dos apoiadores da Campanha - Fotografia retirada do Google Images

Apesar da restrita divulgação por parte dos integrantes do Fórum e de demais organizações que apoiam a ideia, o plebiscito não foi amplamente divulgado quanto o necessário para atrair maior participação popular. Pouco ou quase nada, foi veiculado nas mídias de massa em geral, não atingindo a grande população.  Alguns jornais renomados emitiram apenas uma nota sobre a realização do plebiscito, sem nenhuma informação adicional. Até mesmo na internet é difícil ter acesso a alguma informação, se não pela mão dos próprios organizadores ou fazendo uma minuciosa busca utilizando palavras-chave em sites especializados.

No Estado de Sergipe, 64,5% (41.604) dos imóveis rurais são sítios pequenos com menos de 30 Módulos Fiscais, ocupando 8,83% (139.539,1 ha) da área do Estado.  Os grandes latifundiários sergipanos são 0,14% (91 fazendeiros) e possuem o controle de 10,14%  (160.268,9 ha) das terras do Estado. Entretanto, segundo dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), entre janeiro de 1980 e setembro de 2010, foram conquistados 201 assentamentos, somando 9.228 famílias, reformando um total de 172.507,3217 ha, segundo dados do INCRA.

Mais da metade dos minifúndios que existem no estado, encontra-se dentro das normas que os integrantes do Fórum esperam alcançar para todo o território nacional. Entretanto, eles ocupam apenas menos de 10% do estado, enquanto que uma minoria considerável de latifundiários possuem mais de 10% do território. Quando se leva em consideração a quantidade de famílias que foram assentadas num período de 30 anos e a quantidade de terra que está sobre o controle de uma pequena parte, fica claro que o processo é lento, burocrático e que ainda a muito para ser feito.

Uma coletiva de imprensa foi realizada na terça-feira, dia 19, em Brasília, para a divulgação do resultado oficial do plebiscito popular. Esse  ato seria realizado durante a III Plenária Nacional do Fórum, que estava prevista para acontecer nos dias 18 e 19 de Setembro. A data para o resultado foi mantida, porém a plenária, que será de caráter avaliativo e contará com as representações estaduais, foi adiada para acontecer nos dias 30 de novembro e 1º de dezembro.

Agricultores utilizaram seu direito a cidadania para buscar melhores condições de vida - Fotografia retirada do Google Images

Foi um total de 519.623 pessoas, em 23 estados brasileiros e no Distrito Federal, que participaram das votações. Só não participaram do mesmo, Santa Catarina, Amapá e Acre que optaram por fazer somente um abaixo-assinado. As votações estavam abertas para pessoas acima de 16 anos, que pela lei, já tem capacidade de votar. Foram duas as perguntas formuladas as quais se deveriam responder “sim” ou “não”. A primeira era se “Você concorda que as grandes propriedades de terra no Brasil, devem ter um limite máximo de tamanho?” E a segunda se “Você concorda que o limite das grandes propriedades de terra no Brasil possibilita aumentar a produção de alimentos saudáveis e melhorar as condições de vida no campo e na cidade?”

Em relação à primeira pergunta, 95,52% (495.424) dos votantes responderam afirmativamente, 3,52% (18.223) negativamente, 0,63% foram votos em branco e 0,34%, votos nulos. Em relação à segunda pergunta os que responderam sim foram 94,39% (489.666), enquanto que 4,27% (22.158) responderam não, 0,89 % foram votos em branco e 0,45%, os votos nulos. O estado de Sergipe, recebeu um total de 3.945 votos, sendo destes 3.887 favoráveis em relação à primeira pergunta e 52 contrários. Em relação à segunda, 3.876 votos foram favoráveis e 62 contrários.

Plínio de Arruda, ex-candidato à Presidência votando no Plebiscito - Foto por Cristiano Magalhães

A coletiva aconteceu na sede do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), e teve inicio por volta de nove horas da manha. Além de especialistas que fizeram à análise do resultado, estiveram presentes também, representantes do Conic, da Via Campesina, da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do FNRA.

Foram 300 mil pessoas que presenciaram o Presidente João Goulart assinar o decreto de reforma agrária em 65. Nas eleições do plebiscito foram mais de 500 mil votantes. Com um acréscimo de um pouco mais 200 mil pessoas em 45 anos, fica claro que a população ainda almeja-se que, de certa forma, retome-se o que Jango começou.

Além do Patrimônio Histórico

Posted in Politica Pública by micheletavares on 26/10/2010

Falta de estrutura sanitária no Rosa Elze mostra a discrepância entre patrimônio histórico e periferia em São Cristóvão

Por Nayara Arêdes

Esgoto a céu aberto é elemento integrante da paisagem no Rosa Elze (Foto: Nayara Arêdes)

“Esgotamento sanitário: constituído pelas atividades, infra-estruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, tratamento e disposição final adequados dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente”. Embora este trecho da lei número 11.445 – a Lei do Saneamento Básico, de 2007 – afirme o sistema de esgotos sanitários como um direito de todo cidadão, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) evidenciam que apenas 49% do esgoto produzido no Brasil é coletado por meio de rede. E é em algum lugar desses 51% restantes que podemos destacar o Bairro Rosa Elze, localizado entre os municípios de Aracaju e São Cristóvão. Tendo pontos de acúmulo de água contaminada como parte de sua paisagem urbana, o Rosa Elze mostra que a quarta cidade mais antiga do país tem algo bem menos nobre que seu título de patrimônio histórico da humanidade a mostrar.

Embora a construção do campus da Universidade Federal de Sergipe (UFS) tenha ocorrido na década de 80, fato que aumentou a concentração populacional e transformou o Rosa Elze numa grande área urbana, a região cresceu sem assistência de políticas públicas. Como alternativa à falta de esgotamento sanitário, a população construiu fossas ligadas ao sistema de drenagem pluvial. Tudo que escoa pelos ralos das residências é drenado e acaba sendo despejado no rio Poxim. Sem nenhum tipo de tratamento.

Como a eficiência das fossas sépticas chega a no máximo 60%, o que ela não dá conta transborda e fica concentrado em sarjetas e poças nas ruas do Rosa Elze. Em outras palavras: o bairro é permeado de lodo, mosquitos, ratos, mau cheiro, e até lixo e fezes. Com as chuvas, a situação se agrava. Sendo plana a topografia da região, a água se acumula muito facilmente e dificulta o trânsito da população. “Quando chove isso aqui fica um rio, não dá pra levar o menino na escola, a água entra na casa de todo mundo”, diz a moradora Maria Clara.

Moradores convivem diariamente com a falta de saneamento básico (Foto: Nayara Arêdes)

Além da água empoçada, as próprias medidas para solucionar a situação se constituíram num problema. No ano de 2007, o Governo Federal deu início a obras para a melhoria do sistema de drenagem. Sem a continuidade do repasse da verba, porém, a obra não pôde ser concluída. E o quadro ainda permanece o mesmo desde então: tubos de captação ficam a mostra na superfície da avenida e blocos de pavimentação soltos, bloqueando a passagem de veículos. “Sempre foi a mesma coisa. A gente já chamou a reportagem, eu já dei entrevista um monte de vezes, mas ninguém faz nada”, acrescenta Maria Clara.

Consequências

Sabão, gordura, restos de alimentos, fezes de animais. Onde deveria circular apenas água da chuva, todo tipo de dejeto é jogado. O produto do descarte do bairro Rosa Elze está causando um visível desequilíbrio ambiental nas águas do rio Poxim, fruto do acúmulo de nutrientes. O constante despejo de cargas extras de matéria orgânica dá origem a algas invasoras, como é o caso da chamada “baronesa”, que marca a paisagem. O rio, que é responsável por aproximadamente 20% da demanda de água em Aracaju, contém alto nível de contaminação fecal e é considerado pela Administração Estadual do Meio Ambiente (ADEMA) como o mais poluído do estado.

Segundo o professor do Departamento de Engenhara Química (DEQ) da UFS e especialista na área de tratamento de água e efluentes, José Jailton Marques, um atenuante no que diz respeito ao despejo de conteúdo residual no Poxim é a presença de charcos em suas margens. Os charcos funcionariam como uma espécie de barreira de proteção natural que ajudam a filtrar a água. Quanto a esta questão, ainda alerta: “aumentando a população, haverá uma sobrecarga que os charcos não serão capazes de barrar”.

Há ainda que se destacar a exposição da população a águas contaminadas e o iminente risco de doenças, sobretudo nas áreas de invasão. A proliferação de bactérias e animais pode dar origem a enfermidades como disenteria, poliomielite, leptospirose e febre tifóide. “Por enquanto não há ocorrências de doenças diretamente causadas pela falta de saneamento na área. Mas é preciso que haja uma medida para resolver essa situação, que é de fato perigosa”, diz o diretor do Posto de Saúde do Rosa Elze, Adalberto Silva.

O que está sendo feito

 

Placas indicam início do projeto de implantação da rede de esgoto na entrada da sede de São Cristóvão (Foto: Nayara Arêdes)

Foi iniciado neste ano, numa parceria entre Governo Federal e Governo do Estado, um projeto para a implantação de uma rede de esgoto em toda São Cristóvão. A obra deverá ser concluída em duas etapas: a primeira frente, que já está ativa, diz respeito ao centro histórico e corresponde a um investimento de aproximadamente R$ 4 milhões; e a segunda frente, que abrange as áreas periféricas do município, incluindo o Rosa Elze. A segunda fase do projeto deverá ser iniciada em 2011, com prazo de dois anos para a finalização.

A iniciativa foi fruto do acolhimento de uma ação civil para a preservação do rio Poxim pelo Ministério Púbico de Sergipe, em meados do ano passado. Além de requisitar o esgotamento sanitário no prazo máximo de um ano, o Ministério Público condenou o município a não mais lançar qualquer tipo de água residuária sem prévio tratamento no leito do rio e ao pagamento de uma indenização para sanar o impacto ambiental causado. Caso a ordem não seja cumprida, o município poderá ser multado no valor de R$ 20 mil por dia.

Além disso, até o dia 31 de dezembro deverá ser resolvido o impasse entre a Companhia de Saneamento de Sergipe (DESO) e o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE). Legalmente, o SAAE deveria dar conta do saneamento básico em todo o território de São Cristóvão. A DESO, no entanto, assumiu o serviço no conjunto Eduardo Gomes, alcançando também o Bairro Rosa Elze. Até o fim deste ano deverá ser oficialmente estabelecido qual concessionária será responsável pelo município de forma total.

Recentemente o Rosa Elze recebeu em sua área dois condomínios residenciais, o Novo Sol e o Vila Real. Como exigência para a construção dos empreendimentos foi requisitada uma licença através da ADEMA, determinando a auto-suficiência dos sistemas de esgoto dos residenciais. Cada condomínio deverá se responsabilizar pela captação, tratamento e descarte de seu próprio esgoto.

Enquanto a implantação da rede de esgoto no Rosa Elze não começou, há uma licitação para a drenagem de dois pontos de acúmulo de água previsto para o mês de novembro. E mesmo tais medidas paliativas são dificultadas pela escassez de recursos. De acordo com o secretário de infra-estrutura de São Cristóvão, Marcos Souza, os recursos próprios são difíceis por que o crescimento do município tem sido intenso. Além disso, a folha de pagamento abarca uma grande parte da renda.

Como medida caseira de reparação para as condições do bairro, José Jailton explica não haver muitas alternativas viáveis. Para ele, a saída mais indicada é a construção de fossas bem dimensionadas, compatíveis com o número de moradores de cada residência. Mas destaca: “essa não é uma obrigação da população. Ter um saneamento básico adequado é um direito assegurado por constituição, e a garantia de condições dignas está embutida no IPTU”. A este respeito, Marcos Souza afirma: “as pessoas contribuem para a situação do esgoto, por que não cuidam de suas próprias fossas. A fossa tem que ser fechada e bem direcionada, sua função é de apenas reter os dejetos. A depuração da água deve ser feita através de sumidouro ou filtro”.

Ampliando o foco

O quadro mostrado pelo bairro Rosa Elze serve de ilustração para um panorama que se configura em nível nacional. Segundo dados do site Esgoto é Vida (http://esgotoevida.org.br/index2.php), cerca de 87 milhões de brasileiros vivem em domicílios desprovidos de sistemas de coleta de esgoto sanitário. Destes, estima-se que aproximadamente 17 milhões despejem diariamente seu esgoto sanitário a céu aberto. O que se reflete diretamente na qualidade de saúde do país. Entre a população atingida pela falta de saneamento básico, as crianças são quem mais sofrem. 15 crianças de zero a quatro anos de idade morrem por dia no Brasil em decorrência de problemas de saneamento, sobretudo pela deficiência de redes de esgoto.

A primeira vista, o investimento em saneamento básico pode parecer bastante oneroso. Mas se levarmos em consideração que para cada R$ 1 investido na área de saneamento economiza-se R$ 4 na área de medicina curativa, percebemos que há uma relação de custo-benefício. Ou seja: a máxima da sabedoria popular que diz “é melhor prevenir do que remediar” está correta. E num local carente como o Rosa Elze, tal prevenção tem relevância fundamental.

Pelo fato de se localizar nos arredores de uma universidade federal e ser ponto estratégico no deslocamento entre a capital e a sede de São Cristóvão, o bairro Rosa Elze é uma área visada, que se amplia cada vez mais. Contrariando a lógica, porém, a região permanece esquecida e não oferece condições satisfatórias de infra-estrutura. Além do problema de esgoto, o bairro ainda tem um longo caminho a percorrer no que se trata de coleta de lixo, pavimentação e saúde, só para citar alguns exemplos. E percorrer este caminho é de vital importância por que antes de ser patrimônio da humanidade, um lugar tem que ser patrimônio de seus próprios moradores.

(Esquema: Nayara Arêdes)

(Esquema: Nayara Arêdes)

Planejamento Estratégico melhora justiça sergipana

Posted in Politica Pública by micheletavares on 26/10/2010

 O Planejamento Estratégico do TJSE está alcançando suas metas tornando-se modelo para outros estados

Por Luiza Cazumbá

Fachada do prédio do Poder Judiciário(Foto: Luiza Cazumbá)

Planejamento Estratégico é um método pelo qual a empresa define a mobilização de seus recursos para alcançar os objetivos definidos previamente propostos, em curto, médio e longo prazo, que serve de referência e guia para a ação organizacional.

Em 2009, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que tem a missão de orientar as ações administrativas dos tribunais de todo país, baixou a resolução 70 que entre outras metas, mede a implantação e a formalização do Planejamento Estratégico no Tribunal de Justiça de todo o país. Foram 10 metas na ocasião que o CNJ chamou de meta de nivelamento. O ano de 2009 para o Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE) foi constituído na elaboração, execução, distribuição interna, com eventos de divulgação para minuta de Planejamento Estratégico baseado também no Planejamento Nacional para a confecção do mapa, que está dividindo em três partes: Missão, Processos Internos e Recursos.

Em dezembro do mesmo ano, foi publicada a resolução 22 do Tribunal de Justiça que implantará no período de 2010 a 2014 os objetivos estratégicos do Poder Judiciário de Sergipe.  As metas proporcionam maior agilidade e eficiência nos trâmites dos processos, melhoria da qualidade do serviço jurisdicional, ampliando o acesso do cidadão à justiça.

Em junho deste ano, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) reportou o TJSE como modelo para o comitê gestor estratégico do judiciário brasileiro, utilizando a metodologia baseado no BSC – Balanced Scorecard, que uma metodologia de gestão estratégica de medição de desempenho desenvolvida pelos professores da Harvard Business School, Robert Kaplan e David Norton, em 1992.

 Assim, o CNJ orienta os demais tribunais a seguir a metodologia adotada pelo TJSE.  O CNJ em seu site tem um link para um canal estratégico que costuma publicar boas práticas de gestão da justiça em algumas áreas. O modelo de Sergipe está entre uma dessas ações dentro do próprio sistema que servem de referência para outros tribunais ficando conhecido e indicado como modelo para outros estados. Para o chefe de Planejamento Estratégico, Fabrízio Dantas, o sucesso do modelo de Planejamento Estratégico do TJSE se deu pelo fato do Tribunal de Justiça de Sergipe possuir uma cultura de planejamento.

 O mapa estratégico do Poder Judiciário de Sergipe tem como missão realizar justiça de forma célere e eficiente levando gradativamente a redução das taxas de congestionamento até 2014. Mas para isso é preciso direcionar todo o pessoal que faz parte do Tribunal seguindo um mesmo objetivo que é a estratégia, até mesmo a comunicação que o braço direito da estratégia. O Diretor de Planejamento e desenvolvimento do TJSE, Erick Silva de Andrade fala da importância da comunicação para a comunidade interna e o publico externo na divulgação das decisões do comitê gestor: “Sem a comunicação este processo estaria capenga”.

O planejamento estratégico traz algumas melhorias para a justiça de Sergipe como o auxilio na agilidade dos trâmites processuais, facilitando em muito a vida do advogado e possibilitando o acesso das informações referentes ao processo a todo e qualquer cidadão. Mas ao mesmo tempo apesar das melhorias, o problema da morosidade e do congestionamento dos processos ainda perdura. “Isso está diretamente relacionado à estrutura insuficiente com que conta o Tribunal, tanto do ponto de vista físico (prédios, equipamentos etc.), como de pessoal, para atender à demanda, ou seja, a todos aqueles que buscam a tutela jurisdicional do Estado”, diz a historiadora e advogada Raquel de Oliveira Sousa.
O planejamento estratégico possui várias ações que juntas compõem o objetivo maior. Entre elas:

Capacitação dos servidores

O planejamento estratégico oferece habilitação dos servidores fazendo com que todos tenham conhecimento do modelo, tornando-os multiplicadores dos objetivos e metas a serem alcançados pelo planejamento. “O curso de capacitação é muito proveitoso porque unem os servidores fazendo com que todos fiquem envolvidos nas metas que tem quer ser cumpridas por nós servidores”, afirma Lys Mendonça assessora do 2º Juizado Especial civil.

Pesquisa de satisfação

Fonte: TJSE

Todos os anos o tribunal de justiça ouve cerca de 5.000 pessoas entre os meses de agosto e setembro para saber como prestar melhor serviço à sociedade. Eles verificam a opinião dos “clientes”, fazendo os resultados virarem percentuais e esses em ações que materializam em melhoria para o serviço jurisdicional. “O atendimento na recepção não é muito demorado, mas às vezes quando tem audiência é mais demorado”, comenta Edna da Silva, dona de casa.  Já Maria Helena Rodrigues, dona de casa tem outra opinião: “O atendimento é muito demorado, já cheguei às oito horas e sai as 11 e não fui atendida”.

Informatização de processos

Fonte: TJSE

O método de virtualização de processos se deu pela necessidade de melhorar o sistema informatizado do Tribunal de Justiça de Sergipe. O sistema já existe a mais ou menos há oito anos nas comarcas do estado.  O tribunal de Sergipe foi o primeiro a disponibilizar uma ferramenta de controle processual exclusivamente para via eletrônica, fazendo uma justiça transparente. Dessa forma a sociedade pode ter acesso aos processos de maneira prática.

Premiação dos servidores

 O Tribunal de Justiça de Sergipe foi o 1º na implantação da Remuneração Variável, recompensando servidores que em suas unidades conseguirem diminuir o congestionamento através de indicadores. É uma premiação salarial a mais no ano seguinte, estimulando os servidores a realizarem um serviço melhor, alcançando um dos objetivos estratégicos.

O tribunal de Justiça de Sergipe com a implantação do planejamento estratégico está tendo vários avanços, a integração em todos os setores e unidades levando a uma melhor prestação jurisdicional que podem ser percebidos pela sociedade, garantindo um novo cenário para justiça sergipana.