Técnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística

Caminho das águas

Posted in Esporte, Reflexão by micheletavares on 07/12/2010

Presidente da Federação Aquática de Sergipe (FASE), o Dr. Márcio Porto fala sobre o atual lugar do pólo aquático em Sergipe e no Brasil.

Por Edson Costa

Onde está o pólo aquático? Nesse mês a TV Sergipe realiza uma competição estadual de natação, mas ela e outras mídias muito pouco falam sobre as outras modalidades aquáticas. A ignorância não paira somente sobre os aspectos administrativos e/ou político-econômico do esporte, mas sobre sua própria essência. Não são conhecidos os clubes e nem seus atletas, e até mesmo muitas competições passam despercebidas. E em contraponto a isso, vê-se conquistas expressivas e grandes nomes que vieram da prática do pólo aquático. A profundidade do debate extrapola a de qualquer piscina, pois se chega a crer que o fascínio demasiado pelo futebol estaria cegando aos brasileiros e a mídia. A grande maioria poderá pensar, e perceber que nada sabe sobre o pólo aquático.

Dr. Márcio Porto (Foto: Edson Costa)

Muito além de meras competições e títulos, pensar na exposição de modalidades esportivas, sem necessariamente privilegiar o pólo aquático, pode ser o caminho para fortalecer a educação, e até mesmo repensar o modo de se fazer entretenimento e comunicação nesse país. Flertando com temáticas tão amplas e diversas, percebe-se a plena capacidade do entrevistado em discorrer sobre todas elas. O Dr. Márcio Valença Porto é o atual presidente da Federação Aquática de Sergipe (FASE); é também membro da diretoria de desportos aquáticos da região Norte-Nordeste pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA). É advogado, e foi em seu escritório que se realizou a entrevista. Ele também já foi profissional de Ed. Física, e passou muitos anos lidando com educação. Casado, pai de dois filhos considera-se um esportista apaixonado, e frustrado por não poder ajudar a todas as modalidades, e dá as respostas com um tom equivalente.

 

 

Em muitos aspectos o polo aquático tem semelhanças com o futebol, que é consagrado como o esporte mais popular do Brasil. Mas, em sua opinião, por que ele é tão pouco popular?
A dificuldade para o polo aquático é o meio praticado, que é na piscina. É bom para o brasileiro, pois ele gosta quando vê uma bola, mas o polo aquático, principalmente aqui na nossa região, é muito escolar; por sua vez, as escolas não possuem uma piscina adequada para isso: ela deve ter 30 metros de comprimento, por 15 de largura, deve ter uma profundidade mínima de dois metros. Essa é a maior questão. Porém, é uma modalidade muito bela e interessante, e quem começa não quer deixar jamais.

Tendo muitas semelhanças com o futebol, o polo aquático possui tempos mais curtos, com jogadas mais rápidas. Valoriza-se a força, a “explosão”, a resistência. Não muito espaço para dribles e jogadas elaboradas. Seria correto afirmar que não existe “polo aquático arte”?
Discordo. Existe sim arte no polo aquático. O atleta, como comumente é dito, tem que pensar três segundos antes de cada decisão, três segundos antes de seu adversário. Temos várias partidas com jogadas belíssimas, e grandes jogadores individuais. A nível de Sergipe temos Sandro Bruno, que é um atleta que faz maravilhas; já é da turma do Máster, e é um dos maiores. Mas também estão surgindo revelações, como Hugo Camilo… São atletas que possuem a capacidade de criar de imediato. Quando o polo aquático é bem jogado, ele é um esporte-arte.

O polo aquático é considerado um esporte completo: desenvolve e modela a musculatura; fortalece a respiração; desenvolve os reflexos e a coordenação motora. Médicos e profissionais de Ed. Física costumam recomendá-lo?
Não vejo nenhum médico recomendar esportes, sem nenhuma ofensa aos profissionais de saúde. Hoje em dia pensa-se que esporte é academia, e não é. A base do polo aquático é a natação, e isso eu sei que todo médico recomenda. Com ela você trabalha os músculos, a respiração, todo o desenvolvimento corpóreo, e a partir daí você pode ir para a modalidade que sentir vontade. Não vejo, por exemplo, nenhum médico indicar o vôlei, mas é uma modalidade que oferece grande desenvolvimento. Igualmente o futsal, que é uma modalidade inerente a todo o povo brasileiro, está no nosso sangue. Mesmo quem não pratica, gosta. Questionando-se alguém nas ruas sobre qual time torce, podem responder: “eu sou Flamengo; eu sou Fluminense; eu sou Coríntias”, mas muitos não sabem que esses clubes possuem esportes amadores, como o polo aquático! A nível de desenvolvimento a natação, e o polo como acompanhamento.

Ultimamente a natação tem atingido grandes resultados, inclusive a nível internacional. Por consequência tem sido cada vez mais procurada e divulgada. Ambos os esportes correspondendo a mesma confederação, que é a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), por que tanta diferença entre eles?
Na verdade é muito mais fácil colocar a criança na natação. Aliás, temos tantas leis que obrigam coisas bobas, deveríamos ter uma que tornasse a natação obrigatória. Não para que todos sejam atletas, mas para que possam praticar uma atividade que desenvolva sua musculatura, e até o companheirismo. O Brasil é um país litoral, temos praias e piscinas o tempo inteiro, então é importante que as crianças saibam nadar, para se deslocar e evitar afogamentos. A maior divulgação é função disso: todos praticam natação! Mas o polo aquático é um esporte coletivo, pelo menos mais duas ou três pessoas são necessárias. Enquanto que a natação pode ser praticada sem mais ninguém. Porém há um crescimento no Brasil; em Sergipe, estamos fazendo um trabalho visando um maior englobamento das escolas.

O atleta de polo aquático além de exímio nadador, precisa ser forte, ágil, habilidoso, saber mover-se da forma correta dentro da água. É difícil achar um bom atleta? Seria mais um motivo pela baixa procura?
Eu vejo no seguinte sentido: o polo aquático é como o futebol; milhões de brasileiros praticam, mas surgem apenas poucos craques. É fácil relembrar os jogadores de futebol bons de bola, mas muitos outros jogaram naquela época e são esquecidos. No polo aquático é a mesma coisa. Como foi bem colocado, o atleta precisa ser habilidoso, mas acima de tudo, inteligente. Exige-se criatividade, até porque ele não tem espaço de locomoção para criar. Com tempo e espaço curtos, e a pressão do adversário, ele precisa criar algo bonito.

O polo aquático surgiu na Inglaterra no final do séc. XIX. A primeira competição internacional foi no Brasil, na Baia de Guanabara, Rio de Janeiro, em 1919. Ganhamos da Argentina! Aparentemente tinha tudo para dar certo. Então, o que deu errado?
Não acho que se perdeu o interesse. A primeira equipe coletiva do Brasil numa Olimpíada foi de polo aquático, e um dos integrantes da nossa equipe foi presidente da FIFA por muitos anos, o Dr. João Havelange. Aqui no Nordeste nós temos uma excelente característica: sol e calor 365 dias por ano. Mas no centro-sul, incluindo o eixo Rio-São Paulo, quando vem o frio, fica difícil praticar um esporte na água. O polo aquático tem quatro tempos de oito minutos cada, e se para a cada apito do árbitro. Uma partida dura entre uma hora e uma hora e meia. Treinar diariamente por até cinco horas numa piscina gelada dificulta um pouco. Mas eu faço uma crítica mesmo sendo o presidente da FASE e membro da CBDA na diretoria de desportos aquáticos na região Norte-Nordeste: o polo aquático concentrou-se muito no eixo Rio-São Paulo. Claro que São Paulo é celeiro de grandes atletas em várias modalidades, mas houve essa concentração. O Brasil se preocupou em ser o melhor da América do Sul, mas isso não levou a nada. Temos que pensar em ser o melhor das Américas e o melhor do mundo. E mais uma coisa: o polo aquático no Brasil é amador; na Europa ele é profissional.

O que o governo tem feito ou deixado de fazer pelo polo aquático?
Não tem deixado de fazer. O esporte nunca foi tão respeitado pelo poder público. Mas ainda bem que há dois anos, graças ao secretário de esportes Maurício Pimentel, alguém que não era do meio de esportes, mas abraçou-os com muita paixão, tem sido feitas políticas. Mas nós não queremos políticas de governo, queremos políticas públicas, que venham fazer com que qualquer modalidade esportiva seja desenvolvida dentro do nosso estado. Se Sergipe tiver uma ou duas modalidades esportivas que sejam o carro-chefe, parabéns! Sempre tivemos isso: o handball sergipano já teve nome nacional, prova disso é que o presidente da Confederação Brasileira de Handball é um sergipano, o Prof. Manuel Luiz. Sergipe já teve grandes atletas da seleção brasileira de handball que jogavam aqui. E como está hoje o handball de Sergipe? Vou deixar essa interrogação. Na verdade o governo tem nos ajudado dentro do limite, mas faltam políticas públicas.

Observando-se os times e atletas com maior pontuação no estado de Sergipe, fica confirmado quão o polo aquático é escolar. Como tem sido a atuação da Associação Atlética Universitária (AAU) da Universidade Federal de Sergipe (UFS)?
Infelizmente ela não tem participação nenhuma, nem nunca fomos procurados. Colocamo-nos a disposição para qualquer realização, mas fico até surpreso que ainda exista essa associação. Fico a disposição para ajudar na prática de qualquer modalidade pertinente a ela.

Sem os caminhos: piscina inacabada da UFS (Foto: Edson Costa)

Quais os parceiros mais importantes que a FASE tem? Quem realmente está apoiando os desportos aquáticos?
O governo do Estado a partir da secretaria de cultura, esporte e lazer. Somente. Infelizmente no estado de Sergipe os empresários não acreditam e não confiam no esporte, mas talvez também por uma falta de políticas públicas de incentivo por parte do Estado e dos Municípios. Hoje nós temos a Norcon, que até que está fazendo um trabalho bem feito, como foi feito com a Mariana Dantas. Mas nenhuma empresa e/ou instituição tem apoiado a FASE. Nós fazemos na coragem, na força, correndo de um para outro, pedindo apoio para nossos atletas.

Dentre os esportes aquáticos coordenados pela CBDA e pela FASE (natação, polo aquático, maratona aquática, salto ornamental e nado sincronizado), o polo aquático aparenta ser o mais caro, o que exige maiores gastos. Isso procede?
Comparando a natação e a maratona aquática com o polo aquático, sim. Com a natação, fica mais fácil de deslocar-se nesse país continental com uma equipe de um ou dois, mas seus treinadores. Já no polo aquático viaja-se pelo menos com 14 pessoas: 13 atletas e um treinador. Realmente, o dispêndio é maior. Agora, em relação aos saltos ornamentais, que necessita de toda uma estrutura correta, ao nado sincronizado que é uma das coisas mais belas que existem… O polo aquático não é mais nem menos dispendioso. Mas em relação a natação e a maratona aquática, procede.

No ano 2000, o colégio que fazia parte da trama da novela Malhação, da Rede Globo, possuía um time de polo aquático. Isso comprovadamente aumentou o conhecimento e o interesse sobre o esporte. Divulgar modalidades no entretenimento e não apenas em telejornais: qual sua opinião?
Claro! Esse período na novela foi de grande importância. Acho até que de forma meio equivocada, pois mostrava como se fosse um esporte violento. Mas, a aparição do polo aquático na novelinha da Rede Globo deu uma alavancada muito grande. Eu não gosto muito de novelas: as histórias são sempre as mesmas, só mudam os nomes. Desafio qualquer um a sentar diante da tevê e comparar as novelas de hoje com as de anos atrás: é sempre o mesmo enredo. Terá violência, traição, desonestidade… Deveriam buscar mostrar a educação. Vamos mostrar a atividade esportiva não apenas em telejornais. Embora eu seja aracajuano, sergipano, e brasileiro louco (!), não me considero “noveleiro”… Mas o povo do Brasil é! Vamos por coisas boas no entretenimento; a Rede Globo às vezes faz especiais com atletas praticando modalidades a que não estão acostumados: isso é fantástico! Vamos mostrar não só o polo aquático, mas todas as modalidades.

Como é pensada e articulada a comunicação da FASE? Pensa-se de forma igualitária para todos os esportes, ou os que são mais pautados pela mídia são mais bem assessorados?
Não tenho vergonha de dizer isso: na FASE quem exerce a função de Assessor de comunicação é o presidente. Infelizmente nossas entidades não tem condição de ter uma assessoria de comunicação feita com profissionalismo, e isso que é interessante. Toda Federação e toda entidade deveria ter um departamento de comunicação, para fazer os contatos. Mas nós trabalhamos através de nosso site, através de releases que enviamos para as emissoras de televisão e jornais divulgando nossa atuação. Nós não temos escolhas. Informamos de forma igual sobre todos os esportes. Aparece muito mais a natação porque temos muito mais eventos de natação

Os noticiários de esporte por vezes se retêm muito no futebol e abrem pouquíssimo espaço para outros esportes. Falar apenas de futebol, mesmo sendo o mais popular, é prejudicial?
Prejudica no seguinte sentido: Futebol a agente não discute! É paixão nacional. Nós vamos discutir todas as outras modalidades. Hoje se diz que a natação é o maior esporte desse país, brigando com o vôlei, porque o futebol está acima de todos eles. Mas infelizmente a nossa imprensa não tem comentaristas de futebol que saibam sobre outras modalidades esportivas. E minha crítica é grande: acho que eles sabem muito pouco inclusive de futebol! Sabem criticar pessoas, personalizam e não falam das modalidades. Sou torcedor apaixonado pelo Sergipe, mas onde está o nosso futebol? Temos grandes atletas de outras modalidades, mas cadê o espaço para essas pessoas? Infelizmente não há, pois se perde tempo falando de um futebol como está o nosso.

Hoje quem quer praticar polo aquático precisa fazer o que?
Procurar seu colégio. Procurar a direção de sua escola, a coordenação de esportes, para que inclua essa modalidade em seu currículo. Nós temos muitos profissionais bons em Sergipe que estão parados porque as escolas não tem interesse em desenvolver o polo aquático. Hoje temos um grande destaque que é o colégio Don Luciano. Da rede pública! Nele o professor George Maynard procura de forma maravilhosa desenvolver o trabalho. Tem suas dificuldades, mas a FASE tem buscado dar condições a ele. Conseguimos, junto ao secretário de esportes, o parque aquático Zé Peixe, de segunda a sexta, a partir das 18 horas, colocado a disposição do polo aquático. A FASE disponibilizou mais de 30 bolas, as traves e os gols no Batistão para todos que queiram praticar o polo aquático.

Para os que virão: o que tens a dizer para os que lutam pelo polo aquático e os que pretendem adentrar no esporte?
Que todos venham para junto da FASE. Nosso polo aquático é muito pequeno, e se for dividido por que é Marcio Porto o presidente da federação perder-se-á. Se existe alguém com questões pessoais sobre mim que deixe do lado de fora e venha. Todos que acham belo e tem interesse pelo polo aquático venham para a federação. Eu nunca decido sozinho: quando se erra, erram todos; e quando se acerta, acertam todos!

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Mídia explora diversidade sexual de forma democrática?

Posted in Opinião, Reflexão by micheletavares on 04/02/2010

Por Júnior Santos

A mídia nunca esteve tão “democrática”, com relação à abordagem do homossexualismo, como está agora. Parece até uma obrigação que qualquer produto midiático tenha tratar de tal questão. É reality-show, telenovela, filmes, edições especiais de programas televisivos, entre outros. Mas será que quantidade anda junto com qualidade?

Uma das mais famosas redes de comunicação, a empresa Globo ganha um notório destaque nesse ponto de abordagem da homossexualidade. O mais famoso reality-show do país, o Big Brother Brasil, chega a sua décima edição se vangloriando de ser um programa aberto à diversidade, sem nenhum tipo de preconceito. A presença de três participantes gays, que pertencem a tribo dos Coloridos, reforça a idéia de um produto gay friendly, isento de qualquer homofobia. Porém, Angélica, Dicesar e Sérgio, são quase que forçados, a todo o momento, a falar na preferência sexual que têm, seja pela divisão dos grupos ou pelas perguntas, indiscretas e cheias de malícias, do apresentador Pedro Bial.

A "Tribo dos Coloridos", formados por homossexuais, no BBB 10. Fonte: TVNortao.com.br

Os temas referentes à diversidade sexual vêm sendo muito explorado também nas telenovelas da mesma emissora. Do ano de 2003 até o momento atual é difícil não encontrar personagens homossexuais presentes nos enredos dramatúrgicos, principalmente, no horário nobre da programação, a partir das 21h.

Na novela de Manoel Carlos, Mulheres Apaixonadas, foram abordados os dilemas sofridos pelas adolescentes Clara (Aline Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli) por viver um amor gay, que era bastante recriminado pela mãe da primeira. Logo após, na trama escrita por Aguinaldo Silva, teve o romance entre a médica Eleonora (Mylla Christie) e a estudante Jenifer (Bárbara Borges), que sofreu inúmeras dificuldades quando tentaram adotar uma criança. Na mesma ficção, teve ainda o casal formado por Turcão (Marco Vilela) e Ubiracy (Luiz Henrique), pertencentes a parte de comédia do núcleo, e mostrava as discrepâncias entre o machão e o homossexual afetado. Já na história da novela América, de Glória Perez, o personagem Júnior (Bruno Gagliasso) vivia metido em confusões tentando esconder a sua preferência sexual da mãe.

Contudo, o que a empresa Globo traz em comum em todas as abordagens do homossexualismo, vinculado nos mais diversos tipos de programas, é a notória tentativa de se declarar como uma emissora aberta a todo tipo de diversidade, sem nenhum preconceito. Para tanto, não há uma preocupação em como abordar o tema, se os personagens estão sendo alvo de chacotas, ou se o que está sendo demonstrado é apenas o lado negativo da questão, os problemas e dificuldades pelas quais passam as pessoas que gostam de outras do mesmo sexo. O beijo gay já foi proibido várias vezes, qualquer demonstração mais apimentada de carinho é retirada, os momentos de trocas de juras de amor são imperceptíveis.

Além do mais, há uma descoberta de que o público gay consome bem, e até mais, os produtos midiáticos quando percebe a abordagem de temas relacionados ao homossexualismo, acredito que trará a tona uma série de debates e discussões a respeito do assunto. Um exemplo bem claro é o filme “Do Começo ao Fim”, de Aluízio Abranches, que mesmo antes de estrear nas telas dos cinemas, já fez o maior sucesso no meio GLS, devido a um vídeo-promo que acabou caindo na internet, seis meses antes de ficar pronto. Bastou fazer menção a diversidade sexual, para se criar uma polêmica, e uma grande procura pelos telespectadores.

Incesto homossexual é abordado no filme "Do Começo ao Fim". Fonte: babadocerto.wordpress.com

Todavia, quantidade não anda acompanhada de qualidade. A cobertura midiática referente à abordagem homossexual está longe de ser isenta de preconceito e de contribuir para um debate e para uma reflexão aberta, que demonstre que as diferenças existem e que, no mínimo, devem ser respeitadas. Porém, o respeito só virá quando a mídia deixar de espetacularizar a diversidade sexual e passá-la de uma forma imparcial.

Religião e Universidade convivem há muito tempo

Posted in Educação, Reflexão, Uncategorized by micheletavares on 25/11/2009

“Fé e razão não são excludentes”. “Religião na universidade não dá, cada uma tem seu lugar”. “O antagonismo entre fé e razão é uma falácia”. Estas são as falas de três pessoas que vivem diariamente essa relação entre religião e universidade.

por Eloy Vieira

Essa discussão não é recente, começou na primeira universidade do mundo, a Universidade Al-Azhar, no Cairo, fundada em 998 d.C. O califa queria instruir os jovens da mesquita centrando-se no ensino da Teologia a fim de instruir os jovens para que pudessem resolver os recorrentes problemas entre a ciência e a religião. Poucos séculos depois surge as primeiras universidades européias, muitas ainda vinculadas a grupos religiosos, sobretudo à Igreja Católica, ainda sim, a questão entre religião e a ciência continuava pendente. De lá pra cá, não mudou tanto, apesar da laicização de vários países, ainda surgem instituições de ensino vinculadas a diversas religiões, como também surgem grupos religiosos dentro do ambiente acadêmico.

Somos mais uma voz na universidade

Thiago Roozevelt, estudante de Administração e membro da ABU. Foto: Eloy Vieira

Em várias universidades do mundo é possível notar a atuação da Aliança Bíblica Universitária (ABU), ela já está presente em mais de 100 países e visa difundir os evangelhos dentre os estudantes: “Nós somos um movimento estudantil que leva a palavra de Deus. Somos mais uma voz na universidade, que, afinal, é democrática”, defende Thiago Roozevelt. Ele, estudante de Administração, ainda acrescenta que nunca sofreu preconceito no âmbito acadêmico, mas reconhece o que ele mesmo chamou de ‘cientificismo’. “Não entendo essa rivalidade, há fé na razão… fé e razão não são excludentes, não precisa haver esse cientificismo tão presente na universidade”, defende.

Se quer rezar, vá rezar… fora da universidade!

Marcelo Primo, professor de Filosofia. Foto: Arquivo pessoal

Diferentemente do jovem estudante, o também jovem e professor de filosofia, Marcelo Primo é taxativo: “Fé e razão são coisas diferentes, cada uma tem seu lugar. Se quer rezar, vá rezar… fora da universidade!” Essa frase era recorrente em suas aulas, alegam alguns alunos, que, por muitas vezes ficavam atônitos com a ação do professor. Mas esta reação não é surpreendente, pois, segundo pesquisa feita com jovens de 21 países pela instituição alemã Bertelsmann Stiftung, os jovens brasileiros, de faixa etária entre 18 e 29 anos, estão em 3º lugar no ranking de religiosidade. A pesquisa constatou que 95% dos jovens do Brasil dizem ser religiosos; 65% definem-se “profundamente religiosos” e apenas 4% afirmam não possuir religião.

Para ajudar a compreender essas estatísticas, o professor Rodorval Carvalho, chefe do Departamento de Ciências Sociais na Universidade Federal de Sergipe e membro do Grupo de Ciências da Religião na mesma universidade. “Esses números expressam bem o equívoco de algumas teorias sociais que afirmam (ou afirmavam) o fim do sagrado, a falência das religiões. O que está acontecendo com o fenômeno religioso é o que acontece com todo e qualquer fenômeno social, mudanças”; esclarece. E é compreender essas mudanças é um dos propósitos do Grupo de Ciências da Religião. “O fenômeno religioso é também um fenômeno social e, sendo assim pode ser apreendido, pelo menos em parte, pelos métodos científicos e filosóficos. As abordagens são muitas, desde a história comparada das religiões até a fenomenologia religiosa, passando pelas etnografias”, argumenta o professor. Ele ainda acrescenta que o grupo se tornou importante a partir do momento em que tentou estabelecer um novo campo disciplinar, tanto na graduação como na pós-graduação.

Apesar de cientista e pesquisador, o professor Rodorval é sintético ao discordar de seu colega de profissão: “O antagonismo entre fé e razão é uma falácia repetida por muita gente até os dias de hoje. São formas distintas de conhecimento, cada uma com seu âmbito de ação, mas com possibilidades de diálogos profundos”, argumentou quando questionado sobre a convivência entre Fé e Razão. E ainda fez questão de destacar o papel da religião na produção científica ocidental: “Veja, por exemplo, o caso da Igreja Católica. Não há na história do Ocidente uma instituição que mais tenha contribuído para avanço das ciências; seja através da ação dos seus sacerdotes ou pelos seus princípios teológicos”. Além de antiga, a polêmica religião-ciência (Fé-Razão), é pertinente, sobretudo num país como o Brasil, o maior país católico do mundo, E este assunto deve seguir assim, instigando a mente humana a resolver seus conflitos mais primários.

Saiba mais:

Livro: “Iglesia y Ciencia ao largo da la história” de Francesc Nicolau Pous

Livro: “Como a Igreja Católica construiu a civilização Ocidental” de Thomas Woods Jr.

Blog: http://gpcrufs.blogspot.com/

Site: http://www.abub.org.br/

Fraternidade Católica acolhe Moradores de Rua

Posted in Cultura, Reflexão by micheletavares on 10/11/2009

A Toca de Assis, mantida por doações, acolhe e abriga moradores de ruas, levando cuidados tanto para o corpo, quanto para a alma.

por Júnior Santos

A Toca de Assis é uma Fraternidade Católica, fundada no ano de 1994, pelo Padre Roberto Lettieri, que até tal ano era um seminarista. Sustentada por três pilares: amor, adoração e acolhimento, tem como principal missão acolher e abrigar os pobres que se encontram nas ruas.

Criada com apenas três jovens que desejavam viver o carisma franciscano de pobreza, obediência, castidade e gratuidade, a Fraternidade de Aliança Toca de Assis foi ganhando adeptos pelo Brasil inteiro, principalmente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O trabalho das pessoas que fazem parte da Fraternidade consiste em sair às ruas, uma ou duas vezes por semana, e ajudar os pobres que lá se encontram, seja levando comida para saciar a fome ou ministrando uma palavra de conforto. Os mais necessitados são recolhidos e abrigados nas casas sedes, onde recebem acompanhamento de médicos e psicólogos, que são simpatizantes do trabalho desenvolvido e passaram a ser voluntários. “Sempre que possível, tentamos entrar em contato com a família, daqueles que as tem, e relatamos a situação. Se quiserem, e tiverem em condições de manter o desabrigado, passamos o cuidado.”, relatou Bartolomeu, o auxiliar-guardião da casa sede de Aracaju, que está na Toca há mais de seis anos, e já passou por diversos Estados, a menos de duas semanas se encontra na capital sergipana.

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Bartolomeu é o auxiliar-guardião da casa sede de Aracaju. (Por Bruno Torres)

 “As pessoas se identificavam com o nosso modo de vida, querem ajudar ao próximo. Com isso, as casas sedes da Toca foram se espalhando por todo o país.”, disse Bartolomeu.

Formada por consagrados, que são aquelas pessoas que se dedicam integralmente as atividades da Fraternidade, deixando de lado a família e todo que possuía para se dedicarem exclusivamente aos carismas de pobreza, castidade e humildade. Em sua grande parte, recebem um “chamado do Senhor”, em momento de oração, que designa a participação na Toca. “Não sei como explicar. É algo que só se sente. Estava assistindo a Canção Nova, por volta da meia-noite, onde passava um show do pessoal da música da Toca, e meu coração foi tocado, recebendo o chamado.”, afirma Sidney, um dos consagrados da casa de Aracaju. Para ser um toqueiro – como são chamados os consagrados da Toca – é necessário ter concluído o ensino médio. Primeiramente, é feito um acompanhamento, dirigido por um superior, que avalia a vida do aspirante e se ele realmente tem ou não a vocação para fazer os votos sagrados. Dada a sua aprovação, passa por algumas etapas, que vão situando na hierarquia fraterna, até chegar o momento da consagração, onde começa a usar os hábitos medievais e fazer os votos, mudando o nome, uma prática que simboliza que está “morrendo a pessoa mundana e renascendo um cristão consagrado a missão”. Não só os homens podem participar da Toca, as mulheres também. Estas ficam em casas ou alojamentos separados do masculino, exercem as mesmas funções, geralmente cuidando dos abrigados de rua do sexo feminino.

Outra parte dos integrantes da Toca são os leigos, pessoas que se identificam com a missão desenvolvida, mais não aderem totalmente ao modo de vida franciscano. Ajudam nos trabalhos, divulgações, doações, desenvolvem atividades para com os abrigados, entre outras coisas.

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Ex-moradores de rua participam de atividades desenvolvidas por um leigo. (Por: Bruno Torres)

A manutenção das casas sedes, onde são abrigados os pobres, é toda feita através de doações, que são conseguidas através de divulgações feitas em eventos católicos, pedidos em missas e quermesses, saídas as ruas e por meios dos veículos de comunicação religiosos.

 A Toca de Assis em Aracaju

 A casa sede da Toca de Assis em Aracaju está localizada na Avenida Gal Kalazans, no Bairro Industrial, e abriga por volta de 25 ex-moradores de rua, contando com o trabalho de cinco consagrados, e um aspirante que está em estágio de acompanhamento, além de uma cozinheira e um motorista.

“Começamos o dia com uma oração, e depois nos dividimos em diversas ocupações, que vão desde lavagem dos banheiros, a sair às ruas em busca de doações, e durante todo o decorrer, adoramos ao Santíssimo Sacramento que fica exposto na Capelinha da casa. Aos domingos, realizamos a nossa pastoral de rua, indo de encontro aos desabrigados. Tudo dependerá muito das necessidades do momento.”, afirma Sidney, o jovem que está em fase de acompanhamento.

 “Quando tomei a decisão de entrar na Toca e comuniquei a minha mãe, ela pensou que estava ficando louco (…). Porém, a recompensa que o Senhor me dá é sem palavras.”

Com apenas 20 anos, Sidney é natural de Maceió, e está somente há quatro semanas fazendo parte da Toca, sendo que a duas aqui na cidade, as outras duas esteve na casa sede de Recife, sendo designado para Aracaju por motivo de necessidade. Essa é a segunda fez que participa da Fraternidade, a sua experiência anterior durou noves meses. “Quando tomei a decisão de entrar na Toca e comuniquei a minha mãe, ela pensou que estava ficando louco, queria me internar. Mesmo assim, segui em frente. Após nove meses, me esbarrei com diversas dificuldades, a questão da obediência foi a maior delas, então resolvi dar um tempo para vê se era realmente isso que eu queria. Voltei a casa da minha mãe, mas o chamado foi mais forte. Hoje estou eu aqui de volta”, partilhou Sidney.

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Sidney está na Toca há quatro semanas. (Por Bruno Torres)

Contudo, exemplos como o do jovem Sidney tem sido raro hoje em dia. É notório o número de consagrados que está se afastando da Toca. “No início as pessoas que acompanhavam pela televisão ou conheciam através de visita, se encantavam com o trabalho e queria fazer parte. Só que entre acompanhar e viver diariamente a rotina e os carismas é outra coisa.”, explicou Bartolomeu. Em Aracaju, até o início deste ano, havia uma casa feminina da Fraternidade, que foi fechada por falta de consagradas para desempenhar as tarefas necessárias. “Estamos passando por uma fase de reestruturação nos regimentos de escolha sobre quem ingressará na Fraternidade. Queremos ser mais zelosos quanto ao critério de seleção dos futuros consagrados”, complementou.

Segundo Bartolomeu, os leigos têm um importante papel para a manutenção das casas, uma vez que, eles desenvolvem atividades para com os abrigados, ajudam no zelo da casa, e estimulam os consagrados a se manterem firmes na missão. “Para mim é uma satisfação enorme poder contribuir com a Toca. Embora esteja afastada, sempre que posso colaboro nos serviços. Admiro muito o trabalho dos consagrados”, relatou Helena Alves, uma senhora leiga que ajuda na prestação de serviços. Já Sidney não se contém ao exclamar: “Apesar de todas as dificuldades, a recompensa que o Senhor me dá é sem palavras. Me sinto útil,e sei que estou cumprindo a minha missão”.

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Sidney em momento de adoração ao Santíssimo Sacramento. (Por: Bruno Torres)

Cadê a notícia que estava por aqui?

Posted in Reflexão by micheletavares on 06/10/2009

Editorial

Retornamos! Enfim… retomamos as atividades do Empautaufs… mas calma! Eu sei que você caro leitor já deve estar pensando que nossa equipe do Empautaufs não cumpre com periodicidade, nem dá uma satisfação aos seus queridos leitores… não é nada disso!

Não custa nada lembrar os desavisados que este blog é construído a partir das experiências dos corajosos alunos matriculados na disciplina Tecnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística I e II. Sim… corajosos porque agora eles nem precisam mais de diploma para escrever reportagens… tem até curso virtual com duração de 45h por aí…

Enfim… quero chegar no seguinte ponto: a gente demora mas aparece.. e cheios de novidades! Então fique aí pensando que nossos repórteres penduraram as chuteiras revoltados com a decisão do STF! Nada disso… estamos mais ouriçados que nunca! Afinal de contas Michael Jakcson morreu, Honduras virou notícia, o Rio de Janeiro vai cediar as Olimpíadas de 2016, a gripe suína já virou notícia velha!

Portanto, se você leitor notar alguma mudança editorial não fique espantado! Calma! Também não é nada comparado ao TMZ.. não possuímos (ainda) tanta estrutura! Conseguimos um bom laboratório… estamos empolgadíssimos com o jornalismo popular .. sim… já ia esquecendo de contar.. durante esse tempo que nossa equipe ficou ‘off line’ a discussão das aulas teóricas giravam em torno dos criterios de noticiabilidade para o jornalismo de referencia e o jornalismo popular…

Ah! Já ia esquecendo.. nossos reporteres mudaram também… claro… nossos queridos colegas que tocavam o Empautaufs até o final de junho deram mais um passo rumo ao tão sonhado diploma.. enquanto isso, uma nova turminha cheia de gás e ainda tímida já começa a tomar conta desse negócio que a gente chama de mundo virtual!

Mas chega de blá blá blá… vamos ao trabalho!

 Prof. Michele Tavares

A Novidade – Paralamas do Sucesso

 

A novidade veio dar a praia
Na qualidade rara de sereia
Metade o busto de uma deusa maia
Metade um grande rabo de baleia
A novidade era o máximo
Um paradoxo estendido na areia
Alguns a desejar seus beijos de deusa
Outros a desejar seu rabo pra ceia
O mundo tão desigual
Tudo é tão desigual
O, o, o, o…
De um lado esse carnaval
De outro a fome total
O, o, o, o…
E a novidade que seria um sonho
O milagre risonho da sereia
Virava um pesadelo tão medonho
Ali naquela praia, ali na areia
A novidade era a guerra
Entre o feliz poeta e o esfomeado
Estraçalhando uma sereia bonita
Despedaçando o sonho pra cada lado
Ô Mundo tão desigual…
A Novidade era o máximo…
Ô Mundo tão desigual…

“Luta e Construção”

Posted in Cultura, Educação, Política, Reflexão by micheletavares on 28/05/2009

Por Ivo Jeremias  e Joanne Mota

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A democracia evoluiu historicamente através de intensas lutas sociais e, com frequência, também foi sacrificada em muitas dessas lutas. Nem sempre os movimentos sociais promovem a democracia, mas há uma tendência contemporânea a que muitos deles incorporem uma dimensão renovada de luta democrática, contribuindo para a ressignificação das práticas e teorias democráticas desenvolvidas a partir do século XVIII. Assim, as análises contemporâneas que tratam das relações entre movimentos sociais, sociedade e Estado nas transições democráticas é um fato que não deverá sair do debate, sobretudo quando questionamos e ampliamos as articulações possíveis entre democracia e sujeitos sociais, e as colocamos na agenda do dia para a discussão. Nesse contexto é que há 30 anos o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica da Rede Oficial do Estado de Sergipe (SINTESE) assume seu papel na luta pela construção de uma escola pública de qualidade. Este sindicato, que está em constante debate, ressalta seu papel na esfera política de discussão e convida à pauta sociedade civil, Judiciário, bem como os poderes Legislativo e Executivo. Essa movimentação tem o objetivo de dialogar diretamente com os governos, para que assim se tenha garantido uma escola pública de qualidade. Dessa forma, o sindicato espera construir uma escola pública gestada com base na democracia participativa, o que garantirá maior exercício da cidadania. Com esse discurso o SINTESE ganhou espaço em todo o Estado, tornando-se expressão da pluralidade de uma classe tão representativa para o desenvolvimento social. Em seu segundo mandato, a chapa “Resistência e Luta Sempre”, atualmente presidida por Joel Almeida, exerce ativamente a política construída no decorrer dos 30 anos de vida deste sindicato. EMPautaUFS conversou com o presidente do SINTESE, e ele ressaltou a importância das organizações sociais no desenvolvimento democrático de Sergipe.

Em 1960 surge a Associação de Professores, liderado por Agonaldo Pacheco. Sabendo que o momento histórico vivido era de ditadura militar, podemos dizer que o movimento nasce como forma a se contrapor a essa ação de coerção política?

JOEL ALMEIDA: Inicialmente, a luta dos professores e a organização começaram na informalidade, isso ainda na década de 50, a partir das normalistas, que eram as estudantes das escolas normais, aqui em Sergipe representadas pelas estudantes do instituto educacional Rui Barbosa. Só a partir da década de 60 foi que passamos a ter uma organização, a funcionar como uma entidade que congregava os professores e que lutava por direitos e por melhorias de condição de trabalho na esfera da Educação. Assim, surgiu a APMESE, que é a associação dos profissionais do magistério de Sergipe, como o período era de ditadura não havia possibilidade de os servidores públicos ainda formarem sindicatos. O servidor público não podia estar filiado a sindicato, eles poderiam estar vinculados em associações, estas que apresentavam um caráter recreativo, ou seja, era um ambiente de caráter aglomeratório para promover festas, recreação, lazer. Obviamente muitas pessoas que resistiam à ditadura naquela época, entenderam que aquele era o único espaço legitimado e legalizado pela ditadura para funcionar sobe aquelas condições. Alguns entraram nesse espaço para fazer mobililazação sem coerções, ou seja, mesmo tempo na perspectiva de aglomerar e de também fazer outro tipo de debate, ou seja, era aproveitar aquilo que a ditadura permitia que o trabalhador fizesse para você daí também constituir um foco de resistência a ditadura.5

O movimento sofreu restrições por parte do Governo Militar da época? Como se estabelecia as relações políticas?

JOEL ALMEIDA: Sim. Havia fiscalização, vigilância e até alguns atos repressivos, mas nada muito marcante que deixasse sinais profundos, porque era tudo feito muito veladamente. Como as associações não eram proibidas de forma ostensiva pela ditadura, eles aproveitavam o espaço para criar um espaço de persuasão dos associados, e assim ter outros tipos de luta na pauta da discussão. Ou seja, fazer outro tipo de luta. Mas lembro que tudo era muito disfarçado, não tinha uma organização ainda ostensiva em relação ao Regime Militar. Dessa forma, as associações conseguiam funcionar e politizar ao mesmo tempo.

O SINTESE participou do movimento Pró-democratização? Como se deu esse processo?

JOEL ALMEIDA: Sim. Nossos militantes participaram ativamente porque também nesse período a ditadura já era bem mais branda.

Nessa época já era o Sindicato ou ainda era a APIMESE?

JOEL ALMEIDA: Ainda era a APIMESE, porque o sindicato ele só surgiu a partir da nova Constituição, que foi promulgada em 1988. A partir daí foi que os servidores puderam se filiar em sindicatos e se organizar de maneira mais política nas questões sociais.

O que a nova constituição alterou para as associações?

JOEL ALMEIDA: Ela possibilitou que as associações se transformassem em sindicatos, isto é, nossa Constituição de 1988 permitiu que os servidores públicos pudessem se filiar a sindicatos. Os sindicatos têm um caráter representativo e reivindicatório, ou seja, muda a ótica política porque as associações não tinham um caráter representativo e reivindicatório. Através da associação não poderia ser feito reivindicações, era só um espaço para oferecer algum tipo de lazer ou atividade para o associado. Diferente do sindicato que passa a ter um espaço reivindicatório de livre manifestação.

A resposta da classe de professores de Sergipe na época em relação a transformação em sindicato foi boa?

JOEL ALMEIDA: Foi. Porque já se vivia o clima de sindicato naquela época. A partir de um determinado momento, mesmo antes de ter a transformação de associação em sindicato, as associações já passavam a funcionar, elas já tinham ultrapassado a barreira de fazer lazer ou assistencialismo. Na década de 80 as associações já funcionavam com um caráter reivindicatório. A transformação em sindicato foi mais uma legalização daquele tipo de ação, mas de fato ela já existia. Por exemplo, a APIMESE possuía um grupo interno de professores que reagiam à forma como a APIMESE fazia o debate com os trabalhadores. Assim, num d e terminado momento a associação passou a ter dois grupos a APIMESE e o CEPES.

1O que foi o CEPES ?

JOEL ALMEIDA: Era o Centro Estadual dos Professores de Sergipe. Ela funcionava como uma espécie de oposição a APIMESE. Oposição a partir de sua postura política. O CEPES tinha uma postura mais radicalizada, fazia criticas a ação da APIMESE que para eles era mais moderada em relação ao Governo. O CEPES já tinha um tipo de atuação mais de enfrentamento. Nessa época mesmo sem a permissão constitucional os servidores já exerciam plenamente esse caráter reivindicatório, até mesmo no nível de criarem outra associação, como criaram o CEPES. Em 1988 como era um avanço a transformação de associação em sindicato tanto a AP IMESE quanto o CEPES entendeu, naquele período, que as duas tinham que acabar. E aí surgiu o SINTESE.

A partir desta transformação como ficou o diálogo com o governo e as classes sociais?

JOEL ALMEIDA: Quem na verdade se transformou em SINTESE foi a APIMESE porque era o que estava legalizado na época da ditadura. A legalizada era a APIMESE, porém o CEPES era legitimado. Existe uma diferença do que é legal para o legítimo. Era legal porque a associação era a que era regularizada pelo Governo da época, já o CEPES não era regularizado junto ao Governo, mas a partir da atuação era a que conseguia reunir maior número de professores. Assim, a partir do momento que se consolidou a Redemocratização no Brasil quem assumiu o papel de sindicato foram as instituições legalizadas junto ao Governo, em nossa realidade quem obteve permissão para se tornar sindicato foi a APIMESE.

Houve uma fusão entre as duas associações para a formação do SINTESE?

JOEL ALMEIDA: Não houve fusão porque não havia identidade de pensamentos, mas havia um pensamento único de que era um avanço a transformação em sindicato. Portanto não havia motivo para se continuar com as dissidências que existiam na época da associação. Ele continuou sendo grupo de oposição porque foi a APIMESE que se transformou em SINTESE e não o CEPES, este passou a fazer oposição do SINTESE. Eles continuaram tendo divergências, mas eram divergências que a partir da Constituição, elas poderiam ser legitimadas, pois abriam a pauta para o debate. Outro fator determinante após a legitimação de sindicato foi a criação de um estatuto, um estatuto que apresentasse prerrogativas de eleição, o que conferiu ao sindicato um processo mais democrático de participação dos filiados, inclusive um processo democrático também de sucessão.

Havia alguma participação política entre esses grupos com algum partido?

JOEL ALMEIDA: A nossa origem bem como de outros sindicatos no Brasil é partidária. Na verdade os sindicatos do Brasil têm origem partidária, não há organização dos trabalhadores porque esta se deu antes dos partidos, mas a partir do momento do surgimento do PT e dos partidos de esquerda, pôde-se perceber a vazão dos sindicatos, sobretudo os sindicatos de concepção política mais de esquerda e origem partidária. O SINTESE era um grupo ligado ao PC do B e o grupo que era de oposição ao SINTESE era filiado ao PT. A raiz do sindicalismo no Brasil, do sindicalismo moderno nascido na década 1980, tem raiz partidária no Brasil inteiro.

Atualmente os movimentos sociais têm sofrido muito com a marginalização feita pelos meios de 7comunicação de massa, um exemplo simples é do MST (Movimento sem terra). Qual a posição do sindicato diante desta problemática? O SINTESE sofre com a mídia?

JOEL ALMEIDA: Tem um processo histórico no Brasil antes da ditadura e pós- ditadura de tentar anular, deslegitimar ou mesmo criminalizar as organizações dos trabalhadores. O Brasil é um país que tem uma elite com muita força e a organização dos trabalhadores, sobretudo a organização dos trabalhadores de esquerda, que estimulam a luta de classes sofre com deturpadas publicizações. Portanto qualquer organização dos trabalhadores que tenha o objetivo de fazer luta de classe, ou seja, que para o trabalhador ter mais é preciso que quem tenha mais tenha menos, notamos sempre um ataque muito brutal da elite, seja de ordem repressiva, seja de ordem difamatória. Como essa ação repressiva os movimentos sociais, e nós sindicato, sofremos um desgaste muito grande frente à sociedade, que muitas vezes está alienada ao que acontece. Assim, onde tiver sindicalismo combativo de esquerda, que tenha uma postura de fazer luta de classe, de querer que o trabalhador avance na concepção política, aí você vai ter um sindicalismo que faz enfrentamento com o poder constituído, com a elite, com conglomerado de comunicação, e isso acarreta em uma reação pesada contra nossas organizações.

O Senhor acha que o SINTESE fica prejudicado pela mídia com a cobertura das manifestações que vocês fazem?

JOEL ALMEIDA: O SINTESE é um sindicato que tem uma postura de esquerda, que faz enfrentamento com o poder público, e fazer enfrentamento com o poder público tem dois vieses. O primeiro viés é que em um determinado momento conjuntural pode interessar determinadas ações. O SINTESE hoje faz oposição ao governo Déda, que foi um governo que o SINTESE ajudou a eleger. Isso faz confusão na cabeça das pessoas. Tem político de oposição que se interessa porque isso da visibilidade, da cobertura porque o interesse é político, o interesse não é porque eles estão achando ou querendo que a educação melhore. Ou seja, interessa politicamente que se tenha o desgaste do opositor para que fique mais fácil a chegada deles ao poder. Para determinado grupo político aquela ação pode ser coberta de forma a que o favoreça. A nossa luta é por uma Educação pública de qualidade, mas aquela visibilidade que eles estão dando ali muitas vezes não é para isso. É para desgastar o que está no poder. Ao mesmo tempo você pode ter outro meio de comunicação que vai fazer uma cobertura que seja critica porque àquele dali interessa os resultados alcançados. A ação dos trabalhadores quando se trata de poder público depende muito da conjuntura, e depende muito do interesse político do dono do meio de comunicação. A forma como é dada a visibilidade, seja para criticar ou para elogiar, ao movimento depende muito do interesse político do dono do meio de comunicação. E num determinado momento pode ser favorável a nossa luta ou não e aí nós temos que conviver com estes cenários. Eu tenho que conviver com minha pauta de reivindicações, com aquilo que a gente pensa que tem que ser a escola pública e saber, ao mesmo tempo, que você vai ter gente ali que a preocupação não é essa. Hoje por exemplo, eu vejo muito claramente que existe uma postura nacional de criminalizar o professor, de tratá-lo como descompromissado, como o culpado pelo fracasso da educação pública e a gente tenta superar e tentar fazer o debate levando por outro viés até para nossa própria defesa. Tem um sentimento do poder político nacional de que a ação dos professores e sua mobilização desgasta profundamente o que estão no poder e a alternativa para isso é deslegitimar os professores perante a população.

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Dando uma olhada nas reivindicações que o SINTESE fez nos últimos dois anos (2008 – 2009), destacamos duas: a progressão vertical, que foi pauta ano passado, e o piso nacional, que começou no ano passado e se estende até agora. Como andam as discussões com o governo? E qual seria o piso ideal para os professores?

JOEL ALMEIDA: Primeiro, a progressão vertical, para nós, foi um dos capítulos mais bonitos na história do SINTESE. O que ocorre com os professores? Nós temos uma atuação diferenciada em relação aos outros profissionais, porque a Constituição e a LDB permitem que os professores possam lecionar a partir do nível médio, ou seja, eles freqüentam a Escola Normal, que é uma escola de Ensino Médio, e passam a ser professores, lecionando na antiga pré-escola, hoje Educação Infantil, até as quatro primeiras séries do ensino fundamental. E nós temos a outra realidade, que é a dos professores que são formados pelas Universidades e Faculdades. No Brasil, o professor amplia a sua formação, mas continua sendo professor não há uma mudança de cargo. E foi essa a nossa luta em relação à progressão vertical, porque o poder público e o Estado provocaram a Justiça, no sentido de que o professor, que tem o nível médio, mesmo se adquirisse o Nível Superior, não poderia mudar o seu nível na esfera de trabalho. Alegavam que isso era uma mudança de cargo, que os professores estariam deixando um cargo e indo para outro, mas eles ainda eram professores. Veja bem, um cidadão estudou na Escola Normal, estava habilitado para trabalhar com turma de Infantil e de 1ª a 4ª série, ele foi para a universidade e fez o curso de Pedagogia, o curso de Pedagogia, que possibilita o profissional lecionar com alunos da 1º a 4º série. Então, ele continuaria trabalhando na mesma escola com os mesmos alunos, estava apenas reivindicando que o nível dele fosse mudado porque ele já havia conseguido formação alegava que aquilo era uma mudança de cargo. Bom, e o que aconteceu? A Procuradoria Geral do estado não queria apenas invalidar isso, mas fazer com que os professores que já tivessem conseguido essa alteração voltasse ao nível médio. E isso requereu de nós uma mobilização muito grande, e essa foi a maior que o estado de Sergipe viu até hoje, com 8 mil pessoas, entres elas professores, trabalhadores e cidadãos. Muito gratificante. Essa união forçou o Tribunal de Justiça a se debruçar mais cuidadosamente sobre o caso, e que avaliasse as reivindicações da categoria com maior cautela. Assim, os desembargadores do Estado passaram a partir desse momento a ter um olhar mais acurado na votação, ter um olhar mais crítico. Isso garantiu a nós, categoria dos professores, a vitória com a constitucionalidade reconhecida da progressão.

E o piso salarial?

JOEL ALMEIDA: Para o SINTESE o piso é uma luta de mais de 30 anos. Os professores no Brasil inteiro já 4reivindicavam melhor reconhecimento pelo seu trabalho, e hoje entendem que a situação do professorado neste item não pode mais continuar. Por exemplo, os municípios da região Nordeste sofrem muito com a falta de estrutura do nosso Estado. Porém, é importante destacar que com a implantação do FUNDEF (Fundo de Manutenção de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério) em 1996, hoje conhecido como FUDEB (Fundo de Manutenção de Desenvolvimento Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), já melhorou muito, mas há ainda uma longa caminhada para um real melhora da Educação no Estado, e conseqüentemente no Brasil. É importante dizer que piso se refere ao nível médio, porque o piso é fixado para o nível médio e a carreira de cada estado fixa o superior. Sobre este último ainda estamos em fase de discussão, pois ao fixar o nível médio, o Estado precisava manter os patamares de carreira para garantir o nível superior. Eu até reconheço que essa diferença, no Brasil, é a mais alta, geralmente a diferença do nível médio para o superior na maioria dos estados é de 50%, mas em Sergipe é 73%. No entanto, o debate sobre o piso ainda não acabou, e nós professores estamos em forte mobilização. Pois ao se aplicar o piso de R$ 950 no Nível Médio, automaticamente, de acordo com a nossa estrutura de carreira, essa diferença seria repassada para o professor de nível superior e esse é um problema. O Estado só fez como abono, chegar aos R$ 950 para o nível médio, mas o questão do nível superior continua no mesmo lugar. E ainda está em discussão.

Sendo o governo, nosso atual governo ligado a um movimento sindical. Qual a opinião do SINTESE sobre as relações com as demais classes sociais? Há um desapontamento por parte dos movimentos sindicais hoje em Sergipe em relação ao atual governo?

JOEL ALMEIDA: O governo de agora, é um governo que foi gestado pelo PT, por um partido que resistiu profundamente à ditadura. O Marcelo Déda é um dos ícones do partido, inclusive nacionalmente, acompanhou o surgimento do PT, o surgimento dos sindicatos, foi advogado dos sindicatos. Mas penso que a história vai fazendo com que as pessoas repensem e alterem suas posturas. Entendemos que a nossa avaliação em relação ao governo Déda é a seguinte: Foi um governo que para chegar a poder, precisou fazer muitas concessões, fazer alianças com grupos de centro e de direita. Ou seja, Marcelo Déda não chegou sozinho ao poder, portanto ele fez concessões de toda ordem e não adota na sua relação com os servidores a mesma postura, isto é, a de um governante que dialoga claramente com as classes. Sabemos que um governante também tem os seus limites, que muitas vezes, conjunturalmente, não pode atender a tudo que é reivindicado pelos movimentos sindicais. Mas, as coisas precisam ser bem explicadas, maturadas, o diálogo precisa ir à exaustão até chegar a um consenso.

3Essa falta de diálogo já vem de Governos anteriores?

JOEL ALMEIDA: Sim, isso é histórico. E deve-se ressaltar que Sergipe sofreu uma alteração de ordem política muito importante em 2006. Pois era até então o único estado no Brasil em que as experiências de governo foram de direita, originadas da elite, seja esta política ou financeira. Com a entrada de Marcelo Déda essa realidade mudou. Para exemplificar, podemos citar os últimos três governadores, Valadares foi um governo que veio da elite, Albano também. A raiz de João Alves não é de elite, mas ele adentrou na elite a partir do empresariado. Déda é que foge completamente a essa lógica, ele acaba sendo um divisor de águas, embora tenha feito aliança com os setores da elite de Sergipe, mas a figura dele não é de alguém que vem de um conglomerado industrial, nem político, empresarial ou de comunicação. Marcelo Déda é um profissional liberal, entrou na política e conseguiu, através do seu carisma pessoal, chegar a ser governador. História similar com a do nosso atual presidente Lula. Por isso que havia, e há, uma expectativa muito grande em relação ao governo Déda, porque é o que surge de uma raiz diferente de todos os outros.

Diante da origem do atual Governo, a expectativa por parte da sociedade é muito grande. Então reestruturar um setor que vige há muito anos não seria uma difícil tarefa?

JOEL ALMEIDA: Isso é verdade. Também não queremos dizer que é fácil. É mais difícil porque você tem que ter mais diálogo entre as partes interessadas – sociedade, elite, Governo – para se manter no poder. No entanto, o governante não pode voltar às costas para os trabalhadores, a cobrança para ele vai ser muito maior, por que ele veio do povo e chegou ao poder através do povo. É como o sindicalista que passou a vida inteira no sindicato reivindicando,quando ele vai para o poder, esse será é cobrado mais do que qualquer outra pessoa. Não tem jeito, aos que cobram mais, a cobrança será maior, não tenho dúvida disso. E acho que Marcelo Déda peca nisso, e essas contradições acabam gerando crises entre o Governo e as instituições organizadas da sociedade civil.

E quanto às reivindicações, existe uma pauta mais urgente atualmente?

JOEL ALMEIDA: Hoje a discussão é em relação ao piso para o nível superior, porque o debate que nós focalizamos aqui em Sergipe é o do piso. Mas, temos outras demandas de projetos. Um deles é sobre as estruturas das nossas escolas, os prédios públicos estaduais estão numa situação precária. E esta é uma reivindicação antiga e que ocorre em Sergipe há muito anos. Assim, o SINTESE espera que as próximas reivindicações atendidas pelo Governo sejam para proporcionalizar o piso para o nível superior e criar um programa fixo de reestruturação de nossas escolas. Para tanto, o SINTESE espera que o Governo atenda a solicitação de implantar o mecanismo de gestão democrática, por exemplo. Porém, estamos próximos de 2 anos e meio de governo e até agora as nossas escolas não receberam a atenção devida e continuam sendo administradas por gerenciamento político, ou seja, os diretores são nomeados através de indicação política. Essas e outras situações é que alimentam a força sindical do professorado em Sergipe. E é com esse combustível que o SINTESE pretende continuar sua luta em construir, junto com as outras esferas sociais, uma Educação mais justa para Sergipe. C

“Sobre o alucinado ofício do jornalismo…”

Posted in Reflexão by micheletavares on 10/11/2008

Pois o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e torná-lo humano por sua confrontação descarnada com a realidade.

Ninguém que não tenha sofrido pode imaginar essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida.

Ninguém que não tenha vivido pode conceber, sequer, o que é essa palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo das primícias, a demolição moral do fracasso.

Ninguém que não tenha nascido ara isso e esteja disposto a viver só para isso poderá persistir num ofício tão incompreensível e voraz, cuja obra se acaba depois de cada notícia como se fora para sempre, mas que não permite um instante de paz enuanto não se recomeça com mais ardor do que nunca no minuto seguinte.

(Gabriel Garcia Márquez)

O que entra na pauta jornalística?

Posted in Reflexão by micheletavares on 10/11/2008

Caros alunos e demais (curiosos) leitores,

acabo de criar este espaço virtual para que possamos estreitar nossos laços acadêmicos além sala de aula. Inicialmente, quero salientar que acredito nas benesses que o ciberespaço pode nos proporcionar a nível de interatividade, praticidadade e acessibilidade em relação aos conteúdos informacionais. E, portanto, acredito que nossas discussões virtuais sobre os temas abordados em sala de aula pertinentes à disciplina ‘Técnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística’ possam contribuir potencialmente para nosso crescimento e amadurecimento intelectual durante esta longa (e eterna) jornada de formação do perfil profissional de formadores de opinião propriamente ditos!

O que entra na pauta jornalística?

Este blog deve ser alimentado com tópicos de discussão, indicações bibliograficas, reportagens, fotografias, sugestão de pautas, entrevistas, críticas, cronicas, enfim… todo e qualquer material produzido (principalmente) pelas turmas A0 e B0. O importante é que vocês aproveitem este espaço para exercitar a prática jornalística seja na sua forma técnica (processo de produção de notícias) ou filosófica (discução de teorias).

Lembrem: ‘Escreve melhor quem lê mais!’

Profª Michele Tavares