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Cãominhada em busca de um lar

Posted in Saúde by micheletavares on 08/12/2010

Pequenos animais em busca de amor e carinho que só um lar de verdade pode oferecer.

Por: Larissa Ferreira.

Maria Antônia, uma das fundadoras do abrigo. Foto: Larissa Ferreira

Nascida do amor e carinho de duas amigas pelos animais, a Associação Defensora dos Animais São Francisco de Assis (ADASFA) é uma das poucas fundações em pró dos animais em Sergipe. Há onze anos a ADASFA dá abrigo, alimentação e tratamento veterinário a animais que muitas vezes foram muito maltratados antes de chegarem ao abrigo. Olhares atenciosos para aqueles que muitas vezes, quando largados nas ruas, passam despercebidos para os cidadãos sergipanos. Na busca de chamar a atenção da população a associação promove eventos como a Cãominhada, realizada no mês de outubro desse ano, e as feirinhas de adoção, todos os domingo no calçadão da 13 de Julho.

Em entrevista umas das fundadoras do abrigo, Maria Antonia, fala sobre o trabalho que a ADASFA desenvolve,  dificuldades quais eles passam, o histórico da associação, a luta pelos direitos dos animais e contou historias triste de atos brutais contra esses pobres animais em defesos.

Quando você teve a decisão de montar o abrigo?

– A ADASFA começou com um abrigo fundado por mim, um gatil, e por Isabel Moura que fundou um canil. Nós duas éramos conhecidas. Ela alugou uma casa onde ela colocava os cachorros que encontrava. Eu já tinha uma casa alugada no bairro Santa Maria, onde eu botava os gatos que eu pegava na rua, que eu já tava com minha casa cheia que não dava mais para suportar. Daí nós ficamos juntas e pensamos na idéia de formar uma associação, isso foi em 1999. Quando foi em 2003, nós ganhamos um terreno no Marivan, onde é atualmente o abrigo e em 2004 registramos a associação.

No inicio quantos animais vocês abrigavam?

-No inicio eu tinha em torno de uns 50 gatos e eu acho que também em torno de 50 cães. Hoje em dia tem bem mais.

No momento quantos animais vocês tem no abrigo?

-No momento temos em torno de 200 gatos e 100 cães. É um número muito variado. Por que chegam muitos animais e também há muitos animais que morrem, por que às vezes chegam muito doentes, debilitados.

Quais tipos de animais vocês aceitam?

-Cães e gatos. A gente não tem espaço infelizmente para outros.

Há sempre pessoas a procura de animais para adoção?

-Há pessoas a procura de adoção, mas há muitas pessoas a procura de animal de raça. Não temos animais de raça, às vezes pode até ter, mas geralmente quando a gente encontra animais de raça é por que foi abandonado, por estar doente, por que está velho. A realidade do canil é de vira-latas.

Há uma media de adoções?

-Não. Mas a gente ta fazendo uma feirinha de adoção no calçadão da 13 de Julho, quase semanalmente. Aos domingos, às 3 horas da tarde. Adoções de filhotes de cães e gatos. Agora estamos planejando fazer uma feirinha de adoções de cães adultos, mas é mais difícil da gente levar, por que precisamos de transporte, de muitas coleiras, nós precisamos nos estruturar mais para levar os grandes.

O que acontece com os animais que não são adotados?

-Os que não são adotados, coitadinhos, ficam no abrigo. Não é que no abrigo seja ruim, por que fazemos tudo que podemos, mas não deixa de ser um abrigo. Eu sempre digo um seguinte “O abrigo para o animal é que nem um orfanato para uma criança, é como um asilo para um velho”. O ideal é ter um lar, mas não tendo fica no abrigo.

Do que vocês mais precisam? Há alguma dificuldade no momento?

-Dificuldade há sempre. Nunca faltou nada. A gente não deixa. A gente luta, luta, luta. Quando eu vejo a ração acabando eu ligo pra um e pra outro e consigo, graças a Deus. Quando a gente ta sem remédio as meninas vão ao Orkut, passam e-mail e conseguimos medicamentos. Agora é aquela dificuldade, tem dias que eu fico no desespero, por que “ai não tem isso”, “ai não tem aquilo”, “aonde é que eu vou arranjar?”, mas de repente surge a ajuda. Graças a Deus, nesses 11 anos, não tem faltado nada. Com dificuldade, com luta, pedindo, pedindo, pedindo, mas a gente consegue, na ultima hora a ajuda chega. Graças a Deus nunca ficaram com fome nem sem um medicamento que necessitam.

Vocês têm patrocínio fixo?

-Não. A gente tem clinicas que ajudam, tem muitos veterinários que pegam remédios que tão um pouco passados da validade, mas ainda serve e doam pra gente, distribuidoras de produtos agropecuários, tem ajudado. Mas patrocínio a gente não tem, sobrevivemos assim.

Acha que a propagando feita sobre a associação é suficiente?

-A gente tem procurado fazer muita divulgação. Porem, eu tenho observado que a propaganda tem um lado bom e outro ruim, por que tanta gente que aparece só querendo deixar animal e a gente com o abrigo super lotado com cães doentes precisando de ajuda. As pessoas chegam dizendo: “Ah, é que eu to com um cachorro aqui que o visinho foi embora e deixou pra trás”, “Olha, apareceu um cachorro em minha rua perdido”. A gente não pode recolher todos. Essa parte de divulgação tem sido boa, tem sido proveitosa, agora também tem um lado negativo, tanto que eu evito botar endereço. De qualquer maneira tem o telefone que o povo liga e pergunta e quer levar animal e a gente nem sempre pode receber.

Vocês contam com quantos voluntários no momento?

-Voluntários eu não tenho nem idéia, por que temos voluntários que ajudam, com dinheiro com qual pagamos os funcionários, temos voluntários que ajudam mensalmente com sacos de ração. Temos também muitas jovens que ajudam com trabalho voluntario, essa feirinha de adoções quem organizou foram essas meninas. Tem eventos dos quais eu nem participo, elas que organizam.

Há alguma ajuda do governo?

-Ajuda do governo por enquanto não temos, mas a gente está em busca. Estamos deixam ofícios na assembléia pra previstos de isenções. Há um ano a gente se tornou utilidade publica do estadual, agora é que a gente vai começar a ter mais abertura para pedir ajuda do governo. Mas por enquanto não temos ajuda.

Como foi a 1ª Cãominhada?

-A primeira Cãominhada foi um sucesso (risos). Isso foi uma idealização de Elaine, ela era uma voluntaria e que agora é diretora de eventos, ela foi à idealizadora dessa caminhada. Deu tudo certo e a gente pretende repetir todo ano, se Deus quiser.  Nela nós conseguimos doações rações e uma boa divulgação da ADASFA.

Quando ocorrerá a próxima Cãominhada?

-Será no mês de outubro do ano que vem.  A nossa intenção é fazer sempre próximo ao dia de São Francisco de Assis. Foi no dia 17 de outubro essa primeira, seria no dia 3 por que o dia de São Francisco é dia 4, mas por causa das eleições não deu e ficou pro dia 17. Mas pretendemos sempre fazer em torno desta data.

Além de recolher animais de rua e maltratados, quais outras ações vocês fazem em pró dos animais?

-Temos procurado lutar com os órgãos governamentais em busca de melhorias, por exemplo, projetos de castração que é uma coisa super necessária, de atendimento gratuito para o povo da periferia que tem animais por que as pessoas dizem: “A pessoa não tem posse responsável”, “Precisa se lutar pela posse responsável”, mas você que tem condições financeiras tem posse responsável do seu cachorro de estimação, de seu gato, por que você tem condições de levar para o veterinário, se ele adoece você cuida e uma pessoa que ganha um salário mínimo e tem um cachorro vai fazer o que? Por conta disso muitas vezes abandonam. Muitas pessoas que lidam com animais culpam essas pessoas, eu em parte não culpo, culpo mais o poder público por que as pessoas deveriam ter direito de ter uma assistência veterinária gratuita para seus animais de estimação por que eles não têm condições de pagar um veterinário. Então nossa luta também é essa com a prefeitura para ver se conseguimos um projeto de castração e atendimento para animais de periferia.

Na adoção vocês fazem a castração?

-Geralmente a gente consegue castração para as fêmeas por que é mais difícil. Às vezes as pessoas dizem: “Eu ate queria levar uma cachorrinha, mas não quero uma fêmea por que é melhor um macho”, então a gente diz pra levar que arranjamos a castração. A gente tem falado com veterinários que fazem isso pra gente. O que tem facilitado as adoções é o fato nós prometermos a castração.

Qual o fato de ser tão importante essa castração? É apenas pelo fato da procura por animais do sexo masculino ser maior?

-É por isso e pelo fato de ter muitas cadelas e gatas tendo filhotes por ai e as pessoas jogando na rua e que no fim eles vêm parar no abrigo. A gente queria acabar com esse circulo.

Qual foi a historia mais triste que já presenciou?

-Ah, são tantas coisa que acontece, no momento não me lembro de nada em específico. Mas tem muitos casos de cadelas que são usadas pelos donos. Tem uma cadela que chegou lá recentemente que o dono era morador de rua que usava e dava cachaça a ela. Tem muitos casos desse tipo.  Tem animais que chegam paraplégicos que foram atropelados, que nunca vão andar. Na periferia que os animais vivem soltos e acabam sendo atropelados e os donos não têm dinheiro pra cuidar e acabam sacrificando ou acaba indo parar no abrigo. Uma moça da nossa associação, Nilzete, ela que cuida de todos os paraplégicos, são animais que se arrastam e vivem deitados. No abrigo fizemos um espaço todo de piso liso para que esses não fiquem se machucando.

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Todos contra a Dengue

Posted in Saúde by micheletavares on 07/12/2010

A coordenadora do Programa de Combate a Dengue da capital fala sobre as ações para evitar uma epidemia em 2011

Por Nara Barreto

O trabalho de combate ao mosquito da dengue não pára. Com a proximidade do Verão, intensificam-se as ações de prevenção da doença, que é transmitida através da picada da fêmea contaminada do mosquito Aedes aegypti.
Apesar de integrar a lista das 10 localidades com risco de surto, o número de casos de dengue em Aracaju vem caindo a cada ano. De janeiro a setembro de 2008 (época da epidemia) foram registrados 10.455 casos. Já em 2009 o número caiu para 312.

Taíse Cavalcante

A coordenadora do Programa de Combate a Dengue e da Vigilância Epidemiológica de Aracaju,Taíse Cavalcante. (Foto: Nara Barreto)

Há três anos na coordenação do Programa de Combate a Dengue de Aracaju e há dois na coordenadora da Vigilância Epidemiológica (Covepi), TaíseCavalcante, afirma que a capital apresenta um avanço considerável no controle da doença e fala sobre o programa municipal de combate a dengue e suas ações.

Como surgiu o Programa Municipal de Combate a Dengue?

O programa da dengue ele é efetivado no Brasil como um todo. É um programa nacional de controle da dengue, em que todos os municípios necessitam ter o seu programa municipal porque a partir do momento em que teve a municipalização, cada município assume a execução do trabalho em relação à saúde. Há mais de 12 anos existe o programa municipal de controle da dengue.

Quais as principais ações desse programa?
Além dos trabalhos diários de visita domiciliar realizados pelos agentes de endemias, as ações envolvem também mutirões de limpeza contra a dengue, força-tarefa, aplicação de fumacê e palestras educativas. Outra ação é a campanha ‘Todo Cuidado é Pouco’, que visa à conscientização da população através de materiais educativos, como panfletos e adesivos para colocar nas residências. Essas ações são mantidas durante todo o ano. Nosso objetivo do trabalho é fazer um trabalho de prevenção, alertar a população e fazer o reforço de orientação e tratamento nos focos de dengue.

Como é realizada a Operação “Todos contra a Dengue”?
Realizada nos bairros considerados de alto risco para a doença, a ação reúne todas as atividades contra a dengue desenvolvidas pela PMA em um mesmo bairro no mesmo dia. São quase 600 pessoas envolvidas na mobilização, entre agentes de endemias, comunitários, da vigilância sanitária e de zoonoses, funcionários da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) e da Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb).
Além das visitas domiciliares, a operação conta com a limpeza de terrenos baldios e imóveis abandonados, recolhimento de pneus, além do Bota-Fora, destinado ao recolhimento de lixo e entulho acumulado dentro das casas. A operação inclui também palestras educativas sobre como prevenir a proliferação do mosquito da dengue e atividades de conscientização para alunos e moradores que frequentarem a unidade de saúde da localidade no dia da ação.

Qual a principal relação entre o Programa Municipal da Dengue e a Vigilância Epidemiológica?
Como o programa municipal da dengue é vinculado à Vigilância, toda a ação de campo, bem como as notificações da doença e o perfil epidemiológico é feito através da Vigilância Epidemiológica.  A busca por casos ativos, a borrifação, o que chamamos de bloqueio de caso, tudo é realizado pela equipe da vigilância epidemiológica onde estão os agentes de endemias, que são os responsáveis diretos pela execução no campo do controle do Aeds. Em suma, o programa da dengue trabalha com a infestação do Aedes e a Vigilância Epidemiológica da Dengue trabalha com o número de casos, pessoas doentes e faz o vínculo entre os bairros com infestação e bairros que são notificados  para fazer todo o trabalho planejamento e o trabalho  do controle da dengue.

Como os bairros são selecionados para o combate ao mosquito?
Não há uma seleção, todos os bairros são trabalhados. O programa municipal tem que cumprir 100% em todos os bairros. Mas nós intensificamos as ações em bairros que é considerado de risco no momento em que a gente faz o Levantamentos de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa)  e o índice dá elevado.

Quais os critérios que determinam o nível de incidência da doença nos bairros?
O nível de incidência é dado de acordo com os critérios e metodologia do Ministério da Saúde, que são o número de casos de dengue nos últimos dez anos, o índice de infestações atual, a presença do vetor do Aedes nos últimos dez anos e a densidade populacional.

Atualmente, quais os bairros de Aracaju com maior incidência do mosquito?
Nós estamos trabalhando na intensificação de nove bairros, que são bairros que foram classificados de risco muito alto para uma epidemia de dengue no verão 2011. São eles: Coroa do Meio, Cidade Nova,Industrial, Siqueira Campos, Cirurgia, Santo Antônio, Palestina, 18 do Forte e Getúlio Vargas.

E os bairros com menor incidência?
Os bairros com menor incidência são Zona de Expansão (Aruana, Robalo e Mosqueiro), Farolândia, São Conrado, Grageru, Jardins, Jabotiana, Inácio Barbosa, 13 de Julho, Salgado Filho, Luzia e Ponto Novo.

Em relação aos casos de dengue, quantos foram notificados até agora em 2010?
Em Aracaju até agora foram notificados 586 casos de dengue.

Esses casos se distribuem em quais tipos de dengue?
Dos casos já notificados, 90% dos casos são de dengue clássica (com sintomas normais da doença como febre, manchas no corpo, dor no corpo e na cabeça), 6% são de dengue com complicação e 4% de dengue hemorrágica. Essa classificação é uma questão epidemiológica mesmo, já que ela só é feita no final quando é confirmado o caso.

Como é feita a confirmação dos casos?
A confirmação dos casos se dá por meio laboratorial. O problema é que o pessoal não retorna para fazer esse exame, já que ele só é feito a partir do 6° dia da doença. Muitas pessoas nesse tempo já estão boas e não querem tirar sangue novamente para fazer essa confirmação laboratorial. O problema na confirmação dos casos ocorre em todo o Brasil.
Em relação à proliferação do mosquito, qual o principal fator que favorece o seu desenvolvimento?
O clima. No verão, o clima quente com chuvas esparsas acelera o desenvolvimento do mosquito. Quando o clima está frio, o período entre a colocação do ovo até o surgimento do mosquito dura 30 dias. No verão esse tempo cai bastante, ficando entre 7 e 15 dias. Isso explica o aumento do número de casos durante a estação.

Como o mosquito de desenvolve?
São quatro fases de desenvolvimento do vetor da dengue: primeiro o ovo; depois a larva, que muda de pele quatro vezes; o casulo, que é a última fase do Aeds aegypti na água. Quando este é rompido, o mosquito fica na superfície da água até amadurecer o esqueleto e chegar à fase adulta quando, enfim, pode voar. Para que o mosquito não se desenvolva é preciso evitar água parada em lavanderias, cascas de ovo, copos descartáveis e qualquer espécie de lixo.

Qual o maior erro cometido pela população em relação à prevenção da dengue?
A maioria dos criadouros de Aracaju advém de problemas de abastecimento de água. A grande preocupação é com as lavanderias domésticas porque elas são locais perfeitos para o desenvolvimento do mosquito (o ovo do mosquito Aedes aegypti pode ficar grudado nas paredes internas dos reservatórios por até 450 dias, esperando água para sua transformação em larva). Elas precisam ser limpas e escovadas frequentemente, mas o ideal é que as donas de casa troquem essas lavanderias fabricadas em alvenaria e que acumulam água por tanquinhos.

Qual a receptividade da população?
A comunidade sempre nos recebe muito bem. Durante a realização dos trabalhos, a população demonstra satisfação e se soma às equipes no combate à dengue.

Podemos afirmar então que Aracaju está pronta para lidar, caso ocorra, uma epidemia de dengue em 2011?
Estamos num trabalho continuo de prevenção da doença. Mas estamos preparados caso ocorra uma epidemia. Controlar a dengue é ima questão além do poder público, envolve e depende da comunidade. A Prefeitura está fazendo sua parte, mas é preciso que a população faça a sua também.

Dia Mundial da Luta Contra (o Preconceito em relação) a AIDS

Posted in Saúde by micheletavares on 07/12/2010
O Dr. Hélio desmitifica para conscientizar as pessoas sobre o HIV. 

Por Bárbara Costa

No dia 1º do dezembro foi comemorado o Dia Mundial da Luta Contra a AIDS. Uma data importantíssima, por se tratar de uma doença que, mesmo nos dias de hoje, em que as pessoas se consideram tão modernas e mente aberta, o assunto do HIV (imunodeficiência adquirida) é considerado por muitos um tabu. O desconhecimento da doença gera preconceitos, que, por sua vez, geram medo e o afastamento das pessoas. Hoje já se sabe que a AIDS não escolhe classe, sexo ou idade, qualquer um pode ser infectado com essa doença, que por não ter cura ainda acaba matando muitos dos infectados. O infectologista Hélio Sampaio Freire de Carvalho mostra o que é mito e verdade, explica que há certa relutância em falar sobre a AIDS também dos médicos com os pacientes e conta sobre o dia em que ele pensou ter sido infectado com o vírus do HIV.



  

Repórter: Dia 1º de dezembro foi o Dia Mundial de Luta Contra a AIDS. Qual é a importância desse dia?

Dr. Hélio Sampaio: A importância desse dia, eu acredito, é que é um marco para a gente estar relembrando que essa doença é insidiosa e que, hoje em dia, tem aumentado

principalmente por causa desses movimentos de liberação, que eu sou a favor, mas com cautela, precauções. Nós vemos hoje as festas, os jovens, tudo com uma liberação, sem aquele cuidado. Então temos que fazer uma divulgação maior, e acredito que deveria até ter programas em escolas, pra divulgar, pra tirar o mito, porque esse mito ocorre até na área médica.

Foto: Bárbara Costa

 

 

 

Nem todo mundo que é portador do vírus HIV (soropositivo) tem AIDS. Como é isso?

É uma divisão. Quando ele se contamina, a AIDS vai se transformar a partir de critérios clínicos e de laboratório. Por exemplo, se o CD4 é abaixo de 200, isso já caracteriza que ele tenha a doença, e isso serve para ter uma linha de tratamento, uma linha de preocupação. Os cuidados aumentam, você exige dele que, com o CD4 abaixo de 200, ele não pode perder muitas noites porque ele vai estar mais cansado, vai estar sujeito a uma noite fria, a uma pneumonia. Então esse critério ajuda a determinar que, com isso, com esses valores, ele está mais sujeito às doenças chamadas oportunistas, que são lesivas para a defesa do organismo dele.

 

Quais os cuidados que quem é soropositivo deve ter?

Ele deve ter o cuidado com secreções e com a relação sexual, porque através das secreções, do contato sexual, do contato com agulhas, tudo que envolva sangue ou outras secreções esse cuidado deve existir. Outra pessoa não precisa que ele sentou no local tem que limpar, não. Se ele se corta, tiver com sangramento, aí ele deve ter cuidado pra que outra pessoa não pegue nele.

 

Você lida sempre com pessoas infectadas. Você sente que elas mesmas sentem preconceito ou vergonha?

Sim, e os pacientes já sofrem do começo, da primeira consulta. Eles tem medo e acreditam que quando eles descobrem as pessoas já sabem que ele tem, quando estão olhando pra ele o paciente acredita que as pessoas descobriram que ele tem o vírus.

 Acha que o preconceito ainda é tão grande por causa da falta de conhecimento das pessoas em relação à AIDS?

Sim, mesmo com divulgações, com a mídia, com esse dia pra fazer o marco ainda há muito mito, e é uma parte que a gente percebe até na clínica, no dia-a-dia. Os médicos, em geral, não perguntam sobre a parte sexual, então faz com que o tema fique cada vez mais difícil. Outros, eu acredito, deveriam ter mais treinamento e divulgação porque é uma doença polimórfica, tem várias formas e sintomas diferentes, e isso ajuda a dificultar o diagnóstico.

 

Há muitos mitos sobre como se pega AIDS. Na realidade, como uma pessoa pode ser infectada?

Ela é infectada a partir do momento em que tenha a introdução do vírus através de agulhas, por exemplo, usuário de drogas, que faz a roda, passando pra todo mundo. Ou a relação sem o preservativo, que é um cuidado. Ou através de uma transfusão de sangue, que hoje está muito incomum.

 

  

Então não se pega por beijos ou ao usar o mesmo copo ou os mesmos talheres?

Não. Nem sentar em vaso sanitário, sentar no ônibus, aperto de mão, um toque, um beijo no rosto. Tem que ter um contato. Claro, se tem um lábio com um corte, ta saindo sangue e no meu um dente inflamado, aí eu posso ter o risco porque há uma secreção. Na própria saliva é pouquíssima a quantidade de vírus pra causar uma transmissão. Outro mito é o mosquito.

 

 Como, geralmente, a pessoa descobre que está infectada?

Às vezes a pessoa vai doar um sangue, então para a doação de sangue são feitos alguns tipos de exames para que a pessoa não passe aquele sangue contaminado. Então ele vai no banco de sangue, no HEMOSE, que é o banco do estado, e quando vai fazer o exame, por exemplo, aí descobre, dá positivo. Outra forma, ele(a) é casado(a), e um dos dois falecem, é feito o exame, um dos médicos suspeita, aí ele(a) fica sabendo disso. De sintomas, básico, pra lembrar, é quando já está bem avançado: diarreia constante, acima de 2 ou 3 meses, emagrecimento, febre constante. Só que antes disso ele pode passar despercebido. Por isso o reforço desse dia, que deveria ter o marco de um ano, mas acredito que deveria ser mais divulgado através de cursos, as secretarias deveriam fazer mais treinamentos com os médicos, porque é quem atende no começo, o sintoma principal do paciente, que vai estar lembrando do diagnóstico.

 

Mesmo usando camisinha, quais os cuidados que se deve ter ao ter relações sexuais com alguém que é soropositivo?

O cuidado geral da camisinha na relação, para que não haja um rompimento.

 

Como infectologista, quais os cuidados que deve ter ao cuidar de um acidentado que tenha HIV?

Acidentado ou qualquer outro paciente você vai olhar os cuidados da região da doença. Se a pessoa chega e você percebe que ele vem tossindo, independentemente de ele ser soropositivo, você vai usar uma máscara para se proteger. Outra com um corte no joelho, você olha, ta sangrando, mas não é risco de morte pra ele de imediato, dá muito tempo de colocar a luva e cuidar. Então sempre se prevenir contra sangue, secreções, fluidos respiratórios.

 

Foto: Panfleto de conscientização do Ministério da Saúde, SUS e da Secretaria de Estado da Saúde

 

 

Conhece algum médico que teve algum problema por entrar em contato com sangue infectado?

Bom, eu, na verdade, estava tratando de um paciente, me espetei e havia a possibilidade de ter entrado em contato com esse sangue infectado. Eu fiquei com muito medo, pensei na minha vida por um minuto, mas continuei tratando do paciente. Depois tive que notificar o acontecido para os superiores, e tomar o remédio por um mês, que é o protocolo. Depois desse mês fiz um exame, que deu negativo, graças a Deus, outro com três meses, com seis e com doze. Felizmente não fui infectado.

 

 Há muitos casos de crianças infectadas aqui em Sergipe?

Por escolha, eu não trabalho com crianças. Mas a gente sabe por outros médicos, e não são muitas em Sergipe não.  Algumas delas, inclusive, já são adolescentes.

 

A AIDS em si mata?

Não, o que mata são as doenças que chamamos de oportunistas. A pessoa, por exemplo, está com a CD4 baixa, daí pega uma tuberculose, e com imunidade baixa a doença acaba matando essa pessoa.

 

Quais são as doenças a que os infectados ficam mais suscetíveis?

A tuberculose é a que mais mata no Brasil. Mas a toxoplasmose e as hepatites B e C também atingem muito os infectados.

 

Uma forma alternativa de tratar os nossos problemas

Posted in Saúde by micheletavares on 07/12/2010

A Naturóloga Tamara Canavarro explica como surgiu a prática naturológica, suas características e formas de tratamento.

Por: Alanna Molina

foto disponibilizada pela naturóloga Tamara Canavarro

A crescente busca contemporânea por tratamentos de patologias através de formas alternativas constitui um caminho possível para cura que não seja o da Medicina Tradicional, que utiliza medicamentos e drogas. É baseada nisso que a Naturologia, ou popularmente conhecida como Medicina Alternativa, tem tido uma maior procura juntamente aos seus métodos naturais, como a massoterapia, meditação, essências florais e musicoterapia, aliados a um suporte por parte dos profissionais, sobretudo emocional. O fundamento base dessa nova maneira de tratar os interagentes ou pacientes é a busca pela relação harmônica entre o ser humano e suas emoções com o universo. Porém, ainda não existe uma total aceitação da prática pela comunidade científica tradicional. Em Sergipe, essa área ainda não é tão comum e difundida, mas aos poucos vai conquistando também o seu espaço. É em relação à prática naturológica e como ela é utilizada que a Naturóloga Tamara Canavarro expõe seus fundamentos e características.

 

O que é a Naturologia ou Medicina Natural e a que ela se propõe?

Primeiramente, a Naturologia não gosta de ser definida como Medicina Natural. Claro que ela tem semelhanças com a Medicina no sentido de tratar a pessoa, que é “o curar”, só que não pelo lado da Medicina Ocidental, que conhecemos hoje em dia. No caso, o “natural”, de que a palavra “naturologia” se deriva, ocorre porque é através da natureza que se trata as pessoas, através das terapias que a naturologia trabalha. Ela se propõe a tratar as pessoas pelo lado energético, pois é através das energias, vistas pelas emoções, que surgem todos os problemas e doenças.

Onde e como teve se originou a Naturologia?

Toda a base do curso se passa no Oriente. Estudamos muito as medicinas indiana e principalmente a chinesa, que é até mais conhecida. Tudo se originou milenarmente, já fazem milhares de anos desde que os primeiros povos trouxeram as idéias das terapias. Porém, o curso aqui no Brasil existe há média de 12 anos, originado na UNISUL.

Existe alguma aproximação entre algumas práticas da Naturologia, como a meditação, com religiosidade ou misticismo?

Não. Apesar de a maioria das pessoas que fazem Naturologia terem uma visão espiritual, isso advém de cada um. O curso não prega nenhuma religião, ao contrário, atende a todas as formas de religião.

Pode-se definir um perfil das pessoas que procuram esse tipo de tratamento?

Sim. Geralmente, as pessoas que procuram já leram ou conheceram a naturologia antes. Dificilmente vem alguém que não conhece nada a respeito somente para experimentar algum tratamento.

Em sua opinião, à que é atribuído uma maior procura pelos tratamentos naturológicos no Brasil nos últimos anos?

Bom, talvez porque as pessoas vejam que existem problemas que a medicina ocidental não dá conta. Além disso, eu acredito que está havendo uma sensibilização maior do humano. Às vezes a pessoa percebe, por exemplo, que uma tristeza que ela sente está além do problema que ela possui, ou a maneira como isso está sendo tratado não está sendo feito de forma correta ou não está sendo eficaz, e é a partir daí que surge o naturólogo.

Em Sergipe, existe espaço para esse tipo de trabalho?

Sim. Na verdade, aqui em Sergipe é bem recente o surgimento do tratamento natural, mas existe bastante espaço e muitos campos abertos. Quanto mais o tratamento é conhecido, como massoterapia e acupuntura, mais a procura aumenta. O pessoal da fisioterapia também procura muito tratamentos alternativos.

Os cursos de graduação de Naturologia se concentram nas regiões Sul e Sudeste. Existe alguma explicação para isso?

Acho que é porque nesses lugares as pessoas têm mais dinheiro e são mais ousadas. É necessária uma boa estrutura para comportar o curso, que é relativamente caro e tem duração de sete anos e meio. Então é necessário que haja uma pessoa que realmente queira investir e que acredite nisso. Em minha opinião, as regiões Norte e Nordeste têm um pouco de receio de investir nessa área por fatores como a falta de procura e de informação da população.

Quando surgiu o seu interesse por essa área e por quê?

Quando fui fazer vestibular, eu queria um curso que tratasse das pessoas, só que de uma forma diferente. A minha primeira idéia foi fazer Psicologia, mas ao olhar um guia de cursos das universidades do país, vi que tinha o curso de Naturologia no Sul, então fui para lá cursá-lo.

Existe um perfil de pessoas que procuram a graduação de Naturologia?

Sim. Há sempre um pessoal mais “natureba”, ou hippie, existe bastante. Mas apesar disso, quem mais se destaca não são eles em sua maioria, são as pessoas que estudam e se dedicam mesmo.

A Naturologia atua de forma independente da Medicina Tradicional?

Não. Existem alguns problemas que não cabem à Naturologia tratar de forma eficaz, então pode haver uma indicação a outros profissionais mais especializados. Mas existem processos que podem se complementar, como a análise da alimentação pela Nutrição e a Naturologia.

Qual o tratamento mais procurado pelas pessoas que recorrem à Naturologia e existe alguma explicação para essa maior procura?

Massagem. (risos) Acho que é porque hoje em dia o homem está perdendo o contato com outras pessoas, o toque. E é justamente disso que as pessoas estão precisando, de atenção, de carinho. Mas camuflado nisso, geralmente as pessoas vêm com o intuito de relaxar ou por alguma queixa de dor.

O tratamento através da Naturologia está mais associado a problemas emocionais ou psicomáticos ou também podem ser utilizados no tratamento de doenças?

Podem sim, com certeza. Qualquer problema pode ter início e estar ligado às emoções das pessoas. Então eu tenho que ver além do problema externo e analisar o que leva a pessoa a ter aquele tipo de problema. Eu acredito que problemas psicológicos levam a problemas físicos.

Naturóloga Tamara Canavarro (foto: Alanna Molina)

Existe algum preconceito da prática profissional da Naturologia por parte da comunidade científica da Medicina Tradicional ou Ocidental?

Sim, existe bastante. Mas não é bem preconceito. A Medicina Ocidental questiona como é possível acreditar numa atividade em que muitos dos processos não são possíveis comprovar. Existem terapias que não tem como comprovar ainda, a exemplo de florais, que são extratos de essências de flores que tratam apenas de emoções, que apesar de terem efeito nas pessoas não é possível comprovarem a partir de máquinas. Ao mesmo tempo em que a cromoterapia, com luzes, é possível ser comprovada através do estudo de emissão de luz. Mas muitos dos tratamentos que lidam com a parte energética do corpo não são bem aceitos pela ciência, mesmo se mostrados por máquinas, como por exemplo, a Foto-Kirlian em que uma máquina tira fotos das mãos e dos pés de uma pessoa, e é possível ver pelas fotos o campo energético em volta desses membros, em que quanto mais escuro o campo for mais a pessoa está intoxicada. Não sei se os médicos se sentem ameaçados, mas não queremos substituir o lugar deles. São áreas diferentes.

É possível a cura de doenças graves, como o câncer, através da Naturologia, ou está apenas associada com a manutenção, preservação e bem-estar?

O câncer, nós não podemos tratar aqui, a não ser que já esteja certo que a pessoa irá morrer e, no caso, ela queira morrer da melhor forma. Quando você faz qualquer tipo de terapia, você meche na circulação da pessoa, então o câncer estará sendo conduzido a uma metástase. Pelo fato de já se estar mexendo na circulação, para o câncer se espalhar será mais fácil. A não ser, repito, que a pessoa já esteja condenada pela doença e queria tratar por sua vontade. Mas não nos focamos nas doenças. A Naturologia procura tratar o doente, e não a doença. Tentamos analisar o que gerou a doença a partir da vida do doente. Na medicina chinesa, cada órgão representa uma emoção, por exemplo, o pulmão significa tristeza. Então, se uma pessoa tem problemas no pulmão, vamos investigar a tristeza na vida dele, como ele foi criado, como cresceu etc. A idéia da Naturologia é na prevenção, mas é muito difícil alguém procurar um naturólogo na idéia de prevenção.

Crianças também podem procurar a Naturologia, ou existe alguma restrição?

Podem. Podem tudo. As crianças e os idosos são quem mais respondem bem, a terapia é muito mais rápida. Costumamos dizer que é porque eles são menos travados, tem menos problemas, são mais abertos. Em relação à energia também, é o que tem de melhor. (more…)

Câncer Infantil: Até onde o direito à vida e à saúde das crianças e dos adolescentes é assegurado?

Posted in Crítica, Politica Pública, Saúde by micheletavares on 09/11/2010

Por Manuella de Miranda Vieira

 

     Realizou-se no dia 16 do último mês de setembro na Associação dos Voluntários a Serviço da Oncologia em Sergipe (AVOSOS) uma palestra com o tema “Câncer Infantil: Quando pensar?”, com o intuito de chamar atenção dos médicos para a doença e especialmente para discutir maneiras de diminuir o estigma que a doença ainda carrega.

    O evento teve como palestrante a médica Teresa Cristina Fonseca, de Itabuna-BA, especialista em oncologia pediátrica e também responsável pela implantação do projeto “Diagnóstico precoce: o caminho mais curto para a cura do câncer infanto-juvenil”, desenvolvida pela AVOSOS. A palestra abordou os sintomas e cuidados com as crianças e adolescentes com câncer e foi destinada á médicos. Além disso, também foi apresentado o novo serviço de onco-pediatria oferecido pela Associação.

    A partir disso abre-se uma discussão muito importante: até onde o direito à saúde é assegurado à crianças e adolescentes em nosso estado? Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) o direito à vida e à saúde é um dos direitos fundamentais. O art. 7º do estatuto diz: A criança e o adolescente têm direito a proteção á vida e á saúde, mediante a efetivação de políticas públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência. Outro artigo importante é o 10º que diz: é assegurado atendimento integral á saúde da criança e do adolescente, por intermédio do sistema único de saúde, garantindo o acesso universal e igualitário ás ações e serviços para promoção, proteção e recuperação da saúde.

    Mas será que isso tudo realmente é assegurado? A própria AVOSOS é uma das provas que o artigo 10 não é respeitado. Afinal se as crianças e adolescentes com câncer tivessem todo o atendimento apropriado assegurado pelo governo, não precisariam existir associações como ela para ajudar a melhorar a vida dessas pessoas.

Marcela Matos, Assessoria de Comunicação da AVOSOS Foto: Manuella Miranda

   Segundo Marcela Matos da assessoria de comunicação da AVOSOS, atualmente a associação atende trezentos e cinqüenta e quatro crianças e adolescentes com câncer e doenças hematológicas crônicas. Ou seja, esse total de crianças e adolescentes que deveriam estar sendo atendidas, em todos os aspectos, pelo governo do estado em que moram, está sendo ajudada voluntariamente por pessoas que não tem obrigação, mas que possuem um coração de ouro e que fazem de tudo pelo bem estar delas.  

   “Não há uma parceria entre Governo do Estado e AVOSOS. As crianças ao chegarem ao hospital João Alves são examinadas, e se detectada a doença em seguida são encaminhadas à uma instituição de apoio”, explica Marcela. No caso à própria AVOSOS ou outra, como o GACC. Ou seja, o tratamento é feito no HUSE, mas todo o resto do atendimento quem oferece são as instituições.

  Toda essa falta de assistência acaba comprovando que o sistema de saúde sergipano não é um dos melhores, ou melhor, nem chega a ser bom. A missão da AVOSOS é atuar em todo Estado de Sergipe, criando e articulando soluções em uma rede de ações, visando contribuir de forma integral para a melhoria do tratamento e da qualidade de vida de crianças e adolescentes com câncer e doenças hematológicas crônicas. O que prova que o tratamento correto não é oferecido pelos órgãos competentes, porque senão a associação não precisaria contribuir para melhorar o tratamento e a qualidade de vida dessas crianças e adolescentes.

   Marcela Matos ainda ressalta que a AVOSOS não discute a questão de que o direito à vida e à saúde não é assegurado pelo governo do estado, porque essa questão não é setorizada, mas sim um problema nacional.

  Tudo isso acaba por comprovar que nós elegemos políticos que não estão nem um pouco preocupados com a saúde do futuro do nosso país, que são as nossas crianças. E mais, nos faz pensar se é esse o mundo onde queremos que nasçam os nossos filhos. Talvez nós não tenhamos escolha, ou talvez, nós temos.

Geladinho alivia tratamento quimioterápico

Posted in Saúde by micheletavares on 20/10/2010

(Foto: Ascom/Huse - Por: Marco Vieira)

O projeto Geladinho Amigo, realizado pelo setor de Oncologia do HUSE, é sucesso no tratamento de pessoas com câncer

Por Isabelle Marques    

    Geladinho. Em Sergipe, o termo significa suco congelado em pequenos saquinhos plásticos. É o mesmo que sacolé, chup-chup, gelinho. O nome varia de acordo com a região, mas a receita que é a mesma em todo o país, ajuda a refrescar nos dias quentes e é bem saborosa. Em Aracaju, tomar geladinho ganhou um significado a mais para pacientes com câncer, em tratamento no Centro de Oncologia do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse).

    Trata-se de um projeto criado há dois anos. A coordenadora do Centro de Oncologia, Rute Andrade, conta que o Geladinho Amigo surgiu da necessidade de diminuir os enjôos dos pacientes em tratamento. A idéia partiu do ex-funcionário Ricardo Reis, que trabalhava na equipe de enfermagem da Oncologia. Após participar de um Congresso onde descobriu que o gelo diminuía náuseas e vômitos, ele teve inicialmente a vontade de oferecer gelo com limão aos pacientes, mas logisticamente era inviável. Depois de muitas conversas, decidiram pelo geladinho. “Outros hospitais servem sorvete, mas a gente não tem como fazer isso, então a gente adequou à nossa realidade. Optamos pelo geladinho, uma receita simples e barata”, diz Rute Andrade.

      Hoje, a equipe de nutrição é quem operacionaliza o projeto. São distribuídos cerca de 50 geladinhos por dia. Maracujá, chocolate, morango, limonada rosa (suco de limão com corante de morango) fazem parte do cardápio. O geladinho, além de livrar dos enjôos de crianças e adultos que fazem quimioterapia, ajuda a deixá-los nutridos. O segredo está nos compostos alimentares adicionados à receita. Além do suco de frutas, o geladinho conta com suplemento alimentar em pó, maltodexitrina (açúcar de fruta), leite em pó, e proteína em pó. São cerca de 300 calorias por geladinho, que permitem que os pacientes fiquem mais nutridos e mais dispostos para desempenhar as atividades de rotina.

      Os geladinhos são preparados na sala de manipulação de dietas líquidas do Hospital, sob um forte esquema de higiene. “Há todo um cuidado com a água, além disso o manipulador utiliza touca, luva, máscara. A área é isolada e todo material usado é esterilizado”, explica a gerente de nutrição do Huse, Sieune Gomes.

      Enquanto os pequenos passam pelo tratamento de quimioterapia, que dura em média duas horas, o pessoal da nutrição chega para aliviar esse momento desagradável. É hora de tomar geladinho. Agora os bichinhos feitos em MDF e colados na parede da sala infantil não são mais a distração da garotada para passar a hora. O geladinho é a solução. E não há quem fique de fora. Aos poucos as carinhas tristes e desanimadas vão ganhando um aspecto melhor. Quer prova maior de que o projeto tem dado certo? Não sobra um na bandeja. Se dependesse da pequena Maria Clara, certamente ela consumiria mais de um. O seu sabor preferido é maracujá. “Não deixo ela chupar um inteiro para evitar resfriado, mas é incrível como os enjôos sumiram após o Centro de Oncologia começar a oferecer o geladinho”, afirma a mãe da menina.

Fazer quimioterapia, não é nada fácil. É dolorido para o paciente e para a família. Criar alternativas que tirem o paciente da rotina é uma forma de aliviar o sofrimento. “Faz parte do projeto de humanização do Hospital, porque vir só para tomar quimio e ir embora é insuportável. É uma rotina dura e a gente não quer que seja monótona.”, avaliou a coordenadora de enfermagem, Rute Andrade.

     Que o diga a dona de casa Maurina Florença, que está há um ano em tratamento contra um câncer de mama.“Refresca a pessoa, tira o enjôo e melhora”, diz ela. Outra dona de casa, Maria José, há oito meses em tratamento, experimenta o geladinho pela primeira vez. “Vinha sempre e eu não queria, tinha medo de gripar, tossir, mas graças a Deus estou gostando, vou continuar tomando quando eu vier para aqui agora”, fala.

     O experimento tem a aprovação geral. 100% de aceitação entre adultos e crianças. Para a coordenadora de enfermagem a explicação é simples: “A gente tem um modelo de gestão de escuta, então a gente presta atenção no que diz o funcionário, e o paciente. Se eu não tivesse dado importância ao meu funcionário, esse projeto não aconteceria. Foram várias reuniões para chegar até aqui”.  

“Nenhum de nós é tão bom, quanto todos nós juntos”

      A frase de autoria de Ray Crock, fundador do Mc Donald’s, serve de bússola para a equipe de enfermagem do setor de oncologia do Huse. Vale ressaltar que o geladinho é apenas uma das opções no tratamento contra o câncer para aliviar as reações adversas da quimioterapia. Os pacientes tomam medicamentos próprios para diminuir enjôos, náuseas e vômitos, além disso, para enfrentar a doença, contam com o apoio e a presença de voluntários e palhaços que dedicam parte do seu tempo a diverti-los.

     O setor de oncologia tem ainda outros projetos, que começam pela gentileza da água de coco; apresentação de grupos de espetáculo; grupos de pacientes, como o grupo de câncer de mama (em que 40 mulheres com câncer que se reúnem para dar força umas as outras) e grupos de orações.  Há ainda comemorações, sempre que possível, com o objetivo de tirar os pacientes da rotina estressante do tratamento. Outra ação é o desfile dos vitoriosos, momento em que pacientes curados há mais de cinco anos, relatam sua experiência bem-sucedida com o câncer. Um incentivo quase indispensável, para quem tem a vida por um fio.

Câncer de pele: Como se previnir desse mal?

Posted in Saúde by micheletavares on 07/02/2010

Por Mayana Macedo

“Nunca deixem de usar filtro solar! Se eu pudesse dar uma só dica sobre o futuro, seria esta: use filtro solar. Os benefícios a longo prazo do uso de filtro solar estão provados e comprovados pela ciência; já o resto de meus conselhos não tem outra base confiável além de minha própria experiência errante”.

(Trecho da canção: Filtro Solar-Pedro Bial/composição: Mary Schimch)

 

O uso de protetores solares é imprescindível em qualquer época do ano, mas o verão é a estação do ano que mais coloca as pessoas em alerta para os perigos eminentes que as mesmas correm ao se exporem demasiadamente ao sol sem fazer uso de protetores solares. Recentemente, a Pro-Teste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor) realizou testes para analisar a eficiência de 10 marcas de protetores solares fator 30 (Sundown, Natura Fotoequilíbrio, Nívea, Avon, Hélioblock da La Roche-Posay, Cenoura & Bronze, L’ Oréal Expertise, Banana Boat, Episol Loção Oil Free e Coopertone Loção ).

Os testes avaliaram a quantidade de informações nos rótulos, a qualidade das substâncias em sua composição, a chance de causar irritabilidade, o grau de proteção, a resistência à água e sua textura. Os resultados não agradaram a maioria dos fabricantes dos produtos analisados já que oito das 10 marcas analisadas foram reprovadas. Há quem se surpreenda: em quase todas as marcas foi encontrada a substância benzophenone-3 que é altamente cancerígena, exceto no Hélio Block da La Roche, Cenoura & Bronze e L’ Oréal Expertise, essas duas últimas marcas citadas anteriormente foram as únicas aprovadas pela Pro- Teste.

O sol faz bem a saúde quando se respeita os seus limites. O sol é essencial para a produção e absorção da vitamina D pelo organismo. E a vitamina D, por sua vez, está envolvida na formação do cálcio, responsável pela estrutura dos ossos. Mas, o sol pode se tornar vilão quando há exposições das 10h às 16h. A exposição em excesso pode causar danos irreversíveis à pele, que vão desde o fotoenvelhecimento até um câncer de pele. Segundo o Instituto Nacional do Câncer, (INCA), estima-se que em 2010 no Brasil cerca de 114.000 novos casos de câncer de pele venham a surgir. Esse número se subdivide em 53.210 homens e 60.440 mulheres.

O câncer de pele é um tumor maligno formado por células da pele que sofreram uma transformação e multiplicaram-se de maneira desordenada e anormal dando origem a um novo tecido (neoplasia). O melanoma é originado das células que produzem o pigmento da pele (melanócitos), é o câncer de pele mais perigoso. Frequentemente envia metástases para outros órgãos, sendo de extrema importância o diagnóstico precoce para a sua cura. O melanoma pode surgir a partir da pele sadia ou a partir de “sinais” escuros (os nevos pigmentados) que se transformam.

Apesar de ser mais frequente nas áreas da pele comumente expostas ao sol, o melanoma também pode ocorrer em áreas de pele não expostas. Por isso, pessoas que possuem sinais escuros na pele devem se proteger dos raios ultra violeta do sol, que podem estimular a sua transformação. Além disso, qualquer alteração em sinais antigos, como mudança da cor, aumento de tamanho, sangramento, coceira, inflamação, surgimento de áreas pigmentadas ao redor do sinal justifica uma consulta ao dermatologista para avaliação da lesão.

Dona Elvira de Freitas, 76 anos, sente literalmente na pele os malefícios causados pelo sol. Há dois anos vive numa luta diária contra um câncer de pele, mas as incalculáveis  sessões de radioterapia trazem esperanças de cura. O histórico de vida dessa senhora foi de uma vida marcada de dificuldades, desde os nove anos quando começou a trabalhar na lavoura para ajudar no sustento da família. “Naquele tempo, a gente nunca tinha ouvido falar em protetor solar se é que isso já existia, a gente ficava o dia todo trabalhando no sol. Hoje, eu sinto os efeitos na pele, tem dias que nem consigo dormir direito”, finaliza Dona Elvira.

Algumas características dos sinais podem recomendar o exame e a maioria dos casos de câncer de pele é fácil de ser detectado já que grande parte dos tumores se desenvolve na superfície da pele, a epiderme. As pessoas mais vulneráveis a apresentarem câncer de pele, são as pessoas de pele branca, olhos claros e que realizam as atividades no sol, por exemplo, garis, agricultores, entre outros profissionais com intensa exposição a luz solar.

Conheça o ABCD do melanoma:

Assimetria- formato irregular

Bordas irregulares- limites externos irregulares

Coloração- variada (diferentes tonalidades de cor)

Diâmetro- maior que seis milímetros

É VERÃO ABAIXO DOS TRÓPICOS

Posted in Economia, Saúde by micheletavares on 28/01/2010

A temporada de férias escolares, dias longos e temperaturas altas atrai muita gente às praias, criando um comércio característico, variado e perigoso.

Por Cida Marinho

 

Não há espaço mais democrático que as areias das praias. Gente de toda classe social se rende ao mar na busca de um refresco durante o verão. Em Aracaju, como na maioria das cidades litorâneas, é possível aproveitar o dia nas mesas de um restaurante à beira-mar ou jogado na areia. O comércio informal nesse período é muito forte e diversificado, serve a quem quer matar a fome, a quem esqueceu os óculos ou protetor e até a quem quer comprar uma lembrancinha de verão.

Entre 1998 e 2008, o DIEESE- Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos constatou que o emprego com carteira assinada no país cresceu, apesar das crises econômicas atravessadas durante o período.

Sr. Durval prestes a encarar mais uma jornada de trabalho na praia de Atalaia. Foto: Cida Marinho.

 Entretanto esse crescimento não impede o aumento de assalariados sem carteira assinada. Estima-se que 20% dos assalariados não desfrutem dos benefícios garantidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Esse estudo realizado pela DIEESE não identifica um aumento anual, sem destaque para a temporada de verão, entretanto, é possível perceber o impacto que essa temporada tem na pesquisa.

Trabalhar por conta própria sem ter a carteira assinada, além de necessidade, acaba sendo a opção de muitos

brasileiros, como o Sr. Durval Moisés dos Santos, de 46 anos. Há 12 anos Durval vende amendoim nas praias de Aracaju, ele garante que trabalhar de forma autônoma é uma opção “Tem muitos empregos por aí que nem valem à pena, é melhor ficar assim mesmo”. Durval fala baseado em experiências alheias, já que ele próprio nunca teve um emprego formal. Fernando Dias de 32 anos já teve empregos formais e há pouco mais de dois anos optou pela informalidade, vendendo óculos de sol nas praias “Eu trabalhava no comércio e vendia coisas na praia com minha mãe no domingo. Depois eu fui demitido e vivo só disso aqui”.

Óculos e amendoins são só alguns produtos comercializados nas praias. VER QUADRO 1 ABAIXO. Apesar da procura pelos produtos nas areias ser mais forte no verão, o aumento na lucratividade não é tão alto “Pra quem tem família pra sustentar, não sobra muita coisa” garante Durval que já pensa no inverno, quando a procura diminui e ele tem que partir para vender o produto em outras praças.

 

RISCOS

O comércio informal de produtos falsificados mantem-se durante todo o ano graças ao interesse que as pessoas tem em adquirir produtos com etiquetas de marcas importadas (mesmo sabendo que são falsas). Durante o verão os óculos de sol falsificados tem procura ainda maior, especialmente pela facilidade de serem adquiridos nas praias; o produto certo no local certo.

Quem adquire esses produtos pensa no baixo custo e na estética, esquecendo-se da qualidade. O perigo no uso contínuo de lentes sem proteção aos raios ultravioletas agrava-se nessa época do ano. Ao estarem cobertas por lentes escuras, as pupilas dilatam-se, permitindo a entrada de mais raios solares, prejudiciais à saúde da visão, como explicou o oftalmologista Joel Carvalho em entrevista recente ao Portal Infonet.

A não comprovação da qualidade de produtos pode ser identificada também no comércio de descolorantes, bronzeadores e protetores solares. Muitos desses produtos são contrabandeados ou manipulados. Não há ambulante que admita, mas há quem coloque produtos genéricos em frascos de marcas conhecidas e bem posicionadas no mercado. Mais uma vez a clientela é atraída pelo baixo custo, mas e a qualidade?

A comerciante Marly do Nascimento de 42 anos, é freqüentadora da praia de Atalaia e consumidora assídua de todo tipo de comércio ambulante, principalmente dos descolorantes. “A gente compra sempre e nunca teve problema de nada”. Na verdade a Sra. Marly apresenta algumas manchas de sol “Praia, né? É normal”.

ALIMENTAÇÃO

Para os produtos alimentícios, os riscos à saúde são ainda mais graves. O calor do sol, por si só, já é capaz de interferir na química dos alimentos e alterar a qualidade do produto a ser ingerido. Além disso, a preparação ou armazenagem dos alimentos não passa por qualquer vistoria da vigilância sanitária, não há como garantir a boa procedência dos produtos. O Sr. Durval, vendedor de amendoim não prepara o produto “Já compro preparado, mas é sequinho, de boa qualidade”.

Entre os anos de 1999 e 2007, o Ministério da Saúde constatou, através de pesquisa, que 114 mil brasileiros tiveram algum tipo de contaminação alimentar. Não é mera coincidência a constatação de que a maior parte das contaminações ocorreu entre os meses de Janeiro e Março. Não coloquemos toda a culpa nos vendedores ambulantes, contaminações alimentares ocorrem pela manipulação e armazenamentos incorretos de alimentos, o que bem pode acontecer dentro de casa.

Mas é fato que os alimentos comercializados livremente nas praias vão de encontro a alguns princípios que o Ministério da Saúde apresenta para a manutenção de uma alimentação saudável, como demonstrado abaixo.

  • Reduza o consumo de alimentos e bebidas concentrados em gorduras, açúcar e sal. Consulte a tabela de informação nutricional dos rótulos dos alimentos e compare-os para ajudar na escolha de alimentos mais saudáveis. Escolha aqueles com menores percentuais de gorduras, açúcar e sódio.
  • Use pequenas quantidades de óleo vegetal quando cozinhar. Prefira formas de preparo que utilizam pouca quantidade de óleo, como assados, cozidos, ensopados, grelhados. Evite frituras.
    Use água tratada ou fervida e filtrada para beber e para preparar refeições e sucos ou outras bebidas.
  • Ao manipular os alimentos, siga as normas básicas de higiene na hora da compra, da preparação, da conservação e do consumo de alimentos.

 

 Os produtos comercializados durante o verão são feitos em residências por pessoas de classe baixa, sem qualquer conhecimento em nutrição e muitas vezes sem acesso a água própria para consumo. Nem mesmo as pequenas fábricas de picolés e sorvetes apresentam essa importante informação. Como esperar que esses produtos apresentem embalagens com tabelas nutricionais ou que tenham alguma garantia de salubridade?

 SALMONELLA

As bactérias são responsáveis por quase 85% das contaminações alimentares, a salmonela é a mais conhecida.

Cada alimento possui um tempo e temperatura de cocção adequados, após o preparo, os alimentos devem ser bem armazenados e mantidos em temperatura adequada para que as bactérias não se proliferem. Nas praias, sobre o sol forte, a temperatura adequada de cada alimento raramente é respeitada.

A salmonela é comum em ovos, peixes, leite e maionese caseira, produtos facilmente encontrados para consumo nas praias. Água contaminada também está na lista.

Previna-se! É possível aproveitar o verão de forma saudável sem gastar muito. A responsabilidade pela sua saúde é sua.

SER BELO, SAUDÁVEL OU OS DOIS?

Posted in Comportamento, Saúde by micheletavares on 18/01/2010

Com a chegada do verão aumenta a procura por academias e clínicas de estéticas. Tudo isso sem orientação médica. Quem paga o preço?

Foto: Larissa Regina

Por Larissa Regina
Será que vale a pena colocar sua saúde em risco para alcançar o corpo perfeito? Essa é a pergunta que muitos médicos fazem a seus pacientes quando estes perdem o controle diante de academias, salões de beleza, regimes mirabolantes entre tantos outros tipos de comportamento que extrapolam os limites e provocam autodestruição.

Foto: Larissa Regina

Com a chegada da estação mais quente do ano, a capital sergipana fica repleta de jovens e adultos que procuram ficar “em forma” e obter o que eles costumam chamar de “corpo sarado”, ou seja, um corpo definido sem as temidas gorduras localizadas, estrias ou celulites. Eles recorrem a tudo: academias, dietas, spar’s, tudo que lhes prometa um emagrecimento rápido e músculos bem definidos. O grande problema é quando há exagero, descontrole e principalmente falta de orientação médica. É o que afirma a especialista em medicina estética, Dr.ª Claudia Maria Queiroz Santa Rosa Palon, membro da Sociedade Brasileira de Medicina Estética.

Já a dona de casa Carmem dos Santos Farias, 38 anos, que freqüenta academia há 2 anos e meio, alega que mesmo sem orientação médica se sente melhor ao praticar duas horas de bicicleta por dia, além de malhar mais 2 horas diárias, cinco vezes por semana. “Não me sinto nem um pouco mal, minha auto-estima melhorou bastante. Depois de duas filhas e um casamento tenho que manter em forma, já estou com uma certa idade e acredito que mesmo sem orientação médica estou indo pelo caminho correto, pois me sinto muito feliz.”

Os especialistas afirmam que exercícios físicos e mudanças alimentares devem ser acompanhas por profissionais capacitados. Uma dieta pode fazer bem a uma pessoa, mas trazer prejuízos a outra, pois cada organismo funciona de um jeito diferente. O mesmo acontece com a atividade física, que se

praticada de qualquer maneira pode sobrecarregar o organismo do indivíduo, provocando a formação de radicais livres e a morte das células. A maioria das pessoas acredita, por falta de informação ou por simples ignorância, que a quantidade de exercícios praticados ou a pouca quantidade de alimentos ingeridos é decisivo para o sucesso de um emagrecimento, porém segundo endocrinologistas a questão é bem mais complexa, pois varia de acordo com o metabolismo de cada indivíduo, por isso a importância da orientação médica.

Nesta época do ano, dentre os meses de outubro e março, há uma procura maior por centros de estética e academias em contrapartida com a minimização da procura por médicos por se tratar de um período geralmente de férias infantis onde há um recuo nas consultas. “Não tenho tempo de ir ao médico, pois tenho duas filhas em idade escolar, não consigo conciliar tudo. Eu até vou ao médico, mas para fazer exames de rotina, nunca vou a especialistas”, diz Carmem.

Mas não é só em academias que se cometem esses tipos de exageros. Há uma grande procura por clínicas de estéticas e salões de beleza nesta época do ano. Milhares de sergipanos se dirigem a esses tipos de estabelecimentos com a esperança e a promessa de conseguir não só o corpo perfeito, mas a aparência perfeita, algo que somente nestes locais há como se alcançar, afirmam muitos deles.

Pessoas como Jéssica Azevedo, uma jovem de 22 anos, se submetem a tratamentos estéticos a base de formol, mesmo sabendo que esse tipo de substância química, em grande quantidade, pode causar sérios danos à saúde. “Não me importo em correr um pequeno risco para ficar bonita, meu cabelo é difícil de ser tratado, é volumoso, tenho que utilizar essas técnicas para torná-los mais tratáveis”, diz Jéssica que afirma não haver perigo nenhum em utilizar pequenas quantidades de formol, além de ser uma assídua frequentadora de academia sem orientação médica.

Na visão da Dr.ª Cláudia Palon essas pessoas, (que podem ser de qualquer idade), só alcançarão um equilíbrio entre saúde e estética quando tiverem um autoconhecimento e um equilíbrio psicológico e emocional.

Por fim, é preciso salientar que a conscientização e a responsabilidade com o próprio corpo é o fator mais importante ao deparar com uma insatisfação na aparência, afinal o nosso corpo é quem sofrerá com as consequências de seu mau uso.

TRANSTORNOS ALIMENTARES

ANOREXIA X BULIMIA

Fonte: Google

Para algumas pessoas conviver com a própria aparência não é nada fácil. Às vezes ser baixo demais, magro demais, alto demais ou gordo demais incomoda. Raramente as pessoas se consideram adequadas aos padrões de beleza impostos pela sociedade ou pela mídia. Muitas pessoas convivem e aceitam isso normalmente, mas para uma parte da população jovem é impossível viver sem ter o padrão de beleza da modelo Gisele Bünchen.

Menina com trantornos alimentares.

Menina que sofre com a anorexia.

Na lista dos transtornos alimentares mais comuns está a bulimia e a anorexia. Tanto no sexo masculino quanto no feminino, geralmente na adolescência, esses transtornos se desenvolvem de forma parecida. A anorexia caracteriza-se por uma sensação de estar gordo, mesmo que o indivíduo esteja em ótimas condições físicas, consumindo-se em dietas mirabolantes chegando a parar de comer, por isso pode tornar-se uma doença fatal. Na bulimia, o indivíduo sente extrema culpa por comer, forçando o vômito após as refeições, tomando diuréticos e laxantes para expulsar toda e qualquer comida que haja em seu organismo, gerando queda de pressão, problemas dermatológicos, suspensão da menstruação (em casos femininos), entre outras consequências.

Na busca pela cura da anorexia os resultados são preocupantes: apenas 30% conseguem a cura total, 35% voltam a engordar e tem recaídas e, infelizmente, apenas 10% nunca acham cura para sua patologia, morrendo por sua extrema magreza ou cometendo suicídio. Na bulimia os resultados são mais animadores, pelo menos metade dos pacientes tem uma recuperação absoluta. Psicólogos afirmam que a companhia e apoio familiar são imprescindíveis para a recuperação do paciente.

Sintomas comuns anorexia e bulimia
anorexia bulimia
a. recusa em manter o peso na proporção normal para idade e estatura x x
b. medo intenso de engordar, mesmo que com peso abaixo do normal x x
c. auto-avaliação alterada do peso e forma do corpo x x
d. amenorréia x .
e. episódios recorrentes de comer-compulsivo . x
f. comportamento compensatório inadequado: vômitos, laxantes, diuréticos, jejum, exercícios . x
g. episódios com ocorrência média de ao menos 2 x / semana, por 3 meses x x
h. auto-estima influenciada pelo peso e forma corpo x x

Tabela adaptada do site http://gballone.sites.uol.com.br


Saúde pública na UTI?

Posted in Saúde by micheletavares on 19/11/2009

Saiba qual a opinião de uma mãe sobre o atendimento em um hospital da Secretaria Municipal de Saúde de Aracaju, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), dias após o nascimento de sua filha

Fotos e entrevista por André Teixeira

A pequena Sarah dorme sob o olhar atento da mãe

Algumas manchetes recentes da mídia sergipana sobre a saúde pública: “Bêbes que morrem em Aracaju são transportados inadequadamente”, Cinform online, 27 de outubro; “Estado despreza a saúde de gente pobre”, capa do Cinform, edição de 8 a 14 de novembro; “Médica denuncia 17 mortes de recém nascidos na antiga maternidade Hildete Falcão”, chamada de reportagem veiculada em 10 de novembro, no Bom dia Sergipe 1ª edição; “Entre julho e outubro 102 crianças morrem na maternidade Hildete Falcão”, chamada de reportagem da TV Atalaia, 11 de novembro. Essas manchetes contrastam com a propaganda veiculada em algumas emissoras locais: “Aracaju, cidade da qualidade de vida”. No site da Secretaria Municipal de Saúde, 11 de novembro “Nova urgência pediátrica inicia atividades”. O Quadro de Detalhamento de Despesas da Prefeitura Municipal de Aracaju indica investimentos na Saúde de R$ 270.148.272,00.

Por que, apesar de a propaganda na TV dizer uma coisa, a imprensa diz outra? Através dessa entrevista pretendo colher a opinião da professora Greiceane, mãe de Júnior e Gabriel, dia 6 de novembro teve a pequena Sarah, atendidas na maternidade Santa Isabel,  unidade da Secretaria Municipal de Saúde.


Empautaufs – Gostaria que você se apresentasse aos leitores do Empautaufs.

Greiceane Santos – Oi, eu sou Greiceane Santos, pedagoga, tenho 34 anos.

EPUFS – É o seu primeiro parto?

GS – Não, é o terceiro filho.

EPUFS – Qual a idade deles?

GS – Junior16 anos, Gabriel 14, e dia 6 de novembro tive Sarah Gabriele.

EPUFS – Esses dois partos anteriores também foram realizados pelo Sistema Único de Saúde?

GS – O primeiro foi particular e o segundo sim, foi pelo SUS.

EPUFS – Houve muita diferença dos dois primeiros para esse seu terceiro parto?

GS – Sim. O primeiro, que foi particular, tudo correu muito bem. O segundo, apesar de ter sido pelo SUS, correu bem também. Mas esse terceiro… parece que quanto mais o tempo passa, mais o serviço de saúde pública piora, foi essa a impressão que ficou.

EPUFS – Quais as mais significativas diferenças?

GS – Atendimento, higiene. Vale ressaltar que vimos (Greiceane e outras grávidas) uma placenta sendo examinada para constatar se teria sido de um aborto provocado. Nesse período que fiquei na maternidade, em vários dos partos normais as mães se obravam e os bebês nasciam em meio as fezes, sem contar a brutalidade de algumas enfermeiras e médicos!

EPUFS – Recomendaria para as amigas o atendimento pelo sus?

GS – Nem para os meus inimigos, quem dirá aos meus amigos.

EPUFS – O que foi que mais chamou sua atenção nesse atendimento?

GS – A frieza de alguns profissionais e a insalubridade do ambiente hospitalar.

EPUFS – Sobre o trabalho dos médicos, o que você tem a dizer?

GS – A maioria estressada, sem condições nenhuma para fazer atendimento ao público, e ainda erram em seus diagnósticos, fazendo com que muitas pacientes tenham seus filhos bem depois do tempo, como o caso de uma mãe que julgava está perto dos dez meses de gestação, diagnóstico mais tarde confirmado por outro médico. A criança encontra-se na UTIN, com agua nos pulmões pois, engoliu liquido aminiotico, devido a sua gravidez ultrapassada.

EPUFS – E das enfermeiras?

GS – Elas são tratadas como “simples auxiliares de enfermagem”. Palavras de uma médica. Passam seu estresse para nós pacientes.

EPUFS – Sobre a maternidade, você faria alguma observação quanto à limpeza, conservação do prédio…?

GS – Um ambiente altamente insalubre. Algumas pacientes com quem tive contato vão para a sala de parto sem fazer a lavagem intestinal e sem fazer a tricotomia. Obras em horários inadequados para um hospital e com os operários transitando dentro do hospital com suas ferramentas de trabalho, em meio às pacientes.

EPUFS – Você relataria algum momento bom dessa experiência?

GS – Citaria dois momentos: o segundo, quando percebi que ainda existe profissional sério em meio a esse caos que é a saúde publica e, é claro, o primeiro foi o choro da minha filha quando finalmente fizeram meu parto.

EPUFS – E dos momentos ruins, qual o pior?

GS – A discussão com uma médica que me destratou assim que cheguei na sala de observação, agindo de forma discriminatória com funcionários e pacientes fazendo um verdadeiro terrorismo psicológico, dizendo que deixasse a dor e o choro atrás da porta.

EPUFS – O que você acha que poderia melhorar nesse atendimento?

GS – Uma reciclagem com toda a equipe de saúde,ou mudando a administração e fazendo com que a ouvidoria funcione de verdade.

EPUFS – O Município divulga em campanhas televisivas que Aracaju é a cidade da qualidade de vida. Essa qualidade de vida se reflete no atendimento que você teve na maternidade Santa Isabel?

GS – Não, devido a tudo que eu relatei.

EPUFS – Uma mentira ou uma meia-verdade?

GS – Uma mentira. Garanto que as esposas dos poderosos nunca passarão por isso.

EPUFS – Qual a saúde pública que você espera para sua filha?

GS – Uma saúde publica de qualidade e principalmente de respeito a vida e ao próximo.

Fragilidade aos 6 dias de nascida: delicadeza de uma pequena flor.