Técnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística

A Sala Verde da UFS

Posted in UFS by micheletavares on 15/12/2010

Como a educação ambiental na rede pública de ensino pode ser um agente modificador

Por: Victor Limeira

O meio-ambiente vive em estado de alerta, discussões concernentes a esta pragmática são cada vez mais freqüentes nos veículos de comunicação (Jornal/TV/Internet), nas salas de aula e no nosso cotidiano. A sociedade passa a refletir mais sobre essas questões, e terminologias como consciência ecologia e desenvolvimento sustentável passam a ser inseridas nesse contexto.

Essa tomada de consciência da população em torno do meio ambiente cresce de forma tangencial e projetos como a SALA VERDE, que consiste fundamentalmente na fomentação teórica e metodológica da educação ambiental nas escolas públicas.

Em entrevista ao concedida ao Em Pauta UFS a bióloga e colaboradora do projeto Camila Gentil (23) explicita conceitos, relativiza os principais problemas ambientais do estado de Sergipe e diz como projetos do gênero em paralelo com a aplicabilidade da constituição penal vigente podem em longo prazo gerar transformações.

 

1)       Em Pauta UFS: Quando e como começou o projeto SALA VERDE? Já existia em outras instituições?

Camila Gentil: O daqui da UFS começou em 2005, quando concorreu com o edital do Ministério do meio ambiente. É vinculada a reitoria de extensão (PROEX), já teve relação à prefeitura, estão querendo retomar isso. Sim, o projeto existe em outras universidades.

 

2)       Em Pauta UFS: Do que se trata o projeto SALA VERDE? Quais são seus principais objetivos?

CG: O principal objetivo seria a formação continuada dos professores em educação ambiental, o projeto também promove seminários e encontros. Acontecem encontros mensais em algumas cidades do interior; [Própria, Ribeirópolis, Indioroba, Arauá, Lagarto, Nossa Senhora do Socorro]

 

3)       Em Pauta UFS: Como tem sido trabalhar com essas comunidades? Quais são os critérios para que elas sejam selecionadas?

CG: Em alguns municípios é bem estressante, como Arauá. Em outros o projeto é bem tranqüilo como em Indiaroba. Contudo alguns professores utilizam isso para sair da sala de aula. O projeto sala verde é apresentado a alguns municípios, os que se interessam, assinam um termo e aderem ao projeto, mas existe um prazo e devido à falta de programação, algumas cidades ficam de fora.

 

4)       Em Pauta UFS: O que pode ser feito para se envolver a comunidade nestes processos?

CG: Como são vários municípios e ás vezes esses povoados ficam longe um do outro, a gente procura entender a realidade local e trazer isso para a prática. Formulamos as aulas de acordo com as peculiaridades de cada cidade.

Bióloga Camila Gentil na Sala Verde da UFS. Foto: Victor Limeira

 

5)       Em Pauta UFS: Quem esta capitalizando esse projeto? Quais são as principais dificuldades?

 

CG: O Ministério do meio ambiente fornece Kits/manuais/livros/DVD (circuito sala verde) e as bolsas são vinculadas ao PROEX (projeto de extensão)

Políticas. O projeto depende deles para acontecer e no interior a politicagem é grande. Problemas com transporte e infra-estrutura (sala)

 

6)       Em Pauta UFS: Já existem resultados deste trabalho?

CG: Temos alguns resultados. O nosso ciclo é anual, então sempre fazemos um paralelo do que foi feito nesse ano. 2009 foi o nosso melhor ano, contudo em 2010, muita coisa aconteceu; apresentação de trabalhos nas escolas; plantio de horta que além de servir para aulas, enriquecem o cardápio dos alunos.

 

7)       Em Pauta UFS: Como a universidade federal de Sergipe (UFS) pode atuar nesse âmbito?

 

CG: A UFS atua bastante, apóia a sala verde. Além disso, existe o projeto da semana da sensibilização que será ampliada no ano que vem, com projetos como a carona amiga; redução do gasto com papel; recolhimento do óleo de cozinha para fazer detergente, que já funciona um pouco. Há muito tempo também foram instalados interruptores nas salas de aula, os alunos podem ao sair do ambiente desligar luzes e ventiladores. Existe ainda um problema com o lixo que é separado de forma coletiva, mas despejados nos lixões da cidade.

 

8)       Em Pauta UFS: O assunto do meio ambiente é muito debatido hoje, mas vocês que trabalham no interior do estado, ainda existem problemas concernentes a falta de informação? As pessoas desconhecem a temática? Qual o nível de conhecimento deles? E na capital do estado?

CG: Na verdade quando a gente fala de informação, isso deve ser pensado de forma ampla. Existe certo conhecimento sim, mas há muita resistência quanto ás mudanças no comportamento. Em linhas gerais o conhecimento é nivelado pelo censo comum, com poucas exceções.

 

9)       Em Pauta UFS: As pessoas se dizem consciente dos problemas ambientais, vestem camisas que remetem a isso e tem um discurso convincente, contudo, muitas vezes, aquilo se restringe a teoria e tudo soa muito utópico. Existe uma solução para o problema que decorre de muitos anos, mas que hoje tem maior conotação? Você acredita em um mundo diferente (PROFISSIONAL/PESSOAL)?

 

CG: Pessoalmente ainda acredito, quero acreditar, caso contrário não estaria trabalhando com isso. É uma difícil missão, não existe solução emergencial nem tampouco devemos ir de encontro ao capitalismo, afinal é esse o regime vigente e a nossa realidade. Deve-se então diminuir gradativamente os impactos, afinal até para se fazer pesquisa eles causados.

 

10)   Em Pauta UFS: O que este governo fez em relação ao meio ambiente (melhorias)?

CG: Melhorou em algumas coisas, sobretudo em questões de infra-estrutura. Aconteceu a fusão da secretária de meio

Estudantes trabalham na Sala Verde da UFS. Foto: Victor Limeira.

ambiente com a de recursos hídricos. Os problemas consistem em nível de administração estatal, a ADEMA não realiza concursos, o nepotismo é uma constante, na SEMAR os concursos existem somente para vagas secundárias.

 

11)   Em Pauta UFS: O que é meio ambiente?

CG: A maior parte das pessoas trata questões ambientais ligadas ao meio como sendo químico/físico/biológico (seres vivos/ar/água/sol). É a definição que geralmente se dá ao meio ambiente, contudo, meio ambiente é mais do que isso, aqui onde estamos na biblioteca, é meio ambiente. O homem passa a maior parte do tempo em ambientes que foram feitos por eles, então o entorno onde essas pessoas se relacionam é meio ambiente.

 

12)    Em Pauta UFS: O que é desenvolvimento sustentável? Qual a sua real aplicabilidade?

 

CG: Desenvolvimento sustentável seria você conseguir olhar o crescimento econômico do capitalismo e a diminuição dos impactos no meio ambiente. Até o momento ele não funcionada de forma efetiva, o desenvolvimento no país é impulsionado pela indústria. Existe o ISO/9001 que consiste na regulamentação da empresa para que esta tenha um valor ambiental, mas na maioria das empresas do país ele não tem aplicabilidade. Empresas como o GBARBOSA e a PETROBRÁS contam com setores que o desenvolvimento sustentável funciona.

 

13)   Em Pauta UFS: Em Sergipe devido ao crescimento industrial que geram maior produção de dejetos observa-se que poluição dos Rios (Poxim, Sergipe, Piauitinga entre outros) cresce em larga escala. Qual o controle estatal feito em torno dessa pragmática?

CG: Nenhum, na verdade o esgoto deveria ser tratado (EMURB), mas esse é jogado nos rios sem qualquer tratamento.

 

14)   Em Pauta UFS: O Derramamento de esgotos em rios/mangues/praias é uma constante no estado, o que isso ocasiona nesses ecossistemas?

CG: Muitos problemas, por exemplo, a eutrofização das águas- Maior índice de bactérias que se desenvolvem com menos oxigênio e isso reflete diretamente na vida do homem. Por exemplo, o camarão é contaminado pela bactéria, o peixe ingere esse camarão e também é contaminado, o homem pesca esse peixe e é contaminado por ela, portanto uma reação em cadeia

15)   Em Pauta UFS: Como é tratado o lixo em Sergipe/Aracaju? A coleta seletiva tem aplicabilidade? Como a comunidade pode atuar nessa questão?

CG: É lixão, Aracaju/Sergipe não existe coleta seletiva nem tampouco aterros sanitários. Existem cooperativas como a CADE, que fazem coleta seletiva, mas a demanda é muita maior, a estrutura é pequena e a iniciativa civil é quase nula.

 

16)     Em Pauta UFS: O turismo hoje é um dos grandes mantenedores da economia Sergipana, muitos investimentos estruturais foram feitos (construção de hotéis, ampliação do aeroporto, divulgação de eventos, construção de novas estradas e pontes) Mas a nível ambiental, já que são os atrativos naturais como as praias que geram esse fluxo turístico, o que foi feito?

 

CG: Na orla de Atalaia, por exemplo, a água é em muitas épocas imprópria para banho. O parque da cidade está bem deteriorado, a localização do parque é ruim, pois fica em zona industrial e de grande concentração populacional, as pessoas da própria comunidade fazem má uso do local, jogando lixo e usando drogas no ambiente, além disso, o parque não esta inserido nos roteiros turísticos da cidade, sobretudo por questões de infra-estrutura, como segurança pública. O restaurante, a biblioteca e a sala de vídeo também não funcionam.

 

17)    Em Pauta UFS: Como a comunicação e o jornalismo podem contribuir na questão do meio ambiente?

CG: Pode contribuir na questão da denuncia, mostrando a sociedade o que realmente acontece e o também o que não esta sendo feito. Os jornalistas são formadores de opinião e devem transmitir informações verdadeiras para população.

 

18)   Em Pauta UFS: Qual é a atuação do IBAMA no estado de Sergipe? E do Greenpeace?

CG: Há algum tempo o IBAMA dividiu-se em IBAMA e ICMBIO (Instituto Chico Mendes de Biologia). A fim de melhorar o trabalho e sua organização. Eles trabalham na fiscalização do trafico ilegal e da exploração do meio ambiente, mas o contingente percentual de trabalhadores desses órgãos é pequeno demais. Pouca ou nenhuma.

 

19)   Em Pauta UFS: O código de leis ambientais do estado de Sergipe/carta magna assegura proteção a inúmeros ecossistemas, contudo, como na maioria das leis, a sua aplicação é quase nula.  Como coibir ações contra o meio ambiente? A impunidade é um mecanismo que assegura essas práticas?

CG: Com certeza. A constituição é bem elaborada, mas não funciona na prática. Por exemplo, existe uma punição ao poluidor prevista em lei, mas essa é muito simbólica e muitas vezes não é cobrada.

 

20)   Em Pauta UFS: Sabe-se ainda que existe uma enorme discrepância da capital em detrimento do restante do estado, no interior de Sergipe existe muita exploração do meio ambiente, que conta inclusive com resquícios de mata atlântica. Quais são os principais problemas das outras cidades?

CG: O lixo e o esgoto são os principais problemas do estado. Com relação  a  preservação da mata atlântica existe ainda o Parque Nacional da Serra de Itabaiana  e a Reserva Biológica de Santa Isabel- sede do TAMAR em Pirambu. De um modo geral os problemas são os mesmos. O crescente fluxo turístico no Rio São Francisco pode acarretar em problemas futuros.

 

21)   Em Pauta UFS: Em linhas gerais Aracaju é uma das melhores cidades do pais, possui inclusive uma das melhores qualidades de vida, qual a relação desse índice com o meio ambiente?

 

CG: Esse índice esta muito mais relacionado com a saúde e a economia, do que com o meio ambiente. Em Aracaju existe pouco verde com poucos pontos bem arborizados.

 

22)   Em Pauta UFS: Em Aracaju, capital do estado, é constante a destruição do meio ambiente para construção civil. Na 13 de julho por exemplo, litoral e mangue foram aterrados para construção de prédios e edificações, como órgãos públicos posicionam-se sobre casos dessa dimensão e em que essa a sociedade tem total conhecimento? Foi feito algo sobre isso particularmente?

CG: Não, a sociedade tem pouca ou nenhuma ação social. Legalmente o mangue é uma área de proteção ambiental e não deveria ser deteriorada, a EMURB teria obrigatoriedade de embargar a outra, mas não faz isso. Então em 2ª ordem a ADEMA deveria proibir construções nesses ambientes, contudo, devido à superlotação de licitações e ao poder econômico das construtoras essas são liberadas em sua maioria. Muitas vezes somente com a licença-prévia as obras são iniciadas, fato completamente arbitrário. Outro fator é o lixo produzido, dejetos de construção civil precisam ser jogados no lixo com inúmeras particularidades, o que não acontece.

 

23)    Em Pauta UFS: O homem é a única espécie que pode provocar a sua autodestruição. Contudo, desde os anos 80 cresce no Brasil a chamada consciência ecológica? No que consiste essa consciência? Como ela pode ser estimulada?

 

CG: Essa questão da consciência ecológica é na verdade uma retomada da realidade. O homem esta despertando para os problemas do meio ambiente.

 

24) Em Pauta UFS: Qual a avaliação que da política ambiental no governo de Sergipe?

CG: Melhorou em algumas coisas, sobretudo em questões de infra-estrutura. Aconteceu a fusão da secretária de meio ambiente com a de recursos hídricos. Os problemas consistem em nível de administração estatal, a ADEMA não realiza concursos, o nepotismo é uma constante, na SEMAR os concursos existem somente para vagas secundárias.

25)   Em Pauta UFS: Como a educação pode atuar nessa questão? Qual o papel das escolas? Qual a linha metodológica que deve ser seguida?

CG: De forma direta. O papel as escolas é de fomentas discussões sobre meio ambiente desde muito cedo entre as crianças, de forma multidisciplinar e em todo ano letivo, não somente em períodos específicos, como o dia da água, relativizar aspectos sociais e da sua realidade, Paulo Freire é a favor de uma educação emancipatória e essa afirmação tem muito fundamento. Os conhecimentos prévios do aluno devem ser trabalhados com clareza. Á critica que envolve o social, cultural e econômico. Precisam-se unir todos os aspectos da sociedade para se conseguir uma educação ambiental efetiva.

Os dois lados da moeda

Posted in UFS by micheletavares on 30/11/2010

I Bienal de Artes, Ciência e Cultura levanta suspeita dos alunos acerca da origem das verbas do DCE

Por Claudia Janinny

Do dia 31 de agosto a 3 de setembro desse ano, foi realizada na Universidade Federal de Sergipe (UFS), no Campos de São Cristovão, a I Bienal de Artes, Ciência e Cultura. A abertura do evento, promovido pelo Diretório Central de Estudantes (DCE) da instituição, teve como atrações culturais Dado Vila-Lobos, ex-guitarrista da banda Legião Urbana, além das bandas sergipanas Naurêa e Guerreiros Revolucionários. A Bienal também incluiu debates diversificados e mesas redondas com participação de professores e especialistas para informar aos estudantes sobre temas atuais e relacionados à universidade, bem como teatro, dança, artes plástica, poesias, contos, prosa entre outros. Mas por que relembrar tudo isso?

Foi só terminar o evento para surgir algumas especulações a respeito da origem das verbas do DCE para promover o evento. Alguns alunos começaram a questionar sobre a estrutura luxuosa, principalmente do show de abertura com o músico Dado Vila-Lobos, que contou com incrementos técnicos como um gerador de energia elétrica, banheiros químicos e a montagem de um palco em frente à Concha Acústica da UFS.

A atual Chapa da Integração, logo que assumiu a 1ª gestão, tinha em mente promover a interação entre os estudantes e o DCE. “Nós assumimos a gestão com duas visões: a primeira é que a gente achava achava que o DCE deveria continuar com a ação política, que é o natural e foi o que fizemos. Conseguimos baixar a taxa de 25% do curso na transferência interna, contratação dos professores, o aumento da bolsa alimentação e da bolsa trabalho; e a segunda era que fizéssemos atividades que aproximassem os estudantes do DCE, porque até então as pessoas que ocuparam o DCE faziam a luta do Movimento Estudantil pelo Movimento, achando que é só a questão política que deve ser discutida. Por isso que muitos estudantes não se envolviam com o diretório”, conta Antonino Cardoso, atual presidente do DCE.

E pelo visto, a intenção do DCE é de fato manter a integração entre todos: “A gente sabe que tem estudantes ambientalistas, então queremos nos aproximar deles, o movimento religioso, por exemplo, por que não promover uma Calourada Gospel? A UFS tem 27 mil alunos e se for levar só pela questão política o DCE vira um Gueto com meia dúzia de pessoas. A nossa intenção é de integrar”, diz o presidente.

A atual gestão do DCE desenvolve diversos projetos e programas voltados ao incentivo à cultura. Dentre eles estão: cursos de língua estrangeira com baixo custo e curta duração (inglês, espanhol, francês, alemão, grego e latim), e o projeto trilhas (leva os estudantes a conhecerem outros lugares). Segundo Antonino, a intenção é que o estudante financie o seu próprio curso. “Pesquisamos e vimos que um professor de curso de idiomas ganha em média R$ 14 hora-aula. Em seguida, fomos ao Departamento de Letras e nos informaram que uma sala de aula para língua estrangeira comporta cerca de 40 pessoas. Então calculamos um curso com seis meses de duração incluindo a apostila e chegamos a um total de R$ 2.500 mil. Dividimos por 40 alunos e deu R$ 70 para cada um”, explica. E, acrescenta: “Hoje temos quarenta turmas e futuramente pretendemos abrir uma turma de Libras”, afirma.

Em contrapartida, a efetivação desses projetos acentua as suspeitas dos detratores do órgão de representação estudantil acerca de como estes adquirem recursos para financiar os seus projetos. “Existem alguns projetos do DCE que eu não concordo principalmente no que diz respeito ao evento mais recente, a I Bienal de Artes, Ciência e Cultura promovido pelo DCE, pois gostaria de saber de onde eles tiraram dinheiro para financiar em evento tão grandioso”, diz Wesley Pereira de Castro, estudante de Jornalismo da UFS.

Segundo o presidente do DCE, todos os eventos realizados contam com a colaboração de alguns órgãos, já que o Diretório não tem condição alguma de bancá-los, inclusive o mais recente que foi a I Bienal de Artes, Ciência e Cultura. “A gente contou com várias parcerias na realização da Bienal. O cachê de Dado Vila-Lobos foi R$ 12 mil e quem pagou foi a Funcaju. O som foi custeado pelo BANESE e a parte da estrutura do show foi paga pelo Banco do Nordeste. No total gastamos R$ 40 mil, um dinheiro que o DCE não tem. Nós que corremos atrás dos patrocínios, eu mesmo fiquei o mês inteiro das minhas férias correndo atrás para fazer a Bienal. Foi tudo graças às parcerias firmadas e as empresas contratadas“, explica Antonino Cardoso.

Na legislação existe uma parte que vem falando sobre os Incentivos Fiscais, que são formas legais de redução ou supressão do tributo a pagar, visando beneficiar determinados setores produtivos com o objetivo de gerar empregos, ampliar a produção, o comércio internacional e a prestação de serviços. Também são instituídos com o objetivo de incentivar atividades sociais e/ou culturais. Foi partindo desse princípio que o DCE resolveu ir atrás desses órgãos: “Nós já sabíamos que a maioria dos órgãos públicos tem um orçamento específico para financiar projetos culturais e sociais, como por exemplo, o Instituto Cidadania do Banco do Nordeste que separa cerca de R$ 7 milhões para financiamento de atividades e projetos culturais de universidades, escolas e outras entidades. E, por isso mesmo, resolvemos arriscar enviando o convite, que graças a Deus foi aceito por eles”, diz Antonino Cardoso.

Conforme Antonino, para conseguir essas parcerias foi necessária a elaboração de um projeto contendo os objetivos gerais e específicos, plano de mídia, público alvo entre outros, que justificassem a realização do evento. “Tem um aluno que foi do Centro Acadêmico de Artes e tem uma entidade chamada Oficina Alternativa. Como ele é especializado em elaborar projetos para captação de recursos, pedimos que elaborasse um para a Bienal”, diz. E, continua: Feito isso, foi só mandar os convites pedindo apoio. “Ao todo foram 200, mas conseguimos apenas três”, afirma.

Mas, além desses órgãos o DCE conta com um caixa que é mantido pelos próprios projetos desenvolvidos por eles. “Hoje o curso de idiomas rende em torno de R$ 400 para o DCE de cada turma, nesse semestre conseguimos formar 40 e obtivemos um lucro de R$ 16 mil que já serviu para financiar o nosso jornalzinho que foi entregue a todos os estudantes da UFS”, explica o atual presidente do DCE.

E, com relação à prestação de contas aos estudantes Antonino Cardoso disse o seguinte: “Tudo o que fizemos esse ano foi com a ajuda de parcerias. O Estatuto do DCE tem o Conselho de Base, em que toda gestão tem a obrigação de apresentar o balanço financeiro das atividades desenvolvidas durante o ano, e é exatamente o que iremos fazer”, conclui.

COTAS, O QUE MUDOU NA UNIVERSIDADE?

Posted in UFS by micheletavares on 26/10/2010
(Foto: Gleiceane Silva)

 

Por Gleiceane Silva

 

Antes mesmo de ser implantado na Universidade Federal de Sergipe (UFS) o sistema de cotas era um assunto bastante polêmico, pois antes de sua implantação houve vários manifestos dentro da própria universidade por estudantes que acreditavam que com este sistema o nível das aulas cairia e haveria um certo escurecimento da universidade porque dentro destas cotas são reservadas 30% das vagas para estudantes que se consideram pardos negros ou índio. A lei das cotas foi aprovada em 2007 e só no vestibular de 2009 elas foram implantadas na UFS.

Havia no início uma certa apreensão dos alunos em relação aos que entrariam por este sistema, tanto é que a própria reitoria da universidade recebeu os alunos com uma faixa na entrada da UFS que dizia: ¨ As cotas foram só uma forma de entrar, aqui somos todos iguais.¨

Já se passaram mais de seis meses e o tal problema das cotas e o medo de ser discriminado passou. No início teve uma certa discriminação porém os alunos de escolas públicas mostraram que são tão capazes quanto os que vieram de escolas particulares pois em sala de aula não há diferença entre notas, os professores são os mesmos e o nível das aulas não caíram por conta disto.¨Não me sinto inferior por ser proveniente de escola publica, sou tão capaz quanto os alunos da rede particular¨, diz a aluna do curso de fonoaudiologia, Kely Santos.

Além das cotas para estudantes de escola públicas e os que se consideram pardos negros e índio, houve também a reserva de uma vaga por curso para portadores de deficiência facilitando a inclusão destes alunos na universidade.  Porém assim como a própria cidade de Aracaju e na maioria dos lugares no Brasil, a universidade ainda não está preparada para receber estes alunos, falta uma série de adaptações e projetos tanto na estrutura física quanto no preparo dos professores que muitas vezes não sabem como lidar com estes.

Tatiana dos Santos (Foto: Gleiceane Silva)

De acordo com a chefe do departamento de comunicação, Messiluce Hansen, ainda é muito cedo para avaliar a instituição das cotas na Universidade, visto que esse é o primeiro ano de sua aplicação. “As turmas que tive contato são turmas de primeiro período, e não é possível fazer uma espécie de avaliação destes alunos, pois estes alunos independentemente de virem de escolas publicas ou privadas sofrem um processo de adaptação proveniente da transição do ensino médio para a universidade e cabe a eles escolherem o rumo a se tomar na vida acadêmica,” diz.

Em entrevista, o vice reitor  Ângelo Roberto Antoniolli comenta que ainda é cedo para se dar um parecer por ser esse o primeiro ano de implantação deste sistema. “Antes mesmo da implantação deste, 47% dos alunos na universidade são provenientes de escolas publicas e com o sistema passou para 64%. Esperávamos um número maior,” acrescenta ele. E não se tem muita diferença pois na maioria dos cursos já tinham alunos de escolas pública sendo que em alguns cursos 90% desse alunos são de escola pública, as mudanças foram em alguns curso a exemplo o curso de medicina e direito que a maioria são vindos de escolas privadas.

Já em relação aos alunos com deficiência ele volta a comentar que como este é o primeiro ano de implantação ainda falta muita coisa a ser feita para melhor acomodar e recebê-los. Porem algumas medidas já foram tomadas como por exemplo  a implantação de rampas na nova Didática VI, e no Restaurante Universitário (RESUN), também é feito um estudo para que os alunos com problemas de locomoção tenham aulas nas salas situadas no térreo para facilitar a acessibilidade. Mas ainda faltam projetos para facilitarem o acesso nas didáticas antigas, pois quando foram construídas não se tinham a idéia de inclusão de deficientes físicos. Então verbas a universidade já possui, agora só falta o projeto e a execução.

ULEPICC abre discussão para falta de eventos de comunicação na UFS

Posted in UFS by micheletavares on 26/10/2010

Universidade que ficou 10 anos sem sediar eventos importantes de comunicação, enxerga na ULEPICC novas perspectivas

Por Victor Limeira

Aconteceu na semana passada entre os dias 20 e 22 de outubro o III encontro da União Latina de Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura (ULEPICC) que este ano teve com sede o estado de Sergipe, realizando-se na Universidade Federal de Sergipe (UFS) no campus de São Cristovão. O evento veio para a instituição, sobretudo por causa do professor do curso de economia César Bolaño que faz parte da diretoria da ULEPICC.

 Com o tema: A formação da Economia Política da Comunicação e da Cultura no Brasil e na América Latina: conquistas e desafios e contou com a presença de pesquisadores e palestrantes da universidade, bem como de outras instituições e até mesmo de outras nacionalidades, uma das presenças mais notáveis foi a do importante escritor e também professor da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) José Marques de Melo.

– “É muito importante esse tipo de evento, tanto para os acadêmicos como para os graduandos, só acrescentam”, disse o professor convidado

      O Departamento de Comunicação Social (DCOS) e o Departamento de Economia (DEE) trabalharam juntos nesse congresso. Essa fusão de áreas faz com que as ações ganhem mais notoriedade, trata-se de uma simbiose de conhecimento que pode acontecer em outros momentos, inclusive com o Departamento de Letras (DLE) que antes juntamente com o de comunicação formavam o (DACS), apesar da separação as relações desses núcleos são amigáveis.

O professor da UFS Matheus Felizola ressaltou a importância da universidade sediar eventos desse porte:

– “Eu acho que você trazer para uma instituição federal um evento internacional, só da credibilidade a mesma no meio acadêmico”.

     O saldo do evento foi positivo, a organização foi elogiada, e as pessoas de fora gostaram da cidade de Aracaju. O aluno Matheus Alves do curso de jornalismo elogiou a iniciativa, mas pontuou a falta de organização “O evento causou sensação de “estranheza” não parecia se tratar de um congresso internacional”. As principais críticas dos graduandos foram:

     A falta de organização; os estudantes argumentaram que se inscreveram para o trabalho de monitoria cerca de um mês antes do evento e só aconteceu uma reunião efetiva para delegar funções uma semana antes do evento e que por isso a logística não funcionou em muitos momentos, outro ponto questionado pelos estudantes foi à cobrança de R$ 30 na inscrição, a aluna Ana Carolina Moura comentou sobre “Alunos de comunicação da UFS deveriam ter acesso livre”.  Problemas de comunicação também ocorreram, as informações sobre o evento só começaram a ser veiculas quando o prazo para inscrição de trabalhos já tinha encerrado 

     Muitos creditam estes problemas à falta de assiduidade de eventos desse patamar. A ULEPICC serve pra mostrar que apesar dos problemas a UFS tem infra-estrutura e esta pronta sim para esse tipo de evento, de acordo com a professora Lilian França do DCOS que estava na organização do congresso esse tipo de evento é importante para tornar a UFS mais conhecida, bem como seus pesquisadores. “O maior problema é a obtenção de recursos junto as agencias financeiras (COAPS, FAPTEC, CNPQ)”. Ela ainda relativizou a importância dos alunos em congressos, classificando-a como fundamental e parabenizou o trabalho dos monitores e da professora Verlane Aragão.

                                                                                                                

O curso de jornalismo entrou na UFS em 1993, e em 17 anos só aconteceram quatro eventos importantes, podemos constatar na linha temporal abaixo que os alunos que entraram na universidade entre os anos [1999 e 2003] saíram da instituição sem participar de eventos desse tipo na universidade.

     É possível constatar ainda um “certo avanço” haja vista que pela primeira vez em um intervalo de um ano a UFS sedia dois eventos importantes de comunicação, se comparar com outras instituições ainda é muito pouco, para o ano que vem ainda não existem eventos marcados, contudo ficam os méritos e os aprendizados da ULEPICC, deve-se formar uma comissão antes do evento, visando uma melhor organização e de preferência em anos não eleitorais, porque a captação de recursos para efetivação dos eventos é ainda mais complicada.

A universidade planta preconceitos?

Posted in Educação, Política, UFS by micheletavares on 08/06/2009

 

Sonia Meire no debate sobre opressões, na UFS

Por Vinícius Oliveira

A Universidade sempre foi conhecida pela liberdade do livre pensamento e manifestações de diversas correntes teóricas e ideológicas. Entretanto, nos últimos dias apareceram manifestações de cunho racista e homofóbicos na Universidade Federal de Sergipe. Foram encontradas no Departamento de Geografia frases como “Lugar de preto é na senzala”. Já no Departamento de História um cartaz nazista. Dentro desse contexto, o coletivo de movimento estudantil “Barricadas fecham ruas porém abrem caminhos” resolveu fazer um debate sobre “Preconceito e a Universidade” e convidaram a professora e mestra do Departamento de Educação da UFS, Sônia Meire.  Logo após o debate, ela  nos cedeu uma entrevista exclusiva sobre o tema.

 

EmPauta UFS: Como a senhora encara esses tipos de expressões preconceituosas dentro da Universidade Federal de Sergipe, nesse contexto de entrada das cotas sociais e étnicas?

Sônia Meire: Essas manifestações expressam claramente um processo contraditório dentro da Universidade. O aumento quantitativo sem o aumento qualitativo. A partir do principio que a Universidade deveria gerar debates, esse crescimento não vem conexo com o aumento de discussões sobre os diversos temas do conhecimento. Então expressões escancaradas, porque existem manifestações de preconceito à todo tempo dentro da universidade, quando o professor discrimina o estudante, quando o professor homossexual não é tratado da mesma forma, começam a aparecer. Mas o pior são elas serem naturalizadas.  

EM: Esse preconceito tem alguma relação com a educação? SM: A formação da universidade brasileira tem raízes na formação judaíco-cristã, mas específica à Igreja Católica. Essa raiz dentro do Brasil expressa uma corrente de pensamento muito claro, a do colonizador Podemos observar a partir do momento que no ensino convencional vemos que a história dos povos colonizados, como os índios e comunidades africanas começam a partir do seu encontro com o colonizador. Mas a forma mais cruel de colonizaçã.o se dá através da linguagem. A educação é um ato político, já dizia Paulo Freire. O que os jesuítas faziam com os índios para eles eram educação. Educação deve servir para a emancipação e cada vez menos esse debate chega à Universidade e particularmente raramente dentro da nossa universidade de Sergipe. Tem um livro que expressa claramente esse papel da Educação.

 EM: Qual livro? 

 SM: “Educação e Emancipação” Theodore Adorno.   

 EM: Qual a importância da linguagem nesse contexto?

 SM: A linguagem expressa toda a cultura de um povo. A partir do momento que começamos a estudar os outros povos sem conexão com sua língua de origem. O estudo torna-se acético, sem subjetividade,e muitas vezes encaixa-se na lógica do colonizador a partir do momento que ela é contada na sua linguagem, a através dos seus símbolos e da sua relação de poder.

 EM: A expressão do preconceito já está superada dentro do seio da nossa sociedade atual?

Debate organizado pelo Coletivo de movimento estudantil "Barricadas fecham ruas porém abrem caminhos" lota o auditório da Universidade Federal de Sergipe Debate organizado pelo Coletivo de movimento estudantil “Barricadas fecham ruas porém abrem caminhos” lota o auditório da Universidade Federal de Sergipe

 

 SM: Estamos vivendo em uma sociedade capitalista. E o capitalismo é nada mais nada menos que a exploração do ser humano pelo ser humano. Toda forma de exploração gera lucros dentro do seio desse sistema. Do mesmo jeito que o tratamento com os negros e índios nos séculos passados geravam lucros para uma classe dominante, a sociedade capitalista de hoje legitima as várias formas de opressões, como o machismo, o racismo e a homofobia. Fazendo um recorte para dentro do Brasil, nós fomos “educados” na lógica do colonizador europeu, tanto a escola, como a universidade, como os meios de comunicação, como o Direito legitimam a opressão. Temos o colonizador dentro de nós, em maiores ou menores proporções. Mas isso não impede que lutemos pela superação de todas as formas de opressão e pela emancipação humana.

 EM: As razões do preconceito começam a ficar mais claras, mas como a professora encara que alguns professores ligarem essas manifestações racistas e homofóbicas ao movimento estudantil marxista?

barricas3 SM: O grande preconceito que a universidade carrega dentro da lógica do colonizador é o preconceito ideológico. Qualquer discurso que se contraponha a ordem dominante é colocado como discurso “puramente ideológico”, sem qualquer denotação teórica e cientifica.Como se o discurso da classe dominante também não fosse ideológico. E como o movimento estudantil marxista hoje é o único que se contrapõe a essa lógica de pensamento, de expansão e de sociedade, a criminalização ideológica do mesmo tem interesses escusos que é de calar ou deslegitimar o movimento. Mas se os mesmos que se dedicassem a estudar um pouco mais o marxismo, e a corrente ideológica desses movimentos saberia que eles se contrapõe e são os que tem mais debates nas áreas de combate aos preconceitos.

 EM: E o que deve ser feito para que o preconceito dentro da universidade seja superado?

 SM: Paulo Freire dizia que existem dois tipos de “tolerância”. A tolerância, no conceito judaico-cristã com o suportar o diferente, mas no sentido de superioridade em relação ao outro.O outro é suportável porque é inferior. No sentido de Paulo Freire, ele coloca que a tolerância deve ser aquela que vive com o diferente e tenta entendê-lo a partir de seus valores, e do respeito mutuo entre as partes, sem relação de superioridade. É a tolerância de Paulo Freire que deve ser alimentada nos corações e no pensamento dentro dos serem humanos. E por essa tolerância , que não é passiva, que não devemos aceitar nenhuma espécie de preconceito dentro da Universidade, e algo deve ser feito. As entidades devem se pronunciar, a universidade deve se mover e não deixar que a intolerância seja mais um dos pilares da universidade.  

“Agroecologia se faz todo dia”

Posted in Ciência e Tecnologia, UFS by micheletavares on 03/06/2009

Foto 1 - Bahia e CanéFoi com essa afirmação, em entrevista concedida ao Em Pauta UFS, que o estudante de Engenharia Florestal, Sílvio Marcos, mais conhecido por Bahia, concluiu sua fala sobre o Espaço de Vivência Agroecológica (EVA). No decorrer da entrevista, este juntamente com o estudante do curso de Biologia, Felipe de Sena, o Cané, traçou um panorama da atual condição do Espaço, esclareceu questões sobre a Agroecologia e questionou, entre outras coisas, a falta de participação dos estudantes.

Localizado logo após o Departamento de Artes e Comunicação Social da UFS, o EVA pretende, a partir de ações não agressivas ao meio ambiente, desenvolver o debate sobre a Agroecologia e procurar obter o conhecimento prático não encontrado nas salas de aula na Universidade. O trabalho do EVA é realmente de colocar a mão na terra, pegar na enxada, plantar e ver crescer. E foi dentro desse Espaço, entre árvores, mudas e todo tipo de vegetação, que a entrevista foi concebida. O resultado de uma conversa de 43 minutos pode ser conferido aqui, no Em Pauta UFS.

 Por Talita Moraes e Bianca Oliveira

EmpautaUfs: O que é agroecologia?

Cané: Agrecologia pode ser entendida de diversas formas, como uma forma de produzir se orientando pela qualidade nutricional dos alimentos, porque hoje os alimentos são produzidos e, dentro disso, existem vários pacotes introduzidos pela Revolução Verde- um processo ideológico de hegemonização de tecnologias para desenvolver a produção da área. Então, a agroecologia vem para se contrapor a esse modelo e propor alternativas sustentáveis, sustentáveis para o agricultor.

Bahia: Agroecologia é mais que uma ideologia, é prática, você a pratica todos os dias. Para mim, ela é uma ferramenta, que tanto contribui para a transformação da sociedade como para contrapor aos pacotes tecnológicos que são colocados pelo sistema.

EmpautaUfs: Mas a agroecologia utiliza-se da tecnologia, ou ela a abandona?

Bahia: Sim, ela se utiliza da tecnologia, mas associada ao acesso. Ela não usa de uma tecnologia que nem todo mundo terá acesso, como uma ferramenta que possa ser utilizada por um pequeno agricultor.

Cané: Como exemplo do fogão solar, que com duas caixas, um pedaço de mármore, outro de vidro você pode cozinhar feijão em quatro horas. Essa tecnologia, por exemplo, deveria ser difundida pelos agricultores, mas isso não é de interesse dos próprios estudantes de dentro das universidades, dos professores em incentivar esse tipo de projeto de pesquisa de extensão para a comunidade. E o próprio Governo, de certa forma, também inviabiliza isso, já que a política de assistência técnica de instituição rural do governo se preocupa mais em direcionar agroecologia para o mercado. Mas, na verdade, ela vem para trazer um equilíbrio econômico, uma reparação social, onde todos tenham direito de pertencer a terra, de produzir com a terra, de dividir a produção.

Bahia: Agroecologia se baseia em três princípios: socialmente justo, ecologicamente correto e economicamente viável. Dentro desse economicamente viável, existem as tecnologias alternativas, são tecnologias que podem ser criadas dentro da propriedade sem precisar de insumos ou energias de fora.

EmpautaUfs: Então, ela abandona as grandes produções de monocultura?

Bahia: Ela faz o contraponto justamente aí. A agroecologia não existe para ser introduzida numa área muito grande, é para ser praticada num lugar pequeno, onde o pequeno agricultor produz para a subsistência e o que exceder ele pode vender em feiras livres, trocar. Afinal, não tem como em uma área de 100.000 hectares trabalhar manualmente, seria preciso o uso de trator,EVA por exemplo.

EmpautaUfs: Vocês falaram sobre Revolução Verde. A partir de que momento ela existiu? Com a revolução industrial?

Cané: Foi no processo de pós II Guerra Mundial. Como tinha muita bomba, muita queimada de terra para poder visualizar o inimigo, as várias áreas da Europa foram devastadas, daí precisou-se de cientistas para estudar a química do solo, das plantas.

Bahia: No pós-guerra sobrou muito produto bélico, e eles custam um valor para quem faz a guerra e como estavam com tudo aquilo acumulado, tinham que dá um fim. Então, criou-se a revolução verde, um incentivo a produção de grandes monoculturas, utilizando esse resto da indústria bélica que, por exemplo, o mesmo veneno utilizado para matar pessoas na guerra, com algumas mudanças, era o mesmo que matava insetos, produzia adubo químico.

Cané: Os próprios tanques de guerra, se você visualizar, parecem muito com os tratores de hoje em dia.

Bahia: Sim, os tanques de guerra que não serviam mais para a guerra foram adaptados para a agricultura de forma a aumentar a produção. Mas o principal objetivo era ter o que fazer com o que sobrou da guerra, daí vieram os insumos, os herbicidas, os inseticidas, os agrotóxicos

EmpautaUfs: Dentro dessa perspectiva, qual o objetivo do EVA?

Cané: O objetivo do EVA é trazer estudantes para discutir agroecologia e levá-la para a sociedade, já que os intelectuais estão saindo daqui e deveriam democratizar informação. Mostrar como a Revolução Verde foi ruim, está sendo ruim, doenças começaram a ser geradas por esses processos degradativos do ser humano, pela alimentação, pelo estresse que envolve a questão do mundo globalizado e suas relações, ou a própria competitividade, várias coisas que interferem no ser humano.

Bahia: O objetivo do EVA é justamente disseminar agroecologia entre as pessoas, tanto na universidade como fora dela também. Como o EVA já foi um grupo de extensão e que dá oficinas sobre produção de mudas, sobre lixo, enfim, tenta trazer os estudantes, porque agroecologia é interdisciplinar, ela precisa do estudante de engenharia florestal, do de biologia, do de comunicação, direito, geografia, matemática.  Tentar discuti-la dentro da universidade, pois é tão pouco citada nela, já que não é objetivo do capital.

EmpautaUfs: Você falou que o EVA pretende alcançar a sociedade. Há uma troca entre vocês e a sociedade? Há uma interação?

Cané: Estou há dois anos no EVA, mas só participei de dois trabalhos, duas vivências em áreas de assentamento da reforma agrária. Mas mesmo sendo um grupo novo, de quatro anos, e só agora em 2009, na UFS, ter tido concurso para professor na área de agroecologia, o processo de evolução em se organizar para trabalhar com a comunidade vai acontecer agora.

EmpautaUfs: Mesmo assim, vocês fizeram algum trabalho anterior? Com a comunidade daqui do Rosa Elze, por exemplo?

Bahia: Nunca fizemos diretamente no Rosa Elze, mas fizemos o I Encontro Sergipano de Agroecologia que aconteceu em Estância, com a juventude do MST, 80 agricultores e 20 estudantes da universidade, onde agente procurou discutir agroecologia para eles a entenderem. Já que é muito complicado, pois o agricultor é acostumado a usar do pacote tecnológico que o sistema o impõe a usar, e de repente chega umas pessoas e dizem que tudo ali está errado. Ele fala: “quem é você para dizer que eu estou errado em usar adubo químico?”, se ele vive daquilo, do que come. Este é o caso da transição agroecológica. Bem, nós criamos esse encontro, criamos o EIV – Estágio Interdisciplinar de Vivência- que é um estágio onde o aluno passa 15 dias na casa do agricultor vivenciando tudo que ele faz no dia a dia. Incentivando o estudante a quando sair da universidade discutir agroecologia.

EmpautaUfs: O EVA está aberto a qualquer estudante de qualquer área?

Cané: Sim. Inclusive este ano terá novamente o EIV, em que os últimos cursistas vão se reunir para organizar o segundo.

Bahia: Quem foi estagiário no passado vai organizar o próximo, em outubro. O pessoal aprovou. Era o que faltava para os estudantes quando se formarem tentar trabalhar com os movimentos sociais, para contribuir com eles, porque muitas vezes o que acontece de errado no movimento social é uma conseqüência dos estudantes que buscam informação muito bitolada à sala de aula. E se formam preocupados, apenas, em ganhar seu pão, despreocupados em ajudar o maior número de pessoas possível.

EmpautaUfs: Os agricultores receberam bem os estudantes?

Bahia e Cané: MUITO BEM!

Bahia: Aceitaram sugestões, o pessoal do EVA deu oficinas de plantação de mudas, compostagem, reaproveitamento de alimento.  Na realidade, foi uma troca, mas quem somos nós daqui de dentro da cidade? Nós discutimos aqui, mas quem somos nós para saber a prática real de alguém que vive daquilo?

EmpautaUfs: Dentro desse processo de troca, como é que funciona o processo de ensino-aprendizagem?

Bahia: Nós aplicamos conhecimento através das oficinas, pois é uma forma de explicar os porquês, de não usar adubo químico, por exemplo.

EmpautaUfs: Mas além de ensinarem, também aprendem com essa troca?

Bahia: Sim, aprendemos muito. Inclusive, agente deu uma oficina sobre lixo e ecologia lá no MOTU – Movimento Organizado dos Trabalhadores Urbanos – num galpão que fica no Siqueira Campos, quando chegamos lá, o pessoal sabia muito mais de lixo e ecologia do que agente. Muitos deles trabalham com reciclagem de latinha, garrafa pet. Mas nós estamos lá como facilitadores, facilitamos uma discussão, e não fazer com que acreditem em tudo que acreditamos, e sim, promover uma discussão.

Cané: Aliar o conhecimento científico, que aprendemos na universidade, ao conhecimento popular deles.

Bahia: A proposta da agroecologia é também essa, o resgate dos costumes, das tradições que foram perdidas ao longo do tempo, como as práticas manuais sem uso de trator, por exemplo. Porque agente sabe que o pequeno agricultor não conseguirá comprar um trator sozinho, sem que seja um trator coletivo num assentamento.

EmpautaUfs: Se algum estudante quiser participar do EVA, tem algum pré-requisito?

Bahia: Aparecer nas reuniões.

Cané: Aparecer pra trabalhar também, pra regar as plantas, pelo menos.

Bahia: Aqui a gente supre a carência que a universidade tem de aula prática. Não somos apenas um grupo de estudantes, mas também um grupo de amigos. Mas é só aparecer nas reuniões, todas sextas-feiras às 10h.

EmpautaUfs: Então o espaço é aberto todos os dias para os estudantes trabalharem?

Cané: Sim.

EmpautaUfs: E para os estudantes que não são da área de biologia, engenharia florestal, agronomia, como aprendem?

Cané: A parte técnica, de aplicação, de plantar, o tempo em que se vai germinar, de você saber o tempo em que se vai colher, de você saber fazer composto de dinâmicos, de você saber fazer uma bioconstrução, de você fazer uma compostagem, todas as práticas agrícolas aprende-se com o tempo,observando, praticando.

Bahia: É uma forma de se desprender do sistema. Uma alternativa de agente se desprender aos poucos do sistema porque só o fato de você não precisar ter dinheiro para poder comprar o adubo que se vai botar na produção independe, para mim, de qualquer curso, independe porque agente vê que o inimigo maior é o sistema. E se a gente não unificar as pautas de todos os estudantes, de todos os cursos para tentar combater esse inimigo que é o sistema…

EmpautaUfs: O sistema fortalece justamente a sectarização dos cursos. Quem faz biologia, só estuda biologia, quem faz comunicação, só estuda comunicação. Não é isso?

Bahia: Isso… Não é do interesse dele. Porque se todos os estudantes se juntarem, de todos os cursos e com um único objetivo, com certeza, vai dar trabalho para ele.

EmpautaUfs: Vocês têm o apoio de algum órgão ou instituição? Como foi que vocês fizeram para montar o EVA sem um capital grande?

Cané: Então, a gente conseguiu a área pela Universidade, mas até hoje existe problema com ela por causa da expansão do Reuni. Eles estão querendo colocar o departamento de Medicina Veterinária aqui, um curso que ainda nem abriu. Agente está tentando viabilizar isso via departamento, que vai para a reitoria, que vai para a prefeitura e todos esses tramites burocráticos. Isso acontece há quatro anos, o mais intrigante é que a gente está aqui durante esse tempo e nem eles tiveram iniciativa e nem a gente, tenho que reconhecer isso, de ir lá e ver como andava esse processo. Agente ganhou a área e começou a trabalhar, todo mundo instigado, e foi trabalhando.

Bahia: Agente está lutando para conseguir institucionalizar a área, pois com a expansão da Universidade o espaço físico está ficando pequeno. Pode perceber que estão derrubando várias árvores para poder construir novos prédios para dar suporte aos cursos que foram criados pelo atual reitor, mesmo sem estrutura física, afinal, o que eles querem são números, como sempre, são números e números. Agora novos professores foram contratados e já estão de olho no EVA para a construção de prédios e nós estamos vendo, ainda, as burocracias para conseguir institucionalizar a área.

EmpautaUfs: E quais são essas burocracias?

Bahia: Um professor tem que assinar um documento e os integrantes também, aí vai para a reunião do departamento, depois aprova na reunião do departamento e manda para a prefeitura e lá o prefeito assina e manda para a reitoria…

Cané: Agente do EVA tinha uma bolsa do projeto PIBIC, mas quem ficava a frente disso era Bruno [estudante de biologia e integrante do EVA], até porque ele tinha o nome no projeto, mas o dinheiro sempre foi para o EVA e juntamos R$2.000 e trabalhamos com esse dinheiro até hoje.

Bahia: Deixamos de ser grupo de extensão aqui da Universidade. Quando o grupo sentiu que não estava conseguindo fazer a extensão realmente, que era ter o contato mesmo com a sociedade, decidimos deixar de ser um grupo de extensão, ser só um grupo que discute Agroecologia e tem um lugar para a prática de Agroecologia na Universidade.

EmpautaUfs: Mas vocês abandonaram essa idéia de extensão?

Cané: Não. O que falta são pessoas que se proponham a estar escrevendo projetos em Agroecologia, a estar levando a Agroecologia para uma comunidade, para uma escola.

Bahia: Agente só não queria ser chamado de grupo de extensão sem fazer extensão.  Pois o grupo estava passando por uma época difícil não tinha muitas pessoas participando, então deixou de ser um grupo de extensão, deixou de receber o dinheiro, mas também não nos aproveitamos do nome de ‘Grupo de Extensão’.

EmpautaUfs: O EVA foi criado só por estudantes ou teve algum professor?

Cané: Teve uma professora, o nome dela é Renata, professora de Genética, ela passou um tempo aqui quando a gente escreveu esse projeto.

Bahia: É uma questão burocrática também. Para se criar um grupo para ser projeto de extensão tem que ter um professor à frente, mas a Universidade aqui não tem professores capacitados e que sigam essa linha da Agroecologia. Como tinha que ter um professor de qualquer jeito, agente falou com ela para ser a professora à frente do projeto, mas só por questões burocráticas. Ela nunca participou realmente do grupo.

EmpautaUfs: E hoje quantos alunos participam aqui?

Cané: Cerca de vinte, pois muitos são ‘flutuantes’. Têm alguns ‘orgânicos’ e outros são ‘flutuantes’.

EmpautaUfs: Como assim?

Cané: Flutuantes são aquelas pessoas que vêm três vezes, depois não vem para a reunião.

Bahia: Vem uma vez ou outra, mas tem uma galera que vem todo dia e fica observando as plantas, conversando sobre as plantas, sobre os insetos que estão sobre as plantas. Dá para aprender muita coisa aqui.

EmpautaUfs: Vocês falaram que o grupo já tem quatro anos. Quem o fundou?

Bahia: Quem fundou foram os estudantes de Biologia, Agronomia e Engenharia Florestal. Como as entidades estudantis já discutiam Agroecologia os estudantes sentiram a necessidade de estar discutindo a Agroecologia, já que esta não é uma discussão comum dentro da academia. Se juntaram, criaram o grupo e começaram a discutir. Então veio a necessidade de uma área para também praticar, pois Agroecologia não é só teoria, é teoria e prática. Foi quando conseguimos essa área aqui.

EmpautaUfs: E quais foram as maiores dificuldades (climáticas, estruturais, etc.) para colocar o Espaço em prática?

Cané: Foram várias. Cada período tem suas dificuldades (seja inverno, verão, outono, primavera). Isso deve ser observado e tem que estar todo mundo, porque eu acho que a Agroecologia é construída coletivamente, pela integração e relação que cada um mantém com a natureza. Essa é uma das coisas que a extensão rural sugere para as pessoas que querem trabalhar com a Agroecologia, uma metodologia participativa, que é você levar seu conhecimento, resgatar o do agricultor, valorizá-lo e daí construir um programa de desenvolvimento rural sustentável mesmo. Mas para ser sutentável tem que ter produtividade, tem que ter igualdade de vários aspectos(econômica, ambiental, etc).

Bahia: Acho que a principal dificuldade é conseguir fazer com que as pessoas enxerguem a Agroecologia, porque é muito difícil você ir de encontro a toda essa propaganda, tudo isso que é usado para poder iludir as pessoas. Aos poucos elas vão perdendo a simplicidade, a relação mesmo de contato, de você molhar, de você ver nascer. A galera fica cada vez mais consumista. E às vezes agente chama as pessoas para participarem: ‘vá lá conhecer o grupo EVA, trabalhar com agente, colocar a mão na terra, ver o que é trabalhar, pegar pesado, plantar, ver o que é, sentir as diferenças’. Tudo isso é de graça, é dado e infelizmente as pessoas não se interessam, parece que tem medo. Não sei o que é direito, não tem vontade de plantar, daí não participam.

EmpautaUfs: Vocês têm contato com alguma outra instituição como o EVA, ou mesmo com alunos de outras Universidades? Vocês trocam conhecimento?

Bahia: O grupo EVA hoje faz parte de um núcleo de trabalho de associações. Por exemplo, na organização da ABEEF (Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal) existe um núcleo de trabalho em Agroecologia que fica responsável por estar discutindo, de dentro da Associação, a Agroecologia. Pesquisando e mandando para todas as escolas de Engenharia Florestal que tem grupo de Agroecologia ou que tem Centro Acadêmico para poder ‘jogar’ a discussão sobre ela para o país todo. Então, “rola” um contato, uma comunicação com as outras escolas e associações.

Cané: A ENEBIO (Entidade Nacional dos Estudantes de Biologia) tem o GTP (Grupo de Temática Permanente) que foi fundado agora em 2008, foi uma proposta levada por nós, aqui do EVA, para tentar agregar mais forças para as organizações e está fluindo, sabe? O CFA (Curso de Formação em Agroecologia) é a concretização disso, da nossa mobilização que é feito pela ABEEF, ENEBIO e FEAB.

EmpautaUfs: Há algum profissional trabalhando no EVA?

Bahia: Foi feito um concurso, a matéria de Agroecologia entrou para a grade curricular do curso de Agronomia, como obrigatória, e dois professores foram contratados para ensinar a matéria, um deles procurou o grupo EVA para desenvolver experimentos Agroecológicos aqui na área. Vamos fazer experimentos, como a Permacultura, uma corrente da Agroecologia que é utilizada para você aproveitar o máximo possível da energia da sua propriedade, saber direcionar a água da pia para o jardim, coletar a água da chuva, fazer sistema de gotejamento. Há também a agricultura orgânica que só se utiliza de adubo natural, sem produtos químicos.

EmpautaUfs: Qual a metodologia empregada?

Bahia: A gente costuma sempre estudar, tirar alguns temas e antes ou depois de cada reunião a gente discute sobre um tema. Nós discutimos temas como Soberania Alimentar, Extensão Rural, Questão Agrária, Valor Nutricional.

Cané: Isso já está incorporado na própria filosofia de vida de cada um.

Bahia: Agroecologia se faz todo dia.

Cané: Conversando, lendo e aprendendo.

O progresso da educação à distância

Posted in Educação, UFS by micheletavares on 01/06/2009

Cresce o número de alunos nessa modalidade de ensino. Sua agilidade e dinâmica atrai os estudantes

Por Adriana da Rosa e Samara Menezes

O ensino de educação à distância tem por finalidade expandir e interiorizar a oferta de cursos e programas de educação superior, além de ampliar o acesso à educação superior pública levando cursos às diferentes regiões do Brasil.

Fábio Alves vice diretor do CESAD
Fábio Alves vice diretor do CESAD

A graduação à distância tem aumentado consideravelmente no Brasil. Em 2002, eram 46 em todo o país, alcançou 408 em 2007. O número de alunos passou de 20,7 mil para 302,5 mil. Para falar sobre o assunto, o EmPauta UFS entrevistou o vice-diretor do Centro de Educação â Distancia (CESAD), da Universidade Federal de Sergipe, o professor Fábio Alves dos Santos. 

EmPauta UFS: Como se desenvolve o Ensino superior â distância no Brasil?

 Fábio Alves: No Brasil o ensino à distância, vem passando por reformulações tanto do ponto de vista do acompanhamento quanto da estruturação, é uma área bastante explorada pela iniciativa privada, que já vem a um bom tempo desempenhando atividades nesse sentido e recentemente teve um investimento grande, por parte do Governo Federal, para a educação à distância pública. Investindo num projeto de Universidade Aberta do Brasil, e dos cursos técnicos à distância. Enfim, há um grande movimento nesse sentido, por outro lado há também um movimento do Ministério da Educação que faz o papel de avaliação e monitoramento de todos os cursos, à distância não é diferente. O Ministério da Educação fecha uma serie de cursos por não funcionamento dentro dos padrões, só o ano passado foram fechados centenas de cursos e outros serão fechados esse ano. Sendo assim, foi feito um grande acompanhamento, isso porque houve um crescimento completamente desregrado.

EmPauta UFS: O Ensino à Distância tem crescido constantemente no país. Qual é a razão de tantos alunos optarem por esse tipo de ensino?

Fábio Alves: Olhe, por um lado nós temos uma mudança cultural, afinal de contas os meios de interação cibernéticos vêm diversificando cada vez mais, pois as pessoas vêm fazendo uso de celulares, internet e outros meios. Partindo desse ponto a educação é sempre própria do seu tempo, ou seja, a educação é aquilo que a sua sociedade é. Numa sociedade em que a interação entre as pessoas começa a desenvolver-se cada vez mais dessa forma, sendo assim, a educação não ficaria longe disso e as pessoas identificam-se com esse modo de estudar.  Por outro lado, há também a facilidade ou a flexibilidade de não precisar estar num determinado horário e num determinado lugar. E numa sociedade como a nossa que tudo é frenético e muito veloz  a possibilidade de você estudar sem se deslocar dá uma outra condição.

EmPauta UFS: Já existiu certo preconceito em relação ao Ensino à Distância, você acha que o aumento do número de alunos, conseguiu diminuir esse preconceito?

Fábio Alves: Não, não diminuiu nem o preconceito nem a falta de compreensão de quem participa. Primeiro porque o preconceito de dizer que é mais fácil não é verdade, a educação à distância ela é baseada nos princípios da autonomia da aprendizagem, ou seja, o sujeito ele é capaz de aprender de modo autônomo e ai vem toda a incompreensão possível. A  nossa lei de diretrizes de base prega ou estabelece que a educação básica, aquele ciclo que vai da educação infantil até o fim do ensino médio, tem como foco principal, desenvolver um sujeito autônomo para o aprendizado. O que significa isso? Que ao fim da educação básica o sujeito seja capaz de continuar aprendendo, mesmo cessado seu processo educacional escolar, e mesmo fora da escola a pessoa deve conseguir aprender de forma independente. É isso que se espera no plano da lei, que a educação básica faça, e é o que a gente espera que o aluno do curso presencial consiga desenvolver. E o que é o aluno á distância? É esse aluno que desenvolveu autonomia de aprendizagem e que é capaz de ler uma informação, sintetizá-la e produzir um texto seu.                                                                                                                                                                                                                      

EmPauta UFS: Os conteúdos expostos para os para os alunos de Educação à Distância é o mesmo visto pelos alunos do ensino presencial?

Fábio Alves: Os conteúdos são iguais ao do ensino presencial, a única diferença é que existem duas disciplinas que não têm no ensino presencial, que estão relacionadas ao Ensino à Distância.

EmPauta UFS: Quais as principais dificuldades em implantar esse tipo de ensino?

Fábio Alves: A do preconceito e o da incompreensão de quem participa de como deve ser, e ainda, sem falar da parte estrutural que no Brasil ainda não é do ponto de vista da interação pela internet, uma potência. E a estruturação dos pólos de apoio presencial, necessita ter uma estrutura que funcione, no caso, os laboratórios precisam ser de qualidade para atender a demanda de alunos. Só que os laboratórios são realmente caros e isso para as comunidades pobres gera alguns contratempos.

EmPauta UFS: O Secretário da Educação à distância do MEC Carlos Eduardo Biehchowsky, esteve em Sergipe. Ele comentou que o “futuro da educação não está na educação presencial, nem na educação à distância, e sim numa junção de ambos o ensino.” Você acredita na possibilidade dessa junção futuramente?

Fábio Alves: Acredito que sim. Porque nós já fizemos alguns ensaios este ano, abrindo matrículas do curso à distância para alunos dos cursos presenciais que quisessem se matricular no ensino à distância. Eles pegaram uma ou duas disciplinas à distância e o resto presencialmente, foi só um ensaio para vermos como seria, mas a tendência futuramente, é ter X horas presenciais e X horas à distância, o caminho parece ser este. Mas como em história não dá para fazer previsões pode ser que sim, ou pode ser que não.                                                                                                                                                                              

Posted in UFS by micheletavares on 28/05/2009

“Compreender o mundo e a mim mesmo”

Vestindo bermuda, camisa de algodão e calçando sandálias de dedos, o professor/doutor da Universidade Federal de Sergipe (UFS) Luiz Fernando Alves Barroso, recebeu a equipe do Em Pauta UFS em seu apartamento em Aracaju, em plena manhã de domingo, dialogando de maneira aberta e sincera o porquê escolheu a Mídia Gay como tema da sua dissertação de doutorado.

Por Eduardo Barreto ( eduardobarreto@ibest.com.br)

e Barbara Mendes ( babiit_@hotmail.com)

Em Pauta UFS: O que o motivou a fazer uma monografia sobre Mídia Gay?

Fernando Barroso com a primeira edição do Jornal do Nuances. Foto: Eduardo Barreto

Fernando Barroso com a primeira edição do Jornal do Nuances. Foto: Eduardo Barreto

Essa é uma história da minha vida pessoal, porque não fui para Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) em Março de 2003, já definido com esse tema de pesquisa. O meu tempo de estudo seria de quarto anos, no meu primeiro ano eu estava com outro tema pressuposto e me dei conta que não estava sendo produtiva a minha pesquisa nessa aérea, que era sobre Cultura Nordestina, algo como o moderno e o tradicional na mídia dessa região. A cada momento que tentava definir com maior precisão essa questão, me dava conta cada vez mais que este propósito não estava se ajustando ao que deveria ser, ou melhor, ao meu interesse. Então, em Dezembro de 2003, resolvi dá uma virada geral na minha condição de doutorando para mudar de tema; procurei o meu orientador e tive uma conversa com ele, pois não estava satisfeito com o meu rendimento e que para avançar em meu projeto de pesquisa era necessário mudar de tema, com isso modificaria para Imprensa Gay, a qual eu já era um leitor desse tipo de material e por está envolvido neste universo, pelo fato da minha condição pessoal de homossexualidade, eu poderia render.

Em Pauta UFS: Então houve uma identificação com sua vida pessoal?

Sim, houve uma identificação de trazer o tema para minha própria vida, por isso que eu considerei em fazer uma tese de doutorado sobre Imprensa Gay seria mais produtivo e mais prazeroso para mim.

Em Pauta UFS: Por que o Rio Grande do Sul como região de estudo?

Fui estudar na cidade de São Leopoldo, que fica na região metropolitana de Porto Alegre, na UNISINOS a qual é uma instituição muito consolidada no meio acadêmico do Rio Grande do Sul e porque já existiam programas de estudos sobre mídia e processos sociais. Professores, debates e as leituras que se faziam nessa universidade eram adequados para minha demanda de crescimento acadêmico, por se tratarem de estudos culturais, o qual, naquela época e até hoje, é a linha de pesquisa com a qual mais me identifico.

Em Pauta UFS: Como foram feitas as escolhas dos objetos de estudo, uma vez que o senhor teve que partir novamente do zero?

Em primeiro lugar eu tinha umas questões de ordem muito concretas, uma delas era o acesso às fontes, ou seja, aos dados que eu necessitava. Não poderia me propor, estando em Porto Alegre, coletar dados em São Paulo, Rio de Janeiro ou até mesmo no exterior, porque iria implicar em custos financeiros e de outras ordens, sendo tempo e dinheiro variáveis as quais não poderia perder de vista. Precisava fazer uma pesquisa cuja operacionalidade tivesse toda em minhas mãos. Na capital gaúcha existe um grupo de mobilização social pelos direitos dos homossexuais que é o Nuances, o qual produz um jornal cujo nome é Jornal do Nuances, eu já havia tido acesso à esse periódico e pensei por que não estudá-lo?! Em princípio pensei em fazer uma comparação do discurso dos jornais do Nuances com o do Lampião da Esquina, que é um jornal carioca e foi editado há 20 anos (final da década de 70 em meio à Ditadura militar) e que também trata da temática gay.  Acabei conseguindo todas as edições dos dois jornais, no decorrer do meu trabalho acabei me dedicando mais à publicação gaúcha, pois assim estaria me dedicando e detendo meu foco de investigação.

Em Pauta UFS: Quais eram as propostas do Jornal do Nuances?

No ponto de vista ideológico e cultural a principal característica do jornal era se colocar como um crítico das teses e das propostas hegemônica dos movimentos homossexuais brasileiro; eles consideram que esses movimentos, em um primeiro momento, eram muito autônomos com relação ao Estado e aos partidos políticos e com o passar do tempo foram perdendo essa autonomia e se atrelando aos partidos de esquerda e ao Estado, principalmente quando geridos pelo partido de esquerda, neste caso ao Partido dos Trabalhadores (PT). Então eles consideravam que os movimentos foram se compondo em organizações não governamentais (ONGS) e assim tendo acesso, via Ministério da Saúde, às políticas públicas de prevenção à AIDS, adquirindo recursos e mais recursos. Em contrapartida, essas instituições foram perdendo sua autonomia e se tornando ‘braço’ do Estado. O Nuances começou a se insurgir contra processo e a afirmar para o movimento homossexual brasileiro que ele deveria voltar ao seu estágio de autonomia em relação ao Estado e aos partidos e que o movimento não deveria partir para um processo de normalização, de domesticação; deveria sim, trazer suas propostas autônomas que eram garantir a sua cidadania e transformar a sociedade com essa contribuição homossexual e não seguir um modelo heterossexual.

Em Pauta UFS –  Como eram realizadas as edições do Nuances? Já que não havia tiragem regular do mesmo.

O jornal como uma ONG dependia diretamente de verba (doações e repasses), no qual seu maior parceiro é o Ministério da Saúde, porém sabemos que esses recursos que provêem  desses projetos são instáveis , eles viabilizavam a instituição e  com isso nem sempre tinham dinheiro suficientes para lançá-lo. Ele tem sua sede própria na no centro de Porto Alegre e a elaboração do jornal é feita, em grande parte por voluntários (que tem seus trabalhos fora do jornal), mas que também existem pessoas que dependem diretamente do jornal. Seus colaboradores são de classe média baixa e tem formação acadêmica em diversas aéreas, entretanto nenhum deles tem formação em comunicação social. No principio era assessorados por uma jornalista, com a escassez de recursos seu trabalho foi dispensado.

Em Pauta UFS –  Existe uma escassez de material que aborde a mídia gay?

O que a gente chama de mídia gay, mais especificamente imprensa gay, é que resulta dos movimentos das minorias ocorridos no final dos anos 60 como dos negros, mulheres, ecologistas e no qual os gays também fazem parte. Em 1969, na cidade de Nova York, no bairro de Greenwich, havia um bar chamado de Stonewall Inn e nele ocorreu uma batida policial, alegando que no local estava ocorrendo o consumo excessivo de álcool e drogas.  Pouco tempo depois do ocorrido foi descoberto que a ação dos policias era na verdade uma atitude de homofobia. Mesmo assim o público freqüentador daquele bar não cruzou os braços, resolveram então fazer uma ‘guerra’ contra essa atitude intolerante.  Começou uma mobilização muito grande em prol desse grupo, daí então surgem os primeiros jornais de natureza gay, eles eram feitos de forma artesanal e alguns outros com temáticas militantes. Mais recentemente essa imprensa foi se profissionalizando e deixando de lado o caráter artesanal e assumindo as regras do mercado vigente e assim os estudos feitos sobre essas  mudanças tem se dado conta dessa transformação.

Em Pauta UFS- No Nuances o seu leitor não é visto como um consumidor e sim como um cidadão.

Exatamente, porque o jornal não é produzido para ser vendido, não precisa disputar leitores em bancas de jornal, ele se insurge contra esse estereótipo dessa imprensa dominante e chega com uma versão oposta que é dá consciência e participação política, agindo como porta-voz do grupo de organização das minorias juntando a outros movimentos sociais numa concepção antiliberal e de superação do capitalismo. Ele não se volta para o consumismo, hedonismo, para a valorização do indivíduo, ou seja, valoriza o coletivo e aborda também outras temáticas como feministas, negros, etc.

Em Pauta UFS – O senhor foi bem aceito quando foi à procura dessas pessoas que fazem o Nuances? Houve algum receio por parte deles?

A sua pergunta é absolutamente correta e necessária.  Quando eu fui iniciar o trabalho a minha primeira tarefa era de apresentar-me ao grupo e possibilitar a conhecê-los, pedindo o apoio deles e à priori a coleção completa do jornal. Morando em Porto Alegre, sendo nordestino e professor de uma universidade dessa região, com outro sotaque, devo ter, e é natural que isso aconteça, despertado uma desconfiança entre aqueles militantes, por conta que eu poderia ser ao invés de um acadêmico, um espião de outra ONG ou até mesmo de uma organização do Estado, que de repente estaria se utilizando da questão da tese, um meio de me aproximar do grupo e buscar informações que poderia vir a prejudicá-los. Então precisava conquistar a confiança do grupo, e como ela foi conquistada? Não foi conquistada com palavras, mas com conduta, com a minha forma de trabalhar e de como me relacionava com eles. Diversas vezes participei de alguns congressos e com isso levava o Nuances para esses eventos, no qual eu anunciava ao grupo que o trabalho deles havia sido aceito nos encontros e ainda fazia questão de passar na sede para pegar alguns exemplares à serem distribuídos nos congressos. Com um desses exemplos e muita disciplina, fui ganhando a confiança do deles, fruto também da minha seriedade no que faço. Ah, um detalhe é que não os entrevistei no inicio da pesquisa, deixei para o final dela, pois estariam mais aberto e seguros com relação à mim, e com isso as informações poderia ser mais completas.

Em Pauta UFS – Depois que mudou de tema, quanto tempo durou o trabalho de pesquisa  até a sua apresentação?

Foram três anos, pois parti do zero (uma alfabetização de um tema novo, imprensa homossexual) para uma tese de doutorado, a qual iniciei em 2004 com o novo projeto em ação e em Fevereiro de 2007 a apresentei.

Em Pauta UFS – Como foi encarado o tema pela academia e pelos seus colegas?

Entre meus colegas eles não apresentaram reservas em relação ao tema, apresentaram sim, preocupação sobre a minha mudança de tema, perguntando se era isso que eu realmente queria ou se tratava de uma crise momentânea em relação ao meu projeto original. Essa preocupação é normal, pois qualquer objeto de pesquisa é desafiante e para um orientador maduro é indispensável a sua preocupação com o seu orientando, para que este não fique migrando todas as vezes que encontrar dificuldades no projeto e que deve compreendê-las e estudá-las e com isso seguir com seu projeto. Deste modo, mostrei que estava confiante e convicto com a minha mudança.

Em Pauta UFS – Existe o projeto de tratar sobre textos, com os alunos, de temáticas gay?

Depois que voltei de Porto Alegre e retomei minhas atividades como professor da UFS, o meu interesse, hoje, é avançar na pesquisa sobre imprensa gay e trazer esta questão para os meus alunos de graduação na forma de iniciação científica e de um grupo de pesquisa, e até mesmo para a pós-graduação no momento em que for constituído o curso de mestrado que está em processo de formalização junto as instância formais em que isso se dá. Então, o meu interesse é sair de um caso isolado, como o Nuances, e partir para um leque maior que nós compreendemos como mídia gay, em particular, mídia impressa, fazendo envolvimento entre mídia alternativa e a de mercado. Atualmente estou trabalhando com dois alunos em um projeto de iniciação científica com o jornal Lampião da Esquina e para isso estamos com trabalhos à serem apresentados na Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), que acontecerá em Curitiba no mês de Setembro e no de Ciências Sociais do Norte/Nordeste (CISO), que ocorrerá em Recife em Dezembro deste ano.

Em Pauta UFS – O senhor atingiu o objeto do trabalho?

Eu acredito que atingi sim, pois o objetivo era fazer o levantamento dos temas que o jornal discute, das posições que ele defende a respeito desses temas e uma explicação do porquê desses temas e dessas posições. Eles foram alcançados porque fiz uma leitura minuciosa e detalhada do jornal e levantei 69 temas que o jornal trata, desses comecei a recuperar textos nos quais o jornal se posiciona sobre cada um desses temas. Foi uma trabalheira enorme fazer esse levantamento.

Em Pauta UFS –Que temas eram esses, pode citar alguns?

Sim, eram variados, desde política, passando por cultura e comportamento.

Em Pauta UFS – O que fica da tese como experiência de vida para Fernando Barroso?

(suspiros) Uma experiência de vida maravilhosa, me favoreceu até como terapia, ao mesmo tempo em que ela me ajuda a compreender um universo exterior a mim ( que era da produção de um jornal) e no meu interior a minha sensibilidade e valores, ou seja, auxiliou a compreender o mundo e a mim mesmo.

Entendendo o funcionamento interno da BICEN

Posted in Educação, UFS by micheletavares on 27/05/2009

Rosa Vieira, diretora da Biblioteca Central há oito anos, explica como acontece o processamento técnico dos livros, apresenta alguns dos problemas pelos quais a BICEN passa e diz o que podemos esperar desse sistema no futuro

Por Carol Correia (quatrobailarinas@gmail.com)

Desde 11 de agosto de 1979 a Biblioteca Central (BICEN) da Universidade Federal de Sergipe está em funcionamento. Hoje, com um acervo de 150.071 livros, o mesmo espaço físico desde que foi inaugurada, uma quantidade de alunos muito maior, a BICEN passa por dificuldades para atender os seus frequentadores.

Rosa Vieira e os livros na fila para serem etiquetados

Rosa Vieira e os livros na fila para serem etiquetados

Para entender como o seu sistema interno funciona dentro de condições desfavoráveis, conversamos com Rosa Vieira, que há oito anos é diretora da biblioteca. Formada em Biblioteconomia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) com especialização em Gestão da Biblioteconomia pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), Rosa trabalha há 39 anos na biblioteca da UFS, sendo cinco anos de bibliotecária nas bibliotecas setoriais, quando a BICEN ainda não havia surgido.

Em Pauta UFS – No que consiste o processamento técnico?

Rosa Vieira – Ele envolve a compra dos livros – a licitação, a ordenação de despesa, etc – a mercadoria é conferida com as notas fiscais, é carimbada, acontece a magnetização, que é aquele código de barras colado no livro. Depois disso, inserimos o livro no sistema integrado do qual a BICEN está associada, a Rede Pergamum, onde podemos encontrar dados de livros no formato bibliográfico. Assim, com as informações que já estão lá, podemos copiar e colar os dados dos livros para agilizar a catalogação. Depois dessa parte, a etiqueta é impressa, colada e o livro é mandado para o acervo.

Em Pauta UFS – Como é feita a catalogação?

RV – A gente tem uma planilha com categorias a serem preenchidas, como título do livro, autor, ano de publicação, assunto. Também temos a tabela decimal universal, que é uma tabela usada pelos bibliotecários para fazer a identificação do livro. Por exemplo: o número de cima indica de qual área do conhecimento o título pertence; em baixo, está o nome do autor do livro de forma codificada. Essa tabela nos ajuda a fazer a organização nas prateleiras.

Em Pauta UFS – E como se dá a organização interna para que o processo seja feito?

RV – Primeiro, nós separamos os livros por área (exatas, humanas, saúde) e cada estagiário ou funcionário se dedica a inserir os dados dos livros nas planilhas. Porém, não temos funcionários para se dedicar exclusivamente a essa atividade, eles tem que parar para fazer outras coisas mais urgentes, como, por exemplo, a catalogação das monografias. Depois que uma parte é feita, o livro fica esperando que o estágio seguinte seja executado.

Em Pauta UFS – Todo o processo, desde o início, quando um livro chega, até o momento em que ele é disponibilizado no acervo, leva quanto tempo?

RV – É um processo demorado, pois envolve muitas pessoas e a quantidade de funcionários não é adequada para o porte que a biblioteca tem hoje. Nós estamos dando prioridade aos livros que chegam pelo PROQUALI, o programa para o qual a universidade paga em troca dos livros. Nosso objetivo agora é catalogar os livros que chegaram de 2008. Por isso, no momento nem estamos aceitamos doações, caso contrário, a situação se complicaria ainda mais. Além do mais, há também o problema do espaço físico, que está muito pequeno.

Em Pauta UFS – Muitos professores se queixam de que quando eles solicitam um livro, o processo todo pelo qual ele deve passar até que esteja disponível para os alunos é tão lento que às vezes o conteúdo da obra perde parte da sua serventia.

RV – A gente sabe disso. Realmente é demorado, mas não tem como trabalhar mais rápido. Apesar de a BICEN ter crescido, o número de pessoas não aumentou. A Divisão de Processos Técnicos deveria ter no mínimo 10 pessoas para se dedicar somente a esta atividade. No entanto, nela há sete funcionários para dar conta dessa e de outras funções. Precisamos de bibliotecários, de máquinas, de auxiliares.

Em Pauta UFS – A equipe da BICEN necessita de qual formação? E no caso dos estudantes?

A diretora da BICEN identificando dados do PROQUALI

A diretora da BICEN identificando dados do PROQUALI

RV – Todos aqui são formados em Biblioteconomia e entraram através de concursos públicos. Os estagiários são encaminhados pela Reitoria Estudantil e são de qualquer curso, basta estarem no programa. Agora que a UFS oferece o curso de Biblioteconomia, acho que iremos optar por esse estudante.

Em Pauta UFS – Houve alguma mudança na BICEN a partir da fase de expansão da UFS?

RV – Com a expansão, a universidade e, conseqüentemente, a biblioteca tiveram que suportar mais gente, com mais trabalho. Foi só essa a diferença que a expansão trouxe para a BICEN. Ás vezes eu vejo as pessoas fazendo filas enormes em certos horários para pegarem os livros. Eu fico até com vergonha por causa desse tipo de situação, mas é a estrutura que não permite que trabalhemos melhor. A gente sempre tenta tomar providências, pedir, fazer ofícios para o reitor apresentando a deficiência das máquinas, mas de nada adianta. Há um projeto que está em andamento desde janeiro deste ano para aumentar o espaço físico, mas mesmo assim é pouco e só começou agora, ou seja, um atraso muito grande.

Em Pauta UFS – O que a BICEN aguarda para o futuro?

RV – Há um projeto, que ainda está no papel, que prevê a construção de um mezanino, crescimento do espaço físico na parte dos fundos, elevadores e acesso para deficientes. Espero que ele seja executado o mais rápido possível, pois é muito complicado trabalhar com uma mesma estrutura, sendo que a quantidade de alunos triplicou.

“ Agroecologia se faz todo dia”

Posted in Ciência e Tecnologia, Educação, UFS by micheletavares on 25/05/2009