Técnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística

A infância do homem mais conhecido do país.

Posted in Perfil by micheletavares on 15/12/2010

Silvio Santos aos 12 anos. (Foto: google.com.br)

Por Wallison Oliveira                                                                                                

          Filho de mãe turca e pai grego, nascido no Rio De janeiro, Senor Abravanel, mais conhecido como Silvio Santos, sempre foi uma pessoa que tinha a atenção de todos. O moleque era um zero à esquerda. Na escola, faltava a maioria das aulas, e encarnava um verdadeiro pestinha com os colegas.

           Torcedor do fluminense, Silvio Santos sempre ouvia sua professora da quinta série, Maria Lourdes Bruce, da escola Celestino da Silva, na Rua do Lavradio, centro do Rio, a seguinte frase: ‘’Silvio, desse jeito você não vai ser ninguém na vida, só pensa em futebol”, pois Silvio gostava mais de falar em futebol do que estudar, quando tinha apenas 12 anos.

         Cenourinha, apelido dado por colegas, pelo diminutivo de Senor. Suas travessuras não se limitavam apenas na sala de aula, sua mãe Rebecca Abravanel, vivia correndo atrás do menino, com o chinelo na mão, pelas ruelas da Vila Rui Castro, na Travessa Bentevi, no centro do Rio de Janeiro, onde ele nasceu, não dava sossego para Dona Rebecca. “Ele era um capetinha, não havia quem o controlasse, apesar da rigidez da mãe”, lembra Lydia Marques, 68 anos, colega de turma e vizinha, na Vila Rui Castro.

          Além de Silvio, Rebecca e Alberto Abravanel, tiveram cinco filhos (Beatriz, Sara, Leon, Perla e Henrique), sempre tratados com rédeas curtas por Rebecca.

          Com o trabalho que conseguiu quando tinha 14 anos, Silvio que nem sempre conseguia ir às aulas. No terceiro ano, quando tinha 19 anos, das 459 aulas previstas no currículo, ele faltou a 234, correspondendo a 51% das aulas.  

          Para se divertir, Silvio e o irmão Leon, usavam a imaginação para driblar a falta de dinheiro com travessuras, nos cinemas da Cinelândia entravam pela saída das sessões, para não pagar ingresso.“No Odeon, nós nos infiltrávamos entre o público que saía  e caminhávamos  em sentido contrário, andando para dentro do cinema”, contou Silvio em entrevista reproduzida no livro, A fantástica História de Silvio Santos. O dinheiro economizado com os ingressos era gasto em outra mania de Silvio, ele colecionava figurinhas que vinham em balas.

         O único que ele pagava pelo ingresso, era o extinto “Cine Ok”, todas as quintas-feiras, onde passava seu seriado favorito: “O vale dos Desaparecidos”. ‘’Não podíamos correr o risco de não poder entrar de carona”, disse Silvio. “No Cine Ok, nossa pilantragem não dava certo , porque o porteiro e o guarda de serviço já nos conheciam”, recorda Silvio no livro.

           Em uma certa tarde de quinta-feira, Silvio foi proibido pela mãe de ir ao cinema, pois estava gripado e com febre alta, ficou arrasado, mas a palavra da mãe prevaleceu. Pouco tempo depois, ele descobriu que havia escapado da morte, o Cine OK pegou fogo e muitas pessoas ficaram feridas, esse foi o primeiro de uma série de golpes de sorte na vida de Silvio.

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Cem anos de samba malandro com Adoniran Barbosa

Posted in Perfil by micheletavares on 15/12/2010

por Cláudia Oliveira


Adoniran Barbosa nasceu em 06 de agosto de 1910, em Valinhos-SP, foi um colecionador nato de apelidos. Seu verdadeiro nome era João Rubinato, mas cada situação por ele vivida o transformava num novo personagem, numa nova história. O nome artístico ele tirou da cartola, unindo o nome do amigo Adoniran Alves com o sobrenome do compositor e cantor Luís Barbosa, que cantava sambas de breque batucando no chapéu de palha.

Filho de imigrantes italianos, a sobrevivência do paulistano comum numa metrópole que corre, range e solta fumaça por suas ventas é exposta através de suas músicas. Canta passagens dessa vida sofrida, miserável, juntando o paradoxo bom humor / realidade. Tirou de seu dia a dia a idéia e os personagens de suas músicas. Iracema nasceu de uma notícia de jornal, quando uma mulher havia sido atropelada na Avenida São João.
Quem conversasse com Adoniran perceberia que por trás daquele paulistano pé-rapado estava um homem de certa cultura, conhecedor de livros e de música mais refinada. Sua origem humilde, no entanto, não era ficção. Entregou marmita, foi office-boy, carregador, faxineiro, encanador, pintor de paredes, garçom, caixeiro em loja de tecidos e ainda arrumou um hobby, fabricando até o fim da vida brinquedos artesanais que alegravam a criançada. Mas desde cedo acalentou a idéia de ser artista. Adorava o samba dos grandes compositores que ouvia no rádio. Em 1934 venceu um concurso de música de Carnaval realizado pela prefeitura de São Paulo com a marcha Dona Boa, dando a largada para uma carreira que duraria meio século.

Adoniran nasceu e morreu pobre. Todo o dinheiro que ganhou gastou ajudando ou comemorando sucessos com os amigos. Talvez soubesse que o valor maior de suas canções eram interpretações como a de Elis Regina ou Clara Nunes. Foi um grande colecionador de amigos, com seu jeito simples de fala rouca, contador nato de histórias, conquistava o pessoal do bairro, dos freqüentadores dos botecos onde se sentava para compor o que os cariocas reverenciaram como o único verdadeiro samba de São Paulo. Mais do que sambista, Adoniran foi o cantor da integridade.
Nem mesmo pessoas com nervos de aço, sem sangue nas veias e sem coração são capazes de passar apáticas pela voz rouca que conta e quase consolada, a terrível história da noiva atropelada 20 dias antes do casamento: “O chofer não teve culpa, Iracema/Paciência”. Mais brilhante compositor paulista de todos os tempos, Adoniran Barbosa (pobre e mal-letrado), sabia ser mais denso que muito catedrático quando definia: “pra escrever uma boa letra de samba, a gente tem que ser, em primeiro lugar, anarfabeto”. Como poucos, Adoniran foi gênio, extraía de uma quase patética simplicidade uma montanha de significados sutis. É aquela estória: você ouve Saudosa Maloca 300 vezes, sem prestar muita atenção. Aí, um dia, dá um estalo: “então era isso?”.

Filho do Bexiga, o bairro italiano de São Paulo, Adoniran foi um fotógrafo lambe-lambe da canção. Cada uma delas é um pequeno retrato de seu bairro, de sua cidade, de sua gente humilde. Por extensão, retratos que poderiam ser de qualquer grande cidade que ainda tenha, em algum canto, um resquício daquela pobreza gentil que é tão diferente da miséria definitiva. A São Paulo de Adoniran é falsamente conformada com as agruras de ser grande e faminta de seus filhos. Afinal, os homi tão com a razão/ nóis arranja outro lugar. E: Não reclama/ porque o temporal/ destruiu teu barracão./ Não reclama,/ güenta a mão, João./ Com o Cebídi aconteceu coisa pior./ Não reclama,/ pois a chuva só levou a tua cama. Era só o que João tinha. Já a casa do Cebídi tava completa e foi toda levada pela enxurrada morro abaixo. Logo, João não tem tanto motivo pra reclamar da sorte.
Em 1950, o regional Demônios da Garoa surgiu em sua vida como a mais perfeita parceria possível a um compositor popular. O grupo incorporou a cena e acumulou sucessos cantando no paulistanês criado por Moles e Adoniran. Nos anos de 1951 e 52, com os sambas Malvina e Joga a Chave (c/ Osvaldo França), já interpretado pelos Demônios, Adoniran voltou a vencer o concurso de músicas carnavalescas da prefeitura. Mas sua vida deu uma guinada mesmo em 1955, quando Saudosa Maloca, que ele gravara com pouca repercussão em 1951, estourou nas paradas na voz dos Demônios da Garoa. O megassucesso trouxe de cambulhada o Samba do Arnesto, outro clássico adoniraniano. Saudosa Maloca conquistaria o Rio de Janeiro, terra do samba, na voz de Marlene. Foi aberta a porteira por onde passariam Apaga o Fogo Mané, As Mariposas, Iracema, Mulher Patrão e Cachaça, No Morro da Casa Verde, Trem das Onze e dezenas de outras, feitas por ele ou em parcerias, que incluem até Vinícius de Moraes. Esta última, uma confirmação da sofisticação insuspeitada de Adoniran, que colocou uma música sublime na letra de Bom Dia, Tristeza, poesia de Vinícius que lhe chegou às mãos por intermédio de Aracy de Almeida.
Em 1968 ele participou da I Bienal do Samba, com Mulher, Patrão e Cachaça, sem sucesso. Mas sua marcha-rancho Vila Esperança, apresentada em 1969, no I Festival de Músicas de Carnaval da TV Tupi, classificou-se em segundo lugar, e ficou gravada no rol das grandes músicas de carnaval. Com todo esse sucesso, ele só foi gravar cantando em 1974. Até o final dos anos 60 não era costume compositor gravar, a não ser que fosse muito bom cantor. Com a quebra do tabu, entre outros por obra de Chico Buarque de Holanda, passou a ser essencial registrar essas vozes. Foi quando Cartola, Nelson Cavaquinho e outros baluartes do samba tradicional começaram a entrar em estúdio. O primeiro LP foi seguido de um segundo, em 1975, registrando para a posteridade sua voz de taquara rachada.

Mesmo pobre, ainda cantava em shows e gravava esporadicamente três Lps em 40 anos de carreira, todos lançados entre 73 e 80 e relançados mais tarde em CD. Sempre que quis, teve no estúdio os melhores músicos e cantores da música brasileira lhe pagando tributo. Muitos deles com idade para serem seus netos. Como Elis Regina, sua tiete assumida, com quem Adoniran emplacou seu maior sucesso como intérprete: Tiro ao Álvaro.
Adoniram morreu em 1982, aos 72 anos, de parada cardíaca. Dois anos antes, por ocasião de seu 70º aniversário, a EMI lançara um LP com suas músicas cantadas por ele e intérpretes como Elis Regina, Roberto Ribeiro, Djavan, Clara Nunes, Clementina de Jesus e Carlinhos Vergueiro. Sua única mágoa nos tempos de velhice era ter sido apartado de seu público. Cantava com sucesso para universitários, era adorado pela intelectualidade. Mas justamente ele, que tinha sido povo como poucos, não passava mais pela grande mídia nem tocava nas rádios populares. Quando foi pro pagode lá de cima, teve um enterro modesto. 500 pessoas amigas e nenhuma ‘otoridade’.
Neste ano, o SESC promoveu um show com o lançamento de CD gravado em homenagem aos 100 anos do compositor, reunindo as cantoras Maria Alcina, Cristina Buarque, Virgínia Rosa, Verônica Ferriani, Patty Ascher e Márcia Castro. Além do sambista Oswaldinho da Cuíca, seu amigo do Bexiga e do samba.

AIDS pelo Drº Camisinha

Posted in Uncategorized by micheletavares on 15/12/2010

Uma vida de luta contra a doença

por Cláudia Oliveira

Almir Santana

1º de dezembro foi o Dia Mundial de Luta Contra à Aids, doença que é tão atual e preocupante. Não se pode falar sobre o histórico da doença no Estado, os fatos marcantes da luta de décadas contra a Aids, casos de preconceito, ações para prevenção ou qualquer assunto que envolvam DSTs, sem mencionar o nome do médico e atual coordenador do Programa DST/AIDS da Secretaria do Estado da Saúde, Almir Santana.
Recém-formado, Almir foi trabalhar com prevenção e tratamento de doenças sexualmente transmissíveis em um dos bairros mais carentes de Aracaju – Santos Dumont. Acompanhou de perto a chegada do vírus no Estado e suas primeiras vítimas. O envolvimento no combate à Aids fez com que seus pacientes particulares não mais o procurassem com medo de serem tachados de ‘aidéticos’, ocasionando assim o fechamento do seu consultório particular. Mas as dificuldades não o fizeram desistir, nem mesmo as várias ações preconceituosas presenciadas por ele.
Em compensação, as vitórias alcançadas por ele o fortaleciam cada vez mais. Sergipe foi o primeiro Estado brasileiro a disponibilizar gratuitamente os antirretrovirais. Mas para ele, investir na prevenção é fundamental. Pensando nisso, arrumou um ônibus vermelho e fez dele auditório itinerante para palestras. Depois, inventou o Camisildo, um carro em forma de camisinha, cuja fama ultrapassou as fronteiras de Sergipe e até do país.
Almir conseguiu popularizar o preservativo, hoje facilmente encontrado em todos os municípios do Estado. O seu trabalho que ajudou e ajuda muitas pessoas, o tornou conhecido nacionalmente e o fez conquistar vários prêmios. Entretanto a luta contra a Aids o rendeu algumas alcunhas criadas pelo preconceito: Doutor das Putas e Doutor dos Gays, e uma terceira, que se orgulha muito, Doutor Camisinha. Estas e outras questões acerca da doença, seu trabalho e dedicação serão esclarecidos nesta entrevista.

Em alto mar, Drº Camisinha orienta funcionários da Petrobrás sobre a doença

Em Pauta – Recém formado, o senhor começou a trabalhar com doenças sexualmente transmissíveis nos prostíbulos do bairro Santos Dumont, um dos mais pobres de Aracaju, e a AIDS. Como surgiu o interesse nesse tema?
Almir Santana – No Centro de Saúde Dr. José Machado de Souza, eu iniciei um trabalho de mapeamento do Bairro Santo Dumont, para descentralizar a vacinação contra a Poliomielite (fui coordenador de uma das campanhas). Na visita às ruas, descobri várias casas de prostituição. Fiz o cadastro de casa e iniciei as visitas, encaminhando as profissionais do sexo para o posto de saúde. O trabalho inicial foi sobre a sífilis. Atendia um grande número de garotas que trabalhavam naquele bairro. Quando surgiu o primeiro caso de Aids, tive que sair de lá. Assim tudo começou.
EP – Em 1987, o primeiro caso de AIDS chegaria ao Estado. O senhor foi enviado a cidade para cuidar do auxiliar de enfermagem que havia emigrado para São Paulo e agora voltava, em estado grave, para Santa Luiza do Itanhi. Quais aspectos mais o marcaram nesse primeiro contato com a doença?
AS – Percebi as fortes atitudes de rejeição por profissionais de saúde e pela própria sociedade. O prefeito da cidade pedia ao Secretário de Saúde que retirasse o paciente da cidade. Naquela época, eu indignado, falava que talvez melhor seria a saída do prefeito daquela cidade.

no Mercado Central de Aracaju no Dia Mundial Contra a AIDS

EP – Nesse primeiro caso, sua intuição e sua experiência o fez identificar a nova doença como uma espécie de DST, decidindo então levar o paciente para Aracaju, mas nenhum hospital da capital aceitou a internação. Foi nesse momento em que abraçou a causa de vez?
AS – O paciente foi a óbito sem que eu conseguisse internar. Queimaram a cadeira aonde o paciente sentou no posto de saúde da cidade. Decidi abraçar a causa. Prometi que o próximo eu internaria de “qualquer maneira”. Por gostar de saúde pública, enfrentei os desafios. Paguei caro, pois tive que fechar o meu consultório particular. Cada vez que meu nome era divulgado na imprensa como o “médico da Aids”, as pessoas se afastavam de mim.

EP – O que o segundo caso do Estado, de um cabeleireiro que também havia migrado para São Paulo e voltou para Itabaiana com vírus na bagagem, teve de melhora no tratamento em relação ao primeiro?
AS – Foi uma internação hospitalar que abriu o caminho para uma maior aceitação dos profissionais de saúde. O terceiro paciente passou a ser querido por todos (também cabeleireiro, porém de Sergipe). Quando ele foi a óbito, muitos profissionais do Hospital Gov. João Alves Filho foram ao sepultamento.
EP – Como surgiu o núcleo de DST/AIDS de Sergipe?
AS – A Secretaria de Estado da Saúde tinha o Programa de Dermatologia Sanitária. Inicialmente, foi criada uma comissão para coordenar e depois foi criada a Gerência de DST/Aids por necessidade diante do surgimento do primeiro caso de Aids de Sergipe.
EP – Como coordenador do Núcleo de DST/AIDS de Sergipe, o senhor ministrou cursos de capacitação para médicos e enfermeiros. Como foi a aceitação dos profissionais de saúde em relação às informações passadas?
AS – Inicialmente foi difícil porque poucos queriam saber sobre Aids. Depois fomos agregando mais pessoas para a luta. Alguns profissionais desistiam por medo do contágio ou por que “não dava dinheiro”. A Aids era vista como doença de pobre, de prostituta e de “viado”. Eu passei a ser chamado de “Dr. das putas e dos viados”. Enfrentei muitos obstáculos.
EP – Há também o Grupo de Apoio e Prevenção à AIDS (GAPA). Como surgiu o grupo?
AS – Reuni algumas pessoas que, isoladamente, faziam trabalhos ligados às prostitutas, homossexuais ou que demonstravam gostar de trabalho voluntário.
EP – Como é realizado o trabalho pelo GAPA hoje em dia?
AS – Lamentavelmente, o Gapa foi destruído e  deixou uma grande lacuna com relação ao trabalho assistencial dirigido às pessoas que vivem com HIV/Aids e em situação de pobreza. Há a necessidade da sociedade participar mais, como acontece com as ONG que trabalham com pessoas com câncer. Hoje observamos poucas pessoas dispostas a ajudar. Enquanto isso, a epidemia de Aids cresce na pobreza…
EP – A luta contra a AIDS lhe rendeu dois apelidos repletos de preconceito: “Doutor das Putas” e “Doutor dos Gays”. Como o senhor encara essa situação?
AS – Ganhei vários “rótulos” que mostravam como era forte o preconceito até comigo. Algumas denominações me entristecem.
EP – Em contrapartida, o senhor foi intitulado como Doutor Camisinha. O apelido é reflexo do apoio da população na luta contra o vírus?
AS – É uma denominação que me alegra, pois popularizei a camisinha e a população, quando ando na rua, sempre me agradece pelo trabalho. Pessoas desconhecidas me dizem que oram muito por mim. E eu preciso muito de orações, pois enfrento cada uma!
EP – Sergipe foi o primeiro Estado brasileiro a disponibilizar gratuitamente os antirretrovirais. Como foi o processo para receber os medicamentos?
AS – No início da epidemia, sempre tivemos grande apoio das primeiras Damas do Estado. Na época, solicitei à Dra. Leonor Barreto Franco, a aquisição dos medicamentos através do Conselho Nacional do SESI. Foi um momento importante para as pessoas que viviam com HIV/Aids. Sergipe saiu na frente e, infelizmente, a mídia nacional não deu destaque.
EP – Atualmente o senhor é coordenador do Programa DST/AIDS da Secretaria do Estado da Saúde. Quais as principais ações desse programa?
AS – Apesar de várias ações de saúde hoje serem municipalizadas, nem sempre os municípios as executam. As principais ações são: criação e execução de várias campanhas informativas; capacitação de profissionais de saúde e professores; repassar recursos financeiros para alguns municípios e ONG; monitoramento e supervisão das ações dos municípios e ONG; Descentralizar as ações para os municípios; Apoiar as ações das ONG; Disponibilizar preservativos para municípios e ONG; Realizar parcerias com outras instituições; Desenvolver ações de prevenção junto ás populações mais vulneráveis.
EP – Há também um programa municipal e nacional. Como esses programas se relacionam?
AS – O Departamento Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Hepatites Virais coordena a política de prevenção,assistência , diagnóstico e parcerias com a sociedade civil. Alguns municípios de Sergipe apresentam coordenações de DST/Aids, com os quais estamos sempre integrados.
EP – Até o final de 2005, Sergipe tinha cinco mil pessoas infectadas com o vírus. Como estão esses números hoje?
AS – Consideramos a estimativa de 6.000 infectados.
EP – Como é feito o diagnóstico e o tratamento do portador do vírus HIV no Estado?
AS – Estamos cada vez mais ampliando o acesso ao diagnóstico. Hoje temos seis CTA – Centro de Testagem e Aconselhamento no interior e capital, onde a população acessa naturalmente para realizar o teste com aconselhamento. Estamos descentralizando o teste para as unidades básicas de saúde em 11 municípios. O tratamento tem como instituição responsável, a Secretaria Municipal de Saúde de Aracaju, através do ambulatório do CEMAR Siqueira Campos. As urgências e emergências são encaminhadas para o HUSES e HU.
EP – Quem são mais infectados hoje? Homens, mulheres, jovens, idosos?
AS – A infecção ainda predomina em homens, porém evidenciamos um considerável crescimento entre as mulheres.
EP – Quais as regiões de Sergipe que aglomeram um maior número de infectados?
AS – Aracaju, Socorro, Itabaiana, Estância, Lagarto, São Cristóvão e Campo do Brito.
EP – Dia 1º de dezembro foi o dia Mundial de Luta contra a AIDS. Qual o tema da campanha deste ano?
AS – O slogan definido pelo Ministério da Saúde é: “Uma dessas pessoas tem AIDS. E pode não ser quem você pensa. A AIDS não tem preconceito. Você também não deve ter”.
Os objetivos da iniciativa deste ano são: dar maior visibilidade às questões do viver com AIDS; combater o estigma e a discriminação que recaem sobre as pessoas vivendo com HIV/Aids; mostrar a proximidade da AIDS do universo dos jovens.
EP – Quais ações marcaram esta data no Estado?
AS – As ações do Estado de Sergipe e Municípios vão priorizar pontos importantes: a ampliação do acesso ao diagnóstico precoce na Atenção Básica e a abordagem nas oficinas, palestras e intervenções, do tema Preconceito relacionado principal aos Jovens que vivem com HIV/Aids  e a importância das atitudes de solidariedade.

distribuição de preservativos na Parada Gay 2010

Semana do Dia Mundial de Luta Contra a Aids/ 2011 – Programação Estadual:

Dias 30/11 e 1/12 – Stand informativo na Praça General Valadão, através da Secretaria de Estado da Saúde e Liga da Liga Acadêmica de Sexualidade da UFS;
Dia 1/12 – Stand informativo e teste rápido na Creche Padre Leon Gregório, no município de N.Senhora da Glória com concentração na Praça dos Quiosques;
Dia 1/12 – Exposição Informativa em Estância, através da Secretaria Municipal de Saúde local e participação da ONG Astrais;
Dia 1/12 – Palestras e apresentação de Teatro em Estância;
Dia 1/12 – Caminhada de Solidariedade em Estância, através da Secretaria Municipal de Saúde de Estância e Astrais;
Dia 1/12 – Caminhada de Solidariedade em Propriá, com a participação de idosos, alunos do Projovem e da UNIT e equipes do CTA e ESF da cidade;
Dia 1/12 – 14 horas – VIII Caminhada da Prevenção em Aracaju, com saída da praça da Bandeira, através das Secretarias Municipal de Saúde e Educação de Aracaju e parceiros;
Dia 1/12 – 8 Horas – Caminhada – Jovem  na Luta Contra à AIDS, em Lagarto;
Dia 1/12 – 9 Horas – Lançamento do Projeto “Camisinha Tá na Feira” nos Mercados Centrais de Aracaju, com exposição informativa e a participação do MOPS e Programa Municipal de DST/Aids de Aracaju;
Dia 1/12 – 14 Horas – Palestra Sobre a “Prevenção Sim, Preconceito Não” na Sede da Petrobrás, na Rua Acre, no Auditório do RH/DRh;
Dia 1/12 – 19:30 Horas – Palestra sobre a “Aids e a Juventude” e a “Aids e o Câncer” no Instituto de Oncologia San Giovani,dirigida aos profissionais de saúde, promovida pelo Instituto de Oncologia San Giovani e Liga Estudantil de Oncologia de Sergipe;
Dia 1/12 – 10 Horas – Campanha “Fique Sabendo” com utilização do Teste Rápido para Diagnóstico do HIV e Stand informativo no SESC – Centro, com apoio da Liga Acadêmica de Sexualidade da UFS e no SESC de  Socorro,com o apoio do CTA do município de Socorro.
Dia 1/12 – Ações de Prevenção na Praça Ananias Fernandes dos Santos e no Bar Carrancas (Rio S. Francisco), em Canindé do São Francisco, com apresentação do laço vermelho e palestras no Clube Altemar Dutra;
Dia 1/12 – 8 horas – Campanha “Fique Sabendo” com utilização do Teste Rápido para Diagnóstico do HIV nas seguintes cidades: Nossa Senhora das Dores (Unidade de Saúde Miltom Calumbi-antigo SESP); Pacatuba (Clínica de Saúde da Família); Tobias Barreto    (Clube das Mães); Pedrinhas (Unidade de Saúde Costa Guimarães); Laranjeiras (Unidade de Saúde do CAIC); Boquim (Unidade de Saúde Dr. Gilberto Carvalho e Bernadino Mitidiéri);   Carmópolis ( Unidade de Saúde Dr. Hernan Salles Galego).
EP – Apesar da disseminação de informações sobre a AIDS, o preconceito e a discriminação às pessoas vivendo com o HIV/AIDS ainda é muito forte. A que o senhor atribuiria esse fato?
AS – Existem fatores culturais que contribuem para o preconceito e atitudes de discriminação. Mas, no início da epidemia, as atitudes discriminatórias eram mais freqüentes.
EP – Quem vive com o HIV/AIDS pode trabalhar, estudar, praticar esportes, namorar e fazer sexo com camisinha, como todo mundo. Qual o maior obstáculo enfrentado pelo portador de HIV?
AS – Ainda ocorrem atitudes discriminatórias em algumas empresas, e alguns profissionais de saúde.
EP – O senhor fala sobre a AIDS no universo dos jovens e crianças de Sergipe. Há um tratamento diferenciado para esse público?
AS – Utilizamos uma liguem específica para cada público alvo e de acordo com a própria reação daquela população que estamos trabalhando e realizando a ação de prevenção. A linguagem está relacionada também com o nível de informação.
EP – O senhor é idealizador do Camisildo, um carro em forma de camisinha, cuja fama ultrapassou as fronteiras do Estado e até do país. Como surgiu a idéia do Camisildo?
AS – Nós temos sempre que utilizar a criatividade na prevenção. Criamos o Camisildo, como sendo uma forma  criativa de divulgar a prevenção em festas populares.
EP – O senhor também é idealizador do bloco da prevenção, que chama a atenção das pessoas para a necessidade de prevenção às doenças sexualmente transmissíveis durante o Pré-Caju. O sucesso do bloco é resultado de uma maior conscientização da população?
AS – Sim, foi uma forma criativa de divulgar a prevenção no pré-caju, participando da festa. Tem também a função de solidariedade já que procura ajudar as pessoas que vivem com Hiv/Aids. Fico feliz em perceber que a idéia do bloco se espalhou por todo o país.
EP – Em 2008, o senhor foi vencedor na categoria médico da 5º Edição do Prêmio AIDS Saúde Brasil de Responsabilidade Social. Como é ter o trabalho de décadas reconhecido nacionalmente?
AS – É muito gratificante ver o reconhecimento à nível nacional e local.
EP – O senhor escreveu o texto “Um médico que convive com HIV”, no qual relata um pouco da sua longa convivência com pessoas que vivem o drama da doença e as lamentáveis cenas de preconceito que já presenciou. Foi um desabafo?
AS – Não, apenas um testemunho do que enfrentei no início da epidemia.Meu sonho é escrever um livro contando tudo que encarei no início do trabalho.
EP – Quais as expectativas em relação ao avanço no tratamento dos soropositivos?
AS – Somos bastante otimistas, pois os cientistas estão trabalhando muito com relação à descoberta de novas drogas antirretrovirais.
EP – Em uma palavra, resuma o seu trabalho com DSTs e AIDS.
AS – Dedicação.

Danny Elfman, um gênio da musica cinematográfica

Posted in Cultura, Música, Perfil by micheletavares on 15/12/2010

Fotografia de Bob Charlotte / PR Photos.

Nomeação de Danny Elfman para o Oscar de 2009 por "Milk"

A consagrada trajetória de um dos maiores compositores de trilhas sonoras da atualidade.

Por Matheus Alves

A trilha sonora, é uma das principais bases de um bom filme. É tão importante quanto a atuação dos atores e a competência do diretor. As imagens e o som, é capaz de imprimir no espectador uma torrente de emoções. Uma cena sem musica não provoca tanto impacto quanto uma cena embalada pela melodia certa. A trilha sonora é capaz de despertar a tensão, a emoção, a repulsa, a compaixão e a ira do público. Todo diretor que espera que seu filme seja um sucesso de bilheteria, tende a escolher um compositor que seja capaz de dar vida às cenas de seu filme, transmitindo as emoções na dose certa e necessária, sem direito a erros, por mais que alguns deles venham a acontecer. E Danny Elfman é um desses magos da composição responsável por ajudar a alavancar diversos títulos.

Considerado por muitos um gênio, possui atrelado ao seu nome enormes sucessos de bilheterias e parcerias importantíssimas ao longo de sua carreira, como a dos diretores Tim Burton, Sam Raimi, Ang Lee e Brian de Palma. Muitos espectadores que não se preocupam com a parte técnica dos filmes que assiste, pode até não conhecê-lo por nome, mas com certeza já ouviu suas composições, cantarolou-as em determinados momentos, possuem como toque de celular e et ceteras.

Robert Daniel Elfman nasceu em 1953 em Amarillo, Texas. É filho de uma autora de livros infantis e de um oficial da Força Aérea Americana. Iniciou sua carreira musical como cantor e compositor da aclamada banda de rock ‘The Mystic Knights of Oingo Boingo’ (Os Guerreiros Místicos de Oingo Boingo), formada por seu irmão, o diretor Richard Elfman, em 1972. A banda, que depois passou a ser chamada apenas de ‘Oingo Boingo’, conquistou um grande numero de seguidores até o seu fim momentâneo em 1995, mas ficou restrita ao sul da Califórnia, não chegando a ter um grande reconhecimento nacional ou internacional.

A Oingo Boingo tornou-se um dos principais grupos ‘cult’ da década de 80 dos EUA. Em meio ao sucesso da banda, Elfman passou a contribuir para faixas de filmes populares e compôs a trilha para um filme idealizado por seu irmão, “Zona Proibida” (The Forbidden Zone, 1979). A banda fez também aparições no filme “De volta para a Escola” (Back to School, 1986) e interpretaram a faixa titulo do filme “Mulher Nota 1000” (Weird Science, 1986), composta por Elfman.

A trilha sonora de ‘Zona Proibida’ foi a estreia de Elfman como compositor para o cinema e marcou o inicio de sua carreira, que primeiramente se estruturou como compositor para filmes independentes e peças de teatro. Foi na metade da década de oitenta que um fã do grupo, o novato diretor Tim Burton, convidou Elfman para trabalhar em algumas das canções de “As Grandes Aventuras de Pee Wee” (Pee-Wee’s Big Adventures, 1985).

Fotografia por Warner Bros Records

Tim Burton e Danny Elfman, uma parceria de 25 anos.

 

Essa foi apenas a primeira das doze parcerias que os dois viriam a ter ao longo de 25 anos, onde Elfman só não fez parte de três filmes, dos quinze assinados por Burton como diretor, “Ed Wood”(1994), “Vicent and Me”(1995) e “Sweeney Todd”(2007). Ele compôs as trilhas para filmes de estrondoso sucesso de Tim Burton, como “Os Fantasmas se Divertem”(Beetlejuice, 1988), “Batman”(1989), “Edward Mãos-de-Tesoura”(Edward Scissorhands, 1990), “O Estranho Mundo de Jack”(The Nightmare Before Christmas, 1993), “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça”(Sleepy Hollow, 1999), “A Fantástica Fábrica de Chocolate”(Charlie and the Chocolate Factory, 2005), “A Noiva Cadáver”(Corpse Bride, 2005) e mais recentemente, “Alice no País das Maravilhas”(Alice in Wonderland, 2010).

É dele a composição das músicas de Hannibal Lecter no último filme da trilogia, “Dragão Vermelho”(Red Dragon, 2002), das peças instrumentais para o premiado musical “Chicago”(2002), é o responsável pelas partituras das três versões do “Homem-Aranha”(Spider-Man) de Sam Raimi e o “Hulk”(2003) de Ang Lee. Também de sua autoria há filmes como “Dick Tracy”(1990), “Missão Impossível”(Mission: Impossible, 1996), “Um Plano Simples”(A Simple Plan, 1998), “A Menina e o Porquinho”(Charlotte’s Web, 2006), “A Família do Futuro”(Meet the Robinsons, 2007) e “O Exterminador do Futuro – A Salvação” (Terminator – Salvation, 2009)”.

Embora a maioria de seus trabalhos tenham sido voltados pra telonas, para a telinha Elfman também criou boas composições, principalmente para as séries de TV como “Na Mira do Tira!”(Sledge Hammer!, 1986-1988), “Contos da Cripta” (Tales from the Crypt, 1989-1996), “The Flash”(1990-1991), a abertura da serie cômica “Desperate Housewives”(Donas de Casa Desesperadas, 2004- ). Para as animações, seu nome é associado à “Beetlejuice”(1989-1992), “As Novas Aventuras de Batman e Robin”(The Adventures of Batman & Robin, 1992-1999), Family Dog(1993), “The Dilbert Zone”(1999-2000), e talvez o mais famoso de todos, “Os Simpsons”(1990- ).

Elfman cita frequentemente Prokofiev, Sravinsk e Bartok como seus compositores clássicos favoritos, mas as principais influências Hollywoodianas para suas composições vem de Nino Rota, Carl Stalling, Erich Wolfgang Korngold, Kiklos Rozsa, Franz Waxman e Bernard Herrmann. E foi justamente a influência de Herrmann que lhe permitiu ser cotado para recriar a trilha clássica da refilmagem de “Psicose” (Psycho, 1998).

Foto cortesia de BMI

Premiação recebida pela Broadcast Music, Inc

Seu primeiro premio veio em 1989, um Grammy pela trilha sonora de Batman. Também foi indicado diversas vezes ao Grammy pelos títulos “Homem-Aranha”, “O Planeta dos Macacos”, “Edward Mãos-de-Tesoura”, “Dick Tracy” e “MIB:Homens de Preto”. Foi indicado uma única vez ao Emmy por sua trilha sonora composta para “Os Simpsons”. Em 1993 foi indicado a um Globo de Ouro pela trilha sonora de “O Estranho Mundo de Jack”, onde suas notas pesadas e macabras permeiam todo o filme, dando a atmosfera gótica e sombria típica nos filmes de Burton, contando também com algumas composições onde ele empresta sua própria voz.

Apesar de ser considerado um dos compositores mais produtivos e respeitados do mercado, tendo trabalhado em alguns dos maiores filmes de Hollywood, Elfman ainda não ganhou nenhum prêmio Oscar apesar de já haver sido indicado quatro vezes, as duas primeiras foi em 1997, quando ele recebeu indicações pela trilha de “MIB:Homens de Preto” (MIB, 1997), sendo que também assinando o segundo titulo da série, “Homens de Preto II” (MIIB, 2002) e a outra por “Gênio Indomável”(Good Will Hunting, 1997), onde assina como co-produtor.

Sua terceira indicação ao Oscar veio em sua nona colaboração com Tim Burton, “Peixe Grande e suas Histórias” (Big Fish, 2003). A quarta indicação só veio cinco anos depois, por suas músicas em “Milk” (2008), uma cinebiografia do diretor Gus Van Sant sobre Harvey Milk, um ativista político que lutava pelos direitos dos homossexuais e foi assassinado em São Francisco.

Estes são apenas alguns dos títulos atrelados a Danny Elfman. Filmes com grande sucesso de bilheterias, marcados por belíssimas composições sonoras e diversas indicações a premiações, desde grandes a pequenas. Elfman possui um estilo único de composição, que chega a ser uma mistura de tudo que é conhecido com particularidades adquiridas ao longo de sua extensa experiencia no mercado musical. Atualmente é casado com a atriz Bridget Fonda, que conheceu durante as gravações de “Um Plano Simples” com quem teve um filho chamado Oliver de cinco anos e é pai de mais duas meninas de um casamento anterior.

Foto-montagem por Matheus Alves

Alguns dos filmes em que Elfman compôs para Burton

 

Eliana Ribeiro: uma voz que canta, encanta e evangeliza.

Posted in Perfil by micheletavares on 15/12/2010

Eliana Ribeiro (Arte: Yasmim Raquel)

Por Osmar Rios

         Em 13 de fevereiro de 1977, em Vitória/ES, nascia uma futura estrela da música cristã: Eliana Ribeiro Morais de Oliveira ou, simplesmente, Eliana Ribeiro. Porém, o seu caminho até o verdadeiro encontro com o catolicismo não foi tão rápido e simples. Eliana foi uma adolescente rebelde, envolvida com drogas, bebidas, namoros, depressões e até desejos de morte.  Ela vivia em bares e sempre seu pai tinha que ir buscá-la. Padre Léo, hoje já falecido, da Comunidade Bethânia, foi quem apresentou Deus para Eliana pela primeira vez, em um encontro de jovens onde ela morava. A partir daí começou a dar passos de conversão e, em Aparecida/SP, descobriu sua vocação para a comunidade religiosa Canção Nova (CN), em um Congresso Nacional da Renovação Carismática Católica (RCC) no ano de 1997.

      Então começou a se empenhar e buscar confissão, eucaristia, mortificações e oração da comunidade e do terço, pois segundo ela Jesus continuaria a libertando. Eliana iniciou seu caminho vocacional para a CN em 1998 e, em janeiro de 1999 conseguiu entrar na comunidade de Cachoeira Paulista/SP. Contudo, antes de entrar para a comunidade, cursava Química licenciatura na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), além de dar aulas da seguinte matéria para pré-vestibular, já cantava em grupo de oração e fazia parte da secretaria do Departamento de Audiovisual da RCC.

       Ela sempre gostou de cantar, todavia achava que sua voz não era boa. O curioso é que ela nunca cantou em barzinhos, começou já na igreja, aos 18 anos. Lá se engajou também em trabalhos com crianças, em um grupo de oração, e após um ano foi convidada para o ministério de música, o qual teve que sair em 1998 por ter que iniciar seu caminho para a Canção Nova.  Ironia do destino: a voz que para a própria Eliana era ruim teria um “final feliz” no caminho da evangelização.

         Em dezembro de 2000, ela sofreu um acidente automobilístico no qual estavam também seu namorado, Fábio, sua mãe e seu pai, que infelizmente faleceu, deste modo afastou-se por um tempo da CN. E, em abril de 2001, retornou com a certeza que chamado de Deus era mais forte. Lá dentro da comunidade seguiu fielmente o principal objetivo que era evangelizar e mais uma vez a música estava ao seu lado.

        Em 2002, gravou seu primeiro CD, “Tempo de colheita”. Um CD onde Eliana pode revelar sua história através de canções, desde a fase rebelde à fase da conversão. Em seu blog, ao comentar sobre este fato, ela diz que todas as vezes que iam gravar uma música rezavam muito e sentiam Deus “conversar” com eles, que tinham cada vez mais certeza do título do CD. Dois anos depois, após se casar com Fábio, os dois membros da CN, foram enviados para uma missão em Portugal e lá tiveram a oportunidade de iniciar o projeto de um novo CD, “Espera no Senhor”. Ao retornarem ao Brasil, continuaram o projeto e, assim, Eliana lançou seu segundo disco, com 11 faixas de estúdio e cinco ao vivo em Portugal.

        Através dos seus CDs, os cristãos puderam sentir um amor de Deus mais profundo, dando mais confiança ao Senhor, acreditando que é Ele quem cuida de todas as coisas e tem o controle de tudo, jamais nos abandonará e será o único a realizar o que os outros consideram impossível, segundo Eliana Ribeiro propôs. Hoje, muitos católicos, em especial grupos de jovens cristãos, são fãs dela e utilizam muito suas músicas em momentos de reflexão ou animação. Importante ressaltar uma frase dita por ela sobre sua experiência com a CN e a música em sua vida: “Na Canção Nova, mulher que canta, leva alegria, esperança, mudança de vida e um encontro pessoal com o Senhor”.

        Recentemente, ela teve uma das maiores realizações da sua vida (e acredito que para seus fãs também foi): o lançamento do seu primeiro DVD, gravado ao vivo no auditório “São Paulo”, da Canção Nova, em Cachoeira. O DVD tem 19 faixas, incluindo quatro músicas inéditas: “Barco à vela”, que dá título ao DVD, “Força e vitória”, “Enviai” e “Eu me rendo a ti”.

“Insisto em persistir em meus desejos
Insisto em só fazer do meu jeito
Me perco querendo ser Deus de mim
Escolhe mal quem escolhe só
Quem deixa Deus ser Deus, vê melhor
Aquilo que os olhos não podem ver
Por isso deixo aqui meu querer
Por isso deixo aqui meu querer
 

 

Refrão:
Guia-me Senhor por onde aprouver
Calo meu querer para ouvir o que Deus quer
Barco à vela solto pelo mar
Vou para onde o vento do Senhor levar”
(Barco à vela – Eliana Ribeiro)
 

        Este DVD também foi consagrado com as participações especiais de Dunga, Padre Cleidimar Moreira e Brais Oss. Portanto, conheça mais desta missionária da comunidade Canção Nova que, através de uma das mais bonitas vozes da música católica brasileira, tem como instrumento de evangelização a música, mas também responde por outras diversas atividades evangelizadoras, como a apresentação de um programa na TV e um blog no site da própria comunidade. E, através do “Barco à vela”, tenha o grande prazer de estar em contato com Deus por meio da música e do show que traz grandes novidades e uma produção que vai te cativar, te emocionar e te levar à grandes momentos que provém o bem da alma e do Espírito Santo. Confira abaixo um trecho de um testemunho de uma das suas fãs:
”(…)Quero agradecer a você e a toda equipe (direção, produção, músicos, etc.) pelo carinho com que prepararam tudo. Já assisti a vários DVD’s, inclusive católicos, mas o seu tem uma unção especial. A história temática que vai permeando todo o DVD nos possibilita, além de ouvir suas belas canções, meditar sobre nossa própria vida. Me senti entrando naquele barco com você rumo ao alto mar que é Jesus. Chorei com você na sua partilha na música “Nossa Alma” (e quem não choraria?…). Obrigada por partilhar isso conosco (…) O Barco sempre teve um significado muito grande para mim, sempre gostei de uma música do Pe. Zezinho “Há um barco esquecido na praia”, ao mesmo tempo sempre me associei a um barco em que, hora em águas mansas, ora em tempestades, vai seguindo a rota do Senhor. Acompanhei pelo seu blog toda a preparação do DVD e quando vi o tema escolhido por você, pensei: só podia ser a Eliana Ribeiro mesmo para ter essa inspiração. Adorei essa idéia de um DVD temático. Pura inspiração do Espírito Santo. Continue sendo esse Barco Eliana que atrai tantos outros a Jesus, inclusive eu. Que Deus te abençõe e fortaleça sempre” (…)  Raquel Contagem/MG

(Fonte: http://blog.cancaonova.com/elianaribeiro/category/testemunhos/)

Ficou curioso? Dá uma olhada nesse vídeo sobre o DVD “Barco à vela”:

O que é que a baiana tem?

Posted in Uncategorized by micheletavares on 15/12/2010

Ivete Sangalo grava DVD em NY no Madison Square Garden.

Por: Victor Limeira

“Toda menina baiana tem
Um santo que Deus dá
Toda menina baiana tem
Encantos que Deus dá
Toda menina baiana tem
Um jeito que Deus dá”

Parafraseando Gilberto Gil é possível compreender um pouco o questionamento feito em 1938 pelo eterno Dorival Caymmi e entoado por Carmem Miranda. Mas afinal de contas, o que essas mulheres têm de tão especial que as diferenciam das outras?Maria Bethânia,Simone, Gal Costa, Nana Caymmi, Margareth Menezes, Daniela Mercury, Ivete Sangalo. Ícones da música popular brasileira, de gerações diferentes, em comum não somente a naturalidade, mas, sobretudo a essência, que as caracterizam e as distam das demais.

Atualmente entre as notáveis sem sombra de dúvidas destaca-se a mais popularesca de todas. Do povo e para o povo, Ivete Sangalo é o sucesso perfilado em uma única forma. A baiana de juazeiro nasceu em uma casa de músicos, por isso esta esteve presente em sua vida, desde muito nova. Nos saraus em sua casa, nos intervalos da escola, nas rodas de violão, a artista mais popular da atualidade brasileira engatinhava no universo da música.  A profissionalização logo aconteceu, aos 17 anos, quando Ivete passa a “fazer barzinho” tocar nas noites de Salvador. As oportunidades começam a aparecer e em 1993 a cantora torna-se vocalista da Banda EVA, emplacando um sucesso atrás do outro a banda passa a ter reconhecimento nacional e alcança a incrível marca de dois milhões de CDs vendidos no ano de 1997.  O sucesso foi uma crescente e a carreira solo uma conseqüência, então no ano de 1999, em meio a muitas lágrimas em pleno carnaval de Salvador, Ivete anuncia a sua saída da banda e inicia a fase de sua carreira que a consagraria.

Números, prêmios, multidões, seguidores, milhões. A conterrânea de João Gilberto entrou de vez para história da nossa música. Ivete chega no Madison Square Garden com uma grande certeza “Eu sou uma vencedora”. E de fato, essa é sua grande definição. Quem imaginava que a menina levada, que vendia marmita no centro histórico iria chegar tão longe? Predestinação soaria muito utópico e não teria tanta aplicabilidade. “Workaholic” por essência, Ivete não pára. Programas de TV, campanhas publicitárias, videoclipes, filmes, CDs, DVDs, shows, fotos, autógrafos, entrevistas. Além de contemplar diversos primas do Show Business, como atuar e apresentar, por exemplo, a baiana é uma grande empresária, dona da CACO DE TELHA, empresa que produz muitos artistas baianos, inclusive a própria cantora.

Do anúncio da carreira solo na quarta feira de cinzas até o show que originou o DVD em Nova Iorque muita coisa mudou. Isso pode ser constatado muito facilmente, no palco, na cênica, nas coreografias, no figurino. A tecnologia evoluiu muito, assim como as tendências, parâmetros e referências são outras, contudo, o que é genuíno de Ivete não se alterou: a sua personalidade, o ritmo e o que ela verdadeiramente acredita, continuam inalteráveis, seu palco é o trio elétrico e o combustível que a faz pulsar é o axé.

Ivete agita NY. Foto: Divulgação.

Cercado de cuidados contra a pirataria e de muita expectativa o DVD “Multishow ao Vivo – Ivete Sangalo no Madison Square Garden” chegaram às principais lojas do gênero de todo o país e também em Portugal simultaneamente no dia 6 de dezembro, com pré-venda de 300 mil cópias, número fora dos padrões para os dias de hoje.

“O que mais uma artista pode querer do que cantar para 14 mil pessoas no MSG e gravar o DVD lá? NY, Las Vegas, algumas cidades do mundo são a meca do show business. Fazer o que Ivete fez é realmente o ápice de uma carreira e ela é fantástica”, disse o empresário/apresentador Roberto Justus no programa Amaury Junior – 11/09/10

O DVD é simplesmente um abrir de portas para poderá acontecer, a eminente carreira internacional ainda está no começo, sabe-se o quão é difícil um brasileiro fazer sucesso no exterior, por muitas questões, idioma, eurocentrismo/americanização/xenofobia, ritmo/cultura, fracassos anteriores, mas o feito da senhora Sangalo é inédito, lotar o MSG, palco que se já se apresentaram os Rolling Stones, Lady Gaga, Paul MacCartney, Beyonce, Frank Sinatra, entre outros, alguns artistas americanos não lotam mais o Madison, como Mariah Carey por exemplo. Ivete é emblemática “Eu sou o Brasil no mundo”

É um novo Brasil, representativo, significativo, que cresce e passa a ter maior conotação eno globo, que pode se destacar não só no futebol, mas em muitas outras áreas.

Ivete levou para Nova Iorque o melhor de si, da sua verdade e da sua emoção. Para quem gosta de parafernália eletrônica, painel de “led”, efeitos visuais e sonoros, “interlude” Um show primoroso, emocionante, cantando sucessos antigos como “Eva” e “Alô paixão” ou inéditas como “Desejo de Amar”, a cantora usou o melhor do seu repertório, tocou piano e bateria, dividiu palco com grandes artistas como: Nelly Furtado, Juanes, Diego Torres e Seu Jorge e saiu do palco ovacionada, içada por balões, voando, literalmente, para mostrar ao mundo o que é que a baiana tem.

DVD Ivete no MSG!

 

Lobos Voadores: moto clube de gente consciente e responsável

Posted in Uncategorized by micheletavares on 15/12/2010

Por: Gleiceane Silva

Integrantes do moto clube Lobos Voadores

Engana-se quem acha que moto clube é lugar de homens loucos por motos, que adoram rock e vivem badernando por ai. Ao contrário, esses clubes são sim formados por loucos por motos porem o que eles pregam é a boa conduta do motociclista e não motoqueiro como a maioria da população os vê, e adoram tudo o que é bom, viagens festas e amizades. Assim são os lobos voadores, um clube de motociclistas que amam motos e viagens e fazem amizades por todos os lugares por onde passam, apesar de novo e com poucos integrantes o clube não deixa a desejar em matéria de responsabilidade e alegria.

Como em todo moto clube, eles têm suas reuniões e seus critérios para entrar. As reuniões são sempre no segundo fim de semana de cada mês onde é passada toda a programação das viagens e  os que desejam participar se reúnem e são avaliados para ver se encaixa no perfil do grupo, o que une essas pessoas é sem duvida a paixão por motos , o prazer das viagens e a possibilidade de fazer novas amizades.

Brasão do moto clube

¨Sempre gostei de moto e pensava que viajar era muito bom, só não imaginei o quanto¨, foi o caso da jovem Lara que juntou o útil ao agradável, a paixão por motos e o namorado Toni que faz parte dos lobos voadores.

O que move esse grupo é sem duvidas a paixão por motos , a conduta deles no trânsito e o prazer de viajar sentindo o vento na cara cheio de adrenalina e alegria. Apesar de serem considerados um grupo de roqueiro não é exatamente isso que acontece, a exemplo do último fim de semana quando houve a festa dos aniversariante onde era possível ouvir musicas de todos os ritmos, variando do pagode  ao rock , somos um grupo bem eclético gostamos de todos do jeito que são, sem distinção de cor raça ou credo, o que importa e gostar de motos e ser um motociclista responsável.

¨Eu sempre achei que motociclistas eram pessoas rudes, porém depois que conheci o pessoal do Lobos Voadores estou até com vontade de comprar uma moto e participar¨, diz Valdinete Monteiro  ao falar sobre o moto clube.

Os integrantes são bem animados e divertidos, o que eles pregam é a boa conduta do motociclista, andar sempre com capacete respeitando as leis e as pessoas e não agindo como certos ¨motoqueiros¨ que cortam  o  cano da moto pra fazer barulho e arruaças. Portanto você que gosta de moto, adrenalina, viagens e aventuras e curte fazer  novas amizades , então sinta- se à-vontade  a visitar e conhecer um pouco mais sobre os moto clubes de Aracaju e de todo o Brasil.

Chegando de mais uma viagem

os interessados precisam possuir uma moto que seja  no mínimo de 125cc, que são motos com maior potencia no motor para que possam viajar tranqüilos e que não venha causar atrasos em viagens, ter habilitação e está sempre com a moto sem problemas pois caso durante uma viagem um dos integrantes seja parado pela fiscalização a viagem dos outro será prejudicado pois sendo um grupo não e justo deixar um integrante pra traz.

Portanto é isso ai, apaixonados por motos sejam bem vindos aos lobos voadores, vamos curtir e levar a mensagem de motociclista legal é motociclista consciente. outras informações ligue (79)9906-8318 falar com Antonio, o popular Toni ou acesse o blog http://lobosvoadores.blogspot.com

O Gigante Voltou!

Posted in Perfil by micheletavares on 15/12/2010

Nascido em 1º de janeiro de 1931, essa criança que se aproxima do octogésimo aniversário tem marcada em sua história inúmeras glórias, alguns deslizes, mas, com certeza, muitas emoções.

Por: Iargo Souza

Escudo do Esporte Clube Bahia.

O Esporte Clube Bahia surgiu da iniciativa de atletas de dois clubes baianos (Associação Atlética Baiana e Clube Baiano de Tênis) e a partir daí iniciou sua trajetória nos campos tornando-se o time mais popular do Norte e Nordeste do país.

Dentre suas conquistas destacam-se o Título da Taça Brasil de 1959 (precursora do campeonato brasileiro) vencendo o Santos de Pelé e obtendo o direito de ser o primeiro time brasileiro a disputar a Taça Libertadores da América. Em 1988 acontece a maior conquista do Tricolor Baiano, o Título de Campeão Brasileiro de futebol, alcançado sobre o Internacional de Porto Alegre, grande favorito. Além de dois títulos nacionais o Bahia pode exibir em sua galeria de troféus 43 estaduais, um número impressionante se comparado ao seu maior rival o Vitória que detém 26.

Sem dúvida um gigante, no entanto, o maior mérito do Tricolor de Aço, como é popularmente conhecido, não são suas taças nem títulos, o motivo pelo qual o Bahia deve mesmo se orgulhar é sua imensa e apaixonada torcida, que acompanha o time em todas as situações. Realmente um casamento de “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença”. A prova disso foi a queda do time para Série B em 2003, e em 2005 para a Série C, saindo desta em 2007 com a maior média de público de todas as séries do Brasil. Neste mesmo ano ocorreu uma tragédia que acabou na morte de sete torcedores com o desabamento do anel superior da Fonte Nova. Com a interdição do estádio o Bahia é forçado a sair de Salvador e se afastar da torcida, em 2008 passa a jogar na cidade de Feira de Santana no Joia da Princesa, e mais uma vez permanece na divisão intermediária. No ano de 2009 de volta a Salvador, no reformado estádio Roberto Santos (Pituaçu), o tricolor baiano tenta, mais uma vez sem sucesso, retornar a elite.

2010, essa era a hora, o grande momento havia chegado, as ruas de Salvador, da Bahia e também de todo o Brasil foram arrebatadas por uma onda tricolor. O azul, vermelho e branco invadiram os estádios do país inteiro, os torcedores estavam lá e queriam mais do que nunca a volta do “Baêa” a Série A do brasileirão. “Esse ano tem que subir de qualquer jeito, é obrigação”, afirma o torcedor Yago Santos, e ele não era único com esse sentimento, por toda parte os torcedores manifestavam-se em uníssono: “vamos subir esquadrão”.

Pituaçu em Salvador foi o caldeirão da torcida e palco onde os jogadores deram um show a parte. Lutaram todo o tempo, foram verdadeiros guerreiros, um esquadrão, “O Esquadrão de Aço”. Então do dia 13 de novembro, após sete anos de luta, depois da vitória de 3 a 0 sobre a Portuguesa , o Bahia garante o acesso à primeira divisão do Campeonato Brasileiro e a torcida que, como diz o hino do time, é invencível em vibração, pôde soltar o grito que há muito tempo incomodava a garganta: O TRICOLOR VOLTOU!

Torcida comemora o acesso do Bahia à Série A. Foto: disponível em: http://www.esporteclubebahia.com.br/galeria_detalhe.asp?cod=306

 

 

Entrevista

Posted in Entrevista by micheletavares on 15/12/2010

Elder Cerqueira Santos

“O sexo é uma necessidade vital do ser humano”

Foto Valldy de Cruz

Por Valldy de Cruz

Diariamente temos contato, de alguma forma, com insinuações de conotação sexual. A impressão, é que tudo converge para uma sexualidade, sensualidade e eroticidade excessiva. O que demonstra que o tema sexo tem deixado de ser um tabu, relegado agora aos mais velhos, e tornado comum o debate sobre o tema nas rodas sociais.

Entretanto, mesmo com tamanha liberdade, ainda há imposição ao se falar sobre masturbação feminina, liberdade sexual, bem como abordar a homossexualidade, especialmente se houver algum caso na família.

E, como uma das resistências a essa onda sexista, podemos citar os padres, que se mantém alheios ao sexo e fieis ao celibato. Sem deixar de mencionar o casamento, que vem perdendo sua força mediante casais que preferem namorar eternamente, mantendo apenas um vínculo sexual.

Não podemos esquecer também a explosão de DSTs e AIDS, que mesmo com uma campanha massificada de métodos de prevenção,  se alastra como uma epidemia por todo o mundo, conforme matéria veiculada pela Folha de São Paulo, no dia 1º de dezembro -Dia Mundial de combate a AIDS, onde informou que o total de casos de Aids acumulado no Brasil entre 1980 e junho de 2010 é de 592.914 pessoas.

A internet também tem permitido que grupos de pessoas possam discutir os papeis sociais e a sexualidade. Tem permitido que os homossexuais encontrem pessoas iguais a si e juntas, possam trocar ideias e meios de driblar o preconceito. Tem facilitado a mulher a agrupar-se com outras, criando uma aliança contra a opressão histórica machista. Em contrapartida, essa mesma internet benéfica, tem sido a principal vilã quando se trata de crimes envolvendo a sexualidade. O sexo, é uma necessidade vital do ser humano, como afirma alguns estudiosos. Mas as pessoas estão desenfreadas com a facilidade e a liberdade que se pode conseguir praticá-lo hoje em dia, deixando de lado valores importantes para a sociedade.

Elder Cerqueira Santos, psicólogo e professor do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Sergipe (UFS), mestrado em Psicologia do Desenvolvimento pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS/University of Nebraska-USA) e doutorado pela Universidade dos Estados Unidos, em 2009, recebeu na Filadélfia (EUA), um prêmio da Society for Research on Adolescence (SRA) [Sociedade de Pesquisas Sobre Adolescência] por seus estudos a cerca da violência sexual contra adolescentes. É também coordenador do SEXUS [Grupo de Estudos e Investigações Sobre Sexualidade]. Consultor da World Childhood Foundation (WCF) [Fundação Mundial da Infância], instituição que promove e defende os direitos da infância em todo o mundo, tem experiência na área de Psicologia positiva, com ênfase em desenvolvimento social e da personalidade, atuando principalmente no desenvolvimento da criança e do adolescente, sexualidade e religiosidade.

Dono de um dos currículos mais invejados e uma das carreiras mais sólidas, o professor tem inúmeros trabalhos publicados, entre eles, ‘O comércio do sexo e a exploração sexual nas estradas do Brasil’, que investiga o fenômeno do comércio sexual e exploração sexual de crianças e adolescentes nas estradas brasileiras, sob a perspectiva dos caminhoneiros.

Com exemplar sinceridade, Elder Cerqueira recebeu a equipe do Empauta UFS, no fim da tarde da sexta-feira, 3, no Departamento de Psicologia, na UFS, para uma conversa franca. Durante mais de uma hora de conversa, falou francamente e sem rodeios sobre sexo, liberdade sexual, homossexualidade e fez esclarecimentos a cerca dos novos papeis sexuais na sociedade.

A seguir, o psicólogo muda de lado, abre a guarda para o Empauta UFS e vai para o divã.

“Ser masculino ou feminino não

depende somente do pênis ou da vagina”.

Empauta UFS – Quais são os novos papeis sexuais da sociedade moderna?

Elder –[cruza os braços] Essa pergunta é bem ampla, porque a gente pode falar em termos de papeis de gêneros, tem a questão das novas configurações da mulher na sociedade, como o que trouxe algumas mudanças para o estilo de relacionamentos, casamentos. Mas pode-se pensar também na prática sexual das pessoas, na monogamia, na hetero normalidade, no sexo não heterossexual, no sexo entre adolescentes, na questão diante da Aids e do HIV. Quer dizer, muita coisa mudou a partir das perspectivas que você pode pensar essas mudanças. Sem dúvida nenhuma, de alguns anos para cá temos visto muitas mudanças que envolvem os papeis sexuais na sociedade, tanto as práticas como a maneira como são encaradas no dia a dia, como se manifestam diariamente, como as pessoas se manifestam e categorizam essas pessoas que praticam essas novas praticas sexuais.

De que forma eles se manifestam no dia a dia?

Elder – Eu costumo dizer que mesmo quando a gente não fala sobre sexualidade, ela está presente o tempo inteiro. A gente se relaciona com os outros no cotidiano, a gente está presumindo a sexualidade do outro. A gente avalia a sexualidade do outro o tempo inteiro. É como se estivesse num stand by. Eu digo que a sexualidade gera um impacto muito grande nas relações humanas, mesmo quando o assunto não é sexualidade. A sexualidade influencia muito no que sou. Se sou casado, solteiro ou homossexual a sexualidade influencia muito, muda como as pessoas me enxergam. Então, a sexualidade é parte do que eu sou.

Empauta UFS – O que é liberdade sexual segundo a Psicologia?

Elder – Também difícil de definir. Você pode pensar em termos de prática, que a liberdade sexual é uma prática sem barreiras, censura.  Mas você também pode pensar em termos de atitude, de a pessoa encarar com mais tranquilidade a sexualidade do que há um tempo atrás. A mulher pode encarar o seu papel sexual hoje de forma diferente. Por exemplo, anos atrás, uma mulher divorciada era mal vista pela sociedade.  Hoje isso mudou. Eu posso dizer que essa mulher tem mais liberdade sobre suas práticas sexuais. Ela não é mais vista como antigamente. Ela pode casar, separar de novo. Mas eu posso dizer que liberdade sexual também e uma forma de agir, ou seja, não sair por ai fazendo sexo com quem quiser.

Empauta UFS- Nas últimas décadas tem se falado muito sobre liberdade sexual. Estamos realmente vivendo hoje uma revolução sexual?

Elder -[fica pensativo] Falam em revolução sexual desde a década de 50 e 60. Eu costumo dizer que isso que eles costumam chamar de revolução sexual ainda não aconteceu. No meu ponto de vista, a gente avançou, mas é demais, e exagerado dizer que vivemos uma revolução sexual.

No Brasil, a sexualidade é encarada de uma maneira muito contraditória. Nosso país é visto como um país do carnaval, da bunda, mas nós somos muito conservadores. Por exemplo, um casal não hetero demonstrando carinho publicamente ainda é visto com olhar torto. A sexualidade quando encarada na mídia, ela tem seus limites. Por exemplo, uma música sexualizada pode tocar no rádio ao meio dia, mas um sexólogo não pode ir ao jornal do meio dia, ao Jornal Hoje que a dona de casa vê, falar de sexo. É muito contraditório chamar isso de revolução. Ainda é cedo.

Empauta UFS – O Brasil é um país visto como liberal,mas na prática porque  isso não acontece?

Elder – Porque vivemos em um país de valores solidificados e é muito difícil de um dia para outro mudar esses valores. Por exemplo, os adolescentes de hoje encaram algumas questões sexuais bem diferentes de 20 ou 30 anos atrás.

Empauta UFS – A Organização das Nações Unidas (ONU), recomenda que crianças a partir dos 5 anos recebam educação sexual. A criança tem uma idade certa para receber orientações dessa natureza?

Elder-  Não é uma idade certa. Mas a criança tem que ser orientada. Quando ela faz uma pergunta também tem um limite de compreensão e a gente tem que saber. Sexualidade não implica em falar só de sexo, de sexo com penetração. Falar de sexualidade é falar de corpo, de se preservar, e isso a criança entende e encara de uma maneira aberta.

Empauta UFS – Pesquisas indicam que jovens com idade entre 12 e 14 anos já estão com vida sexual ativa. Por que os jovens iniciam a vida sexual tão cedo? A superexposição desses indivíduos a conteúdos de cunho sexual na infância tem facilitado isso?

Elder – Eu acho que é um alarme afirmar que está tão cedo, porque se você prestar atenção, nas gerações passadas era muito comum engravidar e casar com 15, 16 anos. Eu acho que mudaram algumas expectativas sobre os jovens. A gente quer que o jovem estude, faça faculdade e se forme aos 18,30 anos. Então, quem inicia sua vida sexual com essa idade é visto como precoce, mas isso sempre aconteceu no passado. A primeira relação sexual a gente não tem estatisticamente um marco seguro para dizer que essa idade diminuiu. Tem uma coisa chamada direito sexual do adolescente. Agente não pode julgar o adolescente.  O adolescente tem direito a descobrir sua sexualidade. Todo mundo a parti dos 12, 14 anos começa a experimentar sexo.

Empauta UFS – Preservativos super pequenos para crianças de 12 anos começaram a ser vendidos na Suíça. O que o senhor tem a dizer sobre isso? É uma forma de incitar os jovens a prática sexual repentina?

Elder – [movimenta-se] Dizer que preservativo vai incitar os jovens a prática sexual, é dizer que se eu estivesse com um revolver iria atirar e matar você. Vários estudos em vários países já mostraram que campanhas com preservativos não diminui a idade da primeira relação sexual. Com ou sem camisinha, eles vão fazer sexo com 13 ou 14 anos. É melhor que façam com. Não sou contra e não acho que tenha um efeito negativo.

Empauta UFS – Quais são os prós e contras para quem inicia a vida sexual precocemente?

Elder – Aí sim, a gente pode avaliar do lado de vista social. Quem inicia a vida sexual cedo pode correr o risco de engravidar, porque ela pode iniciar a vida sexual com um pouco menos de informação e tem mais exposição. E tem as conseqüências sociais, que podem ser negativas. Mas conseqüência social não é do ato sexual em si, é da forma como a sociedade julga tal conduta. Ela pode sofrer preconceito, ser discriminada. A menina pode ser chamada de galinha, piranha, enquanto que o menino será chamado de garanhão. Ele vai se sentir em vantagem em relação aos outros. Tudo isso é o julgamento que vai determinar.

“A Internet causou uma revolução”.

Empauta UFS – Até que ponto é necessário, se é que é preciso, a intervenção familiar na formação sexual do indivíduo?

Elder – É preciso sim. Os adolescentes precisam, a partir da infância, de informações sobre sexo. Se eles não encontrarem em casa, vão encontrar em outro lugar. E eles têm uma ótima fonte de informação, que são os parceiros, os pares. É melhor que tenham uma fonte segura em casa para perguntar a mãe sobre menstruação, camisinha, o que engravida ou não. Eles usam muito a Internet, mas há muita coisa errada na Internet. Cada um escreve o que quer.

Empauta UFS – Como a sexualidade vem a ser responsável pela construção da personalidade do indivíduo?

Elder – Sexualidade e personalidade estão sempre juntas. O que a gente é está extremamente ligado a sexualidade. O fato de ser homem, mulher, ou de ter uma orientação sexual faz diferença. As vezes a gente exagera e cria estereótipos, o que é ruim. Ao longo da minha vida inteira, a minha experiência com o sexo, com a sexualidade, com os meus relacionamentos, constrói quem eu sou.

Empauta UFS – É muito fácil para um menino receber estímulos familiares para exercer relações hetero afetivas. No que se refere a homossexualidade, ocorre um boicote por parte da família. Como esse bloqueio pode vir a gerar problemas nessa criança?

Elder – Como já foi bastante abordado de uma forma geral, a  gente vive uma sociedade hetero normativa, onde o normal é ser heterossexual. A gente tem que entender os dois lados. A gente tem que entender que os pais tem uma expectativa sobre os filhos e, mesmo quando eles veem que suas expectativa não serão correspondidas, mesmo assim, por um certo tempo, insistem em acreditar no que foge a seus planos. A heterossexualidade ainda é maioria. O problema é achar que a maioria é o certo. E a maioria das famílias pensam assim. Com certeza, isso traz consequências para os adolescentes. Mas o adolescente sabe como vivenciar sua sexualidade, seja enfrentando a família, seja fugindo. Recentemente nos Estados Unidos surgiram diversos casos de suicídios de homossexuais masculino e feminino, onde deixaram cartas informando que os culpados pelas mortes eram as famílias e que se mataram porque não aguentavam a pressão da família A gente sabe que dados dessa natureza no Brasil não são divulgados, são muito restritos. Nem as famílias são reveladas. A família não vai revelar que o filho se matou por causa da sexualidade. Então, a gente não tem muitos dados, mas imagina que muitos casos acontecem aqui no nosso país.

Empauta UFS – Há muito tempo a psicologia deixou de considerar a homossexualidade como uma doença mental. Como lidar com os pais que ainda insistem em levar seus filhos a profissionais da área por acharem que estão com problemas psicológicos, devido sua orientação sexual?

Elder – [sério] A orientação do Conselho Federal de Psicologia é que o psicólogo acolha esse jovem, essa família, no sentido de trazer uma harmonia para essa situação. Mas os psicólogos estão proibidos de tentarem uma terapia para mudança de orientação sexual, porque ficou comprovado que a homossexualidade não é um problema, portanto, não merece ser tratada. A gente convida os pais para virem ao consultório, o que é muito complicado. Eles chegam e dizem: “cuidem do meu filho. Tem alguma coisa errada”. A gente diz: ‘não, o senhor também precisa ficar’. [risos] Mas essa é uma orientação nacional, que os psicólogos devem agir assim. Acolher o caso, mas não tratar da homossexualidade.

Empauta UFS – A nossa cultura, ao que parece, é muito voltada para a sexualidade. Mas no que se refere a expressão de sentimentos para o mesmo sexo, ela se mostra muito arcaica. O que é necessário ser feito para que a mentalidade das pessoas mudem em relação a essa questão?

Elder -[gesticulando] É uma mudança de valores. É difícil mudar de uma hora para outra uma sociedade que é tradicionalmente machista e hetero normativa. Mas a gente percebe que é muito interessante quando você fala sobre isso. Por exemplo, é comprovado que mulheres aceitam mais gays do sexo masculino do que feminino; já homens heterossexuais aceitam mais lésbicas do que homossexuais masculinos. É bem curioso, mas parece que as pessoas aceitam menos aquilo que questiona elas, que incomoda. A demonstração de carinho entre dois homens é como se fizesse o hetero pensar que aquilo é uma possibilidade racional. É um conteúdo afetivo que ele trabalha de uma maneira irracional. Então, é comum isso acontecer. Isso são valores, cultura.

Empauta UFS – Recentemente, em São Paulo, um grupo de jovens agrediu um estudante de jornalismo, por acharem que ele era gay. A homofobia, de certa forma, é um desejo reprimido e exteriorizado em forma de violência pelas pessoas?

Elder – Primeiro a gente tem que ter cuidado com o termo homofobia. A literatura ainda usa homofobia. Nos meus textos eu uso o termo homofobia. Sempre faço essa observação. A homofobia, pelo sufixo fobia dá a impressão de irracional, como o medo de escuro, de altura. A homofobia apesar desse nome, é uma construção baseada no preconceito, como qualquer outra. Então, esse rapaz que bateu no outro que supôs ser homossexual, ele é preconceituoso, o que poderia levá-lo a bater em um negro, numa mulher que tivesse lá e em quem tivesse na sua frente. É uma manifestação de preconceito. É muito mais das relações sociais, psicossociais do que uma doença, uma patologia, um fenômeno social. Preconceito, foi isso o que aconteceu.

Empauta UFS – Como a psicologia encara a questão da sexualidade de gêneros?

Elder – A psicologia tem pensado muito sobre isso. Discutindo gênero e o que trouxe principalmente a discussão para a psicologia foi a questão dos transgeneros, da transexual idade, que fez a psicologia pensar. Veio para o Brasil por causa das questões de saúde publica, da cirurgia de mudança de sexo. A gente dialoga muito com a sociologia, com a medicina, mas não tem uma teoria única que explica a questão de gêneros. Ela tem sido bastante aceita na psicologia. Mas variações podem acontecer. A gente nasce com um corpo que leva a desenvolver o biológico. O gênero ultrapassa o biológico. Ser masculino ou feminino não depende somente do pênis ou da vagina. Claro que existe o fator hormonal, que a gente não pode deixar passar despercebido.

Empauta UFS – A pedofilia é o assunto que mais tem estado em pauta nos últimos anos. E alguns segmentos religiosos costumam associá-la a homossexualidade. Existe alguma relação entre ambas?

Elder – [gesticulando]A pedofilia é uma doença, uma patologia. E o que a mídia trata como pedofilia, não é pedofilia, é um crime. O que acontece é que o abuso não tem ralação nenhuma com a homossexualidade. As maiores vítimas são meninas e 90% dos abusadores são homens. É uma relação hetero.

Empauta UFS – O que distingue o pedófilo do abusador?

Elder – O pedófilo é doente. Ele sofre de uma patologia. Ele pode sonhar com isso, sofrer com isso, se masturbar pensando nisso, mas nunca chegar próximo a uma criança. Ele pode procurar um psicólogo, procurar tratamento e não se tornar um abusador. Enquanto que nem todo abusador é doente. O abusador comete o crime de fato, mas ele pode ter uma sexualidade mais ampla. Ele pode ser casado, cometer adultério e cometer crime com uma adolescente. O abusador é um criminoso frio.Nem todo pedófilo cometeu o crime.

Empauta UFS – Porque as meninas são as maiores vítimas de abusos sexuais?

Elder – O abuso envolve uma relação de poder. Ele busca alguém abaixo dele, que ele possa calar a boca. Ele busca crianças e adolescentes. Ele busca meninas porque ele é heterossexual. O abusador é um sujeito comum, igual a qualquer cidadão, ele não tem o perfil de lobo mau e nem de criminoso. Sobretudo, a grande parte dos abusos acontecem na relação de adultos com crianças e adolescentes, o que caracteriza o abuso sendo uma relação sexual não consentida, ou quando uma pessoa de um poder maior que a outra força uma relação erótica. Contanto, os dados estatísticos mostram que os abusadores estão próximos da família, são pessoas que as crianças e adolescentes depositam total confiança.

Empauta UFS – A exposição na mídia de casos de pedofilia tem, de certa forma, feito com que novos casos tenham surgido? O que isso pode representar?

Elder – Se antes eu não desconfiava do meu vizinho, de um grito que ouvia, hoje com a informação a gente passou a desconfiar, a denunciar o agressor. Não é que os casos aumentaram. É que hoje começaram a surgir novos casos, as pessoas ficaram mais atentas.

Empauta UFS – De que forma a repressão sexual imposta aos padres se relaciona com os casos de pedofilia onde eles estão envolvidos?

Elder – A questão dos padres é outro caso complicado. Mas a gente não tem números. Os padres aparecem na mídia por que é noticia bombástica, mas não há números que comprovem que há mais ou menos casos de pedofilia que envolvam padres. De acordo com um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) existem 100 mil crianças abusadas no Brasil. A cada 8 minutos uma criança é abusada. Se dessas 100 mil 4,8 ou 10 são abusadas por padres, todos os casos vão aparecer nos jornais. Também não estou defendendo, mas a gente não pode dizer que é o celibato que provoca isso. É preciso ter muita cautela para falar isso.

Empauta UFS – Certa vez li que a humanidade dá passos cada vez mais largos rumo a legalização da pedofilia. O senhor acha que com sua legalização, os altos índices de pedofilia sofrerão queda?

Elder -[balançando a cabeça negativamente] Eu acho que é um tema que não tem nem como discutir legalização. Eu, falando como psicólogo, vejo que não tem como uma criança antes da puberdade ter relação sexual, porque ela não erotizou, não desenvolveu, não vai sentir prazer. É um caso que não é de se discutir. A gente tem que discutir a punição que ainda e muito rara e difícil.

Empauta UFS – E por que é tão difícil a punição?

Elder – Quando um caso surge na família, a mãe não quer se envolver. A família não quer se expor. A criança é coagida, ela não conta. É muito difícil a punição. De vez em quando aparece um escândalo aí com família pobre. Você já viu um escândalo com família rica? Não tem. Há a questão da relação sexual, que não é pega em flagrante e, fica difícil provas comprometer o  envolvido.

Empauta UFS – E há leis específicas para punir os abusadores?

Elder – Há leis. Quando eles são pegos, são presos.A dificuldade é trabalhar com o depoimento da crianças. Fica a palavra do criminoso adulto, que muitas vezes é o pai, contra a da criança, porque o testemunho da criança precisa ter uma perícia, para ver se ela está falando a verdade. O flagrante quase não existe. As vezes o criminoso não deixa rastros. Dentro da família demora muito para acreditar nessa criança. Uma criança de 8 anos não vai a delegacia denunciar. Ela conta a uma tia, a mãe, mas até acreditarem nela leva um certo tempo.

Empauta UFS – Muito se fala de liberdade sexual entre as mulheres. Sem dúvida, tivemos grandes avanços na manifestação do comportamento sexual entre o público feminino. Mas será que realmente, após tantos anos de movimentos femininos podemos dizer que mudamos o referencial e que as mulheres estão livres para exercer sua sexualidade? As mulheres tem se permitido mais?

Elder – As mulheres tem se permitido mais. Ainda é pouco, mas elas tem conseguido causar um rebuliço. Mulheres divorciadas e mais velhas tem se sentido mais a vontade para se casar novamente. Mulheres também não casam mais tão jovem, querem ficar mais tempo solteiras, não querem engravidar, não querem parir mais. Crianças querem uma, duas, porque pensam na possibilidade do divórcio. Elas assumem mais sua sexualidade com um homem mais novo, falam mais abertamente sobre seus desejos sexuais. As mulheres tem ousado mais.

Empauta UFS – E porque elas tem se permitido mais somente agora?

Elder – A mudança é gradativa. Quando disseram que aconteceu uma revolução sexual com a pílula anticoncepcional, ela foi de geração em geração. A geração de hoje está colhendo frutos da tal geração dos anos 60, assim como talvez, daqui há alguns anos as futuras gerações colham frutos de hoje.Todo rebuliço que aconteça hoje mudem em alguns aspectos as futuras gerações.

Empauta UFS – O sexo é considerado por alguns estudiosos como uma necessidade básica do ser humano. Isso é uma verdade absoluta?

Elder – Sim, de certa forma é, mas há algumas exceções. Há pessoas que conseguem viver sem sexo. Existem pessoas que tem uma orientação assexuada, que não sentem desejo de fazer sexo. Mas isso é minoria. Sexo é um desejo que deve ser satisfeito.

Empauta UFS – Com o advento da internet, tornou-se muito mais fácil o encontro de parceiros sexuais. Ela pode ser considerada a responsável pela liberdade sexual verificada na sociedade moderna?

Elder – A Internet ajudou muita gente. Se você conversar com jovens e homossexuais, eles vão dizer que a grande onda de informações que tiveram foi com a Internet. A menina também se esconde no anonimato da Internet para ler ou buscar informação. Você não precisa ir a uma banca de revista. Hoje você pode folhear revistas pornográficas em casa, através da Internet, sem que ninguém saiba que você tem acesso a conteúdos dessa natureza. Você pode ver a revista hetero ou gay. Não tem mais a vergonha do jornaleiro. Se a mulher ia comprar uma revista de nu ou gay era um escândalo. Hoje graças a Internet você pode fazer isso sem ninguém vê. Claro que tem uma conseqüência psicológica. A gente hoje, com a Internet consegue expressar coisas da nossa sexualidade que a gente não conseguia antes. Hoje na sala de bate papo a gente pode falar sobre nosso fetiche, desabafar e se masturbar só para descarregar. A Internet causou uma revolução.

Empauta UFS – Quais seriam as consequências psicológicas para quem busca conteúdos pornográficos na Internet?

Elder – De se sentir mais a vontade, de analisar fantasias, de estar mais perto do sexo na Internet. Hoje você fica mais perto do fetiche. Você vê uma foto, vê um vídeo, tecla com uma pessoa. Hoje, o que há alguns anos parecia ser irreal está acontecendo. Existe Aracaju real e virtual, onde a gente solta nossos desejos, fala putaria, fala dos nossos fetiches, solta a imaginação.

Empauta UFS – O aumento da quantidade de pessoas que praticam sexo antes do casamento, é um dos fatores que tem enfraquecido o interesse por contrair matrimônios?

Elder – A ideia que a gente tem do casamento tem mudado. É a lei da oferta e da procura.  O casamento romântico em que a gente acreditou há muito tempo, é muito recente. Muita gente ainda quer. Tem o afeto que vai além do sexo. E quando o afeto é aliado ao sexo é bom. O sexo pode ser recreativo, mas alguém ainda entende que procura alguém que o compreenda, que conviva, que planejem juntos. Tem gente que confunde relacionamento com sexo. Mas o sexo pode ser rápido, fácil, descartável. E aí o relacionamento também pode ser descartável.

Empauta UFS – Quem prefere namorar eternamente, mantendo apenas um vínculo sexual, na verdade, vê o matrimônio como uma forma de opressão e de impedimento da liberdade sexual?

Elder – A gente trabalhou o que a gente chama de mito da monogamia. A monogamia a gente sabe que é uma construção social e a gente tem que saber quais são as consequência. E socialmente, a gente optou pela monogamia, porque mais da metade dos casais trai.

Empauta UFS – Mesmo com campanhas massificadas do uso de preservativos, o número de DSTs e AIDS não reduziu, pelo contrário, aumentou. Que tipo de fator justificaria essa resistência a utilização do preservativo?

Elder – Não chamaria de resistência. Mas há muito da confiança entre parceiros.  A gente tem uma mudança nas formas de contaminação do vírus. Na primeira fase criou-se o estereotipo de que o homossexual era o grande responsável, depois foi se espalhando entre as mulheres. E a gente sabe que grande número desses casos elas adquirem dos maridos. Ela confia no companheiro, ela namora há muito tempo, ela casa. Tem muita mulher casada descobrindo que é HIV positiva há 6 anos. Mudou o perfil. Se você pegar um grupo de jovens não casados, o uso do preservativo é bom.  O HIV está surpreendendo muita gente que pensava ser imune ao vírus. Tem gente que desenvolve o vírus da Aids em um ano, mas também há casos em que ele só se desenvolve quando os sintomas da Aids já estão evidentes. Estudos do Ministério da Saúde indicam que o que mudou foi o perfil, os casos estão acontecendo com populações diferentes. Não é só uma questão de resistência a camisinha. A gente tem muitos fatores. Teve um tempo em que todo mundo dizia: “o coquetel é de graça, ninguém morre de Aids”. Hoje a gente sabe que não é bem assim. Não é simples viver com o HIV.

Empauta UFS – Recentemente, a Folha de São Paulo, veiculou matéria, onde afirma que ‘De 1991 a 2009, aumentou em 53% o número de municípios no estado de São Paulo com casos de AIDS, principalmente entre jovens com faixa etária entre 13 e 19 anos’. Por que os jovens, mesmo sabendo dos riscos da contaminação pelo vírus HIV não se previnem?

Elder – Nesse caso, entre os jovens tem a questão da primeira relação sexual. Devido a falta de informação, ele não está preparado. É muito comum o jovem transar sem preservativo. E tem muitas variáveis. Ele não planejou aquela relação sexual. Muitas vezes ele vai praticar sexo e não tem camisinha. Então, ele vai transar uma, duas vezes e assim por diante sem camisinha. Mas hoje em dia, esses dados tem melhorado.

Empauta UFS – Liberdade sexual é responsabilidade?

Elder – Também. Você pode alcançar sua liberdade sexual justamente por ser responsável por você e pelos outros.

Empauta UFS – O que é o sexo para o homem moderno? É um simples instrumento de obtenção de prazer?

Elder – O sexo sempre foi prazer, não é para o homem moderno. Se a gente pensar em outras sociedades, o sexo sempre foi muito bom para todo mundo. Você vê as relações homo eróticas, poligâmicas, no início da história, as casas de prostituição como foram bem difundidas na história dos vilarejos. Assim como as drogas, o sexo sempre esteve presente na história da humanidade.

Empauta UFS – O senhor concorda que o sexo está banalizado?

Elder – Está mais acessível, eu diria. Na cultura que a gente tem vivido hoje, ela tem trabalhado o sexo de maneira estranha. Mas não está banalizado.

Empauta UFS – Matéria veiculada na Folha de São Paulo, no dia 1º de dezembro – Dia Mundial de combate a AIDS, informou que o total de casos de Aids acumulado no Brasil entre 1980 e junho de 2010 é de 592.914 pessoas. A explosão dos inúmeros casos de AIDS tem relação direta com o sexo praticado de forma desordenada?

Elder – As DSTs são fatalidades na história da humanidade. Se a Aids tivesse surgido há cem anos, consequentemente teria morrido muito mais gente, porque talvez se transasse mais. Chegou uma hora em que a gente desenvolveu o preservativo, surgiram medicamentos. Então foi uma fatalidade. Não é por causa da promiscuidade ou porque se pratica mais sexo hoje.

Empauta UFS – A filósofa Beatriz Preciado, em entrevista ao jornal espanhol, El Pais, afirmou que “aprender outra sexualidade é como aprender outra língua”. O senhor concorda com tal afirmação?

Elder – Em parte. Eu acho que ela quer dizer na forma de encarar o mundo, a própria vida, uma leitura. Porque a gente está sempre aprendendo com a sexualidade. Quer dizer, há algumas pessoas que param. A gente amadurece sexualmente, a gente tem experiências negativas ou positivas. Na cama aprendemos novas posições, novas práticas. Encontramos novos pares que se encaixam muito bem, outros não. Eu acho que a sexualidade é sempre um aprendizado.

Empauta UFS – A Internet tem sido uma arma poderosa para a liberdade sexual. Em contrapartida, esse meio de se socializar, tão benéfico, tem sido a grande vilã, quando se trata de crimes sexuais?

Elder – É. Por exemplo, a pornografia infantil cresceu muito com a Internet. É muito fácil um aliciador convencer uma criança ou adolescente e ameaçar. A internet pode ser uma vila. Você pode comprar remédio, drogas, roubar dinheiro das pessoas. Não é só para o sexo. Para o sexo ela é também usada como uma ferramenta de crime.

Empauta UFS – Quais são as consequências da sexualidade excessiva para os indivíduos que a pratica?

Elder –  Não necessariamente danosas. Se expor, se arriscar, se proteger.

Empauta UFS – Sua área principal de pesquisa é a ‘sexualidade do adolescente’, mas o tema que o senhor investiga desde 2005 é ‘a violência sexual contra o adolescente’, principalmente o abuso e a exploração sexual. O que o instiga a adentrar nesse universo?

Elder –  É verdade. Eu tenho linhas de pesquisas na questão da criança e do adolescente, mas também investigo a homofobia, HIV. E o impressionante: as pesquisas sobre abuso e exploração tiveram maior repercussão, porque é um assunto que hoje está mais na mídia. Mas não é tipo de pesquisa que mais faço, é porque é o que as pessoas querem falar.

Empauta UFS – E porque as pessoas querem tanto saber sobre a ‘violência sexual contra o adolescente’?

Elder –  Porque novos casos tem surgido. A gente tem evoluído quanto ao direito da criança, quanto a questão da pedofilia, do segmento do governo que tem se manifestado. Mas há 18 anos, o Estatuto da Criança e do Adolescente começou a investir na causa,o que prova que valeu a pena.

Minhas pesquisas tem sido patrocinadas pela World Childhood Foundation (WCF), instituição que promove e defende os direitos da infância em todo o mundo.  A causa leva o nome da Rainha da Suécia, que colocou seu nome lá. Ela vem ao Brasil duas vezes ao ano para visitar Ongs com crianças que foram abusadas sexualmente.

“O prêmio é o reconhecimento da

importância do meu trabalho”.

Empauta UFS – Estudos na área da violência doméstica contra crianças e adolescentes, apontam que, todo abusador foi vítima dessa violência. Isto é realmente verdade ou tudo não passa de um mito?

Elder –   [risos] Tudo isso é mentira. Escreve aí com letras MAIUSCULAS. [risoss] Durante algum tempo a Psicologia pensou assim, mas foi comprovado que não é verdade. É muito fácil para o abusador dizer que foi abusado, dando uma de coitadinho. É claro que a violência pode ser aprendida. Uma criança que vive num ambiente violento, ela pode crescer assim. Mas é perigoso afirmar que uma criança que foi abusada venha a ser um abusador quando crescer. O abusador na maioria das vezes se coloca no lugar de vítima para diminuir a sua culpa perante a justiça, tirando a responsabilidade de assumir o crime.

Empauta UFS – Como o senhor analisa o Sistema de Garantia de Proteção a Criança e ao Adolescente no estado de Sergipe?

Elder –   Avalio como em construção. Acho que já existe iniciativa, gente interessada, o poder público e o judiciário estão envolvidos, engajados. Mas é uma causa que está em construção,crescendo,evoluindo bastante. Só que Sergipe aparece em vários indicadores de forma negativa. Nos índices sobre exploração nas estradas, violência contra a mulher e homossexuais, Sergipe é o pior do Brasil. A gente tem muita coisa para mudar. Eu tenho medo, principalmente quando se comparam ao Sul e Sudeste. Não dá para falar mal. Tem pessoas engajadas, tentando reverter a situação. Precisamos de um crescimento.

Empauta UFS – E esse crescimento depende de quê?

Elder –   Do investimento do poder público. A gente só consegue trabalhar uma temática quando está informado, quando tem conhecimento. A gente tem pouca estimativa do que está acontecendo em Sergipe. Mas a gente precisa investir no diagnóstico. Fazer um mapeamento estadual, conhecer município por município, para que as ações tenham um impacto. Não há coisa pior do que atirar no escuro. As ações melhoraram muito com a rede SUAS, CRAS e Creas, a justiça e Ministério Púlico.

Empauta UFS – Quais os sinais de alerta para detectar quando uma criança foi abusada sexualmente?

Elder –   [Gaguejando] Aí é um… outro… outro livro. Em resumo, a criança apresenta medo de adulto, medo de ficar sozinha com um adulto, passa a fazer cocô e xixi nas roupas. De uma maneira inesperada ela pode apresentar declínio de rendimento escolar, de ter medo de sair de perto da mãe, de ir a escola. Mas há também a avaliação por meio da linguagem. Ela pode demonstrar isso por meio de desenhos, nas brincadeiras.A gente vê esses exemplos através dos nossos estagiários que tem contato com essas crianças que apresentam alguns desses sintomas.

Empauta UFS – Quando vocês percebem que algo está errado com uma criança, qual é o procedimento?

Elder –   De imediato a gente aciona o Conselho Tutelar. No caso do flagrante, o Conselho é acionado, mas também é preciso acionar o disque denúncia, que é o ligue 100. Se na cidade tem Delegacia da Criança, também é acionada, assim como o Ministério Público. Quando não há flagrante, apenas indícios, o Conselho Tutelar é o responsável pela investigação do caso.

Empauta UFS – De que forma o grupo SEXUS atua no estado de Sergipe?

Elder –  O grupo existe só a mais ou menos um ano e meio. Ele começou com uma pesquisa sobre Homofobia no SUS, que a gente começou a fazer contatos com ongs daqui de Aracaju e principalmente com transexuais, hospitais e postos de saúde para saber como eles são tratados quando necessitam dos cuidados médicos.  Então agente tenta fazer articulação com os segmentos. Fechamos parcerias com o Departamento de Direito, com o Ministério Publico, onde somos convidados para participar de palestras frequentemente.

Empauta UFS – O senhor tem inúmeros trabalhos publicados, entre eles, Homofobia no Sistema Único de Saúde, Sexualidade do trabalhador da construção civil e O comércio do sexo e a exploração sexual nas estradas do Brasil. Nos fale sobre seus relevantes trabalhos.

Elder –   [pensativo…Que pergunta ampla!] Eu tenho pesquisa em outras linhas de orientação, mas a questão é que a violência sexual contra a criança e o adolescente chama mais atenção, além do tema ser polemico. É difícil encontrar trabalho que fale sobre esse tema. É consequencia da pesquisa. Tem trabalho ainda em aberto, onde dados estão sendo coletados.

Empauta UFS – Como acontecem a coleta de dados das pesquisas?

Elder –   A gente tem um trabalho teórico, de grupo. Eles são meus alunos. Eu seleciono bem quem vai trabalhar comigo. São alunos que estão na metade ou no final do curso. E aí, depois do treinamento acontece a coleta em parcerias. Por exemplo, para entrarmos nas empresas. No caso do trabalho sobre a Homofobia, fizemos parceria com as Ongs para conseguir recrutar pessoal. É um trabalho de formiguinha. Mas minhas pesquisas são patrocinadas, através de editais que financiam os projetos. Eu tenho dinheiro para comprar equipamentos, pagar as viagens e tenho o suporte também dos bolsistas.

Empauta UFS – Em março de 2009, o senhor recebeu na Filadélfia (EUA), um prêmio da Society for Research on Adolescence (SRA) [Sociedade de Pesquisas Sobre Adolescência] por seus estudos a cerca da violência sexual contra adolescentes. Qual a relevância desse prêmio na sua vida quanto pesquisador?

Elder –   [com a mão no queixo] O prêmio é o reconhecimento da importância do meu trabalho. Traz uma repercussão do trabalho que você faz, e o reconhecimento de uma sociedade internacional para um pesquisador brasileiro,jovem,o que é  difícil, mostrando que o Brasil tem feito coisas boas.Tem a questão do tema, que também chamou a atenção fora do Brasil.

É uma maneira de mostrar que o investimento na pesquisa valeu a pena. O prêmio mostrou que meu trabalho causou impacto fora do Brasil. Além desse prêmio eu já ganhei outros internacionais, por causa dessas pesquisas. Já viajei para outros países Bélgica, Austrália, Nova Zelândia, o que mostra a importância e a relevância do tema Brasil afora.

“Assim como as drogas, o sexo sempre esteve presente na história da humanidade”.

A Sala Verde da UFS

Posted in UFS by micheletavares on 15/12/2010

Como a educação ambiental na rede pública de ensino pode ser um agente modificador

Por: Victor Limeira

O meio-ambiente vive em estado de alerta, discussões concernentes a esta pragmática são cada vez mais freqüentes nos veículos de comunicação (Jornal/TV/Internet), nas salas de aula e no nosso cotidiano. A sociedade passa a refletir mais sobre essas questões, e terminologias como consciência ecologia e desenvolvimento sustentável passam a ser inseridas nesse contexto.

Essa tomada de consciência da população em torno do meio ambiente cresce de forma tangencial e projetos como a SALA VERDE, que consiste fundamentalmente na fomentação teórica e metodológica da educação ambiental nas escolas públicas.

Em entrevista ao concedida ao Em Pauta UFS a bióloga e colaboradora do projeto Camila Gentil (23) explicita conceitos, relativiza os principais problemas ambientais do estado de Sergipe e diz como projetos do gênero em paralelo com a aplicabilidade da constituição penal vigente podem em longo prazo gerar transformações.

 

1)       Em Pauta UFS: Quando e como começou o projeto SALA VERDE? Já existia em outras instituições?

Camila Gentil: O daqui da UFS começou em 2005, quando concorreu com o edital do Ministério do meio ambiente. É vinculada a reitoria de extensão (PROEX), já teve relação à prefeitura, estão querendo retomar isso. Sim, o projeto existe em outras universidades.

 

2)       Em Pauta UFS: Do que se trata o projeto SALA VERDE? Quais são seus principais objetivos?

CG: O principal objetivo seria a formação continuada dos professores em educação ambiental, o projeto também promove seminários e encontros. Acontecem encontros mensais em algumas cidades do interior; [Própria, Ribeirópolis, Indioroba, Arauá, Lagarto, Nossa Senhora do Socorro]

 

3)       Em Pauta UFS: Como tem sido trabalhar com essas comunidades? Quais são os critérios para que elas sejam selecionadas?

CG: Em alguns municípios é bem estressante, como Arauá. Em outros o projeto é bem tranqüilo como em Indiaroba. Contudo alguns professores utilizam isso para sair da sala de aula. O projeto sala verde é apresentado a alguns municípios, os que se interessam, assinam um termo e aderem ao projeto, mas existe um prazo e devido à falta de programação, algumas cidades ficam de fora.

 

4)       Em Pauta UFS: O que pode ser feito para se envolver a comunidade nestes processos?

CG: Como são vários municípios e ás vezes esses povoados ficam longe um do outro, a gente procura entender a realidade local e trazer isso para a prática. Formulamos as aulas de acordo com as peculiaridades de cada cidade.

Bióloga Camila Gentil na Sala Verde da UFS. Foto: Victor Limeira

 

5)       Em Pauta UFS: Quem esta capitalizando esse projeto? Quais são as principais dificuldades?

 

CG: O Ministério do meio ambiente fornece Kits/manuais/livros/DVD (circuito sala verde) e as bolsas são vinculadas ao PROEX (projeto de extensão)

Políticas. O projeto depende deles para acontecer e no interior a politicagem é grande. Problemas com transporte e infra-estrutura (sala)

 

6)       Em Pauta UFS: Já existem resultados deste trabalho?

CG: Temos alguns resultados. O nosso ciclo é anual, então sempre fazemos um paralelo do que foi feito nesse ano. 2009 foi o nosso melhor ano, contudo em 2010, muita coisa aconteceu; apresentação de trabalhos nas escolas; plantio de horta que além de servir para aulas, enriquecem o cardápio dos alunos.

 

7)       Em Pauta UFS: Como a universidade federal de Sergipe (UFS) pode atuar nesse âmbito?

 

CG: A UFS atua bastante, apóia a sala verde. Além disso, existe o projeto da semana da sensibilização que será ampliada no ano que vem, com projetos como a carona amiga; redução do gasto com papel; recolhimento do óleo de cozinha para fazer detergente, que já funciona um pouco. Há muito tempo também foram instalados interruptores nas salas de aula, os alunos podem ao sair do ambiente desligar luzes e ventiladores. Existe ainda um problema com o lixo que é separado de forma coletiva, mas despejados nos lixões da cidade.

 

8)       Em Pauta UFS: O assunto do meio ambiente é muito debatido hoje, mas vocês que trabalham no interior do estado, ainda existem problemas concernentes a falta de informação? As pessoas desconhecem a temática? Qual o nível de conhecimento deles? E na capital do estado?

CG: Na verdade quando a gente fala de informação, isso deve ser pensado de forma ampla. Existe certo conhecimento sim, mas há muita resistência quanto ás mudanças no comportamento. Em linhas gerais o conhecimento é nivelado pelo censo comum, com poucas exceções.

 

9)       Em Pauta UFS: As pessoas se dizem consciente dos problemas ambientais, vestem camisas que remetem a isso e tem um discurso convincente, contudo, muitas vezes, aquilo se restringe a teoria e tudo soa muito utópico. Existe uma solução para o problema que decorre de muitos anos, mas que hoje tem maior conotação? Você acredita em um mundo diferente (PROFISSIONAL/PESSOAL)?

 

CG: Pessoalmente ainda acredito, quero acreditar, caso contrário não estaria trabalhando com isso. É uma difícil missão, não existe solução emergencial nem tampouco devemos ir de encontro ao capitalismo, afinal é esse o regime vigente e a nossa realidade. Deve-se então diminuir gradativamente os impactos, afinal até para se fazer pesquisa eles causados.

 

10)   Em Pauta UFS: O que este governo fez em relação ao meio ambiente (melhorias)?

CG: Melhorou em algumas coisas, sobretudo em questões de infra-estrutura. Aconteceu a fusão da secretária de meio

Estudantes trabalham na Sala Verde da UFS. Foto: Victor Limeira.

ambiente com a de recursos hídricos. Os problemas consistem em nível de administração estatal, a ADEMA não realiza concursos, o nepotismo é uma constante, na SEMAR os concursos existem somente para vagas secundárias.

 

11)   Em Pauta UFS: O que é meio ambiente?

CG: A maior parte das pessoas trata questões ambientais ligadas ao meio como sendo químico/físico/biológico (seres vivos/ar/água/sol). É a definição que geralmente se dá ao meio ambiente, contudo, meio ambiente é mais do que isso, aqui onde estamos na biblioteca, é meio ambiente. O homem passa a maior parte do tempo em ambientes que foram feitos por eles, então o entorno onde essas pessoas se relacionam é meio ambiente.

 

12)    Em Pauta UFS: O que é desenvolvimento sustentável? Qual a sua real aplicabilidade?

 

CG: Desenvolvimento sustentável seria você conseguir olhar o crescimento econômico do capitalismo e a diminuição dos impactos no meio ambiente. Até o momento ele não funcionada de forma efetiva, o desenvolvimento no país é impulsionado pela indústria. Existe o ISO/9001 que consiste na regulamentação da empresa para que esta tenha um valor ambiental, mas na maioria das empresas do país ele não tem aplicabilidade. Empresas como o GBARBOSA e a PETROBRÁS contam com setores que o desenvolvimento sustentável funciona.

 

13)   Em Pauta UFS: Em Sergipe devido ao crescimento industrial que geram maior produção de dejetos observa-se que poluição dos Rios (Poxim, Sergipe, Piauitinga entre outros) cresce em larga escala. Qual o controle estatal feito em torno dessa pragmática?

CG: Nenhum, na verdade o esgoto deveria ser tratado (EMURB), mas esse é jogado nos rios sem qualquer tratamento.

 

14)   Em Pauta UFS: O Derramamento de esgotos em rios/mangues/praias é uma constante no estado, o que isso ocasiona nesses ecossistemas?

CG: Muitos problemas, por exemplo, a eutrofização das águas- Maior índice de bactérias que se desenvolvem com menos oxigênio e isso reflete diretamente na vida do homem. Por exemplo, o camarão é contaminado pela bactéria, o peixe ingere esse camarão e também é contaminado, o homem pesca esse peixe e é contaminado por ela, portanto uma reação em cadeia

15)   Em Pauta UFS: Como é tratado o lixo em Sergipe/Aracaju? A coleta seletiva tem aplicabilidade? Como a comunidade pode atuar nessa questão?

CG: É lixão, Aracaju/Sergipe não existe coleta seletiva nem tampouco aterros sanitários. Existem cooperativas como a CADE, que fazem coleta seletiva, mas a demanda é muita maior, a estrutura é pequena e a iniciativa civil é quase nula.

 

16)     Em Pauta UFS: O turismo hoje é um dos grandes mantenedores da economia Sergipana, muitos investimentos estruturais foram feitos (construção de hotéis, ampliação do aeroporto, divulgação de eventos, construção de novas estradas e pontes) Mas a nível ambiental, já que são os atrativos naturais como as praias que geram esse fluxo turístico, o que foi feito?

 

CG: Na orla de Atalaia, por exemplo, a água é em muitas épocas imprópria para banho. O parque da cidade está bem deteriorado, a localização do parque é ruim, pois fica em zona industrial e de grande concentração populacional, as pessoas da própria comunidade fazem má uso do local, jogando lixo e usando drogas no ambiente, além disso, o parque não esta inserido nos roteiros turísticos da cidade, sobretudo por questões de infra-estrutura, como segurança pública. O restaurante, a biblioteca e a sala de vídeo também não funcionam.

 

17)    Em Pauta UFS: Como a comunicação e o jornalismo podem contribuir na questão do meio ambiente?

CG: Pode contribuir na questão da denuncia, mostrando a sociedade o que realmente acontece e o também o que não esta sendo feito. Os jornalistas são formadores de opinião e devem transmitir informações verdadeiras para população.

 

18)   Em Pauta UFS: Qual é a atuação do IBAMA no estado de Sergipe? E do Greenpeace?

CG: Há algum tempo o IBAMA dividiu-se em IBAMA e ICMBIO (Instituto Chico Mendes de Biologia). A fim de melhorar o trabalho e sua organização. Eles trabalham na fiscalização do trafico ilegal e da exploração do meio ambiente, mas o contingente percentual de trabalhadores desses órgãos é pequeno demais. Pouca ou nenhuma.

 

19)   Em Pauta UFS: O código de leis ambientais do estado de Sergipe/carta magna assegura proteção a inúmeros ecossistemas, contudo, como na maioria das leis, a sua aplicação é quase nula.  Como coibir ações contra o meio ambiente? A impunidade é um mecanismo que assegura essas práticas?

CG: Com certeza. A constituição é bem elaborada, mas não funciona na prática. Por exemplo, existe uma punição ao poluidor prevista em lei, mas essa é muito simbólica e muitas vezes não é cobrada.

 

20)   Em Pauta UFS: Sabe-se ainda que existe uma enorme discrepância da capital em detrimento do restante do estado, no interior de Sergipe existe muita exploração do meio ambiente, que conta inclusive com resquícios de mata atlântica. Quais são os principais problemas das outras cidades?

CG: O lixo e o esgoto são os principais problemas do estado. Com relação  a  preservação da mata atlântica existe ainda o Parque Nacional da Serra de Itabaiana  e a Reserva Biológica de Santa Isabel- sede do TAMAR em Pirambu. De um modo geral os problemas são os mesmos. O crescente fluxo turístico no Rio São Francisco pode acarretar em problemas futuros.

 

21)   Em Pauta UFS: Em linhas gerais Aracaju é uma das melhores cidades do pais, possui inclusive uma das melhores qualidades de vida, qual a relação desse índice com o meio ambiente?

 

CG: Esse índice esta muito mais relacionado com a saúde e a economia, do que com o meio ambiente. Em Aracaju existe pouco verde com poucos pontos bem arborizados.

 

22)   Em Pauta UFS: Em Aracaju, capital do estado, é constante a destruição do meio ambiente para construção civil. Na 13 de julho por exemplo, litoral e mangue foram aterrados para construção de prédios e edificações, como órgãos públicos posicionam-se sobre casos dessa dimensão e em que essa a sociedade tem total conhecimento? Foi feito algo sobre isso particularmente?

CG: Não, a sociedade tem pouca ou nenhuma ação social. Legalmente o mangue é uma área de proteção ambiental e não deveria ser deteriorada, a EMURB teria obrigatoriedade de embargar a outra, mas não faz isso. Então em 2ª ordem a ADEMA deveria proibir construções nesses ambientes, contudo, devido à superlotação de licitações e ao poder econômico das construtoras essas são liberadas em sua maioria. Muitas vezes somente com a licença-prévia as obras são iniciadas, fato completamente arbitrário. Outro fator é o lixo produzido, dejetos de construção civil precisam ser jogados no lixo com inúmeras particularidades, o que não acontece.

 

23)    Em Pauta UFS: O homem é a única espécie que pode provocar a sua autodestruição. Contudo, desde os anos 80 cresce no Brasil a chamada consciência ecológica? No que consiste essa consciência? Como ela pode ser estimulada?

 

CG: Essa questão da consciência ecológica é na verdade uma retomada da realidade. O homem esta despertando para os problemas do meio ambiente.

 

24) Em Pauta UFS: Qual a avaliação que da política ambiental no governo de Sergipe?

CG: Melhorou em algumas coisas, sobretudo em questões de infra-estrutura. Aconteceu a fusão da secretária de meio ambiente com a de recursos hídricos. Os problemas consistem em nível de administração estatal, a ADEMA não realiza concursos, o nepotismo é uma constante, na SEMAR os concursos existem somente para vagas secundárias.

25)   Em Pauta UFS: Como a educação pode atuar nessa questão? Qual o papel das escolas? Qual a linha metodológica que deve ser seguida?

CG: De forma direta. O papel as escolas é de fomentas discussões sobre meio ambiente desde muito cedo entre as crianças, de forma multidisciplinar e em todo ano letivo, não somente em períodos específicos, como o dia da água, relativizar aspectos sociais e da sua realidade, Paulo Freire é a favor de uma educação emancipatória e essa afirmação tem muito fundamento. Os conhecimentos prévios do aluno devem ser trabalhados com clareza. Á critica que envolve o social, cultural e econômico. Precisam-se unir todos os aspectos da sociedade para se conseguir uma educação ambiental efetiva.