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ônibus 040: Quem te conhece, não te esquece jamais.

Posted in Perfil by micheletavares on 15/12/2010

O Ônibus das cenas inusitadas, Marcos Freire II / DIA (Foto: Illton Bispo)

Por Illton Bispo

      O ônibus ainda é o transporte coletivo mais popular nas cidades, e ainda muito usado por trabalhadores, principalmente em países como o Brasil. O primeiro serviço de transporte coletivo de ônibus no país foi implantado em 1908, ligando a Praça Mauá ao Passeio Público, no Rio de Janeiro.

     A cada dia e a cada manhã uma nova história para contar. São inúmeras pessoas que se utilizam desse veículo na cidade de Aracaju, especialmente quem utiliza o ônibus 040, Marcos Freire II / D.I. A, que liga os Bairros Lamarão, Santos Dumont, Capucho ao Terminal do Distrito Industrial (D.I. A). Vive sempre apertado, aliás, aperto é quase um elogio para o nosso amigo aqui. Pois se não tiver no aperto, pode-se dizer que não é o 040.

    Sua trajetória começa bem cedinho, lá pelas 4h da manhã e segue sua rotina embalado pelos ritmos musicais do momento, que vão desde o arrocha a Lady Gaga constituindo assim, um cenário favorável para  caras feias , discussões e  até mesmo estranhamentos,sem falar no mau humor das pessoas. Os sons que ecoam no ambiente do ônibus, parte dos diversos aparelhos celulares e MP3. Além dos gritos, xingamentos, piadinhas com o motorista e cobrador.

     Acompanhada a rotina em horário de pico ao longo das avenidas e ruas de Aracaju, é possível notar a variedade de figuras pitorescas encontradas no interior do  040. É ambulante aqui, outro ali, mudinho entregado papelzinho, onde na maioria das vezes é motivo de socos e ponta pés. Pois o nosso amigo tem um belo histórico de brigas, armações e barracos. E quando chega  no Terminal  Maracaju, localizado na Zona Norte da cidade, no Bairro Santos Dumont é um verdadeiro Deus nos acuda, uma correria só  aglomerados de pessoas querendo descer e outras subir ao mesmo tempo.Trabalhadores, donas de casa,  estudantes e até mesmo idosos travam uma luta por um espaço livre no 040.

 Jailson Silva, usuário do Marcos Freire II/D.I.A, há   cinco anos,  fala que a população de Aracaju ainda  é ignorante no que se diz respeito a cidadania. E que as pessoas não se importam com o comum. 

    O ônibus é considerado por muitos, como uma super “máquina” de transportar pessoas em massa. Transporta da mais simples pessoa ao mais inusitado objeto, como por exemplo, uma imensa cama de solteiro, que   se transforma em motivo de burburinho e atiça a indignação de alguns de seus passageiros. Suas portas andam quase sempre abarrotadas é gente caindo de um lado para o outro, as pessoas até parecem desenhos animados, grudados uns aos outros e nos vidros das janelas, tamanha é a lotação do no nosso companheiro Marcos Freire II/ D.I.A. 

Passageiro se preparando para mais uma "aventura" no 040. (Foto: Illton Bispo)

    Muitos usuários reclamam do aperto e da falta de segurança dentro do ônibus. Pois o nosso amigo é um forte alvo de maníacos sexuais que se aproveitam das mulheres indefesas e os assaltos frequentes que muita das vezes, as pessoas nem se dão conta que estão sendo roubadas, tudo isso em virtude da super lotação. Que na maioria das vezes o motorista do veículo é taxado de culpado. De certa forma eles acabam sendo culpados. Tendo em vista que  na maioria das vezes  eles não para no ponto certo durante o seu trajeto, freiam bruscamente e acaba produzindo efeito dominó e sai derrubando tudo dentro do nosso amigo 040.

     Segundo Antônio Silva, motorista de 57 anos,  as pessoas reclamam da lotação com razão, no entanto há reclamações de todos os lados que se pode imaginar. A única alternativa para o 040 não lotar é não parar nos pontos. Mas se isso acontece, causa outro transtorno e reclamações, “se bem que muitos amigos meus fazem esse tipo de coisa. As pessoas não entendem que é nosso dever é parar. Mas cabe as pessoas decidirem se vão ou não subir em um ônibus lotado”. Outro fato interesante que acontece com frequência com o nosso amigo Marcos Freire II/D.I.A.É  que  muitos motoristas param fora do ponto dentro dos Terminais  de integração,com o objetivo de descarregar os passageiros para quando chegar ao ponto certo outros passageiros subirem com traquilidade, mas as pessoas estão desabituadas a este tipo de manobra e quando avistam o ônibus, saem correndo  feito loucos.

     Já são 17h, fim de tarde e mais um início de pico na cidade. As pessoas estão voltando do trabalho para suas casas,mais estressadas  do que nunca.E a rotina do Marcos FreireII/ D.I.A  se repete novamente:lotação,aperto, mal humor  e por aí vai.Assim,o nosso  companheiro 040, traça  seu destino mais uma vez .Sua vida conturbada   e cheia de histórias só  encerra no final da noite,onde a  paz, tranquilidade  e harmonia predominam em seu interior. Quem sabe, se as empresas de transporte urbano da capital disponibilizassem mais ônibus nessa linha nos horários de picos, o nosso amigo seria menos lotado e mais agradável.

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